segunda-feira, junho 26, 2006

A Viagem Entre as Duas Margens do Rio


A travessia do Rio Tejo entre as margens de Lisboa e Cacilhas começou a fazer-se de um modo regular desde o século XIII.
Com a epopeia dos descobrimentos as travessias e o número de embarcações no rio aumentaram significativamente, Nessa época havia a necessidade de se abastecerem as caravelas que partiam à descoberta de novos mundos com mantimentos. Os géneros alimentares da Margem Sul, conhecidos pela sua qualidade, estavam entre os eleitos pelos navegadores.
Mas só em 1838, com o aparecimento dos barcos movidos a vapor, da "Companhia de Navegação do Tejo e Sado", é que a passagem para a outra margem, passou a ser feita com mais segurança e a preços mais convidativos, através da primeiras carreiras regulares.
Mais tarde apareceu a companhia "Vapores Lisbonenses", que alargou as carreiras até ao Seixal, Aldeia Galega, Trafaria e Cascais.
No começo do século XX, em 1903, teve inicio o primeiro serviço de transporte automóvel entre as suas margens, realizado entre Santa Apolónia e Cacilhas.
Nesta viagem de já quase dois séculos, foram surgindo novas companhias e embarcações, sempre com a preocupação de melhorar os seus serviços, diminuindo o tempo da travessia e tornando as viagens mais seguras e cómodas.
É assim que chegamos aos bonitos cacilheiros laranjinhas dos nossos dias da "Transtejo"... que continuam a levar-nos de Cacilhas a Lisboa, e são um encanto, especialmente para os turistas, quase sempre mais contemplativos que os seus passageiros diários, por encararem as travessias como um passeio pelas águas do Tejo... e não como a utilização de mais um meio de transporte.

3 comentários:

Minda disse...

Acabei o meu périplo com este comentário. Mas estava a dever-te esta atenção. E, depois, não há fome que não dê em fartura... Quanto ao post de hoje, adoro, sobretudo a fotografia. Muito bem conseguida. E esta pequena história dos nossos cacilheiros, que um dos poetas que costumavam ir às sessões de «poesia vadia» do Café com Letras apelidou de «barcos do amor» - atenção, com as interpretações (barco do amor porque foi numa viagem pelo Tejo que conheceu a sua amada), está interessante. Vou tentar ser mais assídua, para ver se depois não tenho que andar a fazer uma corrida destas. XAU. E, já agora, parabéns pelo casario, está excelente! Dá gosto vir passear por cá...

jose do carmo francisco disse...

está um texto bem conseguido, gostei de ler. Quando vivi no Montijo (Aldeia Galega) entre 1957 e 1960 vim muitas vezes a Lisboa no chamado cacilheiro do Montijo. Um dia choveu tanto que em Lisboa eram os marítimos que transportavam as pessoas ao colo. DEvo ao cais das colunas o meu livro «Transporte Sentimental». Parabéns pelo texto.

Zé Cacilheiro disse...

Sinto-me homenageado neste texto. Quem diria?