quarta-feira, janeiro 14, 2026

Eu sei que vou acabar por me habituar, mas...


Às vezes acontecem pequenos acasos, agradáveis, nas viagens de cacilheiro, entre as duas margens do "melhor rio do mundo", como são os encontros inesperados com pessoas de quem gostamos.

Foi o que aconteceu na sala de espera do Cais de Sodré, quando descobri as as minhas queridas vizinhas Natália e Rosa. Além de atravessarmos o Tejo, apanhámos o metro e ainda subimos a rua Emília Pomar. Só nos despedimos depois do elevador do nosso prédio parar no terceiro andar...

Como sempre, falámos de várias coisas, até das novas barcas que nos levam para cá e para lá e que funcionam a electricidade.

Se eu achava que os novos nomes das "barcas rectangulares" deviam ser mais simples, elas acharam deliciosa a escolha de aves do rio (mesmo que algumas nos fossem completamente desconhecidas...). Como era o caso particular da "Tarambola-Dourada", o nome da barca que nos levou até Cacilhas, 

Eu sei que vou acabar por me habituar à elegância das aves escolhidas, mas tinha preferido que tivessem escolhido as singularidades da toponomia popular da nossa Margem, como são os casos do "Olho de Boi" ou da "Boca do Vento". 

Ninguém é perfeito...

Nota: texto publicado inicialmente no "Largo da Memória".

(Fotografia de Luís Eme - Tejo)


domingo, janeiro 11, 2026

Saudades de um grande Autarca, que não dava descanso aos "buracos" de rua...


Sei que é mau começar o ano aqui no "Casario" a falar dos buracos da Cidade, mas é impossível ficar em silêncio quando passo diariamente por uma parte do passeio da praça Gil Vicente (mesmo junto ao muro de uma arrecadação da União de Juntas...), que abateu e que não mereceu ainda a atenção dos nossos autarcas eleitos. 

Já está assim há mais de um mês. Além de ser perigoso para quem passa por ali, a tendência será para piorar, se não se fizer nada (como é normal acontecer), porque continua a ser Inverno...

Sempre que me cruzo com estes "acidentes de percurso", a minha primeira memória vai para um grande autarca da Junta de Freguesia de Almada, que tive o grato prazer de conhecer e ver em acção nas ruas de Almada, Renato Montalvo.

O bom do Renato gostava mais da rua que dos gabinetes, e era por isso que andava sempre atento ao que se passava nas artérias da cidade e assim que detectava algo fora da normalidade, usava o telemóvel para resolver o assunto. Falava directamente com as pessoas responsáveis pela resolução do problema e de um dia para o outro, este aparecia resolvido.

Eu sei que não existem pessoas insubstituíveis, mas há pessoas que fazem mais falta que outras. E o Renato Montalvo é uma delas...

(Fotografia de Luís Eme - Cacilhas)