sábado, dezembro 29, 2007

A Cilada ao Padre-Treinador

Uma reportagem de ontem do "Público" procura fazer um retrato do padre António Aires, que foi vitima de uma cilada por um grupo de desconhecidos, que o agrediram, despiram e ataram a uma árvore, próximo de Alijó.
Além do relevo dado ao padre-treinador de futsal, o trabalho jornalístico de António e Pedro Garcias é muito pouco conclusivo em relação ao incidente que foi vitima, embora lance a suspeita de que se tratou de um assunto de mulheres e acrescente que o padre António também é visto como uma pessoa vaidosa, teimosa e autoritária, nas freguesias onde está inserido.
Ao qual não deverá ser indiferente o facto de se passear, com um Mercedes desportivo de dois lugares, entre as várias paróquias que dirige. Mas o que me chamou mais a atenção foi uma frase atribuída a si próprio: «Dentro da igreja, sou padre. Cá fora sou um homem igual aos outros.»
Se esta frase é verdadeira, é a primeira vez que ouço alguém, com coragem para assumir esta postura, de dentro para fora da Igreja.
A única coisa que me parece óbvia em toda esta reportagem, é que se o padre António, quer mesmo ser um homem igual aos outros, fora da igreja, deverá abandonar a batina...

Escolhi este retrato de Rafael Bordalo Pinheiro, "Moralidade e Marmeleiro!", do seu "Álbum das Glórias", em que satiriza o bispo de Viseu, uma personagem muito especial da Igreja no século XIX, pois além de liberal foi maçónico...

6 comentários:

Oris disse...

Ainda não tinha lido a história tão completa, como a que li no teu post. Achei que havia qualquer coisa que não estava bem contada...

Também concordo. O melhor que tem a fazer é deixar a batina de vez. Talvez sirva de exemplo a muitos que andam por aí....

Bom Ano, Luís.

Beijitos

Maria P. disse...

Nestas histórias corremos sempre o risco de: quem conta um conto...

MC disse...

Olá, Luís!

Em primeiro lugar, os meus votos de um BOM ANO 2008.

Sobre o dito cujo padre, li e ouvi muito pouco sobre o tema. A forma como os padres se posicionam nas paróquias é de molde a, pelos motivos mais fúteis, desencadear uma acção como a que ocorreu. Gente que não assume frente a frente a sua discordância, e depois assim em manada, agem. Mal, temos de concordar todos.
Muitos padres assumem um papel de autênticos ditadores.

Não conheço nada do tal padre, mas andar a pavonear-se de mercedes, não me sugere nada de bom. Os padres (não só os padres. Quero fazer mais um post sobre isso)
na Igreja Católica, estão em grande parte desenquadrados da vida. Por isso não é de estranhar atitudes como as que parece ter o tal padre. Quanto à frase, se a disse, não foi muito feliz com ela.
Um padre é um homem como os outros, tanto dentro como fora da Igreja. Não vejo como possa ser diferente. Pelos votos que exprimem uma opção de vida - um compromisso - abstêm-se de algumas coisas.
Geralmente dá-se um relevo exagerado à questão sexual. Para mim ela é secundária. Um padre que não é generoso, afectuoso, cuidadoso dele e dos outros, aberto à vida que o rodeia (onde se exprime a Acção de Deus),é na minha opinião, pior servidor de Deus, logo da comunidade, do que um que por esta ou aquela razão rompe os votos de castidade. Embora também aí há muita coisa a dizer.

Só para terminar, este episódio vem mais uma vez mostrar que o papel do padre na Igreja Católica devia ser repensado e actualizado. Nas várias vertentes. Celibato, acção na comunidade etc.

Abraço

Luis Eme disse...

Mas a minha está longe de estar completa, Oris...

Luis Eme disse...

Tens toda a razão Maria P.

Luis Eme disse...

Concordo com praticamente tudo o que disseste, MC.

É preciso uma nova postura, uma maior humanização dos padres, embora alguns queiram ser confundidos com "divindades"...