sexta-feira, setembro 22, 2006

A Semana da Hipocrisia


O Dia Europeu sem Carros comemora-se no nosso país há sete anos.
Embora não tenha a certeza, penso que o Município de Almada é um dos pioneiros desta iniciativa, à qual tem aderido sempre.
Embora seja de louvar a participação do Concelho na Semana Europeia da Mobilidade, é uma pena, que em sete anos, não exista qualquer indicador de mudança no trânsito e no próprio ordenamento de Almada. Os carros continuam a encher a cidade e a ocupar os passeios, dificultando a passagem dos peões e dos deficientes que se fazem transportar de cadeiras de rodas, obrigando-os a circular nas estradas, porque é a única maneira de contornar os obstáculos de quatro rodas. As tão badaladas ciclovias contam-se pelos dedos e existem em lugares afastados da cidade. o Metro continua em “banho-maria” e a ser uma incógnita, pelo menos no centro da cidade. Os transportes públicos não melhoraram nada, em alguns casos a oferta até piorou...
Ou seja, esta comemoração não passa de mais uma “Semana de Hipocrisia”, onde o trabalho realizado pelas Autarquias não passa de uma brincadeira, sem qualquer efeito prático. É uma pena...
É a Política à Portuguesa, no seu melhor.

10 comentários:

António Cagica Rapaz disse...

Não é possível pensar-se em reduzir o número de carros em circulação quando os transportes públicos são insuficientes, caros, não respeitam os horários e estão em greve por dá cá aquela palha.
Dias sem carros? Só por brincadeira. É o reino do faz-de-conta.
Todos nós optaremos pelos autocarros quando estes forem precedidos por batedores da GNR como fazem às equipas de futebol. Aos grandes, claro, não ao Almada nem ao Cova da Piedade...

Luis Eme disse...

O problema é mesmo esse, como é que se pode reduzir a circulação de carros particulares, se a oferta que existe ao nível de transportes, é aque todos sabemos?
Os discursos neste dia são todos muito bonitos, não há autarca de Norte a Sul que não fale da necessidade de reduzir os efeitos do dióxido de carbono na atmosfera, etc. mas amanhã é outro dia e vai tudo para a gaveta. Daqui a um ano, os discursos serão os mesmos... os problemas, provavelmente agravaram-se mais um pouco.
Como o Cagica diz, é o reino do faz de conta.

Alice C. disse...

É uma pena que as coisas funcionem desta maneira no nosso país. É só folclore e fogo de vista.
Pelo menos já tiveram o cuidado de tirar a "festa" do centro de Almada.
Apanho transportes públicos todos os dias, e se ignorar o metro (onde as coisas estão um pouco melhores), os outros transportes continuam iguais e até piores. O cumprimento de horários, então, é uma desgraça.

Era uma vez um Girassol disse...

Luis, vim agradecer a visita e as simpáticas palavras deixadas no girassol. E não só...
Vim encontrar um blog bem documentado, com textos interessantes que virei ler mais demoradamente.
Quanto ao post de hoje, nem me pronuncio, porque vivendo na província, não existe um grande problema de trânsito!
Vivo na aldeia pequena, trabalho na aldeia grande...Maravilha!
Bjs

Luis Eme disse...

Pois é Alice, o fogo de vista em Almada é um espectáculo... só que isso é muito pouco, pelo menos para quem tem horizontes mais largos.

Luis Eme disse...

Obrigado pela visita "girassol".
Quem vive na cidade, mais tarde ou mais cedo, sonha ir viver para qualquer aldeia... em busca de paz e sossego.

aprendiz de viajante disse...

Falas da verdade tal como ela é... sem rodeios, nem molduras bonitas! Gostei do teu sentido cr´tico.

Um bjo e bom fds

Luis Eme disse...

Ainda bem que gostaste do meu sentido critico, Wicca.
Ele deve-se apenas à minha vontade de querer ver as coisas diferentes, para melhor, e claro, de quem já não embarca nas "cantilenas" dos muitos políticos mediocres.

Pink disse...

Como eu costumo dizer "Portugal doa Pequeninos no seu melhor" - é disso que nos falas neste post bem crítico. Concordo com as opiniões e críticas que exprimes. Vejo quase diáriamente um deficiente em cadeira de rodas aqui na zona onde moro (algurs no Porto) e lá anda ele na estrada por força das circunstâncias e da incúria de quem de direito.

Um beijo

Luis Eme disse...

Infelizmente, tens razão Pink, é o "Portugal dos Pequeninos no seu melhor".
Muitas palavras e poucas obras.
Volta mais vezes.
Bjs.