Mostrar mensagens com a etiqueta Gente de Almada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gente de Almada. Mostrar todas as mensagens

sábado, outubro 10, 2026

Uma "associação" almadense quase a brincar...


Numa altura em que Cuba deve passar pela sua maior crise económica e social, desde a Revolução, devido ao bloqueio, cada vez mais cerrado, norte-americano, dói-me o silêncio que se faz à sua volta.

Cada vez que passo pela rua Capitão Leitão e olho para a varanda onde fica a sede da "Associação de Amizade Portugal Cuba" (com ligações ao PCP), fico a pensar na "inacção" dos seus pretensos amigos de Almada. 

Sinto que é nestas alturas que estas associações se devem fazer ouvir, chamando a atenção para o que se está a passar, e se possível, oferecer algum apoio, alguma solidariedade.

Infelizmente, a varanda fechada da Capitão Leitão e o silêncio ensurdecedor à sua volta, diz muito deste nosso tempo.

Sei que o Partido Comunista é um partido envelhecido e que a esquerda já viveu dias melhores, mas mesmo assim, fico sempre a pensar, que se podia fazer mais alguma coisa pelo povo cubano...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, outubro 05, 2026

A Incrível Almadense festejou o 178.º aniversário com a sua Sessão Solene


Gostei de voltar ao Salão de Festas da Incrível Almadense, para assistir à sua Sessão Solene, que continua a coincidir, com grande felicidade, com a comemoração da implantação da República. Ainda por cima, fui surpreendido com os rostos de alguns amigos especiais (Carlos Guilherme, Orlando Laranjeiro, Carlos Alberto e Joaquim Brás), que já nos deixaram e fazem parte da história da Incrível, nas telas afixadas nas partes laterais do palco.

A sessão teve início com um belo concerto da nossa Banda Filarmónica, que continua a conjugar da melhor maneira a experiência com a juventude dos seus músicos, que em algumas peças, contaram com a presença de duas belas vozes (uma delas a da Andreia, que gostei de rever e abraçar) que cantaram e encantaram o público que encheu o Salão.

Também foi bom encontrar vários amigos como o Vitor Rosado, um dos grandes associativistas com quem trabalhei, em Almada, e na Incrível.

Pensava estar preparado para aguentar a parte mais chata da cerimónia (os discursos de convidados e de quem gosta de se "fazer de convidado"...), até porque o meu amigo Chico era um dos homenageados pela Colectividade. Só não contava é que alguns partidos políticos aproveitassem este espaço festivo, para fazerem também política partidária. Primeiro foi o PCP a fazer uma intervenção, com várias mensagens para o Município, sobre as dificuldades que associativismo do Concelho enfrenta. Depois apareceu uma senhora da Iniciativa Liberal. E eu desisti.

Abandonei o Salão, ciente de que o aniversário da Incrível era um espaço festivo para muitas coisas, excepto para a política partidária. 

O Associativismo sempre foi, e continua a querer ser, outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, agosto 03, 2026

O Adeus a um excelente Músico, um grande Associativista e um bom Amigo


Soube hoje do desaparecimento de Joaquim Brás, um grande Incrível, que tive o grato prazer de conhecer e conviver quase diariamente, quando ambos fizemos parte da direcção da "Catedral do Associativismo Almadense".

Além de dirigente era um excelente músico (saxofonista) e o elemento mais antigo da Banda Filarmónica da SFIA, com mais de cinquenta anos de dedicação à razão da existência da nossa Colectividade. 

Mas o Brás foi sempre mais que isso. Estava sempre disponível para a nossa Incrível, fazendo  um pouco de tudo, fosse na banda, no teatro, na sede ou no salão de festas. 

Além da amizade que ficou, o convívio com o Joaquim (e como outros grandes associativistas Incríveis) foi sobretudo uma grande lição de humanismo e companheirismo, num tempo memorável (para mim),  quando ainda se privilegiavam os valores colectivos, quando o nós estava à frente do eu...

(Fotografia de Luis Eme - Almada - o Joaquim Brás aparece em primeiro plano na fotografia que ilustra este cartaz do Município)


sexta-feira, julho 10, 2026

É bom recordar que a presidência do SMAS tem funcionado como "moeda de troca" na governação local...


Tudo o que acontece - de mau e de bom - no Concelho de Almada, está directamente ligado à governação do PS, e à presidência de Inês de Medeiros. São mais de oito anos e meio de poder. Os socialistas não têm qualquer espaço para o habitual "passa culpas".

Existe sim, alguma cumplicidade com os partidos com que se coligou ao longo dos mandatos.

É por isso que se trata de uma piada de mau gosto, o PSD ter vindo a terreiro, afirmar que "não tem nada a ver com assunto". Os factos falam por si, foi um vereador do PSD que presidiu os SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) entre os anos de 2017 e 2024.

O mesmo se passou na coligação seguinte, feita com a CDU. Mais uma vez, Inês Medeiros "ofereceu" a presidência do SMAS ao partido com que acordara governar Almada, neste seu último mandato (desde Outubro de 2025).

Isto prova duas coisas. O pouco interesse que o SMAS sempre despertou ao PS e à presidente de Câmara (que também se comprova com a redução de investimento durante os dois primeiros mandatos, com a cumplicidade do companheiro de coligação, o PSD). E a ligação dos partidos com que se coligou a todo este problema (bem podem tentar "sacudir a água do capote", como o fez  apressadamente o vereador do PSD...), por terem aceitado a presidência do SMAS, mesmo que fossem apenas uma espécie de "rainha da inglaterra"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quinta-feira, junho 25, 2026

Gente que não desiste de viver...


Não sei explicar muito bem porquê, mas conheço muito boa gente de Almada, que anda entre os oitenta e noventa anos (alguns passam...). Os meus filhos às vezes dizem mesmo, "só conheces velhos", com um ar provocador.

E é um bocado assim. Penso que isso tem muito a ver com o meu papel de historiador local. São as pessoas antigas que nos conseguem levar com mais facilidade ao tempo que já não existe...

E talvez também eu seja um "sujeito antigo", embora não se note tanto, fisicamente.

E foi assim que uma manhã destas, ao passar pela esplanada do "Café Central", encontrei o Joaquim a ler o jornal, atentamente, numa das suas mesas. Tirei-lhe um retrato e depois fui cumprimentá-lo, agradado por ver que ele continuava interessado em saber como vai o mundo, com as notícias de papel.

Disse-me que sim, com um sorriso, que ainda não tinha desistido do mundo, mesmo com as suas noventa e quatro primaveras e as mazelas normais de quem vive mais do que estava à espera...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, junho 20, 2026

Aqui estou eu: Carlos Gomes cidadão almadense noventa anos de idade


Aqui estou eu: Carlos Gomes
cidadão almadense noventa anos de idade
 
 
Conta-se facilmente a minha história
Almada é a minha terra, foi aqui que nasci e cresci
Recordo com emoção as ruas com memória
Lembro-me dos amigos que nunca esqueci
Olho para tudo, com um sentimento de vitória
Sinto-me satisfeito com o bom e o mau que vivi
 
Lutei bastante, por mim e pelos meus,
Umas vezes com sacrifício e peso no coração
Inventei caminhos sem esperar qualquer Deus,
Sei que segui, quase sempre, a força da razão

Dei, mas também recebi, muito, nesta vida
As viagens deram-me mais mundo e conhecimento
 


S
onhei sempre, mas sem parar no tempo
Ilusões, tive algumas, mas nada que soasse a fantasia.
Livre de amarras, andei contra e a favor do vento
Vi e vivi coisas que me deixam com nostalgia mas
Abraço a vida sem soltar qualquer lamento
 
Gratidão foi uma palavra que nunca me abandonou
Ontem, hoje, amanhã, foi, é, bom viver em liberdade
Mas nunca esqueci a importância do dinheiro e o
Empreendorismo foi a forma de olhar para a realidade
Sem ter medo de me sentir um Cidadão Inteiro.
 
 
Luís [Alves] Milheiro

(Fotografias do arquivo de Carlos Gomes)


quinta-feira, abril 23, 2026

A Gente Boa de Abril e de Almada


Foi graças às pessoas de Almada que tive o grato prazer de conhecer, de conviver e de me tornar amigo, que faço quase um "mural" com os seus nomes aqui no "Casario".

A maior parte já não está entre nós. Por serem pessoas de Abril, da Liberdade, do Conhecimento e da Partilha, presto-lhes aqui a minha homenagem, por sempre ter sentido que estavam, e estão, no lado certo da vida, onde o "nós" é sempre mais importante que o "eu".

Alexandre Castanheira; Américo Morgado; Aníbal Sequeira; Arménio Reis; Carlos Alberto Rosado; Carlos Durão;  Carlos Gomes; Carlos Guilherme; Clara Mestre; Diamantino Lourenço; Edite Condeixa; Fernando Barão; Francisco Bastos; Francisco Gonçalves; Gena Sousa; Henrique Mota; Idalina Alves Rebelo; Jaime Soares; Luís Bayó Veiga; Maria Stuart Pereira; Mário Martins; Orlando Laranjeiro; Romeu Correia; Sérgio Malpique; Vitor Rosado.

Escolhi 25, mas poderia ter escolhido 30 ou 40. Foi Abril que ditou este bonito número e a Liberdade que me disse para não ter medo de ser selectivo na amizade e na memória da partilha de saberes...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, abril 08, 2026

O adeus de mais um grande associativista almadense...


Alberto Pereira Ramos deixou-nos ontem. 

Foi um grande associativista e também um importante estudioso deste fenómeno ímpar, que fez escola em Almada desde a segunda metade do século XIX, e tanto contribuiu para o crescimento e progresso do Concelho.

A sua colectividade de eleição foi a Academia Almadense, onde foi dirigente e fez amizade com Romeu Correia.

Embora já nos conhecêssemos foi durante as comemorações do centenário do nascimento do Romeu, que estreitámos relações e passámos a encontrar-nos com alguma frequência num dos cafés da rua Capitão Leitão, partilhando o nosso gosto pelos livros e pela história de Almada.

Percebi que por detrás do associativista estava um homem de uma grande generosidade e companheirismo.

Com a pandemia, foi mais um dos muitos almadenses que ficou retido em casa. E quando as coisas normalizaram, já não voltou a sair com a frequência habitual e as nossas conversas foram interrompidas...

Apesar destes tempos que vivemos serem de "esquecimentos", presto aqui a minha homenagem a um grande Almadense.

(Fotografia de Luís Eme - Alberto oferece o seu testemunho numa das sessões de homenagem a Romeu Correia que se realizaram em Almada em 2017...)


quarta-feira, janeiro 14, 2026

Eu sei que vou acabar por me habituar, mas...


Às vezes acontecem pequenos acasos, agradáveis, nas viagens de cacilheiro, entre as duas margens do "melhor rio do mundo", como são os encontros inesperados com pessoas de quem gostamos.

Foi o que aconteceu na sala de espera do Cais de Sodré, quando descobri as as minhas queridas vizinhas Natália e Rosa. Além de atravessarmos o Tejo, apanhámos o metro e ainda subimos a rua Emília Pomar. Só nos despedimos depois do elevador do nosso prédio parar no terceiro andar...

Como sempre, falámos de várias coisas, até das novas barcas que nos levam para cá e para lá e que funcionam a electricidade.

Se eu achava que os novos nomes das "barcas rectangulares" deviam ser mais simples, elas acharam deliciosa a escolha de aves do rio (mesmo que algumas nos fossem completamente desconhecidas...). Como era o caso particular da "Tarambola-Dourada", o nome da barca que nos levou até Cacilhas, 

Eu sei que vou acabar por me habituar à elegância das aves escolhidas, mas tinha preferido que tivessem escolhido as singularidades da toponomia popular da nossa Margem, como são os casos do "Olho de Boi" ou da "Boca do Vento". 

Ninguém é perfeito...

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, janeiro 11, 2026

Saudades de um grande Autarca, que não dava descanso aos "buracos" de rua...


Sei que é mau começar o ano aqui no "Casario" a falar dos buracos da Cidade, mas é impossível ficar em silêncio quando passo diariamente por uma parte do passeio da praça Gil Vicente (mesmo junto ao muro de uma arrecadação da União de Juntas...), que abateu e que não mereceu ainda a atenção dos nossos autarcas eleitos. 

Já está assim há mais de um mês. Além de ser perigoso para quem passa por ali, a tendência será para piorar, se não se fizer nada (como é normal acontecer), porque continua a ser Inverno...

Sempre que me cruzo com estes "acidentes de percurso", a minha primeira memória vai para um grande autarca da Junta de Freguesia de Almada, que tive o grato prazer de conhecer e ver em acção nas ruas de Almada, Renato Montalvo.

O bom do Renato gostava mais da rua que dos gabinetes, e era por isso que andava sempre atento ao que se passava nas artérias da cidade e assim que detectava algo fora da normalidade, usava o telemóvel para resolver o assunto. Falava directamente com as pessoas responsáveis pela resolução do problema e de um dia para o outro, este aparecia resolvido.

Eu sei que não existem pessoas insubstituíveis, mas há pessoas que fazem mais falta que outras. E o Renato Montalvo é uma delas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

sexta-feira, outubro 31, 2025

Almada por realizar e ruas por pintar...


O novo tapete de alcatrão que foi colocado, mesmo em frente da escola onde votei, quase na véspera no acto eleitoral, tinha a tentação de ser um "auxiliar de memória" para os almadenses.

Para no dia seguinte, voltar a ficar "tudo na mesma, como a lesma"...

Mesmo assim, eu pergunto: o que é fizeram aos "artistas" que andavam a pintar as estradas esburacadas, em verdadeiras "operações cosméticas"? Agora que eram necessários, é que se têm esquecido de fazer o seu trabalho e "pintar" as passadeiras da Praça Gil Vicente (essas mesmo, as duas mais próximas da Escola Cacilhas-Tejo), bastante movimentadas, por sinal.

Infelizmente, o que não faltam por aí, são condutores que se esquecem de olhar para o sinal e como não existem as "linhas brancas", fingem que não precisam de dar passagem aos peões...

Pois é, parece que afinal, Almada continua por realizar. Apesar dos cartazes que ainda andam espalhados por aí, com uma presidente sorridente, dizerem o contrário...

E entretanto estamos a chegar a Novembro...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


terça-feira, junho 17, 2025

Ficamos sempre mais pobres, mesmo sem nos apercebermos...


Embora Almada seja uma cidade grande, é quase uma "aldeia" no campo cultural.

É por isso que quando nos deixam duas pessoas num curto espaço de tempo (uma semana...), ligadas ao mundo dos livros, perguntamos, por onde andámos, que nunca tivemos "tempo" para ter uma simples conversa (ao telefone não conta...) com elas...

Falo de Armindo Reis e Teresa Rita Lopes, professores, escritores e poetas... O homem esguio que gostava de escrever para crianças e a mulher de olhos cor de mar, que viveu sempre apaixonada por Pessoa.

Se com a Teresa Rita só falei, uma vez, ao telefone, com o Armindo, começámo-nos a cumprimentar há menos de um ano, de uma forma simpática, por almoçarmos às segundas no mesmo restaurante e termos um ou outro amigo em comum...

Não foi por nos deixarem que passaram a ser boas pessoas ou melhores escritores. Até porque nos deixaram os seus livros para os revisitarmos... Mas não deixa de ser estranho, que tenhamos vivido na mesma cidade e tenhamos passado a vida a percorrer ruas diferentes...

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, maio 10, 2025

"Diferentes de Todas as Outras"


Não fui à inauguração, no fim da tarde de quinta feira. E fiz bem.

Foi muito melhor visitar o Convento dos Capuchos na sexta feira de manhã e ter todo aquele espaço só para mim (pode parecer egoísta, mas adoro visitar exposições das quais sou o único visitante...) e ver se esta mostra de arte era mesmo: "Diferentes de Todas as Outras" (o título estranha-se mais depois "entranha-se"...).


Embora esperasse uma exposição maior, com mais obras, gostei sobretudo da homenagem que é feita ao grande Manuel Cargaleiro (o principal responsável pelas exposições de artes plásticas que se realizaram no Convento dos Capuchos entre 1955 e 1961), que por questões políticas, não teve o tratamento que merecia em Almada, nos tempos da governação da CDU (isso explica que não exista um único espaço museológico no Concelho onde sempre viveu e sim no Seixal e em Castelo Branco...).

(Fotografias de Luís Eme - Monte de Caparica)

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".


quarta-feira, abril 30, 2025

Homenagem a Mário Araújo


Mário Araújo, uma das grandes figuras do Movimento Associativismo e da História da Resistência de Almada, vai ser homenageado na tarde de 4 de Maio (domingo), na Academia Almadense (cinema velho).

Quem já privou com o Mário, sabe o quanto ele preza a solidariedade, a igualdade e a fraternidade. Está sempre disponível para os outros, imbuído num espírito colectivo cada vez mais raro, que pede meças a este tempo estranho, onde o "eu" quer ser quem mais ordena.


quinta-feira, fevereiro 13, 2025

"três amigos, três olhares (tão diferentes - tão iguais)"

 


(textos da contracapa do folheto da exposição)

«É sempre agradável assistirmos ao reencontro de três Amigos, através da mostra dos seus trabalhos mais recentes, onde é bastante perceptível o seu crescimento artístico.

Embora se notem diferenças nas formas e nas cores que escolhem para se manifestar enquanto artistas, continuam iguais naquilo que é mais importante, transformando esta exposição num verdadeiro hino à amizade.»

Américo D’ Souza


«A Alzira, a Goreti e o Hélder são um bom exemplo de quem olha para a pintura como uma forma de expressão artística, lúdica, onde o prazer de criar, de fazer algo novo, se sobrepõe a qualquer outra coisa.

É bom encontrarmos harmonia, mas também simplicidade, nas cores e formas que escolhem, nas suas tentativas de tornar o mundo numa coisa mais bonita…»

Luís Milheiro


quinta-feira, janeiro 02, 2025

Uma Almada que se quer e deseja diferente


Esta fotografia tirada no último dia do ano, com as flores que foram colocadas junto ao busto de José Elias Garcia, na rua com o mesmo nome, em Cacilhas, pelo "O Farol", tem um simbolismo especial.

Depois de este espaço ter sido "pichado" e usado como "reservatório de lixo", durante meses a fio, sem que alguém dos vários poderes locais, se preocupasse seriamente com o assunto, foi limpo e  fez-se finalmente  justiça a um espaço de homenagem a um grande republicano (quando ainda era proibido sê-lo...), nascido em Cacilhas.

Continuamos a acreditar que a melhor forma de combater os "selvagens" que não sabem respeitar o espaço público, que é de todos, é mantê-lo em bom estado de conservação, de forma a que esta gente vá percebendo, que é uma beleza poder usufruir das coisas em perfeitas condições, e não sujas ou destruídas...

É uma boa forma de começar o ano, com uma imagem simbólica, de quem gostava de ver uma Almada mais limpa e mais bonita (mesmo sabendo que, por ser ano de eleições, muita coisa irá mudar para melhor, para fazer esquecer os anos de desleixo das autarquias socialistas do Concelho...).

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, dezembro 07, 2024

Um Amigo especial que regressou à nossa "tertúlia"...


O Carlos II é especial, por várias razões. 

O facto de pensar de uma forma diferente, nunca foi um problema, nunca fez com que não fosse "um de nós".

Às vezes é difícil de explicar, mas talvez seja nas diferenças que nos encontramos, que percebemos e entendemos, que é mais importante do que aquilo que parece, pelo menos nas ruas da amizade, respeitar o outro...

O Carlos tem uma história de vida diferente da maior parte de nós, porque sempre foi ambicioso, nunca aceitou de bom grado a palavra "impossível". E ainda bem.

A vida ensinou-lhe desde cedo, que havia valores e valores. Nunca quis ser um idealista, sempre teve um sentido prático da vida. Nem nunca teve qualquer pudor em sonhar que um dia, "talvez fosse possível ir à Lua".

Nunca teve um grande orgulho em pertencer à "classe operária". Deve ter sido isso que o tornou um dia patrão. Um dos bons, nas suas palavras, por ter aprendido, ao longo da vida, que não valia tudo. Não precisava de "pisar os outros", nem de lhes "passar por cima", para continuar a subir na vida.

É por todas estas coisas, e mais algumas, que é bom termos o Carlos (agora é primeiro) de volta à nossa "Tertúlia"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, novembro 23, 2024

Não há limites para a falta de vergonha (e respeito) da Câmara Municipal de Almada


Não percebo como é uma câmara dita socialista, governa tanto contra as pessoas, neste caso particular contra os almadenses.

A sua única preocupação é o lucro fácil. Pelo menos esta é a explicação que encontro para a instalação de parquímetros em todos os lugares onde é possível estacionar, sem que se efectuem quaisquer obras de melhoramentos desses espaços.

Na zona onde vivo (Quinta da Alegria), há um parque de estacionamento "meio selvagem", onde a única obra feita foi a colocação de linhas brancas para delimitar o estacionamento (provavelmente já a pensar no passo seguinte...).


Nos lugares onde costumo estacionar é visível a degradação do alcatrão, pois estes foram feitos pelo construtor dos prédios, há quase quarenta anos, sem que houvesse qualquer preocupação na melhoria do piso (tal como acontece com as estradas, naturalmente esburacadas...), por parte da Autarquia durante todo este tempo.

Autarquia que em vez de fazer as melhorias tão necessárias nos pisos (estradas e parques de estacionamento), coloca sinais e parquímetros, porque o que interessa é o "dinheiro fácil", de quem precisa de estacionar os seus carros, quando se desloca a Almada e não fazer o seu papel, como Autarquia, na defesa e melhoria da qualidade de vida dos seus concidadãos...

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)


segunda-feira, outubro 28, 2024

"O Ginjal, Porta a Porta (Referências e Memórias)" de Luís Bayó Veiga


Durante a semana vou deixar aqui algumas palavras, sobre um livro escrito por um amigo, que será apresentado no próximo sábado.

Isso acontece por duas ou três razões, para lá da amizade com o autor. Uma delas é este blogue chamar-se "Casario do Ginjal"...


segunda-feira, setembro 30, 2024

O Adeus de um Grande Companheiro e Amigo...


Jaime Soares deixou-nos no dia 26 de Setembro. Era conhecido entre amigos apenas por "Jaiminho", um daqueles diminutivos que duraram a vida inteira, sem que fizesse alguma vez sombra ao grande desportista, ao grande associativista e ao ser humano de excepção, que sempre foi, defendendo e lutando por uma sociedade mais igualitária, fraterna e solidária.

Graças à "Tertúlia do Bacalhau com Grão", tornámo-nos bastante próximos (almoçarmos lado lado ajudou, porque a sua surdez acabava por ser um obstáculo no convívio com os amigos...). Era um prazer vê-lo "desempatar", as discussões acaloradas entre o Chico e o Orlando, quando andavam às voltas pela "Rua Direita" e metiam o número da porta de uma taberna ou da casa de um amigo comum, ligeiramente ao lado. E o Jaiminho lá explicava que a pessoa em causa morava em tal sítio, com argumentos que facilmente rendiam o Chico e do Orlando, que acabam a dizer "tens razão, é mesmo aí."

O mesmo se passava quando era o Almada, a Incrível ou a Academia, que, alimentavam as nossas memoráveis conversas. Apesar de ter sido operário a vida toda, era bastante culto e continuava a gostar de estar bem informado. O jornal continuava a ser uma das suas companhias durante o café da manhã (mesmo sabendo que o "Público" já não era o que tinha sido...).

Sei que há por aí muita gente que "detesta" a palavra coerência, e normalmente até metem "burros" ao barulho, para a denegrir. Eu sempre gostei, e continuo a gostar muito dela, tal como a maior parte dos amigos da nossa memorável "Tertúlia".

O Jaiminho além de ter sido sempre coerente com os seus princípios, foi uma das pessoas mais autênticas que tive o  prazer de conhecer, nesta terra especial, que é Almada.

(Fotografia do Carlos da "Olivença" - o Jaiminho aparece em primeiro plano à direita...)