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quarta-feira, abril 08, 2026

O adeus de mais um grande associativista almadense...


Alberto Pereira Ramos deixou-nos ontem. 

Foi um grande associativista e também um importante estudioso deste fenómeno ímpar, que fez escola em Almada desde a segunda metade do século XIX, e tanto contribuiu para o crescimento e progresso do Concelho.

A sua colectividade de eleição foi a Academia Almadense, onde foi dirigente e fez amizade com Romeu Correia.

Embora já nos conhecêssemos foi durante as comemorações do centenário do nascimento do Romeu, que estreitámos relações e passámos a encontrar-nos com alguma frequência num dos cafés da rua Capitão Leitão, partilhando o nosso gosto pelos livros e pela história de Almada.

Percebi que por detrás do associativista estava um homem de uma grande generosidade e companheirismo.

Com a pandemia, foi mais um dos muitos almadenses que ficou retido em casa. E quando as coisas normalizaram, já não voltou a sair com a frequência habitual e as nossas conversas foram interrompidas...

Apesar destes tempos que vivemos serem de "esquecimentos", presto aqui a minha homenagem a um grande Almadense.

(Fotografia de Luís Eme - Alberto oferece o seu testemunho numa das sessões de homenagem a Romeu Correia que se realizaram em Almada em 2017...)


quarta-feira, outubro 30, 2024

Vagabundear pelo Ginjal (porta a porta)...


Não sei ao certo, há quanto tempo me perco pelo Ginjal. 

Há uns 35 anos, no mínimo. Foi a minha amizade com Romeu Correia que me "acordou" para a beleza e história desta "Margem Sul", que tanto pode começar em Cacilhas como no Barreiro. 

A minha margem deste Sul, deste além Tejo, sempre começou em Cacilhas (o tempo que vivi perto do Barreiro não conta para nada nestas vivências...). Provavelmente o Rio deve-me ter convidado a caminhar ao longo do Cais do Ginjal, logo nas minhas primeiras vezes que fiquei a ver o cacilheiro partir para a Capital (às vezes perdemos a barca por segundos e temos de esperar pela próxima, o que pode demorar entre quinze a trinta minutos...).

Mesmo que no início fosse para "matar tempo", foi assim que fui descobrindo, pouco a pouco, o Ginjal. O que existiu por ali, antes deste antigo espaço de restaurantes famosos e de várias indústrias, se ter tornado no conjunto de ruínas que hoje conhecemos, entre Cacilhas e o "Ponto Final" (sim, é ali rente ao restaurante que acaba o Ginjal e começa a Fonte da Pipa...), colorido, graças aos "grafiteiros" e pixeteiros". 

As descobertas com mais conteúdo histórico, aconteciam sobretudo nas conversas que tinha com os companheiros da memorável "Tertúlia do Repuxo", que durante mais de duas décadas, foi um espaço privilegiado de amizade e de conhecimento. 

Tertúlia que também contou nos últimos anos, com a presença de Luís Bayó Veiga, que se prepara para lançar no próximo sábado o livro, "O Ginjal, Porta a Porta - Referências e Memórias". Sei que ele também "bebeu" muita informação nas nossas conversas sobre história local à mesa do café. 

Felizmente o Luís não se ficou apenas pelas conversas e quis ir mais longe, quis viajar no tempo e saber que Ginjal era, o que existia há cem anos (para não recuar mais no tempo, coisa que ele faz nesta obra, com um rigor assinalável). E o resultado é um belo livro, que nos satisfaz todas as curiosidades, porta a porta, contando a história das gentes e dos lugares, que estão por detrás de cada "número de polícia"...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


domingo, fevereiro 18, 2024

A Reportagem é (naturalmente) diferente do Ensaio...


Comprei a revista "Sábado" esta semana porque a capa me deixou curioso, graças ao título maior, dedicado à "fantástica saga da Família Theotónio Pereira".

Embora conhecesse a "saga", pensei que poderia aprender mais alguma coisa, com a leitura. 

Compreendo que a reportagem tenha enveredado pelo "fantástico", até porque percebe-se que o objectivo era elevar esta família, sempre fiel ao Estado Novo (o arquitecto Nuno Teotónio Pereira foi a excepção que confirmou a regra...). Não é por acaso que todos os testemunhos são de familiares.

Almada é devedora da família, tal como a família é devedora de Almada, pois foi na nossa Banda que ela cimentou os seus negócios do vinho, do azeite e do vinagre. E sim, penso que Luís Theotónio Pereira foi um bom presidente de Câmara.

Mas claro que não foram tão beneméritos como se diz na reportagem, ao ponto de até terem incentivado a criação da Cooperativa dos tanoeiros...

Cooperativa essa que teve de fechar portas por falta de trabalho, pois os empresários do Ginjal decidiram comprar os seus tonéis e pipas nas fabriquetas do Norte do País, e não no Ginjal. Na época não estavam a achar muita piada ao "crescimento" da Cooperativa...

O livro de Romeu Correia, "Os Tanoeiros", explica muito bem a aventura dos cooperantes e o papel nocivo dos "patrões" do Ginjal...


sábado, setembro 30, 2023

O Busto de Romeu Correia nos Jardins do Museu do Teatro


Na manhã de domingo fui ao Museu do Teatro e do Traje, propositadamente para ver o busto de Romeu Correia, da autoria de Francisco Simões, colocado nos seus jardins.

Tudo isto porque um dos meus amigos me disse, com alguma lata: «Aquilo parece-se tudo menos com o Romeu. Pode ser qualquer careca, que não rape o cabelo na totalidade.» Além de sorrir fiquei a pensar que tinha de "ver para crer" (sou muito como S. Tomé)...

E o que encontrei nos jardins foi um busto demasiado grande e um pouco desproporcionado, diga-se de passagem. 

Ao contrário do meu amigo encontrei parecenças com o grande escritor de Almada, mas na minha opinião está longe de ser um trabalho perfeito. 

Mas o que mais me "chocou" foi a Obra de Arte estar colocada na relva, sem qualquer base de apoio. Penso que se tivesse uma base (como todos os outros bustos colocados naquela parte do jardim), ficaria mais "normal"...

Mas é o Romeu que está ali. Sem qualquer dúvida.

Não faço ideia porque razão foi colocado nos jardins deste Museu e não em Almada. Mas isso já são "contas de outro rosário"...

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)


segunda-feira, março 27, 2023

A Descoberta de Um Conto do Romeu de 1951...


Não fazia ideia que o Romeu Correia tinha participado numa pequena antologia de contos (com Fernando Namora, Antunes da Silva, Alberto Pimentel), no já longínquo ano de 1951, da Colecção Horizonte. É também oferecida juntamente com os contos uma pequena litografia de Manuel Ribeiro de Pavia (ainda em bom estado, tal como o livro que não ultrapassa as sessenta páginas.

A história que ele conta tem como título, "A Tampa do Bule". Tudo indica que é autobiográfica, que aborda a separação do pai e da mãe, onde a figura central é o António, um menino de sete anos, cuja idade faz com que os adultos tentem que ele passe um pouco ao lado de todo aquele drama...

Mais uma bela surpresa, descoberta por aí...


sexta-feira, fevereiro 17, 2023

"Uma Sereia Chamada Ermelinda"


Nos anos em que ando mais envolvido com projectos literários, leio menos.

O mais curioso, é esta quase pausa, começar logo em Janeiro, mesmo que no começo do ano ainda tenha bastante disponibilidade para ler.

Este mês pensei que talvez seja possível "fintar" esta quase paragem com a escolha de livros mais pequenos e interessantes... A minha primeira escolha foi a peça de teatro "Uma Sereia Chamada Ermelinda", da autoria de Alexandre Castanheira (lida em dois "actos"...). O mais curioso, foi ter assistido à peça em 2011 (ano da edição do livrinho que me foi oferecido pelo autor...), que se baseava no romance autobiográfico, "Cais do Ginjal", de Romeu Correia, encenada pela Associação Manuel da Fonseca, e nunca a ter lido.

Gostei de ler a peça, porque Alexandre Castanheira não se cinge ao "Cais do Ginjal" (pelo menos foi o que senti...), há por ali pequenas coisas dos "Tanoeiros", do "Tritão" e até de obras biográficas, como a história de vida de Armando Arrobas, que Romeu quase imortalizou.

E tem também uma forte componente de resistência e consciencialização política, através da Ermelinda, que é muito mais que uma "sereia"...

Foi bom reviver lugares e personagens (dentro e fora dos livros), numa obra que tem uma dedicatória muito singular e pessoal...

(Texto publicado inicialmente no "Largo da Memória", mas por falar do Ginjal, fazia sentido trazê-lo para cá...)


sexta-feira, julho 02, 2021

terça-feira, novembro 17, 2020

No Dia em que Romeu Correia faz Anos...


No dia de anos de Romeu Correia (já são 103...), publicamos o folheto da festa de homenagem promovida pelo Município de Almada, na Academia Almadense (com uma bonita capa, com uma aguarela de Carlos Canhão).

Além de uma exposição sobre a vida e obra de Romeu Correia, foi apresentada a sua biografia, escrita por Alexandre M. Flores e houve também um espectáculo musical com as canções e os poemas do disco "Luísa Basto canta Romeu Correia".

(encontrámos este folheto no lixo, junto de outros materiais importantes sobre a história de Almada, que faziam parte do espólio de Abrantes Raposo)


segunda-feira, março 09, 2020

Uma Grande Mulher e uma Grande Campeã de Almada


Hoje é um dia especial, porque se comemora o centenário do nascimento de Almerinda Correia, que não se limitou a ser a companheira da vida inteira de Romeu Correia, a grande referência literária do Concelho de Almada.

Almerinda foi um dos grandes exemplos da emancipação da mulher, na Vila onde viveu e num país onde tudo tardava a chegar, até a democracia, que andou "perdida" durante 48 anos... 

Por influência do marido começou a praticar desporto, tornando-se em pouco tempo uma das melhores lançadoras do peso, disco e dardo, do nosso país (foi várias vezes campeã nacional com a camisola do Almada Atlético Clube).

Além de andar de calções pela Vila de Almada (quando ia treinar com o marido), também foi uma das primeiras mulheres a usar calças, que ela própria confeccionava, não fosse ela costureira (foi a principal fonte de inspiração para o romance de estreia do Romeu, o "Trapo Azul"...).

terça-feira, dezembro 17, 2019

Fernando Lemos e Romeu Correia

Fernando Lemos, fotógrafo, artista plástico, poeta e desenhador gráfico, deixou-nos hoje, com 93 anos, em São Paulo, a sua Cidade adoptiva. 

Vivia há mais de sessenta anos no Brasil, para onde partiu nos anos 1950, porque não quis ser, mais uma vitima da ditadura salazarista.


A sua fotografia foi descoberta há poucos anos no nosso país, porque entre 1949 e 1952 foi fotografando os amigos, com alguma originalidade. Amigos esses ligados às artes e letras. Um deles foi o escritor almadense, Romeu Correia. 

No ano do centenário do seu nascimento escrevi um "poema-legenda", de uma das fotos que Fernando Lemos lhe tirou e que publico (a fotografia e o poema) com a devida vénia aos dois artistas...

As Tuas Mãos

As tuas mãos que escrevem
as tuas mãos que esgrimem
as tuas mãos que abraçam
as tuas mãos que contam...

São um bem precioso.

São explicação
são aventura
são trabalho,
são ternura...

As tuas mãos são a tua vida.


(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, maio 17, 2018

Romeu Correia, entre dedicatórias & aproximações


Um dos poemas do caderno, "romeu correia, entre dedicatórias & aproximasções", é a "visita guiada", num percurso familiar ao "Casario":


visita guiada

a visita começou em Cacilhas
a bonita terra dos “orelhudos”
e de tantas outras maravilhas
que não davam espaço a sisudos

com a tua arte de contador de histórias
falaste do Arrobas, do Elias Garcia
e de tanta gente de felizes memórias
utilizando alguns pós de fantasia

depois vieram os lugares mágicos
que não trouxeram apenas encanto
focaste os acontecimentos trágicos
salvos por um ou outro “santo”

quando abriste a porta dos restaurantes
sentimos o aroma das belas caldeiradas
convocaste mais personagens apaixonantes
que na tua voz se tornaram encantadas

depois caminhámos em direcção ao “Rio-Mar”
era ali que começava e acabava o Ginjal
com tantas aventuras para contar
e quase sem darmos por isso,
estávamos no Ponto Final

Luís [Alves] Milheiro


sexta-feira, dezembro 01, 2017

A Minha Quarta Edição de "Bonecos de Luz"...


Hoje fui surpreendido com a primeira edição do romance "Bonecos de Luz" de Romeu Correia, que não conhecia... Editado pela Arcádia em 1961.

Pensava que me iriam pedir uma "pequena fortuna", mas pediram-me apenas uma nota de cinco euros. 

Não ligaram muito às palavras escritas a lápis logo na primeira página do livro (1.ª Edição), muito menos teriam conhecimento de que neste ano de 2017 se comemora o centenário do seu nascimento...

E se quisesse levar o caso para o mundo da ficção até poderia "inventar" que o livro fora ali colocado, estrategicamente, só com um intuito: o de eu o trazer para casa.

sexta-feira, novembro 24, 2017

Há Horas de Sorte...

Hoje apareci na Sala Pablo Neruda do Forum Romeu Correia às 18 horas, para assistir a mais uma conversa sobre as facetas de Romeu Correia, com o professor Duarte Ivo Cruz (convidado para falar sobre o dramaturgo e o teatro de Romeu Correia) e com o jornalista Ribeiro Cardoso (convidado para falar do autor mais representado por amadores).

Infelizmente (para quem não compareceu) e felizmente para a meia-dúzia de pessoas que formaram uma mesa redonda (a Alexandra, a Edite, o Gabriel, a Maria João a Sónia e eu) com os dois excelentes interlocutores, passámos quase duas horas num ambiente de grande cumplicidade e camaradagem à volta do Romeu, do seu teatro, dos seus livros e também de outras curiosidades, bem vindas à conversa.

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, novembro 22, 2017

O Desporto na Vida de Romeu Correia...


No sábado vamos recordar o Romeu Desportista, no Complexo Municipal dos Desportos Cidade de Almada...

sexta-feira, novembro 17, 2017

Dia de Romeu Correia

Hoje é o dia em que se comemora o centenário do nascimento de Romeu Correia, que abriu os olhos pela primeira vez, em Cacilhas, a 17 de Novembro de 1917.

As homenagens vão suceder-se hoje, amanhã e depois (em alguns casos quase que se atropelam...).

Uma das mais significativas de hoje é a edição de uma das várias peças que nos deixou, inéditas. Falo de "A Comédia dos Maus Costumes", que será apresentada hoje ao fim da tarde, na Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia e penso que editada pelo Município de Almada.

domingo, novembro 12, 2017

As Tuas Mãos


As tuas mãos que escrevem
as tuas mãos que esgrimem
As tuas mãos que abraçam
As tuas mãos que contam…

São um bem precioso.



  
São explicação
São aventura
São trabalho,
São ternura…

As tuas mãos são a tua vida.


Poema de Luís [Alves] Milheiro

Fotografia de Fernando Lemos

(poema que faz parte da exposição, "Romeu Correia, Entre Palavras, Olhares e Sonhos", patente na sede / galeria da SCALA em Almada)