domingo, outubro 04, 2009

Viva a República!

Na manhã de 4 de Outubro de 1910 começou a juntar-se uma pequena multidão no Largo de Cacilhas, composta maioritariamente por operários e comerciantes locais, à volta de duas figuras do republicanismo, o deputado Feio Terenas e o dr. Leão Azevedo, vindos de automóvel de Setúbal com o objectivo de organizar a Revolução Republicana em Almada.
Quase em simultâneo foram chegando ao Largo dirigentes e militantes do Centro Republicano Elias Garcia, da Cova da Piedade, com destaque para Galileu da Saúde Correia, Artur Paiva, Jaime de Amorim Ferreira, Joaquim Correia, e do Centro Republicano Capitão Leitão, de Almada, António Branquinho, Francisco Matos da Silva, Manuel Parada, Pedro Inácio Botelho, Polónio Febrero Júnior, entre outros. Assim como alguns sindicalistas como o anarquista Bartolomeu Constantino e os socialistas, José Custódio Gomes e Jerónimo Louro.
O objectivo era conseguir parar as fábricas e trazer os seus operários para a rua. Algo que não se revelou fácil. Seria o prestígio e o dom de palavra de Bartolomeu Constantino que convenceu os operários das fábricas de Cacilhas a saírem para a rua, tal como aconteceria com os trabalhadores da Cova da Piedade e de Almada.
A multidão acabou por subir para o centro de Almada, até aos Paços do Concelho, onde num acto cheio de simbolismo, as bandeiras monárquicas içadas no edifício da administração do Concelho e no Castelo foram substituídas pelas dos Centros Republicanos “Elias Garcia” e “Capitão Leitão”.
De seguida a escadaria dos Paços do Concelho prestou-se ao papel de palanque e foram feitos discursos de vitória da República perante a Monarquia, por Galileu da Saúde Ferreira, Jaime de Amorim Ferreira e Bartolomeu Constantino.
Foi desta forma que Almada se antecipou ao resto do país, tal como Loures, Barreiro e Aldeia Galega (Montijo), que também deram vivas à República a 4 de Outubro de 1910.


Este texto foi transcrito do meu último livro, Cacilhas - o Comércio, a Indústria, o Turismo e o Desenvolvimento Sociocultural e Político da Localidade Ribeirinha".
A fotografia mostra-nos Afonso Costa, no Largo de Cacilhas em 1911. Afonso Costa foi um dos bons ministros da 1ª República, deixando obra nas pastas da justiça e das finanças em governos diferentes.

4 comentários:

vague disse...

Viva.

Para ti e para a República :)


Eu tenho q honrar a memória e a luta do meu bisavô, q era um acérrimo defensor da República e se bateu por ela. Gostava de investigar melhor a vida dele, q morreu novo mas compartilhou a paixão dos ideais justos e deixou esse legado a quem o soube receber e honrar.

digo isto há anos, um dia vou à Torre do Tombo munida das certidões de nascimento mais antigas q conseguir arranjar e vou tentar desenhar a m/ árvore genealógica.

Mas estávamos a falar da República.
Apesar do q disse, simpatizo com a monarquia espanhola e acho q é um garante de estabilidade e confiança. Por outro lado, essa tarefa pode pertencer a um PR, não é?

Bom, vou mas é passear.

Um dos meus sonhos é

Lúcia disse...

Excelente texto, Luís.
Não sabia de muito do que relatas!
Obrigado!
Viva a República!:)
Beijinhos

Luis Eme disse...

Viva, Vague!

Luis Eme disse...

nunca sabemos tudo, Lúcia.

ainda bem que gostaste.