domingo, outubro 26, 2008

Lisboa e o Tejo

José Cardoso Pires, abre o seu "Lisboa Livro de Bordo - vozes, olhares, memorações", com um excelente texto sobre Lisboa e o Tejo.

«Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa dos ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para o oceano. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.»
Embora tivesse nascido na Beira, José Cardoso Pires sempre se assumiu como um lisboeta, com uma predilecção especial pelos bairros e pelas pessoas, que lhe diziam tanto.
A Margem Sul também fazia parte do seu mapa literário, não fosse a Costa de Caparica o lugar de eleição para dar vida aos seus livros...

14 comentários:

  1. Trazeres este texto para a blogosfera foi uma bela homenagem a José Cardoso Pires e este texto é um delicioso "naco" sobre a vocação marítima de Lisboa e a sua posição priveligiada à beira-rio...
    Estou ansiosa para ver de novo as colunas no seu cais!

    Abraço

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  2. Fui ficando por aqui enquanto folheava o livro... Fazia tempo que não lhe pegava.
    Obrigada por o trazeres aqui, Luís.

    Beijinho

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  3. Olha - m isto veio-me uma vontade imensa de o reler. E já agora, na caminha antes do oó e para onde vou agora.
    Beijinhos, Luís

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  4. Um dos livros de Cardoso Pires a que recorro frequentemente. Lisboa ganha outras cores e outros "jeitos" na escrita de CP.

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  5. Vou reler este livro. Obrigada.
    Um abraço.

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  6. Partilhamos a homenagem, Luís. Viva o Zé!
    Bjs

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  7. pois é Rosa...

    o Tejo que querem que seja dos "contentores", não era o do José Cardoso Pires, de certeza...

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  8. pois ganha, Helena.

    ele também tem crónicas deliciosas de Lisboa, do tempo do "público"...

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