Porque hoje se comemoram os livros, recordo um escritor "esquecido", Manuel da Fonseca, um grande contador de histórias, que tive o prazer de conhecer na bonita baía do Seixal... A minha homenagem para ele e por todos os grandes escritores que escreveram livros memoráveis, que ganham pó nas bibliotecas e que gostavam muito de ter leitores...
(para o Manuel da Fonseca)
Pequeno Retrato
Mesmo no Tempo de Solidão
Nunca ficaste
parado,
andaste sempre por
aí,
disseste tantas
vezes, não,
Com a cumplicidade
da Rosa dos Ventos.
Solidário com a
vida sofrida e dura
Das mulheres e
homens da Seara de Vento,
Escreveste
palavras sem qualquer candura.
Sofreste com a
injustiça e desigualdade
Sentiste a dor e a
fome da tua gente,
O Fogo e as Cinzas que sombrearam a Planície.
Felizmente,
contaste todas estas histórias na Cidade.
Mesmo no Tempo de Solidão
Não desististe de
nada
Nem mesmo de ser
um Anjo no Trapézio,
Em Santiago,
Lisboa ou Almada.
Nunca perdeste o
sorriso de gaiato,
Nem a vontade de
ir à Aldeia Nova
Ou a Cerromaior, visitar as tabernas,
Onde escutavas a
sabedoria do povo
Que te aquecia a
alma e o coração,
Com um copo de
vinho quente e novo.
Mesmo no Tempo de Solidão
Que bom, Manuel,
Teres dito sempre,
que não!
Luís [Alves] Milheiro
(Fotografia de Luís Eme)




