quarta-feira, setembro 23, 2020

Quando a Presidente de Câmara nos "Envergonha"...


Quando ouvi Inês Medeiros, presidente do Município de Almada, a gracejar sorridente na televisão, que os moradores do bairro social do "Picapau Amarelo", "têm uma vista maravilhosa" e que não se importava de ir para lá viver amanhã, pensei que se tratava de uma "brincadeira". 

Não, é muito pior que isso: é a demagogia política no seu melhor.

Como é que uma presidente de Câmara é capaz de dizer isto? Até parece que as pessoas  vivem apenas da vista das suas habitações e que as condições de habitabilidade das suas casas não contam para nada. Com a agravante de existirem muitos apartamentos que precisam de obras há mais vinte anos (Isto sem pôr em causa que muitas vezes são os próprios moradores os culpados das más condições em que vivem, pelos seus comportamentos destrutivos e por não fazerem a manutenção devida). 

Se eu morasse no bairro do "Picapau Amarelo" (ou apenas "amarelo"...), aparecia na sede do Município e propunha-me trocar de casa com a presidente, já amanhã.

Pois é, parece que só falta mesmo, roubarem-lhes a vista (e vontade não deve faltar a muitos especuladores e agentes imobiliários, que adorariam encher toda a margem sul do rio com condomínios fechados e hotéis de luxo).

(Fotografia de Luís Eme - Monte de Caparica)

segunda-feira, setembro 21, 2020

Passa Tudo Pelas Pessoas...


Não sei o que vai acontecer ao Associativismo Almadense, num futuro próximo (fizeram-me essa pergunta há meia-dúzia de dias...). Sei apenas que nada será como dantes. E que muitas portas fechadas quando forem abertas irão ter muitas dificuldades em enfrentar o dia-a-dia  (as que forem...).

Sei apenas que há mais dúvidas que certezas, num cenário cada vez mais cinzento.

Infelizmente esta pandemia funcionou como lente, aumentando as dificuldades de sobrevivência de todas as colectividades, ao mesmo tempo que serviu para questionar a sua importância na sociedade almadense actual (ou pelo menos devia ter servido...).

Sei que qualquer solução terá passar pelas pessoas (mesmo que se perceba à légua que há pouco interesse em resolver problemas que se arrastam à décadas...). Em primeiro lugar pelos próprios dirigentes associativos, porque muitos têm "vistas curtas" (estão parados entre o passado e o presente...), depois pelos autarcas, que sempre se serviram das Colectividades para serem eleitos (claro que se o associativismo estiver quase "moribundo", como está actualmente, não servirá para nada...). E se forem autarcas do PS e do PSD (como é o caso no Município), continuarão a oferecer nenhuma solução, porque graças aos "óculos" que usam, continuam a ver em cada associativista um comunista...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

segunda-feira, setembro 14, 2020

Uma História com Quase Quatro Anos...


Pelos comentários, percebi que muitas pessoas não acompanharam todo este processo de recuperação e devolução do monumento do Burro e das Crianças aos cacilhenses. 

Foi por isso que achei por bem voltar atrás no tempo e "historiar" o que fui publicando aqui no "Casario", desde 2016. 

A primeira fotografia foi colocada juntamente com um pequeno texto, intitulado: "A Destruição e Banalização do Bem Público", publicada a 28 de Dezembro de 2016.



A 22 de Maio de 2019 resolvi escrever mais um texto, acompanhado desta fotografia, com o título: "Tudo Igual Quase Três Anos Depois".




Voltei a escrever novamente sobre o Monumento a 3 de Julho de 2019, porque a solução encontrada para resolver o problema, foi colocar-lhe uma vedação... Foi por isso que lhe chamei: "A Solução do Costume...".

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, setembro 13, 2020

Monumento às Burricadas é Devolvido aos Cacilhenses, Alguns Anos Depois...

Foi com agrado que verificámos que terminou a longa "quarentena" do monumento dedicado às burricadas e às crianças cacilhenses, que fica na rua Comandante António Feio.


Além de ter sido limpa, a escultura de Jorge Pé-Curto também foi reparada (as crianças estavam presas por arames, ainda antes do ataque de vandalismo assinado com gatafunhos de mau gosto...).

Agora só esperamos que o respeito pelo património artístico  e histórico impere em Cacilhas.

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, setembro 11, 2020

(Carta para um amigo que só pode morar no céu e que fez ontem cem anos)

«Nós que estamos cá em baixo, não sabemos rigorosamente nada do que se passa aí em cima. Só os frequentadores de templos é que fingem saber mais que o comum dos mortais e até falam no paraíso e no inferno, perante a nossa indiferença e cepticismo.
Se por acaso, tiveste a oportunidade de espreitar, viste um grupo de gente - mais do que é aconselhável nesta época, embora estivéssemos todos de máscara -, que te quis homenagear neste teu dia. 
Reconheceste os teus três queridos filhos, netos, bisnetos (que já vieram ao mundo depois de partires...) e mais alguns familiares. Depois olhaste com satisfação para alguns amigos e com curiosidade para os conhecidos e desconhecidos que também quiseram estar contigo.


Foi dado alguma solenidade a esta homenagem, pois além das flores colocadas junto à placa com o teu nome, houve as palavras habituais de circunstância, ditas por autarcas e associativistas, que à excepção do teu filho Henrique, quase só ouviram falar de ti... e talvez tenham folheado algum dos teus livros, de manhã, para escolherem uma ou outra palavra bonita que te identificasse.
Não sei o que disseram porque o vento foi levando as palavras para toda a parte e só mesmo quem estivesse perto dos "bem falantes" é que te poderia contar o que foi dito.
No meio destes discursos, aqueles que te conheceram bem (éramos mais de meía-dúzia...), olharam uma ou outra vez para o céu, à procura de um sinal de ti. Sabem que se existe mesmo um lugar paradisíaco no além, tu estás lá, porque és uma das melhores pessoas  com quem partilhámos amizade, bom, digno e integro, em todas as horas.»

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, setembro 10, 2020

O Centenário de um Amigo Único...

Henrique Mota faz hoje cem anos.

Não foi apenas um grande atleta, treinador, dirigente e escritor de Almada e do Mundo.

Foi um dos melhores seres humanos que tive o prazer de conhecer ao longo da minha vida.

Como já escrevi, várias vezes, foi ele que me apresentou a verdadeira Almada, a cidade das pessoas comuns, mas também a Terra do associativismo, do desporto e dos amantes da história local...

Tanto que aprendi com ele, sem me aperceber, no nosso convívio tertuliano do "Repuxo" e no dia a dia da SCALA, que ele ajudou a fundar...

Permanece na minha memória como um amigo único. 

(Fotografia de Autor Desconhecido)

domingo, setembro 06, 2020

A Terceira Idade, o Movimento e o Covid 19...


Todos sabemos que as pessoas mais vulneráveis são as mais afectadas com o vírus Covid 19. E quanto maior for a idade, maior é a dificuldade de recuperação. Não é por acaso que a maioria das vítimas mortais têm mais de 65 anos...

Esta realidade, embora exija mais cuidados, não é motivo para que se fechem as pessoas da "terceira idade" em casa e não lhes seja permitida viver uma vida "o mais normal possível".

Até porque, se excluirmos o que acontece nos lares para idosos (há muitas outras razões para que sejam mais atingidos pelo vírus, que a idade...), não se têm verificado aumentos de casos entre as pessoas com mais de cinquenta anos, pois geralmente são mais cuidadosas no seu dia a dia, que a gente jovem.

É por isso que acho que se devia arranjar uma alternativa para viabilizar o "Programa Municipal Alma Senior" (vai continuar suspenso até nova avaliação...), com segurança para todos os envolvidos, com programas ao ar livre, de forma a que permita que as pessoas exercitam o corpo e a mente, em vez de ficarem fechadas em casa, presas à televisão, que cada vez é menos saudável...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sábado, agosto 22, 2020

As Dores da Idade...


Quando a mãe se queixou das dores de cabeça e culpou as "mudanças de tempo" (cada vez mais repentinas...), a minha filha sorriu, como se se tratasse de uma "invenção", ou de uma "desculpa".

Quando se tem dezasseis anos, duvida-se de tudo, também por o corpo suportar quase tudo... É cedo demais para sentir as dores físicas da idade, sentem-se mais as emocionais...

(Fotografia de Luís Eme - Porto Covo)

quarta-feira, agosto 19, 2020

Vem Aí "Mau Tempo no Canal"...


Hoje, ao fim do dia, a mudança de tempo na foz do Tejo, ofereceu uma bonita tonalidade de castanhos e cinzentos, amarelados...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, agosto 16, 2020

O Tejo está a Voltar a Ter Movimento...

Os turistas estão a voltar à Capital, e seduzidos pelo Tejo, não perdem um bom passeio do Estuário à Foz...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

segunda-feira, agosto 10, 2020

Uma "Pequena (grande) Ilusão" no Ginjal...


Quem passa pelos restaurantes do Ginjal, sente que está tudo normal.

É impossível manter o distanciamento, entre quem passa e quem lancha ou janta... 

E depois, o Tejo, com a sua beleza natural, ajuda a alimentar esta "pequena (grande) ilusão"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, agosto 07, 2020

Um Amigo Único

Talvez nem ele saiba de onde lhe vêem as forças... que o ajudaram a chegar, hoje, aos noventa anos.

A vida teimou, vezes demais, em lhe oferecer "o pão que o diabo amassou". Mas ele enfrentou-a de peito aberto, decidido a construir o seu próprio destino. E conseguiu-o.

Claro que não comemora este aniversário, como desejava, rodeado de amigos. Este tempo maldito tentou "passar-lhe a perna", mas ele continua com a esperança de voltar a abraçar e a beijar os amigos, não fosse ele um Homem de afectos, que nunca teve pudor em utilizar a palavra amor no seio da família e dos amigos.

Para o Orlando o melhor da vida continuam a ser as pessoas. Foi por isso que encontrou no Associativismo um campo de amizade, companheirismo e solidariedade. Foi por isso que sempre que lhe foi possível, criou "tertúlias", para estar com os amigos.

Faço parte da última tertúlia que ele criou (juntamente comigo, com o Chico e com o Carlos), a "Tertúlia do Bacalhau com Grão", que se foi alargando a mais amigos e que foi interrompida pela pandemia.

Sei que a Amizade não se agradece, mas sabe tão bem sentirmos que temos um verdadeiro amigo, único... 

(Fotografia de Carlos da "Olivença" - Almada)

quinta-feira, julho 30, 2020

Detesto Portas Fechadas "Apenas porque Sim"...

Continuo a não perceber o porquê do encerramento do "Museu da Música Filarmónica"  por parte do Município (não fixei a data, mas já deve ter sido há mais de um ano...), em Almada, até porque as suas instalações, novas, não voltaram a ter qualquer outra utilidade.

Isto lembra-me sempre o que fizeram na minha Cidade Natal ao "Cine-Teatro Pinheiro Chagas" (foi todo esventrado por dentro, para que não se fizesse cultura, cinema, teatro ou outra coisa, mas deixaram o mono  - a estrutura exterior - anos e anos, de pé, sem qualquer utilidade)...

Há gente com muitos complexos sobre algumas culturas, diferentes das que tanto gostam... 

Em Almada há ainda outra questão: será que o "fantasma comunista" também está por detrás da falta de apoio que é dado às bandas filarmónicas centenárias, assim como no desprezo pela sua história?

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, julho 27, 2020

A Ignorância Atrevida dos Políticos


Percebe-se que os políticos (e provavelmente todos aqueles que não sentem curiosidade em aprender coisas novas...) demonstram cada vez mais ignorância sobre os vários saberes. Descobrimos isso graças à sua obsessão por microfones e câmaras de televisão. Tanto querem falar que, facilmente sai asneira...

O que eles aprendem com facilidade, são as frases feitas que colam aos discursos, sem tão pouco se importarem muito com o seu "distanciamento" da realidade local.

Onde noto mais a sua "pobreza pouco franciscana", é quando "chocam de frente" com a história dos lugares que governam. Limitam-se a debitar uma série de lugares comuns, com algumas lendas bonitas e fantasiosas à mistura, que, felizmente, graças ao trabalho de vários historiadores, têm sido afastadas da história "real".

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)

domingo, julho 26, 2020

O que o Tejo Une e Separa...


Penso que o Tejo é o principal responsável pelo facto das localidades ribeirinhas, próximas da Capital, possuírem uma identidade própria, que também tem sido alicerçada por séculos de história.

Almada, Barreiro, Seixal ou Montijo, por exemplo, são muito diferentes da Amadora, de Odivelas ou de Loures.

Esta "fronteira" natural só começou a ser esbatida nos últimos cem anos, com a melhoria das condições de travessia do rio, com o começo da oferta de carreiras regulares entre as duas margens do rio. 

E a partir de 1966, com a construção da Ponte 25 de Abril (é muito mais bonito que o nome anterior...) que liga Alcântara ao Pragal, tudo ficou mais próximo...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

segunda-feira, julho 20, 2020

A Quase Desaparecida "Política (Autárquica) de Proximidade" em Almada...

Como se costuma dizer, os exemplos (bons e maus...) "vêm sempre de cima". Embora não rime, é verdade. E tanto podem ser transpostos para um governo (nacional ou local), para uma empresa ou para as nossas casas...

Um comentário bastante pertinente feito ao último texto que aqui publiquei, revela muitos dos pecadilhos cometidos pela actual presidente e pelo seu executivo, que antes do "covid 19" já tinha algum cuidado com o distanciamento em relação aos almadenses.

Há uma década ainda era possível assistir à prática de uma política de proximidade, especialmente por parte das Juntas de Freguesia, que faziam questão de se encontrarem próximas dos seus cidadãos (a malfadada redução destes órgãos autárquicos, com o dedo do Relvas, não justifica toda esta "invisibilidade" dos últimos anos...). O mesmo se passava com a presidente do Município de então. Embora Maria Emília de Sousa cultivasse um estilo quase de "evita péron", ela ia a todas. Não faltava a um aniversário de uma colectividade, a uma inauguração ou a a outra festividade, que lhe permitisse estar junto da população almadense.

É também por isso que volto ao comentário de "Alma de Almada". Como ele muito bem disse, a democracia não se resume às Assembleias Municipais, nem às reuniões de Vereação. A democracia pratica-se diariamente nas ruas, nas colectividades, nas empresas e nas escolas do Concelho.

Embora não faça qualquer sentido (e é assim que se perdem eleições...), a sensação que se tem na actualidade, é que a coligação PS/PSD, governa de costas voltadas para a população almadense...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, julho 17, 2020

As Portas Fechadas que não Voltam a Abrir...


Vou transcrever aqui para o "Casario", uma parte do texto que escrevi hoje no "Largo". Porque além de ser um retrato social, é também uma reflexão sobre Almada e sobre o Associativismo...

«Muitas das pessoas que agora passam a maior parte do tempo em casa (quase todos nós...), quando puderem voltar a sair para a rua, para voltarem a ter uma vida quase normal, percebem que isso não é possível.
Terras como Almada, com muitas colectividades, quando acordarem deste pesadelo, vão descobrir que uma boa parte delas já passou à história (para satisfação dos governantes actuais, que olham para todas as associações, como se estivessem pintadas de vermelho e tivessem nos seus emblemas foices e martelos...). 
Pois é, continuarão a receber "convites" invisíveis, para voltarem para casa...
É por isso que eu digo, que já apareceram por aqui muitos vírus, mas nenhum tão fascista e anti-social como este...»

Gostaria muito de estar enganado, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, julho 12, 2020

A Parábola Sempre Actual de "O Velho, o Rapaz e o Burro" (a ordem é arbitrária...)


Não faço ideia de quem escreveu a parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro". Sei apenas que ela irá permanecer actual enquanto existirem no mundo pessoas de idade, jovens e animais.

Pensei nela numa conversa que tive recentemente com alguém, mais jovem que eu, que queria saber o que tinham sido as "Tertúlias da SCALA no Dragão". 

Fiz uma pequena síntese histórica onde tive obrigatoriamente de falar no seu ideólogo, Fernando Barão, sem me retirar do retrato (fui eu que continuei o seu legado durante vários anos...). Mas o que este rapaz quis saber era quais eram os nossos objectivos, e se eles tinham sido conseguidos, ao longo de mais de onze anos, em que realizámos tertúlias culturais no primeiro andar do café "Dragão Vermelho", por onde passaram algumas das personagens mais importantes e curiosas da Cultura Almadense (e também algumas figuras nacionais, como foram o caso de Raul Solnado ou Vasco Lourenço).

Disse-lhe que os nossos objectivos, enquanto associação cultural (a SCALA é sobretudo uma associação cultural), foram amplamente conseguidos. Destruímos alguns mitos, o maior talvez fosse a capacidade de fazer algo de importante, sem ter nenhuma ligação ao Poder Local (o único apoio que recebemos foi dos donos do "Café Dragão Vermelho", que sempre nos deram apoio e a única contrapartida que recebiam era a despesa que fazíamos, quem queria ía lá jantar, quem queria apenas assistir à "Tertúlia", podia apenas beber um café...).

Por sabermos que havia uma grande défice cultural no nosso país, achámos por bem, fazer algo de diferente, que enriquecesse as pessoas, ao mesmo tempo que lhes oferecia um convívio familiar (e durante anos sentimos-nos mesmo uma "família", os meus filhos cresceram lá, apaparicados por todos aqueles amigos...). 

Claro que tivemos alguns "inimigos" de peso. O maior talvez fosse o futebol (a "Tertúlia" era mensal e realizava-se na primeira quinta-feira no mês e muitas vezes coincidia com as jornadas europeias. Notava-se a ausência de alguns amigos quando jogava o Benfica, o Sporting e o Porto...).

Mas estou a "estender o lençol", sem dizer o que queria... Quando fui buscar "O Velho, o Rapaz e o Burro", tem muito a ver com as reacções dispares de algumas pessoas, para justificarem a sua ausência: uns não iam porque era demasiado "intelectual"; outras achavam que aquela cultura era demasiado popular; e outros ainda, achavam que deviam ser só para a SCALA e com pessoas da SCALA...

Estavam todos errados. Embora soubéssemos (eu e o Fernando, falámos várias vezes sobre o assunto...) que a cultura era uma coisa de minorias, queríamos chegar ao maior número de pessoas, sem qualquer tipo de prurido social ou cultural.

E foi muito bom, enquanto durou... Como tudo na vida, teve o seu tempo. Mas foi uma boa "pedrada no charco" na cultura de Almada.

(Fotografia de Gena de Souza - Almada)


domingo, julho 05, 2020

A "Ligação à Comunidade Local"


Há quase 27 anos realizou-se em Almada o "3.º Congresso Nacional de Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto".

Houve dezenas de intervenções, algumas bastante importantes, mas que acabaram por passar ao lado de quase todos os participantes, inclusive dos Almadenses. Uma delas foi da autoria do meu amigo Fernando Barão (em representação da Incrível Almadense), que nos deixou em Maio, que passados estes anos, não só mantém a actualidade como nos demonstra todo o tempo que se perdeu, sem fazer essa coisa simples e praticável, que é a "Ligação (das Colectividades) à Comunidade Local", que temos todo o gosto em transcrever os seus três primeiros parágrafos:

«A verdadeira e única saída para a evolução do Movimento Associativo será a sua ligação à comunidade que o rodeia.
Assim é da máxima importância, o estabelecimento de ligações pragmáticas e afectivas de todos os núcleos colectivistas de uma localidade com a sua população, de forma a que esta reconheça as suas validades e sintam, no dia a dia, as suas acções benéficas e altruístas.
Uma instituição colectiva, nos tempos que vão correndo terá de ir ao encontro da sua comunidade local, com objectivos certeiros, perscrutando primordialmente as suas carências. Terá de ser, insofismavelmente, o elemento necessário ao seu abastecimento de índices que alterem superiormente, as formações físicas e anímicas dessas gentes vítimas de uma sociedade consumista onde impera  o lucro fácil em troca de péssimos serviços.»

Todos aqueles que fizeram o que o Fernando, muito bem escreveu, que conseguiram com que as suas Colectividades se aproximassem das comunidades onde estão inseridas e lhes oferecessem o que necessitavam, de certeza que ficaram melhor que, os que se limitaram apenas a assobiar para o ar ou a bater à porta das autarquias, para pedir o respectivo "subsídio"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, julho 01, 2020

"Lista Negra" no Associativismo Almadense?

É muito triste quando quem ocupa o poder, acabe por seguir os mesmos métodos, que antes criticava (e com razão), de quem governava.

Desde que o PS  conquistou a Câmara de Almada, que trata a generalidade das Colectividades Almadenses como um "alvo a abater", associando-as à  CDU, ou para sermos mais claros, ao PCP.

Esta é a forma mais eficaz de "destruir" este tecido colectivo, já de si enfraquecido pelo modelo de sociedade em que vivemos (cada vez menos solidária e com menos princípios colectivos...), cortando de uma forma quase radical com os subsídios que eram atribuídos, como se todas as associações fossem "subsídio-dependentes" e não funcionassem como uma mais valia para as populações onde estão inseridas,  oferecendo cultura, desporto e recreio, a quem não tem dinheiro para frequentar "escolinhas de futebol", ginásios ou escolas de música e de dança, entre outras actividades.

Estou a vontade para escrever isto, porque antes era contra a "política associativa" da CDU, por ser pouco criteriosa nos apoios que oferecia. Ou seja, apoiava com mais facilidade quem lhe era próximo politicamente, que quem realmente fazia um trabalho associativo exemplar.

É sobretudo por isso que lamento que o PS, que antes criticava esta "política de favorecimento", agora acabe por fazer o mesmo, vendo "fantasmas comunistas" em tudo o que lhes cheire a associativismo.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, junho 30, 2020

As Mentiras e as Meias-Verdades de um Presidente de Junta

O presidente da União de Juntas da Charneca de Caparica e da Sobreda teve uma intervenção na última Assembleia Municipal, em que não só deturpou a história do Movimento Associativo, como teceu uma série de mentiras e meias-verdades sobre as Colectividades e os Associativistas Almadenses. 

Nós já sabíamos que havia a ideia nas hostes socialistas de que todo o movimento associativo de Almada era comunista. Agora tivemos a confirmação, através da intervenção de um seu militante e dirigente local.

Só que todas as generalizações são perigosas. E neste caso também são ofensivas, pois pelo conhecimento que temos (que é muito maior que o do senhor Pedro Matias...), como historiador e sobretudo como dirigente, não temos dúvidas de mais de 60 % das colectividades do Concelho são dirigidas por pessoas - cujo voluntarismo e sentido ético e democrático, devem ser sempre realçados - que não têm qualquer vínculo à CDU.

Pelo que, quando ele afirma:

«Eu nasci em Almada e conheço muito bem o Movimento Associativo em Almada, melhor que o vereador António Matos, muito melhor. Todos sabemos que a última trincheira da CDU é o Movimento Associativo. Foi capturado por alguns dirigentes da CDU actualmente, que manipulam todas as colectividades e alguns sócios, numa estratégia de conseguir passar a ideia negativa, e errada, daquilo que é o investimento do Município.»

Está a falsear a realidade e a branquear a actuação do Município, que não só não apoia - ou apoia pouco -, como ainda tem pedido a restituição de apoios monetários dados pela gestão anterior a várias colectividades (por este investimento ter sido canalizado para outras áreas).

E depois dirigiu-se ao Presidente da Assembleia Municipal:

«O 25 de Abril ainda não chegou ao Movimento Associativo. As direcções das centenárias sabe onde são feitas? São feitas dentro da sede do PCP. Esta é a verdade. E todos sabem disso! Isto é público! Isto é público!»

É mais uma mentira descarada! Fui vice-presidente cultural da Incrível Almadense - a Colectividade Rainha de Almada - durante dois mandatos (entre 2011 e 2014) e tanto eu como o presidente da direcção e a maioria dos meus companheiros de direcção, não tínhamos qualquer ligação ao Partido Comunista. E a direcção foi feita por nós, sócios da Incrível, na Incrível. E o mesmo se passa com a generalidade das Colectividades do Concelho.

Antes tinha aproveitado o seu  tempo de antena para insultar a inteligência da generalidade dos almadenses, com um falso retrato de Almada:

«Senhora Presidente, Almada é uma cidade-mártir, como Berlim, como Praga. Sabe porquê? Tivemos 48 anos de fascismo, uma ditadura feroz que não nos deixava crescer e a seguir 41 anos de comunismo. 89 anos de tirania! A senhora é a primeira Presidente da Câmara que trouxe a liberdade a esta Terra.»

Almada é sem qualquer dúvida uma Cidade de Abril e uma Cidade de Liberdade (e já o era antes de 1974, no seio das suas Colectividades e continuou a ser até hoje...).

Onde ele conseguiu dizer alguma verdade (com várias mentiras pelo meio...), foi quando falou do papel do vereador António Matos durante a sua passagem de 27 anos pelos pelouros da Cultura, Desporto e Associativismo do Município. O "miserabilismo" crescente do Associativismo Almadense deve-se a vários erros, de quem pensou mais em controlar que, em libertar e ajudar a crescer, sem promover  as condições necessárias para que se fizesse a transição para os novos tempos que se avizinhavam, com apoios concretos ao seu desenvolvimento, sem se limitar a distribuir "esmolas" pelas Colectividades.

Mas uma meia-verdade, misturada com tantas mentiras ditas, é muito pouco, para quem exerce um cargo com estas responsabilidades...

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

domingo, junho 28, 2020

Dinheiro Deitado fora na Fonte da Telha?


A notícia de ontem do semanário "Expresso" não indica nada de bom para o nosso Concelho, graças à "febre" momentânea de se aproveitar a "pandemia" para se fazer obra pública, seja na transformação de cruzamentos em rotundas e também o contrário, nas estradas de Almada, seja na requalificação das praias do Sul da Costa de Caparica.

A Fonte da Telha era o foco principal da notícia assinada por Carla Tomás, pois as obras efectuadas (o pavimento betuminoso e o asfaltamento colocados há semana e meia, podem ter de ser retirados...), foram realizadas sem que fosse pedido qualquer parecer à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, pois trata-se de uma área que pertence à Reserva Ecológica Nacional (REN).

Apesar do poder local e nacional pertencerem à mesma "família", a notícia diz que se se verificar que a obra executava não respeita os termos legais o Município de Almada será intimado a repor a situação inicial. 

A presidente, Inês Medeiros remeteu-se ao silêncio. O que é compreensível. Mas muito mal irá Almada, se se verificar que o investimento feito (mais de 800 mil euros segundo a notícia) poderá ser "deitado fora", ainda por cima num período de grande indefinição e dificuldades para todos nós.

Não deixa de ser estranho saber tudo isto por um jornal e não pela oposição local...

(Fotografia de Luís Eme - Fonte da Telha)

quarta-feira, junho 24, 2020

Tudo é Diferente...



A nossa vida mudou...

(Nunca pensei que fosse possível, mudar tanto em tão pouco tempo)

Hoje é dia de São João, é dia da Cidade de Almada e feriado municipal. Infelizmente este ano é um feriado diferente, estranho, que faz de Almada e de todas as Terras que festejam habitualmente os Santos Populares, lugares mais silenciosos, frios e pobres...


(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

segunda-feira, junho 08, 2020

O Tejo hoje Parece um Oceano

Por hoje se festejar o Dia Mundial dos Oceanos, o Tejo, com a ajuda do vento, transformou-se num Mar...

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)

domingo, maio 31, 2020

"O Fotógrafo da Névoa"



                                                           (ao Fernando Barão)


O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais

Prepara tudo com cuidado
a "kodak" é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas

A sua Isabel fica ao balcão
ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão-

Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.

[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Fernando Barão - Cacilhas)

sábado, maio 30, 2020

O Centenário do Liberdade Futebol Clube


Foi na quarta-feira,  dia 28 de Maio de 2020, que o Liberdade Futebol Clube, um clube popular fundado na Mutela (entre Almada e a Cova da Piedade) fez 100 anos.

Esta semana foi ainda mais atípica que as outras, foi por isso que me esqueci de felicitar este clube, nesta data tão especial...

Fiquei satisfeito, por saber à posteriori, que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou o Clube, que agora está transformado em centro de acolhimento dos sem abrigo do Concelho de Almada.

Também lhe "lavaram a cara" (uma operação de cosmética, rápida e merecida...) e deram-lhe uma cor nas paredes da Sede.

E o mais importante. Parabéns Liberdade!

(Fotografia de Luís Eme - Mutela)

segunda-feira, maio 25, 2020

Fernando Barão: um Amigo e um Verdadeiro Renascentista da Cultura Almadense

Partiu hoje um dos meus melhores amigos de Almada.

Não sei o que dizer... embora tenha escrito muitas coisas sobre Ele, em livros, jornais, boletins e... até aqui no "Casario".

Em 2016 comecei por aqui uma pequena série (nove textos), a que intitulei "As Gentes da Minha Terra". Não foi por acaso que ele foi o primeiro. Embora já tenham passado mais quatro anos, o texto permanece actual e foi escrito no dia que o Fernando fez 92 anos... vou republicá-lo, com pequenas alterações.

«Não poderia escolher melhor para este começo, que um grande amigo, que faz hoje a bonita idade de noventa e dois anos, com uma lucidez e alegria de viver, invejáveis.
Falo de Fernando Barão, um verdadeiro Renascentista da Cultura Almadense.
É reconhecido com todo o mérito como um dos grandes associativistas de Almada (ajudou a fundar três colectividades, Clube de Campismo do Concelho de Almada, SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada e O Farol, Associação de Cidadania de Cacilhas e ocupou o cargo máximo (presidente da Mesa da Assembleia Geral) na Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, Ginásio Clube do Sul, Bombeiros Voluntários de Cacilhas, SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada e O Farol, Associação de Cidadania de Cacilhas. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada durante 12 anos.
Mas mais que os cargos, importante foi o trabalho que desenvolveu. Sempre que havia uma actividade cultural nas suas colectividades de recreio ou de desporto, tinha dedo do Fernando...
E depois temos ainda as suas capacidades pessoais, que o transformaram num excelente contador de histórias (orais e escritas... é autor de mais de uma dezena de livros sobre o Concelho de Almada, de prosa e poesia). Foi um grande apaixonado pela fotografia a preto e branco, tendo sido premiado em vários salões, nos anos cinquenta e sessenta do século passado.
Mas ele gosta de tudo o que é cultura. Adora música (foi coralista...), cinema (que pena teve de nunca ter conseguido ajudar a criar um cine-clube em Almada...), teatro (escreveu vários quadros alegres para peças carnavalescas...) e todas as outras Artes.
A par deste currículo impressionante, não podemos deixar de destacar a sua qualidade humana, que suplanta todos estes talentos, pois Fernando Barão sempre fez (e faz) do seu dia-a-dia um hino à amizade e à fraternidade.»

A Fotografia de Gena Sousa que publico com este texto é uma fotografia especial. Foi tirada no dia do lançamento do livro que fizemos em conjunto sobre Cacilhas ("Cacilhas - A Pesca, a Gastronomia e as Tradições Populares"). O Fernando dá um autógrafo na minha companhia e do meu filho, que já tem 22 anos...

domingo, maio 24, 2020

O "Gaivota" de Cacilhas...


Maria Rosa Colaço, escritora e professora que viveu uma boa parte da sua vida em Almada, em 1982 publicou o seu conto "Gaivota".
Curiosamente, só li esta bela história de Cacilhas e das suas Gentes, a semana passada, com Maria Rosa a dar vida ao Alfredo, conhecido por todos como o "Gaivota", ao mesmo tempo que retrata um tempo em que havia crianças, quase sem espaço para serem crianças...
Mas vamos lá descobrir a Cacilhas  do "Gaivota", no começo de uma manhã de Dezembro:

«Não havia nada, ninguém, que lhe tirasse aquela alegria: levantar-se quase de noite, a terra a dormir ainda, as ervas e os cães ensonados e ele ali, sozinho, rua abaixo, até Cacilhas.
Sozinho, ouvindo o quase silêncio da madrugada, os primeiros ruídos indistintos como um grande corpo que começa a despertar e tem medo de perder os sonhos nocturnos.
Ao longe, Lisboa era como uma terra de ninguém: cinzenta. enorme, vazia. Ou uma pessoa que tivesse adormecido com o arrulhar das ondas, aquele som de ir-e-vir das águas mansas do Tejo.
E ali, a descer a rua, com a cana de pesca, a lata de isco, as sapatilhas cheias de curacos, a camisola larga; ali com o vento de Dezembro na cara, a respiração feita névoa, sentia-se um pequeno rei a fumar charuto ou outra coisa assim, impossível e engraçada.
Aquela ideia de ser rei a fumar charuto, sozinho no mundo e a fumar charuto, dava-lhe sempre vontade de rir. Mas durava pouco tempo porque, de repente, acabava-se o filme cómico e começava a vida de verdade: eram mulheres do peixe que apareciam; eram os pequenos carros de hortaliça, mercado ambulante para os que viviam sem tempo nem dinheiro para grandes compras; eram as mulheres das castanhas; os operários do estaleiro; os homens dos jornais.
Nasciam do chão, das paredes, do nevoeiro matinal, furavam as pedras da calçada, vinham do rio, saltavam da ponte, caiam do ar.
Eram, subitamente, muitos e vários.
E Cacilhas, ali, colada ao Tejo, já não era uma terra: era um formigueiro. Parecia que tudo era coisa viva e respirava, saía dos barcos, entrava nas camionetas.»