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domingo, maio 24, 2020

O "Gaivota" de Cacilhas...


Maria Rosa Colaço, escritora e professora que viveu uma boa parte da sua vida em Almada, em 1982 publicou o seu conto "Gaivota".
Curiosamente, só li esta bela história de Cacilhas e das suas Gentes, a semana passada, com Maria Rosa a dar vida ao Alfredo, conhecido por todos como o "Gaivota", ao mesmo tempo que retrata um tempo em que havia crianças, quase sem espaço para serem crianças...
Mas vamos lá descobrir a Cacilhas  do "Gaivota", no começo de uma manhã de Dezembro:

«Não havia nada, ninguém, que lhe tirasse aquela alegria: levantar-se quase de noite, a terra a dormir ainda, as ervas e os cães ensonados e ele ali, sozinho, rua abaixo, até Cacilhas.
Sozinho, ouvindo o quase silêncio da madrugada, os primeiros ruídos indistintos como um grande corpo que começa a despertar e tem medo de perder os sonhos nocturnos.
Ao longe, Lisboa era como uma terra de ninguém: cinzenta. enorme, vazia. Ou uma pessoa que tivesse adormecido com o arrulhar das ondas, aquele som de ir-e-vir das águas mansas do Tejo.
E ali, a descer a rua, com a cana de pesca, a lata de isco, as sapatilhas cheias de curacos, a camisola larga; ali com o vento de Dezembro na cara, a respiração feita névoa, sentia-se um pequeno rei a fumar charuto ou outra coisa assim, impossível e engraçada.
Aquela ideia de ser rei a fumar charuto, sozinho no mundo e a fumar charuto, dava-lhe sempre vontade de rir. Mas durava pouco tempo porque, de repente, acabava-se o filme cómico e começava a vida de verdade: eram mulheres do peixe que apareciam; eram os pequenos carros de hortaliça, mercado ambulante para os que viviam sem tempo nem dinheiro para grandes compras; eram as mulheres das castanhas; os operários do estaleiro; os homens dos jornais.
Nasciam do chão, das paredes, do nevoeiro matinal, furavam as pedras da calçada, vinham do rio, saltavam da ponte, caiam do ar.
Eram, subitamente, muitos e vários.
E Cacilhas, ali, colada ao Tejo, já não era uma terra: era um formigueiro. Parecia que tudo era coisa viva e respirava, saía dos barcos, entrava nas camionetas.»

quinta-feira, abril 23, 2020

Uma Cidade, um Livro, um Amigo...


Morava em Almada há meses, sem qualquer referência familiar, associativa ou cultural, nesta cidade. Era um quase perfeito "anónimo".

Claro que não vim morar para esta Cidade, apenas porque sim. Tinha feito 25 anos e queria "fixar-me", ter o meu canto. Os meus pais, mesmo à distância de cem quilómetros, apoiaram-me de imediato.

Por razões profissionais a Margem Sul era uma boa opção, mas não podia ficar muito longe da Capital... Sabia que não queria ir viver para a Cruz de Pau ou para o Miratejo, por exemplo. Depois de ter visto duas ou três casas, levaram-me pela primeira vez à Quinta da Alegria. Gostei logo do lugar, daquela encosta virada para o Rio (nem pensei nos inconvenientes da Lisnave, que ficava em frente...).

Depois, já no interior do apartamento, que ainda estava em construção, fiquei maravilhado com a vista da janela da sala e pensei: "que bom, tanto Tejo..." 

Havia ainda outra vantagem, a pé, estava a dez, doze minutos do cais de Cacilhas, com a travessia do Rio, a vinte de Lisboa. E por aqui fiquei, há já trinta e três anos...

As palavras são assim, queria falar de um livro e de um amigo e onde já vou (e até me devo estar a repetir, mas isso é o que menos interessa)...

Pois, queria dizer eu de que... meses depois, andava eu a "vagabundear" no interior da Barateira - a mais espaçosa loja de livros usados que conheci -, quando descobri os "Desportistas Almadenses" (primeiro volume), uma obra que me chamou logo atenção, porque o desporto sempre fizera parte da minha vida, e na época, também profissionalmente.

Longe estava eu de pensar que seis anos depois, entrevistaria o autor da obra (para o "Record"), e ganharia um amigo, dos melhores que conheci pela vida fora: Henrique Mota, que fará em Setembro cem anos.

Por hoje ser o Dia do Livro, não posso esquecer que, depois de crescido, foram os jornais e os livros que me ofereceram mais amigos pela vida fora...

domingo, março 01, 2020

O Assédio Moral nas Bibliotecas da Câmara Municipal de Almada


Já tinha ouvido falar sobre o problema do assédio moral sobre alguns trabalhadores das bibliotecas municipais de Almada, mas não tinha noção da sua verdadeira dimensão.

Só há minutos, durante uma reportagem da SIC, me apercebi da sua gravidade (conheço uma das pessoas que foram entrevistadas, que nem sequer fazia ideia que já não era funcionária da CM Almada, de quem tenho a melhor das impressões...).

Não deixa de ser curiosa a posição de quem manda na Câmara...

O problema foi despoletado ainda no tempo da CDU (que desvalorizou o problema, vá-se lá saber porquê...).

O problema não só continuou como se agravou na vigência do PS, com a habitual "mudança de cadeiras".

Mas não deixa de ser curioso, que o tal abaixo assinado com mais de sessenta por cento da assinaturas dos funcionários ligados às bibliotecas, não fosse levado a sério. E que se tentasse levar o problema para a "baixa política", dando a entender que o PCP estava a utilizar os trabalhadores e o sindicato, para fazer oposição ao PS...

E lá vem a velha questão, dos "chefes mais papistas que o papa", que pelo menos no tempo da CDU, se comportavam como se mandassem mais que alguns vereadores...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, janeiro 15, 2020

A Quase Ausência de Informação...


Já escrevi aqui sobre a distribuição da "Agenda Cultural de Almada", que raramente chega às bancas no começo do mês. Ou seja, há sempre uma série de iniciativas que passam ao lado dos almadenses, às vezes estamos a chegar ao dia 10 e ainda não existe qualquer sinal da "agenda"...

Mas pior que isso é a ausência de informação sobre inaugurações de exposições ou lançamentos de livros, em várias Casa da Cultura de Almada.

É curioso, porque quando se usava papel, chegava a receber convites em duplicado pelo correio. Agora que existem os e-mails, praticamente sem custos, não recebo notícias. 

Um dos casos mais estranhos é o da Oficina de Cultura de Almada, mas já nem sequer me incomodo com o assunto. Quando passo por lá, se descobrir alguma exposição, entro e aprecio (de vez enquanto publicito por aqui...), mas não deixo de lamentar este "deixa andar", esta quase vontade de "não informar"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

domingo, janeiro 05, 2020

O Centenário de Henrique Mota


Este ano que agora começa, é o ano em que se comemora o centenário do nascimento de Henrique Mota, o grande historiador do desporto almadense e  um dos melhores amigos que conheci em Almada.

Foi por estas duas razões que resolvi criar um blogue sobre a sua história de vida, para que pelo menos neste ano de 2020, o Henrique possa ser recordado, pelo muito que deu a este Concelho, que adoptou como seu.

sábado, novembro 16, 2019

Emoção, Música e História...

O lançamento do livro, "Pais Fundadores, da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense e do Teatro Garrett (1889 - 2019)", da autoria de António Neves Policarpo, foi um excelente momento cultural, com emoção, música (de um jovem pianista e da Banda da SFUAP) e história.

Há três intervenções que merecem um destaque especial. A de Mário Araújo, o actual presidente da Mesa da Assembleia Geral da Sociedade, que se prepara para deixar de ser dirigente da SFUAP (46 anos depois...), e disse muito do que lhe ia na alma, sem conseguir esconder a emoção. O autor, António Policarpo, que falou do muito que descobriu durante o seu trabalho de investigação, ao mesmo tempo que nos levava de viagem pelo século XIX, desde a Revolução Liberal  ao fim de século, destacando a fundação da SFUAP, sem se esquecer de focar o crescimento industrial da Cova da Piedade. Augusto Flor, o apresentador da obra, completou com grande mestria a intervenção do autor, realçando a importância histórica deste ensaio histórico, até por abrir novos caminhos para investigações futuras (a nova data da fundação da Incrível Almadense, foi um dos dados mais pertinentes, oferecidos à plateia, numerosa e atenta, que marcou presença no edifício polivalente da SFUAP).

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

sexta-feira, novembro 15, 2019

O Livro da História da SFUAP

No dia 16 de Novembro (amanhã), às 16 horas, será apresentado no ginásio da Sociedade Piedense,  o livro, "Pais Fundadores da SFUAP e do Teatro Garrett", da autoria do escritor almadense, António Neves Policarpo.

É mais uma obra que irá enriquecer a já rica história do Concelho de Almada e das suas Colectividades ( que tanta importância tiveram, no desenvolvimento social e cultural desta nossa Outra Banda).

(Fotografia de Luís Eme - Cova da Piedade)

quinta-feira, outubro 24, 2019

A História da Trafaria e um "Fenómeno Pouco Natural"


Nestes últimos tempos o "Casario" tem sido visitado por milhares de pessoas, graças a um texto que publiquei sobre a Trafaria, depois de ter lido "O Perfil do Marquês de Pombal de Camilo Castelo Branco.

O texto teve como título "Madrugada Negra na Trafaria" e foi publicado a 24 de Janeiro de 2008, que transcrevo integralmente:

«Na madrugada de 24 de Janeiro de 1777, Trafaria foi vitima de uma acção cobarde e miserável, de duas figuras cimeiras do poder de então, o Marquês Pombal e o intendente Pina Manique.
Tudo teve início quando o governo do Marquês resolveu fazer um recrutamento, rápido e obrigatório, para fazer frente à ameaça de invasão, espanhola, provocando a fuga de muitos jovens, que se refugiaram na Trafaria, com a protecção da povoado de pescadores, de cerca de 5000 habitantes.
A forma de castigo escolhida pelo homem que governava o país, foi queimar, pescadores e fugitivos, numa grande fogueira, como exemplo para o país.
O intendente Pina Manique foi o chefe operacional desta vingança monstruosa. Na calada da noite atravessou o Tejo, juntamente com trezentos soldados, para de seguida fazer um cerco ao aldeamento de casas de madeira, cobertas por colmo. Depois deu ordens para os soldados acenderem os archotes e começarem a incendiar as casas, que em poucos minutos, envolveram toda a área em chamas e fumo, semeando o pânico entre as gentes da Trafaria, que corriam para todos os lados, quase sem roupa no corpo, muitas transportando crianças ao colo e velhos às costas...
A chacina não foi completa porque alguns soldados, compadecidos com a aflicção dos habitantes da aldeia, transgrediram as ordens de Pina Manique e deixaram algumas clareiras abertas, para que pudessem escapar...
A povoação, essa ficou reduzida a cinzas...
Este foi um dos actos mais bárbaros da governação do Marquês de Pombal, ao qual não tem sido dado grande relevo, pelos nossos historiadores.»

Nota: Sei que tem havido alguma polémica sobre o assunto no "Facebook", que não visito nem uso, porque houve alguém que republicou o que escrevi aqui no "Casario" (algo que poderão fazer sempre que quiserem, desde que não se esqueçam de citar a "fonte"). 
Escrevi este texto porque depois de ler o livro de Camilo, fiquei impressionado sobre o que fora relatado, que desconhecia, pelo menos com todos aqueles contornos e gravidade.
Claro que admito que Camilo poderia não gostar muito do Marquês de Pombal e terá "carregado na caneta" a falar deste assunto. Mas factos são factos... Em relação ao número de habitantes (5.000), que à primeira vista poderá parecer exagerado, poderiam estar contabilizados todos os habitantes da Caparica, que envolvia o Monte de Caparica, a Costa de Caparica e a Trafaria.

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

segunda-feira, outubro 21, 2019

Manuel Lima: a Excelência da Ciência para Todos


O professor Manuel Lima apresentou no sábado, em Corroios mais um livro da sua autoria ("À Descoberta dos Fósseis em Portugal"), onde volta a demonstrar a sua grande capacidade intelectual, como pedagogo, escritor e observador, sempre atento a tudo o que está relacionado com as ciências da natureza.

À qualidade literária a que Manuel Lima já nos habituou - com uma linguagem cientifica acessível a todos -, juntam-se as centenas de fotografias que ilustram a obra, também da sua autoria, que é do melhor que já se fez nesta área, no nosso país.

É uma maravilha este "À Descoberta dos Fósseis em Portugal".

domingo, outubro 06, 2019

"Sobreda Ontem e Hoje" do Centro de Arqueologia de Almada

Ontem à tarde o bonito Solar dos Zagalos encheu-se de gente para receber a festa do lançamento do livro, "Sobreda Ontem e Hoje", um trabalho de investigação de Elisabete Gonçalves e do Centro de Arqueologia de Almada, editado pela Junta de Freguesia de Charneca de Caparica e Sobreda.

Houve uma pequena exposição, animação musical (com um excelente duo e o rancho folclórico da Morgadinha, segundo as palavras do seu representante, o mais antigo do Concelho), os discursos do costume e uma excelente apresentação da obra por parte da Elisabete, também ela uma "sobredense" (é o termo que vem no livro...), pois foi ali que cresceu e se fez mulher. Explicou como foi realizada a investigação e fez um resumo da obra, capítulo a capítulo, sem se esquecer de ir agradecendo o apoio das pessoas, que estavam na plateia.

Infelizmente o Centro de Arqueologia de Almada - provavelmente a colectividade que mais tem feito pela história do concelho nas últimas décadas, com a sua acção junto das escolas e da população do Concelho - passa pelas mesmas dificuldades que a maior parte das associações almadenses, graças à indefinição e falta de apoio do Município, com quem desenvolveram inúmeras parcerias, no passado recente. 

Quem tem conhecimento do muito que se fez, sabe que a Autarquia só ficou a ganhar, com o trabalho de excelência produzido pelos elementos do Centro de Arqueologia de Almada.

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)

quarta-feira, outubro 02, 2019

Mais um "Ensaio Sobre a Surdez"...


Soube que António Vitorino de Almeida apresentou na minha Cidade Natal (Caldas da Rainha) um livro, que aborda a forma como se ouve (e o que se ouve...) música no nosso país.

Mesmo sabendo que não é de bom tom "misturar águas", sei que este título poderia facilmente ser transportado para a presidência da sua filha, Inês Medeiros, na nossa Cidade (que no fundo, é igual a quase todas as outras do nosso país, que continua povoado de autarcas que têm sempre mais certezas que dúvidas...).

Eu sei que este é o tempo em que as pessoas gostam mais de falar do que de ouvir, mas isso nunca poderá servir de desculpa para quem governa uma urbe de mais de 150 mil pessoas.

Até porque vou aproveitar este Outubro, para lançar um olhar crítico pelo que se tem feito de "incompreensível" (para mim claro...) nesta nossa Almada, nos dois últimos anos.

quinta-feira, setembro 26, 2019

O "Capítulo Maldito"...


Há um capítulo do meu caderno "25, uma experiência associativa em almada (1994-2019)",  mais polémico que todos os outros, onde faço uma análise fria e objectiva sobre a relação do poder autárquico com o associativismo ("O Poder Local e o Associativismo").

Não tenho qualquer problema em apontar o dedo a quem em vez de distribuir "canas de pesca", distribuiu "caixas de peixe" (e não existe qualquer desculpa, para quem exerceu o poder durante mais de quatro décadas...) pelas colectividades almadenses.

Embora reconheça que já seja tarde para discutir o que quer que seja, gostava que as minhas palavras servissem para algo mais, que as habituais discussões de café...

Claro que também gostava que alguns amigos meus comunistas não tivessem ficado incomodados com as minhas palavras, que apenas dão "voz" ao meu olhar atento e à minha experiência associativa de 25 anos, mas...

domingo, junho 02, 2019

O Livro com a História das "Escolas do Desportivo"


Hoje, às 16 horas, será apresentado, no Salão Nobre do Estádio José Martins Vieira, na Cova da Piedade, o livro, "Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade - 50 anos ao serviço do ensino popular e da democracia".

Para quem não sabe, as "Escolas do Desportivo" foram fundamentais para que muito boa gente conseguisse ter acesso ao ensino superior, através das aulas de apoio que facultava.

Antes de Abril tiveram também um papel decisivo na consciencialização política de todos aqueles que frequentaram as suas aulas e os seus cursos.

quarta-feira, abril 10, 2019

A Diferença entre Gente Conhecida e Desconhecida...


Agora que ando a fazer a primeira pesquisa sobre pessoas, para duplicar aquele que foi o meu primeiro livro sobre história de Almada, a diferença que existe entre retratar "conhecidos" e "desconhecidos" torna-se mais visível (nesse final dos anos 1990, as pessoas que biografei eram quase todos desconhecidos e gente que já tinha partido... ou seja, os "ajustes de contas" que tive de travar foi com os familiares).

Agora não. Uma boa parte da gente nova que quero biografar, são conhecidos, alguns mesmo amigos. Mesmo que os vivos já sejam poucos, sinto que há uma responsabilidade maior. O conhecimento é sempre assim, oferece-nos mais saber, mas também mais dúvidas, mais incertezas...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 06, 2019

«25», um Número quase Mágico...

Tinha pensado fazer uma pausa na escrita sobre Almada (até por ter dois projectos a longo prazo...), mas as ideias continuam a ser como as cerejas e estou com outros dois projectos, que estão a andar a tal velocidade, que poderão muito bem ser apresentados no corrente ano.

Um é o que se pode chamar de uma obra escrita a quatro mãos (biográfica), que por enquanto irá permanecer no "segredo dos deuses".

O outro é um ensaio sobre a minha experiência como associativista em Almada. O título será  um simples número, o "25", os anos que dediquei às minhas duas associações, SCALA e Incrível Almadense (e também a outras, quase por empréstimo...), entre 1994 e 2019.

Já escrevi alguns episódios e noto que estou a ser "fintado" pela própria história. A minha ideia inicial era referir apenas as pessoas que me marcaram positivamente, nesta já quase longa passagem, mas à medida que vou escrevendo, percebo que é impossível passar ao lado de alguns acontecimentos e de algumas pessoas. Não as queria referir, mas não posso esconder o quanto me ensinaram, sobretudo com os seus exemplos negativos (lá ficarão algumas orelhas a arder...). 

E como todos nós sabemos, as pessoas inteligentes aprendem com todo o tipo de exemplos...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 24, 2019

"Pelos Trilhos da Poesia", com Américo Morgado...

Foi mais uma vez, uma honra, estar ao lado dos professores Américo Morgado e Elisa Araújo, o autor e a apresentadora da obra poética, "Pelos Trilhos da Poesia", que foi lançada onde à tarde, na Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia. 

São gente grande da Cultura Almadense!

Deixo aqui um dos poemas do novo livro de Américo Morgado:

Ser Árvore

Aquela árvore
monumentalidade
ramos ao alto
azul entre espaços, a luz
e gotas d' água suspensas
nas folhas.
Sou eu na intimidade da imagem
refúgio onde me escondo e revelo.


(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

O Livro como Obra de Arte


No sábado à tarde fui à Casa da Cerca assistir a uma conferência bastante educativa, com Ana João Romana, que nos falou da "Lenda de São Julião Hospitaleiro" (que desconhecia...) e que também inspirou Amadeo de Souza-Cardoso, que fez um quase desconhecido Livro com Obras de Arte, inspirado na lenda, escrita por Flaubert (que copia integralmente e ilustra...), em 1912, quando ainda estava em Paris.

Não fazia ideia que no século XVIII William Blacke publicara um minúsculo livro  (mais pequeno que o A5...) com a sua arte, ou seja, os seus poemas e as suas pinturas (inspiradas nas suas palavras). Algo que seria complementado quase um século depois por William Morris, um dos grandes pioneiros do design moderno... 

Foi muito bom ouvir a Ana João, que com uma linguagem simples, ofereceu às pessoas que a rodeavam (quis que a conversa fosse quase em mesa redonda...), mais conhecimento sobre essa coisa bonita, que é o livro como obra de arte.

Gostei de aparecer e de aprender mais um pouco sobre estas coisas do mundo das artes, que complementam a exposição "O Futuro do Passado", patente na sala principal de exposições da Casa da Cerca.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, dezembro 15, 2018

A História de Cacilhas Está mais Rica


As "Crónicas d'agora sobre Cacilhas d'outrora (Vol.II)" do Luís Bayó Veiga vieram enriquecer, ainda mais, a já fecunda, literatura cacilhense.

Apesar da sua aparente simplicidade, é um livro que oferece algo de novo à história da localidade ribeirinha, devido à riqueza de uma boa parte das biografias de figuras cacilhenses que constam neste volume. Algumas ainda não tinham merecido a atenção de nenhum escritor local, outras nunca tinham sido tão aprofundadas, como neste conjunto de crónicas históricas, muito bem ilustradas.