quarta-feira, dezembro 31, 2008

Fim de Ano em Cacilhas

Não tinha pensado passar o ano em Cacilhas, mas como está tudo esgotado...

Ainda não é desta que vou à Madeira, ficar mais uma noite no sempre agradável "Reid's"...
Um bom ano novo para todos.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

A Crise Desapareceu...

Não me venham falar de crise, nos tempos mais próximos.

Não vi as lojas com menos gente na segunda quinzena de Dezembro. Então nos últimos dias antes do Natal, as filas aumentaram de uma forma considerável, assim como a circulação automóvel, provocando congestionamentos onde menos se esperava...
No dia de Natal fui almoçar às Caldas da Rainha. Há muito tempo que não apanhava tanta confusão de trânsito no garrafão da Ponte 25 de Abril, a um feriado. O mesmo se passou na A 8, onde encontrei mais trânsito que num dia de semana, normal.
Espero que a crise tenha mesmo fugido, não esteja apenas escondida por ser Natal...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Boas Festas


Vou fazer umas "feriazitas" de Natal, pelo que só voltarei a "postar" depois de 26 de Dezembro.
Desejo-vos a todos boas festas.

sábado, dezembro 20, 2008

A Impaciência dos Cem Anos...

Embora não seja nenhum milagre, são raras as pessoas que chegam aos cem anos. E ainda menos, aqueles que o fazem, mantendo alguma autonomia e lucidez.
Carlos Sameiro, o velho faroleiro de Almada, com 98 anos, tinha tudo isso, embora uma queda (graças às obras do Metro, que felizmente já acabaram), o tenha debilitado, fisicamente, roubando-o aos quase passeios diários que dava pelo centro de Almada, com paragem na esplanada da "Rifera", para conversar com os amigos...
A última vez que conversámos, penso que deve ter sido no final de Setembro, onde estava sentado na companhia do nosso amigo comum, Carlos Durão.
Quando Carlos Sameiro, soube que eu era das Caldas, falou-me com satisfação da sua adolescência passada em S. Martinho do Porto e das suas visitas, a pé (uma brincadeira de mais de dez quilómetros para cada lado...), numa época em que a força nunca se acabava...
Todos nós queríamos (e ele claro...) que chegasse aos cem anos. Infelizmente não resistiu a este frio, um autêntico calvário para as pessoas mais idosas...
Soube do seu falecimento no blogue "Alma d' Almada", de onde retirei a fotografia.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Era Mais um Lobo Disfarçado de Cordeiro

O seu sorriso nunca me agradou, assim como o seu cinismo.

Tinha uma grande audiência nas suas "Conversas em Família" (até a minha mãe gostava de ouvir o senhor...), pois conversa nunca lhe faltou.
Mas com todas estas palavras, nunca explicou o porquê das perseguições que moveu a centenas de homens livres, nem a obrigatoriedade dos jovens participarem numa guerra em defesa de um império, que só existia na imaginação de alguns sonhadores
O meu pai não gostava dele, como não gostara antes de Salazar. Ambos simbolizavam a antítese dos homens livres, aquilo que ele sempre quis ser. Se não tivesse outra razão, esta sobejava-me.
Ainda hoje...

domingo, dezembro 14, 2008

Conversas de Café (17)

- Sei que estás cheio de sorte, já podes levantar a "massa" do Banco Privado...

- Nem no banco privado nem no público, mas adiante...
- Não me digas que não tens "plaffon" para ter lá dinheiro...
- Se é verdade o que vem nos jornais, não.
- Nunca pensei que o teu amigo sócrates fosse tão indiscreto, a proteger os amigos ricos...
- As pessoas que estão no poder vão perdendo a vergonha.
- O mais engraçado, é que o próprio nome da instituição diz tudo. Sempre pensei que privado era o contrário de público.
- Eu também. Vais ver que com esta crise, qualquer dia também subsidiam o "Gambrinus"...
- Falando a sério, nunca vi um governo que protegesse tanto o grande capital como este. As PME's que se cuidem...
- Vão fechando, um pouco por todo o lado. Fazem lembrar a agricultura, onde para receberes subsídios do Estado, tens de ser "latifundiário"...
- Até quando é que eles vão teimar em chamar-se socialistas?
- Boa pergunta...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

«Vendedores de Jogo»

Era assim que o meu pai apelidava os grandes "palradores", capazes de dar grandes voltas numa conversa, para nos tentarem levar à certa, com um pedido ou uma venda qualquer. A única certeza que ele tinha, é que ficávamos sempre a perder...

Mas achava-lhes piada, às vezes era capaz de comprar qualquer "inutilidade", apenas pela satisfação de apreciar a lata e o jogo de cintura do vendedor, que em muitos sítios, era também conhecido como "vendedor de banha da cobra" (embora estes também existissem de verdade, com as suas caixinhas de latão, com a poção mágica que curava todas as doenças possíveis e imagináveis...)
Claro que os verdadeiros vendedores de jogo de rua, não serão todos grandes "palradores", ao contrário dos "vendedores de banha da cobra", como este da fotografia de Eduardo Gageiro...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Sessenta Anos de Quê?

A comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos só pode ser encarada como uma brincadeira, neste começo de século.

Perdeu-se quase tudo, inclusive a vergonha, de usar como bandeira uma declaração que não é cumprida por praticamente nenhum Estado.
O trabalho que era, e é, o alicerce económico de qualquer família, está pelas ruas da amargura. O desemprego cresce, à mesma velocidade que o trabalho precário e as horas de trabalho. Nunca se viveu com tanta insegurança, com tantos medos, com tanta violência.
Falhámos em toda a linha nos últimos anos. Esquecemos tanta coisa importante, especialmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Nos seus primeiros dez artigos, não existe um, que seja cumprido integralmente no nosso país. E não vou para as áfricas e américas...

Esta fotografia de Gordon Parks, continua actual, espelha o desespero das mães deste país, que têm cada vez mais dificuldade em oferecer aos seus filhos, aquilo a que deveriam ter direito, segundo a Declaração...

terça-feira, dezembro 09, 2008

«O Diabo Anda à Solta!»

Era esta a expressão da minha avó, neste dias ventosos, em que quase tudo dança à nossa volta, com violência.
Nesse tempo, eu, ainda pequenote, sorria e espreitava o vento, mas do demónio nem sinal. Era invisível, feito de uma massa parecida com a de Deus, que também não gosta de se mostrar, embora esteja em toda a parte...

Nestes dias está-se bem é em casa, como eu neste momento a ouvir os Clã, já no "sorriso de Gioconda"... onde também há um amante furtivo.
«Para quem sorri Gioconda? Está tão longe e tão perto...», pergunta a Manuela Azevedo, uma das vozes que mais gosto de ouvir cantar em português... e agora já está noutra canção, a dizer-me: «deixa que o amor se entranhe na terra seca do coração», isto tudo, com «o ritmo do mar», imaginem só.
Deu-me para aqui, porque o diabo, dizem, que anda por aí à solta...

domingo, dezembro 07, 2008

O Ginjal no Mural de Romeu Correia

Ontem foi inaugurado, em frente das piscinas da Academia Almadense, o Mural de azulejos da autoria de Louro Artur, que homenageia o escritor almadense Romeu Correia. Não estive presente porque à mesma hora havia o lançamento do livro de Diamantino Lourenço...

Sabemos que este painel tem estado armazenado em caixas, há já uns anos, nas instalações do Município.
Não conseguimos perceber o porquê. Porque razão se tem escondido este bonito Mural (gosto mais desta palavra que de painel...) dos almadenses...
Ainda menos percebemos que tenha sido colocado num lugar quase escondido, da Cidade...
Entre os muitos motivos escolhidos pelo autor da obra, lá está o Ginjal, lugar de predilecção de Romeu, na infância e adolescência...

sábado, dezembro 06, 2008

O Livro Sobre Cacilhas de Diamantino

"Cacilhas - Ponto de Partidas Local de Passagem", é o título do livro de Diamantino Lourenço, que é apresentado hoje na sede da ARPIFC, na localidade ribeirinha.

Assisti a todo o percurso deste livro, que em meses passou de um pequeno opúsculo de quarenta páginas a um belo livro com mais de cem folhas...
O mais curioso foi o autor ter ido buscar acontecimentos que tinham passado ao lado de quase todos os cacilhenses, como a partida da Primeira Volta a Cavalo, em 1925, ou várias partidas de etapas da Volta a Portugal em Bicicleta...
Mas Diamantino não se fica por aqui, também nos dá uma perspectiva dos estudos e construções de pontes sobre o Tejo e dos caminhos ferroviários (que só agora chegaram a Almada, através do Metro de Superfície).
O mais bonito disto tudo, é vermos alguém que escreve bem, com dezenas de artigos publicados aqui e ali, ter esperado pelos setenta e sete anos, para publicar a sua primeira obra a solo.
Parabéns Diamantino!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Eram Poetas...


ERAM POETAS...

«Não eram vultos, eram poetas!»
Exclamou o taberneiro, com orgulho,
Ao velho polícia do giro.

«Eram poetas sim senhor.»
Insistiu o taberneiro.
O polícia coçou o nariz,
Só conhecia aqueles marginais
Dos livros e dos filmes.
Até pensava que não saiam à rua.

«Saem sim senhor,
Embrulhados na noite.»
Explicou o taberneiro.
O polícia agora coçava a cabeça,
Enquanto fazia sinal ao homem,
Para lhe encher mais uma vez o copo.

«Eles param sempre aqui,
Antes de trocaram algumas palavras
Com as nuvens e as estrelas.»
Sorriu o taberneiro.
O polícia olhou-o fixamente nos olhos,
Antes de soltar uma valente gargalhada.

«E também namoram sereias.»
Disse o Taberneiro com satisfação.
Os dois homens não conseguiam parar,
De rir e de beber aquele vinho,
Tonto e tinto...

Foi por isso
Que em boa hora
Decidiram fazer um brinde:
«Aos poetas do Tejo,
Das noites e das sereias belas...»

Poema publicado inicialmente no fanzine almadense, "Debaixo do Bulcão", nº 33, Junho de 2008 (de aniversário), escrito para homenagear os seus criadores, em particular António Vitorino. Posteriormente foi "agarrado" pelo caderno, "Palavras ao Tejo". E é para ti, Ivone...

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Olhares Sobre o Tejo...

Com a polémica dos contentores na frente ribeirinha, em Alcântara, percebi que nem todos os olhares que se debruçam para o Tejo, refletem sentimentos de serenidade, amor ou alegria.

Além do sentimento de indiferença - há quem atravesse o rio, como se estivesse numa auto-estrada, apenas preocupado com os dez minutos que demora a travessia -, também há alguma desconfiança. Há quem nunca tenha achado muita piada a rios largos e a mares, muito menos a ondas eriçadas pelo vento, que fazem os cacilheiros dançar um pouco.
Para estes passageiros o Outono e o Inverno são um suplício, principalmente quando está mau tempo no canal...
É por isso que mal o cacilheiro parte, lançam o olhar num jornal ou num livro e só olham para a Margem, quando já estão a atracar no cais...

sábado, novembro 29, 2008

Palavras ao Tejo

Não é nada de novo, é apenas um caderno com poemas que foi escrevendo, aqui e ali, e que agora reuni...

como abertura, escrevi entre outras coisas:
«Como vocês sabem, de vez enquanto escrevo poemas. Não é uma coisa tão natural como escrever prosa, porque as palavras pedidas nem sempre aparecem. Provavelmente não é verdadeira poesia (se isso existe...), talvez seja mais prosa poética, talvez sejam apenas palavras mais espaçadas, mais calmas e mais sentidas...»

quarta-feira, novembro 26, 2008

Metro em Festa

Hoje foi dia de inauguração do Metro no coração da cidade. Não sei se houve corta-fitas, presumo que sim.

Nem sei se o primeiro-ministro veio cá (era mais giro que se tivesse feito representar pela dupla "alegre", lino e piño, para ajudarem a festa...). Acredito que sim, já é tempo de "campanha eleitoral", nacional e local, pelo que deve ter andado a distribuir sorrisos com a Maria Emília...
Falando de coisas sérias, não sei se o Metro fica apenas a um metro do futuro, nem tão pouco se os novos arruamentos vão trazer as pessoas para as ruas. Gostava que sim, mas como há uma dúzia de anos que nos transformámos numa terra farta em "tapa-olhos"...
Era bom que quem nos governa levasse à prática as suas próprias palavras, ou seja, que todos os almadenses sentissem que Almada é a sua cidade, independentemente da sua escolha de credos ou bandeiras.

terça-feira, novembro 25, 2008

Uma Data Sem Consensos

O 25 de Novembro de 1975, continua a ser uma data pouco consensual.

Para a verdadeira esquerda é um dia triste, significa o fim do sonho, o regresso ao passado, com a porta de novo aberta ao capital (e de facto eles começaram a regressar às suas casas no Restelo, vindos principalmente do Brasil)...
Para o centro e esquerda democrática continua a ser um marco histórico da Revolução de Abril, porque simbolizou o regresso da democracia e da liberdade, sem qualquer tipo de ameaça ditatorial...
Para a direita foi quase um "milagre". Foi a possibilidade de voltarem a respirar e a sonhar com o país desigual que tinham ajudado a construir (e a destruir...) até 24 de Abril de 1974, e continuarem a obra, com os resultados que todos conhecemos, trinta e quatro anos depois...
Claro que esta pequena análise, é demasiado simplista. Mas é difícil fazer história, a uma distância tão curta e com tantos intervenientes ainda vivos, cada um a puxar a "brasa à sua sardinha"...
A escolha do cartaz da autoria de Vespeira, não é inocente. O MFA, tal como no 25 de Abril de 1974, voltou a ser o principal protagonista do 25 de Novembro de 1975, como garante da Liberdade...

segunda-feira, novembro 24, 2008

O Simulacro em Almada

Na tarde de sábado pude assistir "in loco", a algumas operações que se desenrolaram na chamada Almada Velha.

A passividade dos intervenientes era tal, que percebia-se que o simulacro ia seguir dentro de momentos...
Não sei como foi efectuado o planeamento, mas era notório que a coordenação da Protecção Civil com todas as entidades presentes (forças policiais, bombeiros, emergência médica e voluntários), deixava muito a desejar.
Claro que isso irá acontecer sempre, a não ser que queiram tornar os simulacros quase reais, provocando mesmo acidentes (como foi feito em alguns locais), de forma a ter de haver mesmo uma intervenção no terreno. Não basta andar a apitar por toda a cidade, a cortar estradas, etc.
No entanto devo referir que acho extremamente úteis todas estas operações, especialmente em locais onde seja necessária a evacuação de milhares de pessoas. É com os erros "a brincar", que se podem corrigir as eventuais falhas, numa situação real...

sábado, novembro 22, 2008

O Aniversário da Junta de Freguesia Cacilhas

Como de costume, a Junta de Freguesia de Cacilhas, comemorou o aniversário com um jantar, onde há sempre diversão e convívio, entre autarcas, associativistas e comerciantes locais.

O Beira Mar de Almada continua a revelar-se um bom anfitrião, exibindo a excelente nível a dança das suas "muchachas", com ares sevilhanos e também das arábias.
Há também lugar para discursos, para a entrega dos prémios do concurso de gastronomia local, para a primeira apresentação de uma obra literária editada pela Junta sobre Cacilhas, e claro, para colocar a conversa em dia.
Dos discursos retive o desagrado com que o presidente da Junta, Carlos Leal, falou, dos cortes do governo em relação ao apoio às mais pequenas autarquias do país, as Freguesias. Acho um escândalo, por pensar que, de uma forma geral, estes órgãos fazem autênticos milagres de Norte a Sul, quase sempre com parcos meios. Desde a Freguesia do interior, que vai de aldeia em aldeia, buscar a miudagem para a escola, até à Freguesia urbana que apoia algumas actividades desprezadas pelos Municípios...
Das conversas entre amigos, retive o drama de um ex-técnico do Museu da Cidade, o Julião (presente, com uma bonita mostra de fotografias de Cacilhas...), que ao fim de dez anos de trabalho precário na Câmara de Almada, foi despedido.
Casado e pai de filhos, foi atirado para o "lixo", por um Município que gosta de se afirmar solidário, justo e amigo das boas causas.
Claro que esta CDU que governa Almada, não é a mesma que barafusta no parlamento contra a existência do trabalho precário e do novo código do trabalho. É por isso que vos aconselho a lerem o Infinit'os da Minda...

sexta-feira, novembro 21, 2008

A Arte Lisboa

Ontem fui à "Arte Lisboa" (na Fil até dia 24), apreciar a contemporaneadade artística lusa e do mundo.

Não fiquei deslumbrado por aí além, talvez pela forma como tudo está exposto e organizado, muito feira de qualquer coisa, sem a arte que merecia...
Achei curiosa a apresentação significativa de arte chinesa. É mais um exemplo de que eles já deixaram há muito de se interessarem apenas pelo comércio de bugigandas baratas.
Qualquer dia somos nós que ficamos com os olhos em bico...

A imagem é de um postal de Anna, uma artista do sol nascente...

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Esperteza do Liberalismo

Não sei se lhe chame liberalismo ou capitalismo, ou outra coisa qualquer, sei que este sistema político-económico consegue reunir as piores qualidades humanas.

Sim, a inveja, a ganância o cinismo, a arrogância, o egoísmo, tal como a falta de respeito pelo seu semelhante, estão sempre na primeira linha desta ideologia, contra qualquer tipo de regulações.
Infelizmente já não é preciso visitar a América Latina ou os EUA, para descobrir "ilhas", cheias de contrastes, mundos quase à parte, de um lado os ricos (em quase prisões de luxo...) e do outro os pobres. Portugal também caminha nesta direcção. É por isso que a pobreza aumenta diariamente entre nós, ao mesmo tempo que os muito ricos se vão tornando ainda mais ricos.
Isto trás mais desigualdades, mais descontentamentos, e claro, mais violência. Nada acontece por acaso, por muitas desculpas que se inventem...
Não sei como as coisas irão acabar, mas acho no mínimo curiosa a forma como os "ricos" tentam contornar a crise, asfixiando ainda mais as classes médias e baixa, com desemprego e cortes salariais, esquecendo que são eles quem verdadeiramente contribui para o aumento da sua riqueza. Só que para que isso aconteça, têm de ter dinheiro no bolso...
Será que os "capitalistas" ainda não perceberam que por este caminho continuam a construir casas, a fabricar carros, máquinas, bugigangas, para ninguém (se exceptuarmos os seus bólides e condomínios de luxo limitados)?
Por isso não me venham dizer que os capitalistas são inteligentes. Serão quanto muito "xico-espertos", que foram reconstruindo o mundo à sua imagem.
Esperteza essa que se pode e deve estender, a um governo "subsidiário" dos grandes interesses capitalistas, apesar das duas grandes ironias com que tem de conviver diariamente - chamar-se socialista e ser chefiado por Sócrates -, que se vai perpetuando no poder, apenas pelo demérito gritante da oposição...

Parece-me que vão aparecer por aí, muitos "Carros Derretidos", como este de Robert Doisneau.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Hoje Apeteceu-me Fumar um Cigarro...

Hoje apeteceu-me fumar um cigarro, eu, que praticamente nunca fumei, se excluir a meia-dúzia de cigarros fumados no começo da adolescência no ciclo preparatório, sem qualquer importância.

Apeteceu-me porque tenho a mania de andar em sentido contrário em relação a algumas regras e manias da sociedade. E hoje parece que é o dia do não fumador...
É uma boa altura para falar de uma coisa que sempre me incomodou.
Sempre achei obsceno os avisos que aparecem nos maços de cigarro. Nem sequer sei se isso contribuiu ou contribui para a diminuição de fumadores. A nova lei que proibiu de se fumar em quase todos os recintos fechados (excepto nas nossas casas...), essa sim, deve ter reduzido drasticamente o consumo.
E penso que se o Ministério da Saúde está assim tão preocupado com a "vida" e a "saúde" dos outros, deveria fazer o mesmo nos rótulos da bebidas alcoólicas, que tenho a certeza que provocam muito mais mortos, directa e indirectamente. Nas estradas é o que todos sabemos. E nos lares, quantas cenas de violência doméstica, não são provocadas pelo uso e abuso de álcool?
E nem falo da cada vez menor prestação de cuidados de saúde nos serviços públicos e do vazio de médicos de família por esse país fora, outra preocupação esquecida...
É só hipocrisia!
A fotografia, para variar, é de Robert Doisneau...

domingo, novembro 16, 2008

A Cidade da Árvore de Natal Verde

Também estive lá, ao cair da tarde, para ver a cidade ficar iluminada pelas luzes de Natal.

A Praça da Renovação estava bem composta, por isso além das canções houve discursos e palmas.
Não vale a pena sequer questionar os custos da árvore e afins, porque o povo almadense gosta da cidade decorada com luzes, nesta época festiva.
Um dos únicos comunistas que continuam contra estas "festanças" é o Alfredo. A sua ortodoxia e o ódio ao capitalismo fazem-no sempre torcer o nariz a estas coisas. Nunca aceitou a forma como a Autarquia se tem vendido ao capital. É por isso que foi contra o "Almada Fórum", é contra o "Metro de Superfície", e destas iluminações de Natal nem se fala...
Só mesmo ele para falar, inocentemente, na oferta de cabazes de natal pelas famílias mais desfavorecidas do concelho. Ainda lhe perguntei como é se iam encontrar as famílias mais pobres, a carga de trabalhos que seria, além das injustiças que se cometeriam, apesar da boa vontade que pudesse existir...
Não o convenci. Raramente o convenço. E ele a mim. Deve ser por isso que nos damos bem.
Desta forma as iluminações de Natal são para todos, para os que gostam e também para os outros...
E a árvore até é bonita, tem luzes verdes, de esperança.
Como nada é inocente, esta cor deve ser a que mora nas hostes da CDU local, que se preparam para mais uma vitória eleitoral em 2009...

sábado, novembro 15, 2008

Conversas de Café (16)

- Quando olho para o teu "casario", apetece-me sempre perguntar-te se ainda vives neste mundo. Não vives, pois não?

- Tenho dias. Quem me dera, às vezes descobrir outro mundo, melhor e diferente deste. Como isso só pode acontecer em sonhos, é possível, que de vez enquanto me ausente para parte incerta...
- Estou a provocar-te para reagires, mas sem poesia...
- Isso agora é mais difícil. Já não me chateio muito com coisas e pessoas pequeninas.
- Mas pelo menos vais logo à inauguração da iluminação da árvore grande de natal?
- A pedido de várias pessoas, com destaque para os meus filhos, devo ter de comparecer na festança da constança cá do sitio...
- Foi uma grande jogada da Maria Emília, não foi?
- Acho que sim. É a prenda de natal para os almadenses...
- E os almadenses vão gostar?
- Concerteza, eles gostam da presidente...
- E tu, gostas?
- Gosto. É difícil não gostar dela...
- E esta?
- É verdade. É uma personagem simpática, dava uma boa rainha, embora o nome não ajude muito.
- Sim, rainha Maria Emília, não lembra a ninguém. Achas que ela é mais rainha que primeira-ministra de Almada?
- Às vezes parece-me que sim, mas não sei. Estou demasiado afastado das ruas do poder, para ter uma opinião válida sobre a sua verdadeira força política.
- Eu acho que ela é uma poderosa. E gosta de ter poder e de decidir.
- Se tu achas...
O óleo é de Mark Keller.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Fui Avisado, Mas...

Até joguei no "euromilhões" antes do tal dia 30 de Outubro, porque estava interessado naquela grande parcela de terreno, na Avenida 25 de Abril, em Cacilhas...
Podia fazer quase tudo. A área está destinada á construção para os usos de comércio, habitação e estacionamento. É verdade, mais cimento armado para Cacilhas...
Como moro perto, talvez criasse por ali, um oásis.
Mas o "euromilhões" não quis nada comigo...
Claro que fiquei curioso. Que razões levavam uma Autarquia sem dívidas, a desfazer-se deste património?
Embora já estejamos em Novembro, continuo esperançado. Será que o prazo voltou a ser prorrogado, por falta de propostas "interessantes"? Poderei voltar a jogar na sorte?

segunda-feira, novembro 10, 2008

As Velhas do Café

O pintor Manuel Henrique Pinto, natural de Cacilhas, foi um dos vários artistas plásticos que fez parte do "Grupo do Leão", a tertúlia artística mais importante da segunda metade do século XIX.

Pintor naturalista, foi premiado em vários salões internacionais. Como se nota neste quadro, sofreu influências de José Malhoa, de quem foi grande amigo, tendo mesmo partilhado o seu atelier em Figueiró dos Vinhos.
Escolhi as suas "Velhas do Café", porque tem as cores deste Outono...

sábado, novembro 08, 2008

Edmundo Pedro em Almada

Conheci Edmundo Pedro em Almada, no lançamento do meu livro, "Almada e a Resistência Antifascista", na qual constava a biografia do pai, Gabriel Pedro, um nome grande na luta contra a ditadura salazarista.
Depois deste primeiro encontro encontrámos-nos várias vezes, inclusive na sua casa, onde me contou pormenorizadamente as suas muitas lutas, desde o 18 de Janeiro de 1934, a passagem de quase dez anos pelo Tarrafal, ao 25 de Abril de 1974. Falou-me com grande admiração e orgulho de Bento Gonçalves, secretário geral do PCP nos anos trinta e quarenta, e claro, de seu Pai.
Embora não tenha presente a data certa, penso que foi durante o centenário do nascimento de Bento Gonçalves, que a Cooperativa Piedense organizou um colóquio em sua homenagem. Fui convidado e estive presente, assim como Edmundo Pedro, que até levou a maquete de uma das máquinas criadas por Bento Gonçalves, revelando a sua enorme capacidade e inovação técnica.
Infelizmente fiquei com más recordações desta sessão. Não gostei logo da maneira como foi feita a abertura da sessão, em que o escritor Modesto Navarro, em vez de falar em nome da Cooperativa, falou em nome do PCP, para todos os camaradas presentes, como se estivéssemos num encontro partidário e não numa sessão pública de homenagem a um grande lutador antifascista, que também era comunista.
O pior ainda estava para vir. Edmundo Pedro pediu a palavra, para falar de Bento Gonçalves, até por ser, de todos os presentes, o único que teve o privilégio de conviver e trabalhar com ele, diariamente, quer no Arsenal da Marinha, quer no Tarrafal, onde Bento Gonçalves viria a falecer.
Pouco agradados com esta "intromissão", os elementos da mesa não descansaram enquanto não lhe cortaram a palavra, deixando-o a meio da sua intervenção.
Completamente indignado com esta actuação do PCP, assim que Dias Lourenço começou a falar, levantei-me e sai porta fora...
Embora continue a ter muitos amigos comunistas e me sinta em tantas coisas, marxista, continuo a ter muitas dificuldades em compreender a postura do PCP na história recente, demonstrando pretender ter a exclusividade da luta antifascista em Portugal, durante o salazarismo e marcelismo, coisa que não é possível, por muitas tentativas que faça, porque a história é feita com todas as pessoas que lutaram pela liberdade, independentemente do seu credo político...

quinta-feira, novembro 06, 2008

«Isto está Porreiro Pá!»

Nunca assisti em "directo" a tanta incompetência, como nas obras para o Metro de Superfície de Almada.

Á boa maneira portuguesa, dizem-me que todas as obras do Estado são assim. É possível. Mas não deixa de ser a negação do tal país que nos tentam vender, em quase todas as notícias, mais moderno, mais capaz e mais rigoroso.
São as obras do "nacional-porreirismo", onde ninguém fiscaliza ninguém e os trabalhadores a soldo das incontáveis sub-empreitadas, fazem o que todos observamos diariamente. Assentam os mosaicos sem qualquer esquadria ou nível; colocam a calçada cheia de lombas e de espaços entre pedras; abrem valas e esquecem-se sempre dos fios ou tubos de qualquer coisa; remendam as estradas e os passeios sem qualquer sentido estético, etc.
Talvez seja este o, «porreiro pá!», do primeiro-ministro.
Responsáveis? Ocorre-me imediatamente a empresa que ganhou o concurso para a realização das obras, essa mesmo, a Mota e Engil, do senhor Coelho, que deve estar cheio de cartolas lá em casa.
Entretanto fico sentado na plateia, a ver se a Autarquia, quando receber a "Nova Almada", vai fazer ou não ondas...

terça-feira, novembro 04, 2008

Há Sempre Peixe no Tejo

Quem passa pelo Ginjal, encontra sempre pescadores a darem "banho à minhoca", na Primavera, no Verão, no Outono ou no Inverno.

Não sei se é apenas vicio, se é prazer de estar por ali na companhia do Tejo ou se existe mesmo muito peixe nas suas águas...
Eles sim, são os verdadeiros guardiões do Ginjal e do Tejo...

domingo, novembro 02, 2008

Boa Notícia Para Cacilhas

Fiquei satisfeito, quando passei na sexta-feira pelo antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas e vi que as obras de recuperação do imóvel, já começaram...

Era bastante penoso ver este edifício histórico, completamente abandonado. Especialmente depois de ter sido adquirido pelo Município...
Tive a oportunidade de visitá-lo e posso dizer que se trata de um edifício maior do que pensava.
Além de albergar os serviços de turismo do Município (destino já traçado pela Autarquia...), poderia e devia ter uma vocação cultural importante no concelho. Cacilhas possui três associações culturais da Freguesia, pelo que podiam ser desenvolvidas várias actividades artísticas neste espaço, bastava que existisse vontade para se erigir no local uma galeria de arte e um pequeno auditório...

sábado, novembro 01, 2008

O Dia de Cacilhas

O sol apareceu e Cacilhas voltou a encher-se de gente, atrás da tradição secular que dá graças ao milagre da Senhora do Bom Sucesso, de 1 de Novembro de 1755, com a procissão religiosa que percorre as ruas da Freguesia.

Os restaurantes e os vendedores ambulantes que assentaram arraiais próximo da Igreja, bem devem ter agradecido à Senhora, apesar da crise...

sexta-feira, outubro 31, 2008

A Magia da Dança

Ontem participei num espectáculo de dança, de uma forma inédita, graças a
Lídia Martinez (que tinha lançado o convite na blogosfera...), no Auditório do Fórum Romeu Correia, em Almada.
Claro que esta participação foi apenas como mero figurante (com mais sete pessoas...), servindo os propósitos da coreografia, "Sentir os Espaços, Desertados Pelo Homem", apresentada no espectáculo "Performance Inaugural", da 16ª Quinzena de Dança de Almada.
Quando me vieram buscar para o palco senti o nervosismo natural de qualquer pessoa, fora destas coisas, mas depois, senti-me bem e gostei de ver o espectáculo no próprio palco, sentir de perto os movimentos e a própria respiração dos três excelentes bailarinos profissionais: Lídia Martinez, Isabelle Dufau e Clermont Pithan.
A Plataforma foi composta por mais espectáculos, onde ficou muito bem patente, a Magia da Dança...
Obrigado Lídia pela simpatia, pelo profissionalismo e pela experiência inédita...

A fotografia veio de Paris, do blogue Autre Cas...

quarta-feira, outubro 29, 2008

O que Mudou na Maternidade...

Este "post" podia dar uma das minhas conversas de café, pelo tema e por ter acontecido num café. Mas o tema é tão complexo, foram levantadas tantas questões, que daria uma conversa com quilómetros de palavras, pouco recomendável na blogosfera...
Começámos por falar de uma amiga que não tinha filhos, porque o marido tinha problemas de infertilidade, obrigando-a a desistir do sonho de ser mãe. Apareceram vários argumentos na mesa, a adopção, a fertilização in vitro, mas ela diz que não é a mesma coisa, só queria um filho do amor da sua vida... e acabámos a falar de outra amiga, que não tem, nem quer ter, como prioridade na vida, ser mãe. Os filhos estão fora de hipótese...
Comecei por pensar que as coisas estão todas trocadas, que quem quer não pode e quem pode não quer...
Mas avancei rapidamente nos meus pensamentos, para me fixar nas prioridades que nós temos, que também vão mudando, com os hábitos e com a evolução da própria sociedade.
Há quarenta anos quase todas as mulheres tinham como principal prioridade, o casamento e a maternidade. A sua realização pessoal passava muito pelo marido e pelos filhos.
Hoje não. A mulher é muito mais que uma simples dona de casa, esposa e mãe. Também tem vida pessoal e profissional...
Será por isso que se têm menos filhos? Também, mas não apenas por isso.
As pessoas dantes tinham mais filhos porque não existiam tantos contraceptivos, nem conhecimentos do próprio corpo e da sexualidade. Sem falar da influência religiosa...
A única coisa que ainda não mudou, foi a própria natureza da maternidade, que é e será sempre feminina.
"A Maternidade" é de Almada Negreiros.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Mar com Ruinas

As obras do Polis lá vão avançando, lentamente, na Costa de Caparica, rente às praias, que ganharam bastante areia, neste Verão e Outono.

As novas instalações dos restaurantes e apoios de praia também têm bom aspecto. Claro que o que se ganha em modernidade perde-se em diversidade, de cores e modelos. Mas o saldo final é muito positivo.
Em contrapartida, o centro da cidade está cada vez mais feio e abandonado. Casas degradadas ou a precisarem de obras, abundam em quase todas as ruas...
Nunca percebi as razões da Costa de Caparica e da Trafaria, terem sido tão ignoradas nos últimos trinta anos, pelos poderes local e nacional. Não se conseguiu tirar qualquer partido das condições naturais destas localidades para o turismo. Porquê?

domingo, outubro 26, 2008

Lisboa e o Tejo

José Cardoso Pires, abre o seu "Lisboa Livro de Bordo - vozes, olhares, memorações", com um excelente texto sobre Lisboa e o Tejo.

«Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa dos ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para o oceano. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.»
Embora tivesse nascido na Beira, José Cardoso Pires sempre se assumiu como um lisboeta, com uma predilecção especial pelos bairros e pelas pessoas, que lhe diziam tanto.
A Margem Sul também fazia parte do seu mapa literário, não fosse a Costa de Caparica o lugar de eleição para dar vida aos seus livros...

sábado, outubro 25, 2008

A Arte de Picasso

Já tenho ouvido muita "estupidez" sobre o génio e a arte de Picasso.

Há mesmo que pense (por desconhecimento, claro, a ignorância sempre foi muito atrevida...) que Picasso não sabia desenhar de uma forma proposional, apenas fazia construções de cubismo...
Foi por essa razão que escolhi o seu óleo, "A Vida", datado de 1903, quando tinha apenas 22 anos, uma das obras da sua fase azul, iniciada após a morte por amor do amigo Casagemas...

quinta-feira, outubro 23, 2008

Quando as Máscaras Caem...

Não tenho qualquer prazer em falar de partidos e de políticos, mas é impossível passar ao lado das últimas posições e afirmações de Manuela Ferreira Leite.

Santana Lopes, o fulano em quem ela se recusava votar há poucos meses atrás, já está perdoado, e, provavelmente, até é um bom candidato a Lisboa, para ela claro...
Sobre o orçamento a senhora tem dito as coisas mais estranhas, se pensarmos nas "engenharias" que ela fez, quando era ministra das finanças. Além de ter vendido património do estado para "equilibrar" o défice, ainda conseguiu essa coisa brilhante, de possibilitar aos contribuintes com dividas em atraso às finanças e à segurança social, de as pagarem com um desconto significativo (o que eu considero um convite ao não cumprimento do pagamento destas obrigações e também uma falta de respeito e de honestidade para com quem tem os impostos em dia).
O mais engraçado, é que esta postura é normal entre políticos. Quando regressam a posições de responsabilidade e de poder, falam sempre como se tivessem vindo de outro país, ou fossem "virgens" nas jogadas e habilidades políticas...

Este desenho do Rui já é antigo, ainda dos tempos do "Jornal", mas permanece actual, tal com as palavras de Eça ou Ramalho, do século XIX. Agora o "comboio fantasma" é a crise, como se não vivêssemos em crise há uma boa meia-dúzia de anos. E sobre acordos secretos, estamos falados...

terça-feira, outubro 21, 2008

«Isto é uma Passadeira, Estúpido!»

Não, não se trata de uma palavra de ordem, apenas um desabafo meu, cada vez mais habitual, especialmente para os condutores da TST de Almada, que adoram acelerar rente às passadeiras (sei que já falei nisto, mas eles estão cada vez piores, e se não respeitam velhinhos nem criancinhas, o que dizer do resto da malta...).
Como não tenho passe social, ando quase sempre a pé em Almada. Só uso o carro para me deslocar para fora. Quando atravesso o rio, além dos cacilheiros e de também andar a pé, uso preferencialmente o metro, mais pela sua rapidez. Quando estou com mais pressa e tenho algum compromisso, apanho um táxi. Dizem muito mal destes senhores, mas eu, sinceramente, não tenho razão de queixa. Além de não ser costume andarem às voltas por Lisboa para me sacar "guito", gostam de conversar, essa coisa cada vez mais rara, em Portugal e no Mundo...

Voltando aos fulanos da TST, ainda bem que conduzem de janela aberta. Pelo menos levam com as minhas bocas.
Tenho pena que na sua formação permanente não exista educação cívica. Querem exemplos? Aí vão: além de não gostarem de cumprir horários (ora saem mais cedo ou mais tarde que a tabela...), olham para as passadeiras como obstáculos que têm de ultrapassar a todo o custo, e outra coisa ainda; não menos grave, adoram arrancar, quando vêm alguém a correr para apanhar o autocarro.
Em suma, são uns gajos porreiros...

domingo, outubro 19, 2008

Olha Como era, o Mundo Perfeito...

Já sei, o mundo perfeito é uma tremenda utopia...

Afinal Jesus existiu ou não? E Deus está mesmo em toda a parte?
Existiu, mas isso nem sequer é muito importante. Conheci verdadeiros anarquistas, que sempre tentaram organizar as suas vidas de forma a viverem sem deus e sem amo, que eram pessoas mais respeitáveis e humanas, que a maior parte dos católicos que conheço.
Em relação a Deus prefiro pensar que talvez ande por aí...
Claro que era bom viver num mundo onde não olhássemos os outros com sobranceria, onde convivêssemos bem com a diferença, de cor, de credo, de género ou de outra coisa qualquer, não tenho dúvidas...
Era óptimo todos termos direito à diferença, e mais importante ainda, todos conseguirmos respeitar as diferenças.
Mas se no jardim-escola o menino mais forte começa logo por ser baptizado de "gordo" e a menina de óculos, de "cegueta"...
O problema é que tudo aquilo que nos rodeia, inclusive os restantes animais com a sua irracionalidade, conseguem ser muito mais perfeitos que nós, humanos...
O óleo, "A Mulher com Flor", tem o traço inconfundível de Pablo Picasso.

sábado, outubro 18, 2008

O Nosso Mundo Pouco Perfeito

As histórias de discriminações têm sempre várias versões e bastantes coitadinhos.

Podia começar pela cor, onde já assisti a bastantes episódios em que sempre que a vida não corre ao jeito de um fulano castanho, amarelo ou azul, este grita de imediato, «racistas!», tantas vezes, injustamente...
Mas não, prefiro abordar a sexualidade e o mundo complexo das artes, onde se passam coisas do arco da velha.
Como todos nós sabemos, uma boa parte dos homossexuais adoram falar de discriminação. Esquecem-se é da sua postura nos "mundos" onde estão em maioria...
É por isso que refiro aqui a caminhada de um amigo actor, que para ser aceite nos palcos, teve de fingir que era "bicha", que era um deles...
Só se salvou dos assédios diários, por afirmar que era monogâmico, que tinha um namorado com quem vivia e era feliz...
Ainda hoje a maior parte dos colegas não sabem qual é a sua verdadeira opção sexual...
Pois é, este mundo está demasiado longe de ser um lugar perfeito...
O óleo é de André Lhote.


quinta-feira, outubro 16, 2008

Um Alvo a Abater

Sinceramente, não sabia que Carlos Queirós tinha tantos inimigos, nem que bastava uma derrota e dois empates, para lhe atirarem a toalha para o relvado...
Claro que estou farto de saber que há por muitos jornalistas e cronistas que não gostam de ninguém, nem mesmo do seu próprio umbigo.
Assim como sabia que era um risco enorme para qualquer treinador português, treinar esta selecção, depois da era "milagrosa" de Scolari, e então se começasse a qualificação com alguns precalços, como está a acontecer, ainda seria mais difícil...
Gosto de Queirós porque é uma treinador sério. Sei que ele não tem dotes de milagreiro, não vai encher o país de bandeiras, nem tão pouco andar com dentes de alho no bolso, para satisfazer o povo da bola...
Talvez seja disso que esta gente (e até alguns jogadores..) gosta. Talvez seja melhor contratar futuramente outro treinador de fora, que fale com os santinhos e com as estrelas...

Carlos Queirós cometeu erros, comete-se sempre, especialmente quando não se ganha... também faltou sorte, mas sobretudo inteligência.
Ontem à noite percebi algumas coisas. Por muito que isso nos custe, não cabem na equipa tantos artistas de circo, Cristiano Ronaldo, Nani e Quaresma juntos, é fantasia a mais e colectivismo a menos...
Claro que são eles que num lance de génio podem decidir o jogo, mas ontem em Braga não houve genialidade, só estupidez...

segunda-feira, outubro 13, 2008

As Ofertas Continuam...

Apesar dos sinais de crise, dos medos dos bancos, as ofertas de crédito continuam.
Na sexta-feira recebi um telefonema de uma senhora insistente, que me queria oferecer dinheiro (que querida...). Depois de dizer que não estava interessado, ainda lhe perguntei se não chegavam já os níveis de individamento no nosso país. Claro que ela fez orelhas moucas e disse que a oferta se mantinha até ao fim do dia...
Hoje chegou pelo correio, mais uma oferta, já a rasguei (mas acho que vou digitar a "oferta" para colorir estas palavras), patrocinada por uma loja de roupa, da qual tenho cartão de cliente...
O banco é o mesmo. Fazem-me no minimo confusão estes "brindes"...

sábado, outubro 11, 2008

As Derrapagens do Costume...

Se há algo me faz confusão nas obras públicas, são as habituais derrapagens de muitos milhões. Não duvido que nesta "contabilidade" existem sempre grandes aproveitamentos, de todas as partes envolvidas, para ludibriar o Estado (ou seja, todos nós).
Mas há outro factor importante, que tomei conhecimento, por ser um espectador assíduo das obras
intermináveis do Metro de Superfície de Almada, ainda que de forma involuntária. Refiro-me ao desperdício de tempo, materiais, e claro, a mais que notória, incompetência da construtora e respectivos técnicos.
Há locais onde se abriram, fecharam e voltaram a abrir, buracos, três e quatro vezes no mesmo sitio, por se terem esquecido de qualquer coisa. Em alguns lugares já estava tudo pronto no exterior...
Não percebo porque razão não se chama ninguém à responsabilidade, neste caso particular de Almada, sabendo que a Câmara tem no terreno pessoal especializado a acompanhar as obras.
Será que os engenheiros da Autarquia não têm olhos para tanta incompetência?

quinta-feira, outubro 09, 2008

E Esta? O Amor às Vezes é Fodido...

Por mero acaso, descobri no
Ciberescritas da Isabel Coutinho, a opinião de Miguel Esteves Cardoso sobre a blogosfera, com a qual concordo...
Quando ele diz que: «os blogues são uma coisa maravilhosa, são a melhor coisa que aconteceu em Portugal no século XX», exagera um pouco, e eles até já apareceram no século XXI...
Agora quando ele refere que, «os blogues estão muito à frente da imprensa», tenho cada vez menos dúvidas...
É por isso que fazem tantas cócegas.

terça-feira, outubro 07, 2008

O Mundo de Ricos e de Pobres

Parece que o Belmiro e o Amorim perderam uns 500 milhões (claro que entretanto já devem ter recuperado uma boa parte da quantia...), numa manhã negra da bolsa...
Sim, parece. É que estas coisas da bolsa são todas virtuais, quase que parecem a "blogosfera"...
Não sei com que cara olharam para o mundo, mas provavelmente deve-lhes ter sido mais fácil sorrir que soltar uma lágrima...
Mesmo assim, talvez aproveitem esta crise para empurrar mais uns quantos trabalhadores para o desemprego, e estes sim, irão ficar abalados, com a redução do salário modesto (normalmente inferior a 500 euros), tão importante e tão ginasticado durante o mês...

Eles são bons em alguns teatros e fingem que não sabem que há quem viva numa "Casa de Papelão", como esta de Robert Doisneau...

domingo, outubro 05, 2008

Burricadas e Tasquinhas em Cacilhas

A comemoração da implantação da República é festejada em Cacilhas com um regresso ao passado, com a realização das tradicionais, "Burricadas e Tasquinhas".

Apareçam. Além de puderem almoçar nesta banda, podem ainda disfrutar das muitas bancas de artesanato e ainda dos habituais passeios de burro pela rua Cândido dos Reis...

sábado, outubro 04, 2008

O Monstro da Blogosfera Assusta...

Quando os políticos profissionais, disfarçados de comentadores, têm a desfaçatez de caracterizar a blogosfera como "submundo" e "lixo", como muito bem sublinha o
Tomás Vasques , no seu "Hoje há Conquilhas, Amanhã não Sabemos", o que poderemos dizer deles?
Basta olharmos para Portugal, para os seus muitos exemplos práticos de incompetência, oportunismo, desleixo e falsidade, para sentirmos que se eles estivessem ao nível da blogosfera, possivelmente viveríamos num país melhor, mais aberto, mais livre e mais honesto...

A pintura é de Júlio Pomar, "Chimpanzé com Compasso, ou a Quadratura do Círculo".

sexta-feira, outubro 03, 2008

Conversas de Café (15)

- Andas a fugir muito aos temas da actualidade...

- Achas? Se calhar estou cansado da actualidade.
- Nem uma farpita ao BB por causa da casinha dele...
- Para falar dele, tinha de falar também dos outros três mil e tal.
- Se te oferecessem uma casa, aceitavas?
- Essa pergunta não faz sentido, porque não é disso que se trata. Não se trata de ofertas mas sim de pedidos de casas.
- Está bem, eu reformulo a pergunta. Eras rapaz para pedir uma casa à Câmara?
- Não.
- Porquê?
- Por achar que não tenho necessidade disso.
- O BB tinha mais necessidade que tu?
- Não sei. É possível que tivesse. Não faço ideia.
- Estás a gozar comigo, não é?
- Não, não estou. Não sei qual é a vida do senhor.
- Mas sabes o que ele escreve nas crónicas. É um verdadeiro "caçador de corruptos", maus governantes e de sujeitos com enfermidades de carácter, sem as coisas que ele pensa que tem, honra, verticalidade, honestidade, etc.
- Ele é igual a outros tantos que andam por aí, gostavam que nós só olhássemos para o que dizem e não para o que fazem, como se fossemos todos estúpidos.
- Tens razão, infelizmente as tiras de opinião dos jornais estão cheias de falsos moralistas...
- Então, estamos conversados...

O desenho é de Manuel Gamboa.

quarta-feira, outubro 01, 2008

A Arealva e os Topónimos de Almada

[...] A nossa terra é rica em topónimos singulares, a Quinta da Arealva não foge à regra.
Segundo o historiador, Raul Pereira de Sousa, a sua origem está ligada à praia de areia branca que existia naquele local, da qual hoje só se descobre uma pequena franja na maré baixa, e menos clara.[..]

[...] A Quinta da Arealva era enorme, não se resumia apenas ao espaço rente ao Tejo. As suas terras prolongavam-se até à encosta onde se construiu o monumento ao Cristo Rei. Quando se começou a preparar a sua construção, os Serras venderam aqueles terrenos sem qualquer tipo de discussão e a um preço simbólico. Podemos adiantar que aquela parte da Quinta foi vendida apenas a um escudo por metro quadrado, porque as senhoras da família, eram muito religiosas [...].

Estas transcrições fazem parte de um texto meu, ainda inédito, que irá acompanhar um álbum de fotografia sobre a Quinta da Arealva.

terça-feira, setembro 30, 2008

Conversas de Café (14)

- O teu blogue é mesmo regional, nem uma noticiazinha sobre as eleições nos EUA...

- Sabes que sou muito terra a terra...
- Não te agradam os candidatos?
- Digamos que não me agradam muito os EUA. Aquela gente que mora daquele lado de lá do Atlântico faz-me muita confusão.
- Porquê?
- Não é das coisas mais fáceis de explicar. Mas desde que o Bush ganhou as segundas eleições, depois de todas as asneiras que cometeu, fiquei a pensar que os americanos e o seu presidente se merecem. Ponto final.
- E agora?
- Agora o quê?
- Não me digas que não tens um candidato...
- Sinceramente, não. Claro que acredito que seria melhor para todos nós a vitória de Obama, mas como não somos nós que votamos, prefiro manter-me a leste.
- Então zero de notícias da América?
- Pelo menos dessa América "bushiana"...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Um Poema e as Mulheres...


A Margem da Alegria


Quando repito existiam as mulheres sempre elas as mulheres
sempre as mesmas sempre diferentes mulheres
mãos postas sobre as mesas na penumbra rostos
onde havia tudo e tudo por detrás de tudo
e uns olhos e nos olhos e a partir dos olhos um olhar
que para nomear teria de falar de mar e de água
e da profunda mágoa de ter de desistir de as reter

O poema é de Ruy Belo, a actriz da imagem é Alida Valli, ambos retirados do álbum de João Bénard da Costa, "Como o Cinema era Belo".