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sexta-feira, maio 08, 2026

A mensagem dos jovens de Almada em Abril: "E em vez do Medo?"


Não deixa de ser curioso, que na comemoração dos 52 anos da Revolução de Abril, as marcas mais curiosas que me ficaram foram dos jovens, especialmente a exposição das escolas que encheu a Oficina de Cultura de Abril, com "E em Vez do Medo?". E também a mostra de cartazes que foram colados nas paredes brancas exteriores da Casa da Cerca, cheios de mensagens bonitas e pertinentes.


Fico feliz pela envolvência de 2000 alunos, 42 professores e 15 escolas do Concelho, e sobretudo, pela sua criatividade.

E fico ainda mais feliz por não deixarem arrefecer Abril (ao contrário dos poderes locais e nacionais...) e por se manifestarem desta forma contra os discursos de ódio e pela violência crescente - mesmo que seja virtual - contra as mulheres e as minorias.

(Fotografias de Luís Eme - Almada)


domingo, abril 27, 2025

A Incrível continua a fazer a diferença em Almada


É um orgulho sentir, que mesmo nestes tempos, difíceis e complexos, para todas as coisas que tenham como forma de expressão, o colectivismo, a Incrível Almadense, continua a querer, e a ser, diferente, mantendo-se fiel às suas raízes de resistência popular e democrática.

Apesar de não sermos muitos, todos os que participámos na "Tertúlia de Abril", que se realizou ontem na sede social da "Catedral do Associativismo Almadense", saímos de lá mais ricos, porque surge sempre algo de novo nos testemunhos da Gente de Abril que viveu intensamente o antes e o depois da Revolução.

Voltei a ter dificuldades em moderar, porque as palavras ditas eram demasiado importantes para serem "cortadas" a meio. Sabia que qualquer um dos convidados, poderia estar a tarde toda a contar os episódios que viveu, como agente activo ou como simples observador.

E é por isso que foi um prazer imenso passar a tarde de ontem na companhia de Mário Araújo, Joaquim Judas, Luísa Ramos,  José Manuel Maia, António Matos, e também, de uma plateia interessada pela história recente do nosso país, na nossa Incrível.


sexta-feira, junho 07, 2024

Quando a sociedade civil fez a Revolução no interior dos quartéis, na "Tertúlia de Abril"


António Matos era o mais novo dos convidados (o moderador não contava...), pelo que tinha uma história pessoal para nos contar, sem grandes vivências revolucionárias. Falou da honra de estar ali com tão boa companhia e num lugar tão importante na história de Almada e dos Almadenses.

Mesmo assim andou atrás no tempo e falou do jovem adolescente que chegara da província com os país,  onde a religião tinha (e continua a ter...) um peso maior que nos grandes centros urbanos. Foi por isso que as suas primeiras acções, foram mais sociais que políticas, e tiveram o dedo do Padre Sobral. António acabou por seguir os passos dos católicos progressistas, ajudando no que era possível, como aconteceu com a luta contra o analfabetismo, um problema social sério, que era cada vez mais difícil de esconder...

Mais curioso foi o seu testemunho, dos tempos em que cumpriu o serviço militar, em Mafra, no curso de oficiais milicianos (depois de vários adiamentos até cumprir a licenciatura em engenharia), já depois da Revolução de Abril. Teve como camaradas de armas muitos dos jovens que tinham fugido da guerra e se tinham exilado em vários países da Europa. Alguns já com mais de trinta anos. A maior parte deles estava ali para legalizar a sua situação e não para cumprir as normas castrenses, pelo que se recusavam a fazer a rotina diária de um recruta, para desespero dos instrutores. Como a alimentação também não era famosa, tornaram-se famosos os seus "levantamentos de rancho" (recusa colectiva de alimentação no refeitório militar). A solução que o Exército encontrou foi dividi-los e "despromovê-los" para o curso de cabos. Como os problemas se mantiveram, acabaram por passar todos a disponibilidade como "praças rasas"...

Pois é. Os militares tinham feito a revolução fora dos quartéis e não estavam à espera que a "sociedade civil" fizesse a sua revolução no interior dos quartéis...

Mais um bom apontamento histórico.

(Fotografia de Alfredo Cunha)


quinta-feira, maio 30, 2024

O controlo operário na "Tertúlia de Abril"...


Nunca tinha ouvido falar do "controlo operário", de uma forma tão simples e aberta, como a que Joaquim Judas - o médico que foi presidente do Município de Almada - nos resumiu e testemunhou, desse memorável "Verão Quente", na "Tertúlia de Abril" da Incrível.

Foi a partir de 28 de Setembro de 1974 (onde se tentou inventar uma "maioria silenciosa"...), que as grandes famílias do antigo regime, perceberam que não iriam ter uma vida fácil, porque a transição democrática não seria a que Spínola e Palma Carlos tinham "desenhado" logo após o 25 de Abril. E é então que começam a descapitalizar as suas empresas, bancos e seguradoras, colocando o capital no exterior.

A banca terá sido das primeiras vítimas deste "logro", mas graças aos seus funcionários mais atentos, foi desmascarada. O caminho foi a nacionalização (que chegou tarde demais, porque muito capital já tinha sido "desviado"...). Empresas lucrativas e que continuavam a laborar normalmente, começaram a alegar dificuldades em pagar os salários aos seus trabalhadores. A única razão para que isso acontecesse era o tal "desvio" do dinheiro (que deve ter sido concertado pelo patronato)...

Augusto Flor também focou esta "novidade", que foi os operários trabalharem normalmente e deixarem de receber salários, dizendo que a Sociedade de Reparação de Navios, foi a primeira do País a colocar em prática esta "artimanha", contrarrevolucionária.

Claro que se devem ter cometido muitos excessos, durante as muitas acções do "controlo operário", mas se este não tivesse acontecido, o país teria parado, deixando as pessoas sem trabalho e sem dinheiro...

Foi um passo decisivo para se virar de vez a página do "país cinzento" e este passar a ter "todas as cores"...

(Fotografia de Vitor Palla)


quarta-feira, maio 29, 2024

A Alfabetização e o Mercado da Reforma Agrária na "Tertúlia de Abril" da Incrível


Na "Tertúlia de Abril" da Incrível de domingo foram transmitidas memórias bastante importantes, algumas das quais ouvidas pela primeira vez (por mim, claro). Ai vão alguns exemplos:

Augusto Flor falou do "Mercado da Reforma Agrária", que se realizava nos armazéns que ficavam em frente da Lisnave, mesmo ao lado do actual Quartel dos Bombeiros de Cacilhas, que tinham feito parte da indústria corticeira. E também de um sistema de trocas de peixe por produtos agrícolas, que se realizava neste mesmo mercado, entre operários, pescadores e camponeses...

Antes Augusto falara da boa experiência que foram os cursos de alfabetização, que começaram a funcionar na Sociedade de Reparação de Navios, onde ele era operário. No início eram ministrados para os seus trabalhadores e familiares analfabetos (pelos operários mais instruídos), mas rapidamente despertou também o interesse dos moradores do Ginjal. Interesse que se expandiu de tal forma por Almada, que foram criados vários polos, espalhados pelo Concelho, permitindo a centenas de pessoas aprender a ler, a escrever, para depois obterem aproveitamento no exame da quarta classe.  

Quem tem memória, sabe dos quase "milagres", realizados pelas Comissões de Moradores e de Trabalhadores, com o apoio da Comissão Administrativa do Município de Almada, que num curto espaço de tempo nesse "Verão Quente" inesquecível, fizeram o que não se tinha feito em décadas...

Felizmente isso também aconteceu com a alfabetização, com gente a querer aprender e a crescer, em liberdade. Liberdade que lhes estava a dar o que o outro tempo lhes tinha roubado.

É por estes exemplos que se percebe que os 25% oficiais da taxa de analfabetismo estava errada. Porque não se somavam todos aqueles que mal deixaram a escola nunca mais leram um livro ou até um simples jornal. Liam apenas aquilo que lhes aparecia à frente, nas ruas ou no trabalho, em placas, cartazes, etc. (e muitas vezes de uma forma "destorcida"...).

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, maio 27, 2024

Abril em Maio em Almada (nunca em Novembro...)


Passei a tarde de hoje no Salão de Festas da Incrível Almadense, onde me coube o papel de moderador de uma "Tertúlia de Abril", que procurava visitar o antes e o depois de Abril, em Almada, organizada pela Incrível.

Os convidados eram do melhor que se poderia encontrar no Concelho (Mário Araújo, José Manuel Maia, Joaquim Judas, Augusto Flor e António Matos), em conhecimento e experiência política. Isso muitas vezes complica a função do moderador. Não foi o caso, porque eu limitei-me a deixar esta gente da história de Almada, falar. Falar do muito que viveram, para as duas dezenas de pessoas presentes, sempre atentas, que saíram dali muito mais ricas (tal como eu...), sem arredar pé, nas quase três horas em que se "tertuliou" e visitou a história recente de Almada e de Portugal.

Foi uma pena não se ter filmado a sessão (nem fotografado.. .), porque se disseram coisas extremamente importantes e sentidas (foi uma boa ideia pedir-lhes na segunda ronda de intervenções, que nos contassem aquilo que mais os marcou durante esse tempo verdadeiramente revolucionário e progressista).

Também se falou do presente, dos avanços da direita à tentativa dessas mesmas forças em "compararem o que não é comparável": a Revolução de Abril com um Movimento Militar democrático (o mais curioso é que esta direita nem sequer teve nenhum papel activo neste movimento, protagonizado pelo "Grupo dos Nove" e pelo PS...), que tentou cortar com os extremismos que estavam a dividir o País (tanto à esquerda como à direita...).

(Fotografia de Júlio Diniz - Almada, 27 de Abril de 1974, sábado)

Nota: Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória". Durante a semana, irei publicar textos sobre o que de mais importante foi dito, nesta sessão, extremamente rica em testemunhos e história, por aqui, no "Casario do Ginjal".


sábado, abril 20, 2024

Ainda as "Bibliotecas Humanas" e Abril...


Uma das coisas que me espantaram na sessão de Abril das "Bibliotecas Humanas" desta semana que passou (e não devia, diga-se de passagem...), sobre a Resistência Antifascista em Almada, foram os testemunhos de dois "avôzinhos" que foram da extrema-esquerda.

Um deles, perante a passagem de fotografias da baixa lisboeta, poucos dias depois da Revolução, em que aconteceram autênticas "caças aos PIDE's", mostrou a sua indignação pelo tratamento que lhe demos (fiquei com a sensação de que por ele tinham sido todos levados ao "tribunal da justiça popular", como se tivéssemos deixado de ser um Estado de direito...). 

Tanto ou como outro, eram defensores da "luta armada" contra a ditadura (houve por ali uma crítica implícita ao PCP, que só fez surgir a ARA, depois do aparecimento das Brigadas Revolucionárias...).

Confesso que nunca percebi este argumento de "falta de sangue" na nossa Revolução. Mas pode ser um problema meu.

Cada vez estou mais convencido, que o que faltou, foi um maior escrutínio da democracia e dos novos democratas, principalmente no PREC. Embora essa seja uma das consequências de qualquer movimento revolucionário, foi das piores coisas que sucederam neste novo regime, A  transformação, em apenas dois ou três dias, de "furiosos marcelistas" (para não lhes chamar fascistas...) em "furiosos esquerdistas" (onde devem ter tido menos guarita foi no PCP, que tinha alguns critérios na angariação de novos militantes), não traz nada de bom a qualquer Revolução...

Ao ouvir estes dois testemunhos, percebi, mais uma vez, que foram estes elementos, "populistas e revolucionários furiosos", que deitaram tudo a perder. O 25 de Novembro de 1975 deve-se sobretudo aos seus "demandos", à sua acção nas cidades e nas fábricas, que estavam a partir o país ao meio. Cada vez tenho menos dúvidas de que sem o golpe (ou contragolpe...) militar do 25 de Novembro, haveria mesmo uma guerra civil, até porque haviam partidos e gente demais armada neste nosso canto da Europa.

E vou ainda mais longe, nestes nossos dias cada vez mais estranhos: não me admiro de todo, que alguns destes extremistas - que já foram tudo, desde fascistas a perigosos esquerdistas -, votem actualmente no Chega (nem que seja por vingança).

E não vale a pena insistir, que a democracia é outra coisa...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, abril 25, 2020

"Os Cravos de Abril"

E se nascessem cravos nas encostas do Ginjal (não seria nenhum "fenómeno do entroncamento", bastaria semeá-los...)? Era no mínimo, uma beleza...

Porque hoje se festeja a Liberdade e a Revolução, oferece-vos mais um poema e uma fotografia da minha exposição, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras":

Os Cravos de Abril

Sei que OS CRAVOS DE ABRIL
podem nascer em qualquer lugar
graças à luz e ao calor primaveril
que também se reflecte no nosso olhar

Sei que OS CRAVOS DE ABRIL
são as balas da nossa Revolução
que de tão pacíficas e certeiras
tocaram-nos em cheio no coração.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

A "Lindeza" dos Projectos de Papel...


O projecto da transformação da baixa lisboeta do Município, que quer afastar os carros da Baixa e Avenida da Liberdade, não só é bonito como me parece bem mais saudável (zonas de emissões reduzidas de CO2...). Só existe um problema, os transportes públicos...

Não se pode afastar milhares de carros (fala-se em 40 mil por ano...) do centro da cidade, sem a oferta adequada de transportes públicos...

Espero que esta "revolução" seja mais bem sucedida que o que foi feito em Almada há mais de uma década (com a introdução do metro de superficie), que também apostava (antes de tempo) numa "cidade sem carros".

A "montanha acabou por parir mesmo apenas um rato" (o metro...), porque mais de metade das medidas implementadas foram tendo um recuo progressivo, ao longo dos anos. 

Quem olha hoje para Almada, percebe que ela continua cheia de carros, por tudo o que é sitio, e nem acredita que há mais de uma década, o Município, além de conseguir afastar os carros, também afastou as pessoas da Cidade (só com as reclamações dos habitantes e dos comerciantes, é que o bom senso foi voltando à cidade)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

sexta-feira, janeiro 31, 2020

A Rua Capitão Leitão e a República em Almada


A Chamada Almada Velha continua fiel a Primeira República, mantendo os mesmos nomes que ofereceu às suas ruas, praças e travessas, depois do 4 de Outubro (Almada voltou a antecipar-se, tal como tinha feito na Revolução Liberal...).

Se o Capitão Leitão (a rua principal, a antiga Rua Direita...), ainda veio do 31 de Janeiro de 1891, Elias Garcia, Henriques Nogueira, Heliodoro Salgado, Rodrigues Freitas, José Fontana, Latino Coelho, vieram com o fim da Monarquia, ocupar as principais artérias da Vila de então.

E a minha Incrível fica logo no começo da Rua Capitão Leitão.

E hoje festeja-se a primeira grande tentativa de derrubar o "antigo regime", que mesmo derrotada, foi menos tímida no Porto.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

segunda-feira, novembro 25, 2019

Nas Cidades de Abril Novembro é Sempre Cinzento...


Nas cidades de Abril, como é Almada, Novembro é sempre um mês a dar para o cinzento...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

quinta-feira, abril 25, 2019

Abril é Sobretudo Liberdade


De alguma forma é o que vejo, quando olho para este desenho de Mártio, que ele me enviou, com o desejo de um feliz dia da Liberdade.

Porque a Liberdade é sermos nós próprios, não termos medo de pensar, de escrever, de falar, de desenhar...

É, Abril para mim, é sobretudo a Liberdade, esse bem tão precioso, que nem sempre valorizamos.

sexta-feira, junho 08, 2018

Ecos da "Revolução" Política em Almada (2)


A parte que considero mais desagradável das mudanças políticas dos governos (locais e nacionais), são as exonerações, que muitas vezes não passam de saneamentos políticos. Se algumas são necessárias e outras razoáveis, há muitas completamente injustas.

Normalmente os visados são colocados em lugares pouco compatíveis com a sua experiência e competência. Em alguns casos há mesmo a tentativa de "humilhar" e de "destruir", todo um passado construído com anos de dedicação e conhecimento, colocando-os nas chamadas "prateleiras".

Ferreira Fernandes numa das suas crónicas do "DN" (29 de Dezembro de 2010) explica o fenómeno:

«Um profissional faz carreira, chega a um patamar e um dia sabe que já não o querem mais ali. Seja porque ele atingiu o seu patamar de Peter (não exerce bem o cargo) ou porque é vítima de injustiça - não interessa o facto e que quem de direito o quer demitir. O normal seria mandarem-no para cargo compatível com o que ele sabe fazer ou despedirem-no. Em Portugal há uma terceira via: a prateleira. A empresa ou a repartição poupa um pouco nos gastos, mas fica também com um peso absolutamente morto. O ex-chefe de qualquer coisa passa a ser o mais inútil dos empregados, não faz nada. Nem de conta. É o pegar de cernelha aplicado aos nossos recursos humanos.»

Se por um lado, compreendo perfeitamente as mudanças em lugares de chefia e de confiança política, já não percebo muito bem, outras, a nível intermédio. Mesmo sabendo que existem algumas pessoas capazes de "causar mais danos" com as suas "sindicâncias" e proliferação de boatos, no seio dos trabalhadores, que muitos chefes competentes e com brio profissional...

E há outros exemplos que não deixam qualquer dúvida, pelo menos na minha cabeça. Quando um funcionário municipal, que é também deputado, vai para as assembleias insultar a presidente da Câmara ou os vereadores, com meias verdade e meias mentiras, não tem condições para exercer qualquer cargo de responsabilidade no Município...

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, junho 04, 2018

Ecos da "Revolução" Política em Almada (1)

Já andava há tempos para escrever que uma das coisas que mais me incomoda na vida política, são as mudanças absurdas levadas a cabo pelas novas forças partidárias, quando passam a governar uma cidade ou um país. 

Normalmente, depois de se fazerem as contas, ficamos todos a perder.

Almada, depois de mais de 40 anos de governação comunista, também está a ser alvo de uma autêntica "revolução", que ainda não é muito visível no exterior, mas promete continuar a agitar as águas (até mesmo as do Tejo...), nos próximos tempos.

Nos meios culturais e associativos (os que mais frequento...), tenho escutado coisas quase do arco da velha (umas credíveis outras nem por isso...). Pessoas próximas da CDU dizem que "A nova presidente está a matar o Associativismo". Espero que sejam apenas desabafos de quem não aceita muito bem as mudanças, e ainda menos o fim de determinados privilégios...

Sim, porque sempre me fez confusão que um partido que defende a igualdade de oportunidades e a justiça social, tivesse uma política tão pouco transparente, na atribuição de subsídios e apoios às colectividades (sei do que falo, até por ter sentido na pele algumas dessas "injustiças"...). Mas a prática política dos socialistas nestas coisas de apoios está longe de ser linear... ou seja, os "benefícios" podem apenas mudar de "clube", assim como as "injustiças"...

Já em relação às instalações municipais (museus e galerias...), não entendo algumas das mudanças de que se fala (embora possam ser apenas "conversas de café"...), inclusive do fecho de alguns espaços.

Mas o melhor mesmo, é esperar para ver, pois a "revolução" ainda vai no adro...

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, abril 23, 2016

O 25 de Abril em Almada


O 25 de Abril é comemorado sempre em Festa em Almada, e por vários dias.

Não fosse a minha Terra uma Cidade de Abril.

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, abril 19, 2016

Falta "Tejo" a Toda Esta Gente...

Há períodos em que a estupidez se torna mais evidente, ou seja, volta em força o velho hábito de nos tomarem todos por estúpidos...

Sempre que o "Necas" me vê no nosso bairro atira-se aos seus inimigos de papel e televisão, quase sempre com razão. fala-me sobretudo de política e futebol. É histórico o número quase de circo do PSD e do CDS, de atirarem para cima do PS (o seu partido...) com os seus erros de governação e de este se limitar a abanar os ombros. E também já começa a ser anedótico o presidente do Sporting (gosta ainda menos de "lagartos" que de "lampiões"...) fingir que só os outros grandes é que são beneficiados pelos árbitros...

Desta vez também me falou do "reino dos brasis", de tudo aquilo que nos parece ser um golpe de teatro deste lado do Atlântico, nas casas que deviam representar o povo e não os interesses particulares dos políticos, uma classe que  desce cada vez mais baixo.

Não é por acaso que o novo ministro da Cultura começa um dos seus versos mais populares, assim:

Pertenço a uma odiada seita
que professava no serviço público.
Resta-nos brincar um pouco o resto das nossas vidas
e fingir que não nos damos conta
do desprezo daninho a crescer à nossa volta.

(Ele sabe bem do que fala...)

Talvez para os políticos, num "mundo perfeito", existam eleições em que só eles é que votam (neles próprios). Salazar também gostava das coisas assim...

(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, abril 23, 2015

Abril Aproxima-se, Mas...


Não sei porquê, mas este é o ano que estou mais a leste de Abril.

Acho que estou farto disto tudo. Da hipocrisia de sempre, especialmente de quem se sente mais "dono" de Abril que o resto do mundo (sim, estou a falar da esquerda que tem e está no poder, como acontece aqui em Almada...).

Muitos dos seus gritos estão carregados de falsas emoções, não escondem uma vida cheia de "ismos", a começar nesse mesmo, o oportunismo que cabe em todas as revoluções, aproveitado pelos "bem falantes", que sempre foram melhores a "caçar" votos que os verdadeiros democratas, empurrados para as filas de trás...

Tudo isto para dizer que não foi Abril que falhou, foram sim as pessoas, que têm e tiveram poder.

O óleo é de Nikias Skapinakis.

quinta-feira, maio 08, 2014

Ainda os 40 Anos de Abril


Já não é apenas sensação, é muito mais que isso. Cada vez conversamos menos uns com os outros, parece que até temos medo de falar com quem nos rodeia...

Os tecnocratas que nos governam acham isso óptimo, pois estamos a deixar-lhes o caminho aberto para fazerem o que bem entendem, já que se limitam a fingir que escutam o nosso silêncio...

Felizmente nós na SCALA somos teimosos, é por isso que queremos dar uma volta pela Cultura desde 1974 até à actualidade, com um olhar atento e crítico.

E se ainda gosta de ouvir e de trocar ideias, apareça por Almada, no próximo sábado...

sexta-feira, abril 25, 2014

No Largo do Chiado, Quarenta anos Depois


Há quarenta anos tinha apenas onze anos e vivia nas Caldas da Rainha, uma Cidade pequeno-burguesa, muito pouco dada a revoluções - o 16 de Março de 1974 foi um episódio meramente militar -, ou seja, aparecer no Chiado e viver a intensidade e a alegria do dia 25 de Abril de 1974, acabou por ser uma impossibilidade, de duas maneiras.

Hoje fui um dos muitos milhares que apareceram no Largo do Carmo, a meio da manhã, porque acredito que ainda podemos mudar o rumo deste país, porque gosto dos Capitães de Abril e porque gosto ainda mais de Liberdade e Democracia.

quinta-feira, abril 17, 2014

Muito Tejo


Se há fotografia da minha exposição que se identifica com o "Casario do Ginjal" é "Muito Tejo", com um dos cais do Ginjal a caminho das ruínas, um cacilheiro no meio do rio e Lisboa como pano de fundo...

Falta só o quase poema que escrevi como complemento da imagem:

Muito Tejo

Esta podia ser
a barca do MUITO TEJO
que o poeta Ary popularizou
entre muitos poemas e canções
como as "Portas que Abril Abriu"
um hino de todas as revoluções...