segunda-feira, dezembro 31, 2012

Que 2013 Seja Melhor do que Esperamos


Não me lembro de estarmos quase a entrar num ano novo, com as expectativas tão baixas.

Os desejos que fazemos aos amigos e conhecidos, quase que se ficam apenas pela saúde e alegria, esquecidos que podem jogar no "euromilhões".

Queremos acreditar que com saúde e alegria, é possível vencer todas as adversidades, que nos são impostas por gente, que pouco ou nada sabe de nós.

Por tudo isto, era bom que 2013 fosse um ano melhor do que esperamos...

A foto é de Dorothea Lange.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Histórias de Vergonha e Abandono


Os idosos continuam a ser as principais vitimas dos burlões e ladrões, especialmente na semana em que recebem as suas reformas.

A maioria nem sequer conta aos filhos o que lhes aconteceu, por vergonha...

Se as pessoas não se sentissem tão abandonadas neste país que não é para velhos, inclusive pelas próprias famílias, não dariam tanta conversa às pessoas que se fingem sempre simpáticas e agradáveis, numa primeira abordagem...

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Feliz Natal, Natal Feliz



Natal, e Não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido ...

Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave ...

Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

sábado, dezembro 22, 2012

A Arruada de Natal da Incrível


Fazendo jus à tradição, a Banda Filarmónica da Incrível Almadense andou esta manhã a espalhar alegria pelas ruas de Almada com a execução de belas músicas de Natal, animando um pouco mais as pessoas, com um notório semblante carregado, devido a este tempo pouco dado a alegrias, apesar da quadra festiva que se aproxima. 

E até levou consigo um Pai de Natal "Incrível", bem mais elegante que o convencional.


Além da sua passagem pelas ruas, também entrou no mercado da rua Olivenza, para gáudio dos mercadores e clientes, que aplaudiram com satisfação esta bela surpresa natalícia da Incrível.

terça-feira, dezembro 18, 2012

Não Fui, Não vou à Missa


Se tivesse alguma dúvida, em ir ou não à missa, perdia todas as que tivesse ao ouvir aquele "beato Salu", deliciado com o Natal cheio de pobres e desta caridadezinha (falo disso no "largo"...) que lhes enche o "coração". 

Provavelmente é um dos muitos que enchem o confessionário de histórias para receber o perdão desejado, pois segunda feira começa uma nova semana com novos pecados, porque deus lá estará à sua espera, no dia de conversar a sós com o padre, naquele cubiculo, onde até se pode falar da cobiça pela vizinha, mais uma vez, coisa que se resolve com dois ou três "pais nossos" ou "avé marias"...

A superioridade que saltava do seu corpo era tanta em relação a nós (talvez herejes ou pior...), que devia estar convencido que já tinha um banco no céu, aliás um sofá, que tinha muito mais a ver com ele.

Não, não fui, nem vou à missa. Nem sou do clube destes "cristãos". Sou pela solidariedade e não pela caridade.

E continuo satisfeito por não querer ser mais nem menos que ninguém...

sábado, dezembro 15, 2012

Democracia é Isto...


As Opções do Plano e Orçamento da Câmara Municipal de Almada foram chumbadas na última reunião de vereadores da Autarquia, que se realizou a 12 de Dezembro, com os votos contra de toda a oposição (PS, PSD e BE).

Parece que é um facto inédito em Almada, por várias razões. Por a CDU conseguir normalmente a maioria nas eleições e também por desta vez não terem conseguido puxar para o seu lado (abstendo-se ou votando a favor) a vereadora do Bloco de Esquerda.

Foi por essa razão que até achei estranhas as declarações de Helena Oliveira ao , "Jornal da Região", que disse: «A CDU não ouve ninguém. Tanto faz que a oposição apresente propostas ou não.» Só agora, quase em fim de mandato é que percebeu isso?

Um dos aspectos determinantes para o voto contra da oposição foi o facto do executivo almadense não ter sequer considerado a proposta da diminuição do valor do IMI, a exemplo de outras autarquias da Área Metropolitana de Lisboa, que tentam aliviar as dificuldades financeiras das famílias.

Quando uma das principais bandeiras do Município é a defesa dos valores humanos e sociais, tal como a prática da solidariedade, fica-lhe muito mal, nem sequer considerar  esta possibilidade. Ainda por cima diz com muito orgulho que é uma Autarquia sem dívidas...

Por outro lado, se há alguma coisa que eu acho que fere a democracia de morte, são os "falsos unanimismos". 

terça-feira, dezembro 11, 2012

Ainda os Filmes...


Talvez o cinema seja a arte que mais se aproxima da nossa vida, de todas as que pudemos desfrutar. Em comparação com a literatura, tem a a vantagem de nos oferecer as suas histórias em movimento e com personagens de carne e osso.

No sábado à noite, por um mero acaso, descobri que estava a ser exibido na RTP Memória, o "Dom Roberto", que tem como protagonistas, Raul Solnado e Glicinia Quartin.

Acabei por ficar preso ao ecran e vi o filme até ao fim. Embora não se tratasse de uma grande realização, tinha alma, os dois protagonistas conseguiam exprimir toda aquela vida de pobreza, de quem não tinha emprego e era forçado a viver numa casa abandonada, quase destruída. 

Apesar de toda aquela miséria, há por ali muita esperança e sonho, não fizesse Solnado o papel de um manuseador de "robertos" das ruas lisboetas. Esperança que também era alimentada pela solidariedade da vizinhança (Ainda hoje é assim, é mais fácil um pobre dar o pouco que tem, que os que têm quase tudo. Estes são bons é a praticar a caridadezinha, de preferência com uma câmara de imagens por perto...).

É um filme que tem o perfume do neo-realismo italiano, possuindo um conteúdo muito político, pelo menos para a época, em plena ditadura salazarista.

Estive a ler mais alguns pormenores do filme e fiquei a saber que foi estreado no ano em que nasci (1962) e que no ano seguinte foi seleccionado para o "Festival de Cannes", onde recebeu uma menção especial do júri do Melhor Filme para a Juventude. O seu realizador, Ernesto de Sousa, não só foi impedido de se deslocar a França pela PIDE, como acabou por ser perseguido e preso pela polícia política.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

O Melhor dos Filmes


Os filmes têm essa coisa boa de nos fazerem pensar. E pensamos mais quando estamos na presença do inesperado, da estranheza, da diferença...

O "Passar a Ferro", de Ana Pissarra e Maria Emília Tavares, através da sua projecção dupla, não nos conseguiu transmitir apenas que o ir e o  voltar de cacilheiro, são duas viagens quase antagónicas. Foi mais longe.

No fim da projecção foi bom trocar ideias com a Ana e a Emília, assim como assistir a várias conversas cruzadas, que embora não tornassem o diálogo muito compreensível, colocaram toda aquela gente a conversar, e pior que isso, a opinar, sobre as travessias no Tejo de cacilheiro e as histórias das suas vidas.

Neste mundo de perdas e de ganhos, falámos muito mais do que perdemos do que das nossas vitórias, até por haver gente presente que já viajava de cacilheiro nos anos cinquenta...

Mesmo eu que só comecei a viajar diariamente nestas barcas na segunda metade dos anos oitenta, sinto muitas diferenças.

Perdeu-se sobretudo a familiaridade e a camaradagem tão presentes ainda nesse tempo, os amigos que não se importavam de esperar o barco seguinte, só para se sentirem bem acompanhados, trocar uns dedos de conversa, contar uma ou outra anedota, porque sorrir ao fim de um dia de trabalho, nem sempre fácil, era um bálsamo, sentindo que não se perdera tudo, que era possível agarrar alguma alegria no regresso a casa.

É nestes pequenas coisas que percebemos o quanto a nossa sociedade mudou nos dez anos de reinado de Cavaco, com a entrada na Europa dos "ricos".  Perdemos entre outras coisas a alegria dos "pobres"...

E assim se explica que nas viagens de hoje, o "passar a ferro", a rotina, a melancolia e a solidão (quebradas episodicamente por algum "louco" que gosta de espalhar alegria, sem ter medo do ridículo...) estão muito mais presentes que a espontaneidade e o calor humano dos tempos idos.

A fuga à esta quase tristeza, é encontrada na beleza do Tejo que espreita em todas as janelas, num rosto que nos prende o olhar por mais de um segundo ou na leitura de um jornal ou livro...

E como são viagens de apenas dez minutos, nem sequer têm tempo de se tornar pesadelo...

E eu só tenho de agradecer esta "viagem" à Ana e Emília.

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Joaquim Benite (1943 - 2012)


Joaquim Benite deixou-nos, hoje.

Embora não fosse muito próximo, falámos diversas vezes, sempre com cordialidade, inclusive em situações inesperadas, como aconteceu uma vez à porta de um restaurante, em que ambos estávamos à espera de pessoas diferentes, apenas unidas pela falta de pontualidade.

Joaquim Benite deixa uma obra notável em Almada, no campo teatral, que espero que não seja destruída com o seu desaparecimento físico e com a "crise". O seu "Festival de Teatro" era um dos mais importantes da Europa e trazia sempre muita gente de fora a Almada, no começo do Verão.

Apesar da sua grande capacidade como encenador e director teatral, estava longe de ser uma figura consensual nos meios teatrais almadenses. Isso acontecia mais por razões materiais que por outra coisa. Como a sua Companhia absorvia uma grande fatia do orçamento da Autarquia para a Cultura, isso sempre provocou algum mau estar no sector cultural local. 

Essa foi também uma das razões que me levou a afastar um pouco do seu teatro, pois como agente cultural de uma Cidade, que gosta de se afirmar pela justiça social e pela solidariedade, tenho de confessar que nunca achei muita piada que Almada fosse pouco democrática nos apoios dados à Cultura...

Adenda: Além de ter entrevistado o Joaquim Benite para o Record, também  lhe "desenhei" um perfil no Jornal de Almada, numa rubrica que assinava e tinha como titulo, "Almada no Centro do Mundo". Fica aqui o link.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Um Filme Sobre a Travessia do Tejo


Na próxima quinta-feira será projectado um filme-documentário de trinta minutos na "Tertúlia do Dragão", organizada pela SCALA, às 21 horas, no 1º andar do café Dragão Vermelho, no centro de Almada.

As autoras, Ana Pissarra e Maria Emília Tavares,  estarão presentes e irão falar sobre este, "Passar a Ferro", que significa na gíria dos marinheiros a rotina das viagens entre as duas margens do Tejo.

sexta-feira, novembro 30, 2012

Um Olhar Incrível no Museu da Música Filarmónica


Não visitei o Museu da Música Filarmónica no domingo, dia da inauguração, porque não me apeteceu entrar na confusão deste dia de festa, em que toda a gente queria ver esta  boa "novidade". Ainda por cima o dia estava chuvoso.

Acabei por o visitar na terça-feira, na companhia de dois  grandes "Incríveis", que detectaram logo duas ou três imprecisões. Nada que manche o excelente trabalho de um trio feminino de muita qualidade, a Ângela, a Ana e a Margarida, do Museu da Cidade.

Também vi o filme, muito bem realizado, que caracteriza com gosto a vida do maestro Leonel Duarte Ferreira e da Vila de Almada de então.

Só tenho um reparo a fazer, provavelmente devido à minha costela "Incrível". Não gostei muito de ver aquela frase supostamente retirada dos estatutos da Academia (ainda por cima fala em sociedade e não em academia...), que caracterizava o espírito de uma boa parte das Sociedades Filarmónicas da época, principalmente a Incrível Almadense, que resistiu às suas duas grandes cisões (1872 e 1894), graças à arte dos seus músicos, que nunca deixaram de se fazer ouvir na sala de ensaios, de janelas abertas, nestes dias difíceis..

Ficava melhor uma legenda, que fizesse sentir que aquela frase fazia parte dos estatutos da generalidade das Colectividades que nasceram devido à música filarmónica...

O óleo é de Isabel de Frias.

domingo, novembro 25, 2012

Guilherme Espírito Santo (1919 - 2012)


Guilherme Espírito Santo deixou-nos hoje, com noventa e três anos de idade.

Foi um dos grandes desportistas do nosso país, desde os anos trinta aos anos cinquenta do século passado. Além de extraordinário avançado do Benfica e da selecção, também foi um atleta ímpar,  tendo sido recordista nacional de salto em comprimento, salto em altura e triplo-salto, durante largos anos.

Guilherme viveu os últimos anos da sua vida em Cacilhas.  

Tantas vezes que nos cruzámos, quer na praça Gil Vicente, quer na avenida 25 de Abril, onde viveu... onde me oferecia sempre o seu sorriso inesquecível e algumas palavras agradáveis, de circunstancia, que o definiam como "gente boa".  

Tratava-o por senhor Guilherme, desde que me fora apresentado pelo escritor Henrique Mota,  nosso amigo comum, ainda na primeira metade dos anos noventa do século passado.

Além de ter sido premiado com a "Águia de Ouro" pelo Benfica, também recebeu o prémio "Fair-play" do Comité Olimpico Português, para premiar o seu comportamento exemplar dentro e fora das quatro linhas, e claro, nas pistas de atletismo.

O Museu da Música Filarmónica


Daqui a algumas horas será inaugurado em Almada, o Museu da Música Filarmónica.

É um acto solene com grande sentido histórico, se pensarmos que a base do associativismo almadense nasceu através da fundação das Sociedades Filarmónicas, que tiveram como "mãe" a Incrível Almadense, que conta hoje com 164 anos, e sempre teve banda de música.

Apesar da modernidade dos tempos, Almada continua a possuir quatro bandas filarmónicas, de quatro Colectividades Centenárias.

É por isso que a criação deste museu é muito importante para uma terra como a nossa, da mesma forma que seria determinante a realização de um protocolo entre o poder autárquico e as Sociedades Filarmónicas, para que a música saísse mais vezes à rua e voltasse a estar presente nos grandes momentos da Cidade. 

Acreditamos que esta é forma mais séria de ajudar a subsistir a Cultura Popular, as Bandas Musicais e as Escolas de Música, tão importantes no seio do Movimento Associativo.

O óleo é de Armando Barrios.

sexta-feira, novembro 23, 2012

Manifesto em Defesa da Cultura


Este governo ficará na história por muitas razões, uma delas é ser aquele que mais tem maltratado a Cultura e todos os continuam a defender e a acreditar nos valores culturais, como afirmação do nosso povo.

É por essa razão que apoio o Manifesto em Defesa da Cultura.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Os Segredos da Natureza do professor Manuel Lima


No próximo sábado, dia 24 de Novembro, às 15 horas, no Moinho de Maré de Corroios, será apresentado o novo livro do professor Manuel Lima.

O título diz quase tudo, "Segredos da Natureza, a dois passos de Lisboa".

Nesta obra encontramos textos e fotos do autor sobre os parques e reservas naturais da Área metropolitana de Lisboa (Arrábida, Espichel, Lagoa de Albufeira, Arriba Fóssil da Caparica, Estuário do Tejo, Sapal de Corroios e Sintra-Cascais).

Quem gosta da história natural da nossa região, nãi deve faltar.

quarta-feira, novembro 21, 2012

O Centenário de Bulhão Pato


O centenário do falecimento de Bulhão Pato está a ser comemorado da melhor forma na freguesia da Caparica, onde viveu os últimos anos da sua vida, com a edição de duas obras literárias.

A primeira, "Memórias da Caparica pela Pena de Bulhão Pato", organizada por Rui Caetano,com o apoio do Centro de Arqueologia de Almada e editada pela Junta de Freguesia de Caparica, foi apresentada na tarde de sábado.

Hoje decorreu a apresentação de "Bulhão Pato na Outra Banda", da autoria do historiador, Alexandre M. Flores.

Duas boas oportunidades para conhecer melhor a vida e obra daquele que é considerado o último dos românticos, que ainda viu chegar a República.

sexta-feira, novembro 16, 2012

O Ano da Morte de Ricardo Reis



















A homenagem que presto a José Saramago na comemoração do seu 90º aniversário, é começo da leitura (finalmente...) de "O Ano da Morte de Ricardo Reis".

Estou certo que ganhamos os dois.



Adenda: Só ao folhear o livro e a ver o autógrafo dado por José Saramago, é que reparei que ando há dezassete anos a adiar esta leitura. 

Há várias razões para isso ter acontecido. Uma delas foi ter achado o "Memorial do Convento" uma grande seca, outra as suas mais de quatrocentas páginas...

terça-feira, novembro 13, 2012

Há "Petróleo" em Cacilhas


Quem passa pelo antigo "Largo da Bomba" (junto ao antigo quartel dos Bombeiros de Cacilhas e agora Centro de Turismo) fica no mínimo surpreso, perante o quadro que encontra.

Nem estou a falar do buraco e das máquinas (no nosso país é normal esburacar estradas e praças, acabadinhas de arranjar...). A questão que me chamou mais a atenção foi o cartaz azul, que quase que chama ignorantes aos "velhos de Cacilhas", que sabem muito bem onde ficava o poço e a respectiva bomba.


Mas é notório que o Município gosta de "descobertas", é por isso que faz publicidade como se houvesse petróleo em Cacilhas ou se o poço fosse um achado arqueológico, do tempo dos romanos ou fenícios...

Nota: O poço é do século XX.

sábado, novembro 10, 2012

A Fotografia Artística e a Fotografia Documental


Um dos aspectos que retive na última "Tertúlia do Dragão", organizada pela SCALA em Almada, foi a dificuldade de algumas pessoas em olharem para a fotografia apenas como um objecto artístico.

O fotógrafo Modesto Viegas mostrou-nos as suas fotografias, extremamente belas, em dois trabalhos distintos, um sobre as Cidades (Recantos Urbanos) e outra sobre a Natureza (Recantos na Natureza). Após a primeira projecção citadina fez-se uma pausa e a conversa estendeu-se até à plateia. 

Os comentários fizeram com que percebesse que uma boa parte das pessoas olharam para as fotografias mais como um objecto documental que como um objecto artístico.

Chegaram mesmo a dizer ao autor, que este devia ter colocado uma legenda nas fotografias, para saberem onde tinha sido tirada. Ou seja, estavam mais preocupados com a localização da imagem que com os pormenores particulares que lhe davam uma beleza própria.

Foi então que Modesto  Viegas  fez a sua defesa e explicou (muito bem) que a sua única motivação enquanto fotógrafo, foi tentar fixar a beleza que encontrou em vários lugares, através da fotografia,  oferecendo ao seu espaço físico um papel secundário. 

Lá volto eu às palavras do outro: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa...

quinta-feira, novembro 08, 2012

Os Recantos do Modesto


Hoje ao serão realiza-se mais uma "Tertúlia do Dragão" organizada pela SCALA. O convidado é o fotógrafo Modesto Viegas, grande apaixonado pela fotografia de natureza, que irá projectar uma selecção das suas melhores imagens, Urbanas e da Natureza.

Quem gosta de fotografia, não deve perder esta projecção, que se realiza como de costume no 1º andar do Café Dragão Vermelho, em Almada.

quinta-feira, novembro 01, 2012

Um Primeiro de Novembro com Menos Gente em Cacilhas


A crise nota-se em tudo, até na afluência das pessoas a Cacilhas, no dia do feriado histórico, o primeiro de Novembro, em que se realiza a procissão da Senhora do Bom Sucesso, a padroeira da ainda Freguesia e figura lendária, graças ao "Milagre" que realizou no dia do Terramoto de 1755. Segundo a lenda, a sua imagem, na mão do pescador Pedro, acalmou as águas do Tejo, transformadas num autêntico dilúvio.

Não sei como será no próximo ano, mas espero que seja possível manter a tradição. Provavelmente ainda mais pobre e terá menos gente, já que este governo, entre tantas coisas, também resolveu acabar com quatro feriados e um deles é este dia de todos os santos...

quarta-feira, outubro 31, 2012

Guia do Meu Filho pelo Ginjal Fora


Já passeei dezenas de vezes com os meus filhos pelo Ginjal, mas o último passeio que fiz com o meu filho, no sábado, foi diferente. Tivemos um diálogo mais adulto e também mais histórico.

Nem sempre conseguimos dialogar da melhor maneira com filhotes adolescentes. Mas este passeio foi quase perfeito. Nunca me tinha feito tantas perguntas sobre isto e aquilo. que procurei responder da melhor maneira, esquecendo os seus catorze anos.

Uma das muitas coisas que lhe mostrei com pormenor  foi a antiga "Casa de Pasto do Zé da Avó" (avô da cantora Madalena Iglésias), que ainda conserva as suas paredes com conchas e que posteriormente foi o armazém dos famosos aperitivos, "Martini" (ainda se nota nas paredes o seu símbolo), quando veio para Portugal, pelas mãos da Sociedade João Teotónio Pereira Júnior, Lda, em 1935.

domingo, outubro 28, 2012

O Baile Azul e Encarnado


A Incrível encerra a programação cultural e recreativa do seu 164º aniversário com o  já histórico Baile Azul e Encarnado (as cores Incríveis...).

Sabemos que o baile não terá o glamour de outros tempos, porque tudo mudou. Nem o salão se vai encher nem as pessoas farão questão de aparecer vestidas com estas cores, para conquistarem os prémios que tanto valorizavam a beleza e imaginação dos pares. 

Mas quando uma Colectividade consegue atravessar três séculos, sabe e sente que há tradições que não podem ser apagadas do "mapa da sua vida".

É por isso que hoje à tarde a música voltará a animar o salão, e até serão entregues prémios simbólicos a quem escolher o mais imaginativo traje azul e encarnado... 

A fotografia  mostra o salão da Incrível cheio de jovens dançarinos, no já longínquo ano de 1959.

terça-feira, outubro 23, 2012

Encontros Incríveis de Cultura (3)


No próximo  dia 25 de Outubro, às 21 horas (quinta feira), realiza-se  o terceiro colóquio dos "Encontros Incríveis de Cultura", inserido nas comemorações do 164º aniversário da Incrivel Almadense.

O tema promete um bom serão no Salão de Festas da Incrível: "As Parcerias Inter-Colectividades, são um dos caminhos para o Futuro?"

Os convidados são: Mário Araújo (dirigente associativo), Francisco Palma (artista plástico e dirigente associativo), Elisabete Gonçalves (historiadora e dirigente associativa) e Vitor Alaíz (professor e investigador).

O óleo é de Charles Louis La Salle.

sábado, outubro 20, 2012

O Associativismo e Ser Benfiquista


Já tinha ouvido falar, mas agora pude confirmar através do site oficial do Município de Almada.

A Autarquia cedeu um terreno de 800 metros quadrados à Casa do Benfica da Charneca de Caparica, na mesma localidade, para a construção da sua sede social.

Pessoalmente considero esta benesse ofensiva, até por estarmos a falar de uma colectividade que apenas foi fundada em 2005 e a quem eu não reconheço um trabalho relevante no campo desportivo, recreativo ou cultural, prestado ao Concelho.

Eu que estou ligado ao movimento associativo almadense desde a primeira metade dos anos noventa e sei das dificuldades que a maior parte das colectividades passam para conseguirem sobreviver, mesmo fazendo o pino, não compreendo esta atitude dos governantes da Cidade. 

Claro que nas relações entre a política e o futebol, o que existe mais por aí são coisas que escapam ao nosso entendimento.

O mais curioso e elucidativo sobre esta Associação, são as palavras escritas na mensagem  de boas vindas aos benfiquistas do seu site: «Estamos aqui para apoiar a nossa equipa desportiva favorita e organizar e aumentar a nossa plataforma de fãs [...]» Diz quase tudo.

Registo de interesses: sou benfiquista, mas não confundo nem misturo as coisas.

terça-feira, outubro 16, 2012

Encontros Incríveis de Cultura (2)


No dia 18 de Outubro, quinta feira, às 21 horas realiza-se mais um colóquio, inserido nas comemorações do 164º aniversário da Incrível Almadense, no Salão de Festas da Colectividade. Desta vez o tema é: "Bandas Filarmónicas Associativas, que Futuro?".

É um tema pertinente e terá a participação dos presidentes das quatro Colectividades do Concelho de Almada centenárias que têm bandas filarmónicas e escolas de música: José Luís Tavares (Incrível Almadense); Luís Gonçalves (S.F.U.A.Piedense); Domingos Torgal (Academia Almadense) e Helder Lopes (S.F. Trafariense).

As bandas filarmónicas são a génese da fundação destas quatro colectividades, daí que sejam acarinhadas de uma forma especial pelos seus dirigentes. Mas além das bandas possuem escolas de música, ou seja, substituem o Estado nesta função educativa sem receberem qualquer tipo de apoio. As únicas entidades que apoiam as bandas são as autarquias locais (Juntas de Freguesia e Município, com a oferta de instrumentos). Noutros tempos também havia algumas entidades particulares que davam o seu apoio, também através da oferta de instrumentos, mas na situação actual, de crise permanente, estes apoios são quase inexistentes.

De uma forma geral, as bandas e as suas escolas de música, mesmo bem geridas, não são actividades lucrativas. É cada vez mais difícil para as colectividades arranjarem meios financeiros para pagarem aos maestros e professores. 

Penso que são razões de sobra para falarmos do presente e do futuro das Bandas Filarmónicas.

O óleo é de Louro Artur.

sábado, outubro 13, 2012

Que se Lixe a Troika


A Cultura vai sair à rua, pois é cada vez mais o parente pobre deste país, a ficar demasiado bafiento.

Se puderem passem pela Praça de Espanha. 

terça-feira, outubro 09, 2012

Encontros Incríveis de Cultura (1)


A Incrível Almadense está a comemorar o seu 164º aniversário e uma das suas iniciativas será a realização de três colóquios, abertos a todos as pessoas que se interessam pela Cultura e Recreio, nos dias 11, 18 e 25 de Outubro (quintas), às 21 horas, que têm o nome de "Encontros Incríveis de Cultura".

O primeiro terá como temática, "Bibliotecas Populares, qual é o seu Papel no Século XXI?". 

Os convidados são: Alexandre M. Flores (historiador e bibliotecário), Angela Lúzia (directora do Museu da Cidade), Ana Rodrigues (professora e bibliotecária escolar) e Fernando Barão (escritor e associativista).

O colóquio será dividido em duas partes, a primeira com a intervenção dos convidados e a segunda aberta ao público, que poderá questionar a mesa ou dizer muito simplesmente o que pensa sobre o tema em discussão.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Alexandre Castanheira e Sidónio Muralha



"As Tertúlias do Dragão", organizadas pela SCALA em Almada (na primeira quinta feira de cada mês, às 21 horas, no café "Dragão Vermelho"), estão de regresso e recebem amanhã o professor Alexandre Castanheira, que irá apresentar a sua conferência poética; "Sidónio Muralha, um Poeta Republicano".

Para quem gosta de poesia, é uma tertúlia a não perder.

segunda-feira, outubro 01, 2012

A Incrível Almadense Comemora o seu 164º Aniversário


A Incrível Almadense comemora hoje o seu 164º aniversário, com uma programação bastante diversificada, que se prolonga até ao fim do mês de Outubro. Realizam-se encontros de coros e cavaquinhos, o festival de bandas filarmónicas, colóquios culturais, espectáculos de teatro, dança e música e também bailes, como o histórico baile azul e encarnado (as cores da Incrível...).

O facto da Incrível ser a Colectividade mais antiga de Almada, não lhe retira qualquer vitalidade, como poderão perceber pelo programa comemorativo, tão vasto e rico em iniciativas de índole cultural.

Mas não é só a Incrível Almadense que está de parabéns, são todos os seus associados e dirigentes, que continuam a fazer desta casa a "Catedral do Associativismo Almadense".

quarta-feira, setembro 26, 2012

Associativismo na Caparica


Hoje passei pelo Centro de Arqueologia de Almada e ofereceram-me um pequeno livro sobre o "Associativismo na Caparica", obra que nasceu a partir de um desafio que foi colocado a esta Associação, para realizar uma exposição sobre o associativismo na Caparica, ou Monte da Caparica (muita gente ainda conhece esta freguesia desta forma...), naquela que é uma das Freguesias mais antigas de Almada.

O Centro de Arqueologia de Almada, que é um dos principais guardiões do o património e da história do Concelho de Almada, fez mais um excelente trabalho.

sábado, setembro 22, 2012

Cacilhas em Festa


Hoje é o dia grande da "descoberta de uma rua para as pessoas", em Cacilhas, a poucos metros do rio Tejo.


Além dos restaurantes, há mercado de rua e muitas diversões para as crianças.


Apareçam, a festa prolonga-se para lá das 22 horas.

(As fotos ainda estão "fresquinhas", foram tiradas antes do almoço.)

quinta-feira, setembro 20, 2012

Tempo para a Cidade Irreal...


Somos o país dos políticos que gostam de jogar com as palavras, que gostam de oferecer uma imagem das suas cidades, completamente irreal, para qualquer cidadão atento...

Acho que estas palavras chegam para a "farsa" da semana sem carros de Almada, da tal cidade que nenhum almadense conhece, mas que tem quilómetros e quilómetros de ciclovias.

O melhor exemplo é quando se chega a Cacilhas e não se encontra uma única ciclovia, seja na direcção de Almada, Cacilhas, Cova da Piedade ou Ginjal...

Mesmo assim é uma boa altura para visitarem Cacilhas, para verem a rua Cândido dos Reis, pedonal, e porque não, almoçarem num dos seus restaurantes (a boa comida cacilhense, essa é bem real, especialmente os peixes e mariscos)

terça-feira, setembro 18, 2012

Homenagem a Saramago


A Associação Amigos da Cidade de Almada promove uma homenagem a José Saramago, com várias iniciativas no Concelho de Almada, na passagem do 30º Aniversário da publicação do "Memorial do Convento".

sábado, setembro 15, 2012

A Praça de Espanha Transformada num Oceano de Pessoas


Todos os "rios" desaguaram no "mar" da Praça de Espanha...

Gostei sobretudo de gritar: «o povo unido jamais será vencido.»

O mais curioso é este slogan não estar "gasto", depois de ter tido tanto uso, especialmente durante os anos de 1974 e 1975.

Temos de Fazer Alguma Coisa


Temos de fazer alguma coisa, não podemos ficar em casa e deixar que esta gente que se governa, destrua o nosso país e as nossas vidas.

É uma questão de Dignidade, mas sobretudo de Democracia, que já começa a faltar, um pouco por todo o lado.

quinta-feira, setembro 13, 2012

Não é a Praia dos Tesos, é a...


O Verão continua em alta, hoje lá teremos mais um dia cheio de calor.

Não é por isso de estranhar que algumas pessoas com mais dificuldades económicas façam da chamada "praia do cagalhão" o seu espaço para apanharem um pouco de Sol e brincarem na areia...

Triste é continuar a correr um esgoto a céu aberto (esse mesmo ribeiro, que corre na direcção do Tejo, no canto da fotografia) nesta mesma praia...

O que me espanta são os ouvidos moucos de quem de direito do Município, pois já não é primeira vez que trago esta questão de saúde pública, ao "Casario"...

sábado, setembro 08, 2012

Não Gosto de Ser Enganado


Não gosto de ser enganado. Alias, ninguém deve gostar.

Não queria  voltar a falar do primeiro-ministro mais parecido com o Salazar, que também gosta de discursar com "falinhas quase mansas" e com postura de actor dramático, dizendo que a forma do seu governo nos extorquir dinheiro é a única existente para evitar o aumento do défice e a subida do desemprego. E daqui a uns meses percebemos que está tudo ma mesma, ou pior, neste Portugal, definitivamente em marcha atrás, num reino cada vez mais apetecível para o capital...

É por isso que ele vai continuar a insistir no aumento de impostos aos trabalhadores e na protecção, uma vez mais, dos patrões chupistas, que vivem bem é à sombra do Estado. E claro, esquece as famosas "gorduras" do estado, impregnadas de "boys".

A minha única felicidade ao olhar para este país (bem pequena diga-se de passagem...), é saber que nunca contribui com o meu voto para esta "cambada" que nos tem governado nos últimos trinta anos, embora tenha votado sempre. Por mim e pelos meus avós, que só o puderam fazer depois de Abril.

E nós? Vamos continuar a assistir a tudo isto, pacificamente?

terça-feira, setembro 04, 2012

Barcas do Tejo no Ginjal


A praia das Lavadeiras, além dos dois bons restaurantes ("Atira-te ao Rio" e "Ponto Final", também é o porto de abrigo de algumas embarcações, que costumam ficar por ali, nas proximidades, antes de partirem pelo Tejo acima...

domingo, setembro 02, 2012

Domingo em Almada

Hoje antes de almoço fui dar o meu passeio dominical por Cacilhas, Ginjal e Almada Velha.
Correu tudo bem, até me aproximar do centro da Cidade, onde deparei com situações demasiado vergonhosas para uma Terra que gosta de se afirmar pelo ambiente e pela qualidade de vida.

Não acredito que a existência de tanto lixo a céu aberto seja apenas da responsabilidade das pessoas, que continuam com dificuldades em viver com o outro. Há de certeza problemas graves com a recolha do lixo, que deixou de ser diária em praticamente todo o Concelho, com os exemplos que se conhece.


Escolhi estes dois, pela sua localização. O primeiro junto ao muro da Casa da Cerca, um dos lugares mais atraentes e turísticos de Almada. O segundo junto ao largo do Tribunal, com a Igreja de Almada, como pano de fundo. Mas poderia trazer aqui dezenas de exemplos iguais, neste primeiro domingo de Setembro.


Espero que estes exemplos não sejam o retrato do "desleixo" de quem está a tempo a mais no poder, ou seja desde 1976, e quase sempre sem contraditório...

sábado, setembro 01, 2012

Olá Setembro!


Gosto de Setembro.

Lembro-me que nos primeiros anos de trabalho, gozei as férias em Setembro, porque o Agosto estava reservado para os "mais antigos" da casa.

E normalmente ainda passava uns bons tempos de férias, mesmo com os dias menos largos e mais ventosos.

Nessa altura ainda não vivia em Cacilhas (nem pensava que isso viesse a acontecer...) e passava as férias na minha praia de sempre, a inesquecível Foz do Arelho, que tem o melhor mar do mundo.

Mas já gostava muito do Tejo, embora o conhecesse melhor do lado de lá...

quinta-feira, agosto 30, 2012

Improvisações no Ginjal


Não passam de duas pequenas caixas, embutidas na parede, que hoje guardam lixo: garrafas, latas, plásticos, cordas e outras inutilidades.

Mesmo assim pediram uma fotografia. Senti que sonham ser mais que lixo, se puderem querem entrar na rua das "artes".

Lembraram-me o mestre Lagoa Henriques, que além de excelente escultor, tinha um "dedo artístico", que lhe permitia transformar qualquer pedaço de lixo numa coisa bonita, próxima da arte...

Era por isso que ele chamava à praia de pedrouços, a "praia dos prodígios", onde encontrava sempre algo destinado a ter uma vida mais feliz, que a de um insignificante objecto abandonado...

segunda-feira, agosto 27, 2012

O Novo Chafariz Continua a ser a Atracção Principal de Cacilhas


Uma das marcas de sucesso do novo chafariz de Cacilhas, é estar sempre com gente à sua volta.

Sempre que passo por lá, há sempre alguém próximo. Como não me apetece pedir às pessoas para se desviarem, ainda não tirei uma fotografia durante o dia do Chafariz sem vivalma...