segunda-feira, março 26, 2007

As Grandes Obras


António Barreto escreveu mais uma crónica emblemática no "Público" de ontem, no seu "Retrato da Semana".

António começa de uma forma brilhante, caracterizando quase todos os governantes deste país, desde o primeiro-ministro ao presidente de qualquer junta de freguesia, por mais insignificante que possa parecer, aos nossos olhos.
Não resisto a transcrever as palavras iniciais:

«Uma grande obra! É o sonho de qualquer governante banal. Ou de político achacado de narcisismo. Um monumento espantoso, uma barragem colossal, um aeroporto de encher o olho, uma catedral irrepetível, uma auto-estrada impossível, um "centro do Governo", uma "cidade judicial", um "parque tecnológico", a "maior doca do Mundo" ou o "maior lago artificial da Europa": são as grandes obras! São uma tentação! Permitem ao governante ficar na história. Deixar a sua impressão digital na pátria. dar nas vistas. Inaugurar. Descerrar uma lápide.»

Esta vaidade, este desejo de deixar obra, de descerrar uma lápide com o seu nome, tem sido uma imagem de marca de quase todos os políticos que têm exercido o poder, muitas vezes de uma forma perfeitamente inconsciente, deixando as suas Autarquias à beira da falência...
Almada não está à beira da falência mas também possui muitas obras, que têm mais de fachada que de utilidade, para todos nós.
Exemplos? O Teatro Azul (não precisava daquela magnitude para as funções que tem); o elevador da Boca do Vento (cada passageiro que sobe e desce deve dar um prejuízo assinalável ao Município); o Museu da Cidade na Cova da Piedade (a sua localização e programação não necessitavam de um investimento daquela natureza); o Fórum Romeu Correia (poderia ser muito mais funcional e menos para turista ver, quase ao estilo "Estado Novo" para as pessoas que passam por ali, diariamente).
Mesmo o Metro Sul do Tejo continua a ser uma incógnita. Será que vai servir mesmo os almadenses? Será que vai ser decisivo para o progresso da cidade? Era óptimo que assim fosse, mas com tanta polémica à sua volta, já nem sei o que pensar...

14 comentários:

António Reis disse...

perdemos a páginas tantas um político honesto, ganhamos um grande sociólogo... paciência

Ana Patudos disse...

Desde que vejo que o Salazar considerado o melhor entre os melhores, já nada me admira neste país.
Melhor seria que o dinheiro que gastaram neste miserável concurso da rtp, fosse gasto em escolas, bibliotecas Públicas, empregos para todos os desempregados, melhoria do sistema de saúde, apostar na educação dos nossos jovens, etc, etc....
Há momentos como este, que tenho pena de ser portuguesa.
desculpa o desabafo
beijos
Ana Paula

Repórter disse...

Ai ai (suspiro)
Tanta obra feita e o principal por fazer.

Luis Eme disse...

Por ser honesto é que se afastou, António...

Luis Eme disse...

Ana, prometi a mim mesmo fazer de conta que isso não existiu. Falar do ditador é dar-lhe a importância que não tem, nem nunca teve.

Por isso é que compreendo perfeitamente o teu desabafo.

Luis Eme disse...

Pois é Repórter.

Quase que me repeti, na parte final.

Mesmo sem dinheiro, somos um país que é um festival de obras...

O pior é que os nossos governantes gostam de fazer coisas enormes, sem pensar na sua manutenção. O caso dos estádios construidos para o Euro 2004, que estão em pousio, são um bm exemplo.

isabel victor disse...

"perdemos a páginas tantas um político honesto, ganhamos um grande sociólogo ..."

Cito porque concordo e não diria melhor !

Espero ver (e gravar) o programa que começa amanhã.

Lá pelo " caderno " o tema é " A solidão no museu "

um bj* de boa noite

residente disse...

Neste país e no nosso concelho continua-se a gastar em pirotecnia política, dinheiro que faz muita falta na Saúde, na Educação, na Assistência Social e aos Idosos e na reforma da Justiça.

Papoila disse...

O MST desde o princípio poderia ter sido melhor pensado, porque após tantos problemas com as populações locais, muita coisa poderia ter sido ultrapassada se fosse mesmo implementado um metro...e não um eléctrico. Em certas zonas one não há espaço, seria melhor construir de baixo do chão e pronto.

De qualquer forma, esta obra irá ser inaugurada, com pompa e circunstância no fim deste mandato autárquico, disso parece não haver dúvidas.

Luis Eme disse...

Isabel,

Acabou há pouco o primeiro programa de A. Barreto... é uma grande viagem a este nosso país, onde se percebe que a vida era muito mais complicada antes de 1974.

Espero que os "saudosistas" encontrem o tal país a quem querem regressar...

A solidão nos museus tem que se lhe diga... embora eu goste do silêncio, de me encontrar a sós com algumas obras e com alguns artistas...

Luis Eme disse...

É verdade Residente...

Luis Eme disse...

Pois é Papoila, parece que está tudo ensaiado (inclusive os atrasos...) para que isto dure até 2009, ano de eleições e de inaugurações na agenda dos politicos.

E nós somos meros peões neste jogos enganosos...

Cris Caetano disse...

"Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa", diria o grande filósofo brasileiro escondido atrás de suas orelhas compridas, mas...não resisto ao comentário: político só muda a morada, de resto, são iguais; o presidente Lula inaugurou obras até se fartar(algumas inacabadas) antes da reeleição: um homem prevenido, vale por dois!!! ;)
bjo

Luis Eme disse...

É mesmo como tu dizes, Cris, "político" prevenido defende-se por dois, não vá perder o poleiro.