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segunda-feira, janeiro 09, 2017

Ruas com Mais Gritos que Palavras...


Embora me faltem dados sociológicos, penso que há cada vez uma maior dificuldade das pessoas em dialogarem. Facilmente se parte para a ofensa verbal ou mesmo para a violência física.

Há poucos minutos assisti a uma cena, que apesar de caricata e ridícula, me fez pensar naquilo que nos estamos a tornar e que faz com que muita gente de mais idade sonhe com "salazares",  para acabar com toda esta selvajaria.

Um taxista que transportava alunos deficientes para uma escola, resolveu parar no meio da estrada (e tinha espaço para estacionar na berma...) e foi ajudando o rapaz a sair e a preparar a espécie de andarilho que o auxilia a deslocar-se, como se tivesse todo o tempo do mundo, enquando atrás dele se formava uma fila enorme de carros, que começaram a buzinar passados segundos.

Nada que incomodasse o chófer de praça, que foi acompanhando o jovem até à escola, enquanto iam conversando. Quando regressava, em vez de se deslocar para o carro e avançar, resolveu ir travar-se de razões com o dono da primeira viatura. Ainda não começara a falar, quando saiu disparado do segundo carro, um individuo grande e com cara de poucos amigos, com o dedo a apontar para o táxi e a mexer os braços, à medida que se deslocava na sua direcção, sem se esquecer de chamar um nome feio à sua mãe.

Felizmente o taxista percebeu a mensagem e sem mais perdas de tempo, acelerou o passo, entrou no carro e fez-se à estrada.

Penso que, num país onde imperasse o bom senso, o taxista teria estacionado o carro em cima do passeio e não interrompia o trânsito (os condutores de ambulâncias também adoram fazer isto, mesmo que tenham lugar para estacionar junto à urgência, preferem ficar parados no meio da estrada. Quem vier que espere...).

Voltando ao primeiro parágrafo, e sem saber se há alguma ligação ao facto de as pessoas estarem a perder o hábito de falarem umas com as outras (a não ser por mensagens ou diálogos virtuais...), penso que alguma coisa terá de mudar, sem precisarmos de mandar vir "salazares". Pois se isso acontecer, ficamos todos a perder...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 19, 2016

Falta "Tejo" a Toda Esta Gente...

Há períodos em que a estupidez se torna mais evidente, ou seja, volta em força o velho hábito de nos tomarem todos por estúpidos...

Sempre que o "Necas" me vê no nosso bairro atira-se aos seus inimigos de papel e televisão, quase sempre com razão. fala-me sobretudo de política e futebol. É histórico o número quase de circo do PSD e do CDS, de atirarem para cima do PS (o seu partido...) com os seus erros de governação e de este se limitar a abanar os ombros. E também já começa a ser anedótico o presidente do Sporting (gosta ainda menos de "lagartos" que de "lampiões"...) fingir que só os outros grandes é que são beneficiados pelos árbitros...

Desta vez também me falou do "reino dos brasis", de tudo aquilo que nos parece ser um golpe de teatro deste lado do Atlântico, nas casas que deviam representar o povo e não os interesses particulares dos políticos, uma classe que  desce cada vez mais baixo.

Não é por acaso que o novo ministro da Cultura começa um dos seus versos mais populares, assim:

Pertenço a uma odiada seita
que professava no serviço público.
Resta-nos brincar um pouco o resto das nossas vidas
e fingir que não nos damos conta
do desprezo daninho a crescer à nossa volta.

(Ele sabe bem do que fala...)

Talvez para os políticos, num "mundo perfeito", existam eleições em que só eles é que votam (neles próprios). Salazar também gostava das coisas assim...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 05, 2014

A Censura da Esquerda


Uma das iniciativas do Parlamento para comemorar mais um aniversário da República, foi uma exposição com os bustos dos respectivos presidentes, da Primeira República até à actualidade.  

Os partidos de esquerda com assento no parlamento (PCP e BE) resolveram manifestar-se contra a presença dos bustos dos Chefes do Estado durante a ditadura (como se não houvesse coisas mais importantes para manifestarem a sua opinião).

A questão ainda se torna mais ridícula, por sabermos que os partidos de esquerda gostam de assumir o papel de "paladinos da liberdade". 

Porque eu não tenho dúvidas que a sua posição é uma forma de censura, que contraria a tal Liberdade que tanto gostam de apregoar...

Palavra de um esquerdista.

sexta-feira, abril 04, 2014

A Cana de Pesca e o Peixe Nestes Nossos Dias


O velho ditado chinês, que nos aconselha a dar uma cana de pesca e nunca o peixe, continua a não ser seguido, de uma forma geral.

Acho mesmo que se voltou um pouco a uma das facetas mais miseráveis do salazarismo, a "caridadezinha", que entretinha as senhoras de bem, em que cada uma delas tinha o seu "pobrezinho".

Hoje é um bocado assim. Querem que as pessoas sejam "animais domésticos", prontos a obedecer e até a aceitarem humilhações com o sorriso (e nem vou falar da dona Jonet).

A igreja tem muita culpa neste momento quase obsceno que se vive, pois invariavelmente gosta de dar o exemplo de Jesus, que deu a outra face, que se sacrificou pelo mundo, etc.

Talvez a culpa seja também das pessoas, que preferem que lhes dêm um peixe qualquer, mesmo que já não cheire muito bem, a uma cana de pesca...

terça-feira, dezembro 11, 2012

Ainda os Filmes...


Talvez o cinema seja a arte que mais se aproxima da nossa vida, de todas as que pudemos desfrutar. Em comparação com a literatura, tem a a vantagem de nos oferecer as suas histórias em movimento e com personagens de carne e osso.

No sábado à noite, por um mero acaso, descobri que estava a ser exibido na RTP Memória, o "Dom Roberto", que tem como protagonistas, Raul Solnado e Glicinia Quartin.

Acabei por ficar preso ao ecran e vi o filme até ao fim. Embora não se tratasse de uma grande realização, tinha alma, os dois protagonistas conseguiam exprimir toda aquela vida de pobreza, de quem não tinha emprego e era forçado a viver numa casa abandonada, quase destruída. 

Apesar de toda aquela miséria, há por ali muita esperança e sonho, não fizesse Solnado o papel de um manuseador de "robertos" das ruas lisboetas. Esperança que também era alimentada pela solidariedade da vizinhança (Ainda hoje é assim, é mais fácil um pobre dar o pouco que tem, que os que têm quase tudo. Estes são bons é a praticar a caridadezinha, de preferência com uma câmara de imagens por perto...).

É um filme que tem o perfume do neo-realismo italiano, possuindo um conteúdo muito político, pelo menos para a época, em plena ditadura salazarista.

Estive a ler mais alguns pormenores do filme e fiquei a saber que foi estreado no ano em que nasci (1962) e que no ano seguinte foi seleccionado para o "Festival de Cannes", onde recebeu uma menção especial do júri do Melhor Filme para a Juventude. O seu realizador, Ernesto de Sousa, não só foi impedido de se deslocar a França pela PIDE, como acabou por ser perseguido e preso pela polícia política.

sábado, dezembro 11, 2010

Votar em Branco

Desde que fiz dezoito anos, tenho votado sempre. Claro que por vezes voto em branco, por não me identificar com nenhum partido ou candidato.

Hoje no café, não sei porquê, veio à baila as eleições e os votos. Quando disse que votava em branco, um companheiro de tertúlia disse: «pensas tu.»

Fiquei um pouco incrédulo e depois ele explicou-me o perigo dos votos em branco a quando da contagem dos votos, da facilidade que podem receber uma cruz e passarem a votos de uma qualquer força política, graças aos dedos hábeis de alguém.

Ele sabia do que estava a falar, além de ser militante de um partido, fez várias vezes parte de mesas de voto em eleições.

Senti-me mesmo "anjinho".

Talvez nunca mais vote em branco, talvez tenha de anular o voto, quando quiser votar em "ninguém"...
Explicação dos pássaros:
Mesmo em democracia, Salazar continua a dar lições, com as suas célebres "chapeladas".

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Centenário do Nascimento de Alberto Araújo

Comemora-se dia 14 de Dezembro o centenário do nascimento do professor Alberto Araújo, uma das grandes figuras da resistência antifascista de Almada.

Ontem teve lugar uma sessão de homenagem, no átrio do cine-teatro da Academia Almadense, organizada pela Comissão Promotora, constituída pelos Amigos da Cidade de Almada, URAP e PCP.
Alberto Araújo foi professor de Português no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa, e também um dos elementos mais activos do PCP na década de trinta. Fazia parte do secretariado do Comité Central e era o principal responsável pela edição do jornal "Avante", então clandestino.
Embora fosse fisicamente frágil, era um homem de um grande carácter, coragem e generosidade.
Fragilidade essa que se agravou com o seu desterro para o "Campo da Morte", no Tarrafal. Regressou vivo, mas nunca recuperou das mazelas que sofreu, tendo falecido precocemente a 19 de Março de 1955, com apenas 45 anos.
Foi uma das figuras mais respeitadas da então Vila de Almada, especialmente depois de ter regressado de Cabo Verde. Quando alguém, fisicamente frágil, prescinde do seu estatuto social para lutar pela igualdade e justiça social, ao lado dos mais humildes, só pode ser respeitado e admirado.
Ainda há pouco tempo, passeava pela rua Heliodoro Salgado com um amigo, que me disse onde Alberto Araújo morava. Embora a casa tivesse desaparecido, o Carlos ainda o "via" na janela, a acenar com simpatia, a quem passava...
A fotografia retrata o seu busto, colocado no jardim urbano que tem o seu nome, mandado erigir pelo povo almadense, por subscrição pública.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Democracia? É Isto?

Um amigo meu conseguiu definir de uma forma pertinente a democracia que se pratica em Portugal pelos nossos políticos, de Norte a Sul (com as ilhas incluídas claro):

«A democracia portuguesa caracteriza-se pela capacidade de fingir que escutamos as opiniões dos outros, para depois seguirmos unicamente a nossa opinião, aquela que sabemos estar sempre certa.»
Infelizmente é mesmo este o significado da palavra democracia para tantos "democratas de pacotilha", que vestem as várias "camisolas políticas" que circulam por aí, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e que agora andam nas suas cidades e vilas, munidos de folhetos, cartazes, bandeiras, canetas e palavras de mudança, e claro muitos sorrisos, apertos de mão e beijinhos...
Era tão bom que não tivesses razão, Zé Mário...
NOTA: E pelo "andar da carruagem", qualquer dia os nossos políticos fazem como Salazar fez em 1933, na votação da nova Constituição, têm a "ideia luminosa" de transformar a abstenção em votos do "sim", favoráveis ao poder instituído...

quinta-feira, maio 29, 2008

O Pacto de Almada

Na noite de 29 de Maio de 1958, Almada foi palco de um acontecimento histórico durante o comício que Humberto Delgado realizou na Academia Almadense: a desistência da candidatura de Arlindo Vicente, apoiada pelo PCP, a favor da candidatura do “General Sem Medo”.
Apesar de a PIDE, ter feito tudo para que Arlindo Vicente, não conseguisse chegar a Almada, o candidato conseguiu furar todas as barreiras e reuniu-se nos bastidores do palco da sala da Academia, onde foram trocaram as primeiras impressões sobre o acordo. A conversa dos dois democratas perseguiu em Lisboa, na casa do general, onde ambos assinaram o pacto de união, intitulado, “Aos Portugueses”, na madrugada de 30 de Maio. Nesse mesmo dia Arlindo Vicente anunciou aos órgãos da comunicação social a sua decisão de retirar a sua candidatura, em favor de Humberto Delgado.
O encontro da noite de 29 de Maio de 1958, entre Humberto Delgado e Arlindo Vicente, na sede da Academia Almadense, durante a campanha eleitoral para a Presidência da República de 1958, foi baptizado com um sentido pejorativo, como o “Pacto de Cacilhas”, pelos órgãos de comunicação social afectos ao Salazarismo, ligando-o às populares burricadas.
O Pacto deveria ser reconhecido como "Pacto de Almada", de uma vez por todas, em nome do rigor histórico.

Nota: O Boletim Municipal, distribuído gratuitamente por praticamente todos os lares de Almada, deveria ser mais cuidadoso, quando aborda algumas temáticas históricas, como foi o caso da página dedicada ao 50 º aniversário do encontro entre Humberto Delgado e Arlindo Vicente em Almada. Embora seja um órgão de expressão comunista, cinquenta anos depois, insiste na tese salazarista, que desviou o Pacto feito no centro de Almada para Cacilhas...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Resposta a um Amigo

Ao abrir a minha caixa postal, há minutos, dei de caras com um e-mail de um amigo, incomodado com o meu último "post". Como não lhe foi possível comentar, resolveu escrever-me, perguntando se tinha lido o artigo de Pedro Magalhães (publicado ontem no "Público"), lançando-me ainda duas questões com alguma pertinência, mas de fácil resposta.
Em relação ao artigo de Pedro Magalhães, é muito bonito, correcto, mas não entendo a diabolização que faz dos comentadores portugueses, como se as suas reacções fossem diferentes dos colunistas ingleses, espanhóis, franceses ou americanos, quando se tentam alterar os comportamentos da população, com proibições. Há vários exemplos de reacções iguais ou piores, nos ditos países civilizados.
E ainda bem que ele resolveu dar também exemplos de outros países, onde é perfeitamente natural respeitar as normas existentes, ao contrário do que acontece em Portugal. Os exemplos que Pedro dá do trânsito noutras cidades, não cabem em Lisboa nem nas nossas principais cidades, onde os transportes públicos, com a excepção do metro, são uma vergonha, onde os parques de estacionamento são caros e estão longe de satisfazer a procura, e onde a polícia continua a ter uma atitude permissiva, a não ser que seja dia de "caça" à multa...
Mas vamos lá às respostas às duas questões que o Rogério me colocou:
Só falei do António Barreto, porque os "outros remadores" contra toda esta corrente normativa, são sociais democratas e não socialistas (Pulido Valente, Sousa Tavares ou Pacheco Pereira).
Não, não quero que o nosso país continue a ser um paraíso da contrafacção nem que a falta de higiene seja a norma dos cafés e restaurantes, mas irrita-me que a ASAE funcione ao sabor das informações da "bufaria" e que telefone quase sempre para as redacções dos orgãos de comunicação social mais sonantes (especialmente a televisão, devem adorar ver-se no pequeno ecran, durante as notícias...), para aparecerem na hora do "ataque".
O que eu acho, é que a solução para os problemas deste país, não passa por encerramentos, como se tem feito na saúde. É preciso que se criem alternativas para as pessoas modificarem os seus hábitos, colocar apenas sinais de proibição, recorda-nos o salazarismo de tão má memória...

Como muito bem disse Rafael Bordalo Pinheiro, com a "A Actualidade", de 1901: «A indifferença mascára a miséria.» E isso acontece no nosso país. Pelo que ainda bem que existem comentadores que escrevem "contra a corrente"...

terça-feira, outubro 09, 2007

Os Tiques Salazaristas de Sócrates


Não achei muita piada quando ouvi, numa reportagem televisiva, o nosso primeiro-ministro dizer (depois de mais uma sessão de vaias...), que sabia que eram os comunistas que estavam por trás daquelas manifestações, mas que não era preciso recorrerem ao insulto.
Gostei ainda menos de ouvir, há uns minutos atrás, uma representante dos professores da Covilhã a dar-nos conta da sua indignação pela atenção especial que lhe foi dedicada por dois elementos da PSP, que visitaram ontem a sede do sindicato e, além de levarem os panfletos, que iriam ser distribuídos, durante a visita de hoje de Sócrates à escola onde estudou, ainda lhes recomendaram para terem mais cuidado com o que escreviam.
É no minimo uma forma de intimidação que recorda os bons tempos da PIDE...
No tempo de Salazar é que era comum acusar os comunistas de todo o tipo de acções, que beliscassem o governo de então.
Hoje, isto até acaba por soar a elogio, para o partido da Soeiro Pereira Gomes...
O pior, é que pelo andar da "carroça", não falta muito para que todos os críticos de Sócrates, passem a ser "comunistas" e sejam intimidados, desta e doutras maneiras...