sexta-feira, dezembro 29, 2006

As Relações na Blogosfera

Quando alguns amigos me colocam questões sobre a blogosfera, percebo que sentem mais curiosidade em saber quem está do lado de lá, como se processam as relações, que nos seus conteúdos.
Penso que isso acontece porque já conhecem o que é divulgado nestes diários ou semanários pessoais, e também por saberem que este é um dos meios mais fáceis para publicar aquilo que queremos e que, muitas vezes, nunca tivemos coragem para divulgar (isto acontece sobretudo nos blogues sobre poesia, que são cada vez mais e com bastante qualidade).
Como disse anteriormente, uma das coisas que vêm logo para a mesa, é quem são as pessoas que escrevem e que espécie de relação existe entre elas, porque é notória a fidelidade nos comentários dos blogues.
Claro que é difícil estabelecer padrões numa coisa tão gigantesca e com uma temática tão diferente.
Em primeiro lugar, todos nós temos amigos com blogues, e é normal que os visitemos e deixemos algumas palavras, por graça e por gosto. Isto explica em parte a questão da fidelidade.
Por outro lado, acho que não é preciso conhecermos as pessoas pessoalmente para criarmos laços de amizade e de admiração sobre o que dizem. Isso sempre aconteceu nos meios artísticos e literários. Por exemplo, quando gostamos de um livro, temos tendência a ler toda a obra desse autor, criando obviamente alguma empatia com o escritor ou escritora. Nos jornais acontece a mesma coisa. Quando gostamos de um cronista, somos capaz de comprar uma revista ou jornal, só para ler as suas palavras.
É por isso que considero perfeitamente natural visitar alguns sítios, quase diariamente. Até porque há quase sempre interacção nas visitas que fazemos e isso vai criando alguns laços, reforçados pela empatia e admiração que existe sobre o que elas escrevem e sentem.
Claro que isto tem pano para mangas...
Prometo voltar brevemente ao tema, com outra questão pertinente abordada frequentemente: o anonimato na blogosfera.

20 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Já tecia alguns comentários em blogues que fui descobrindo a partir de um; depois, por gostar de "falar" sem sair de casa e por disponibilidade criei o meu, faz hoje precisamente 4 meses.
O que me agrada mais é ler comentários de pessoas que a partir de desconhecidas fazem agora parte do meu quotidiano.
Visito-as diariamente, mas encontro-as quando e porque quero.
Sou eu que as escolho e elas a mim.
Não há qualquer imposição social, do fica bem ou fica mal.
Gosto as tuas duas "casas".

jcfrancisco disse...

Mas há um outro aspecto da questão. Por exemplo um excelente blog que só há pouco descobri não admite comentários; apenas leitores. Trata-se de «ofogareiro.blogspot.com» com o qual passei logo a colaborar e concordo com a sua prática. Sob a capa do anonimato escrevem-se muitas baboseiras. Outro dia alguém referiu que a minha crónica em «alicerces1» era uma história mal contada. Nem é história nem é mal contada. Fui bancário entre 1966 e 1996. Sou jornalista desde 1997 e agora fiquei desempregado.Pois houve logo um «pobre» que veio dizer que era uma história mal contada...

Anónimo disse...

Oh Luís, a quantidade de mangas que vais fazer com tanto pano....
Estou completamente de acordo com o que escreveste.
Um abraço

Menina_marota disse...

"...Por outro lado, acho que não é preciso conhecermos as pessoas pessoalmente para criarmos laços de amizade e de admiração sobre o que dizem. Isso sempre aconteceu nos meios artísticos e literários. Por exemplo, quando gostamos de um livro, temos tendência a ler toda a obra desse autor, criando obviamente alguma empatia com o escritor ou escritora."

... plenamente de acordo!

Por isso aqui venho lê-lo e neste caso presente, deixar um abraço de uma feliz e serena entrada em 2007.

FELIZ ANO NOVO

;)

Poesia Portuguesa disse...

Não podia estar mais de acordo com as suas palavras...

Um abraço e Feliz Ano Novo ;)

Maria P. disse...

Teremos pano para o ano todo de 2007!

É sem dúvida um tema aliciante, no caso da Casa de Maio, foi um pouco diferente, o único conhecido pessoalmente que tinha um blog, não está no meu "rol".
Foi fantástico o grupo de amigo que fui criando atráves do blog, alguns mais fiéis é certo, outros menos.
Mas o blog que surge exactamente pelo descontentamento com o mundo real, veio preencher um enorme vazio com estes amigos virtuais, mas a meu ver mais sinceros, não fazem favores, comentam porque gostam, senão passam e nada dizem...

Peço desculpa pelo testamento, afinal só vinha desejar um Feliz 2007!

Um abraço:)

Luis Eme disse...

Rosa dos Ventos,
Concordo contigo, a mim também me agrada ler os comentários das pessoas desconhecidas que passaram a fazer parte do meu quotidiano.
Não há qualquer dúvida que a "blogosfera" é um espaço onde é mais fácil dizer o que pensamos.

Luis Eme disse...

Zé do Carmo Francisco,
Embora cada um de nós seja livre de gerir o nosso espaço, acho os comentários essenciais na vida de um blogue.
Felizmente existem várias maneiras de combater os comentários anónimos insultuosos (eu próprio já tive de os limitar à "família da blogosfera")...
Esse é um dos preços que se pagam pela liberdade de podermos dizer o que pensamos.

Luis Eme disse...

Maria,
Pois é, as mangas que se podem fazer com tanto pano...

Luis Eme disse...

Menina Marota e "Poesia Portuguesa,

É bom estarmos de acordo.

Luis Eme disse...

Maria P.,
não existe qualquer dúvida que os blogues vieram preencher um vazio que se fazia sentir na nossa sociedade, dando voz a todos os que quiseram entrar neste "mundo" de comunicação.
Concordo contigo, que há muita autenticidade naquilo que se diz e comenta, até porque não existe qualquer necessidade de se bajular quem quer que seja.

Rosa dos Ventos disse...

Às vezes gostava de comentar certos textos mas não tenho o "Abre-te Sésamo" e fico apenas como passante.
Provavelmente os seus "donos" tiveram experiências desagradáveis...
Só uma vez me identifiquei por um mal-entendido que ficou logo sanado.
Mas o anonimato fica para uma próxima, não é Luís?
Bom Ano!

AnaG. disse...

O saber que há alguém, do outro lado, que nos vem visitar é reconfortante. Pessoalmente não conheço ninguém, mas já há quem considere amigo.
Afinal, amigo, passei só para te desejar um Feliz Ano Novo.
Que a paz e o amor estejam sempre presentes na tua vida e em todos os dias do ano que vai chegar.
Não podemos excluir a tolerância e a solidariedade.
Beijinhos

Luis Eme disse...

Rosa dos Ventos,
A segunda parte vem já aí...

Luis Eme disse...

É sim senhor, Ana.
É por isso que acho os comentários uma das componentes mais importantes da blogosfera, o sentirmos que temos alguém no outro lado que nos lê e opina...

Um feliz Ano Novo também para ti, cheio de coisas boas.

Anónimo disse...

Mensagem para sempre não só para 2007 no meu blog.
Fico a espera que quando puderes passes.Obrigado
Um ternurento abraço a ti e a 2007

Ida disse...

Tava justamente a pensar nessa possibilidade de existência "extra" que é a blogosfera, quando me deparo com este teu post.

Ainda não cheguei a conclusão alguma, há muito assunto e muita reflexão possível, o fato é q temos uma outra existência, à parte a rotina e as relações gastas e nas quais nem sempre conseguimos espaço de expressão. Expressão do que somos, do que é verdadeiro, mas que não ganha voz por limitaçòes de várias ordens.

Às vezes sinto falta de mais palpabilidade nestes meios, mas é sempre divertido, pelas escolhas que faço e, como tu e a Rosa dizem, é sempre por escolha que "vou" aonde vou, nunca por obrigação social. E tenho me divertido muito com tanta variedade de pontos de vista e de olhares.

Para quem já andou em chats e se desencantou, a blogosfera só prova que estamos sempre buscando contato e comunicabilidade, deve ser uma compulsão dos seres gregários que somos. Ainda que haja desvios de comportamento, assim como nos contatos presenciais.

Luis Eme disse...

Lurainbow,
passei pelo teu canto e prometo voltar mais vezes...
Tudo de bom para ti em 2007.

Luis Eme disse...

Ida,
Falas de tanta coisa...
Concordo contigo na generalidade das coisas.
A variedade temática que existe na blogosfera acaba por ser uma vantagem, porque nos permite visitar quem quisermos, consoante o nosso estado de alma.
Não conheço a realidade dos "chats", mas nas conversas que tenho tido com amigos, é um terreno muito mais escorregadio. Além disso penso que as pessoas procuram coisas nestes lugares coisas mais palpáveis que na blogosfera.

Ida disse...

Não podia deixar de comentar, Luís. Sabes, eu sou de um tempo em que chats eram lugar pra trocas, como se fazem hj na blogosfera. Eu fiz amizades que duram até hj, em vários lugares do Brasil, mas isso foi nos idos de 96, depois, a vida me afastou desses passeios e quando voltei, fiquei surpresa com aquilo em q tinham se transformado as salas temáticas e as trocas engraçadas que tinhamos entre SP/RJ/MG. Tinham virado salas de "encontros" com direcionamentos muito específicos... A sessão de cartas da Playboy deve ser mais light. Mas acho q o povo que frequentava os chats naquela época, justamente deslocou-se e encontrou novas formas de expressão, por aqui.