segunda-feira, abril 23, 2018

Para os Muitos Escritores Esquecidos (com excelentes livros carregados de pó...)



Porque hoje se comemoram os livros, recordo um escritor "esquecido", Manuel da Fonseca, um grande contador de histórias, que tive o prazer de conhecer na bonita baía do Seixal... A minha homenagem para ele e por todos os grandes escritores que escreveram livros memoráveis, que ganham pó nas bibliotecas e que gostavam muito de ter leitores...

(para o Manuel da Fonseca)

Pequeno Retrato

Mesmo no Tempo de Solidão
Nunca ficaste parado,
andaste sempre por aí,
disseste tantas vezes, não,
Com a cumplicidade da Rosa dos Ventos.
Solidário com a vida sofrida e dura
Das mulheres e homens da Seara de Vento,
Escreveste palavras sem qualquer candura.

Sofreste com a injustiça e desigualdade
Sentiste a dor e a fome da tua gente,
O Fogo e as Cinzas que sombrearam a Planície.
Felizmente, contaste todas estas histórias na Cidade.

Mesmo no Tempo de Solidão
Não desististe de nada
Nem mesmo de ser um Anjo no Trapézio,
Em Santiago, Lisboa ou Almada.

Nunca perdeste o sorriso de gaiato,
Nem a vontade de ir à Aldeia Nova
Ou a Cerromaior, visitar as tabernas,
Onde escutavas a sabedoria do povo
Que te aquecia a alma e o coração,
Com um copo de vinho quente e novo.

Mesmo no Tempo de Solidão
Que bom, Manuel,
Teres dito sempre, que não!

Luís [Alves] Milheiro

(Fotografia de Luís Eme)

3 comentários:

Janita disse...

Excelente e merecida homenagem a este grande escritor português, que creio não estar tão esquecido assim.
Manuel da Fonseca iria gostar muito deste poema, onde os títulos dos seus livros são os protagonistas principais.
Gostei imenso.

Gil António disse...

Bom dia. Visitando e elogiando a sua publicação; Assim, maravilhosamente, se homenageia um grande poeta e escritor português. Lindo poema, doce inspiração poética.
.
* Amor = Fogo que Arde em Chispas Ardentes. *
.
Cumprimentos

Elvira Carvalho disse...

Só o "conheci" nas férias do ano passado quando li "O fogo e as Cinzas" e "Seara ao vento"
Claro que conhecia um ou outro poema lido aqui na Internet, mas nunca tinha lido nenhum livro dele.
Um abraço