sábado, abril 09, 2016

Uma Balada Especial...

O "Casario do Ginjal" dá as boas vindas a Luís Filipe Maçarico, poeta e associativista, que se mudou recentemente de Lisboa para Almada, com a publicação deste poema de José do Carmo Francisco, que também homenageia o nosso blogue e o autor, e claro, o Associativismo Almadense.

Balada para Luís Filipe Maçarico

Adeus Lisboa, cidade
Tenho a vida em partilhas
Caldeirada de saudade
Entre Almada e Cacilhas.
Eu digo adeus às matilhas
Em tuque-tuque infectado
Cidade das maravilhas
Está perdida no passado.
Se a Poesia é verdade
No fim tem sempre razão
Na Cova da Piedade
Tive prémio e ovação.
Por Incrível que pareça
Há sempre uma Academia
À espera de nova peça
Na mais teimosa alegria.
E um Céu que tem Maria
A captar em cada imagem
O preto e branco do dia
Povoamento e paisagem.
Na proa dum cacilheiro
O Mundo tem outra escala
Com Luís Alves Milheiro
Saltam poemas da mala.
Casario do Ginjal
Conservas e tanoeiros
Aqui em frente à Capital
Cantam versos derradeiros.

José do Carmo Francisco        

(Fotografia de Luís Eme) 

quinta-feira, abril 07, 2016

A Indiferença do Pescador

Hoje está um dia bonito, com o céu todo pintado de azul. Apetece mesmo andar por aí...

A fotografia que publico hoje já tem alguns dias. 

Este pescador sempre muito agasalhado e de chapéu, já mereceu a minha atenção uma ou outra vez, no Ginjal.

Desta vez achei piada o seu alheamento à passagem de mais um paquete de luxo. Esqueci-me que o Tejo agora é uma "auto-estrada" destas barcas gigantes...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 02, 2016

As Gentes da Minha Terra (6)

Volto hoje a falar das "Gentes da Minha Terra", desta Almada que tão bem me recebeu quando na Primavera de 1987 escolhi viver numa casa com uma janela virada para o Tejo. E vou falar de uma Mulher, especial, que adora tudo o que seja Cultura.

É uma das pessoas que mais gosto de ouvir declamar poesia. Mas ela também canta e encanta, com a sua bonita voz à capela. 

Muitos dos poemas que declama são da "sua lavra", onde nos deixa bem visível toda a sua sensibilidade. Escreve sobre o que conhece, o que gosta, o que sonha e o que descobre, aqui e ali, com o olhar.

Gosta de fotografia, gosta de teatro, gosta de cinema, ou seja, gosta de tudo o que tenha que ver com as Artes e Letras. Como acontece com muitas pessoas da sua geração, só depois de se reformar é que pôde fazer aquilo que realmente gosta...

Falo de Clara Mestre, uma Senhora especial com quem tenho muitas afinidades e que nasceu no mesmo ano da minha Mãe...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, março 31, 2016

As Minhas Primeiras (não) Memórias do Ginjal...


Estive a pensar e tenho a certeza de que a primeira memória que tenho do Ginjal é uma não memória. Ou seja, vi o Ginjal num tempo em que ainda não tinha “olhos de ver”…

A primeira vez que vim à Margem Sul deverá ter sido em 1966, 1967. Mas as memórias que tenho são muito soltas. Há duas imagens que me assaltam com mais nitidez: a viagem de cacilheiro, em que me recordo de estar ao colo do meu pai, provavelmente para ter altura suficiente para espreitar o rio e as suas margens da janela, onde de certeza vi pela primeira vez o Ginjal, ainda que ele não me apareça no filme da viagem. Recordo também (não sei porquê…) os bancos de madeira envernizados do barco, que provavelmente ainda não tinha ganho a cor laranja.

Outra memória que tenho é de ver os barcos muito pequeninos (de certeza que foi do miradouro do Cristo Rei…). Mas não guardei qualquer imagem da Ponte que, ou já estaria construída ou na fase final da sua construção).


Embora não o possa assegurar, penso que não inventei estas memórias. A única coisa que sei é que a viagem em família até à Margem Sul foi mesmo realizada, embora nunca me tenham dado o ano exacto. Mas anda pelos anos que eu registei.

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, março 23, 2016

Muralma 16

Esteve patente na Oficina de Cultura, uma excelente exposição de arte urbana, de quatro artistas almadenses (Skran, G. Delaunay, Klit, Ketam), em mais uma edição da  "Quinzena da Juventude".

Gostei muito do que vi. Este painel da autoria de G. Delaunay explica um pouco as minhas palavras.

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, março 21, 2016

A Clara tem Razão...


A Clara tem razão, a poesia é isto tudo...

Poesia é Vida

A poesia é
o musical
da minha vida
poesia é melodia
que há em mim
Poesia é frescura
num Verão quente
Poesia é linda
Quando sentida
Poesia é:
Simplesmente Vida…


                    Clara Mestre

(Óleo de Conceição Silva)

sexta-feira, março 18, 2016

O Que não se Vê do Casario do Ginjal...

Normalmente quem passeia ao longo do Cais do Ginjal só se apercebe das ruínas de todo aquele Casario de uma forma episódica, porque as paredes e os muros são isso mesmo...

Claro que é possível penetrar no "coração" deste lugar onde quase já não há presença humana, pelo menos de uma forma fixa. Aqui e ali existem portas semi-abertas, buracos ou janelas partidas, que o ar de abandono e de perigosidade, está longe de nos convidar a entrar...

Mas com uma objectiva mais curiosa é sempre possível ver o se esconde por detrás do Cais, sem ser preciso andar por cima e por baixo dos "destroços" que resistem a quase todos os "invernos"...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, março 13, 2016

Homenagens Feitas no Tempo Certo

Se há coisa que me deixa feliz é descobrir aqui e ali, uma escola ou uma biblioteca a quem foi dado o nome de alguém que ainda está no "mundo dos vivos" e que se destacou como um cidadão de excepção.

Como já perceberam não me estou a referir aos vários autarcas que tiveram o desplante de colocar o seu nome em pavilhões, centros culturais e afins, durante os seus "reinados". 

Falo sim de pessoas completamente independentes dos credos políticos, que foram homenageadas simplesmente pelo contributo que deram à sociedade onde estamos inseridos, nas suas áreas de acção.

É por isso que fico muito feliz que no Concelho de Almada existam as Escolas Secundárias Daniel Sampaio e Francisco Simões. 

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, março 05, 2016

Uma Homenagem com Amizade e Emoção

A sessão de homenagem a Sérgio Malpique correu muito bem, com a presença de quase uma centena de pessoas, que se quiseram associar à evocação de um grande Cidadão e Desportista Almadense, na comemoração do seu Centenário. 

Além da projecção de um filme biográfico realizado por Modesto Viegas (com textos meus...), das intervenções sentidas da mesa de honra e também dos convidados (com destaque para a intervenção de fundo do Orlando Laranjeiro...), não posso deixar de escrever sobre a emoção sentida pelas "Velhas Glórias" do andebol do Almada, que jogaram com o Sérgio, quando foram chamados ao palco, para serem aplaudidos e tirarem uma fotografia que ficará para a história.

Falo de Jorge Coelho da Silva (com a fotografia da equipa da época de 1951/52 nas mãos), Alberto de Oliveira ("Machicha"), Américo Silva, António Gramaço, João Cardana, Joaquim Boieiro,  Orlando Laranjeiro.

(Fotografia de Gena Souza)

sexta-feira, março 04, 2016

Homenagem a Sérgio Malpique na Passagem do seu Centenário (3)

Em 1944 a Direcção Geral dos Desportos organizou um curso de treinadores de Atletismo, com o Sérgio Malpique a ficar em primeiro lugar com 17 valores.

O curso deu-lhe o estímulo para tentar fazer reviver esta modalidade de tão boa memória em Almada, aproveitando a fundação do Almada Atlético Clube a 20 de Julho de 1944, através da fusão entre o Pedreirense e o União Almadense. Mas infelizmente não o conseguiu...

Foi então que em boa hora lhe surgiu a ideia de trazer o andebol de onze para Almada.

No início, para conseguir formar uma equipa socorreu-se dos amigos da JACA e da Marinha e em Dezembro o Almada Atlético Clube fez a sua estreia oficial do Andebol de onze contra o Benfica, no Campo Grande.  O Almada seria derrotado por 10 a 1, com o golo de honra dos almadenses a ser marcado pelo Sérgio.

Nada que desanimasse os pioneiros da modalidade na nossa Terra. Sérgio percebeu que era necessário fazer formação e criou uma equipa de juniores, de onde sairiam grandes campeões nas épocas seguintes, que transformariam Almada numa Cidade do Andebol.

E tudo isto graças ao Sérgio Malpique, que é recordado por todos como o "Pai do Andebol" na nossa Terra...

quinta-feira, março 03, 2016

Luísa Basto, 45 anos a Cantar o Povo e a Liberdade

Amanhã realiza-se um espectáculo musical da comemoração dos 45 anos de carreira de Luísa Basto, uma das vozes mais bonitas e expressivas de Almada, às 21 horas, no Salão de Festas da Incrível Almadense.

Como muito bem diz o cartaz, são 45 anos da Luísa a cantar o povo e a liberdade.

Todos nós que conhecemos e admiramos a Luísa, ficamos sempre com a sensação de que ela poderia ter ido muito mais longe, com a sua qualidade vocal e interpretativa. 

Mas a vida é o que é. 

O que ninguém deverá ter dúvidas é que a Luísa Basto continua a ser uma das nossas grandes interpretes do fado e da canção.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, março 02, 2016

Homenagem a Sérgio Malpique na Passagem do seu Centenário (2)

Quando Sérgio Malpique, António Calado, Francisco Avelar e Agostinho Brilhante criaram a JACA (Juventude Atlética Clube Almadense) em 1933, estavam longe de pensar que iriam revolucionar a prática do atletismo, com os seus métodos de treino. Além de obterem  excelentes resultados a nível nacional, conseguiram despertar o interesse de uma mão cheia de jovens pela prática do atletismo, pelo prazer de correr, saltar e lançar.

Brilharam nas nossas principais pistas, ganharam campeonatos, bateram recordes. Todos os conheciam e respeitavam como os "Atletas de Almada".

Foram eles: Sérgio Malpique, António Calado, Francisco Avelar, Agostinho Brilhante, Francisco Rosa da Silva, José Gonçalves, João Carapinha, Romeu Correia, Ramiro Ferrão, Fernando Faneca, Gilberto Monteiro. Aniceto Bicho, José Paninho, José Moreira, José Nunes, João Rodrigues, Henrique Figueiredo, Rodolfo Gerardo, José Rodrigues Dias, Alexandre Segurado, Américo "dos Velhos", Orlando Avelar e Francisco Bastos. Havia ainda uma falange de apoio, donde se destacavam Libânio Ferreira, Jorge Coelho da Silva e Miguel Cantinho.

terça-feira, março 01, 2016

Homenagem a Sérgio Malpique na Passagem do seu Centenário (1)


Sérgio Malpique se estivesse entre nós tinha completado 100 anos no passado dia 15 de Fevereiro.

Alguns amigos não esqueceram o Cidadão e o Desportista exemplar - que tanto honrou a hoje Cidade de Almada - e organizaram uma homenagem, que se realiza no próximo sábado, 5 de Março, a partir das 16 horas, no novo Auditório da Academia Almadense (o edifício do antigo cine-teatro entretanto restaurado pelo Município).
  

sábado, fevereiro 27, 2016

Uma Exposição e uma Estranha Ambição

Ontem à tarde passei pela sede do SMAS de Almada para ver a exposição "A Água e o Saneamento em Almada" e verifiquei que esta se encontrava encerrada.

Ao ler o horário fiquei a saber que só abre uma vez por semana, às quintas, e apenas durante hora e meia (entre as 15.30 e as 17 horas). E que também se aceitam marcações de visitas de grupos.

Entretanto como tinha lido que o vereador com o pelouro do SMAS, José Gonçalves, dissera na inauguração, que esperava que pelo menos 10% dos almadenses visitassem a esta exposição, achei tudo aquilo no mínimo estranho.

Embora esta mostra possa ver visitada até Dezembro, com um horário de funcionamento tão curto, parece-me difícil de concretizar tal ambição,  mas...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

A Beleza Indestrutível do Ginjal

O Ginjal vai caindo um pouco todos os dias.

Mas esta "erosão" natural (se esquecermos que tudo aquilo tem dono...), não se intromete na beleza natural deste lugar marginal do Tejo.

O Rio é o grande responsável pelo encanto que se descobre na parede pintada, por artistas à procura de espaço e de mais qualquer coisa (porque a arte não são apenas rabiscos...) ou no muro cheio de castanhos da areia que se misturava com o cimento, a que se junta a tonalidade quase encarnada do tijolo  ou o branco sujo da tinta que resta...

É por isso que muita gente atravessa o rio e transforma este lugar num "estúdio" fotográfico, como esta dupla que apanhei na Praia das Lavadeiras, numa paragem a discutir planos.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

"Cruzeiro Fluvial"

Esta é outra das fotografias com que participo na "Festa das Artes da SCALA", que será inaugurada amanhã às 16 horas, na Oficina de Cultura de Almada.

Ofereci-lhe como título "Cruzeiro Fluvial".

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

A Festa das Artes da SCALA

























Participo mais uma vez na "Festa das Artes da SCALA", com quatro fotografias...

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

A Amizade e a Generosidade

Hoje fui surpreendido de uma forma feliz pelo professor Alexandre Castanheira, que quase no final da sua intervenção do Ciclo "Escritores - Memórias Vivas de Almada", brindou a assistência com a declamação de dois poemas da autoria dos seus amigos Fernando Barão e Luís Milheiro, o mais velho e o mais novo dos Escritores Memórias Vivas de Almada (as palavras foram dele...). 

Além de me ter soado muito bem (Alexandre Castanheira é um excelente declamador de poesia), já não me recordava deste poema que foi publicado no poezine "Debaixo do Bulcão" dirigido por António Vitorino:

Excelentíssimos Estupores

A sanha do poder torna-os sedutores
Além das gravatas de todas as cores,
Distribuem rebuçados de vários sabores
Canetas beijos e sorrisos encantadores,
Porque no final querem sair vencedores.

A vitória floresce a troca de favores
Quase que parecem mercadores
Nos muitos jogos de bastidores
Em que são autênticos doutores
No seu notável papel de impostores.

Denunciados pelos comentadores
Fixam o sorriso amarelo nos televisores
Agarram a cartilha dos ditadores
E deixam cair a máscara de fingidores
Os excelentíssimos estupores.

Luís Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, fevereiro 16, 2016

Mais uma Sessão que Promete do Ciclo "Escritores - Memórias Vivas de Almada"

Amanhã, as 18 horas, realiza-se a terceira sessão do Ciclo "Escritores - Memórias Vivas de Almada", na sala Pablo Neruda do Forum Romeu Correia, em Almada, em que o convidado principal é o professor Alexandre Castanheira.
Que é nada mais nada menos que o jovem "Edgar", que começou a dar nas vistas ainda nos anos 1940 como bibliotecário da Incrível e que diziam que "tinha ideias avançadas". Era esta a forma de catalogar na época quem defendia uma sociedade mais justa e lutava contra a ignorância do povo...
Ora isto passou-se há praticamente setenta anos.
Mas nesta sessão irá falar-se sobretudo do escritor, que ama a poesia acima de quase todas as coisas, mas que também escreve teatro, ensaio histórico e ficção.
È uma boa oportunidade de conhecer melhor este grande vulto da Cultura de Almada.

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

As Gentes da Minha Terra (5)

Às vezes penso que o Orlando exagera um pouco na modéstia, na sua mania quase doentia de que não é escritor nem é poeta. Mas vá lá, nesta última parte, ainda nos concede que lhe chamemos "poeta popular" (para ele deve ser um poeta mais pequenino...). Outras penso que ele exagera muito.
Falo de Orlando Laranjeiro, uma das grandes figuras do Movimento Associativo Almadense, que me podia fazer escrever sobre tanta coisa. Mas até eu fico com algum receio de escrever sobre este Homem que é tanta coisa e não quer ser nada...
No campo social o Orlando é um homem de afectos, que nunca teve o pudor em utilizar a palavra amor no seio da família e dos amigos. Mas é também um homem solidário, cujo ideário político faz com que seja ainda mais exigente consigo próprio, e com os outros, na defesa intransigente que faz da justiça social e da dignidade humana.
No campo associativo é o "pai e a mãe" de muitos projectos (desenvolvidos sobretudo na Incrível Almadense, embora tenha feito um trabalho notável no seu Almada...), que ainda são recordados por tanta gente de boa memória, dos quais o espectáculo "Almada Antes e Depois de Abril", acaba por merecer um destaque especial, pelo seu conteúdo histórico-cultural.
Mas o que eu quero falar é do escritor (e logo aquilo que ele não quer ser, escritor...),  que conseguiu meter pelo menos três livros num só no seu desabafo literário, "Deixem-se Ser Quem Sou!" (são 376 páginas em letra pequena para não se aproximar muito das quinhentas...) donde se poderia extrair com facilidade um livro de memórias do Associativismo (o mais importante...), um livro de poemas e também um livro com biografias...
Mesmo que o Orlando não queira, o escritor e o poeta (cuja musicalidade dos seus poemas faz com que quase todos possam ser cantados...) vão sobreviver-lhe. Porque ninguém pode fugir do seu destino. E ele como amante do fado, sabe que é verdade...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Escritores de Almada - Memórias Vivas

Embora estivesse num lugar demasiado visível, sem espaço suficiente para a análise crítica, penso que correu tudo muito bem.

Foi bom ver a sala cheia de amigos, foi bom escutar algumas coisas que estão dentro dos meus livros. E claro, foi muito bom falar deles.

E de certeza que saímos todos mais ricos da sala Pablo Neruda, graças a esta excelente equipa de trabalho (USALMA e CMA), que surge na fotografia com os escritores convidados da sessão de ontem, a segunda, do Ciclo "Escritores - Memórias Vivas de Almada".

(Fotografia de Gena Souza)

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Os Meus Livros de Cacilhas





















Quando somos convidados para falar sobre os nossos livros, não só viajamos no tempo como  chegamos por vezes a conclusões, inesperadas... 

«Isto de escrever livros sobre história local, não é uma coisa linear. No meu caso pessoal aconteceram uma série de acasos que me levaram a escrever sobre o Concelho. E a existência de um protocolo literário entre a SCALA e a Junta de Freguesia de Cacilhas, presidida por Carlos Leal, foi fundamental para que eu me envolvesse tanto neste género literário.






















Fui autor e co-autor de cinco obras sobre Cacilhas.”Elias Garcia, Esboço Biográfico”, com Abrantes Raposo; “Eduardo Alves, Vida e Obra de um Bombeiro Exemplar”, com Alberto Afonso, “Cacilhas, a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais”, com Fernando Barão, “Cacilhas, o Comércio, a Indústria, o Turismo e o Desenvolvimento Sociocultural e Político da Localidade Ribeirinha”, “Lisnave uma Viagem no Tempo”, com o João Soeiro.



E sei que sem a existência deste protocolo, provavelmente não teria escrito nenhum destes livros.»

Digo isto sem qualquer demagogia. Como no nosso país a parte mais complicada dos livros é a sua publicação, através deste protocolo - que terminou com a extinção da Junta de Freguesia de Cacilhas -, pelo menos a edição do livro estava à partida assegurada...




quinta-feira, janeiro 28, 2016

Bela Viagem pelo Ginjal, Porta a Porta

Todos aqueles que assistiram ontem à viagem proporcionada pelo Luís Bayó Veiga, "Ginjal de porta em porta", com o apoio de João Valente e Henrique Carvalho, em Cacilhas (sede da ARPIFC) ficaram deliciados pelo estudo pormenorizado feito, número a número, desde o um ao setenta e três, ou seja, do "Farol" ao "Ponto Final", dois bons restaurantes que não só resistem a  o tempo no Ginjal, como são um dos seus melhores cartões de visita no campo da gastronomia.

Eu que sei bastante sobre o Ginjal, fiquei a saber ainda mais coisas sobre este lugar único no nosso Concelho, graças ao Luís.

Foi uma bela viagem povoada de pessoas, de profissões e de empresas, que durante muitos anos deram vida a esta "rua marginal" do Tejo e de Cacilhas...

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, janeiro 26, 2016

O Ginjal de Porta a Porta

Luís Bayó Veiga irá apresentar amanhã um dos trabalhos de investigação que tem realizado sobre o Ginjal, "O Giinjal de porta a porta - Histórias, escritos e memórias", na sede da ARPIFC (Associação de Reformados de Cacilhas), próximo do Centro de Turismo (antigo Quartel dos Bombeiros de Cacilhas), às 16 horas.

O Luís contará ainda com o apoio de Henrique Carvalho e João Valente que viveram quase a vida toda no Ginjal.

sábado, janeiro 23, 2016

As Gentes da Minha Terra (4)


Abrantes Raposo sempre gostou de livros. O facto de ter nascido num lar humilde e ver-se obrigado a trabalhar logo que fez o exame da quarta classe, fez com que abraçasse, assim que lhe foi possível, uma profissão que lhe oferecesse a proximidade com os livros e a possibilidade de os afagar e tornar ainda mais bonitos.

Mas ser encadernador não lhe chegava.

Foi por isso que se deixou levar pelo gosto da leitura e das palavras e escreveu primeiros versos, que ficaram na gaveta algum tempo. Até ser descoberto por alguns amigos, que não só o incentivaram, como lhe deram a ajuda necessária para publicar a sua poesia.

A sua profissão e a "alma de coleccionador" proporcionaram-lhe a passagem de muitos documentos importantes pelas mãos. Foi tirando apontamentos e aos poucos foi-se interessando pela história local, tornando-se também historiador, quase sem dar por isso. E hoje tem uma obra importante sobre, Cacilhas, a Freguesia onde reside há mais de 50 anos.

Abrantes Raposo  que fez hoje 82 anos, surge nesta fotografia, em primeiro plano, com um dos seus livros na mão, com os seus três amigos que continuam a fazer parte da "Tertúlia do Repuxo", onde reinam os livros e a amizade, que já tem mais de duas décadas.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

As Gentes da Minha Terra (3)

Todos aqueles que estão ligados à Arte de Talma em Almada conhecem de certeza, pelo menos de nome, Francisco Gonçalves, um dos grande actores  da Incrível Almadense e do teatro amador português. 

O Chico, como é conhecido pelos amigos, fez hoje a bonita idade de 86 anos. Para trás ficam mais de setenta anos dedicados aos palcos. Estreou-se na sua Incrível com apenas 15 anos, na peça, "O Gaiato de Lisboa", em Dezembro de 1945, e nunca mais parou. Fez  um pouco de tudo, entre dramas, comédias, revistas, cégadas e operetas, muitas vezes como protagonista, devido ao seu enorme talento,  outras com pequenos papéis, mas sempre com brilho. Eu sou daqueles que sentem que a sua simples aparição enche o palco. Nem precisa sequer de falar, para percebermos que estamos na presença de alguém que nasceu para ser Actor.

Mas ainda mais importante que todo este seu talento, são as suas qualidades humanas, que fazem com que o Chico seja uma das pessoas mais integras e tolerantes que conheço. 

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, janeiro 19, 2016

Ciclo "Escritores - Memórias Vivas de Almada"

O Ciclo "Escritores - Memórias Vivas de Almada" começa amanhã às 18 horas na Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia e terá como principal convidado Fernando Barão (na foto).

Estas sessões serão divididas em três partes. A primeira será dedicada a Fernando Barão, com a divulgação da sua biografia e obra (com relevo para a obra escolhida). A segunda parte contará com a presença de mais três escritores almadenses, Fernando Fitas, Miguel Almeida e Vitor Fernandes, que farão a leitura de excertos das suas obras. Na terceira parte haverá diálogo entre o público e os quatro escritores convidados.

Será também inaugurada uma exposição alusiva à obra literária dos quatro principais convidados deste ciclo (Fernando Barão, Luís Alves Milheiro, Alexandre Castanheira e Alexandre M. Flores).

Este ciclo é promovido pelas professoras Ângela Mota, Edite Condeixa e Edite Prada, do Grupo de Leitores "Livros das Nossas Vidas", da Biblioteca Municipal de Almada.

(Fotografia de Vitor Soeiro)

sábado, janeiro 16, 2016

As Gentes da Minha Terra (2)


O cacilhense Carlos Durão, além de ser um bom amigo, tem tido um papel bastante importante na pesquisa histórica que tenho feito sobre Cacilhas.

O facto do Carlos estar desde sempre ligado a Cacilhas e ser descendente de duas famílias importantes da Localidade Ribeirinha - a família Pinto Gonçalves ligada ao comércio (possuíram um dos mais importantes armazéns do distrito de Setúbal) e a família Durão (donos de uma das empresas que faziam a ligação entre Cacilhas e a Capital. com embarcações de carga e de passageiros) -, faz com que seja uma das pessoas que possui um conhecimento mais profundo e credível sobre os lugares  e as pessoas do nosso Concelho. Quando tenho alguma dúvida sobre algum trabalho que estou a realizar recorro à sua "memória de elefante" e normalmente fico sempre a saber mais qualquer coisa, para além daquilo que queria saber.

Felizmente também tive o grato prazer de ser seu companheiro no importante Movimento Associativo Almadense, que além de nos enriquecer culturalmente também tem a virtude de estreitar as relações humanas e esbater as diferenças sociais que existem entre nós. E se aprendi com a sua já longa experiência de vida, especialmente nos momentos mais conturbados, onde se revelou um autêntico "farol"...

(Fotografia de Luís Eme)

sexta-feira, janeiro 15, 2016

A Tragédia Optimista


Ontem fui ao teatro ver a "Tragédia Optimista", representada pela Companhia de Teatro de Almada.

Gostei da cenografia e de ver tanta gente em palco, numa boa encenação de Rodrigo Francisco.

Ainda dentro da sala comecei a questionar a escolha da peça, que aborda os tempos conturbados que se passaram na União Soviética, após a revolução bolchevique de Outubro de 1917.

Lembrei-me da nossa Primeira República e de como se poderia ter montado um belo espectáculo do mesmo género e grandeza, com tantos motivos de interesse cénicos, desde os monárquicos, aos religiosos, sem esquecer os anarquistas - que têm um destaque especial nesta peça -, todos eles contra os republicanos...

De certeza que diria muito mais aos portugueses.

E também continuo a não perceber porque razão se escolhem quase sempre autores estrangeiros nos nossos palcos, em detrimento dos dramaturgos portugueses. Será apenas por causa dos direitos de autor?

domingo, janeiro 10, 2016

Os Amigos de Almada na Oficina de Cultura

Foi inaugurada ontem a Exposição Comemorativa do 21.º aniversário da Associação Amigos da Cidade de Almada, na Oficina de Cultura.

Esta exposição é sempre uma boa oportunidade para encontrarmos gente amiga e confraternizarmos.

Olhando para a exposição, a AACA este ano convidou o Centro de Arqueologia de Almada, divulgando o seu papel na defesa do património e história local, numa boa prova de companheirismo e de reconhecimento. Em termos artísticos mostra as bonitas embarcações criadas pelo Luís Serra, a pintura de Carlos Teixeira e também divulga biografias (algumas extraídas no meu livro, "Almada e a Resistência Antifascista") e factos históricos sobre a nossa Cidade.

A exposição poderá ser visitada até ao dia 24 de Janeiro, no horário normal de funcionamento da Oficina.

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Quando o Tejo se Transforma em Mar

Nestes dias de chuva e vento o Tejo fica com ondas e quase que se transforma num Mar.

Embora possa ser agradável para os olhos, quem não morre de amores por esta agitação das águas do rio, não esconde o receio durante a travessia, mesmo que os cacilheiros  demonstrem diariamente que são embarcações seguras e estáveis.

O que leva esta gente menos afoita com as águas mexidas de Janeiro a aventurar-se, é saber que a travessia faz-se em apenas dez minutos...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, janeiro 04, 2016

A Descoberta do Ginjal no Porto


Hoje quando fazia uma "limpeza" de jornais e revistas descobri uma notícia no mínimo curiosa para o "Casario" sobre um restaurante portuense que se chama "Ginjal" e foi fundado em 1948 (que fechou um ano para reabrir em 2014 com nova gerência). Mas vamos lá transcrever parte da notícia assinada por Manuel Gonçalves da Silva no suplemento "Sete", da revista "Visão" (de 17 de Dezembro):

«As tripas à moda do Porto continuam a ser o seu ex-libris, tendo a qualidade e os ingredientes tradicionais, a que se juntam duas notas peculiares: o toque do vinho do Porto no tempero e a apresentação numa púcara com massa de trigo pincelada com azeite e ervas aromáticas na cobertura. Outro prato emblemático é o bacalhau à Ginjal, que vai ao forno com cebolada e é servido com batata pérola e jardineira de legumes. Também o polvo no forno ou à lagareiro, um e outro com batata a murro e legumes, a posta à moda do Ginjal, excelente naco de coração de alcatra de vitela mirandesa, e o bife da vazia três pimentas, com batata gratin e legumes figuram entre os pratos mais solicitados, por serem bons e bem servidos.»

(Foto de Luís Eme, tirada do interior do restaurante "Atira-te ao Rio" para o Tejo)

sábado, janeiro 02, 2016

As Gentes da Minha Terra (1)

Vou estrear hoje uma nova série aqui no "Casario", que tem como principal objectivo homenagear a boa gente de Almada, a minha terra de adopção.

E não poderia escolher melhor para este começo, que um grande amigo que faz hoje a bonita idade de noventa e dois anos, com uma lucidez e alegria de viver, invejáveis.

Falo de Fernando Barão, um verdadeiro Renascentista da Cultura Almadense. 

É reconhecido com todo o mérito como um dos grandes associativistas de Almada (ajudou a fundar três colectividades, Clube de Campismo do Concelho de Almada, SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada e O Farol, Associação de Cidadania de Cacilhas e presidiu aos destinos da Sociedade Filarmónica  Incrível Almadense e do Ginásio Clube do Sul, foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada e também dirigente dos Bombeiros Voluntários da sua Terra, Cacilhas), Mas é muito mais que isso. Além de ser um excelente contador de histórias, tem uma obra literária notável nos campos da história local, da poesia e da ficção. E foi também um apaixonado pela fotografia, tendo sido premíado em vários salões, nos anos cinquenta e sessenta do século passado.

Além destas vertentes, adora música (foi coralista), cinema (que pena teve de não ter conseguido criar um cine-clube em Almada) e todas as Artes.

A par deste currículo impressionante, não podemos deixar de destacar a sua qualidade humana, que suplanta todos estes talentos, pois Fernando Barão sempre fez (e faz) do seu dia a dia um hino à amizade e à fraternidade.

(Fotografia de Luís Eme)