segunda-feira, dezembro 24, 2012

Feliz Natal, Natal Feliz



Natal, e Não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido ...

Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave ...

Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira

6 comentários:

  1. Este poema, este DMF, é uma beleza.
    Bom ano para ti e Família, Luís.
    Beijinho.

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  2. Um dos belos poemas de Natal em Língua Portuguesa!
    Boas Festas, Luís!

    Abraço

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  3. Sim, "entremos" - através de um dos mais belos poemas de Natal que conheço.
    Boas Festas todo o ano!

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