domingo, agosto 19, 2007

A Mesma Geração, Caminhos Diferentes


Devo desde já avisar, que não me sinto, de maneira nenhuma, um bota de elástico.
Mas faz-me muita confusão os caminhos diferentes, trilhados pelas gerações que têm hoje idades compreendidas entre os dezasseis e os vinte e seis anos, no nosso dia a dia.
Felizmente encontramos muitos jovens, empenhados na defesa e protecção do ambiente, através da participação activa em movimentos cívicos que promovem várias acções de sensibilização junto da população.
E outros ainda, voluntários, numa série de iniciativas de cariz social, auxiliando as camadas mais frágeis da nossa sociedade, como os sem abrigo e os idosos.
Guardei para o fim a parte menos agradável... que acredito ser uma minoria: os jovens que se entretêm a destruir, quase tudo o que lhes aparece à frente, sejam espaços públicos ou privados. Pintam, vandalizam, roubam, aquilo que faz parte do património colectivo e que devia ser preservado por todos.
Quando me questiono, o que será que divide estes jovens, que apesar de pertencerem à mesma faixa etária, têm comportamentos tão diferentes?
Não consigo responder...

Este texto tem a companhia de um acrílico de Fernanda Neves.

19 comentários:

Maria P. disse...

Creio que é impossível encontrar uma só justificação, um conjunto de factores conduz a essas atitudes, embora acredite que o ambiente familiar seja um dos factores mais determinante.

Beijinho Luís e boa semana*

Maria disse...

Acredito que seja uma questão de educação...
Em casa, a educação que se dá desde pequenino, pelos pais e avós, e que nos vai formando....
Acho eu...

Beijinhos Luís

Rosa dos Ventos disse...

Ele há tanta explicação...
Só que não aceito nenhuma!
São intoleráveis certos comportamentos! :-(((

Leo disse...

Olá Luís
Creio que sempre existiram jovens pertencentes a esses grupos vandalizantes.Recordo-me quando era jovem assistir ao mesmo.Queres maior exemplo que a história do futebol? Em todos os países isso acontece. A maior parte das vezes nos jovens de famílias de baixos recursos económicos ou culturais, outras pelo simples facto, do "sangue na guelrra", apanágio da juventude, que os leva a cometer proezas proibidas e profanar normas pré-estabelecidas. Muitas vezes também pode acontecer a partir de famílas ditas "normais".
Para além dos jovens, existem muitos "cotas" que se estão maribando para o meio ambiente, e cometem todas as atrocidades ambientais.Já assisti a pessoas minimamente aculturadas fazerem-no.Como tu dizes e muito bem, existem muitos jovens interessantes,trabalhadores,dotados do instinto conservador e não destruidor.
Já conheci alguns jovens no passado,potenciais marginais, mas hoje adultos, tem uma vida normal e cumprem as regras sociais.
Nem tudo é mau Luís.Mas...quanto maior for a miséria de um país, maior será o vandalismo.
A probreza gera pobreza e degradação, é uma bola de neve.
bjs
Penso eu de que!
Leo

Repórter disse...

Este, como tantos outros, é um tema onde a generalização é perigosa, logo inconveniente.

Sempre houve e haverá gente com sinal mais e gente com sinal menos.

Globalização? A ter em conta, sem dúvida.

Ana Patudos disse...

Já na nossa juventude era assim Luis. Se calhar nós é que não reparávamos nisso e como os meios de comunicação hoje em dia estão sempre em cima do acontecimento, estes actos dos jovens , tornam-se mais visiveis, será??
beijinho
Ana Paula

Ana Patudos disse...

Falar sobre os trangénicos, daria pano para mangas e foi esta cultura que este grupo destruiu...
Há tanto a fazer pelo ambiente e pela natureza se cada cidadão quizer fazer.
Pelos vistos a política ambiental não é a mais adequada no nosso país.
AP

Menina_marota disse...

Já fiz essa pergunta aos meus filhos e o mais novo, com aquele sorriso lindo e tímido que tem, respondeu-me: "Seria melhor perguntares aos Pais deles... mas muitos nem sabem onde andam os Pais..."

Tanta explicação que poderia dar a essas atitudes... mas eu sou Mãe e Mãe galinha, por isso tento demonstrar aos meus filhos (e parece que consegui) que temos um passado e um presente a preservar... mas muitos adultos, nem isso entendem, como o poderão transmitir aos jovens que farão a futura geração?

Um abraço e boa semana ;)

Debaixo do Bulcão disse...

Se esses jovens "ecologistas" pensam que destruir um hectare de milho transgénico é a melhor maneira de chamar a atenção para a luta deles... Bem, parece que têm razão: é que lá conseguir, conseguiram.
Não sei é se, além de chamar a atenção, conseguem cativar a simpatia de alguém para a luta deles. E, é claro, se destroem propriedade privada, isso é ilegal (independentemente dos gostos, é a lei que existe e eles sabem-no muito bem...), portanto sujeitam-se às consequências, não é?
Ou vão fazer queixinhas para a internet (como fizeram os que participaram naquela "manifestação antifascista" do 25 de Abril passado)?

Vitorino

Dulce Alves disse...

Pertinente questão, caro Luís.
Pertenço à faixa etária que indicou e muito me entristece a forma como alguma juventude se manifesta.

Todos temos direito à indignação, à contestação, à expressão e verbalização dos nossos sentimentos... mas sempre de uma forma que não interfira nos direitos dos que nos rodeiam.
O vandalismo, a criminalidade, a delinquência e afins não são os meios adequados à manifestação das nossas preocupações, crenças ou anseios, nem são forma de denunciar injustiças.
Acontece que na maioria dos casos, (como já referiram nos comentários que antecedem este)a 'culpa' é das circunstâncias, dos contextos, das vidas miseráveis que a maioria dos jovens que descreve levam.

Acredito que as pessoas são boas ou más consoante o contexto em que nascem e crescem.
Se -porventura- eu tivesse nascido num ambiente de miséria e crescido sem a devida atenção dos pais, sem a educação, cultura e valores que me foram transmitidos... talvez a minha forma de expressão não fosse a escrita, mas sim uns rabiscos sem sentido pelas ruas da cidade, ou mais grave - através de uma qualquer espécie de criminalidade.

Não pretendo justificar ou sequer amnistiar os jovens que têm condutas sociais graves. Mas a verdade é que na maioria dos casos, aqueles provêem de realidades que não lhes dão margem para ter atitudes diferentes...

Luis Eme disse...

Eu sabia que o tema era dificil... e tens toda a razão Maria P., não há só uma justificação... e o ambiente familiar é determinante...

Luis Eme disse...

Claro Maria, a educação (má) está sempre no cerne da questão, e é o mal de muitos dos nossos pecados, inclusive estes...

Luis Eme disse...

Também não percebo e nunca vou perceber, a violência gratuita, o destruir por destruir, Rosa...

Luis Eme disse...

Leo, começo por dizer que as coisas hoje são bem piores que no nosso tempo. Nunca vi tantos actos de vandalismo como agora.

Claro que se calhar esta malta está a chamar-nos a atenção para o facto de estarmos a caminhar na estrada errada...

Num país em que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, não se espere outra coisa no futuro, que não seja o aumento da violência...

Luis Eme disse...

Se houve coisa que quis evitar foram as generalizações, Repórter. Por isso é que foquei o facto de na mesma geração existirem comportamentos tão diferentes...

Porque existem educações também muito diferentes...

Luis Eme disse...

Ana Paula, no nosso tempo as coisas não estavam tão extremadas... não havia tanto vandalismo.

Não me estava a referir à "batalha dos transgénicos", como podes perceber pelo teor do próximo "post", outro tema com "pano para mangas", como referes muito bem...

Luis Eme disse...

O teu filho é inteligente e respondeu-te muito bem, "menina marota".

Se há coisa que estamos todos de acordo, é que se trata de uma problema educacional, com ponto de partida e chegada nas nossas casas e não nas escolas, o alvo mais apetecivel...

Luis Eme disse...

Vitorino,

não me estava a referir aos jovens "ecologistas"... a minha questão era mais de fundo.

Mas estou de acordo contigo, não será desta forma que conseguem cativar a população para a sua luta...

Luis Eme disse...

Concordo com muito do que tu dizes, Dulce...

Mas penso que estas atitudes de vandalismo não são praticadas apenas por quem vive nos subúrbios e cresce nas ruas. Estão a generalizar-se mais do que pensamos.

Por exemplo no Bairro Alto, um bairro típico que devia ser preservado pela sua especificidade própria, não há parede que não tenha "rabiscos".

Numa das raras noites em que sai de casa, fiquei baralhado, quando vi um grupo constituído maioritariamente por miúdas adolescentes, de sprays na mão, a "atacar" as paredes.

Perguntei-lhes se achavam bem o que estavam a fazer e responderam-me de uma forma ordinária e "impublicável"...

Talvez a questão comece a ser mais abrangente e faça já parte da cultura de alguns grupos de jovens, que não pertencem apenas aos "guettos" que proliferam à volta de Lisboa...