E é um bocado assim. Penso que isso tem muito a ver com o meu papel de historiador local. São as pessoas antigas que nos conseguem levar com mais facilidade ao tempo que já não existe...
E talvez também eu seja um "sujeito antigo", embora não se note tanto, fisicamente.
E foi assim que uma manhã destas, ao passar pela esplanada do "Café Central", encontrei o Joaquim a ler o jornal, atentamente, numa das suas mesas. Tirei-lhe um retrato e depois fui cumprimentá-lo, agradado por ver que ele continuava interessado em saber como vai o mundo, com as notícias de papel.
Disse-me que sim, com um sorriso, que ainda não tinha desistido do mundo, mesmo com as suas noventa e quatro primaveras e as mazelas normais de quem vive mais do que estava à espera...
(Fotografia de Luís Eme - Almada)







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