Almada continua a comemorar Abril, trinta e seis anos depois.
Muita coisa mudou nestes anos, até a presidente já começa a receber coros de assobios, durante o seu discurso, mesmo com a distribuição de cravos e com a música de Janita Salomé e dos "OqueStrada", uma banda cá do burgo.
Mas o que mudou para pior foram as licenças para vendedores. Este ano apenas foi permitida a venda a três "roulotes", na praça S. João Baptista (hoje disseram-me que na rua em frente ao Fórum, estavam mais duas roulotes...), cada uma com a sua especificidade ( farturas, pão com chouriço e comes e bebes). O facto de só existir um vendedor de farturas na praça, fez com que surgissem filas intermináveis, para quem gosta de saborear este frito português com um cházinho, em casa, sem ter sequer possibilidade de escolha.
Sei que o comunismo de Almada há muito que se confunde com outras palavras acabadas em "ismo", especialmente nos direitos dos seus trabalhadores, só não esperava que alimentassem estes pequenos "monopólios" de uma forma tão notória (deve ter sido uma noite em cheio para estes três comerciantes, ao contrário dos outros, escondidos...), numa data que nos é tão querida, que não se resume apenas a discursos, que acabam com gritos de "25 de Abril Sempre", com a sempre cantável, "Grândola Vila Morena" e com um excessivo fogo de artifício.
Sobra a beleza do cartaz deste ano, do artista plástico almadense, Albino Moura...









