segunda-feira, maio 25, 2009

A Crise no Comércio

Andava à procura de algo que tinha escrito sobre o Ginjal, quando encontrei um texto datado de 13 de Setembro de 2006 (exactamente, há quase três anos...), na qual me referia à crise do comércio local, quando ainda não se sonhava com a "crise mundial"...

Numa altura que os comerciantes voltaram a protestar, colando nas suas montras um cartaz em que dizem que o "Comércio em Almada está Mal Apoiado". Provavelmente terão alguma razão, mas não acredito muito no seu argumento, de que a circulação de carros na zona onde agora só circulam peões, resolva o problema. A questão é bem mais complicada que isso. Eu em 2006 dizia assim:
«Apesar da Autarquia de Almada andar há meia dúzia de anos, a acenar com alguns projectos megalómanos, para a Quinta do Almaraz e para a Margueira, descubro uma cidade, que "morre" um pouco, todos os dias.
Assusta-me bastante o que se está a passar com o comércio em Almada.
Só em três vias de Cacilhas - Rua Cândido dos Reis, Rua D. Sancho I e Avenida 25 de Abril -, encontrei vinte e uma casas comerciais fechadas, ou em vias disso, com avisos informativos de venda ou trespasse.
Se continuasse a contagem pelo centro da cidade, sei que este número ultrapassava a centena.
O começo desta crise começou com a inauguração do Almada Fórum", uma grande superfície comercial, capaz de "secar" tudo à sua volta, graças à sua excelente oferta.
Os responsáveis do Município, cujo discurso "propagandista" surge sempre cheio de palavras bonitas, como a solidariedade, a igualdade e a justiça social, esquecem-se, cada vez mais, de as colocar em prática...
Quem diria que o "Comunismo" ia realizar uma união de facto com o "Capitalismo", tão às claras...
Infelizmente, não vi, nem vejo, uma única medida da Câmara de Almada, que tenha como objectivo a protecção ou o desenvolvimento do comércio local.
É por isso que as ruas estão cada vez mais desertas... e Almada prepara-se para ser, dentro de pouco tempo, uma cidade com menos pessoas e menos vida.
Hesitei no título desta crónica, que também poderia ser a "Balada da Cidade Triste"...»
Como hoje continuo sem saber se foram tomadas medidas sérias de protecção e desenvolvimento local, tenho dificuldade em me pronunciar sobre estas manifestações. A única coisa que sinto, é que pecam por tardias...

16 comentários:

Observador disse...

É evidente que não foram tomadas quaisquer medidas. Nem interessava fazê-lo.
Desde logo a "abertura de portas" ao Almada Fórum, foi uma demonstração de que a autarquia se estava "nas tintas" para o chamado comércio local.

Não é menos evidente, contudo, que os comerciantes - e vou generalizar - nunca se preocuparam com coisa nenhuma. Nem com os clientes.
Preços exorbitantes, "guerra" de concorrência feita nos piores termos, etc.
Não quero dizer que os comerciantes - e continuo a generalizar - não precisem de apoios.
Mas se nunca os procuraram, como querem agora que olhem por eles e para eles, com tantos outros interesses instalados?

alice disse...

da última vez que fui a almada, o ano passado, em visita a um amigo que reside na cova da piedade, fiz o trajecto de casa dele até cacilhas a pé e de facto apercebi-me do pouco movimento das tuas, e também de alguns sinais de evidente envelhecimento das fachadas. o que não me pareceu nada bem... espero que melhore! beijinhos, luís.

Maria P. disse...

"Balada da Cidade Triste" também ficava bem, e aplica-se a tantas cidades por existem aí nos tempos que correm...

Beijos, Luís M.

Rosa dos Ventos disse...

Na sede do meu concelho passa-se o mesmo.
Foram autorizadas 2 superfícies já de alguma envergadura, além de duas mais modestas.
Resultado, a cidade está deserta e os lojistas que ainda resistem, desesperados.
Primeiro fazem as asneiras e depois vêm com medidadas de proximidade à crise onde se inclui o comércio tradicional, quando já não há soluções à vista.
Assim as pequenas cidades vão morrendo...

Abraço

PreDatado disse...

Era de esperar que a abertura do Almada Forum tivesse essas consequências. Lembro-me do Centro Comercial Renovação ter sido canibalizado pelo Centro Comercial de Almada na fonte luminosa e deste por sua vez ter sido engolido pelo M. Bica que hoje, concomitantemente, estás às moscas. Mas antes disso já algumas lojas iam reduzindo de tamanho ou desaparecendo face ao Pão de Açúcar e ao Continente do Fogueteiro (quem é que pode concorrer em preços?). Na verdade não acho nada que a saída dos carros tenha prejudicado o comércio, isso é mais uma manifestação anti-metro como as da Ramalha. Mas também não conheço nenhuma medida da CMA para apoiar o chamado comércio local. Até porque as derramas (é assim que se chama?) do Forum não devem ser insignificantes para a CMA.

np disse...

O problema do pequeno comércio é o mesmo de todas as micro/pequenas empresas, ou a oferta/serviço tem mais qualquer coisa ou ninguém quer saber, esta é a realidade.
Medidas sérias terão de vir do governo, principalmente baixa de impostos.
A CMA fez uma campanha, a da cidade aberta, pela qual até deve ter pago bastante ao atelier do Henrique Cayatte, mas depois não se passa nada.
Claro que em casa onde não há pão todos ralham e etc, só que agora já não é de pão que falamos mas de migalhas, um padeiro que conheço diz que existem pessoas a comprar duas carcaças por dia, já nem o pão se vende. E este é que é o País real não aquele que se vai passear para o fórum.

Frades do Vinho disse...

Olá,
Abrimos há nove meses, na Cândido dos Reis, uma mercearia/garrafeira (quem sabe, na esteira da vocação perdida da armazenagem e distribuição de vinho no Ginjal...). O prazer, o esforço e a responsabilidade de (tentar)fazer bem, são muitas vezes assolados por um contexto regado de conformismo e resistência à mudança, por um lado, e de incompetências e desvarios burocráticos por outro. Mas acreditamos que, mesmo por veredas, Almada caminha para ser uma cidade mais cosmopolita e activa. Condições para isso não faltam. Cumps, AnaG.

Luis Eme disse...

o problema é que a abertura do "Almada Fórum" era um imperativo da "modernidade", se não fosse em Almada era no Seixal, provavelmente em Corroios, para servir também o nosso concelho...

o problema foi toda a gente andar a dormir na forma nesse tempo, Observador...

Luis Eme disse...

é assim desde que por aqui vivo, com uma diferença, Cacilhas está mais velha vinte anos, Alice...

Luis Eme disse...

então com a crise e com os medos, as noites são para os gatos, M. Maria Maio...

Luis Eme disse...

é a prova do nosso provincialismo, Rosa.

e o prazer que temos em fazer essas coisas em grande, as maiores da europa...

pensar que nas grandes cidades europeias, o comércio tradicional é um ex-libris...

Luis Eme disse...

é verdade, Predatado.

os centros comerciais foram sendo engolidos pelos maiores que iam aparecendo....

também não conheço, mas não sei...

Luis Eme disse...

e ainda temos de somar a crise, NP.

é uma questão delicada, mas é óbvio que este governo só vê os grandes grupos empresariais...

a CDU percebe-se que tem duas políticas, uma nas autarquias e outra no parlamento, por vezes antagónicas...

Luis Eme disse...

eu sei, onde já foi um espaço de cultura...

louvo a vossa coragem, Ana, até por "nadarem" contra a corrente.

penso que quando a rua for apenas pedonal, as coisa melhoram, mas também falta mais diversidade para chamar as pessoas...

Tiago disse...

Penso que culpar o Almada Fórum é uma via fácil para não nos sentirmos culpados! O comercio tem que evoluir, coisa que em Almada salvo raras excepções não acontece, só assim se pode ter clientes. Falta de estacionamento? por favor temos dois parques subterrâneos mesmo no centro da cidade, tudo bem que adorava por o meu carrinho mesmo no meio do café ou da loja de roupa, porque não ser servido no meu carrinho?
Temos que evoluir, adaptar só assim nos tornamos mais fortes, temos de ser capazes de fazer as coisas por nós e não estar à espera que A e B se resolvam a ajudar..
É o Darwinismo do comercio meus amigos!

Luis Eme disse...

ninguém está a culpar o "Almada Fórum", Tiago, é sim a principal causa da crise do comércio da cidade.

claro que os comerciantes não souberam (nem sabem, pelo menos até agora) dar uma resposta à crise, usando a imaginação. mas penso que a Autarquia deveria ser mais sensível nos apoios. mas é uma questão complicada, que se passa de Norte a Sul...