
Poucas pessoas sabem que Teresa Salgueiro tem ligações familiares ao Ginjal, através dos bisavós, Maria e Zé Bagueira, que possuíram uma casa de pasto onde se confeccionava a caldeirada mais afamada de Cacilhas, dos anos vinte e trinta do século passado.
«[...] Assim, nos anos trinta, a caldeirada mais afreguesada era a da Maria Bagueira, uma excelente criatura que entrosava os seus dotes de cozinheira com o afago e a simpatia, que é meio caminho andado para que, em cada cliente, tenha adquirido um amigo. Assim o convívio era são e os comensais estavam tão à vontade como nas suas casas.
[...] O seu marido, o Zé Bagueira, era um pescador na acepção total do termo. Nunca o conheci a não ser com calça de ganga, camisa de flanela, em grandes quadrados coloridos como matriz. botas de borracha e o velho boné castanho, como usam os pescadores de Sesimbra. Este homem, pai de uma prole abundante (e bisavô da cantora Teresa Salgueiro dos Madre Deus, de fama internacional) estava sempre bem disposto - assim como a mulher - e era um conhecedor profundo das matreirices que é necessário conhecer para que o peixe venha parar à mão. [...]»
Extraído de um dos capítulos do livro "Cacilhas - a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", da autoria de Fernando Barão e Luís Alves Milheiro, em pré-publicação.