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quarta-feira, janeiro 14, 2026

Eu sei que vou acabar por me habituar, mas...


Às vezes acontecem pequenos acasos, agradáveis, nas viagens de cacilheiro, entre as duas margens do "melhor rio do mundo", como são os encontros inesperados com pessoas de quem gostamos.

Foi o que aconteceu na sala de espera do Cais de Sodré, quando descobri as as minhas queridas vizinhas Natália e Rosa. Além de atravessarmos o Tejo, apanhámos o metro e ainda subimos a rua Emília Pomar. Só nos despedimos depois do elevador do nosso prédio parar no terceiro andar...

Como sempre, falámos de várias coisas, até das novas barcas que nos levam para cá e para lá e que funcionam a electricidade.

Se eu achava que os novos nomes das "barcas rectangulares" deviam ser mais simples, elas acharam deliciosa a escolha de aves do rio (mesmo que algumas nos fossem completamente desconhecidas...). Como era o caso particular da "Tarambola-Dourada", o nome da barca que nos levou até Cacilhas, 

Eu sei que vou acabar por me habituar à elegância das aves escolhidas, mas tinha preferido que tivessem escolhido as singularidades da toponomia popular da nossa Margem, como são os casos do "Olho de Boi" ou da "Boca do Vento". 

Ninguém é perfeito...

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


quarta-feira, dezembro 24, 2025

Sei que é pedir muito, mas...


No Natal normalmente fazem-se pedidos.

Mesmo sem andar na escola primária, sem ter de escrever ao Pai Natal a pedir-lhe um presente, gostava que Almada se tornasse diferente.

Que a apatia de quem nos governa (tanto no Município como na Junta), se transformasse em algo mais funcional e positivo para todos nós, que finalmente as duas senhoras percebessem que foram eleitas para transformar o nosso Concelho num lugar mais aprazível para vivermos.

Se se preocupassem mais com a higiene urbana e com o mau estado dos passeios e estradas da cidade, já não era muito mau (mesmo que seja muito "poucachinho"). 

Era bom que o agora parceiro da coligação "lhes abrisse os olhos", mas provavelmente estou a pedir muito...

A culpa é do Natal. É uma data dada a exageros...

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)


quinta-feira, setembro 25, 2025

Almada: uma cidade que perdeu qualidade de vida e identidade (dois)


Além da notória perda de qualidade de vida nos dois últimos mandatos socialistas, houve também uma tentativa de "afastar" Almada da sua identidade e da sua história, alicerçadas através dos movimentos operários e associativos. 

Em vez de aproveitar (e respeitar) esta marca almadense, o Munícipio preferiu apostar na transformação de Almada numa "cidade satélite" de Lisboa, provavelmente por ter uma presidente demasiado cosmopolita para governar uma terra, que sempre se orgulhou da sua história e do seu passado de resistência e unidade popular.

Isso explica-se pelo fecho de museus (Museu da Música Filarmónica, do CIAV - Centro de Interpretação de Almada Velha e Museu Naval) e também pelo apoio cada vez mais residual ao Movimento Associativo, o que tem provocado o fechar de portas de várias colectividades, desportivas e recreativas, no Concelho.

Mas há mais exemplos. Um Concelho que possui quatro bandas filarmónicas centenárias, activas, merecia que estas fossem mais acarinhadas e apoiadas, não só pelo seu historial, mas também por terem nas suas escolas de música largas dezenas de jovens. Em vez de se dar espaço para estas bandas locais (assim como os vários grupos corais e de música popular...) se exibirem nas ruas e nos vários palcos da Cidade, aposta-se nos cantores nacionais, tanto nas festividades dos Santos Populares como de Natal.

Posso também falar da diminuição de apoios à edição de obras literárias da história local, onde nem mesmo Romeu Correia é acarinhado como merecia, com a autarquia a "esquecer" os compromissos assumidos para a reedição das suas obras mais emblemáticas.

Foi assim, durante os últimos oito anos...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 23, 2025

Almada: uma cidade que perdeu qualidade de vida e identidade (um)


Quem tem memória e lucidez, sabe que Almada, oito anos depois da governação socialista, está mais suja e mais descuidada, menos associativa e menos culta.

Nesta minha primeira análise, vou focar-me apenas nos aspectos que são mais visíveis...

Em termos de higiene (tenho abordado vezes demais esta questão, aqui no "Casario"...), a Cidade nunca esteve tão suja e com tanto lixo a céu aberto. E não existe qualquer desculpa. Se hoje se faz mais lixo, se as pessoas deitam mais coisas fora, o serviço de recolha de resíduos urbanos tem de ser mais efectivo, como foi noutros tempos, diário, ou então dia sim dia não, nunca de três em três, ou de quatro em quatro dias.

Na limpeza das ruas e dos espaços verdes, nota-se um descuido, que não existia nas governações anteriores da CDU. Há passeios onde as ervas crescem até quase meio metro, e assim ficam semanas a fio. Há vários parques de recreação que são tudo menos isso, pois tornam-se mais apropriados para os animais fazerem as necessidades que para as crianças brincarem...

E depois temos as artérias, cheias de buracos (nem as principais escapam, como o caso do eixo central, por onde circula o metro...), que fazem que os condutores tenham de ter uma atenção redobrada. E ainda tem acontecido outra coisa, no mínimo curiosa, em vez de repararem o solo, dedicam-se mais à "pintura", criando novas divisões nas estradas, tal como novas passadeiras, em lugares pouco perigosos (como fizeram na minha rua...) ou "zebras", como se estivéssemos na "savana".

Nestes campos a culpa não é apenas do PS. Não podemos, nem devemos ignorar, a existência de uma coligação com o PSD, de mais de sete anos (que teve um final estratégico, pouco tempo antes das eleições, para que eles fingissem não ter nada a ver com o assunto...), em que os vereadores sociais democratas tiveram pelouros ligados ao ambiente, aos espaços verdes e redes viárias. Eles que tanto queriam acabar com o lixo nas ruas (nos cartazes é sempre tudo mais fácil)...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, dezembro 07, 2024

Um Amigo especial que regressou à nossa "tertúlia"...


O Carlos II é especial, por várias razões. 

O facto de pensar de uma forma diferente, nunca foi um problema, nunca fez com que não fosse "um de nós".

Às vezes é difícil de explicar, mas talvez seja nas diferenças que nos encontramos, que percebemos e entendemos, que é mais importante do que aquilo que parece, pelo menos nas ruas da amizade, respeitar o outro...

O Carlos tem uma história de vida diferente da maior parte de nós, porque sempre foi ambicioso, nunca aceitou de bom grado a palavra "impossível". E ainda bem.

A vida ensinou-lhe desde cedo, que havia valores e valores. Nunca quis ser um idealista, sempre teve um sentido prático da vida. Nem nunca teve qualquer pudor em sonhar que um dia, "talvez fosse possível ir à Lua".

Nunca teve um grande orgulho em pertencer à "classe operária". Deve ter sido isso que o tornou um dia patrão. Um dos bons, nas suas palavras, por ter aprendido, ao longo da vida, que não valia tudo. Não precisava de "pisar os outros", nem de lhes "passar por cima", para continuar a subir na vida.

É por todas estas coisas, e mais algumas, que é bom termos o Carlos (agora é primeiro) de volta à nossa "Tertúlia"...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, março 31, 2024

Almada: a obra publicitada que não se faz (e a que se faz sem que se cumpram prazos e se notem melhorias óbvias...)


Tenho evitado escrever aqui no "Casario" sobre o Município e sobre as obras que se fazem e não se fazem. Mas ao ver ontem mais um episódio do "Portugal Fenomenal" da RTP1, que falou sobre o Presídio da Trafaria, e onde deram espaço à Presidente do Município de Almada, para falar de mais um bom projecto, constantemente adiado (a transformação do Presídio num espaço de formação superior, ligado à Universidade Nova de Lisboa) sobre o futuro daquelas instalações e da própria Localidade Ribeirinha.

Sei que há lugares mais complicados que outros, como são os casos da Lisnave e do Ginjal, para se fazer algo de novo, embora 20 e 30 anos, seja já tempo e abandono a mais. E não têm faltado projectos para estes lugares ao longo dos tempos... 

Mas há coisas mais simples, que também não se resolvem. Quando a Câmara Municipal, ainda nos tempos da CDU, adquiriu as antigas instalações da EDP, que ficam no centro de Almada (e são de tal forma grandes e importantes que podem ser adaptadas para quase tudo: falou-se muito de Loja do Cidadão, Unidade de Saúde de Cuidados Continuados, Serviços Públicos Camarários, etc), não o fez com toda a certeza, para que continuassem abandonadas, a serem degradadas pelo tempo e pelo vandalismo. É por isso que pergunto: como é que é possível que este PS (aliado ao PSD), ainda não tenha conseguido encontrar uma solução que sirva os almadenses, num dos espaços mais centrais de Almada?

Mas tudo isto é ainda mais triste se pensarmos na obra feita ou a fazer (em que se gasta dinheiro, não se cumprem prazos e fica quase tudo na mesma...). Foi assim na Praça Gil Vicente, no Largo de Cacilhas e agora no Jardim Público dr. Alberto Araújo (junto ao antigo tribunal). Há quase um ano que o jardim está encerrado ao público. Felizmente, este mês abriu-se o caminho que nos leva do Largo Gabriel Pedro à Rua Capitão Leitão. Embora tenham cercado e fechado este jardim antes de Junho, a data em que foi afixado o início das obras, que segundo as indicações do cartaz deveriam demorar 180 dias. Ora, como estamos praticamente em Abril, mesmo só a contarmos com o tal Junho do cartaz, já passaram mais de 300 dias desde o "começo afixado"...

Quem vive em Almada há mais de três décadas, como eu, nota uma diferença gritante entre os mandatos da CDU (que deixou mesmo obra...) e este PS, de Inês Medeiros, que já está no poder há mais de seis anos. Infelizmente a imagem de marca da coligação PS/ PSD, é uma Cidade mais suja, mais esburacada (as ruas nunca estiveram em tão mau estado como estão actualmente), e sobretudo, adiada...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, agosto 23, 2023

Cacilhas voltou a ficar liberta das "casas azuis"...


Era mais que previsível, acabavam-se as Jornadas da Juventude, acabavam-se as casas de banho azuis no Largo de Cacilhas.

E lá voltaram os cantos mais recônditos desta porta de entrada para a Margem Sul a ficar perfumados, por quem precisa, urgentemente, de "verter águas".

Não é menos previsível o habitual fechar de olhos de quem governa e tem mais que fazer que se preocupar com o xixi alheio...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, julho 26, 2023

Quase que podia dizer: "não há Papa que não dê fartura"...


No domingo tinha descoberto um conjunto de oito casinhas portáteis, para as necessidades liquidas e sólidas, já na saída do Largo de Cacilhas, na direcção do Canecão e até fiz um ligeiro comentário no meu "largo". Ontem, reparei que perto do Farol estavam instaladas bastantes mais.

Pois é, felizmente, os visitantes mais afoitos e necessitados já não precisam de procurar os cantos mais escondidos de Cacilhas para pelo menos "verter águas".

A grande questão é que irá acontecer a todas aquelas "casinhas azuis" quando terminarem as Jornadas da Juventude. Provavelmente, desaparecem...

E lá voltam os cantos a ficarem "perfumados" com o xixi de várias nacionalidades... Nada de estranhar, num País como o nosso e com políticos como os nossos, que gostam sobretudo de impressionar o "Mundo", ou seja quem vem de fora...

(Fotografias de Luís Eme - Cacilhas)


sexta-feira, julho 07, 2023

A dificuldade cada vez maior em não entrar na "onda pessimista"...


Embora eu por natureza, não seja pessimista, tenho cada vez mais dificuldade em olhar para Almada, com esperança e com uma boa perspectiva de futuro.

E também por isso que escrevo menos aqui no "Casario", não me apetece nada fazer o papel de "profeta da desgraça".

Mas há problemas sérios, que ninguém se preocupa em resolver. O lixo continua a acumular-se junto aos contentores, em muitos lugares da Cidade. Sei que a culpa muitas vezes é das pessoas que nem se dão ao trabalho de abrir o contentos e colocar lá os sacos do lixo. Há zonas verdes que parecem "matagais". Mas o mais grave são os buracos nas estradas. É difícil encontrar uma rua que não tenha um buraco (apesar de não chover, alguns transformam-se em "crateras" obrigando-nos a pequenos desvios, que nos fazem mudar de faixa de rodagem).

Não estou a pensar em criar algo parecido com a "Associação de Cidadãos Automobilizados", que além de ter feito um trabalho extraordinário na divulgação dos grandes problemas que existiam em Lisboa no trânsito e nas ruas (havia coisas completamente absurdas...), até chegou à vereação do Município. Mas esta falta de respeito por todos nós, por parte das Autarquias locais (Câmara e Junta), continua a ultrapassar os limites do razoável.

Por exemplo, o "buraco" que existe próximo do mercado, continua lá (já se pode dizer, meses depois...). A única diferença, foi que tiraram o balde de tinta vazio que lá estava e colocaram uma peça de plástico, usada quando existem obras nas estradas, que o mantém quase escondido...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, dezembro 14, 2021

Saudades da Outra Almada, mais Culta e Associativa...


Sei que na política se usam muitos nomes para nos "indrominar". Deve ser também por isso que gosto pouco destes governantes da minha Cidade, que se dizem socialistas, talvez por não conhecerem o verdadeiro significado de socialismo.

Apesar de ter assistido a vários erros e a outros tantos tiros nos pés, por parte da CDU, sinto falta da outra Almada, que podem chamar de "comunista", até com algum desdém. 

Do que eu não tenho qualquer dúvida, é que a outra Almada era uma Terra mais Culta, mais Solidária e mais Associativa.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


quarta-feira, novembro 10, 2021

Uma Escolha Completamente Desadequada


Hoje, ao acompanhar um familiar ao principal centro de vacinação de Almada, no antigo Mercado das Torcatas, senti o quanto esta escolha é completamente desadequada. E por mais que uma razão. 

O espaço é pequeno, pelo menos quando comparado com o anterior, que ficava no interior do Pavilhão Municipal. Como é circular também dificulta a distribuição ordenada das pessoas, assim como a sua chamada e deslocação para os postos de vacinação. Mas tem ainda outro aspecto muito negativo, pelo menos para esta época do ano: devido à sua construção em pedra e também ao facto de ser muito aberto, é frio e desagradável, agora que estamos a chegar ao Inverno.

O tamanho reduzido do espaço faz com que se formem filas consideráveis no exterior, pouco recomendáveis para pessoas com mais de oitenta anos, cuja mobilidade reduzida, não os devia obrigar a terem de passar tanto tempo de pé.

Não faço ideia quem escolheu este local,  se foi o Município ou a Direcção Geral de Saúde. Mas isso nem o mais importante. Importante é "emendarem a mão" e escolherem um espaço mais acolhedor e funcional, para quem precisa de ser vacinado e também para os profissionais destacados para esta missão. Eles acabam por ser as maiores vítimas desta má escolha, que não lhes permite realizar o seu trabalho de uma forma mais eficiente e confortável para todos.

E claro que não é preciso nenhum almirante para resolver esta questão. Basta apenas alguma inteligência e bom senso... 

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, outubro 09, 2021

A Indomável Resistência da Incrível


Um dos aspectos que mais foi salientado nos discursos da Sessão Solene da Incrível, foi a excelente actuação da sua Banda Filarmónica, com todos os intervenientes a darem um destaque especial (e merecido) ao facto de uma boa parte dos músicos serem jovens adolescentes ou no começo da idade adulta. 

E isto acontece numa Sociedade Filarmónica que comemorou 173 anos de idade!

Provavelmente a mensagem mais importante que se poderia reter, é que ter muita idade no mundo associativismo não é sinónimo de velhice.

Por outro lado, não há melhor marca na história da Incrível que a sua indomável resistência. Só assim se percebe, que depois de uma paragem forçada devido à pandemia, a banda surja com grande brilho e glória, para satisfação de todos os Incríveis, com toda esta juventude, que é sempre motivo de esperança para o futuro.

E claro, é muito bonito inaltecer os jovens músicos que tocaram no palco, tal como o seu maestro, mas é ainda mais importante não esquecer os seus dirigentes, e sobretudo apoiar o seu trabalho. 

Se há lugar onde se deve apoiar o mérito, é no Associativismo. É bom que, de uma vez por todas, se distribuam "canas de pesca" em vez de "caixas de peixe" pelas Colectividades, que se façam protocolos que dignifiquem ao mesmo tempo o Movimento Associativo e o Poder Local.

 Teremos todos a ganhar com esta mudança de paradigma.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


terça-feira, setembro 07, 2021

A "Perseguição Política" do PS em Almada (2)


Uma das áreas sociais mais prejudicadas durante a actual governação socialista no Concelho de Almada, foi o Associativismo Popular.

Tudo isto porque o PS e o PSD orientaram a sua política de apoios, desde o começo de mandato, seguindo uma premissa errada: a de que todo o "associativismo almadense era comunista".

Ainda me questiono: como é que é possível acontecer tal coisa, quando se caminha para o meio século de democracia no nosso País?

O que é certo, é que isso ficou bem patente na sua prática e também no discurso de alguns dos seus dirigentes. Além de deixarem de apoiar muitas Colectividades, ainda tiveram o cuidado de ver se os subsídios atribuídos (alguns ainda da anterior gerência comunista...) tinham sido empregues nas áreas para os quais tinham sido pedidos. Quando tal não aconteceu foi exigida a sua devolução.

Como as receitas do associativismo são cada vez menores, é normal que as verbas atribuídas pelas autarquias acabem por ser aplicadas onde mais fazem falta (começa logo pela luz, água e rendas...). É preciso alguma sensibilidade social e algum conhecimento de campo, para lidar com estas questões da melhor forma, o que não aconteceu com este executivo. Em alguns casos mais delicados, pedir a restituição de verbas foi a mesma coisa que anunciar o "fecho de portas"...

Gostava que no futuro fosse feito um estudo rigoroso sobre as implicações da falta de apoio do Município nas Colectividades Almadenses no seio da população, que nos tempos que antecederam a pandemia, já viviam o seu dia a dia com grandes dificuldades. 

Sem apoios era-lhes praticamente impossível manterem as suas actividades desportivas, recreativas e culturais, nos mesmos moldes a que estavam habituados, para serviram os seus associados e os almadenses em geral.

(Fotografia de Luís Eme - A Incrível Almadense aparece aqui apenas pelo seu simbolismo, por ser a Colectividade-Rainha de Almada, com os seus 172 anos de idade e de história)


domingo, setembro 05, 2021

A "Perseguição Política" do PS em Almada (1)


Não foi por o PS se julgar o "partido mais democrata português", que achei que uma mudança política em Almada, depois de mais de 40 anos de governação comunista no Concelho, poderia ser útil para todos.

Pensava especialmente nos comunistas, que ao longo de quatro décadas de governação foram-se esquecendo do que era "democracia" e pior ainda, da "igualdade e justiça social", presente em todos os seus discursos. A rede de influências que foi sendo montada ao longo dos anos, não só alimentava o "clientelismo" como favorecia (de uma forma cada vez mais "descarada"...) quem tinha "cartão de militante".

Foi por essas razões que estava longe de esperar que o PS nos seus dois primeiros anos de mandato, usasse e abusasse da "perseguição política", com substituições em cargos de chefia (mesmo intermédios, sem peso político...), olhando apenas para o perfil político, ignorando o perfil profissional (houve muitos funcionários competentes substituídos, apenas pela suspeita de serem "comunistas"...) das pessoas.

O mais grave disto tudo, é que muitos dos substitutos vieram de Lisboa, sem terem qualquer contacto ou conhecimento com a realidade local (nem grande vontade de se integrarem ou conhecerem a história recente do Concelho...). O seu "cartão de visita" era pertencerem ao PS (os famosos "boys").

E tal como a presidente, o seu principal objectivo era transformar Almada numa "cidade satélite" de Lisboa (foi afirmado em várias entrevistas pela Edil...).

Claro que não se transforma uma Cidade com identidade própria, numa cópia de outra cidade, pelo menos em quatro anos. A única coisa que se consegue é ir descaracterizando-a, roubando-lhe a sua maior riqueza, a identidade e o orgulho em se ser almadense, devido à sua história e cultura local.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


segunda-feira, agosto 23, 2021

A Hipocrisia (e o desleixo) Visível do Poder Autárquico em Almada


Estas placas e sinais de aviso deviam estar colocados em quase todas as ruas do Concelho, especialmente as das freguesias urbanas (falo sobretudo de Almada, Cacilhas e Cova da Piedade), e não apenas na Praça Gil Vicente.

É uma vergonha o que se tem passado nos últimos quatro anos, em que os buracos que vão aparecendo nas estradas, com as chuvas e o habitual "deixa andar", só quando se tornam "crateras" (e com muitos telefonemas para a União de Juntas), é que são remendados, e mal. 

Tapetes novos nem vê-los (a segunda fotografia foi tirada a uma centena de metros da dita praça, na rua Comandante António Feio, mas existem dezenas de exemplos iguais nas três localidades citadas...).

Mas o Município ainda fez uma coisa mais engraçada nos últimos tempos (aconteceu na minha rua...), andou a pintar o asfalto com tracejados, zebras e traços contínuos, mas com o cuidado de "fingir" que não via os buracos na via, mantendo-os, como se fossem menos perigosos para os automobilistas que a separação de faixas, teórica (devido aos estacionamentos num dos sentidos).

Mas não deixa de ser curiosa a constatação, de que  foi preciso aparecerem o PS e o PSD no poder, para que umas linhas brancas (algumas só fazem confusão e a uma boa parte delas nem pode ser cumprida devido aos estacionamentos de carros nas vias, se bem que podem ter sido colocadas já a pensar em futuras multas...) passassem a ser mais importantes que o estado (neste caso, mau) das ruas e estradas de Almada.

Nota: Apesar destes sinais já estarem colocados há dias no começo da Praça Gil Vicente, o único sinal de obras são as vedações colocadas nos passeios. E de entrada e saída de viaturas, nem sinal (e ainda bem). 

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


sábado, março 27, 2021

Rua Pedonal "Devolvida" aos Carros...


Durante estes tempos estranhos, há muito poucas pessoas a circularem na Rua Cândido dos Reis (a rua dos restaurantes), que fica no coração de Cacilhas.

Esta fotografia é exemplificativa. Apesar da rua se ter tornado pedonal (uma excelente ideia...), os carros voltaram, mesmo que timidamente (e ainda bem...), a querer dar alguma vida, a um lugar que vivia sobretudo das pessoas.

Das pessoas que passavam para baixo e para cima e das outras, que enchiam as esplanadas, dos cafés e restaurantes...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)


quarta-feira, março 10, 2021

Almada, Terra de Cultura e de Artistas


Eu sei que a Cultura ainda é pior que o futebol, no campo da distribuição dos dividendos: são ainda menos os que ganham muito e muito mais os que ganham pouco.

Quando se vive numa terra como Almada, que sempre se gostou de afirmar pela Cultura (mesmo que muitas vezes fosse uma coisa "postiça", mais política que real), é normal que exista mais gente do que se pensa, a passar mal, a ver o chão a fugir-lhe dos pés nestes tempos pandémicos.

E nesta Cultura, há duas áreas que sobressaem, a música e o teatro. Na Arte de Talma, além de existirem duas companhias profissionais, existe mais de uma dezena de grupos, que vivem entre o amador e "fingimento" que se é profissional. No panorama musical, as bandas de culto quase que se resumem aos UHF (os Da Weasel, ainda estão só a "treinar" para o regresso...), mas existem largas dezenas de músicos, uns profissionais, outros quase e outros ligeiramente mais longe, que se espalham por bandas profissionais, estúdios de gravação e bandas de garagem (ainda existem muitas...). E depois ainda temos aqueles que queriam ser actores e músicos, mas que acabaram por ficar pelo caminho e hoje são apenas técnicos de som, técnicos de luzes (eles gostam mais que se diga luminotécnica e sonoplastia...) ou simples "carregadores de instrumentos". Embora no teatro exista menos espaço para "pessoal de fora" do palco (há muitos grupos em que os actores até vendem bilhetes...).

Ou seja, são muitas as famílias almadenses, com o futuro incerto, para além dos pobres do costume, que habitam os bairros clandestinos e (pouco) sociais. 

Não sei se o Município tem feito alguma coisa por toda esta gente. Acredito que deve ter dado algum apoio, até porque a presidente veio das culturas (das artes cénicas). Mas quem apoia, como sempre, são os pais e avós, que voltam a ser o "amparo" destes jovens de pelo menos duas gerações, que se estendem dos vinte aos cinquenta...

Em alturas como a que estamos a viver, vale menos de nada, ser artista, mesmo numa terra que gosta de se afirmar pela Cultura...

(Fotografia de Luís Eme - Almada)


sábado, março 06, 2021

"A Casa da Amizade" e os Meus Amigos Comunistas de Almada em Festa


Hoje é um dia de festa para o PCP e para todos os comunistas. É por isso que presto aqui a minha homenagem a todos os meus amigos comunistas, almadenses, que sempre me trataram como "um deles" (apesar da minhas "heterodoxias"...).

Infelizmente a pandemia cancelou os nossos almoços na "Casa da Amizade", no Pragal, onde o convívio e o companheirismo eram o mais importante destas jornadas, onde além da boa comida e bebida, não faltava a alegria e a animação com música, poesia e anedotas.

Nesta fotografia é possível ver o Xico e o Orlando a declamarem "O Mar", como só eles sabem...

(Fotografia de Luís Eme - Pragal)


sábado, fevereiro 27, 2021

O Vazio Local Sente-se Mais...


A explicação que encontro para não ter grande vontade de escrever por aqui no "Casario", prende-se com o vazio que sinto em relação a Almada, à cidade onde habito.

É quase um "não existir". A pandemia também é isto...

 (Fotografia de Luís Eme - Almada)


domingo, janeiro 31, 2021

Esta Sensação de "Hibernação"...


Provavelmente esta sensação que tenho de "hibernação" de quem governa a Cidade onde vivo, é sentida numa boa parte das vilas e cidades deste país (as aldeias não contam, há muito que estão entregues a elas próprias...).

Espero que seja apenas isso, uma sensação, e que os governantes almadenses continuem atentos aos vários problemas sociais do Concelho, que se têm agravado com a pandemia.

Não só desejo como acredito que sim, que eles estão atentos aos mais pobres (é bom que algumas cantinas de escolas permaneçam abertas para alimentar os alunos que não podem, nem devem, "passar fome", e que são sempre mais do que imaginamos...), aos pedidos de apoios do hospital, dos centros de saúde, dos bombeiros e de lares e centros de dia de idosos.

Sei que falo das estradas esburacadas e de outras miudezas, que são mesmo isso, miudezas... quando comparadas com os problemas sociais que se agravaram nos últimos meses, sobretudo nos bairros que alojam as pessoas que sempre viveram com mais dificuldades.

(Fotografia de Luís Eme - Almada)