quarta-feira, novembro 03, 2010

A Cor do Dinheiro

Não pude deixar de ouvir a conversa entre quatro comerciantes locais, com lojas próximas, numa das ruas centrais de Almada, onde passa o "metro", um dos culpados da sua desgraça...

Agora que se aproximava o Natal, preparavam mais uma "sindicância" ao Município, em busca de dinheiro, diziam eles, para serem recompensados do prejuízo diário.

Senti-me chocado pela falta de vergonha desta gente. Em vez de se unirem e colocarem ideias em cima da mesa, para combaterem a "crise", pensando em algo que pudesse animar as ruas e trazer pessoas às lojas, não. Querem é mamar na "teta" do poder, como se estivesse aí a solução de todos os problemas...

O mais grave é que esta é a história do nosso país, mesmo os Mellos, os Espiritos Santos e os Champalimauds, nunca tiveram qualquer pejo em vir ver o que é que "caía" do Estado, apesar de "nadarem" em dinheiro...
O óleo é de Natasha Villone.

16 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

O óleo é lindo e bem exemplificativo do gosto dos portugueses por...escadas rolantes! :-))
Quanto aos comerciantes tens toda a razão, não é com atitudes dessas que eles vão dar a volta por cima.

Abraço

Observador disse...

É de facto uma atitude no mínimo ridícula.

Sou da tua opinião, Luis. Esta gente deveria assumir o conjunto verdadeiro, a união, e optar por outras formas de resolver os problemas que os afectam.

Puxem clientes, dêem as mãos, juntem-se à festa.

P.S. - Bonito óleo.

CAP CRÉUS disse...

Mais uma vez, o óleo é muito bonito!
Quanto ao mamar na teta, nada de novo, nem uma ideia essa malta consegue ter. Metem nojo e vai ser mais um Natal com reportagens idiotas com a malta toda a chorar que foi o pior Natal de sempre...

Maria disse...

As mentalidades levam muito tempo a transformar-se, e enquanto as pessoas funcionarem assim, na perspectiva de 'extorquir' uns míseros tostões por razões que até podem ser válidas, este país continuará como está.
Bolas para isto.

Beijinho.

Lear disse...

O português é assim mesmo.
Lembram-se da imagem do Rafael Bordalo Pinheiro, a porca da política?
Em Portugal, todos, desde o mais rico até ao mais indigente, estão sempre prontos para mamar na teta da porca. Mas quando toca a alimentar o animal, todos fogem o mais que podem.
Esta é a difícil relação, de amor-ódio, que nós temos com o Estado.
Quando é para receber todos abrem os bolsos, quando é para contribuir todos fecham a carteira.
Esta nossa ambivalente relação com o Estado é muito antiga e causa importante de muitos dos nossos problemas actuais e do nosso subdesenvolvimento.
Relativamente aos comerciantes de Almada, confesso que não tenho muita pena deles. Semearam ventos, estão a colher tempestades.
Sempre foram súbditos bem comportados de Sua Majestade seráfica Emília I. Nunca tiveram coragem de lhe fazer frente, aliás à semelhança de muita gente nesta pobre terra chamada Almada.
Agora...
Até porque SM está já a pensar noutros tronos para ocupar além do da CMAlmada.

Maria P. disse...

As pessoas estão a ficar muito egoistas...(ou já seriam?!)

Beijinho, Luís*

Luis Eme disse...

sim, gosta-se muito de entreter a vista nas montras, Rosa...

a crise não dá para muito mais.

Luis Eme disse...

eles acham que são muito espertos, e nós os papalvos, Observador...

Luis Eme disse...

é muito estranho, Cap, e caracteriza muito do espírito do empresário português. pagar mal aos empregados e encostar-se à sombra da bananeira.

Luis Eme disse...

esse é o maior problema que enfrentamos, Maria...

estamos dependentes de empresários mediocres.

Luis Eme disse...

alguns portugueses são assim, Lear.

infelizmente são os que têm algum poder e dinheiro...

Luis Eme disse...

acho que sempre foram, M. Maria Maio.

mas as crises até fazem com que muita gente perceba que precisa dos outros...

Ginjal e Lisboa disse...

Caro Luís, tal como no comentário que colocou no meu blogue Ginjal e Lisboa, também aqui não é que discorde (na íntegra) mas também não concordo.

A literacia média dos empresários portugueses é inferior é literacia média dos portugueses. Pouco sentido de gestão, pouca competência técnica, pouca formação académica, pouca cultura.

O pequeno comércio local é talvez disso um exemplo. Muitos empresários, de facto, usaram e abusaram de apoios estatais e europeus (e por apoios leia-se impostos pagos pelos contribuintes) em benefício próprio, pouco tendo a economia beneficiado com isso.

Formação é uma das coisas de que o País mais precisa (formação em geral, formação em cidadania, etc).

Quanto aos Mellos, Espírito Santos, Champalimauds, etc, quero também dizer que é minha opinião que é pena que não haja muitos mais como eles, e que sejam fortes, empenhados em investir na economia real e em criar emprego.

Do que sei, de forma geral, desenvolvem o potencial humano dos seus colaboradores, têm sentido de responsabilidade social, reinvestem grande parte dos lucros das empresas, ou seja, promovem a economia e - de modo geral, uma vez mais - fazem-no de forma sustentada o que, nos dias que correm, é do que mais o País necessita.

Por isso, parecem-me sempre precipitadas as generalizações acho que se deve evitar meter no mesmo saco situações díspares que têm causas distintas e que, portanto, deverão merecer análises diferenciadas.

Luis Eme disse...

nãp precisamos de concordar uns com os outros, G., basta respeitarmos as opiniões contrárias...

em relação à temática, não são generalizações, é conhecimento de causa em relação aos empresários em causa e à sua falta de sentido de Estado, G.

dos Mellos poderia falar por exemplo da Lisnave, colocada em situação difícil, apenas para colher apoios estatais.

dos banqueiros, há tantas histórias, desde a compra e venda do Sotto Mayor por parte de Champalimaud, às negociatas do BES em paraísos fiscais...

Cris Caetano disse...

Só posso concordar contigo. É tempo de virar a mesa, criar e inovar para superar a crise.
Aqui no Brasil criaram o termo "se virar nos 30" (onde "30" são segundos de tempo), coisa que nós aprendemos devido a trocas constantes da nossa moeda em função da desvalorização da mesma.
Então aprendemos a nos virar num tempo rápido em busca de um plano B, se não fosse assim... depois que o Collor bloqueou a poupança de todo mundo, teria sido bem pior do que foi.

Beijos, Luis

Luis Eme disse...

nem mais, Cris...