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terça-feira, maio 12, 2020

As Chuvas de Maio e a "Rua 26"...


Quando chove, custa menos ficar em casa.

Já lá vai o tempo que nos divertíamos a pisar poças de água (até a minha já está suficientemente crescida, para não me obrigar a esconder o sorriso... quando não resistia à tentação de passar por dentro de um "pequeno lago" de água).

Embora eu na minha meninice, além de meter o "pé na poça", também adorasse ficar na janela da sala da velha casa da "rua 26" (pois é, as ruas do bairro da minha infância eram numeradas, queriam lá saber de pessoas...), a a ver a chuva a cair e as pessoas a passarem, a fazerem uma ginástica enorme para fugir das poças de lama, num tempo em que o alcatrão ainda não chegara ao bairro, nos finais dos anos sessenta do século passado...

Ainda continuo a gostar de olhar para a janela, embora na minha rua (quase escondida), passem muito menos pessoas que na "rua do meio" (sim, além dos carteiros, ninguém lhe chamava "rua 26"...).

(Óleo de Denis Ichitovkin)

quarta-feira, maio 30, 2018

Mais um Exemplo da Nossa "Sociedade do Espectáculo"...


Ontem assisti à oitava edição dos "Talentos da António", uma espécie de "ídolos" escolar, com duas variantes, música e dança de um dos agrupamentos de escolas de Almada.

De uma forma geral gostei do que vi, especialmente da dança (com bastante qualidade e diversidade...).

Mas como considero que tenho gosto, achei a entrega dos prémios injusta. Ou seja, como costuma acontecer muito por aí, penso que os prémios não foram atribuídos aos melhores.

Por exemplo na dança, o que foi premiado foi o "número", a coreografia (os "efeitos especiais" feitos pela professora que encheu o palco de pó...), e não a qualidade da bailarina, que não executou um único exercício de dificuldade média... Quando houve três excelentes participantes a nível técnico, tanto na ginástica rítmica, no ballet ou simplesmente na conjugação feliz da música com a ginástica.

Na música aconteceu o mesmo. Foi premiada a diversidade (alguém que cantou - pessimamente - ao mesmo tempo que tocava dois instrumentos...) e não a qualidade vocal.

Só me resta lamentar que, mais uma vez, o "espectáculo" tenha suplantado a "qualidade individual", algo que começa a acontecer com frequência no nosso país.

Quem esteve bem foi o actor que fez parte do júri, que teve o cuidado de dizer aos participantes que não venceram, para não se preocuparem, porque os únicos culpados foram os elementos do júri...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, fevereiro 12, 2013

O Carnaval em Almada


Definitivamente, Almada não é Terra de carnavais.

Foram raros os mascarados com que quem nos cruzámos hoje à tarde nas ruas, a minha filha teve de fazer a festa com o irmão e com os pais, na distribuição de confetes e serpentinas...

E os poucos mascarados que se viram eram crianças.

O óleo é de Nitin Utge.

sexta-feira, abril 02, 2010

As Coisas que Encontraste da Janela...

Olhaste para o lado de lá da janela e eu perguntei o que encontraste.
Respondeste-me:

«Vejo um jardim, vejo árvores, vejo o rio, vejo a ponte, vejo duas pessoas a passearem, vejo um barco, vejo uma parede branca, espera, e vejo uma pomba...


(Cenário: Casa da Cerca, Centro de Arte Contemporânea de Almada, janela da sala principal de exposições)

terça-feira, junho 03, 2008

Uma Nova Massa...

Como todos nós sabemos, as crianças são pródigas em rebaptizar as coisas...
Cá em casa a minha filhota descobriu a "massa dos binóculos", e até tem a sua lógica...

quinta-feira, abril 17, 2008

Saídas Quase Com Música...


- Filha, não corras dessa forma, ainda te aleijas. Deixa de ser parva.
- Pai, eu não sou parva, sou maluquinha...

quinta-feira, março 20, 2008

As Crianças do Tibete...

Há dois ou três anos, o meu filho perguntou-me, se as crianças na Palestina e em Israel, também brincavam...

Disse-lhe que sim.
Algumas brincam mesmo nos cenários de batalhas, porque são quase "filhas da rua". Gozam de uma liberdade excessiva, com todos os perigos que existem nos territórios de guerra, com minas e bombas perdidas aqui e ali...
Outras mais resguardadas pelas famílias, brincam fechadas em casa...
As crianças do Tibete, também brincam, quando e onde os chineses deixarem...
O mais grave disto tudo, é serem sempre as crianças, as principais vitimas dos erros dos adultos...
Na Páscoa, costuma haver tréguas, mas no dia seguinte, volta tudo à "normalidade"...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A Liberdade nas Escolas


As escolas e os programas de ensino de hoje não têm nada a ver com as do passado. Apesar das críticas que escutamos todos os dias, penso que estão muito melhor.
Os alunos podem escrever com mais erros e não saber toda a tabuada, mas possuem um maior grau de conhecimentos sobre o mundo que nos rodeia.
De longe a longe sou convidado por professores amigos, para participar em acções nas suas escolas, sobre a importância da leitura.
Normalmente as conversas não incidem apenas sobre a minha pessoa, embora fale de experiências pessoais, de como era a escola no meu tempo, da quase ausência de livros nos nossos lares, da utilidade das bibliotecas públicas da Fundação Calouste Gulbenkian, dos primeiros livros que li, das viagens que fiz através dos livros, etc.
Na semana passada os alunos tiveram uma parte mais activa, porque tinham vários trabalhos de grupo para fazer, sobre o tema. Fizeram-me inclusive uma entrevista, com perguntas que nunca me tinham feito e que me deixaram quase sem resposta. Perguntas objectivas mas um pouco para o "cor de rosa". Há três que me ficaram na retina, e que decidi partilhá-las convosco: «A quem se compara como escritor?» perante a surpresa, disse: «A ninguém». A segunda foi ainda mais inesperada: «Como descreve os seus livros?» com um sorriso disse que: «não os descrevia, só os escrevia...» A terceira também foi gira: «Em quem se inspira?», pois, como não me inspiro em nada especial, disse a verdade: «No mundo que nos rodeia.» Claro que não ficaram muito convencidos, com estas respostas curtas...
Os miúdos de hoje são completamente diferentes do meu tempo. São sobretudo mais livres, na maneira de pensar e de agir, com tudo o que isto tem de positivo e de negativo.
Acho que é essa liberdade que ainda nos divide, em casa e nas escolas, que nos coloca dúvidas sobre quais são os melhores métodos de educação.
A perfeição, essa, continua a ser uma utopia...

A Fotografia é de Alfredo Cunha, datada de 1974, pouco tempo antes da revolução, onde a timidez e a vergonha eram qualidades escolares...

sexta-feira, março 30, 2007

É Preciso Gostar do Mar e do Rio...


Quem tem filhos sabe que as crianças são pródigas em saídas invulgares, quase sempre oportunas.
Depois de todas as questões que se têm levantado sobre a Costa de Caparica e também de algumas conversas que vai ouvindo, sobre o Tejo, o Ginjal e a própria Cidade, o meu filhote tirou uma ilação clara e simples, bem ao nível da sapiência ds seus oito anos.
Disse-me que a Presidente da Câmara e os amigos não deviam saber nadar, e era por isso que não gostavam do mar e do rio....
Sorri e fiz-lhe uma festa na cabeça, para acrescentar de seguida, que não precisamos de saber nadar, para gostarmos do mar ou do rio.
Claro que as suas palavras não me sairam da cabeça. E, se analisarmos o tratamento que o Município tem dado à Costa de Caparica, à Trafaria e ao Ginjal... o Miguel até é capaz de ter alguma razão.
Se calhar eles até sabem nadar mas gostam mais de se banhar em piscinas, com água morna e sem ondas...

quarta-feira, junho 28, 2006

Carlos Pinhão e a Gaivota com Óculos


Numa altura em que se confunde jornalismo com outra coisa qualquer, próxima do populismo, em que as notícias são misturadas com bandeiras, cachecóis e até com a Senhora de Fátima, acho importante falar de Carlos Pinhão, a minha principal referência do jornalismo português.
Comecei a ler as suas crónicas com apenas treze, catorze anos, nas páginas de "A Bola". Nessa época este jornal era considerado a "Biblia" dos jornais portugueses, pela grande qualidade jornalística e até literária.
Foi graças às suas palavras escritas - com a companhia de luxo de Vitor Santos, Alfredo Farinha, Carlos Miranda e Homero Serpa -, que dei comigo a sonhar, tornar-me um dia jornalista...
Ainda dava os primeiros passos na profissão quando nos cruzámos e pude perceber, que ele, além de excelente jornalista, era de uma generosidade e companheirismo, raros, pelo menos nesta profissão, onde se costuma ir até ao fim do mundo por causa de uma notícia, muitas vezes sem se olhar a meios...
O Carlos era também um grande contador de histórias. Escreveu vários livros, especialmente para o público mais jovem.
Um desses livros foi "Uma Gaivota com Óculos", que começa com o relato pitoresco de uma viagem a Almada, que passo a transcrever:
Era uma vez um sujeito que vivia em Lisboa e que foi convidado para ir a Almada contar histórias às crianças, Disse que sim, pegou nuns papéis em que tinha umas histórias escritas e, no Terreiro do Paço, apanhou um barco para Cacilhas.
Ia no barco a reler os papéis, a ver se decorava as histórias, quando o vento, inesperadamente, lhe arrancou as folhas das mãos. Ficou muito aflito a ver os papéis no ar.
Logo passou a aflição ao Sujeito dos Papéis, agora muito entusiasmado com aquele espectáculo imprevisto. As gaivotas devem ter pensado que se tratava de peixe, porque foram apanhar as folhas que estavam na água e deram-lhe valentes bicadas, enquanto mais acima, outras gaivotas disputavam outras folhas, puxando cada qual para seu lado. [...]