Além da Carmen Dolores o Festival de Teatro de Almada também homenageia uma figura impar da cultura portuguesa do século vinte.
Estou a falar do Mestre Lagoa Henriques, escultor, poeta, pintor e, essencialmente professor. Influenciou tantas gerações de artistas... desde os anos quarenta do século passado ao início do século XXI, em várias universidades e escolas superiores, com relevo para as faculdades de Belas Artes do Porto e de Lisboa.
Tive o grato prazer de o conhecer através do jornalismo. Voltei a encontrá-lo mais vezes no seu atelier de Belém.
Numa das últimas visitas que lhe fiz, tive a honra de visitar a sua Casa-Museu (que continua fechada ao público, sem saber muito bem porquê), que fica ao lado da Universidade Moderna e do seu Atelier. Foi a melhor visita guiada que alguma vez me proporcionaram. Este espaço artístico não é muito grande, mas passei ali quase três horas, a ouvir o Mestre Lagoa Henriques, contar a história de cada quadro, de cada escultura, com a sua forma única de comunicar, tão simples, tão poética e ao mesmo tempo tão rica...
Foi bom ver o Fernando Pessoa rente ao palco da António da Costa, juntamente com as outras duas obras, alusivas a Camões e à Ilha dos Amores, para recordar a arte e a qualidade humana de Lagoa Henriques.
