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domingo, agosto 06, 2017

O "Repuxo" de Cara Lavada

Nem todos os empresários percebem que é preciso de vez em quando mudar qualquer coisa, para refrescar os olhares dos frequentadores habituais e principalmente dos outros, que é preciso conquistar...

Os donos do café que frequento perceberam isso e vai de "lavar a cara", dar um outro ar, para dar descanso aos olhos de quem por ali passa.

Ontem entrei e sentei-me à espera do café. Estava um pouco receoso. O Chave de Ouro, o Delta e o Nicola são os meus cafés favoritos. Agora era tempo do Sical, que nem sempre me sabe bem...

Mas depois de saborear a bica que o Manel me trouxe, disse-lhe que me soube bem, mas estava apreensivo. Ele sorriu, mas agora quem mais ordena é esta marca, que deve ter contribuído de uma forma generosa nesta mudança...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 02, 2016

"Repuxo & Sentimento"

Esta é uma das minhas fotografias menos artísticas da exposição que é inaugurada amanhã ("Três Fotógrafos, Três Olhares").

Mas achei por bem escolhê-la, pelo significado do lugar, um café luminoso, onde conheci muita gente de bem e recebi as lições mais importantes sobre a história de Almada...

E também pela flor e folha, colhidas pela minha filha. O seu nome diz tudo...

(Fotografia de Luís Eme - série "Blue & Yellow")

sábado, junho 04, 2016

O Histórico "Café Dragão Vermelho"

No âmbito da programação da "Arte em Festa", um conjunto de eventos sobre as artes plásticas que decorre em Almada entre 2 de Maio e 15 de Junho, organizado pela Imargem, vou falar hoje sobre um lugar memorável, o "Café Dragão Vermelho", que fica na Praça da Renovação de Almada, que é há muitos anos o principal centro da Cidade.

quinta-feira, março 05, 2015

Fim de Tarde no Ginjal


O vento soprava, quase com vontade de nos transformar em pássaros.

O café soube bem e depois fomos embora.

Não resisti e disparei contra a mesa, acertando nas quatro chávenas, que quase baloiçavam ao mesmo ritmo das ondas do Tejo.

Alguns turistas morriam de inveja, também queriam ter um rio com ondas lá na terra de onde vieram, com os reflexos do bonito céu azul e branco português.

domingo, outubro 12, 2014

Um Ginjal Poético com Amigos


Se não estou, pelo menos sinto-me diferente.

E também quero estar e ser diferente.

Foi também por isso que a apresentação do caderno, "Ginjal 1940 - poemas um", foi um momento intimista, com uma dúzia de amigos que quiseram ler os poemas (mais uma vez houve uma boa estreia...). Só o bom do Américo não leu uma linha, até se protegeu com a máquina fotográfica  da Gena, enquanto os poemas andavam de roda, porque a sua poesia tem menos palavras e mais cores e traços...

Isto já tinha acontecido na apresentação do caderno, "foto-poesias", que partilhei com o Alberto Afonso, sentir que a poesia foi festa e comunicação.

Fiquei mais uma vez com a sensação de que os poemas são mais bonitos quando são declamados com descontracção, alegria e amor pelas palavras.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

O Tarzan do Café

Antes de começar a escrever estas palavras no café, pensei em como o frio é terrível, pois até tinha afastado o "Tarzan" do nosso café...

Estou a falar de um senhor simpático, presença diária no "Repuxo", que de vez em quando me conta algumas das suas aventuras futebolisticas, dos tempos em que era um avançado centro de eleição, de uma equipa que já não há, "Os Unidos de Lisboa", que andou pela primeira divisão no tempo dos cinco violinos.
Uma das suas maiores glórias - e prazeres, diga-se de passagem -, foi ter metido um golo ao Azevedo, guarda-redes dessa equipa mítica onde "tocavam" os cinco violinos (Travassos, Vasques, Jesus Correia, Albano e Peyroteo) e da selecção, no campo do Sporting, no Campo Grande.
Era muito jovem na época e houve um colega de trabalho que lhe deu uma encomenda para entregar ao guarda-redes do Sporting. Antes do início do jogo lá foi fazer a entrega. Mas foi tão mal recebido pelos "leões" (num tempo em que os jogadores mais antigos eram tratados por senhor pelos mais novos, além de terem ainda outros privilégios de balneário...).
Não esperava aquela recepção, cheia de piropos ofensivos. Irritado deixou a encomenda num dos bancos e virou costas às "vedetas" que faziam as delícias nos campos de futebol da época, deixando-os de boca aberta com o atrevimento. Não estavam era à espera que o atrevimento continuasse dentro do terreno de jogo...
"Tarzan" fez uma grande jogatana, trocando os olhos aos defesas do Sporting, em especial a Octávio Barrosa, um central grande e intratável. Marcou um golo que ainda hoje recorda, escapando ao defesa leonino que não gostou nada da brincadeira e lhe apontou o dedo, como quem diz, «cá estou à tua espera». E não esperou pela demora, levou mais dois ou três nós cegos, que só não deram golo, porque o Azevedo era mesmo um guarda-redes extraordinário...
Depois de escrever estas palavras, lá chegou o "Tarzan", acenou-me à entrada do café e sentou-se na esplanada, ao lado do seu companheiro de todos os dias. Desde que foi proibido de fazer nuvens de fumo no interior do café, fica sempre na esplanada, faça frio, chuva, vento ou calor...
É caso para dizer, o senhor Pereira continua a fazer jus à alcunha que ficou dos estádios, continua um autêntico "Tarzan", mesmo no café...

segunda-feira, julho 06, 2009

Sempre o Café...

O café continua a ser o espaço mais pluralista que conheço para se conversar (e desconversar, claro). Mesmo os temas gastos, levam sempre uma nova roupagem, com poucos de vista que têm a virtude de interrogar e abanar as nossas "verdades" feitas...
Desta vez falámos do comércio, das mudanças nos hábitos de consumo, desde que a crise apertou mais a sério. Houve alguém que disse (e muito bem), que quando temos dinheiro, vamos às compras e trazemos o que precisamos e o que não precisamos. Quando o que temos está todo contadinho, só trazemos mesmo aquilo que precisamos, e sempre que possível, produtos "brancos". Adeus marcas, adeus supérfluos...
E não estou a falar dos pobrezinhos que sobrevivem com pensões miseráveis, esses sempre viveram assim. Estou a falar da classe média.
É muito por isso que as lojas vão fechando, um pouco por todo o lado. As pessoas cada vez consomem menos...

O óleo "fantástico" é de Jacques Resch.

terça-feira, abril 21, 2009

Conversas de Café (18)

- Percebes a razão de as pessoas não gostarem de votar para as eleições europeias?
- Percebo. E há mais que uma...
- Sim?
- Sim. Mas não me apetece fazer desenhos...
- Está bem. Mas vais votar?
- Vou. Voto sempre, por mim, pelo meu pai e pelos meus avós. Mesmo que vote em branco.
- Eu não.
- Porquê?
- Porque não me apetece alimentar esta Europa dos ricos, que nos deixa cada vez mais pobres.
- Ao não votares, continuas a alimentá-la, e da pior maneira, elegendo os protectores dos ricos do bloco central.
- Não me interessa. Além disso acho uma obscenidade o que ganham. E os portugueses agora vão ganhar ainda mais...
- Vão ganhar o mesmo que os outros. Para as mesmas funções salários iguais.
- Então porque é que ganhamos menos que na maior parte dos países europeus, fazendo as mesmas funções?
- Boa pergunta para se fazer ao senhor José Manuel Barroso...
- Podes querer...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Encontros Por Aí (1)

Reparei nela, por quase nada.

Não tinha um decote grande, não vestia mini-saia, não olhava com olhos gulosos nem possuia lábios carnudos. Nem tão pouco era a mulher mais atraente da sala.
Mas percebia-se à légua, que era a única que sabia sorrir.
Embora seja um lugar-comum, é autêntico. Muitas vezes um sorriso vale por mil palavras (e até por umas quantas curvas mais lineares)...
A fotografia é de Jean Dieuzaide, do "Portugal 1950".

domingo, dezembro 14, 2008

Conversas de Café (17)

- Sei que estás cheio de sorte, já podes levantar a "massa" do Banco Privado...

- Nem no banco privado nem no público, mas adiante...
- Não me digas que não tens "plaffon" para ter lá dinheiro...
- Se é verdade o que vem nos jornais, não.
- Nunca pensei que o teu amigo sócrates fosse tão indiscreto, a proteger os amigos ricos...
- As pessoas que estão no poder vão perdendo a vergonha.
- O mais engraçado, é que o próprio nome da instituição diz tudo. Sempre pensei que privado era o contrário de público.
- Eu também. Vais ver que com esta crise, qualquer dia também subsidiam o "Gambrinus"...
- Falando a sério, nunca vi um governo que protegesse tanto o grande capital como este. As PME's que se cuidem...
- Vão fechando, um pouco por todo o lado. Fazem lembrar a agricultura, onde para receberes subsídios do Estado, tens de ser "latifundiário"...
- Até quando é que eles vão teimar em chamar-se socialistas?
- Boa pergunta...

sábado, novembro 15, 2008

Conversas de Café (16)

- Quando olho para o teu "casario", apetece-me sempre perguntar-te se ainda vives neste mundo. Não vives, pois não?

- Tenho dias. Quem me dera, às vezes descobrir outro mundo, melhor e diferente deste. Como isso só pode acontecer em sonhos, é possível, que de vez enquanto me ausente para parte incerta...
- Estou a provocar-te para reagires, mas sem poesia...
- Isso agora é mais difícil. Já não me chateio muito com coisas e pessoas pequeninas.
- Mas pelo menos vais logo à inauguração da iluminação da árvore grande de natal?
- A pedido de várias pessoas, com destaque para os meus filhos, devo ter de comparecer na festança da constança cá do sitio...
- Foi uma grande jogada da Maria Emília, não foi?
- Acho que sim. É a prenda de natal para os almadenses...
- E os almadenses vão gostar?
- Concerteza, eles gostam da presidente...
- E tu, gostas?
- Gosto. É difícil não gostar dela...
- E esta?
- É verdade. É uma personagem simpática, dava uma boa rainha, embora o nome não ajude muito.
- Sim, rainha Maria Emília, não lembra a ninguém. Achas que ela é mais rainha que primeira-ministra de Almada?
- Às vezes parece-me que sim, mas não sei. Estou demasiado afastado das ruas do poder, para ter uma opinião válida sobre a sua verdadeira força política.
- Eu acho que ela é uma poderosa. E gosta de ter poder e de decidir.
- Se tu achas...
O óleo é de Mark Keller.

quarta-feira, outubro 29, 2008

O que Mudou na Maternidade...

Este "post" podia dar uma das minhas conversas de café, pelo tema e por ter acontecido num café. Mas o tema é tão complexo, foram levantadas tantas questões, que daria uma conversa com quilómetros de palavras, pouco recomendável na blogosfera...
Começámos por falar de uma amiga que não tinha filhos, porque o marido tinha problemas de infertilidade, obrigando-a a desistir do sonho de ser mãe. Apareceram vários argumentos na mesa, a adopção, a fertilização in vitro, mas ela diz que não é a mesma coisa, só queria um filho do amor da sua vida... e acabámos a falar de outra amiga, que não tem, nem quer ter, como prioridade na vida, ser mãe. Os filhos estão fora de hipótese...
Comecei por pensar que as coisas estão todas trocadas, que quem quer não pode e quem pode não quer...
Mas avancei rapidamente nos meus pensamentos, para me fixar nas prioridades que nós temos, que também vão mudando, com os hábitos e com a evolução da própria sociedade.
Há quarenta anos quase todas as mulheres tinham como principal prioridade, o casamento e a maternidade. A sua realização pessoal passava muito pelo marido e pelos filhos.
Hoje não. A mulher é muito mais que uma simples dona de casa, esposa e mãe. Também tem vida pessoal e profissional...
Será por isso que se têm menos filhos? Também, mas não apenas por isso.
As pessoas dantes tinham mais filhos porque não existiam tantos contraceptivos, nem conhecimentos do próprio corpo e da sexualidade. Sem falar da influência religiosa...
A única coisa que ainda não mudou, foi a própria natureza da maternidade, que é e será sempre feminina.
"A Maternidade" é de Almada Negreiros.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Conversas de Café (15)

- Andas a fugir muito aos temas da actualidade...

- Achas? Se calhar estou cansado da actualidade.
- Nem uma farpita ao BB por causa da casinha dele...
- Para falar dele, tinha de falar também dos outros três mil e tal.
- Se te oferecessem uma casa, aceitavas?
- Essa pergunta não faz sentido, porque não é disso que se trata. Não se trata de ofertas mas sim de pedidos de casas.
- Está bem, eu reformulo a pergunta. Eras rapaz para pedir uma casa à Câmara?
- Não.
- Porquê?
- Por achar que não tenho necessidade disso.
- O BB tinha mais necessidade que tu?
- Não sei. É possível que tivesse. Não faço ideia.
- Estás a gozar comigo, não é?
- Não, não estou. Não sei qual é a vida do senhor.
- Mas sabes o que ele escreve nas crónicas. É um verdadeiro "caçador de corruptos", maus governantes e de sujeitos com enfermidades de carácter, sem as coisas que ele pensa que tem, honra, verticalidade, honestidade, etc.
- Ele é igual a outros tantos que andam por aí, gostavam que nós só olhássemos para o que dizem e não para o que fazem, como se fossemos todos estúpidos.
- Tens razão, infelizmente as tiras de opinião dos jornais estão cheias de falsos moralistas...
- Então, estamos conversados...

O desenho é de Manuel Gamboa.

terça-feira, setembro 30, 2008

Conversas de Café (14)

- O teu blogue é mesmo regional, nem uma noticiazinha sobre as eleições nos EUA...

- Sabes que sou muito terra a terra...
- Não te agradam os candidatos?
- Digamos que não me agradam muito os EUA. Aquela gente que mora daquele lado de lá do Atlântico faz-me muita confusão.
- Porquê?
- Não é das coisas mais fáceis de explicar. Mas desde que o Bush ganhou as segundas eleições, depois de todas as asneiras que cometeu, fiquei a pensar que os americanos e o seu presidente se merecem. Ponto final.
- E agora?
- Agora o quê?
- Não me digas que não tens um candidato...
- Sinceramente, não. Claro que acredito que seria melhor para todos nós a vitória de Obama, mas como não somos nós que votamos, prefiro manter-me a leste.
- Então zero de notícias da América?
- Pelo menos dessa América "bushiana"...

sábado, julho 05, 2008

Conversas de Café (13)

- A praia é cada vez mais um pólo cultural, importante.
- Depende da "cultura" que falas...

- Falo de todas e sem ironia.
- E esta?
- Duvidas que o mar ajuda a exercitar o corpo e o espírito?
- Não, especialmente o corpo...

- A parte do corpo é mais visível, até porque há pessoas que só correm, nadam e dão uns toques numa bola, à beira-mar.
- És capaz de ter razão, a chamada "alma" talvez ande mais leve nas férias, talvez esteja mais receptiva a novidades...
- Vês como foste lá? Há quem leia livros apenas de férias, vá ao teatro, ao cinema ou a um concerto, também no Verão. E ainda temos os Zézés, que desenferrujam a língua com o tradicional inglês de praia, com as famosas "bifas", que não têm necessariamente que ser inglesas...
- Assim fico convencido, com estes teus exemplos, praia é mesmo igual a mais cultura, do corpo e da alma...

domingo, junho 22, 2008

Conversas de Café (12)

- Somos tão preconceituosos, mesmo sem querermos.
- Porque dizes isso?

- Falo por mim, claro. Tenho a mania que não sou racista e ainda ontem disse a um pseudo-chefe, que não era "preto".
- Não somos, mas para lá caminhamos, com este andar...

- É uma frase racista como o caraças.

- Pois é, mas todos a dizemos...
- Há sempre situações nas nossas vidas em que nos sentimos "pretos".
- E não apenas com esse sentido de escravo do trabalho.

- Então?
- Já vivi uma experiência especial. Estive num bar de música africana em que era o único branco. Nunca senti tantos olhares fixos na minha pessoa. Embora não fosse hostilizado, percebi em parte o que sente um preto na terra de brancos...
- Imagino a sensação...
O desenho é de Bernardo Marques.

quarta-feira, junho 18, 2008

Conversas de Café (11)

- Viste por aí o PSD?
- Não, mas descobri que voltou a ser um partido à moda antiga, cheio de cavalheiros. Já reparaste que ninguém aparece por aí a dizer mal da doutora Manuela?
- Pois não. És capaz de ter alguma razão, mas já se previa, que ela ia falar de menos, ao contrário dos antecessores, que falavam de mais.
- Ela é mesmo um "cavaco de saias", até na cara de pau.
- Qualquer dia aparece por aí, a dizer que não lê jornais, só passa os olhos pelas gordas...
- Já reparaste que a oposição dá a sensação de estar a desaparecer em Portugal?
- É verdade, até o "paulinho das feiras", está a perder a imaginação...
- E à esquerda as coisas não estão melhores, há momentos, que até parece que o poeta Alegre é o líder da oposição...
- O Sócrates sabe-a toda, não governa mas manipula.
- É verdade, vivemos muito pior que há meia-dúzia de anos, mas, estupidamente, parece que ele continua a ser a única luz ao fim do túnel...

domingo, maio 25, 2008

Conversas de Café (10)

- Há tantas coisas curiosas no nosso país, que nos passam ao lado.
- Eu sei...
- Se eu há meia dúzia de anos não convivesse com holandeses e alemães, não tinha ganho a percepção de que a coisa que eles achavam mais curiosa em Portugal, era a realidade ser facilmente confundida com qualquer anedota.
- É capaz de ser verdade, mas se não fossemos assim, estávamos completamente lixados...
- Eles gozavam comigo à brava por sermos bons a fazer coisas esquisitas. Adoravam consultar o livro dos recordes e era um fartote de rir...
- E tu ficavas-te?
- Ria-me também...
- Eles deviam gostar era de fazer de nós parvos, para se sentirem importantes...
- Claro, mas não deixavam de ter razão. Somos muito inconstantes, mudamos facilmente do fado para o folclore.
- É a nossa vida. Não venhas dizer que tens vergonha de ser português...
- Às vezes tenho. E não penses que é por causa dos sem abrigo e dos desgraçados que não têm onde cair mortos.
- Eu sei, esses não contam para o campeonato...
- E não contam mesmo... estava a falar do alberto joão, do santana, do sócrates, do durão, do portas e restante matilha...
- O problema é que para eles, nós é que somos a anedota...
O óleo é de Degas, "Dentro do Café".

quarta-feira, maio 21, 2008

Conversas de Café (9)

- Irritei-me logo de manhã. Um dos meus vizinhos fechou-me a porta do prédio na cara, como se não morasse ali.

- Disseste alguma coisa?

- Não. Mas devia, chamar-lhe no mínimo besta. Mas isso era dar confiança a mais a estes animais que não sabem viver em comunidade.

- Também tenho disso no meu prédio. Todos devemos ter. É uma marca deste tempo, gente que mora ao nosso lado e baixa a cabeça quando se cruza connosco. Só que, de vez enquanto saem-lhe as contas trocadas...

- Então?

- Por exemplo, a gaja mais antipática do prédio, teve de me atender numa grande superfície comercial, e digo-te, foi de uma simpatia, que me deixou de boca aberta.

- Ganhaste uma amiga...

- O tanas. Ainda pensei que depois daquela situação, levantava os "corninhos" e passava a dizer bom dia e boa tarde. Tudo igual.

- Pelo menos é uma boa profissional...

- Achas? Ela sabe é que se não tratar os clientes como deve ser, vai "pastar couves".

terça-feira, maio 13, 2008

Conversas de Café (8)

- Achas que a beleza é fundamental?
- Fundamental para quê?
- Para quase tudo. Para se arranjar uma namorada, um emprego decente...
- Não acho que seja fundamental. Sempre encontrei mulheres bonitas com homens feios e vice-versa. Nos empregos nem se fala, é cada mamarracho...
- Então porque razão o mercado das plásticas floresce?
- Porque é moda e porque algumas pessoas não se aceitam, quando olham ao espelho.
- Já pensaste em alterar alguma coisa no teu corpo?
- Não. Nunca me senti bem com as coisas demasiado perfeitas...
- Nem mesmo com mulheres?
- Não. As mulheres demasiado belas, parece que sairam de um filme, que não fazem parte da minha realidade...
A Foto é de Robert Doisneau, que lhe chamou "Coco" e é de 1952.