quarta-feira, dezembro 10, 2008

Sessenta Anos de Quê?

A comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos só pode ser encarada como uma brincadeira, neste começo de século.

Perdeu-se quase tudo, inclusive a vergonha, de usar como bandeira uma declaração que não é cumprida por praticamente nenhum Estado.
O trabalho que era, e é, o alicerce económico de qualquer família, está pelas ruas da amargura. O desemprego cresce, à mesma velocidade que o trabalho precário e as horas de trabalho. Nunca se viveu com tanta insegurança, com tantos medos, com tanta violência.
Falhámos em toda a linha nos últimos anos. Esquecemos tanta coisa importante, especialmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Nos seus primeiros dez artigos, não existe um, que seja cumprido integralmente no nosso país. E não vou para as áfricas e américas...

Esta fotografia de Gordon Parks, continua actual, espelha o desespero das mães deste país, que têm cada vez mais dificuldade em oferecer aos seus filhos, aquilo a que deveriam ter direito, segundo a Declaração...

12 comentários:

Lúcia disse...

Oportuníssimo. E tenho pena de te dizer que tens razão, Luís. Apesar de tanto se lutar, a Declaração continua por cumprir. Existir deveria ser o começo. Mas parece que é apenas o descanso das consciências que a criaram. Que pena.

Beijos

Maria P. disse...

Apenas intenções, q1ue triste...

Beijos, Luís M.

Rosa dos Ventos disse...

Um desencanto mesmo!

Abraço

de.puta.madre disse...

Pois é, Luís. Mas - dependendo da arte y da capacidade de no momento usar a palavra certa, podemos colocar no sítio certo muita gente que e coloca em bicos de pé a impor-se como mais talhada para as mordomias, as quais afinal são direito de todos y n privilégios exclusivos de x, y, z ... Y mais do que aquilo que calculamos, anda muita gente por aí a achar-se especial em coisas que são direitos básicos de todos. A DUDH serve exactamente para isso (!) para as colocar no sítio ... Y para ter uma base para n deixar a Lei entregue à demência de cada neurose de muitos países que sem ela era um "Sem rei nem roca!".
.......... Vá lá. O Thomas Paine - no Séc XVIII - viu longe ... Te Rights Of Man é um texto essencial para olhar com ganas para a actual DUDH e de protegê-la como um enorme investimento de todos os homens.

Cris Caetano disse...

Infelizmente... é totalmente verdade. E o noticiário do Brasil hoje a respeito da punição (trabalhos comunitários durante 7 meses) de um crime de um policial contra a vida de uma criança me faz achar que vivemos num "mundo cão".

Beijinhos

Luis Eme disse...

é isso mesmo, Lúcia, a sua existência é quase o único dever cumprido.

falta o mais importante, a preocupação para que sejam cumpridos os seus artigos...

Luis Eme disse...

e este mundo está cada vez mais cheio de intenções, M. Maria Maio...

Luis Eme disse...

um desencanto que faz com que duvidemos de quase tudo, Rosa...

Luis Eme disse...

o problema são as "fintas" e o dizer que é apenas um "projecto de intenção"...

qualquer dizem o mesmo da nossa constituição, De...

Luis Eme disse...

é uma vergonha para qualquer ser humano, Cris.

Maria disse...

Estou inteiramente contigo, Luís.
Inteiramente!

Beijinho

Luis Eme disse...

eu sei, Maria...