A mesa estava posta, para quatro, e eu sem saber quem iria aparecer...
O Sol brilhava lá fora, tornando o Ginjal ainda mais belo, ao mesmo tempo que as águas tranquilas do Tejo davam um abraço amorável à Primavera.O primeiro que apareceu foi o "Poeta Militante". Estava distante quando ele me tocou com suavidade no ombro. Olhei-o e recebi o seu sorriso quase de menino, que se escondia na sua cabeleira branca farta. Sentou-se e falou-me do rio, dos passeios que deu, apenas com a companhia das palavras que o Tejo lhe sussurrava. Pouco tempo depois fomos interrompidos pela Sophia, tão serena e luminosa, agradada por o dia estar quase perfeito, por o céu estar tão azul, acompanhado por uma mão cheia de nuvens de algodão.
Minutos depois reparámos no homem fino, do chapéu e dos óculos redondos, que estava encostado ao balcão, a saborear um moscatel da cidade do Sado. Tímido, como sempre, não sabia o que fazer para se juntar ao trio que estava sentado na melhor mesa do restaurante...
Sem combinarmos, acenámos os três em simultâneo, para que ele se chegasse a nós e nos fizesse companhia...
Ele veio, tal como as palavras, com a beleza que só os grandes e simples, conseguem transmitir.
Eu limitei-me a escutar aquelas vozes diferentes, que vinham do Tejo...