terça-feira, fevereiro 17, 2009

O Casamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo

Acho uma grande hipocrisia toda esta "nuvem" de poeira, levantada acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Digo isto porque todos sabemos que existem famílias compostas por dois homens ou duas mulheres, por vezes até no prédio onde habitamos (por acaso é o que acontece no meu, e o casal em causa, até é um excelente exemplo de cidadania a todos os níveis, são educados e simpáticos para toda a gente, não baixam a cabeça quando se cruzam connosco nas escadas...).
Se as pessoas já vivem juntas e constituíram uma família, porque razão não podem oficializar a relação?
Não consigo perceber.
Eu nunca morri de amores pela instituição "casamento", só casei com a minha esposa, porque era a única possibilidade de vivermos juntos. Mas nunca senti necessidade de ter um papel assinado. Mas respeito quem acha este "contrato" uma coisa essencial numa relação, sejam hetero ou homo.
Quem também adora estas discussões (assim como a eutanásia), é o senhor engenheiro que nos governa. Ele pode governar mal (e se governa...) mas não dorme na "forma"...
Não consegui identificar o autor imagem, mas como a acho bonita, aí vai ela...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Arealva, Memórias Dispersas no Tempo

Amanhã é inaugurada a exposição de fotografia, "Arealva, Memórias Dispersas no Tempo", da autoria de João Soeiro, às 16 horas, na Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, em Almada.

Após a inauguração será apresentado um álbum sobre esta mostra artística, editado pela Junta de Freguesia de Almada, que conta com a minha colaboração, com um texto sobre a história da Quinta da Arealva.
O texto começa assim:
«A Quinta da Arealva continua a ser um lugar especial no concelho de Almada, apesar do abandono a que tem sido votada nos últimos anos.
A sua beleza tem conseguido resistir a quase tudo, provavelmente graças à cumplicidade que continua a manter com as águas do Tejo. Beleza que também pode ser associada ao seu nome, bastante singular e original.
Segundo o historiador, Raul Pereira de Sousa, a sua origem está ligada à praia de areia branca que existia naquele local, da qual hoje só se descobre uma pequena franja na maré baixa, e menos clara.
Embora alguns estudiosos de etimologia defendam que a palavra Arealva também possa significar monte ou montanha, segundo os termos fenícios e indo-europeus, pensamos que a posição do historiador almadense é a que faz mais sentido, pelo menos neste caso particular. [..]»
Apareçam...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Encontros Por Aí (1)

Reparei nela, por quase nada.

Não tinha um decote grande, não vestia mini-saia, não olhava com olhos gulosos nem possuia lábios carnudos. Nem tão pouco era a mulher mais atraente da sala.
Mas percebia-se à légua, que era a única que sabia sorrir.
Embora seja um lugar-comum, é autêntico. Muitas vezes um sorriso vale por mil palavras (e até por umas quantas curvas mais lineares)...
A fotografia é de Jean Dieuzaide, do "Portugal 1950".

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

13ª Mostra de Teatro de Almada

Começa hoje e prolonga-se até ao dia 22 de Fevereiro.
É a festa do teatro amador de Almada, que nos oferece, pela certa, bons espectáculos, em vários espaços do concelho.
Se gostam de teatro apareçam em Almada.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Há Qualquer Coisa Que me Escapa...

Não consigo entender a lógica dos horários do Metro de Superfície de Almada.

Ora passam composições separadas por menos de um minuto, ou tem de se esperar, treze, catorze minutos pela próxima.
Outro aspecto curioso, é o número de composições que circulam durante o dia, "reservadas", sem fazer qualquer paragem, obrigando sim, os carros e as pessoas a esperarem pela mudança do sinal, criando filas de carros e entupindo a praça Gil Vicente (é a que me é próxima, a que uso como exemplo, embora isto suceda em todas as rotundas onde circula o Metro...).
Ou não devemos estar em crise para os lados do "metro", ou há alguma coisa que me escapa...

domingo, fevereiro 01, 2009

As Fotos de Aníbal Sequeira

Aníbal Sequeira, além de um excelente companheiro, é um dos fotógrafos portugueses mais premiados, internacionalmente. Felizmente ele já entrou no mundo da "blogosfera".

Convido-vos desde já a visitar o seu espaço e a conhecerem as suas belas fotografias a preto e branco.
A fotografia que publico da sua autoria é, "O Elogio ao Trabalho".

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Jornais Cada Vez Com Menos Leitores

Almocei um dia destes com um amigo que continua a escrever no seu jornal de sempre. Nunca o tinha visto tão desencantado com o panorama actual do jornalismo.

Nada do que me disse era surpresa. Há muito tempo que noto que os jornais (e as televisões) são quase todos iguais. Nunca como agora se fizeram tantas capas iguais (e não acredito que existam espiões nas redacções ou que acha qualquer interesse que isso aconteça) no mesmo dia, porque as pessoas pensam o jornalismo da mesma maneira, a mais fácil.
Eles ainda não perceberam que a frase de "cassete", «é isto que as pessoas querem», está tão gasta, especialmente na televisão, que o "lixo" normalizado começa a ser devolvido à procedência...
Pensava que os jornais de papel iam durar mais, mas agora já não sei. Se não se inverter o caminho, penso que serão cada vez mais insignificantes...
Culpados? Na primeira analise (demasiado simplista), os directores. Claro que eles não estão só nesta caminhada. Os donos e accionistas que acham que vender jornais é a mesma coisa que vender sabonetes ou frigoríficos, são os grandes responsáveis por mais esta crise...

sábado, janeiro 24, 2009

A Estética e a Discriminação

As novas estações do metro são muito bonitas, mas não nos protegem da chuva nem do vento. E do sol, quando ele apertar logo se vê...

São de tal maneira abertas, que entra água e vento por baixo e pelos lados, só se salva a protecção superior. Nos dias de chuva quem se quiser sentar nos bancos, fica com as calças ou saia molhadas...
Mas o mais triste, é que com as novas estações de metro e toda a modernidade nesta nova Almada, desapareceram as antigas paragens de autocarro da TST (com abrigo...), deixando os seus passageiros, completamente desprotegidos, porque não têm qualquer tipo de protecção...
Apesar de não ser cliente assíduo destes transportes públicos (em Almada ando praticamente sempre a pé), não consigo perceber porque razão existe tratamento diferenciado para os utentes destes dois tipos de transporte.
Será que quem utiliza os autocarros da TST passou a ser um cidadão de segunda no concelho, em detrimento do metro, que apenas abrange as principais vias de Almada?


sexta-feira, janeiro 23, 2009

O Poder da Blogosfera

Não estava à espera que tapassem os "buracos" próximo da minha casa, tão rapidamente. Coloquei aquela fotografia a poucos metros da minha casa, apenas pelo seu simbolismo.

Quando falava de buracos, falava de todos aqueles que andam por aí, espalhados pela cidade, e que são mais notórios e perigosos quando chove (foi num deles que cortei um pneu, do qual tive o cuidado de tirar fotografias, e enviar, juntamente com o recibo, de um pneu novo, que comprei há mais de dois anos e que nunca mereceu qualquer resposta do respectivo pelouro Municipal, apesar de serem eles os responsáveis pelas vias rodoviárias urbanas...)
Não sei se os remendos foram simples coincidência, ou se há de facto uma atenção especial aos "blogues" locais por parte da Autarquia Almadense.
Talvez a blogosfera comece a ser realmente importante, no dia a dia de todos nós...

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Homem Novo?

Não me parece que exista o homem novo, que a "Visão" publicita.

Há sim um país que se transformou há trinta e quatro anos, com uma revolução que mudou tudo (e ainda bem), abriu mentalidades, aproximou mais a mulher do homem. Quem nasceu em liberdade é de facto um homem novo.
Mas não tem necessariamente que se depilar ou tratar das rugas. Quanto aos perfumes, sempre existiram. Nem sequer conheço pessoas que tenham prazer em cheirar mal. Lembro-me de o meu pai trazer perfumes de Espanha, antes de Abril, além dos caramelos, da laranjada e da bonbazine...
Há sim um negócio crescente de beleza, incentivado por uns gajos amaricados que têm alergia a pelos e que não gostam de rugas, que já foram "metrossexuais" e não sei o que serão amanhã...
Eu? Gosto dos meus pelos e das minhas rugas, tal como começo a gostar dos cabelos brancos que vão aparecendo. Claro que tenho a vantagem de não trabalhar num lugar onde é obrigatório usar terno e gravata, em que o cartão de crédito também tem umas despesas no "spa"...
Que bom que é sentir-me um homem "velho".

domingo, janeiro 18, 2009

A Propósito de Arte...

Por razões editoriais, exteriores à blogosfera, pedi a uma amiga um poema sobre Arte. Ela preferiu brindar-me com uma prosa, que escreveu em 1992, para um catálogo de arte, para a exposição anual da Artes do Seixal. Para este bonito texto da poetisa almadense, Maria Gertrudes Novais, escolhi um lindo acrílico da Menez...

«Todo o acto de criar é amor e, porque o homem é um ser criador, com a sua imaginação, sensibilidade e amor vai transpondo para a tela, para o papel e para os mais diversos materiais o seu modo de sentir e de estar no mundo que o rodeia. Através da arte, consegue transmitir os seus anseios, a paixão, a dor, o sofrimento e o amor ao próximo. Assim, comunica a sua própria realidade.
O artista não é um ser diferente, apenas vê a realidade de uma outra forma e dá-lhe uma alma mais forte e viva, com o seu cunho pessoal.
A arte é algo de belo e de místico que nos alimenta o espírito, que se sente, que nos invade e nos dá mais força para viver.»

quinta-feira, janeiro 15, 2009

A Chuva é Terrível...

A chuva é terrível, mostra as fragilidades das cidades, que não são apenas feitas de avenidas novas, onde passa o eléctrico...
Felizmente é ano de eleições, pelo que o mais provável é que os buracos que se transformam em poças de água e são a alegria da criançada, sejam remendados, lá mais para o Verão...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

As Modas Ainda Vêm de Paris...

Hoje lembrei-me de escrever sobre duas coisas: a forma como o árbitro do jogo Benfica-Braga, executou mais um daqueles "roubos de igreja", que o mestre Pedroto costumava denunciar (senti-me envergonhado como benfiquista...); a promoção do Armando Vara, já depois de ter transitado da CGD para o BCP (só mesmo no nosso país...).

Mas isso era falar de coisas tristes. Apetece-me mais falar de coisas alegres, como a saída de um dos meus vizinhos, o Manecas, para um conhecido que passeava o cachorrinho, protegido com uma camisola de lã.
Enquanto passava em direcção a casa, o Manecas depois de me cumprimentar piscou-me o olho e virou-se para o senhor sexagenário que cirandava por ali, agarrado à trela, dizendo-lhe com um ar sério, que ele estava muito desactualizado. O homem abriu a boca meio espantado e ficou à espera da "actualização". O Manecas não vai de modas e atira-lhe: «Então não sabes que os "fifis" em Paris, além da camisolinha de lã, também se passeiam de pantufas pelas ruas, no inverno?»
O homem ficou de tal maneira furibundo que perdeu a compostura e respondeu-lhe de uma forma ordinária.
Eu, graças ao humor do Manecas, não perdi o sorriso até chegar a casa...

A gravura é da extraordinária Paula Rego.

domingo, janeiro 11, 2009

Eléctricos a Mais e Carros a Menos

A lógica do Município de colocar mais eléctricos que carros no centro da cidade, tem mais aspectos negativos que positivos no dia a dia de Almada.

O corte do trânsito entre parte das avenidas Afonso Henriques e D. Nuno Álvares Pereira, criou filas intermináveis de carros, em ruas aparentemente calmas, causando um grande transtorno a todos aqueles que se têm de deslocar diariamente a Almada, entre outras coisas, para levar e trazer os filhos às escolas, jardins de infância ou casa de familiares.
A mudança dos sinais de trânsito, em alguns casos é de uma aberração, que não obedece a qualquer lógica. De todas as mudanças, a que me parece mais surrealista é a da rua Capitão Leitão (agora mudaram as coisas, ainda para pior...).
Por outro lado, as composições de eléctricos (vulgo Metro de superfície) chegam a circular de minuto a minuto, quase sem passageiros, accionando os sinais luminosos e criando confusão e filas nas principais rotundas onde passam linhas. Pergunto, porque razão se mantêm estes horários, que criam dificuldades aos próprios maquinistas das composições e até podem ser perigosos pela sucessão de passagens nas principais artérias da cidade? Nem parece que estamos em tempo de crise, ou então estes eléctricos são de tal maneira evoluídos que trabalham a "ar"...
Moral da história, o centro da cidade está mais deserto, mas ruas que eram calmas, como as Bernardo Francisco da Costa, Francisco Andrade ou Lourenço Pires de Távora (especialmente esta...), chegam a estar atoladas de carros, durante várias horas. Além das já movimentadas, praça Gil Vicente, rua D. Sancho e avenida Rainha D. Leonor, onde o trânsito agora chega a ficar paralisado. Não tenho dúvidas de que há mais poluição na cidade, porque este novo "pára-arranca", não só tem aumentado o desperdício de gasolina e de gases (é uma boa altura para se estudar a poluição do ar...), como provoca múltiplas apitadelas, causadas pela irritação de quem já está cansado de um dia de trabalho e quer chegar a casa, mas tem de ficar retido em mais uma fila de trânsito...

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A Gaivota do Barão


Gaivota


A horizontalidade do teu voo
A serenidade das tuas asas
Refletem a simplicidade
E aquilo que os homens mais ambicionam:
A LIBERDADE.
E quando te observo
Cortando no ar esse leve azul
Ou poisando nesse azul profundo
Apetece-me meditar, cantar, dançar,
Embrulhado numa veste de tule
E desencontrar-me com o resto do mundo.

Este bonito poema de Fernando Barão, escrito inicialmente no seu livro "Escapes de Uma Vida", é agora republicado no caderno, "Olhares da Outra Banda". Isto não acontece por acaso. Fernando Barão continua a ser uma das grandes figuras da cultura almadense, com uma lucidez invejável e um humor único, ele que acabou de completar oitenta e cinco anos há seis dias...

domingo, janeiro 04, 2009

As Pinturas de Guerra Urbanas

Passava rente ao muro de pedra da Praça da Liberdade, decorado com uma mão cheia de inscrições manhosas, que nem sequer sei se pertencem ao universo dos "grafittis", como objecto de identificação, quando comecei a questionar tudo aquilo...

Gostava bastante de saber, o que seria que aquela gente, que tinha sujado aquela parede, pensava das suas "obras de arte".
Provavelmente eram capazes de sentir orgulho do seu mau gosto... e se fossem questionados, mesmo de verdade, talvez me mandassem para sítios piores que aquela coisa d' "a tua prima"...

sábado, janeiro 03, 2009

Quase, Em Câmara Lenta...

Neste momento sinto-me quase com um pé de fora da blogosfera. O excesso de trabalho do final de ano, que se irá manter, pelo menos, durante todo o primeiro semestre (tenho dois livros para acabar, já com previsão de lançamento - uma grande "armadilha"...), são a principal causa.

Irei aparecer em menos lugares e também irei postar menos.
Pensei mesmo em tornar o "Casario" e o "Largo" num só blogue, mas eles não aceitaram a proposta, dizem que são muito diferentes e que prezam muito a sua liberdade.
Disse-lhes que sim e ficaram satisfeitos.
Mas, avisei-os que as coisas vão ser quase em câmara lenta, como na tevê (gosto muito destes slows dos GNR)...

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Caus no Trânsito em Cacilhas

O ano não começou da melhor forma para os milhares de pessoas que se deslocaram de automóvel até Cacilhas, para assistirem ao espectáculo musical e ao fogo de artificio.

Depois do espectáculo pirotécnico, com a debandada quase geral, o trânsito ficou praticamente parado em todas as direcções, devido às várias alterações que foram efectuadas com o Metro de Superfície, que retirou os veículos do coração da cidade.
Como me desloquei a pé, fui um espectador privilegiado de toda aquela confusão surpreeendente (até vi pela primeira vez as composições do metro completamente cheias de pessoas em direcção a Cacilhas...).
Mas o melhor estava guardado para junto à minha casa (antiga Quinta da Alegria, uma das zonas mais pacatas de Cacilhas...), onde os carros se amontoavam, sem conseguirem avançar em qualquer direcção, como podem ver na foto...
Isto durou mais de uma hora, para desespero de todos os automobilistas e acompanhantes, que viram o "programa das festas" do ano novo, sofrer atrasos inesperados...

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Fim de Ano em Cacilhas

Não tinha pensado passar o ano em Cacilhas, mas como está tudo esgotado...

Ainda não é desta que vou à Madeira, ficar mais uma noite no sempre agradável "Reid's"...
Um bom ano novo para todos.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

A Crise Desapareceu...

Não me venham falar de crise, nos tempos mais próximos.

Não vi as lojas com menos gente na segunda quinzena de Dezembro. Então nos últimos dias antes do Natal, as filas aumentaram de uma forma considerável, assim como a circulação automóvel, provocando congestionamentos onde menos se esperava...
No dia de Natal fui almoçar às Caldas da Rainha. Há muito tempo que não apanhava tanta confusão de trânsito no garrafão da Ponte 25 de Abril, a um feriado. O mesmo se passou na A 8, onde encontrei mais trânsito que num dia de semana, normal.
Espero que a crise tenha mesmo fugido, não esteja apenas escondida por ser Natal...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Boas Festas


Vou fazer umas "feriazitas" de Natal, pelo que só voltarei a "postar" depois de 26 de Dezembro.
Desejo-vos a todos boas festas.

sábado, dezembro 20, 2008

A Impaciência dos Cem Anos...

Embora não seja nenhum milagre, são raras as pessoas que chegam aos cem anos. E ainda menos, aqueles que o fazem, mantendo alguma autonomia e lucidez.
Carlos Sameiro, o velho faroleiro de Almada, com 98 anos, tinha tudo isso, embora uma queda (graças às obras do Metro, que felizmente já acabaram), o tenha debilitado, fisicamente, roubando-o aos quase passeios diários que dava pelo centro de Almada, com paragem na esplanada da "Rifera", para conversar com os amigos...
A última vez que conversámos, penso que deve ter sido no final de Setembro, onde estava sentado na companhia do nosso amigo comum, Carlos Durão.
Quando Carlos Sameiro, soube que eu era das Caldas, falou-me com satisfação da sua adolescência passada em S. Martinho do Porto e das suas visitas, a pé (uma brincadeira de mais de dez quilómetros para cada lado...), numa época em que a força nunca se acabava...
Todos nós queríamos (e ele claro...) que chegasse aos cem anos. Infelizmente não resistiu a este frio, um autêntico calvário para as pessoas mais idosas...
Soube do seu falecimento no blogue "Alma d' Almada", de onde retirei a fotografia.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Era Mais um Lobo Disfarçado de Cordeiro

O seu sorriso nunca me agradou, assim como o seu cinismo.

Tinha uma grande audiência nas suas "Conversas em Família" (até a minha mãe gostava de ouvir o senhor...), pois conversa nunca lhe faltou.
Mas com todas estas palavras, nunca explicou o porquê das perseguições que moveu a centenas de homens livres, nem a obrigatoriedade dos jovens participarem numa guerra em defesa de um império, que só existia na imaginação de alguns sonhadores
O meu pai não gostava dele, como não gostara antes de Salazar. Ambos simbolizavam a antítese dos homens livres, aquilo que ele sempre quis ser. Se não tivesse outra razão, esta sobejava-me.
Ainda hoje...

domingo, dezembro 14, 2008

Conversas de Café (17)

- Sei que estás cheio de sorte, já podes levantar a "massa" do Banco Privado...

- Nem no banco privado nem no público, mas adiante...
- Não me digas que não tens "plaffon" para ter lá dinheiro...
- Se é verdade o que vem nos jornais, não.
- Nunca pensei que o teu amigo sócrates fosse tão indiscreto, a proteger os amigos ricos...
- As pessoas que estão no poder vão perdendo a vergonha.
- O mais engraçado, é que o próprio nome da instituição diz tudo. Sempre pensei que privado era o contrário de público.
- Eu também. Vais ver que com esta crise, qualquer dia também subsidiam o "Gambrinus"...
- Falando a sério, nunca vi um governo que protegesse tanto o grande capital como este. As PME's que se cuidem...
- Vão fechando, um pouco por todo o lado. Fazem lembrar a agricultura, onde para receberes subsídios do Estado, tens de ser "latifundiário"...
- Até quando é que eles vão teimar em chamar-se socialistas?
- Boa pergunta...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

«Vendedores de Jogo»

Era assim que o meu pai apelidava os grandes "palradores", capazes de dar grandes voltas numa conversa, para nos tentarem levar à certa, com um pedido ou uma venda qualquer. A única certeza que ele tinha, é que ficávamos sempre a perder...

Mas achava-lhes piada, às vezes era capaz de comprar qualquer "inutilidade", apenas pela satisfação de apreciar a lata e o jogo de cintura do vendedor, que em muitos sítios, era também conhecido como "vendedor de banha da cobra" (embora estes também existissem de verdade, com as suas caixinhas de latão, com a poção mágica que curava todas as doenças possíveis e imagináveis...)
Claro que os verdadeiros vendedores de jogo de rua, não serão todos grandes "palradores", ao contrário dos "vendedores de banha da cobra", como este da fotografia de Eduardo Gageiro...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Sessenta Anos de Quê?

A comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos só pode ser encarada como uma brincadeira, neste começo de século.

Perdeu-se quase tudo, inclusive a vergonha, de usar como bandeira uma declaração que não é cumprida por praticamente nenhum Estado.
O trabalho que era, e é, o alicerce económico de qualquer família, está pelas ruas da amargura. O desemprego cresce, à mesma velocidade que o trabalho precário e as horas de trabalho. Nunca se viveu com tanta insegurança, com tantos medos, com tanta violência.
Falhámos em toda a linha nos últimos anos. Esquecemos tanta coisa importante, especialmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Nos seus primeiros dez artigos, não existe um, que seja cumprido integralmente no nosso país. E não vou para as áfricas e américas...

Esta fotografia de Gordon Parks, continua actual, espelha o desespero das mães deste país, que têm cada vez mais dificuldade em oferecer aos seus filhos, aquilo a que deveriam ter direito, segundo a Declaração...

terça-feira, dezembro 09, 2008

«O Diabo Anda à Solta!»

Era esta a expressão da minha avó, neste dias ventosos, em que quase tudo dança à nossa volta, com violência.
Nesse tempo, eu, ainda pequenote, sorria e espreitava o vento, mas do demónio nem sinal. Era invisível, feito de uma massa parecida com a de Deus, que também não gosta de se mostrar, embora esteja em toda a parte...

Nestes dias está-se bem é em casa, como eu neste momento a ouvir os Clã, já no "sorriso de Gioconda"... onde também há um amante furtivo.
«Para quem sorri Gioconda? Está tão longe e tão perto...», pergunta a Manuela Azevedo, uma das vozes que mais gosto de ouvir cantar em português... e agora já está noutra canção, a dizer-me: «deixa que o amor se entranhe na terra seca do coração», isto tudo, com «o ritmo do mar», imaginem só.
Deu-me para aqui, porque o diabo, dizem, que anda por aí à solta...

domingo, dezembro 07, 2008

O Ginjal no Mural de Romeu Correia

Ontem foi inaugurado, em frente das piscinas da Academia Almadense, o Mural de azulejos da autoria de Louro Artur, que homenageia o escritor almadense Romeu Correia. Não estive presente porque à mesma hora havia o lançamento do livro de Diamantino Lourenço...

Sabemos que este painel tem estado armazenado em caixas, há já uns anos, nas instalações do Município.
Não conseguimos perceber o porquê. Porque razão se tem escondido este bonito Mural (gosto mais desta palavra que de painel...) dos almadenses...
Ainda menos percebemos que tenha sido colocado num lugar quase escondido, da Cidade...
Entre os muitos motivos escolhidos pelo autor da obra, lá está o Ginjal, lugar de predilecção de Romeu, na infância e adolescência...

sábado, dezembro 06, 2008

O Livro Sobre Cacilhas de Diamantino

"Cacilhas - Ponto de Partidas Local de Passagem", é o título do livro de Diamantino Lourenço, que é apresentado hoje na sede da ARPIFC, na localidade ribeirinha.

Assisti a todo o percurso deste livro, que em meses passou de um pequeno opúsculo de quarenta páginas a um belo livro com mais de cem folhas...
O mais curioso foi o autor ter ido buscar acontecimentos que tinham passado ao lado de quase todos os cacilhenses, como a partida da Primeira Volta a Cavalo, em 1925, ou várias partidas de etapas da Volta a Portugal em Bicicleta...
Mas Diamantino não se fica por aqui, também nos dá uma perspectiva dos estudos e construções de pontes sobre o Tejo e dos caminhos ferroviários (que só agora chegaram a Almada, através do Metro de Superfície).
O mais bonito disto tudo, é vermos alguém que escreve bem, com dezenas de artigos publicados aqui e ali, ter esperado pelos setenta e sete anos, para publicar a sua primeira obra a solo.
Parabéns Diamantino!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Eram Poetas...


ERAM POETAS...

«Não eram vultos, eram poetas!»
Exclamou o taberneiro, com orgulho,
Ao velho polícia do giro.

«Eram poetas sim senhor.»
Insistiu o taberneiro.
O polícia coçou o nariz,
Só conhecia aqueles marginais
Dos livros e dos filmes.
Até pensava que não saiam à rua.

«Saem sim senhor,
Embrulhados na noite.»
Explicou o taberneiro.
O polícia agora coçava a cabeça,
Enquanto fazia sinal ao homem,
Para lhe encher mais uma vez o copo.

«Eles param sempre aqui,
Antes de trocaram algumas palavras
Com as nuvens e as estrelas.»
Sorriu o taberneiro.
O polícia olhou-o fixamente nos olhos,
Antes de soltar uma valente gargalhada.

«E também namoram sereias.»
Disse o Taberneiro com satisfação.
Os dois homens não conseguiam parar,
De rir e de beber aquele vinho,
Tonto e tinto...

Foi por isso
Que em boa hora
Decidiram fazer um brinde:
«Aos poetas do Tejo,
Das noites e das sereias belas...»

Poema publicado inicialmente no fanzine almadense, "Debaixo do Bulcão", nº 33, Junho de 2008 (de aniversário), escrito para homenagear os seus criadores, em particular António Vitorino. Posteriormente foi "agarrado" pelo caderno, "Palavras ao Tejo". E é para ti, Ivone...

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Olhares Sobre o Tejo...

Com a polémica dos contentores na frente ribeirinha, em Alcântara, percebi que nem todos os olhares que se debruçam para o Tejo, refletem sentimentos de serenidade, amor ou alegria.

Além do sentimento de indiferença - há quem atravesse o rio, como se estivesse numa auto-estrada, apenas preocupado com os dez minutos que demora a travessia -, também há alguma desconfiança. Há quem nunca tenha achado muita piada a rios largos e a mares, muito menos a ondas eriçadas pelo vento, que fazem os cacilheiros dançar um pouco.
Para estes passageiros o Outono e o Inverno são um suplício, principalmente quando está mau tempo no canal...
É por isso que mal o cacilheiro parte, lançam o olhar num jornal ou num livro e só olham para a Margem, quando já estão a atracar no cais...

sábado, novembro 29, 2008

Palavras ao Tejo

Não é nada de novo, é apenas um caderno com poemas que foi escrevendo, aqui e ali, e que agora reuni...

como abertura, escrevi entre outras coisas:
«Como vocês sabem, de vez enquanto escrevo poemas. Não é uma coisa tão natural como escrever prosa, porque as palavras pedidas nem sempre aparecem. Provavelmente não é verdadeira poesia (se isso existe...), talvez seja mais prosa poética, talvez sejam apenas palavras mais espaçadas, mais calmas e mais sentidas...»

quarta-feira, novembro 26, 2008

Metro em Festa

Hoje foi dia de inauguração do Metro no coração da cidade. Não sei se houve corta-fitas, presumo que sim.

Nem sei se o primeiro-ministro veio cá (era mais giro que se tivesse feito representar pela dupla "alegre", lino e piño, para ajudarem a festa...). Acredito que sim, já é tempo de "campanha eleitoral", nacional e local, pelo que deve ter andado a distribuir sorrisos com a Maria Emília...
Falando de coisas sérias, não sei se o Metro fica apenas a um metro do futuro, nem tão pouco se os novos arruamentos vão trazer as pessoas para as ruas. Gostava que sim, mas como há uma dúzia de anos que nos transformámos numa terra farta em "tapa-olhos"...
Era bom que quem nos governa levasse à prática as suas próprias palavras, ou seja, que todos os almadenses sentissem que Almada é a sua cidade, independentemente da sua escolha de credos ou bandeiras.

terça-feira, novembro 25, 2008

Uma Data Sem Consensos

O 25 de Novembro de 1975, continua a ser uma data pouco consensual.

Para a verdadeira esquerda é um dia triste, significa o fim do sonho, o regresso ao passado, com a porta de novo aberta ao capital (e de facto eles começaram a regressar às suas casas no Restelo, vindos principalmente do Brasil)...
Para o centro e esquerda democrática continua a ser um marco histórico da Revolução de Abril, porque simbolizou o regresso da democracia e da liberdade, sem qualquer tipo de ameaça ditatorial...
Para a direita foi quase um "milagre". Foi a possibilidade de voltarem a respirar e a sonhar com o país desigual que tinham ajudado a construir (e a destruir...) até 24 de Abril de 1974, e continuarem a obra, com os resultados que todos conhecemos, trinta e quatro anos depois...
Claro que esta pequena análise, é demasiado simplista. Mas é difícil fazer história, a uma distância tão curta e com tantos intervenientes ainda vivos, cada um a puxar a "brasa à sua sardinha"...
A escolha do cartaz da autoria de Vespeira, não é inocente. O MFA, tal como no 25 de Abril de 1974, voltou a ser o principal protagonista do 25 de Novembro de 1975, como garante da Liberdade...

segunda-feira, novembro 24, 2008

O Simulacro em Almada

Na tarde de sábado pude assistir "in loco", a algumas operações que se desenrolaram na chamada Almada Velha.

A passividade dos intervenientes era tal, que percebia-se que o simulacro ia seguir dentro de momentos...
Não sei como foi efectuado o planeamento, mas era notório que a coordenação da Protecção Civil com todas as entidades presentes (forças policiais, bombeiros, emergência médica e voluntários), deixava muito a desejar.
Claro que isso irá acontecer sempre, a não ser que queiram tornar os simulacros quase reais, provocando mesmo acidentes (como foi feito em alguns locais), de forma a ter de haver mesmo uma intervenção no terreno. Não basta andar a apitar por toda a cidade, a cortar estradas, etc.
No entanto devo referir que acho extremamente úteis todas estas operações, especialmente em locais onde seja necessária a evacuação de milhares de pessoas. É com os erros "a brincar", que se podem corrigir as eventuais falhas, numa situação real...

sábado, novembro 22, 2008

O Aniversário da Junta de Freguesia Cacilhas

Como de costume, a Junta de Freguesia de Cacilhas, comemorou o aniversário com um jantar, onde há sempre diversão e convívio, entre autarcas, associativistas e comerciantes locais.

O Beira Mar de Almada continua a revelar-se um bom anfitrião, exibindo a excelente nível a dança das suas "muchachas", com ares sevilhanos e também das arábias.
Há também lugar para discursos, para a entrega dos prémios do concurso de gastronomia local, para a primeira apresentação de uma obra literária editada pela Junta sobre Cacilhas, e claro, para colocar a conversa em dia.
Dos discursos retive o desagrado com que o presidente da Junta, Carlos Leal, falou, dos cortes do governo em relação ao apoio às mais pequenas autarquias do país, as Freguesias. Acho um escândalo, por pensar que, de uma forma geral, estes órgãos fazem autênticos milagres de Norte a Sul, quase sempre com parcos meios. Desde a Freguesia do interior, que vai de aldeia em aldeia, buscar a miudagem para a escola, até à Freguesia urbana que apoia algumas actividades desprezadas pelos Municípios...
Das conversas entre amigos, retive o drama de um ex-técnico do Museu da Cidade, o Julião (presente, com uma bonita mostra de fotografias de Cacilhas...), que ao fim de dez anos de trabalho precário na Câmara de Almada, foi despedido.
Casado e pai de filhos, foi atirado para o "lixo", por um Município que gosta de se afirmar solidário, justo e amigo das boas causas.
Claro que esta CDU que governa Almada, não é a mesma que barafusta no parlamento contra a existência do trabalho precário e do novo código do trabalho. É por isso que vos aconselho a lerem o Infinit'os da Minda...

sexta-feira, novembro 21, 2008

A Arte Lisboa

Ontem fui à "Arte Lisboa" (na Fil até dia 24), apreciar a contemporaneadade artística lusa e do mundo.

Não fiquei deslumbrado por aí além, talvez pela forma como tudo está exposto e organizado, muito feira de qualquer coisa, sem a arte que merecia...
Achei curiosa a apresentação significativa de arte chinesa. É mais um exemplo de que eles já deixaram há muito de se interessarem apenas pelo comércio de bugigandas baratas.
Qualquer dia somos nós que ficamos com os olhos em bico...

A imagem é de um postal de Anna, uma artista do sol nascente...

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Esperteza do Liberalismo

Não sei se lhe chame liberalismo ou capitalismo, ou outra coisa qualquer, sei que este sistema político-económico consegue reunir as piores qualidades humanas.

Sim, a inveja, a ganância o cinismo, a arrogância, o egoísmo, tal como a falta de respeito pelo seu semelhante, estão sempre na primeira linha desta ideologia, contra qualquer tipo de regulações.
Infelizmente já não é preciso visitar a América Latina ou os EUA, para descobrir "ilhas", cheias de contrastes, mundos quase à parte, de um lado os ricos (em quase prisões de luxo...) e do outro os pobres. Portugal também caminha nesta direcção. É por isso que a pobreza aumenta diariamente entre nós, ao mesmo tempo que os muito ricos se vão tornando ainda mais ricos.
Isto trás mais desigualdades, mais descontentamentos, e claro, mais violência. Nada acontece por acaso, por muitas desculpas que se inventem...
Não sei como as coisas irão acabar, mas acho no mínimo curiosa a forma como os "ricos" tentam contornar a crise, asfixiando ainda mais as classes médias e baixa, com desemprego e cortes salariais, esquecendo que são eles quem verdadeiramente contribui para o aumento da sua riqueza. Só que para que isso aconteça, têm de ter dinheiro no bolso...
Será que os "capitalistas" ainda não perceberam que por este caminho continuam a construir casas, a fabricar carros, máquinas, bugigangas, para ninguém (se exceptuarmos os seus bólides e condomínios de luxo limitados)?
Por isso não me venham dizer que os capitalistas são inteligentes. Serão quanto muito "xico-espertos", que foram reconstruindo o mundo à sua imagem.
Esperteza essa que se pode e deve estender, a um governo "subsidiário" dos grandes interesses capitalistas, apesar das duas grandes ironias com que tem de conviver diariamente - chamar-se socialista e ser chefiado por Sócrates -, que se vai perpetuando no poder, apenas pelo demérito gritante da oposição...

Parece-me que vão aparecer por aí, muitos "Carros Derretidos", como este de Robert Doisneau.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Hoje Apeteceu-me Fumar um Cigarro...

Hoje apeteceu-me fumar um cigarro, eu, que praticamente nunca fumei, se excluir a meia-dúzia de cigarros fumados no começo da adolescência no ciclo preparatório, sem qualquer importância.

Apeteceu-me porque tenho a mania de andar em sentido contrário em relação a algumas regras e manias da sociedade. E hoje parece que é o dia do não fumador...
É uma boa altura para falar de uma coisa que sempre me incomodou.
Sempre achei obsceno os avisos que aparecem nos maços de cigarro. Nem sequer sei se isso contribuiu ou contribui para a diminuição de fumadores. A nova lei que proibiu de se fumar em quase todos os recintos fechados (excepto nas nossas casas...), essa sim, deve ter reduzido drasticamente o consumo.
E penso que se o Ministério da Saúde está assim tão preocupado com a "vida" e a "saúde" dos outros, deveria fazer o mesmo nos rótulos da bebidas alcoólicas, que tenho a certeza que provocam muito mais mortos, directa e indirectamente. Nas estradas é o que todos sabemos. E nos lares, quantas cenas de violência doméstica, não são provocadas pelo uso e abuso de álcool?
E nem falo da cada vez menor prestação de cuidados de saúde nos serviços públicos e do vazio de médicos de família por esse país fora, outra preocupação esquecida...
É só hipocrisia!
A fotografia, para variar, é de Robert Doisneau...

domingo, novembro 16, 2008

A Cidade da Árvore de Natal Verde

Também estive lá, ao cair da tarde, para ver a cidade ficar iluminada pelas luzes de Natal.

A Praça da Renovação estava bem composta, por isso além das canções houve discursos e palmas.
Não vale a pena sequer questionar os custos da árvore e afins, porque o povo almadense gosta da cidade decorada com luzes, nesta época festiva.
Um dos únicos comunistas que continuam contra estas "festanças" é o Alfredo. A sua ortodoxia e o ódio ao capitalismo fazem-no sempre torcer o nariz a estas coisas. Nunca aceitou a forma como a Autarquia se tem vendido ao capital. É por isso que foi contra o "Almada Fórum", é contra o "Metro de Superfície", e destas iluminações de Natal nem se fala...
Só mesmo ele para falar, inocentemente, na oferta de cabazes de natal pelas famílias mais desfavorecidas do concelho. Ainda lhe perguntei como é se iam encontrar as famílias mais pobres, a carga de trabalhos que seria, além das injustiças que se cometeriam, apesar da boa vontade que pudesse existir...
Não o convenci. Raramente o convenço. E ele a mim. Deve ser por isso que nos damos bem.
Desta forma as iluminações de Natal são para todos, para os que gostam e também para os outros...
E a árvore até é bonita, tem luzes verdes, de esperança.
Como nada é inocente, esta cor deve ser a que mora nas hostes da CDU local, que se preparam para mais uma vitória eleitoral em 2009...

sábado, novembro 15, 2008

Conversas de Café (16)

- Quando olho para o teu "casario", apetece-me sempre perguntar-te se ainda vives neste mundo. Não vives, pois não?

- Tenho dias. Quem me dera, às vezes descobrir outro mundo, melhor e diferente deste. Como isso só pode acontecer em sonhos, é possível, que de vez enquanto me ausente para parte incerta...
- Estou a provocar-te para reagires, mas sem poesia...
- Isso agora é mais difícil. Já não me chateio muito com coisas e pessoas pequeninas.
- Mas pelo menos vais logo à inauguração da iluminação da árvore grande de natal?
- A pedido de várias pessoas, com destaque para os meus filhos, devo ter de comparecer na festança da constança cá do sitio...
- Foi uma grande jogada da Maria Emília, não foi?
- Acho que sim. É a prenda de natal para os almadenses...
- E os almadenses vão gostar?
- Concerteza, eles gostam da presidente...
- E tu, gostas?
- Gosto. É difícil não gostar dela...
- E esta?
- É verdade. É uma personagem simpática, dava uma boa rainha, embora o nome não ajude muito.
- Sim, rainha Maria Emília, não lembra a ninguém. Achas que ela é mais rainha que primeira-ministra de Almada?
- Às vezes parece-me que sim, mas não sei. Estou demasiado afastado das ruas do poder, para ter uma opinião válida sobre a sua verdadeira força política.
- Eu acho que ela é uma poderosa. E gosta de ter poder e de decidir.
- Se tu achas...
O óleo é de Mark Keller.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Fui Avisado, Mas...

Até joguei no "euromilhões" antes do tal dia 30 de Outubro, porque estava interessado naquela grande parcela de terreno, na Avenida 25 de Abril, em Cacilhas...
Podia fazer quase tudo. A área está destinada á construção para os usos de comércio, habitação e estacionamento. É verdade, mais cimento armado para Cacilhas...
Como moro perto, talvez criasse por ali, um oásis.
Mas o "euromilhões" não quis nada comigo...
Claro que fiquei curioso. Que razões levavam uma Autarquia sem dívidas, a desfazer-se deste património?
Embora já estejamos em Novembro, continuo esperançado. Será que o prazo voltou a ser prorrogado, por falta de propostas "interessantes"? Poderei voltar a jogar na sorte?

segunda-feira, novembro 10, 2008

As Velhas do Café

O pintor Manuel Henrique Pinto, natural de Cacilhas, foi um dos vários artistas plásticos que fez parte do "Grupo do Leão", a tertúlia artística mais importante da segunda metade do século XIX.

Pintor naturalista, foi premiado em vários salões internacionais. Como se nota neste quadro, sofreu influências de José Malhoa, de quem foi grande amigo, tendo mesmo partilhado o seu atelier em Figueiró dos Vinhos.
Escolhi as suas "Velhas do Café", porque tem as cores deste Outono...

sábado, novembro 08, 2008

Edmundo Pedro em Almada

Conheci Edmundo Pedro em Almada, no lançamento do meu livro, "Almada e a Resistência Antifascista", na qual constava a biografia do pai, Gabriel Pedro, um nome grande na luta contra a ditadura salazarista.
Depois deste primeiro encontro encontrámos-nos várias vezes, inclusive na sua casa, onde me contou pormenorizadamente as suas muitas lutas, desde o 18 de Janeiro de 1934, a passagem de quase dez anos pelo Tarrafal, ao 25 de Abril de 1974. Falou-me com grande admiração e orgulho de Bento Gonçalves, secretário geral do PCP nos anos trinta e quarenta, e claro, de seu Pai.
Embora não tenha presente a data certa, penso que foi durante o centenário do nascimento de Bento Gonçalves, que a Cooperativa Piedense organizou um colóquio em sua homenagem. Fui convidado e estive presente, assim como Edmundo Pedro, que até levou a maquete de uma das máquinas criadas por Bento Gonçalves, revelando a sua enorme capacidade e inovação técnica.
Infelizmente fiquei com más recordações desta sessão. Não gostei logo da maneira como foi feita a abertura da sessão, em que o escritor Modesto Navarro, em vez de falar em nome da Cooperativa, falou em nome do PCP, para todos os camaradas presentes, como se estivéssemos num encontro partidário e não numa sessão pública de homenagem a um grande lutador antifascista, que também era comunista.
O pior ainda estava para vir. Edmundo Pedro pediu a palavra, para falar de Bento Gonçalves, até por ser, de todos os presentes, o único que teve o privilégio de conviver e trabalhar com ele, diariamente, quer no Arsenal da Marinha, quer no Tarrafal, onde Bento Gonçalves viria a falecer.
Pouco agradados com esta "intromissão", os elementos da mesa não descansaram enquanto não lhe cortaram a palavra, deixando-o a meio da sua intervenção.
Completamente indignado com esta actuação do PCP, assim que Dias Lourenço começou a falar, levantei-me e sai porta fora...
Embora continue a ter muitos amigos comunistas e me sinta em tantas coisas, marxista, continuo a ter muitas dificuldades em compreender a postura do PCP na história recente, demonstrando pretender ter a exclusividade da luta antifascista em Portugal, durante o salazarismo e marcelismo, coisa que não é possível, por muitas tentativas que faça, porque a história é feita com todas as pessoas que lutaram pela liberdade, independentemente do seu credo político...

quinta-feira, novembro 06, 2008

«Isto está Porreiro Pá!»

Nunca assisti em "directo" a tanta incompetência, como nas obras para o Metro de Superfície de Almada.

Á boa maneira portuguesa, dizem-me que todas as obras do Estado são assim. É possível. Mas não deixa de ser a negação do tal país que nos tentam vender, em quase todas as notícias, mais moderno, mais capaz e mais rigoroso.
São as obras do "nacional-porreirismo", onde ninguém fiscaliza ninguém e os trabalhadores a soldo das incontáveis sub-empreitadas, fazem o que todos observamos diariamente. Assentam os mosaicos sem qualquer esquadria ou nível; colocam a calçada cheia de lombas e de espaços entre pedras; abrem valas e esquecem-se sempre dos fios ou tubos de qualquer coisa; remendam as estradas e os passeios sem qualquer sentido estético, etc.
Talvez seja este o, «porreiro pá!», do primeiro-ministro.
Responsáveis? Ocorre-me imediatamente a empresa que ganhou o concurso para a realização das obras, essa mesmo, a Mota e Engil, do senhor Coelho, que deve estar cheio de cartolas lá em casa.
Entretanto fico sentado na plateia, a ver se a Autarquia, quando receber a "Nova Almada", vai fazer ou não ondas...

terça-feira, novembro 04, 2008

Há Sempre Peixe no Tejo

Quem passa pelo Ginjal, encontra sempre pescadores a darem "banho à minhoca", na Primavera, no Verão, no Outono ou no Inverno.

Não sei se é apenas vicio, se é prazer de estar por ali na companhia do Tejo ou se existe mesmo muito peixe nas suas águas...
Eles sim, são os verdadeiros guardiões do Ginjal e do Tejo...

domingo, novembro 02, 2008

Boa Notícia Para Cacilhas

Fiquei satisfeito, quando passei na sexta-feira pelo antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas e vi que as obras de recuperação do imóvel, já começaram...

Era bastante penoso ver este edifício histórico, completamente abandonado. Especialmente depois de ter sido adquirido pelo Município...
Tive a oportunidade de visitá-lo e posso dizer que se trata de um edifício maior do que pensava.
Além de albergar os serviços de turismo do Município (destino já traçado pela Autarquia...), poderia e devia ter uma vocação cultural importante no concelho. Cacilhas possui três associações culturais da Freguesia, pelo que podiam ser desenvolvidas várias actividades artísticas neste espaço, bastava que existisse vontade para se erigir no local uma galeria de arte e um pequeno auditório...

sábado, novembro 01, 2008

O Dia de Cacilhas

O sol apareceu e Cacilhas voltou a encher-se de gente, atrás da tradição secular que dá graças ao milagre da Senhora do Bom Sucesso, de 1 de Novembro de 1755, com a procissão religiosa que percorre as ruas da Freguesia.

Os restaurantes e os vendedores ambulantes que assentaram arraiais próximo da Igreja, bem devem ter agradecido à Senhora, apesar da crise...