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quinta-feira, outubro 24, 2024

Os treinos da GNR na Lisnave, nestes dias estranhos e violentos...


Comecei a ouvir gritos e barulho de confusão, do exterior da minha casa, que me davam a sensação de serem de qualquer "recreio de escola", pouco habituais. 

Quando vim à janela reparei que a Lisnave estava com mais movimento do que o costume. Estava povoada de viaturas da GNR e de guardas (alguns disfarçados de bandidos...), que imitavam a realidade dos últimos dias, ensaiando distúrbios com a respectiva resposta das forças de autoridade.

Acho positivo este treino, até porque a "confusão" junto dos bairros problemáticos, parece ter vindo para ficar (quase sempre de forma gratuita e sem justificação). E os agentes e guardas da autoridade têm de estar, cada vez mais preparados, para enfrentar todo o género de bandidos.

Mas não deixa de ser curioso, os fins usados pelos velhos armazéns e docas da Lisnave (cada vez mais em ruínas), desde a publicidade, passando por filmes, e acabando agora, com treinos "anti-motim" (e não falo das "corridas de carros").

As coisas que descubro da minha "varanda indiscreta"...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quinta-feira, abril 23, 2020

Uma Cidade, um Livro, um Amigo...


Morava em Almada há meses, sem qualquer referência familiar, associativa ou cultural, nesta cidade. Era um quase perfeito "anónimo".

Claro que não vim morar para esta Cidade, apenas porque sim. Tinha feito 25 anos e queria "fixar-me", ter o meu canto. Os meus pais, mesmo à distância de cem quilómetros, apoiaram-me de imediato.

Por razões profissionais a Margem Sul era uma boa opção, mas não podia ficar muito longe da Capital... Sabia que não queria ir viver para a Cruz de Pau ou para o Miratejo, por exemplo. Depois de ter visto duas ou três casas, levaram-me pela primeira vez à Quinta da Alegria. Gostei logo do lugar, daquela encosta virada para o Rio (nem pensei nos inconvenientes da Lisnave, que ficava em frente...).

Depois, já no interior do apartamento, que ainda estava em construção, fiquei maravilhado com a vista da janela da sala e pensei: "que bom, tanto Tejo..." 

Havia ainda outra vantagem, a pé, estava a dez, doze minutos do cais de Cacilhas, com a travessia do Rio, a vinte de Lisboa. E por aqui fiquei, há já trinta e três anos...

As palavras são assim, queria falar de um livro e de um amigo e onde já vou (e até me devo estar a repetir, mas isso é o que menos interessa)...

Pois, queria dizer eu de que... meses depois, andava eu a "vagabundear" no interior da Barateira - a mais espaçosa loja de livros usados que conheci -, quando descobri os "Desportistas Almadenses" (primeiro volume), uma obra que me chamou logo atenção, porque o desporto sempre fizera parte da minha vida, e na época, também profissionalmente.

Longe estava eu de pensar que seis anos depois, entrevistaria o autor da obra (para o "Record"), e ganharia um amigo, dos melhores que conheci pela vida fora: Henrique Mota, que fará em Setembro cem anos.

Por hoje ser o Dia do Livro, não posso esquecer que, depois de crescido, foram os jornais e os livros que me ofereceram mais amigos pela vida fora...

domingo, setembro 29, 2019

O Museu Naval e a Lisnave


No fim da tarde de sexta feira assisti à apresentação do catálogo da exposição, "Pórtico de Identidade. A Lisnave em Almada", patente numa das salas do Museu Naval de Almada há já vários meses (e que merece a visita dos almadenses e de toda a gente que se interessa por história...).

Como me perco quase diariamente por aquelas paragens (o Museu fica depois da Fonte da Pipa, a caminho do Olho de Boi...), conheço bem o Museu (ao contrário da maior parte dos almadenses, que nunca por lá passou...).

Embora a sua localização não seja desculpa para que este não seja visitado, é verdade que está longe de ser um local de passagem...

Não sei se alguma vez verei a "Cidade da Água" (já passaram mais de vinte anos desde os primeiros projectos...), mas era boa ideia existir por lá um núcleo do Museu Naval, até por esta ficar nos mesmos terrenos onde esteve implantado aquele que foi um dos maiores estaleiros navais do mundo...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)

quinta-feira, maio 16, 2019

A Cidade da Água de Almada...

A famosa "Cidade da Água é uma história já com vinte anos...

«O Estado comprometeu-se a criar o devido enquadramento legal que permitisse ao Fundo avançar com uma intervenção urbanística na Margueira. mas tal nunca aconteceu. Apesar dessa lacuna em 1999 e em 2001 ficaram célebres os “projectos” apresentados e denominados “Manhattan de Cacilhas” dos arquitectos Manuel Graça Dias  e Egas José Vieira e a Torre biónica, de Javier Pioz e Rosa Cervera, entre outras variações mediáticas.»

(notícia de Cristina Vargas do “Diário de Notícias”, de 19 de Dezembro de 2002)

«Foi apresentado esta terça-feira em Almada aquele que é considerado o maior projeto de requalificação urbana do país desde a Expo 98.
Nos antigos terrenos da Lisnave vai nascer a Cidade da Água, para onde está prevista a construção de casas, comércio, serviços, espaços culturais, uma marina, um terminal fluvial, um novo hotel, um museu e um centro de congressos.»

                                     (notícia de Ana Sanlez, do “Diário de Notícias” de 14 de Maio de 2019)

É verdade, já passaram vinte anos, desde o primeiro projecto, as famosas torres da nova "Manhattan de Cacilhas", ou seja, o nascimento da "Cidade da Água" já é um renascimento...

(Fotografia der Luís Eme)

terça-feira, dezembro 04, 2018

A Lisnave no Museu Naval

O Museu Naval no Olho de Boi  inaugurou na segunda metade do mês de Novembro a exposição, "Pórtico de Identidade, a Lisnave em Almada".

É uma exposição identificativa dos estaleiros, embora na minha opinião não consiga dar a verdadeira dimensão dos estaleiros (era maior do que transparece...). Mas não deixa de ser uma boa homenagem à maior empresa de sempre do concelho de Almada.

Trata-se de uma exposição de longa duração, ficará pelo Olho de Boi largos meses, com toda a certeza...

(Fotografia de Luís Eme)

domingo, outubro 14, 2018

Rui Madeira deu Espectáculo na Lisnave

Se houve alguém que deu espectáculo na  pista improvisada da Lisnave, durante o dia de ontem, foi Rui Madeira, um dos grandes pilotos da história do automobilismo almadense.

(Fotografia de Luís Eme)

sábado, outubro 13, 2018

Lisnave Volta a ter Vida (por um só dia...)

A organização do "Almada Extreme Sprint" no território da antiga Lisnave teve no mínimo uma virtude, voltou a dar vida a este lugar, completamente abandonado há quase duas décadas.


A entrada livre possibilita ao público ver os carros de corrida a acelerarem pelas estradas largas e livres, mas também o espaço e os armazéns, completamente subaproveitados, e os  vestígios, a caminho da ruína, daquele que foi um dos grandes estaleiros navais europeus...

(Fotografias de Luís Eme - na primeira podem ver-se os carros do piloto almadense, Rui Madeira, que foi campeão do mundo de ralis na sua categoria, que apadrinhou e participa na prova)

terça-feira, março 10, 2015

Não Sei se nos Outros Países Também é Assim...



Este abandono que nos persegue, cada vez em mais ruas, faz com que me interrogue, se este fenómeno também acontece por essa Europa fora.

Acredito que não. Lembro-me da primeira vez que saí do país, com dezoito anos, e logo de visita à nossa "querida" Alemanha, onde era impossível encontrar um papel no chão... Talvez as coisas já não sejam tanto assim, com a reunificação das duas alemanhas, mas...

Mas não acredito que se abandonem lugares como a Lisnave e se deixem entregues ao vazio do tempo, à pilhagem e ao vandalismo.

domingo, setembro 22, 2013

As Margueiras



Ontem foi apresentado publicamente o livro, "As Margueiras - Contributo para a História de Cacilhas", editado pela Associação O Farol e pela Junta de Freguesia de Cacilhas.

É uma obra bonita e com bastante interesse para as gentes cacilhenses, tanto para os que ainda conheceram as Margueiras Nova e Velha, como para aqueles que agora passam a conhecer a história do espaço físico que é hoje ocupado pela Lisnave, pelo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas e também por parte do aglomerado urbano da parte esquerda, no começo da avenida 25 de Abril, em Cacilhas.

A obra coordenada por Henrique Costa Mota (com o apoio de Modesto Viegas e Luís Bayó Veiga) foi apresentada pelo meu amigo Fernando Barão e contou com a colaboração de muita gente ilustre de Cacilhas, alguns já desaparecidos, como foi o caso de outra grande amiga, a Idalina Alves Rebelo, que além  de ter dado o seu testemunho em prosa, também nos ofereceu um bonito poema, que foi lido na sessão de lançamento pela poetisa, Maria Gertrudes Novais (e uma das suas pinturas de Cacilhas na contracapa). 

sábado, setembro 14, 2013

É Hoje


O lançamento do livro/ catálogo, "Lisnave, Uma Viagem no Tempo" realiza-se hoje, às 17 horas, no auditório da Escola Cacilhas-Tejo.

A apresentação é do escritor almadense, António Neves Policarpo (que ainda ontem à noite apresentou a sua última obra em Almada, a segunda edição do livro, "Memórias da Nossa Terra e da Nossa Gente").

Se puderem apareçam.

sexta-feira, setembro 13, 2013

Depois...


«Os trabalhadores da LISNAVE que contactámos, não conseguiram esconder a nostalgia e o desencanto que sentem, por verem os estaleiros completamente abandonados, a caminho da degradação total.

Muitos continuam a pensar que os estaleiros poderiam ter continuado a laborar na Margueira. Não com os serviços de “decapagem” (nocivos para o ambiente e para a saúde), mas apenas como estaleiro de reparação naval. Poderia oferecer trabalho a muita gente necessitada, nestes tempos em que o desemprego tem atingido números impensáveis no nosso País…»

(O texto é meu e a fotografia do João Soeiro)

quinta-feira, setembro 12, 2013

Durante...


«Ultrapassados os percalços normais dos primeiros meses, que surgem em qualquer grande empreendimento, os anos seguintes de laboração revelaram-se de grande sucesso, com o aumento encomendas e também de funcionários. De 1967 até 1974, o número de operários dos estaleiros quase que duplicou.

A LISNAVE era praticamente uma cidade dentro de outra cidade, a funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano…»

(o texto é meu e a fotografia de João Soeiro)

terça-feira, setembro 10, 2013

Antes...


«Antes de se pensar na construção da LISNAVE na Margueira, toda aquela zona fazia parte dos planos do Ginásio Clube do Sul, para a construção do tão sonhado Posto Náutico do Clube de Cacilhas, que nos seus primeiros anos de vida teve uma forte ligação com o Rio.

E até contava com os apoios do Município de Almada e da Administração do Porto de Lisboa, que algum tempo depois acabaram por se “render” ao projecto de um grande estaleiro naval naquele local, ficando o Posto Náutico, adiado, até aos nossos dias…»

A fotografia é do João Soeiro e faz parte do livro, "Lisnave, Uma Viagem no Tempo", tal como o texto transcrito, da minha autoria.

segunda-feira, setembro 09, 2013

"Lisnave, Uma Viagem no Tempo"


Está é a capa do Livro/ Catálogo, com textos da minha autoria e fotografias de João Soeiro, que será apresentado em Cacilhas, no próximo sábado.

Será tema de conversa durante esta semana aqui no "Casario".

Começo por publicar o texto que escrevi para a contracapa:

«A LISNAVE não foi apenas um empreendimento gigantesco, que rasgou o Tejo, colocou Portugal no “mapa-mundo” da indústria naval e fez crescer todo o Concelho de Almada, particularmente, Cacilhas.

Foi muito mais…

Foi o começo de um sonho para milhares de portugueses, que sentiram que era possível “emigrar” sem sair do país.»
                                                

terça-feira, junho 24, 2008

As Marchas de Almada

Ontem foi noite de S.João em Almada, onde além dos bailaricos populares, houve as já tradicionais, Marchas Populares.

Quem acompanhe as marchas em Almada, nota, ano após ano, uma grande melhoria em praticamente todos os participantes neste concurso.
Há uma grande inovação no guarda-roupa, nos arcos e até na coreografia (já não marcha tudo da mesma forma...). Claro que há três ou quatro grupos que se destacam, onde se percebe que têm como objectivo a vitória, em nome de um bairrismo, que não deixa de ser salutar.
A escolha do local da apresentação (frente à Lisnave) - que talvez ainda seja provisória para o Município -, tem-se revelado o espaço ideal, pelo menos se o compararmos com a Praça S. João Baptista. Há mais espaço para o público e até para os marchantes, além de haver outro ponto de dança, além da tribuna, o que é sempre agradável para as pessoas e também para os participantes, que podem fazer um último ensaio, antes de se apresentarem em frente da tribuna e do respectivo júri.
Embora estas mudanças tenham acontecido devido às obras, conseguiram "democratizar" este evento, o que é sempre de saudar. Só esperamos que assim continue, para gáudio de todos os almadenses e não de apenas os "eleitos"...

quarta-feira, outubro 03, 2007

Almada - Cidade da Água


Este título pode ter várias leituras.
Não o estou a usar com ironia, mas sim com preocupação. Porque o espaço da Lisnave continua sem sofrer alterações (um pouco mais degradado e abandonado...), apesar dos estaleiros da Margueira já terem sido encerrados há mais de seis anos e já terem "dado à luz" vários projectos para o local...
Segundo o "DN" de hoje, a grande prioridade do Fundo Margueira Capital continua a ser encontrar investidores para o projecto Almada Nascente, apresentado ontem durante a Waterfront 2007.
O investimento procurado é de mais de mil milhões de euros e para realizar ao longo de vinte anos...
Pois, não estamos a falar de tostões, mas de mil milhões...
Claro que estes vinte anos também serão vinte cinco ou trinta, porque já passaram os ditos seis anos, e pelo andar da carruagem, vamos ter de esperar mais uns quantos, para se iniciar o projecto.
Tenho pena é que Cacilhas, cada vez mais degradada, continue refém destes sonhos megalómanos, que nem sabemos se poderão ser concretizados, apesar da sua beleza e inovação, porque estamos a falar de valores demasiado elevados...
Ao ouvir falar dos mil milhões de euros para a Cidade da Água, não consigo deixar de pensar no que se poderia fazer, apenas com a milésima parte deste valor, numa localidade tão bonita e abandonada...

quinta-feira, junho 21, 2007

Quando Almada Foi Elevada a Cidade...


Almada foi elevada a cidade há exactamente 34 anos...
Escolhi a caixa de entrada do suplemento especial do jornal "O Setubalense", de 22 de Junho de 1973, para ilustrar esta pequena efeméride.
Segundo a crónica, assinada por Vitor Cláudio, foi um acontecimento histórico...
Nesta altura Almada era uma terra a caminho da modernidade.
Ainda colhia os frutos da construção da Ponte sobre o Tejo, entre Alcântara e Almada, e também da instalação dos Estaleiros da Lisnave na Margueira, em Cacilhas. Estaleiros que chegaram a dar emprego, nos seus tempos áureos, a perto de cinco mil trabalhadores...
Bons tempos para a economia local...

quarta-feira, junho 20, 2007

Retrato de Uma Cidade que Finge Estar em Mudança


Moro há vinte anos em Cacilhas.
Não vim morar para a Margem Sul por acidente. Foi uma escolha pensada.
Além de ter gostado da possibilidade de olhar o Tejo da minha janela da sala, a proximidade de Lisboa acabou por ser decisiva nesta escolha. Ficava apenas a vinte minutos de distância, contabilizados o passeio a pé pelas ruas da freguesia e a viagem de cacilheiro...
É por isso que não aceito que a qualidade de vida na Freguesia onde moro, em vez de ter melhorado, tenha regredido (especialmente na última década).
Cada vez há mais casas em ruínas (do Ginjal nem é bom falar... por isso vou tentar esquecê-lo neste pequeno texto), mais carros em cima dos passeios, mais lixo rente aos contentores... e até as pessoas, estão mais velhas e não houve qualquer tentativa de revitalizar a população, criando condições especiais para que os jovens viessem ou continuassem a viver para Cacilhas.
A Lisnave, por exemplo, fechou há mais de seis anos e continua tudo na mesma. A única coisa que mudou, foi a diminuição de poluição sonora e atmosférica.

Não aceito que o Município só se preocupe com as obras faraónicas projectadas para a Quinta do Almaraz e para o espaço dos antigos estaleiros da Lisnave, que não passam disso mesmo, de projectos de papel, e não faça nada para mudar este retrocesso na qualidade de vida das populações do concelho.
O que me incomoda é saber que, largas centenas de milhões de contos depois, vai existir um Metro de superfície, que embora passe na avenida principal da Freguesia, não vai contribuir, em quase nada, para a melhoria da qualidade de vida dos cacilhenses.
As casas devolutas e em risco de ruir vão continuar a aumentar, tal como a desertificação humana...
Não tenho dúvidas que preferia viver numa localidade que se preocupasse mais com as pessoas e menos com todos estes projectos megalómanos.