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segunda-feira, julho 27, 2020

A Ignorância Atrevida dos Políticos


Percebe-se que os políticos (e provavelmente todos aqueles que não sentem curiosidade em aprender coisas novas...) demonstram cada vez mais ignorância sobre os vários saberes. Descobrimos isso graças à sua obsessão por microfones e câmaras de televisão. Tanto querem falar que, facilmente sai asneira...

O que eles aprendem com facilidade, são as frases feitas que colam aos discursos, sem tão pouco se importarem muito com o seu "distanciamento" da realidade local.

Onde noto mais a sua "pobreza pouco franciscana", é quando "chocam de frente" com a história dos lugares que governam. Limitam-se a debitar uma série de lugares comuns, com algumas lendas bonitas e fantasiosas à mistura, que, felizmente, graças ao trabalho de vários historiadores, têm sido afastadas da história "real".

(Fotografia de Luís Eme - Costa de Caparica)

domingo, julho 12, 2020

A Parábola Sempre Actual de "O Velho, o Rapaz e o Burro" (a ordem é arbitrária...)


Não faço ideia de quem escreveu a parábola de "O Velho, o Rapaz e o Burro". Sei apenas que ela irá permanecer actual enquanto existirem no mundo pessoas de idade, jovens e animais.

Pensei nela numa conversa que tive recentemente com alguém, mais jovem que eu, que queria saber o que tinham sido as "Tertúlias da SCALA no Dragão". 

Fiz uma pequena síntese histórica onde tive obrigatoriamente de falar no seu ideólogo, Fernando Barão, sem me retirar do retrato (fui eu que continuei o seu legado durante vários anos...). Mas o que este rapaz quis saber era quais eram os nossos objectivos, e se eles tinham sido conseguidos, ao longo de mais de onze anos, em que realizámos tertúlias culturais no primeiro andar do café "Dragão Vermelho", por onde passaram algumas das personagens mais importantes e curiosas da Cultura Almadense (e também algumas figuras nacionais, como foram o caso de Raul Solnado ou Vasco Lourenço).

Disse-lhe que os nossos objectivos, enquanto associação cultural (a SCALA é sobretudo uma associação cultural), foram amplamente conseguidos. Destruímos alguns mitos, o maior talvez fosse a capacidade de fazer algo de importante, sem ter nenhuma ligação ao Poder Local (o único apoio que recebemos foi dos donos do "Café Dragão Vermelho", que sempre nos deram apoio e a única contrapartida que recebiam era a despesa que fazíamos, quem queria ía lá jantar, quem queria apenas assistir à "Tertúlia", podia apenas beber um café...).

Por sabermos que havia uma grande défice cultural no nosso país, achámos por bem, fazer algo de diferente, que enriquecesse as pessoas, ao mesmo tempo que lhes oferecia um convívio familiar (e durante anos sentimos-nos mesmo uma "família", os meus filhos cresceram lá, apaparicados por todos aqueles amigos...). 

Claro que tivemos alguns "inimigos" de peso. O maior talvez fosse o futebol (a "Tertúlia" era mensal e realizava-se na primeira quinta-feira no mês e muitas vezes coincidia com as jornadas europeias. Notava-se a ausência de alguns amigos quando jogava o Benfica, o Sporting e o Porto...).

Mas estou a "estender o lençol", sem dizer o que queria... Quando fui buscar "O Velho, o Rapaz e o Burro", tem muito a ver com as reacções dispares de algumas pessoas, para justificarem a sua ausência: uns não iam porque era demasiado "intelectual"; outras achavam que aquela cultura era demasiado popular; e outros ainda, achavam que deviam ser só para a SCALA e com pessoas da SCALA...

Estavam todos errados. Embora soubéssemos (eu e o Fernando, falámos várias vezes sobre o assunto...) que a cultura era uma coisa de minorias, queríamos chegar ao maior número de pessoas, sem qualquer tipo de prurido social ou cultural.

E foi muito bom, enquanto durou... Como tudo na vida, teve o seu tempo. Mas foi uma boa "pedrada no charco" na cultura de Almada.

(Fotografia de Gena de Souza - Almada)


quarta-feira, julho 01, 2020

"Lista Negra" no Associativismo Almadense?

É muito triste quando quem ocupa o poder, acabe por seguir os mesmos métodos, que antes criticava (e com razão), de quem governava.

Desde que o PS  conquistou a Câmara de Almada, que trata a generalidade das Colectividades Almadenses como um "alvo a abater", associando-as à  CDU, ou para sermos mais claros, ao PCP.

Esta é a forma mais eficaz de "destruir" este tecido colectivo, já de si enfraquecido pelo modelo de sociedade em que vivemos (cada vez menos solidária e com menos princípios colectivos...), cortando de uma forma quase radical com os subsídios que eram atribuídos, como se todas as associações fossem "subsídio-dependentes" e não funcionassem como uma mais valia para as populações onde estão inseridas,  oferecendo cultura, desporto e recreio, a quem não tem dinheiro para frequentar "escolinhas de futebol", ginásios ou escolas de música e de dança, entre outras actividades.

Estou a vontade para escrever isto, porque antes era contra a "política associativa" da CDU, por ser pouco criteriosa nos apoios que oferecia. Ou seja, apoiava com mais facilidade quem lhe era próximo politicamente, que quem realmente fazia um trabalho associativo exemplar.

É sobretudo por isso que lamento que o PS, que antes criticava esta "política de favorecimento", agora acabe por fazer o mesmo, vendo "fantasmas comunistas" em tudo o que lhes cheire a associativismo.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, maio 25, 2020

Fernando Barão: um Amigo e um Verdadeiro Renascentista da Cultura Almadense

Partiu hoje um dos meus melhores amigos de Almada.

Não sei o que dizer... embora tenha escrito muitas coisas sobre Ele, em livros, jornais, boletins e... até aqui no "Casario".

Em 2016 comecei por aqui uma pequena série (nove textos), a que intitulei "As Gentes da Minha Terra". Não foi por acaso que ele foi o primeiro. Embora já tenham passado mais quatro anos, o texto permanece actual e foi escrito no dia que o Fernando fez 92 anos... vou republicá-lo, com pequenas alterações.

«Não poderia escolher melhor para este começo, que um grande amigo, que faz hoje a bonita idade de noventa e dois anos, com uma lucidez e alegria de viver, invejáveis.
Falo de Fernando Barão, um verdadeiro Renascentista da Cultura Almadense.
É reconhecido com todo o mérito como um dos grandes associativistas de Almada (ajudou a fundar três colectividades, Clube de Campismo do Concelho de Almada, SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada e O Farol, Associação de Cidadania de Cacilhas e ocupou o cargo máximo (presidente da Mesa da Assembleia Geral) na Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, Ginásio Clube do Sul, Bombeiros Voluntários de Cacilhas, SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada e O Farol, Associação de Cidadania de Cacilhas. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada durante 12 anos.
Mas mais que os cargos, importante foi o trabalho que desenvolveu. Sempre que havia uma actividade cultural nas suas colectividades de recreio ou de desporto, tinha dedo do Fernando...
E depois temos ainda as suas capacidades pessoais, que o transformaram num excelente contador de histórias (orais e escritas... é autor de mais de uma dezena de livros sobre o Concelho de Almada, de prosa e poesia). Foi um grande apaixonado pela fotografia a preto e branco, tendo sido premiado em vários salões, nos anos cinquenta e sessenta do século passado.
Mas ele gosta de tudo o que é cultura. Adora música (foi coralista...), cinema (que pena teve de nunca ter conseguido ajudar a criar um cine-clube em Almada...), teatro (escreveu vários quadros alegres para peças carnavalescas...) e todas as outras Artes.
A par deste currículo impressionante, não podemos deixar de destacar a sua qualidade humana, que suplanta todos estes talentos, pois Fernando Barão sempre fez (e faz) do seu dia-a-dia um hino à amizade e à fraternidade.»

A Fotografia de Gena Sousa que publico com este texto é uma fotografia especial. Foi tirada no dia do lançamento do livro que fizemos em conjunto sobre Cacilhas ("Cacilhas - A Pesca, a Gastronomia e as Tradições Populares"). O Fernando dá um autógrafo na minha companhia e do meu filho, que já tem 22 anos...

quinta-feira, março 05, 2020

O Dia de Aniversário da SCALA


Hoje é a data oficial da fundação da SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, criada no ano de 1994, por 15 homens ligados à cultura e ao associativismo Almadense.

Uma boa parte deles foram (e são) bons amigos, aprendi muito com eles, sobre a história de Almada, mas também sobre a natureza humana. E não esqueço que foram eles que me abriram as portas do Associativismo, que era uma marca única da nossa Terra.

Dos que já partiram, não esqueço o Arménio Reis, o Henrique Mota e o Victor Aparício. Dos que ainda cá estão, é bom ainda puder trocar dois dedos de conversa com o Fernando Barão, o Diamantino Lourenço e o Abrantes Raposo.

Apesar da SCALA de hoje já não ser a Sociedade que fundaram, têm todos motivos de sobra para estarem orgulhosos, pelo muito que fizeram pela Cultura Almadense.

(Desenho da autoria de Any Ana, outra grande Amiga que conheci graças à SCALA e que já não está entre nós...) 

domingo, março 01, 2020

O Assédio Moral nas Bibliotecas da Câmara Municipal de Almada


Já tinha ouvido falar sobre o problema do assédio moral sobre alguns trabalhadores das bibliotecas municipais de Almada, mas não tinha noção da sua verdadeira dimensão.

Só há minutos, durante uma reportagem da SIC, me apercebi da sua gravidade (conheço uma das pessoas que foram entrevistadas, que nem sequer fazia ideia que já não era funcionária da CM Almada, de quem tenho a melhor das impressões...).

Não deixa de ser curiosa a posição de quem manda na Câmara...

O problema foi despoletado ainda no tempo da CDU (que desvalorizou o problema, vá-se lá saber porquê...).

O problema não só continuou como se agravou na vigência do PS, com a habitual "mudança de cadeiras".

Mas não deixa de ser curioso, que o tal abaixo assinado com mais de sessenta por cento da assinaturas dos funcionários ligados às bibliotecas, não fosse levado a sério. E que se tentasse levar o problema para a "baixa política", dando a entender que o PCP estava a utilizar os trabalhadores e o sindicato, para fazer oposição ao PS...

E lá vem a velha questão, dos "chefes mais papistas que o papa", que pelo menos no tempo da CDU, se comportavam como se mandassem mais que alguns vereadores...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

A Aposta na "Destruição" Continua (de quase tudo o que mexe)...

Pior que ter a sensação de que "não se passa nada", que as pessoas que governam Almada ainda não sabem muito bem o que fazer com a Cultura e o Associativismo, quase dois anos e meio de terem chegado ao poder, é falar com alguém que "está lá dentro" e ficar a saber que ela, a andar para trás para a frente nos vários "corredores do poder", tem sensações "ainda mais sinistras".

Pois é, parece que ainda se está na fase da "destruição"... Ainda se anda a destruir tudo o que se puder, para depois então, se construir algo de novo, por cima dos cacos...

Apesar de saber que facilmente se destrói o trabalho de anos (o bom e o mau...), não sei se o "resultado final" terá alguma coisa a ver com Almada e com os verdadeiros almadenses, que nunca se envergonharam da sua "sub-urbanidade"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

quarta-feira, janeiro 15, 2020

A Quase Ausência de Informação...


Já escrevi aqui sobre a distribuição da "Agenda Cultural de Almada", que raramente chega às bancas no começo do mês. Ou seja, há sempre uma série de iniciativas que passam ao lado dos almadenses, às vezes estamos a chegar ao dia 10 e ainda não existe qualquer sinal da "agenda"...

Mas pior que isso é a ausência de informação sobre inaugurações de exposições ou lançamentos de livros, em várias Casa da Cultura de Almada.

É curioso, porque quando se usava papel, chegava a receber convites em duplicado pelo correio. Agora que existem os e-mails, praticamente sem custos, não recebo notícias. 

Um dos casos mais estranhos é o da Oficina de Cultura de Almada, mas já nem sequer me incomodo com o assunto. Quando passo por lá, se descobrir alguma exposição, entro e aprecio (de vez enquanto publicito por aqui...), mas não deixo de lamentar este "deixa andar", esta quase vontade de "não informar"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, dezembro 15, 2019

O Concerto de Natal da Incrível


Ontem foi um dia cheio de música para os Incríveis e para os Almadenses.

Depois da Arruada de manhã, seguiu-se o também tradicional Concerto de Natal, durante a tarde, no Salão de Festas da Colectividade de Almada.


O Concerto teve um atractivo especial, a interpretação musical (e teatral) do conto "Pedro e o Lobo", que contou com a colaboração do Teatro Independente de Loures, que deu vida às personagens da história, narrada pela presidente do Município de Almada, Inês Medeiros, que aceitou o desafio do maestro Jorge Camacho, da Banda da Incrível, para participar nesta festa com música, teatro e natal, do movimento associativo almadense.

(Fotografias de Luís Eme - Almada)

sábado, dezembro 14, 2019

A Arruada de Natal da Incrível


A Banda da Incrível saiu à rua na já tradicional "Arruada de Natal", tendo oferecido a sua música, alusiva à época, a todos aqueles que a meio da manhã andavam pelo Mercado ou pelas principais artérias e praças do centro de Almada.


Foi bom sentir a alegria a irradiar os rostos de quem passava, ou simplesmente estava nas esplanadas do centro da Cidade a beber um café e a conversar com amigos, com esta bela surpresa, Incrível e natalícia.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, outubro 13, 2019

Música no Jardim do Castelo


Ontem à tarde a banda da Academia Almadense deu música aos almadenses, no coreto do Jardim do Castelo, na Almada Velha.

Hoje de manhã foi a vez dos músicos da banda da Incrível Almadense, actuarem, naquele local histórico.

E no próximo fim de semana será a vez das bandas filarmónicas da Musical Trafariense e da SFUA Piedense, animarem o Jardim do Castelo.

É uma pena a pouca divulgação destes eventos junto da população...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, outubro 06, 2019

"Sobreda Ontem e Hoje" do Centro de Arqueologia de Almada

Ontem à tarde o bonito Solar dos Zagalos encheu-se de gente para receber a festa do lançamento do livro, "Sobreda Ontem e Hoje", um trabalho de investigação de Elisabete Gonçalves e do Centro de Arqueologia de Almada, editado pela Junta de Freguesia de Charneca de Caparica e Sobreda.

Houve uma pequena exposição, animação musical (com um excelente duo e o rancho folclórico da Morgadinha, segundo as palavras do seu representante, o mais antigo do Concelho), os discursos do costume e uma excelente apresentação da obra por parte da Elisabete, também ela uma "sobredense" (é o termo que vem no livro...), pois foi ali que cresceu e se fez mulher. Explicou como foi realizada a investigação e fez um resumo da obra, capítulo a capítulo, sem se esquecer de ir agradecendo o apoio das pessoas, que estavam na plateia.

Infelizmente o Centro de Arqueologia de Almada - provavelmente a colectividade que mais tem feito pela história do concelho nas últimas décadas, com a sua acção junto das escolas e da população do Concelho - passa pelas mesmas dificuldades que a maior parte das associações almadenses, graças à indefinição e falta de apoio do Município, com quem desenvolveram inúmeras parcerias, no passado recente. 

Quem tem conhecimento do muito que se fez, sabe que a Autarquia só ficou a ganhar, com o trabalho de excelência produzido pelos elementos do Centro de Arqueologia de Almada.

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)

sexta-feira, outubro 04, 2019

O Estranho Encerramento do Museu da Música Filarmónica


Ainda não consegui perceber porque razão o Município resolveu fechar o Museu da Música Filarmónica (por questões económicas, não será, pela certa...).

A medida ainda é mais estranha, se pensar que a Presidente da Câmara cresceu no meio da música, é filha de um dos nossos grandes maestros, que ainda não há muito tempo teve um programa televisivo, em que andou de Norte a Sul, atrás das bandas filarmónicas e dos seus sons.

Quando foi inaugurado no final de 2012 fez-se gala em dizer que era o primeiro Museu de Música Filarmónica em Portugal e que contava a história das filarmónicas criadas pelas colectividades do Concelho. E fora instalado na casa do maestro e compositor Leonel Duarte Ferreira, grande referência musical de Almada (recordado de uma forma dinâmica no interior do museu...).

É importante referir, que se  o Concelho ainda mantém quatro bandas filarmónicas em actividade (com as suas escolas de música, de quatro  Colectividades Centenárias - Incrível, SFUAP, Academia e Trafariense -, isso deve-se essencialmente aos seus associados, porque o  apoio que é dado pelo Poder Local, é meramente simbólico...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, outubro 02, 2019

Mais um "Ensaio Sobre a Surdez"...


Soube que António Vitorino de Almeida apresentou na minha Cidade Natal (Caldas da Rainha) um livro, que aborda a forma como se ouve (e o que se ouve...) música no nosso país.

Mesmo sabendo que não é de bom tom "misturar águas", sei que este título poderia facilmente ser transportado para a presidência da sua filha, Inês Medeiros, na nossa Cidade (que no fundo, é igual a quase todas as outras do nosso país, que continua povoado de autarcas que têm sempre mais certezas que dúvidas...).

Eu sei que este é o tempo em que as pessoas gostam mais de falar do que de ouvir, mas isso nunca poderá servir de desculpa para quem governa uma urbe de mais de 150 mil pessoas.

Até porque vou aproveitar este Outubro, para lançar um olhar crítico pelo que se tem feito de "incompreensível" (para mim claro...) nesta nossa Almada, nos dois últimos anos.

domingo, junho 02, 2019

O Livro com a História das "Escolas do Desportivo"


Hoje, às 16 horas, será apresentado, no Salão Nobre do Estádio José Martins Vieira, na Cova da Piedade, o livro, "Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade - 50 anos ao serviço do ensino popular e da democracia".

Para quem não sabe, as "Escolas do Desportivo" foram fundamentais para que muito boa gente conseguisse ter acesso ao ensino superior, através das aulas de apoio que facultava.

Antes de Abril tiveram também um papel decisivo na consciencialização política de todos aqueles que frequentaram as suas aulas e os seus cursos.

segunda-feira, abril 29, 2019

A Incrível Precisa de Almada!

Ontem realizou-se mais uma Assembleia Geral Extraordinária da Incrível Almadense, infelizmente com pouca participação dos seus associados.

A lei por mais injusta que seja, é soberana. E a Incrível Almadense não é mais nem menos que as dezenas (provavelmente centenas...) de Colectividades lisboetas - algumas também centenárias - que foram desalojadas dos seus espaços graças à famosa "lei cristas", que protege de forma obscena os proprietários, em prejuízo dos inquilinos.

Foi por essa razão que a Incrível teve de pagar 13 mil euros na semana passada (as rendas atrasadas da sua sede desde Agosto de 2018, acrescidas de 20% do seu valor, exigidas pelo senhorio...), ainda que este valor tenha sido calculado sobre áreas que são pertença da Incrível Almadense (algo que terá de ser resolvido em tribunal...).

Neste período bastante complicado para a Colectividade mais antiga de Almada, não podemos deixar de registar a "ausência" do Município (nem sequer se dignou a responder aos vários pedidos de audiência com a vereadora do respectivo pelouro, apesar do apoio prometido. Salientamos que o apoio pedido não foi monetário, mas sim técnico...).

A Incrível Almadense está neste momento a lutar sozinha nesta "batalha", pelo que é imperioso que Almada acorde perante este problema, e seja solidária, com a Colectividade que mais contribuiu para o seu desenvolvimento cultural, sendo a grande pioneira do teatro, do cinema, da música e da literatura do Concelho.

Não temos dúvidas, que sem o trabalho desenvolvido ao longo de 170 anos, pela Incrível (e por outras colectividades, como por exemplo a SFUAP e a Academia), Almada não seria o que é hoje, tanto na qualidade como na oferta cultural.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 27, 2019

«Estupidamente, a Câmara pensa mais na comunicação social que nos almadenses.»


Mesmo que não nos apetecesse muito, por estarmos na manhã de 25 de Abril, não tivemos outra hipótese, senão dar razão ao Francisco. 

Quando ele nos disse: «Estupidamente, a Câmara  pensa mais na comunicação social que nos almadenses», arrancou-nos um sorriso e uma mão cheia de palavras, carregadas de ironia e de liberdade.

Tudo porque o "Público" trazia uma reportagem de uma página inteira sobre uma exposição de que ninguém sabia que se realizava em Almada (em vários lugares...), com 45 cartazes da autoria de 45 artistas (do desenho à fotografia, passando pela pintura, escultura, arte urbana, etc). 

O mais curioso, é que éramos todos malta das "culturas", não da batata, mas das artes e letras...

Depois de lermos a notícia, concluímos que o Francisco é mesmo espertalhaço, pois estava mais uma vez certo. 

Não tínhamos grandes dúvidas que para os organizadores da exposição, era mais importante que ela fosse difundida na comunicação social que ser visitada pelos habitantes da Cidade...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 23, 2019

Almada, os Livros e os Escritores


Almada também é uma cidade de livros e de escritores (pois é, parece que  afinal não é só de Teatro...).

Digo mesmo que há poucos concelhos com tanta gente a escrever livros. E menos ainda a interessarem-se pela sua história. 

Sem me levantar da secretária, vou citar de memória, escritores almadenses que escreveram livros sobre história local, com o devido aplauso (mesmo que nem sempre tenham o apoio que deveriam ter a nível autárquico (quer do Município quer das Juntas de Freguesia).

Alexandre Castanheira, Alexandre M. Flores, António Correia, António Henriques, António Pereira Ramos, António Policarpo, Artur Vaz, Carlos Guilherme, Conde dos Arcos, Diamantino Lourenço, Edite S. Condeixa, Eduardo Alves, Eduardo M. Raposo, Elisabete Gonçalves, Fernando Barão, Francisco Silva, Henrique Mota, José Abrantes Raposo, Luís Alves Milheiro, Luís Bayó Veiga, Manuel Lima, Manuel Lourenço Soares, Orlando Laranjeiro, Raul H. Pereira de Sousa, Romeu Correia, Rui Mendes, Sebastião Caldeira Ramos, Victor Aparício, Victor Reis (entre outros que me escaparam da memória...).

Homenagear quem escreve apenas com o objectivo de partilhar o seu conhecimento foi a forma que escolhi para festejar o Dia Mundial do Livro, aqui no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 17, 2019

Aprender a Dizer Não...


É quase uma verdade "la paliciana", a palavra sim, ser sempre muito mais agradável, e fácil de dizer, que a palavra não.

Durante anos e anos, quase que só "pratiquei a palavra sim", tantos nos meios associativos como nos meios literários locais.

Isso acontecia por gosto (e vaidade claro...), por amizade (é sempre difícil dizermos não a um amigo...) e também por dever (estarmos bastante ligados ao meio e sentirmos que devemos transmitir aos outros as nossas inquietações e os nossos conhecimentos...).

Depois começamos a perceber que estamos a aparecer vezes demais... "ensaiamos o primeiro não", com a desculpa da "agenda" (mesmo que ela esteja quase vazia de compromissos do género...). Achamos que não devemos voltar a escrever o prefácio de um livro do mesmo autor, mesmo que seja de um amigo, para não nos repetirmos (o "não" nem sempre é bem aceite, as pessoas acham que a recusa se deve à sua qualidade - nestes casos, a falta dela...).

O mais curioso, é que quando nos habituarmos a usar a palavra "não", sentimos-nos muito mais livres...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 24, 2019

"Pelos Trilhos da Poesia", com Américo Morgado...

Foi mais uma vez, uma honra, estar ao lado dos professores Américo Morgado e Elisa Araújo, o autor e a apresentadora da obra poética, "Pelos Trilhos da Poesia", que foi lançada onde à tarde, na Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia. 

São gente grande da Cultura Almadense!

Deixo aqui um dos poemas do novo livro de Américo Morgado:

Ser Árvore

Aquela árvore
monumentalidade
ramos ao alto
azul entre espaços, a luz
e gotas d' água suspensas
nas folhas.
Sou eu na intimidade da imagem
refúgio onde me escondo e revelo.


(Fotografia de Luís Eme)