quarta-feira, abril 09, 2008

Conversas de Café (3)


- Ainda não escreveste nada nos teus blogues sobre o novo acordo ortográfico...
- Pois não...
- Por alguma razão especial?
- Não. Embora esteja dividido, concordo com algumas coisas, discordo de outras. Mas penso que se foi longe demais, pelo menos para o verdadeiro português...
- Longe demais?
- Sim, há alterações que me soam estranhas. O nosso português pode se tornar demasiado brasileiro...
- Tem graça. Mas eles não são muito mais que nós?...
- São, e depois?...

21 comentários:

alice disse...

um tema controverso, de facto, luís. eu entendo que a língua só enriquece com as suas características únicas e que seria bom manter um português de portugal e outro do brasil, já que sempre foi assim e somos na verdade povos tão diferentes...

beijinhos.

Maria P. disse...

É um facto (e não um fato) a versatilidade fantástica de quem escreve neste blogue...

Bom dia, beijos Luís M.

Artur R Gonçalves disse...

POEMAS LVSITANOS DO DOVTOR António Ferreira. Dedicados por sev filho (…) ao príncipe D. Phillipe nosso senhor. (1598)

PEREGRINAC,AM DE Fernam Mendez Pinto. Em que da conta de muytas e muytas estranhas cousas que vio & ouuio no reyno da China… (1614)

Crónica delRey dom Affomsso Hanrriques primeiro Rey deste regno de Portuguall de Duarte Galluam … (1726).

Assim se escreveu português nos séculos dourados da nossa cultura literária. Será que algum deles pode ser considerado como «verdadeiro português» ?

O tema é controverso e a ortografia uma mera convenção.

OBSERVADOR disse...

Discordo do acordo ortográfico.
Tão só.

Debaixo do Bulcão disse...

Estou de acordo com a regra de escrever apenas as consoantes que se pronunciam.

Escrever "facto", sim, mas também espetáculo (embora isso oje nos possa parecer estranho, por falta de ábito).

Parece-me que nos devemos preocupar, sim, com ax parvoixes que xe excrevem por aí como se a nova regra linguística foxe o que xe exkreve nos sms e na net.

Aqui há uns dias, num debate na TV portuguesa, alguém se insurgia contra o acordo ortográfico, por considerar que iria "desvirtuar a língua de Camões e de Fernando Pessoa".

Nam me parece assi. O Português do Século XVI era muito diferente do Português do início do Século 20.

Como é óbvio, Camões não escrevia segundo as mesmas regras que Pessoa, e Pessoa não escrevia da mesmma forma que escreve hoje qualquer um de nós.

Por tudo isto (e por mais algumas cousas), estou absolutamente de acordo com o comentário de artur r gonçalves.

António Vitorino

Rui Caetano disse...

Eu concordo com o acordo ortográfico. Resistimos demasiado à mudança. Mas respeito quem não concorde.

EMALMADA disse...

Também acho que se foi longe demais e a língua portuguesa não estava molestada.
Os brasileiros dizem que nós falamos português muito bem, um português muito direitinho.
Que não se perca no acordo ortográfico a dinâmica natural de uma lingua falada que já nos permitia um perfeito entendimento sem artificialismos.
"Não havia necessidade"... na minha fraca apreciação.

Rosa dos Ventos disse...

A Língua é um organismo vivo e felizmente que a nossa além de viva é variada e vai variando e cá nos vamos entendendo.
Por mim estava bem assim...

Abraço

Carla disse...

eu sei que a língua é uma realidade viva e que não devemos ser avessos à mudança, mas confesso que há propostas de alteração que não consigo digerir...

Luis Eme disse...

Concordo contigo, Alice.

Mas penso que há o receio de que a passar a existir o brasileiro, ele seja mais falado que o português...

Luis Eme disse...

Bom exemplo, M. Maria Maio...

Luis Eme disse...

Por ser controverso é que gera controvérsia, Artur...

Luis Eme disse...

Não vou tão longe, Observador...

Luis Eme disse...

Há alterações que simplificam o português, mas há outras que me soam estranhas, Vitorino...

Luis Eme disse...

Eu também concordo, Rui, mas não era necessário haver tantas cedências...

Luis Eme disse...

Concordo perfeitamente, Em ALmada.

Luis Eme disse...

A língua é mesmo isso, Rosa, viva e variada...

vamos ver...

Luis Eme disse...

Eu também não, Carla...

claro que com o tempo, acabamos por nos habituar...

Cris Caetano disse...

:) A língua é vida e a mudança será unicamente na escrita, as nossas gírias nunca serão as vossas, e vice-versa. Um fato (nosso terno) continuará sendo um fato e não um facto, da mesma forma que a maneira de se falar em estados do Nordeste brasileiro são completamente diferentes das nossas aqui no Sudeste.
O povo sempre fez a língua do país e com acordos ortográficos ou não, continuará sendo assim sempre. E ainda bem! :)

Beijinhos

Luis Eme disse...

É verdade Cris, as nossas girias, dialectos, etc, não desaparecem com este acordo...

Mas há diferenças grandes para nós, cá na Europa, embora vá tornar a escrita mais fácil, a médio e longo prazo...

redonda disse...

Eu acho giras as nossas diferenças e muito triste que agora corra um sério risco de começar a escrever com erros...