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domingo, maio 31, 2020

"O Fotógrafo da Névoa"



                                                           (ao Fernando Barão)


O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais

Prepara tudo com cuidado
a "kodak" é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas

A sua Isabel fica ao balcão
ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão-

Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.

[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Fernando Barão - Cacilhas)

sábado, abril 25, 2020

"Os Cravos de Abril"

E se nascessem cravos nas encostas do Ginjal (não seria nenhum "fenómeno do entroncamento", bastaria semeá-los...)? Era no mínimo, uma beleza...

Porque hoje se festeja a Liberdade e a Revolução, oferece-vos mais um poema e uma fotografia da minha exposição, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras":

Os Cravos de Abril

Sei que OS CRAVOS DE ABRIL
podem nascer em qualquer lugar
graças à luz e ao calor primaveril
que também se reflecte no nosso olhar

Sei que OS CRAVOS DE ABRIL
são as balas da nossa Revolução
que de tão pacíficas e certeiras
tocaram-nos em cheio no coração.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, abril 24, 2020

"Cravos Caídos"


Em 2014 fiz uma exposição individual de fotografia ilustrada, com Cravos (sempre presentes), algum Tejo e também algum Ginjal. Chamei-lhe "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras".

Todos os que passaram em Abril pelo "Espaço Doces da Mimi", em Almada, puderam vê-la...

Cravos Caídos

CRAVOS CAÍDOS
na praia que foi de pobres e vagabundos
quase sempre abandonados e esquecidos
em todas as "guerras dos mundos"...

CRAVOS CAÍDOS
na praia que foi das lavadeiras
que presas aos seus trabalhos doridos
passaram por ali as vidas inteiras.


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, março 21, 2020

Por Aqui (Ginjal)


Todo o Ginjal é um "livro de poesia"...


Por Aqui (Ginjal)

Todos os que saem à rua
recebem o abraço do Sol
até ao final do dia
e se esperarem pela noite
também recebem
um beijo estrelado da Lua...

(Luís (Alves) Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, dezembro 17, 2019

Fernando Lemos e Romeu Correia

Fernando Lemos, fotógrafo, artista plástico, poeta e desenhador gráfico, deixou-nos hoje, com 93 anos, em São Paulo, a sua Cidade adoptiva. 

Vivia há mais de sessenta anos no Brasil, para onde partiu nos anos 1950, porque não quis ser, mais uma vitima da ditadura salazarista.


A sua fotografia foi descoberta há poucos anos no nosso país, porque entre 1949 e 1952 foi fotografando os amigos, com alguma originalidade. Amigos esses ligados às artes e letras. Um deles foi o escritor almadense, Romeu Correia. 

No ano do centenário do seu nascimento escrevi um "poema-legenda", de uma das fotos que Fernando Lemos lhe tirou e que publico (a fotografia e o poema) com a devida vénia aos dois artistas...

As Tuas Mãos

As tuas mãos que escrevem
as tuas mãos que esgrimem
as tuas mãos que abraçam
as tuas mãos que contam...

São um bem precioso.

São explicação
são aventura
são trabalho,
são ternura...

As tuas mãos são a tua vida.


(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, abril 24, 2019

Albino Moura Partiu na Primavera...


Quando chegámos a casa, na segunda-feira, fomos informados do desaparecimento de Albino Moura, um dos grandes pintores de Almada.

Embora Albino fosse reconhecido sobretudo como o "pintor das gordas" (dentro e fora do país), ele foi muito mais que isso, como facilmente se pode comprovar, se viajarmos no tempo com a sua obra.

Sabíamos que Albino Moura não usava a poesia apenas nas suas telas e no papel, também gostava das palavras...

Foi por isso que escolhemos o seu óleo, "A Mensageira da Primavera", para ilustrar esta pequena homenagem, e também  a quadra da sua autoria, "Primavera:

Cheira a vento, 
o sol cheira a Primavera.
Canta o vento,
sopra a Primavera.

domingo, março 24, 2019

"Pelos Trilhos da Poesia", com Américo Morgado...

Foi mais uma vez, uma honra, estar ao lado dos professores Américo Morgado e Elisa Araújo, o autor e a apresentadora da obra poética, "Pelos Trilhos da Poesia", que foi lançada onde à tarde, na Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia. 

São gente grande da Cultura Almadense!

Deixo aqui um dos poemas do novo livro de Américo Morgado:

Ser Árvore

Aquela árvore
monumentalidade
ramos ao alto
azul entre espaços, a luz
e gotas d' água suspensas
nas folhas.
Sou eu na intimidade da imagem
refúgio onde me escondo e revelo.


(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Adeus Lisboa

[...]     
Vou até à Outra Banda
no barquinho de carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
[...]

António Gedeão (do poema "Adeus Lisboa")

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, janeiro 09, 2019

"O Futuro do Passado"


"O Futuro do Passado" é uma exposição no mínimo curiosa, que está patente ao público na sala principal de exposições da Casa da Cerca, em Almada.

Oferece-nos a conjugação de trabalhos de Amadeo de Souza-Cardoso, Ana Jotta, Jorge Queiroz e Matilde Campilho.

E pode ser visitada até 3 de Março...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 05, 2018

3ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA

Irei participar mais uma vez na Exposição de Poesia Ilustrada organizada pela SCALA (a terceira), que será inaugurada no próximo sábado, às 16 horas, com alguns poemas e fotos.

quinta-feira, maio 17, 2018

Romeu Correia, entre dedicatórias & aproximações


Um dos poemas do caderno, "romeu correia, entre dedicatórias & aproximasções", é a "visita guiada", num percurso familiar ao "Casario":


visita guiada

a visita começou em Cacilhas
a bonita terra dos “orelhudos”
e de tantas outras maravilhas
que não davam espaço a sisudos

com a tua arte de contador de histórias
falaste do Arrobas, do Elias Garcia
e de tanta gente de felizes memórias
utilizando alguns pós de fantasia

depois vieram os lugares mágicos
que não trouxeram apenas encanto
focaste os acontecimentos trágicos
salvos por um ou outro “santo”

quando abriste a porta dos restaurantes
sentimos o aroma das belas caldeiradas
convocaste mais personagens apaixonantes
que na tua voz se tornaram encantadas

depois caminhámos em direcção ao “Rio-Mar”
era ali que começava e acabava o Ginjal
com tantas aventuras para contar
e quase sem darmos por isso,
estávamos no Ponto Final

Luís [Alves] Milheiro


quarta-feira, março 21, 2018

Porque Hoje se Abraçam os Poetas...


Não esqueço a Primavera e as queridas Árvores... Apenas lembro com um abraço os Poetas. E é por isso que vos ofereço a minha "Rima de Poetas", cheia de gente bonita:


Rima de Poetas

Camões começou a epopeia
Pessoa trouxe a complexidade
Natália quis ser sereia
Torga agarrou a realidade
Zé Gomes foi militante
Florbela a deusa do amor
Ary o poema cantante
Herberto pintou a dor
Rosário abraçou a saudade
Luísa a memória
Teresa a felicidade
Vasco a história
Adilia é a infância
O’Neill as frase certas
Alegre a errância
David as portas abertas
Zeca foi revolução
Sophia é tranquilidade
Belo a inquietação
E Sena a verdade.
   
Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, março 17, 2018

Movimento Associativo Homenageia Alexandre Castanheira


Hoje à tarde, às 16 horas, uma boa parte do movimento associativo almadense homenageia Alexandre Castanheira, dando particular destaque à paixão poética, que sempre o acompanhou a vida inteira, como autor e como declamador.

A homenagem realiza-se no Salão de Festas da Incrível Almadense, a "casa" onde se iniciou nas culturas e no associativismo.

Por não me poder dividir em dois, não estarei lá no seu começo, mas espero conseguir passar por lá...

Acabei por escrever um poema em sua homenagem (que em princípio será declamado pelo meu amigo Francisco Gonçalves), que publico com a devida vénia, a uma das grandes figuras da cultura almadense, que nos deixou há um mês...

Alexandre

Alexandre é um nome inesquecível,
Que continua vivo e presente
Na história da nossa Incrível
E à qual ninguém fica indiferente

Cedo se encantou com o associativismo,
Os livros, o teatro eram a paixão
E ajudaram-no a descobrir o comunismo
A que se entregou de alma e coração.

Um dia foi obrigado a partir,
Vagueou de cidade em cidade
Porque sabia que era preciso resistir
E lutar todos os dias pela Liberdade

Num quase acidente da clandestinidade
Descobriu o amor, e logo em Paris,
A Capital das luzes e da fraternidade
Foi tão forte que o levou a abandonar o País

Felizmente aconteceu Abril
E o Alexandre voltou a Almada
A Terra dos seus sonhos mil
Que com o tempo ficara quase encantada

No meio de tanta alegria e amor
Voltou a ser o homem que sonhara
O Professor, o poeta e o escritor
Abril, felizmente, também o libertara
  
Luís [Alves] Milheiro

domingo, fevereiro 18, 2018

A Poesia Pode (e deve) ser Festiva...

Ontem tive mais uma boa experiência de que a poesia pode ser festiva, através do exemplo da leitura colectiva do meu caderno de poemas, "Praça Miguel Bombarda".

Repeti a "fórmula" que já tinha usado em outras apresentações, com sucesso, fui distribuindo a leitura dos poemas pelos amigos presentes (quase sempre voluntárias...).

E o resultado foi um excelente ambiente de alegria e camaradagem, numa boa jornada de propaganda da poesia, com poemas que também puxavam a alegria para os olhares de todos os amigos presentes.

(E a exposição de fotografia também foi muito elogiada...)

(Fotografia de Clara Mestre)

sábado, fevereiro 17, 2018

"Os Loucos de Almada" (e os "Meninos de Cacilhas")...


Hoje é mais um dia de repetições nos meus blogues e de oferta de poemas. Sim, o "Casario", o "Largo", as "Viagens" e a Carroça" vão ter uma postagem quase igual, mas com um poema diferente, da "Praça Miguel Bombarda", o caderno que vou apresentar logo em Almada, rodeado de alguns amigos, que entre outras coisas, também gostam de poesia.

A acompanhar o meu poema colocarei uma fotografia minha da exposição, que será inaugurada antes da conversa com poemas.

os loucos de almada
  
não sei como descobriram
a praça miguel bombarda
sei apenas que vêm
quase em excursão
e com as moedas
que encontram à mão
atravessam o rio de cacilheiro
e fazem uma festança
que vale para o mês inteiro

além do bilhete da barca
Trazem também
vários poemas nos bolsos
são coisas más, assim-assim
e uma ou outra coisa boa
mas tudo o que ele querem
mesmo, mesmo
é brincar aos poetas com os loucos de lisboa

(Fotografia de Luís Eme - "Os Meninos de Cacilhas")

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Alexandre Castanheira (1928 - 2018)

Alexandre Castanheira deixou-nos há poucas horas, aos noventa anos de idade.

Escritor, poeta, professor, resistente e associativista, foi uma das grandes figuras da cultura almadense do século XX. 

Sei que a amizade não se agradece, mas também não se esconde. É por isso que digo que foi um prazer muito grande conviver (e aprender tantas coisas...) com este excelente companheiro e amigo das "ruas da cultura" da nossa Cidade de Abril.

Em sua homenagem vou deixar aqui um dos poemas que lhe dediquei:

O Outono do Adeus
  
As árvores despiam-se
As folhas despediam-se

Tu estavas diferente,
Já não conseguias
Enganar o coração.
Muita coisa mudara
Com e sem distanciação

A tua vida soprava ao vento,
Sonhos, poemas e ilusões

No fundo de ti
O Partido deixara de estar
Acima da família

A tua filha, a tua companheira
Simbolizavam, cada vez mais,
A tua Liberdade

Querias sair da clandestinidade
Querias ser cidadão
A tempo inteiro
Em qualquer cidade...


Nota: Escrevi este poema quando ele fez 85 anos, a pensar na sua partida para o exílio em Paris, depois de ter dedicado 15 anos da sua vida à luta antifascista, na clandestinidade, ao serviço do PCP e da Liberdade...

(Fotografia de Fernando Viana - da última vez que estivemos juntos, num evento cultural, o colóquio, "A Incrível na História da Resistência em Almada", realizado a 6 de Maio de 2017, no Salão de Festas da nossa Incrível... Como se percebe estamos todos a ouvi-lo, embevecidos, eu o Carlos e o Alfredo, tal como a plateia...)

domingo, novembro 12, 2017

As Tuas Mãos


As tuas mãos que escrevem
as tuas mãos que esgrimem
As tuas mãos que abraçam
As tuas mãos que contam…

São um bem precioso.



  
São explicação
São aventura
São trabalho,
São ternura…

As tuas mãos são a tua vida.


Poema de Luís [Alves] Milheiro

Fotografia de Fernando Lemos

(poema que faz parte da exposição, "Romeu Correia, Entre Palavras, Olhares e Sonhos", patente na sede / galeria da SCALA em Almada)