sábado, maio 18, 2019

Um Quase Vilhena no Ginjal

Uma das coisas mais curiosas da "arte de rua" do Ginjal é o seu prazo de validade.

De tempos a tempos muda-se de cenário (presumo que isso aconteça sem se dar qualquer cavaco aos "artistas" substituídos nas paredes...), umas vezes para melhor, outras para pior, acompanhando os ciclos da vida.

Reparo que nos últimos tempos apareceu pelo Ginjal um tal "latino 89", que dá alguns ares do grande José Vilhena...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, maio 16, 2019

A Cidade da Água de Almada...

A famosa "Cidade da Água é uma história já com vinte anos...

«O Estado comprometeu-se a criar o devido enquadramento legal que permitisse ao Fundo avançar com uma intervenção urbanística na Margueira. mas tal nunca aconteceu. Apesar dessa lacuna em 1999 e em 2001 ficaram célebres os “projectos” apresentados e denominados “Manhattan de Cacilhas” dos arquitectos Manuel Graça Dias  e Egas José Vieira e a Torre biónica, de Javier Pioz e Rosa Cervera, entre outras variações mediáticas.»

(notícia de Cristina Vargas do “Diário de Notícias”, de 19 de Dezembro de 2002)

«Foi apresentado esta terça-feira em Almada aquele que é considerado o maior projeto de requalificação urbana do país desde a Expo 98.
Nos antigos terrenos da Lisnave vai nascer a Cidade da Água, para onde está prevista a construção de casas, comércio, serviços, espaços culturais, uma marina, um terminal fluvial, um novo hotel, um museu e um centro de congressos.»

                                     (notícia de Ana Sanlez, do “Diário de Notícias” de 14 de Maio de 2019)

É verdade, já passaram vinte anos, desde o primeiro projecto, as famosas torres da nova "Manhattan de Cacilhas", ou seja, o nascimento da "Cidade da Água" já é um renascimento...

(Fotografia der Luís Eme)

sexta-feira, maio 10, 2019

O Poder Local nunca Olhou o Associativismo Almadense com "Olhos de Ver"...

A minha "coabitação" de 25 anos no Movimento Associativo Almadense, fazem com que possa dizer, sem pestanejar, que o Poder Local nunca olhou o Associativismo Popular com "olhos de ver".

No longo reinado da CDU (e do vereador António Matos...) foi sempre mais fácil distribuir "caixas de peixe" que "canas de pesca" (contrariando o velho ditado chinês...) a uma boa parte de Colectividades do Concelho. 

Nunca houve qualquer preocupação em premiar quem trabalhava como devia ser, distante de uma postura associativa subsidiodependente. Ou seja, em vez de terem uma postura coerente e justa, passaram o tempo a "apagar fogos" e a alimentar velhos vícios (como se a "mama da teta da vaca do poder" desse sempre leite...) ao mesmo tempo que faziam concorrência desleal com muitas Colectividades (sem qualquer possibilidade de ombrear no quer que seja, com o poderio de um Município...), substituindo-as na sua função e ligação às comunidades.

Infelizmente o PS consegue fazer ainda pior, neste já mais de ano e meio que leva de mandato (sim, já não há espaço para desculpas...). Por um lado finge-se de "morto", por outro, faz de conta que o Movimento Associativo não existe, desrespeitando o passado e o presente das Colectividades e dos dirigentes voluntários, que apenas se movem pelo amor aos seus clubes.

Estou completamente à vontade para falar, porque as minhas colectividades (Incrível e SCALA) sempre trabalharam para o bem comum sem estar à espera de subsídios. Mas não existem milagres, e quem trabalha em prole da população almadense, tem de ser apoiado. 

Às vezes fico com a sensação que os governantes não percebem (acho que não querem é perceber...) que não estão a gerir o seu próprio dinheiro, mas sim o dinheiro de todos nós. Dinheiro esse que deve reverter para o bem comum de todos os cidadãos do Concelho e não para meros interesses pessoais...

(Fotografia de Luís Eme - que poderia ter como legenda: "basta termos o Cristo-Rei de costas voltadas para Almada"...)

quinta-feira, maio 09, 2019

A Incrível Almadense na SIC Notícias


Há dois dias a SIC Notícias transmitiu uma pequena notícia sobre a questão das rendas da sede social da Incrível Almadense, focando o seu aumento (100 vezes o valor antigo...). Ouviu a Incrível, o proprietário e também o Município de Almada.

O mais curioso da reportagem acaba por ser a resposta do Município, que afirmou não poder ajudar a Incrível (nem ter interesse...), por que se tratava de um edifício privado e apenas de serviços. De seguida acrescentou que as salas de espectáculos da Incrível serão classificadas como imóveis de interesse público, pela sua dimensão histórica.

A ajuda que a Incrível pediu ao Município em relação à sede social foi o levantamento das plantas do Cine-Incrível, por que também existe  um litígio com o senhorio sobre as áreas do edifício, pois há alguns espaços da Incrível que ele acha que são seus.

É no mínimo estranho que o Município não tenha verbas para ajudar a transformar o Salão de Festas da Incrível (aqui sim, houve um pedido de apoio monetário...) numa sala com condições para ser alugada, para qualquer tipo de espectáculo, mas que afirme que este será classificado como imóvel de interesse público.

O que a Incrível quer, é que um espaço que é seu, possa gerar receitas para ajudar a gerir o dia a dia da Colectividade, seja ele, ou não, de interesse público (que já o é, para todos os Incríveis, sem precisar de qualquer intervenção estatal...).

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 30, 2019

O Mundo é que Está ao Contrário...

Quando o Luís Bayó Veiga deixou ontem o comentário de que a fotografia do Cine-Incrível e do começo da Rua Capitão Leitão estava ao contrário, pensei logo em repeti-la, porque se há alguma coisa que está ao contrário em toda esta história, não será a fotografia, com toda a certeza.

A fotografia foi tirada a um dos vidros dos Paços do Concelho, cujo reflexo produz esse efeito.

Aliás, ela já foi colocada assim, como uma metáfora deste tempo, em que o "poder do dinheiro", provoca a "cegueira" a tanta gente...

Neste caso em particular, acaba por ser isso que está em causa, pois o "vil metal" é colocado acima de todas as coisas.

A Incrível nunca colocou em causa a lei ou o senhorio. Foi este senhor que entrou nas nossas instalações (são nossas enquanto pagarmos renda...), sem tentar sequer dialogar ou tentar chegar a um consenso, sobre o que lhe pertencia e o que era propriedade da Incrível (muito menos sobre um valor de renda que fosse justo para ambas as partes...). 

E o mais grave, é que nem se dignou a respeitar os 170 anos de história da Incrível Almadense, algo que sempre foi feito pelo seu pai...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, abril 29, 2019

A Incrível Precisa de Almada!

Ontem realizou-se mais uma Assembleia Geral Extraordinária da Incrível Almadense, infelizmente com pouca participação dos seus associados.

A lei por mais injusta que seja, é soberana. E a Incrível Almadense não é mais nem menos que as dezenas (provavelmente centenas...) de Colectividades lisboetas - algumas também centenárias - que foram desalojadas dos seus espaços graças à famosa "lei cristas", que protege de forma obscena os proprietários, em prejuízo dos inquilinos.

Foi por essa razão que a Incrível teve de pagar 13 mil euros na semana passada (as rendas atrasadas da sua sede desde Agosto de 2018, acrescidas de 20% do seu valor, exigidas pelo senhorio...), ainda que este valor tenha sido calculado sobre áreas que são pertença da Incrível Almadense (algo que terá de ser resolvido em tribunal...).

Neste período bastante complicado para a Colectividade mais antiga de Almada, não podemos deixar de registar a "ausência" do Município (nem sequer se dignou a responder aos vários pedidos de audiência com a vereadora do respectivo pelouro, apesar do apoio prometido. Salientamos que o apoio pedido não foi monetário, mas sim técnico...).

A Incrível Almadense está neste momento a lutar sozinha nesta "batalha", pelo que é imperioso que Almada acorde perante este problema, e seja solidária, com a Colectividade que mais contribuiu para o seu desenvolvimento cultural, sendo a grande pioneira do teatro, do cinema, da música e da literatura do Concelho.

Não temos dúvidas, que sem o trabalho desenvolvido ao longo de 170 anos, pela Incrível (e por outras colectividades, como por exemplo a SFUAP e a Academia), Almada não seria o que é hoje, tanto na qualidade como na oferta cultural.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 27, 2019

«Estupidamente, a Câmara pensa mais na comunicação social que nos almadenses.»


Mesmo que não nos apetecesse muito, por estarmos na manhã de 25 de Abril, não tivemos outra hipótese, senão dar razão ao Francisco. 

Quando ele nos disse: «Estupidamente, a Câmara  pensa mais na comunicação social que nos almadenses», arrancou-nos um sorriso e uma mão cheia de palavras, carregadas de ironia e de liberdade.

Tudo porque o "Público" trazia uma reportagem de uma página inteira sobre uma exposição de que ninguém sabia que se realizava em Almada (em vários lugares...), com 45 cartazes da autoria de 45 artistas (do desenho à fotografia, passando pela pintura, escultura, arte urbana, etc). 

O mais curioso, é que éramos todos malta das "culturas", não da batata, mas das artes e letras...

Depois de lermos a notícia, concluímos que o Francisco é mesmo espertalhaço, pois estava mais uma vez certo. 

Não tínhamos grandes dúvidas que para os organizadores da exposição, era mais importante que ela fosse difundida na comunicação social que ser visitada pelos habitantes da Cidade...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 25, 2019

Abril é Sobretudo Liberdade


De alguma forma é o que vejo, quando olho para este desenho de Mártio, que ele me enviou, com o desejo de um feliz dia da Liberdade.

Porque a Liberdade é sermos nós próprios, não termos medo de pensar, de escrever, de falar, de desenhar...

É, Abril para mim, é sobretudo a Liberdade, esse bem tão precioso, que nem sempre valorizamos.

quarta-feira, abril 24, 2019

Albino Moura Partiu na Primavera...


Quando chegámos a casa, na segunda-feira, fomos informados do desaparecimento de Albino Moura, um dos grandes pintores de Almada.

Embora Albino fosse reconhecido sobretudo como o "pintor das gordas" (dentro e fora do país), ele foi muito mais que isso, como facilmente se pode comprovar, se viajarmos no tempo com a sua obra.

Sabíamos que Albino Moura não usava a poesia apenas nas suas telas e no papel, também gostava das palavras...

Foi por isso que escolhemos o seu óleo, "A Mensageira da Primavera", para ilustrar esta pequena homenagem, e também  a quadra da sua autoria, "Primavera:

Cheira a vento, 
o sol cheira a Primavera.
Canta o vento,
sopra a Primavera.

terça-feira, abril 23, 2019

Almada, os Livros e os Escritores


Almada também é uma cidade de livros e de escritores (pois é, parece que  afinal não é só de Teatro...).

Digo mesmo que há poucos concelhos com tanta gente a escrever livros. E menos ainda a interessarem-se pela sua história. 

Sem me levantar da secretária, vou citar de memória, escritores almadenses que escreveram livros sobre história local, com o devido aplauso (mesmo que nem sempre tenham o apoio que deveriam ter a nível autárquico (quer do Município quer das Juntas de Freguesia).

Alexandre Castanheira, Alexandre M. Flores, António Correia, António Henriques, António Pereira Ramos, António Policarpo, Artur Vaz, Carlos Guilherme, Conde dos Arcos, Diamantino Lourenço, Edite S. Condeixa, Eduardo Alves, Eduardo M. Raposo, Elisabete Gonçalves, Fernando Barão, Francisco Silva, Henrique Mota, José Abrantes Raposo, Luís Alves Milheiro, Luís Bayó Veiga, Manuel Lima, Manuel Lourenço Soares, Orlando Laranjeiro, Raul H. Pereira de Sousa, Romeu Correia, Rui Mendes, Sebastião Caldeira Ramos, Victor Aparício, Victor Reis (entre outros que me escaparam da memória...).

Homenagear quem escreve apenas com o objectivo de partilhar o seu conhecimento foi a forma que escolhi para festejar o Dia Mundial do Livro, aqui no "Casario".

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, abril 17, 2019

Aprender a Dizer Não...


É quase uma verdade "la paliciana", a palavra sim, ser sempre muito mais agradável, e fácil de dizer, que a palavra não.

Durante anos e anos, quase que só "pratiquei a palavra sim", tantos nos meios associativos como nos meios literários locais.

Isso acontecia por gosto (e vaidade claro...), por amizade (é sempre difícil dizermos não a um amigo...) e também por dever (estarmos bastante ligados ao meio e sentirmos que devemos transmitir aos outros as nossas inquietações e os nossos conhecimentos...).

Depois começamos a perceber que estamos a aparecer vezes demais... "ensaiamos o primeiro não", com a desculpa da "agenda" (mesmo que ela esteja quase vazia de compromissos do género...). Achamos que não devemos voltar a escrever o prefácio de um livro do mesmo autor, mesmo que seja de um amigo, para não nos repetirmos (o "não" nem sempre é bem aceite, as pessoas acham que a recusa se deve à sua qualidade - nestes casos, a falta dela...).

O mais curioso, é que quando nos habituarmos a usar a palavra "não", sentimos-nos muito mais livres...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, abril 14, 2019

«Os factos são como o algodão, não enganam»


Há dias tive uma discussão sobre a verdade e a mentira das notícias (que depois até saltou para a própria história...).

Houve um momento em que parei de falar, à espera do silêncio (é complicado quando as conversas ficam parecidas com os debates futebolísticos televisivos, em que cada vez de fala mais alto e ninguém entende nada do que se diz...).

Quando o silêncio regressou disse: «os factos são como o algodão, não enganam». 

Só que as pessoas, estão de tal forma equivocadas, que acham que tudo é discutível, até os factos, o que realmente acontece, sem qualquer desvio.

Talvez esta confusão tenha que ver com a forma como se faz jornalismo nos nossos dias (principalmente o televisivo), em que se tenta distorcer a realidade em nome das audiências (e das conveniências)...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 11, 2019

«O que é isso de 'rabos de palha'?»


Pois é, a sabedoria popular tem muito que se lhe diga. Nem parece que foi criada quase em oposição aos "eruditos" dos tempos passados...

A minha filha com catorze anos, perguntou-me o que era isso dos 'rabos de palha' (ela pergunta-me muita coisa, que eu tenho a mania que ela já devia saber...  esqueço-me de que não passou uma boa parte das férias grandes da infância, na aldeia, na casa dos avós, tal como eu e o meu irmão. Esta passagem pelos campos foi decisiva para o enriquecimento do meu vocabulário, sem que me apercebesse...).

Comecei por dizer que os rabos de palha deixam sempre rasto por onde passam... Depois fui mais longe e disse, que às vezes falamos de coisas, como se não tivéssemos nada a ver com elas, mas há sempre alguém que nos lembra que não é bem assim. Somos traídos pela memória mais vezes do que devíamos.

Acabei por lhe dar um exemplo prático, de Cavaco Silva (que como diz o meu amigo Gui, é a "virgem mais puta de Portugal"...), que sempre que tem uma oportunidade destila os seus "ódios de estimação", esquecido dos seus "pecadilhos" enquanto governante e político. Mas basta perceber que ele é o homem que garante a pés juntos, que nunca foi político, quando foi dez anos primeiro-ministro e outros dez presidente da República (sem somar o seu tempo como ministro das Finanças...).

Pois foi, afinal nos seus governos também havia primos, tios, e até esposas de ministros...