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sábado, junho 20, 2026

Aqui estou eu: Carlos Gomes cidadão almadense noventa anos de idade


Aqui estou eu: Carlos Gomes
cidadão almadense noventa anos de idade
 
 
Conta-se facilmente a minha história
Almada é a minha terra, foi aqui que nasci e cresci
Recordo com emoção as ruas com memória
Lembro-me dos amigos que nunca esqueci
Olho para tudo, com um sentimento de vitória
Sinto-me satisfeito com o bom e o mau que vivi
 
Lutei bastante, por mim e pelos meus,
Umas vezes com sacrifício e peso no coração
Inventei caminhos sem esperar qualquer Deus,
Sei que segui, quase sempre, a força da razão

Dei, mas também recebi, muito, nesta vida
As viagens deram-me mais mundo e conhecimento
 


S
onhei sempre, mas sem parar no tempo
Ilusões, tive algumas, mas nada que soasse a fantasia.
Livre de amarras, andei contra e a favor do vento
Vi e vivi coisas que me deixam com nostalgia mas
Abraço a vida sem soltar qualquer lamento
 
Gratidão foi uma palavra que nunca me abandonou
Ontem, hoje, amanhã, foi, é, bom viver em liberdade
Mas nunca esqueci a importância do dinheiro e o
Empreendorismo foi a forma de olhar para a realidade
Sem ter medo de me sentir um Cidadão Inteiro.
 
 
Luís [Alves] Milheiro

(Fotografias do arquivo de Carlos Gomes)


quinta-feira, dezembro 28, 2023

A importância de manter vivo o "jovem" que está dentro de nós...


Há pessoas que podem envelhecer fisicamente, mas nunca deixam fugir o jovem que continua bem vivo dentro deles.

E ainda bem, Se puderem, continuam a ser criativos, como é o caso de uma mulher que tem a idade da minha mãe e que continua com tanta poesia dentro de si.

Estivemos alguns minutos juntos antes do Natal. Não deu para meter toda a conversa em dia, mas mesmo assim, foi bom. Até porque ela presenteou-me com as suas últimas criações, que são um excelente exemplo de poesia ilustrada.

É também por isso que desejo que a Clara continue, sempre, com esta vontade de criar...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, maio 20, 2023

A Minha Viagem "Pelos Caminhos da Poesia" de Manuel Várzea junto à Incrível


Hoje passei uma tarde diferente, na rua Capitão Leitão, junto à Incrível Almadense.

Aceitei o desafio de apresentar o livro, "Pelos Caminhos da Poesia", da autoria de Manuel da Várzea (o outro lado do médico Rui Melancia...), que foi antecedido de uma sessão de "Poesia Vadia", que não foi muito concorrida, provavelmente por esta ter viajado do Salão de Festas da Incrível para o palco que a União de Juntas de Freguesia de Almada montou na rua Capitão Leitão, em frente ao "Cine-Incrível".

Já não estava habituado a estes desafios poéticos e culturais, por duas razões: devido à pandemia (curiosamente os poemas deste livro foram escritos durante o tempo em que fomos "dominados" pelo covid 19...), que alterou bastante os nossos hábitos de vida, que teimam em não voltar ao "antigamente", e também por estar afastado do associativismo.   

Mas as sensações foram boas. Além de ter estado com pessoas que não via há já algum tempo, também gostei de estar ali, junto à Incrível, a falar de poesia, de um livro e de um poeta.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, março 21, 2023

"A única coisa que sei, é que era Liberdade"



A única coisa que sei, é que era Liberdade 

Olho para trás, sem virar o pescoço.
Bebo o café com mais prazer
porque sinto que estou acompanhado, 
por quase uma dúzia de amigos
que já não há.

Não sei se era poesia.
Talvez não. Era um misto de sensações,
onde cabia uma anedota e um pedaço de história,
um sorriso com e sem espanto.

Olho para trás, continuo sem mexer o pescoço.
Finjo desconhecer
se incomodávamos, ou não, os outros
plantadas nas mesas em redor.
Provavelmente sim.
Uns com inveja de não ter uma "tertúlia"
outros incapazes de ler o jornal sem silêncio.

Não digo que fosse melhor ou pior
era sim um tempo diferente,
as pessoas gostavam mais de conversar
de ler jornais e de conhecer os livros por dentro.

Olho para trás, sem conseguir mexer o pescoço.
Sem fazer contas com os dedos
sei que nesses anos noventa
havia menos dedos e mais tertulianos.
Hoje sobram tantos dedos...

Não resisto a dizer
que éramos mais livres.
Falávamos de tudo e mais alguma coisa.
O café era igual ao país,
muito, muito mais democrático.

Continuo sem saber se era poesia
o que se colava à nossa mesa.
A única coisa que sei, é que era Liberdade. 

Luís [Alves] Milheiro


(não sei se é poema, sei apenas que é a minha homenagem aos meus amigos tertulianos, que me receberam de braços abertos no "Repuxo" e foram fundamentais para conhecer e gostar da Almada da história e das culturas...) 


sábado, outubro 01, 2022

O Outubro "Incrível" em Almada


Almada festeja mais uma vez o aniversário da Incrível Almadense durante o mês de Outubro. E começa a ser um número quase digno do "guiness", pois a nossa Colectividade comemora o seu 174. º aniversário.

Por andar atarefado com outras coisas, acabei por saber, por intermédio de uma terceira pessoa (passei por lá para lhe entregar um documento e também para lhe oferecer livro de poesia que ilustra este texto), que hoje à tarde se realizava uma "Sessão de Poesia Incrível", no Salão de Festas da nossa Colectividade.

E por ser da Incrível e de poesia que falamos, não posso deixar de recordar o livro que coordenei, juntamente com o meu amigo Carlos Guilherme, em que fizemos a recolha de todos os poemas (que encontrámos...) que fossem dedicados ou falassem da Incrível Almadense.

Chama-se "A Incrível e a Poesia Através dos Tempos (1884-2012)" e foi editado em 2012 com 139 poemas de dezenas de Incríveis. 

Poemas que atravessam três séculos, tal como a "Incrível" Sociedade Filarmónica Incrível Almadense.


quarta-feira, maio 11, 2022

Coisas da Toponímia Almadense (um)


Sei que não se trata de uma história virgem da toponímia almadense, esta placa de uma rua da freguesia da Sobreda de Caparica (próximo da piscina municipal), mas podia ser perfeitamente evitável, se as pessoas que escolhem os nomes das ruas, metem-se de uma vez por todas nas suas cabeçinhas, que há nomes que não podem ser abreviados ou reduzidos. 

E se se tratar de um artista ou literato, corre-se o risco de deixar as pessoas a pensarem que até poderá "ser outra pessoa"...

Pois é, não existe nenhum poeta chamado António Lisboa, nascido em 1928 e falecido em 1953. Existe sim António Maria Lisboa, poeta surrealista, que nos deixou com apenas 25 anos de idade e que foi considerado por Mário Cesariny e Luiz Pacheco, um dos nossos grandes poetas surrealistas, apesar de ter deixado uma obra reduzida (Mário Cesariny organizou "Poesia", uma antologia com os seus poemas, editada pela Assirio & Alvim).

(Fotografia de Luís Eme - Sobreda)


segunda-feira, março 21, 2022

A "Esperança" de Anyana


O que mais precisamos nestes tempos, é de esperança. Foi por isso que escolhi este poema de uma grande amiga, que já não está entre nós, Anyana, poeta e pintora cacilhense.


Esperança
 
Céu azul
Sol a brilhar,
Seres namorando
Belos momentos passando
E o mundo segue a rolar
E a vida a correr
Sempre e sempre mais veloz
Os cabelos a embranquecer
O corpo a enfraquecer
Aos poucos dentro de nós
 
Mas algo continuará
A terra germinará
E sua seiva e seu calor
Darão fruto darão flor
E o que não morre nunca
            O AMOR!
 
                                                           Anyana


(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


domingo, março 21, 2021

Nosso Farol



Nosso Farol
 
Ante-Âmbolo de nossa infância,
Mirante dos nossos sonhos,
Luz guardiã da esperança
Que embalou nossos anos mais risonhos.
Ex-libris dum lugar harmonioso
Lá no alto, como grande e distinto senhor,
Como um verde mastro
Elevado e orgulhoso
Te mantiveste erecto,
Altivo em teu labor,
De cintilante brilho te revestiste,
Abrindo em tua luz-verde-esmeralda
Os caminhos do rio, que te embalou
E, em ti viveu...
E, um dia sem aviso
Te arrancaram p’la raiz,
E o lugar, que contigo foi feliz
Assim ficou castrado e entristeceu.
A tua formosa luz se apagou,
Murchou p’ra sempre
Vivendo hoje somente
Em nossa saudosa mente...
 

 Anyana

(Poema escrito por uma poetisa natural de Cacilhas, que já não está entre nós. Pensamos que nos anos 1990... antes do regresso simbólico do Farol a Cacilhas)

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)

domingo, maio 31, 2020

"O Fotógrafo da Névoa"



                                                           (ao Fernando Barão)


O Fotógrafo da Névoa

Quando ouve a ronca do Farol
sente que o chamam no cais
para tirar retratos sem Sol
de belas paisagens fluviais

Prepara tudo com cuidado
a "kodak" é uma caixa de surpresas
que às vezes o deixa abismado
por o deixar fixar tantas belezas

A sua Isabel fica ao balcão
ele lá vai, atrás do nevoeiro
movido pela sua outra paixão-

Quem o olha, ali rente ao rio
ignora aquele artista de corpo inteiro
capaz de arrancar beleza até do vazio.

[Luís (Alves) Milheiro]


(Fotografia de Fernando Barão - Cacilhas)

sábado, abril 25, 2020

"Os Cravos de Abril"

E se nascessem cravos nas encostas do Ginjal (não seria nenhum "fenómeno do entroncamento", bastaria semeá-los...)? Era no mínimo, uma beleza...

Porque hoje se festeja a Liberdade e a Revolução, oferece-vos mais um poema e uma fotografia da minha exposição, "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras":

Os Cravos de Abril

Sei que OS CRAVOS DE ABRIL
podem nascer em qualquer lugar
graças à luz e ao calor primaveril
que também se reflecte no nosso olhar

Sei que OS CRAVOS DE ABRIL
são as balas da nossa Revolução
que de tão pacíficas e certeiras
tocaram-nos em cheio no coração.

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sexta-feira, abril 24, 2020

"Cravos Caídos"


Em 2014 fiz uma exposição individual de fotografia ilustrada, com Cravos (sempre presentes), algum Tejo e também algum Ginjal. Chamei-lhe "Cravos da Liberdade - Fotografias com Palavras".

Todos os que passaram em Abril pelo "Espaço Doces da Mimi", em Almada, puderam vê-la...

Cravos Caídos

CRAVOS CAÍDOS
na praia que foi de pobres e vagabundos
quase sempre abandonados e esquecidos
em todas as "guerras dos mundos"...

CRAVOS CAÍDOS
na praia que foi das lavadeiras
que presas aos seus trabalhos doridos
passaram por ali as vidas inteiras.


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

sábado, março 21, 2020

Por Aqui (Ginjal)


Todo o Ginjal é um "livro de poesia"...


Por Aqui (Ginjal)

Todos os que saem à rua
recebem o abraço do Sol
até ao final do dia
e se esperarem pela noite
também recebem
um beijo estrelado da Lua...

(Luís (Alves) Milheiro


(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


terça-feira, dezembro 17, 2019

Fernando Lemos e Romeu Correia

Fernando Lemos, fotógrafo, artista plástico, poeta e desenhador gráfico, deixou-nos hoje, com 93 anos, em São Paulo, a sua Cidade adoptiva. 

Vivia há mais de sessenta anos no Brasil, para onde partiu nos anos 1950, porque não quis ser, mais uma vitima da ditadura salazarista.


A sua fotografia foi descoberta há poucos anos no nosso país, porque entre 1949 e 1952 foi fotografando os amigos, com alguma originalidade. Amigos esses ligados às artes e letras. Um deles foi o escritor almadense, Romeu Correia. 

No ano do centenário do seu nascimento escrevi um "poema-legenda", de uma das fotos que Fernando Lemos lhe tirou e que publico (a fotografia e o poema) com a devida vénia aos dois artistas...

As Tuas Mãos

As tuas mãos que escrevem
as tuas mãos que esgrimem
as tuas mãos que abraçam
as tuas mãos que contam...

São um bem precioso.

São explicação
são aventura
são trabalho,
são ternura...

As tuas mãos são a tua vida.


(Fotografias de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, abril 24, 2019

Albino Moura Partiu na Primavera...


Quando chegámos a casa, na segunda-feira, fomos informados do desaparecimento de Albino Moura, um dos grandes pintores de Almada.

Embora Albino fosse reconhecido sobretudo como o "pintor das gordas" (dentro e fora do país), ele foi muito mais que isso, como facilmente se pode comprovar, se viajarmos no tempo com a sua obra.

Sabíamos que Albino Moura não usava a poesia apenas nas suas telas e no papel, também gostava das palavras...

Foi por isso que escolhemos o seu óleo, "A Mensageira da Primavera", para ilustrar esta pequena homenagem, e também  a quadra da sua autoria, "Primavera:

Cheira a vento, 
o sol cheira a Primavera.
Canta o vento,
sopra a Primavera.

domingo, março 24, 2019

"Pelos Trilhos da Poesia", com Américo Morgado...

Foi mais uma vez, uma honra, estar ao lado dos professores Américo Morgado e Elisa Araújo, o autor e a apresentadora da obra poética, "Pelos Trilhos da Poesia", que foi lançada onde à tarde, na Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia. 

São gente grande da Cultura Almadense!

Deixo aqui um dos poemas do novo livro de Américo Morgado:

Ser Árvore

Aquela árvore
monumentalidade
ramos ao alto
azul entre espaços, a luz
e gotas d' água suspensas
nas folhas.
Sou eu na intimidade da imagem
refúgio onde me escondo e revelo.


(Fotografia de Luís Eme)

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Adeus Lisboa

[...]     
Vou até à Outra Banda
no barquinho de carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
[...]

António Gedeão (do poema "Adeus Lisboa")

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, janeiro 09, 2019

"O Futuro do Passado"


"O Futuro do Passado" é uma exposição no mínimo curiosa, que está patente ao público na sala principal de exposições da Casa da Cerca, em Almada.

Oferece-nos a conjugação de trabalhos de Amadeo de Souza-Cardoso, Ana Jotta, Jorge Queiroz e Matilde Campilho.

E pode ser visitada até 3 de Março...

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, setembro 05, 2018

3ª Exposição de Poesia Ilustrada da SCALA

Irei participar mais uma vez na Exposição de Poesia Ilustrada organizada pela SCALA (a terceira), que será inaugurada no próximo sábado, às 16 horas, com alguns poemas e fotos.

quinta-feira, maio 17, 2018

Romeu Correia, entre dedicatórias & aproximações


Um dos poemas do caderno, "romeu correia, entre dedicatórias & aproximasções", é a "visita guiada", num percurso familiar ao "Casario":


visita guiada

a visita começou em Cacilhas
a bonita terra dos “orelhudos”
e de tantas outras maravilhas
que não davam espaço a sisudos

com a tua arte de contador de histórias
falaste do Arrobas, do Elias Garcia
e de tanta gente de felizes memórias
utilizando alguns pós de fantasia

depois vieram os lugares mágicos
que não trouxeram apenas encanto
focaste os acontecimentos trágicos
salvos por um ou outro “santo”

quando abriste a porta dos restaurantes
sentimos o aroma das belas caldeiradas
convocaste mais personagens apaixonantes
que na tua voz se tornaram encantadas

depois caminhámos em direcção ao “Rio-Mar”
era ali que começava e acabava o Ginjal
com tantas aventuras para contar
e quase sem darmos por isso,
estávamos no Ponto Final

Luís [Alves] Milheiro