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sexta-feira, julho 17, 2020

As Portas Fechadas que não Voltam a Abrir...


Vou transcrever aqui para o "Casario", uma parte do texto que escrevi hoje no "Largo". Porque além de ser um retrato social, é também uma reflexão sobre Almada e sobre o Associativismo...

«Muitas das pessoas que agora passam a maior parte do tempo em casa (quase todos nós...), quando puderem voltar a sair para a rua, para voltarem a ter uma vida quase normal, percebem que isso não é possível.
Terras como Almada, com muitas colectividades, quando acordarem deste pesadelo, vão descobrir que uma boa parte delas já passou à história (para satisfação dos governantes actuais, que olham para todas as associações, como se estivessem pintadas de vermelho e tivessem nos seus emblemas foices e martelos...). 
Pois é, continuarão a receber "convites" invisíveis, para voltarem para casa...
É por isso que eu digo, que já apareceram por aqui muitos vírus, mas nenhum tão fascista e anti-social como este...»

Gostaria muito de estar enganado, mas...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, julho 05, 2020

A "Ligação à Comunidade Local"


Há quase 27 anos realizou-se em Almada o "3.º Congresso Nacional de Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto".

Houve dezenas de intervenções, algumas bastante importantes, mas que acabaram por passar ao lado de quase todos os participantes, inclusive dos Almadenses. Uma delas foi da autoria do meu amigo Fernando Barão (em representação da Incrível Almadense), que nos deixou em Maio, que passados estes anos, não só mantém a actualidade como nos demonstra todo o tempo que se perdeu, sem fazer essa coisa simples e praticável, que é a "Ligação (das Colectividades) à Comunidade Local", que temos todo o gosto em transcrever os seus três primeiros parágrafos:

«A verdadeira e única saída para a evolução do Movimento Associativo será a sua ligação à comunidade que o rodeia.
Assim é da máxima importância, o estabelecimento de ligações pragmáticas e afectivas de todos os núcleos colectivistas de uma localidade com a sua população, de forma a que esta reconheça as suas validades e sintam, no dia a dia, as suas acções benéficas e altruístas.
Uma instituição colectiva, nos tempos que vão correndo terá de ir ao encontro da sua comunidade local, com objectivos certeiros, perscrutando primordialmente as suas carências. Terá de ser, insofismavelmente, o elemento necessário ao seu abastecimento de índices que alterem superiormente, as formações físicas e anímicas dessas gentes vítimas de uma sociedade consumista onde impera  o lucro fácil em troca de péssimos serviços.»

Todos aqueles que fizeram o que o Fernando, muito bem escreveu, que conseguiram com que as suas Colectividades se aproximassem das comunidades onde estão inseridas e lhes oferecessem o que necessitavam, de certeza que ficaram melhor que, os que se limitaram apenas a assobiar para o ar ou a bater à porta das autarquias, para pedir o respectivo "subsídio"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, janeiro 28, 2020

A Vida Real é Outra Coisa...

Há uns dias estive numa reunião e passado algum tempo verifiquei que algumas pessoas estavam mais preocupadas com o que se passava, dizia e comentava, no "facebook", que com a vida real.

Quase de uma forma automática insurgi-me contra esta "forma de pensar", que, infelizmente, não deve estar distante da "forma de viver".

Fiquei a pensar que devia ser bom para a "saúde mental" destas pessoas se passassem um pouco de menos tempo nesta rede social e  apanhassem mais ar, dando uma ou duas voltas pelas ruas da cidade...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, dezembro 31, 2019

Mais um Virar de Página...


A mudança de ano, com mais ou menos foguetório, é apenas um virar de página.

Há sempre lugar para a esperança, para o desejo de que alguma coisa melhore, porque para pior já basta assim...

Pondo de lado os "euromilhões" das nossas vidas, penso que se as pessoas pensassem, mesmo que fosse um bocadinho só, nos outros, muita coisa melhoraria à nossa volta...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quarta-feira, outubro 09, 2019

A "Lavandaria do Idoso" Está Fechada há Dois Anos


Não consigo perceber porque razão a "Lavandaria do Idoso" está fechada há dois anos. A minha primeira preocupação não vai para as instalações fechadas e para as máquinas  sem qualquer uso, vai sim para os seus utentes, gente com alguma idade, carenciada e com problemas de mobilidade, que se viu privada de um serviço, que era um grande apoio para as suas vidas.

Sei que esta lavandaria nasceu no seio da Câmara em 1993, através do pelouro da Acção Social e que era gerida pela ACAI (Associação Concelhia de Apoio ao Idoso). Embora não tenha em meu poder todos os dados, informaram-me que é mais uma vitima dos "cortes cegos" que o Município Socialista fez no movimento associativo almadense...

Recupero as palavras de uma reportagem do "Diário de Notícias" de Abril de 2010, em que exemplifica o papel da ACAI junto da população: «Em Almada a Associação Concelhia de Apoio ao Idoso (ACAI) lava, seca e passa a ferro milhares de quilos de roupa de cerca de um milhar de idosos carenciados. "O grosso das pessoas que nos aparecem aqui são carenciadas, têm dificuldade em pagar e por isso mesmo, pagam consoante as suas reformas", explicou Amável André, membro da ACAI.»

Até posso acreditar que o seu encerramento se tenha ficado a dever à questões que envolviam a sua gestão. O que já não aceito é que ninguém se tenha preocupado em reabri-la, num curto espaço de tempo.

É uma vergonha terem passado dois anos e ninguém, de direito, se ter preocupado com o serviço que deixou de ser prestado aos seus utentes (e com as máquinas, que estão sem funcionar, e com toda a certeza sem qualquer tipo de manutenção...). Ou seja, deixou-se de prestar um serviço à população, ao mesmo tempo que se está a "deitar fora" um investimento feito com o dinheiro de todos nós.

É uma situação demasiado triste e absurda, para que faça mais comentários.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

terça-feira, abril 30, 2019

O Mundo é que Está ao Contrário...

Quando o Luís Bayó Veiga deixou ontem o comentário de que a fotografia do Cine-Incrível e do começo da Rua Capitão Leitão estava ao contrário, pensei logo em repeti-la, porque se há alguma coisa que está ao contrário em toda esta história, não será a fotografia, com toda a certeza.

A fotografia foi tirada a um dos vidros dos Paços do Concelho, cujo reflexo produz esse efeito.

Aliás, ela já foi colocada assim, como uma metáfora deste tempo, em que o "poder do dinheiro", provoca a "cegueira" a tanta gente...

Neste caso em particular, acaba por ser isso que está em causa, pois o "vil metal" é colocado acima de todas as coisas.

A Incrível nunca colocou em causa a lei ou o senhorio. Foi este senhor que entrou nas nossas instalações (são nossas enquanto pagarmos renda...), sem tentar sequer dialogar ou tentar chegar a um consenso, sobre o que lhe pertencia e o que era propriedade da Incrível (muito menos sobre um valor de renda que fosse justo para ambas as partes...). 

E o mais grave, é que nem se dignou a respeitar os 170 anos de história da Incrível Almadense, algo que sempre foi feito pelo seu pai...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 14, 2019

«Os factos são como o algodão, não enganam»


Há dias tive uma discussão sobre a verdade e a mentira das notícias (que depois até saltou para a própria história...).

Houve um momento em que parei de falar, à espera do silêncio (é complicado quando as conversas ficam parecidas com os debates futebolísticos televisivos, em que cada vez de fala mais alto e ninguém entende nada do que se diz...).

Quando o silêncio regressou disse: «os factos são como o algodão, não enganam». 

Só que as pessoas, estão de tal forma equivocadas, que acham que tudo é discutível, até os factos, o que realmente acontece, sem qualquer desvio.

Talvez esta confusão tenha que ver com a forma como se faz jornalismo nos nossos dias (principalmente o televisivo), em que se tenta distorcer a realidade em nome das audiências (e das conveniências)...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 17, 2019

Autarquia Almadense de Costas Voltadas para o Associativismo

Ontem estive presente no "Encontro do Movimento Associativo Almadense", que se realizou na Cova da Piedade, organizado pela Associação das Colectividades do Concelho de Almada, onde se abordaram, com alguma pertinência, alguns dos problemas que afectam o Movimento Associativo Popular do Concelho.

Estiveram presentes cerca de 100 pessoas, cuja maioria eram dirigentes associativos. Houve vinte intervenções, da mesa e da plateia, quase todas elas pertinentes, trazendo para a reunião problemas concretos e oferecendo também algumas pistas para a sua resolução.

Percebemos que existe um problema comum, a falta de apoio e de sensibilidade, por parte do Município, perante a generalidade das Colectividades de cultura, desporto e recreio, que todos sabemos, continuarem a substituir o Estado nos seus deveres, expressos na Constituição...

A ausência de qualquer elemento do Município (foram convidados a Presidente do Município, o Presidente da Assembleia Municipal, os Vereadores e um Director de Serviços...), diz quase tudo sobre sobre a sua posição perante um parceiro, incontornável, em Almada.  

Sim, incontornável. As Associações são as responsáveis por quase tudo o que se faz na cultura, no desporto, no recreio, junto das populações. Nos últimos anos ainda têm ido mais longe, oferecendo apoio nos cuidados primários que são prestados, às pessoas mais idosas e carenciadas de Almada (todas as Freguesias do Concelho têm associações de reformados, às quais se juntam outras IPSS's que diariamente apoiam milhares de pessoas...).

Trabalho esse que sempre foi feito, maioritariamente, de forma voluntária e graciosa.

Durante a próxima semana irei escrever no "Casario" sobre algumas das coisas mais importantes que ouvi (algumas delas completamente incompreensíveis...).

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, novembro 23, 2018

Uma Mensagem de Parede e a "Sexta Feira Preta"...

Não posso dizer que seja coisa que me incomode, ver tanta gente atrás da "sexta feira preta".

Só espero é que não tenham comprado muito "gato por lebre".

Mas os anarquistas "pintores de parede", têm razão. Capitalismo é "guerra", nem que seja às nossas carteiras...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, outubro 24, 2018

A Ingratidão é o Pão Nosso de Cada Dia do Associativismo...

No associativismo a simplicidade e o sentido colectivo, por vezes são entendidos como defeitos. Poderia dar dezenas de exemplos. Mas apenas falo de dois amigos (o Carlos e o Diamantino), com quem tenho realizado muito trabalho associativo, e nunca foram homenageados como mereciam.

O mais grave é me lembrei disso porque um deles está com problemas de saúde (que espero que se resolvam com brevidade...) e o outro está com quase noventa anos...

O mais caricato é o que normalmente acontece. Ao longo de mais de vinte anos de prática de associativismo, reparo que muitas vezes são os próprios homenageados que se metem a jeito (alguns até quase que exigem...), para que se realizem as ditas festas.

E é por isso que, cada vez tenho menos dúvidas de que a simplicidade e humildade, são quase defeitos neste nosso país, cada vez mais cheio de "pavões", que a única coisa que fazem de válido é encher o peito de ar e dizer umas "larachas", para quem os ouve...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 06, 2018

Os 170 Anos da Incrível Almadense, um Colosso Associativo e Cultural

A Sociedade Filarmónica Incrível Almadense comemora o seu 170.º aniversário durante todo este mês de Outubro, com dezenas de iniciativas culturais e recreativas.

A Colectividade possui uma história inigualável no panorama associativo português, tendo conseguido resistir de uma forma verdadeiramente "incrível" (os seus padrinhos sabiam o porquê de lhe oferecerem este nome...) a todas as contrariedades que foi forçada a enfrentar nos séculos XIX, XX e XXI.

E este século XXI, talvez seja o mais complicado de gerir, porque o associativismo já não é o que era, pela própria evolução da própria sociedade, e também pela forma como tem sido desprezado pelos poderes políticos (local e nacional) e económicos.

A Incrível embora se mantenha bastante activa, tem poucas receitas próprias e prepara-se para enfrentar uma "batalha jurídica", comum a muitas outras associações e a muitos portugueses, porque os novos senhorios (herdeiros) querem aumentar a renda da Sede para valores "impossíveis". 

Sede que é ocupada pela Incrível há mais de cem anos. E não menos importante, durante esta longa permanência na rua Capitão Leitão, todas as obras de beneficiação neste espaço foram realizadas e pagas pela Incrível Almadense (nos últimos anos com o apoio do Município...),  Algumas obras foram de tal forma avultadas (substituição do telhado, das portas e janelas, reforço das paredes, pinturas, etc), que até houve uma espécie de compromisso de cavalheiros, dos anteriores senhorios, de não aumentarem a renda à Instituição mais antiga de Almada.

Mas como "já não existem cavalheiros", todos os Incríveis sabem que a coisa poderá ficar complicada, se não existir bom senso e o apoio efectivo do Poder Local Almadense, para enfrentar mais este "obstáculo"...

É por tudo isto que hoje à tarde lá estarei no Salão de Festas da Incrível, para assistir a mais uma sessão solene.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, setembro 28, 2018

O Portugal Manso...

As povos são que são. Nós portugueses, somos seguramente, pouco dados a aventuras e sobressaltos. E tenho muita dificuldade em culpar o Salazar por isso.

Normalmente gostamos do conforto, preferimos sempre não sermos incomodados. Acreditamos que há sempre alguém que faz barulho e luta por nós na rua.

Gritamos muito, mas é em casa e nos cafés, no convívio com os amigos. E agora também fazemos "revoluções" nas redes sociais. 

Quando chega a hora de agir, tentamos sempre escapar. Somos capazes de inventar mil desculpas para não termos de fazer alguma coisa, para não lutarmos pela mudança.

Embora tenha falado na primeira pessoa do plural, felizmente não faço parte do Portugal destes portugueses. 

Talvez a culpa seja do "sangue gitano", que ainda corria nas veias do meu pai...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, agosto 08, 2017

A Ilusão da Igualdade e os "Maluquinhos" de Almada...


Fiz algumas contas de cabeça e descobri que já vivo há trinta anos e alguns meses em Almada.

Embora nos primeiros anos esta cidade tenha sido essencialmente um "dormitório". Os amigos, os filmes e os amores moravam no lado de lá do rio...

Só no final de 1990 é que se dá uma pequena aproximação à Almada e à sua história (graças a Romeu Correia...).

Mas antes já tinha reparado em alguns pormenores que faziam de Almada uma cidade diferente de outras que conhecia (como a Cidade onde cresci e vivi toda a adolescência...). As pessoas eram mais iguais que noutros lados e não procuravam esconder as suas "feridas". Foi por isso que nos primeiros tempos tive a sensação que havia mais "maluquinhos" em Almada que noutras terras. Mais tarde percebi que o que acontecia era que uma boa parte dos seus habitantes não fechavam em casa os seus familiares com deficiências. Aceitavam-nos e passeavam com eles, e outros já crescidos, calmos e com mais autonomia, até andavam pelas ruas sozinhos...

Trinta anos depois já não noto todas essas diferenças nem descubro tantos "maluquinhos" nas ruas. Às vezes penso que as pessoas se aburguesaram e copiaram os hábitos sociais de outras terras, deixando esta Cidade mais desigual. 

Mas talvez sejam apenas os meus olhos. Podem estar a ficar mais baços e  já não conseguem ver a "cidade nua" à janela...

(Óleo de David Mcclure)

segunda-feira, maio 22, 2017

As Cigarras, as Formigas e as Vespas...

Em contraponto com o que escrevi ontem, achei que também devia acrescentar aqui que o associativismo está longe de ser um "mundo de puros". Tal como a sociedade, também tem  o seu lado de "albergue espanhol", ou seja, as portas estão abertas para todo o tipo de gente, até mesmo para os oportunistas e para todos aqueles que pensam ser mais do que são (a culpa não é apenas dos espelhos mentirosos que têm em casa...), e que julgam encontrar muitas vezes nas colectividades um "palco" à sua medida...

Sei do que falo, e é graças a eles que em breve lhes acenarei com as mãos e deixarei o caminho livre. Talvez alguns ainda vão a tempo de perceber, de uma vez por todas, que a única coisa que costume cair do céu, é alguma chuva, e só de longe a longe, pelo menos neste nosso "paraíso" descoberto há meia dúzia de anos pelo mundo...

É também por isso que cada vez compreendo mais o meu amigo Orlando, que só quer que o deixem ser apenas quem é...

(Felizmente o Associativismo é um mundo livre e podemos sempre escolher e  recordar  as boas companhias, como fiz ontem...)

(Óleo de Paula Rego)

segunda-feira, março 27, 2017

O Melhor do Teatro...


Enquanto escritor, o melhor que o Teatro me oferece é a possibilidade de escrever sobre a vida, de uma forma bem mais simples e directa, que qualquer outro estilo ou técnica literária.

Quando escrevo não penso numa, mas sim em várias pessoas. São elas que acabam por dar vida às personagens e que um dia poderão ser gente nos palcos...

E isso é o melhor que pode acontecer a quem escreve teatro, ver os "bonecos" que desenhámos com palavras ganharem um rosto, um corpo, serem gente e transformarem o palco numa festa.

sexta-feira, março 10, 2017

Fregueses ao "Abandono" em Almada...

Há um pensamento generalizado de que foi uma estupidez ter-se acabado com algumas das juntas de freguesia em Almada, com o qual concordo plenamente.

Mas estou convencido de que este pensamento poderia ser facilmente ultrapassado se as pessoas que dirigem hoje a União de Juntas de Freguesia de Almada, Cova da Piedade, Cacilhas e Pragal, interiorizassem qual é o seu verdadeiro papel na sociedade local.

O fim da proximidade que existiu até às últimas eleições não pode ter apenas como desculpa a união de freguesias. Muito menos o comportamento dos autarcas de hoje, que de uma forma geral, primam pela ausência, tanto nas ruas das localidades como no acompanhamento das colectividades e outras instituições do concelho.

Muitas pessoas que conheço dizem isto à "boca fechada", por serem militantes ou simpatizantes da força política que venceu as últimas eleições (PCP versus CDU).

Sei também que os habituais leitores críticos do "Casario" vão fazer uma leitura transversal do que eu escrevi. Mas deviam encarar este problema de frente, e pensar em arranjar candidatos às próximas eleições, pelo menos com a qualidade do Carlos Leal, Fernando Mendes, ou do saudoso Renato Montalvo, que andava sempre por aí, atento e disponível, tentando resolver os problemas dos almadenses e da Cidade.

Continuo a pensar que quem é eleito para cargos públicos, tem como primeiro objectivo servir a população onde está inserido. Mas se calhar estou errado...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Ruas com Mais Gritos que Palavras...


Embora me faltem dados sociológicos, penso que há cada vez uma maior dificuldade das pessoas em dialogarem. Facilmente se parte para a ofensa verbal ou mesmo para a violência física.

Há poucos minutos assisti a uma cena, que apesar de caricata e ridícula, me fez pensar naquilo que nos estamos a tornar e que faz com que muita gente de mais idade sonhe com "salazares",  para acabar com toda esta selvajaria.

Um taxista que transportava alunos deficientes para uma escola, resolveu parar no meio da estrada (e tinha espaço para estacionar na berma...) e foi ajudando o rapaz a sair e a preparar a espécie de andarilho que o auxilia a deslocar-se, como se tivesse todo o tempo do mundo, enquando atrás dele se formava uma fila enorme de carros, que começaram a buzinar passados segundos.

Nada que incomodasse o chófer de praça, que foi acompanhando o jovem até à escola, enquanto iam conversando. Quando regressava, em vez de se deslocar para o carro e avançar, resolveu ir travar-se de razões com o dono da primeira viatura. Ainda não começara a falar, quando saiu disparado do segundo carro, um individuo grande e com cara de poucos amigos, com o dedo a apontar para o táxi e a mexer os braços, à medida que se deslocava na sua direcção, sem se esquecer de chamar um nome feio à sua mãe.

Felizmente o taxista percebeu a mensagem e sem mais perdas de tempo, acelerou o passo, entrou no carro e fez-se à estrada.

Penso que, num país onde imperasse o bom senso, o taxista teria estacionado o carro em cima do passeio e não interrompia o trânsito (os condutores de ambulâncias também adoram fazer isto, mesmo que tenham lugar para estacionar junto à urgência, preferem ficar parados no meio da estrada. Quem vier que espere...).

Voltando ao primeiro parágrafo, e sem saber se há alguma ligação ao facto de as pessoas estarem a perder o hábito de falarem umas com as outras (a não ser por mensagens ou diálogos virtuais...), penso que alguma coisa terá de mudar, sem precisarmos de mandar vir "salazares". Pois se isso acontecer, ficamos todos a perder...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, dezembro 28, 2016

A Destruição e Banalização do Bem Público


Se há coisa que me incomoda nestes tempos quase de selvajaria, é a destruição e banalização do que é de todos, o que se entende por bem público.

A Margem Sul é pródiga em "bandidos" que se entretêm a riscar paredes, portas, muros, e até monumentos.

O "burro e as crianças", continua igual em Cacilhas. Igual não. Agora está protegido por São Ronaldo, que espreita (um bom exemplo do que se pode fazer com tintas...).

Mas mais que esta protecção "divina", já devia ter sido alvo de limpeza por quem de direito (a União de Juntas...), para oferecer uma outra imagem de Cacilhas, aos muitos turistas que passam pelas ruas Cândido dos Reis e António Feio.

De Agosto a Dezembro, passaram mais de quatro meses.

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 30, 2016

Ainda Existem Flores no Jardim


Ontem à noite fui assistir à peça, "Ainda Existem Flores no Jardim", no Salão de Festas da Incrível Almadense, encenada e produzida pelo Cénico Incrível Almadense. E posso desde já acrescentar que foi uma bela surpresa, mesmo tratando-se de um monólogo.

Mara Martins, a Rosa, tem uma interpretação de grande qualidade. 

Conseguiu comunicar durante mais de uma hora (a peça não teve qualquer intervalo) com o público, sempre em movimento e sempre em diálogo com ela própria e com as figuras imaginárias que o autor criou, desde o marido, o desaparecido António (cabide de pé alto...) aos funcionários invisíveis do lar ou ainda ao Agostinho, a sua "tábua de salvação", ou a "última flor do jardim".

Ainda por cima se trata de um "assunto" tão actual... Rosa tinha sido abandonada pelos filhos num lar, que tinha os dias contados, o que lhe alimentara a esperança de um deles a vir buscar para voltar a "viver"... Quando já estava a baixar os braços e a enfrentar a realidade, resolveu ler a carta fechada que recebera logo no inicio da peça, mas apenas para ler no fim. Era a carta de um "anjo" ou de uma "flor" (sim há flores masculinas, o cravo é uma delas...), que a iria levar do lugar onde normalmente não se passa nada e apenas se espera a viagem final.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 12, 2016