
A Serra da Arrábida é um lugar cuja beleza é única no nosso país.
Não digo isto apenas por estar encostada ao Oceano e ser um miradouro fabuloso; por possuir uma flora rara, curta e densa (que dificulta bastante a progressão, fora dos caminhos...); mas sim por guardar inúmeros segredos e mistérios, que fabricaram várias histórias curiosas ao longo dos anos e nos permitem dar passeios recheados de aventuras, pelos seus caminhos estreitos, que nos levam à descoberta de fendas, grutas, ruinas, enquanto descemos na direcção das suas pequenas praias rochosas, cuja água transparente e profunda, é mais fresca que o habitual.
O ar que se respira, também é mais forte, graças à feliz conjugação entre o Mar e a Serra...
É por isso que me faz muita confusão esta teimosia socrática em utilizar a cimenteira de Outão (que está ali a mais, desde sempre...) como central de co-incineração.
Como é óbvio, tenho de me juntar ao numeroso coro descontente e dizer: «Co-incineração em Outão, Não!»
Este texto está acompanhado de um bonito óleo do pintor naturalista João Vaz (1859 - 1931), natural de Setúbal, que tem o nome de "Forte de Outão", pintado no final do século XIX.