quarta-feira, novembro 13, 2019

A Falta de Proximidade entre os Eleitos e a População...

Uma das coisas que mais se tem degradado  no Concelho de Almada, nos últimos anos, é a falta de proximidade entre o Poder Local e as Pessoas.

Esta "revolução silenciosa" começou com a unificação das Juntas de Freguesia (uma das muitas heranças que ficaram do PSD...), que eram um elo de ligação bastante importante nas localidades urbanas, pela atenção que se dava a quase tudo, até às coisas simples, tão importantes no nosso dia a dia. 

Por exemplo, Cacilhas, Almada, Pragal e Cova da Piedade eram quatro e agora são apenas uma...

As coisas também não melhoraram com a mudança de governação, após as eleições autárquicas. O PS (pelo menos o de Almada...) é mais cosmopolita, parece não perceber que as cidades englobam pequenas aldeias dentro de si (ou finge, porque é mais cómodo...), preocupando-se mais com o geral com o particular...

Mas penso que a culpa maior destas "mudanças" continua a ser dos autarcas eleitos, especialmente os que fazem parte das Juntas de Freguesia, que por falta de sensibilidade, por comodismo, entre outras coisas, nunca esbateram as diferenças  (sempre foi mais fácil governar sentado no gabinete...) e foram esquecendo a importância que têm coisas tão simples - que ultrapassam o "bom dia" e boa tarde", que também se usava com mais frequência...- , como são o património vandalizado, as áreas verdes abandonadas ou o lixo nas ruas. Deviam saber, por experiência própria, que o vandalismo, o abandono e o lixo, chama sempre mais vandalismo, mais abandono e mais lixo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, novembro 06, 2019

66 Belos Cartazes...

Descobri por acaso (ao passar pela Oficina de Cultura), na tarde de domingo, a bela exposição de José Manuel Castanheira, "Sessenta e Seis Cartazes", que nos leva de viagem pela sua história criativa, entre o cenógrafo e desenhador gráfico (uma boa parte dos bonitos cartazes são de peças e festivais de teatro...).

É uma exposição que merece a nossa visita, pela sua qualidade. E hoje, às 21 horas, há a possibilidade de se conversar com o autor, o José Manuel Castanheira.

Embora não tenha recebido nenhum convite para a inauguração da exposição (25 de Outubro), recebi um, ainda a tempo de assistir à "conversa".  O que não deixa de ser curioso, se antes no tempo dos "convites pelo correio" que chegavam fora de horas, a desculpa era o carteiro... agora deve ser da "avaria" nos e-mails...

domingo, novembro 03, 2019

Nova Lixeira no Ginjal

Ontem ao passar pelo Ginjal descobri uma "lixeira" rente a um espaço alternativo de cultura.

Não faço ideia do que aconteceu, se foi despejo, ou outra coisa qualquer.

Só faltava mais este efeito "decorativo" no Ginjal, para turista apreciar...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, novembro 01, 2019

O Pescador na Procissão de Cacilhas

Achei curiosa a presença de um pescador na Procissão de Cacilhas (com as canas aos ombros...), porque o "Milagre de Cacilhas" teve como principal protagonista um pescador (ou catraeiro...), que pegou numa imagem da Virgem Maria e dirigiu-se para as águas que invadiam a localidade, durante o "maremoto" de 1755 (que se seguiu depois do sismo...) e pediu à Virgem, para que acalmasse as águas e pusesse termo aquele "inferno"... 

O que viria a acontecer e fez com que a população de Cacilhas, passasse a realizar anualmente uma Procissão (que se realiza desde o século XVIII), como forma de agradecer este "Milagre".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas) 

domingo, outubro 27, 2019

Domingo Incrível


Passei a tarde de domingo no Salão de Festas da Incrível Almadense, a assistir à sessão solene da Colectividade Rainha de Almada.

A sessão teve início com a actuação da sua banda filarmónica, que mantém a qualidade de sempre.

Depois foi tempo de discursos e entrega de prendas, para depois se entregarem emblemas de prata (fui um dos contemplados...), de ouro e de diamante (pela primeira vez foram premiados os 75 anos de associado, com a entrega de três emblemas a três Incríveis históricos...).

Foi aquilo que se pode chamar, um Domingo Incrível.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, outubro 24, 2019

A História da Trafaria e um "Fenómeno Pouco Natural"


Nestes últimos tempos o "Casario" tem sido visitado por milhares de pessoas, graças a um texto que publiquei sobre a Trafaria, depois de ter lido "O Perfil do Marquês de Pombal de Camilo Castelo Branco.

O texto teve como título "Madrugada Negra na Trafaria" e foi publicado a 24 de Janeiro de 2008, que transcrevo integralmente:

«Na madrugada de 24 de Janeiro de 1777, Trafaria foi vitima de uma acção cobarde e miserável, de duas figuras cimeiras do poder de então, o Marquês Pombal e o intendente Pina Manique.
Tudo teve início quando o governo do Marquês resolveu fazer um recrutamento, rápido e obrigatório, para fazer frente à ameaça de invasão, espanhola, provocando a fuga de muitos jovens, que se refugiaram na Trafaria, com a protecção da povoado de pescadores, de cerca de 5000 habitantes.
A forma de castigo escolhida pelo homem que governava o país, foi queimar, pescadores e fugitivos, numa grande fogueira, como exemplo para o país.
O intendente Pina Manique foi o chefe operacional desta vingança monstruosa. Na calada da noite atravessou o Tejo, juntamente com trezentos soldados, para de seguida fazer um cerco ao aldeamento de casas de madeira, cobertas por colmo. Depois deu ordens para os soldados acenderem os archotes e começarem a incendiar as casas, que em poucos minutos, envolveram toda a área em chamas e fumo, semeando o pânico entre as gentes da Trafaria, que corriam para todos os lados, quase sem roupa no corpo, muitas transportando crianças ao colo e velhos às costas...
A chacina não foi completa porque alguns soldados, compadecidos com a aflicção dos habitantes da aldeia, transgrediram as ordens de Pina Manique e deixaram algumas clareiras abertas, para que pudessem escapar...
A povoação, essa ficou reduzida a cinzas...
Este foi um dos actos mais bárbaros da governação do Marquês de Pombal, ao qual não tem sido dado grande relevo, pelos nossos historiadores.»

Nota: Sei que tem havido alguma polémica sobre o assunto no "Facebook", que não visito nem uso, porque houve alguém que republicou o que escrevi aqui no "Casario" (algo que poderão fazer sempre que quiserem, desde que não se esqueçam de citar a "fonte"). 
Escrevi este texto porque depois de ler o livro de Camilo, fiquei impressionado sobre o que fora relatado, que desconhecia, pelo menos com todos aqueles contornos e gravidade.
Claro que admito que Camilo poderia não gostar muito do Marquês de Pombal e terá "carregado na caneta" a falar deste assunto. Mas factos são factos... Em relação ao número de habitantes (5.000), que à primeira vista poderá parecer exagerado, poderiam estar contabilizados todos os habitantes da Caparica, que envolvia o Monte de Caparica, a Costa de Caparica e a Trafaria.

(Fotografia de Luís Eme - Trafaria)

segunda-feira, outubro 21, 2019

Manuel Lima: a Excelência da Ciência para Todos


O professor Manuel Lima apresentou no sábado, em Corroios mais um livro da sua autoria ("À Descoberta dos Fósseis em Portugal"), onde volta a demonstrar a sua grande capacidade intelectual, como pedagogo, escritor e observador, sempre atento a tudo o que está relacionado com as ciências da natureza.

À qualidade literária a que Manuel Lima já nos habituou - com uma linguagem cientifica acessível a todos -, juntam-se as centenas de fotografias que ilustram a obra, também da sua autoria, que é do melhor que já se fez nesta área, no nosso país.

É uma maravilha este "À Descoberta dos Fósseis em Portugal".

sexta-feira, outubro 18, 2019

Benfica Visita o Cova da Piedade para a Taça


O Benfica visita logo, ao começo da noite, o Desportivo da Cova da Piedade, actualmente a equipa mais representativa do concelho no "desporto-rei", num dos jogos da Taça de Portugal.

A fotografia que publico (com pouca qualidade e de autor desconhecido), é de 1972, mais concretamente, de 23 de Abril de 1972, quando o Benfica também visitou o Cova da Piedade para a Taça de Portugal, e venceu por 6-3.

Nesta fotografia com os jogadores das duas equipas vêeem-se entre outros, Rui Jordão - que nos deixou hoje e foi um dos grandes avançados do nosso futebol -, Eusébio, Artur, Humberto Coelho, Tony, Nené e Jaime Graça. Não consigo identificar nenhum jogador do Cova da Piedade (embora o último jogador de pé, ao lado do Artur, pareça o meu vizinho Castro, que era defesa do Desportivo nessa época...).

Embora seja benfiquista, não ficava muito chateado se houvesse "taça", como ontem em Alverca, e o Desportivo derrotasse o Campeão Nacional...

domingo, outubro 13, 2019

Música no Jardim do Castelo


Ontem à tarde a banda da Academia Almadense deu música aos almadenses, no coreto do Jardim do Castelo, na Almada Velha.

Hoje de manhã foi a vez dos músicos da banda da Incrível Almadense, actuarem, naquele local histórico.

E no próximo fim de semana será a vez das bandas filarmónicas da Musical Trafariense e da SFUA Piedense, animarem o Jardim do Castelo.

É uma pena a pouca divulgação destes eventos junto da população...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quarta-feira, outubro 09, 2019

A "Lavandaria do Idoso" Está Fechada há Dois Anos


Não consigo perceber porque razão a "Lavandaria do Idoso" está fechada há dois anos. A minha primeira preocupação não vai para as instalações fechadas e para as máquinas  sem qualquer uso, vai sim para os seus utentes, gente com alguma idade, carenciada e com problemas de mobilidade, que se viu privada de um serviço, que era um grande apoio para as suas vidas.

Sei que esta lavandaria nasceu no seio da Câmara em 1993, através do pelouro da Acção Social e que era gerida pela ACAI (Associação Concelhia de Apoio ao Idoso). Embora não tenha em meu poder todos os dados, informaram-me que é mais uma vitima dos "cortes cegos" que o Município Socialista fez no movimento associativo almadense...

Recupero as palavras de uma reportagem do "Diário de Notícias" de Abril de 2010, em que exemplifica o papel da ACAI junto da população: «Em Almada a Associação Concelhia de Apoio ao Idoso (ACAI) lava, seca e passa a ferro milhares de quilos de roupa de cerca de um milhar de idosos carenciados. "O grosso das pessoas que nos aparecem aqui são carenciadas, têm dificuldade em pagar e por isso mesmo, pagam consoante as suas reformas", explicou Amável André, membro da ACAI.»

Até posso acreditar que o seu encerramento se tenha ficado a dever à questões que envolviam a sua gestão. O que já não aceito é que ninguém se tenha preocupado em reabri-la, num curto espaço de tempo.

É uma vergonha terem passado dois anos e ninguém, de direito, se ter preocupado com o serviço que deixou de ser prestado aos seus utentes (e com as máquinas, que estão sem funcionar, e com toda a certeza sem qualquer tipo de manutenção...). Ou seja, deixou-se de prestar um serviço à população, ao mesmo tempo que se está a "deitar fora" um investimento feito com o dinheiro de todos nós.

É uma situação demasiado triste e absurda, para que faça mais comentários.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

domingo, outubro 06, 2019

"Sobreda Ontem e Hoje" do Centro de Arqueologia de Almada

Ontem à tarde o bonito Solar dos Zagalos encheu-se de gente para receber a festa do lançamento do livro, "Sobreda Ontem e Hoje", um trabalho de investigação de Elisabete Gonçalves e do Centro de Arqueologia de Almada, editado pela Junta de Freguesia de Charneca de Caparica e Sobreda.

Houve uma pequena exposição, animação musical (com um excelente duo e o rancho folclórico da Morgadinha, segundo as palavras do seu representante, o mais antigo do Concelho), os discursos do costume e uma excelente apresentação da obra por parte da Elisabete, também ela uma "sobredense" (é o termo que vem no livro...), pois foi ali que cresceu e se fez mulher. Explicou como foi realizada a investigação e fez um resumo da obra, capítulo a capítulo, sem se esquecer de ir agradecendo o apoio das pessoas, que estavam na plateia.

Infelizmente o Centro de Arqueologia de Almada - provavelmente a colectividade que mais tem feito pela história do concelho nas últimas décadas, com a sua acção junto das escolas e da população do Concelho - passa pelas mesmas dificuldades que a maior parte das associações almadenses, graças à indefinição e falta de apoio do Município, com quem desenvolveram inúmeras parcerias, no passado recente. 

Quem tem conhecimento do muito que se fez, sabe que a Autarquia só ficou a ganhar, com o trabalho de excelência produzido pelos elementos do Centro de Arqueologia de Almada.

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)

sexta-feira, outubro 04, 2019

O Estranho Encerramento do Museu da Música Filarmónica


Ainda não consegui perceber porque razão o Município resolveu fechar o Museu da Música Filarmónica (por questões económicas, não será, pela certa...).

A medida ainda é mais estranha, se pensar que a Presidente da Câmara cresceu no meio da música, é filha de um dos nossos grandes maestros, que ainda não há muito tempo teve um programa televisivo, em que andou de Norte a Sul, atrás das bandas filarmónicas e dos seus sons.

Quando foi inaugurado no final de 2012 fez-se gala em dizer que era o primeiro Museu de Música Filarmónica em Portugal e que contava a história das filarmónicas criadas pelas colectividades do Concelho. E fora instalado na casa do maestro e compositor Leonel Duarte Ferreira, grande referência musical de Almada (recordado de uma forma dinâmica no interior do museu...).

É importante referir, que se  o Concelho ainda mantém quatro bandas filarmónicas em actividade (com as suas escolas de música, de quatro  Colectividades Centenárias - Incrível, SFUAP, Academia e Trafariense -, isso deve-se essencialmente aos seus associados, porque o  apoio que é dado pelo Poder Local, é meramente simbólico...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)