quarta-feira, junho 27, 2007

Centro Cultural de Belém: Entre a Curiosidade e o Espanto

O melhor da grande exposição da colecção de arte Berardo, nestes dois primeiros dias, em que as portas do Centro Cultural de Belém estão abertas de par em par, não são os quadros, as peças e as instalações - até porque muitas delas exigem ser olhadas em silêncio e com pouco movimento à sua volta -, são sim os comentários da grande massa de visitantes.
Estas observações, além de curiosas e risíveis, são a visão simplista de quem está menos habituado a visualizar arte contemporânea...
Claro que há alguns comentários que merecem mais atenção, pela sua crueza e também por revelarem um sentido crítico mais profundo.
Outro aspecto importante é o espanto pela descoberta desta nova visão artística, em que aparentemente, parece mais fácil fazer arte, já que se utilizam materiais vulgares como simples garrafas, sapatos, cordas ou pedaços de madeira.
Descobrimos tanta boa gente nos corredores a dizer: «Isto é arte? Mas isto até eu faço!»

17 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Estou ansiosa por ir visitar embora com grandes reticências em relação ao mecenas. ;-))

Repórter disse...

O que importa é ver o que lá está.
Vou tentar espreitar.

Maria P. disse...

Agora a novidade, a euforia, amanhã mais um espaço que fica no esquecimento!?...

Um abraço*

vague disse...

Isto da arte tem mto q se lhe diga (ou talvez não)
O meu critério é a minha sensibilidade e a adesão a determinada obra, projecto, etc.

Há coisas q são classificadas como 'arte' e eu fico a pensar o q é q quer dizer 'arte'.

Nós pela sensibilidade vamos filtrando as coisas e o mundo (e a arte) e ao mesmo tempo vamo-la afinando e refinando.

Há uns anos vi em Londres na Tate Gallery um cavalo embalsado e pensurado no tecto.
Esse tipo de coisas não me diz nada. Há mta coisa q existe q não ecoa cá dentro.
(Luis, acho q vou é fazer disto post :)))

Qto ao museu Berardo, estou cheia de vontade de ir vê-lo, mas o q uero ver é Paula Rego, Picasso, etc, e os desconhecidos q vou adorar. o resto para mim é paisagem;)

Cris Caetano disse...

Luís, "humildemente" acredito que Arte é Vida! Simplesmente isso. Acho que é normal que eu não consiga me tocar por alguns trabalhos de determinados artistas, porque a arte tem muito a ver com a nossa sensibilidade, o momento que estamos vivendo e também, nosso gosto pessoal. De qq forma, é muito bacana saber que há várias pessoas indo observar a arte, mesmo achando-a um bocado simplista. ;)
beijo

inominável disse...

já passei por esta mesma fase... a do "qué qué isto?"... fui-me informar... parece que é assim arte de uma estética renovada, de um novo paradigma, blá blá blá

a verdade é que agora gosto... mas tenho que atribuir um sentido ao que os sentidos me dão... no final, o que para mim conta é o critério de beleza e de utilidade intelectual...

fazer pensar, nem que seja para dizer "isto até eu faço", é o que de melhor pode fazer uma obra de arte...

Papoila disse...

Também faço questão de ir ver. Acho que é uma oportunidade única para peças de artistas que só poderíamos ver lá fora em museus do estrangeiro. E agora algumas dessas peças estão cá.

Não irei perder a oportunidade de ir ao CCB, não agora que ainda há muita gente, mas daqui a uns tempos, quando os ânimos estiverem mais calmos.

Maria disse...

É, todos nós fazemos, mas o que importa é quem teve a idéia...

Com toda a polémica que já causou, quantos visitantes terá o Museu daqui a meia dúzia de meses?

Beijinhos

Luis Eme disse...

Pois, mas não devemos misturar a arte com a "sacanagem", Rosa...

Luis Eme disse...

E de certeza que vais gostar, Repórter, embora a confusão seja muita, nestes dias...

Luis Eme disse...

Talvez não, Maria.

A publicidade faz milagres. Não vez o que aconteceu com a exposição do Amadeo Souza-Cardoso na Gulbenkian e com a colectiva de pintura clássica no Museu de Arte Antiga?

Luis Eme disse...

A obra é da tal maneira grandiosa e diversificada, que tens muito para gostar, Vague, mas olha que os Picassos até nem são nenhum espanto...

Luis Eme disse...

Por isso é que é importante visitarmos os museus sem muita gente à volta, para conseguirmos olhar as obras com os olhos de ver e de sentir, Inominável...

Luis Eme disse...

Concordo contigo Cris, a Arte é Vida!

Luis Eme disse...

É mesmo Papoila, mas para vermos com atenção, é melhor esperarmos a calmia...

E até há condições óptimas, por exemplo ás sextas, sábados e domingos, a partir das 18 até às 21 horas (salvo erro...), não se paga. E é uma boa altura para olharmos as centenas obras de inegável qualidade, que enchem o CCB.

Luis Eme disse...

Acho que vai ser a exposição com mais visitantes do nosso país.

Tem todas as condições para isso, desde a qualidade das obras à facilidades de entrada, sem pagarmos...

Isabel Magalhães disse...

Caro luis eme;

Se os 'habitués' dos museus das grandes capitais estivessem à espera do "dia sem muita gente à volta" nunca teriam oportunidade de ver as obras dos MESTRES.

O Metropolitan, o MOMA, o Guggenheim, e outros museus de N.Y., têm sempre fila, e por vezes de várias horas. Em Paris, iden iden... (recentemente o 'Quais d'Orsay' tinha 90 minutos de espera para entrar.)

(Aqui, é que estamos habituados a ter 'muito espaço' o que infelizmente é mau sinal...)

Quanto à tal frase muito ouvida "isto até eu fazia" é como a história do "Ovo de Colombo"...

"Se se tivessem lembrado!" :)


Deixo um abraço de muitas cores.

I.