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terça-feira, setembro 09, 2008

Essa Coisa Estranha Chamada Democracia

Todos nós sabemos que a democracia e a liberdade, infelizmente, variam de continente para continente.

Foi assim em Pequim, é agora em Angola...
Os observadores internacionais e os governantes portugueses acham perfeitamente normal que o MPLA ganhe as eleições com mais de 80% e apressam-se a felicitar os vencedores e a forma como decorreu o sufrágio (ainda antes do seu final)...
Os observadores além de terem sido escolhidos a dedo, devem ser especialistas em eleições africanas, onde é hábito derramar sangue. Como desta vez isso não aconteceu, foi tudo muito transparente...
Sobre o Cavaco e o Sócrates, também estamos conversados. Ambos têm um sentido de democracia muito pessoal. Até no espaço aéreo...
Só posso dizer uma coisa: tenho cada vez mais asco pelo contorcionismo das nossas "prima-donas", quase sem coluna vertebral...

A fotografia é de Sebastião Salgado, do livro "Retratos de Crianças do Êxodo".

sábado, setembro 06, 2008

O Dever de Informar

A atitude do governo angolano, de recusar a entrada de vários orgãos de comunicação social portugueses, para cobrir as eleições legislativas, depois de longos anos de guerra e de uma democracia apenas para português ver, é no mínimo vergonhosa.

Quando o presidente, José Eduardo dos Santos, afirmou a 4 de Agosto que: «Angola pode dar um exemplo ao continente e ao mundo sobre a forma como realizar eleições democráticas, livres e transparentes», pensei que alguma coisa ia mudar.
Na prática já se percebeu que tratou-se apenas de mais uma falácia. Por exemplo, como é possível realizar eleições transparentes sem a existência de cadernos eleitorais?
Isto faz com que se perceba que a presença da "SIC", do "Expresso", da "Visão", do "Público" e da "Rádio Renascença" em Angola, podia de facto ser incómoda...
Isto faz com que sinta que o jornalismo é a profissão onde existe menos corporativismo. Claro que isto não acontece apenas por se ter o "dever de informar", há também o gosto especial pelos "exclusivos" da maior parte dos órgãos de comunicação social.
Não esqueço alguns exemplos nacionais - com relevo para os do F.C.Porto de Pinto da Costa e a Madeira de Alberto João Jardim -, onde quem não publica notícias felizes, sujeita-se a ficar, no mínimo, à porta das conferências de imprensa...

Este desenho do Rui, publicado em 1989 no semanário "O Jornal", não mudou muito. José Eduardo dos Santos continua a ser o rei do ilusionismo angolano, agora mais só, com a certeza de não tirar Jonas Savimbi da cartola. Em relação à pomba, também estamos conversados...