quarta-feira, julho 08, 2009

Balada do Cais das Colunas


Balada do Cais das Colunas (a José Cid)

Cais das Colunas, janela
Do Tejo, do Mar da Palha
Registas um barco à vela
Que noite e dia trabalha
Bote, batel ou canoa
Bateira, falua, enviada
Traz o peixe de Lisboa
No preço de quase nada
Varino, muleta, fragata
Cangueiro, proa redonda
Catraio onde a serenata
Não tem voz que responda
E a palha que deu nome
Ao mapa deste estuário
Pode ser sinal de fome
Num lugar ao contrário
Da Chamusca, alagados
Os campos sem animais
Sobe a água nos valados
Há notícias nos jornais
Mistério, o Tejo amplia
Em homens e cacilheiros
E na faina do dia a dia
Os sonhos são verdadeiros
E povoam todo o luar
Da noite do que persiste
As horas de trabalhar
Não dão para ser triste
Inscrevem-se na paisagem
Nos barcos, mercadoria
Ligam uma, outra margem
Na mais teimosa alegria

José do Carmo Francisco


Recebi este poema do José do Carmo Francisco, com um agradecimento por ter chamado os barcos do Tejo pelo seu nome, no livro, "Cacilhas, a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", que escrevi com Fernando Barão. Eu é que agradeço esta bonita Balada...

terça-feira, julho 07, 2009

26º Festival de Almada

Não gosto de me repetir, foi por isso que deixei passar uns dias, desde o começo do Festival de Teatro de Almada.
Mas é impossível passar ao lado desta iniciativa cultural, que trás gente de vários "mundos" a Almada.
Joaquim Benite queixou-se da crise à "Visão", de ter um orçamento mais reduzido para este ano. Mas absurdo seria o contrário...
A imaginação faz sempre milagres, quando há menos dinheiro...
E Viva o Teatro!

segunda-feira, julho 06, 2009

Sempre o Café...

O café continua a ser o espaço mais pluralista que conheço para se conversar (e desconversar, claro). Mesmo os temas gastos, levam sempre uma nova roupagem, com poucos de vista que têm a virtude de interrogar e abanar as nossas "verdades" feitas...
Desta vez falámos do comércio, das mudanças nos hábitos de consumo, desde que a crise apertou mais a sério. Houve alguém que disse (e muito bem), que quando temos dinheiro, vamos às compras e trazemos o que precisamos e o que não precisamos. Quando o que temos está todo contadinho, só trazemos mesmo aquilo que precisamos, e sempre que possível, produtos "brancos". Adeus marcas, adeus supérfluos...
E não estou a falar dos pobrezinhos que sobrevivem com pensões miseráveis, esses sempre viveram assim. Estou a falar da classe média.
É muito por isso que as lojas vão fechando, um pouco por todo o lado. As pessoas cada vez consomem menos...

O óleo "fantástico" é de Jacques Resch.

sexta-feira, julho 03, 2009

Breve História da Incrível

A Incrível Almadense, a colectividade mais antiga de Almada, quase com 161 anos de vida, em 1984 viu a sua história ser contada através de banda desenhada.
Os autores desta façanha foram João Carvalhal e Luís Bouça.
A página que publicamos é a segunda da história, exactamente quando resolvem criar o nome da Sociedade...

quarta-feira, julho 01, 2009

Coisas Únicas

No mês passado fui ver a exposição de Júlio Pomar, no Palácio dos Anjos, do Centro de Arte Manuel Brito, em Algés.

Recomendo a exposição, para quem gosta de Pomar e também para os que pensam que não gostam...).
Mas a surpresa estava guardada para os jardins do palácio, onde deveria estar a decorrer um curso de arte, com alunos de todas as idades, presos ao papel e ao objecto artístico...
Não resisti e tirei uma fotografia, cuja simetria me deixou encantado...

sábado, junho 27, 2009

As Burricadas nas Ruas de Almada

Durante a manhã as ruas de Cacilhas, Almada e Cova da Piedade, foram animadas pela recriação das célebres "burricadas", que tanto furor faziam no fim do século XIX e no principio do século XX.
É sempre agradável assistir a este espectáculo protagonizado por actores de duas e quatro pernas, de todas as idades, que resolvem fazer um "cortejo" pelas ruas da Cidade, percorrendo as Freguesias de Cacilhas, Almada e Cova da Piedade.

quarta-feira, junho 24, 2009

O Bairrismo Saiu à Rua

Com as Marchas Populares de Almada sai também à rua um bairrismo que me soa sempre a desconhecido nesta grande "urbe", que é a Cidade onde vivo.

Esqueço-me que Freguesias como a Trafaria, a Costa de Caparica, a Sobreda, ainda alimentam alguma tradição e o desejo latente da "vitória" no concurso...

E a juventude continua a imperar, felizmente, entre os marchantes...

terça-feira, junho 23, 2009

Hoje é Noite de Marchas

Hoje as Marchas de S. João saem à rua, em Cacilhas, na avenida Aliança Povo-MFA, em frente às antigas instalações da LISNAVE.

Embora exista ali muito mais tradição alfacinha que almadense, este espectáculo é bonito de se ver, pois tem havido uma aposta cada vez mais séria das colectividades que participam nesta iniciativa sãojoanina, quer no guarda-roupa, quer nos arranjos musicais e respectiva coreografia...

domingo, junho 21, 2009

À Procura de Uma Boa Sombra

Estas temperaturas entre o africano e o mediterrâneo não são para mim. Tudo o que ultrapasse os 30 graus rouba-me energia e faz-me sentir fora do meu mundo...

Claro que este é o nosso presente e futuro. E quem não gostar só tem de fazer as malas e partir mais para Norte (se puder, claro)...

quinta-feira, junho 18, 2009

Os Novos Quiosques de Lisboa

Lisboa está mais bonita com os novos quiosques, mais uma boa ideia de Catarina Portas.

Além da beleza arquitectónica dos pequenos espaços comerciais, pode-se também saborear uma limonada, um pirolito, uma gasosa ou um chá, acompanhados de doçaria tradicional...
O quiosque que fotografei é o do Largo de Camões.

terça-feira, junho 16, 2009

Livros Sobre o Ginjal - VII

Foi um prazer voltar a ler Romeu Correia, através do seu romance, "Os Tanoeiros" (nova versão da "Gandaia").
Embora a leitura tenha sido feita por "dever de ofício", devido ao novo livro que estou a escrever sobre Cacilhas, foi bom voltar a sentir todas aquelas movimentações no Ginjal e pelas ruas de Almada, com o realismo especial de Romeu, que nos consegue agarrar da primeira à última página...
Quase todos os livros de Romeu são documentos históricos, pela envolvência com que abordam o mundo do trabalho na Margem Sul.

segunda-feira, junho 15, 2009

Janelas Abertas de Par em Par para o Tejo...


O Tejo não envelhece, da mesma forma que as casas.
Muda sim de cor, e de cheiro, consoante a acção humana.
E claro, a proximidade, ou não, do Mar...

Na televisão hoje fala-se de reabilitação urbana...
Palavras, daquelas que o vento costuma levar.
Aliás, o programa da Fátima, é bom nisso. Fala-se, fala-se, mas raramente se conclui o que quer que seja...

sábado, junho 13, 2009

O Farol e o Largo de Cacilhas

Nesta fotografia dos anos cinquenta nota-se que o Largo de Cacilhas se encontrava em obras (algo que acontecia com alguma frequência...), nem a "casa da corneta" escapou, construida ao lado do Farol...
Sim, "casa da corneta", ou da "ronca", onde estava instalada a tal "corneta" de ar comprimido, que era um grande auxilio nos dias de nevoeiro para as embarcações do Rio, num tempo em que eram raros os barcos com radares.
Aquele som que partia do Largo e indicava a proximidade de terra, era um bálsamo para os navegadores do Tejo...

terça-feira, junho 09, 2009

O Farol Está a Chegar...

Já estão a montar o Farol de Cacilhas, que esteve durante três décadas ausente (em parte certa, na ilha da Terceira...), no Largo.

Sorri com a admiração do meu filho: «o Farol é tão fino!»
Sim, não é uma coisa oceânica, o Farol de Cacilhas limitava-se a ser um "aviseiro" do Tejo e não da costa atlântica...
Uma coisa é certa, o Largo fica mais composto.

domingo, junho 07, 2009

Votar é um Direito de Todos Nós

Embora estas palavras dos anarquistas, pintadas a poucos metros da escola onde votei, se confundam com a realidade portuguesa das últimas décadas, eu voto sempre.

Lembro-me sempre da alegria do meu avô, em finalmente puder votar, em 1975.
Quando voto, voto por mim, pelo meu pai e pelo meu avô, amantes da Liberdade e da Democracia.
Quando quero protestar, deixo o boletim de voto em branco...

sábado, junho 06, 2009

Gosto de Candeeiros

Não sei explicar o porquê, mas sempre gostei de fotografar candeeiros (assim como portas e janelas...), dos quais já tenho um colecção considerável.

Passo "milhentas" vezes pelo local de onde tirei esta fotografia e nunca me tinha dado para fazer um "click"...

quinta-feira, junho 04, 2009

O Oásis do Ginjal

Andamos largas centenas de metros pelo Ginjal, até avistarmos um elevador panorâmico, que se vai tornando maior, à medida que nos aproximamos.

É então que descobrimos um espaço verde, com árvores e alguns bancos...
E se seguirmos o carreiro da imagem, ladeado de verde, descobrimos a Fonte da Pipa e o Museu de Arqueologia Naval, no Olho de Boi...

terça-feira, junho 02, 2009

Uma Janela para o Tejo


É mais um das janelas deliciosas que existem na Margem Esquerda, onde se pode dizer olá a Lisboa, à distância de um passo gigante, ao mesmo tempo que quase se molha as mãos e os pés no melhor rio do mundo...

sábado, maio 30, 2009

O Casario do Ginjal, Três anos Depois...

Esta minha aventura na blogosfera começou há exactamente três anos.

O que é que posso dizer? De uma forma geral tem sido bom, foi a descoberta de um incentivo diferente para escrever, contando com a presença de muitas pessoas, algumas especiais, que são a principal razão da continuidade do "Casario"...
Acho que tudo tem um prazo de validade nas nossas vidas. Não sabia ao certo quanto tempo iria andar por estas andanças, mas estava longe de pensar que chegaria aos três anos, até por este blogue ter características muito especiais, ser regional. Pensava que um dia qualquer deixava de ter motivos para falar deste lado do Tejo. Foi por isso que criei o "Largo da Memória", muito mais abrangente e interessante. Algum tempo antes já tinham aparecido as "Viagens pelo Oeste", porque achei importante falar de pessoas e lugares da minha infância e adolescência, que iam aparecendo aqui e ali, cada vez com mais nitidez.
Tentei e tento que os meus blogues não sejam "melodramáticos", mas é tão difícil passar pela realidade nacional e local, sempre com um sorriso nos lábios...
Não sei por quanto mais tempo vou continuar. Pelo menos enquanto me sentir bem por cá, enquanto sentir que tenho alguma coisa a dizer.
Escolhi esta minha fotografia do Casario do Ginjal, por ser um retrato perfeito deste lugar único na Margem Sul. Claro que tenho pena de ao longo destes três anos nada ter mudado no Ginjal, mas a vida é isto...

quinta-feira, maio 28, 2009

O Sol da Diversão

O dossier até aqui mal parado, vai ficando meio escondido entre a papelada da secretária.

A menina que foi para a Rússia, pôs muita gente aos gritos e a dar puxões aos cabelos, chamando nomes aos juizes, aos policias e a quem lhe aparecesse à frente.
A Manuela e o Marinho deram um espectáculo, entre o Bolhão e a Praça da Ribeira, para gáudio de todos aqueles que queriam ver alguém a dar uma lição à "infant terrible" do jornalismo televisivo.
Oliveira e Costa resolveu virar o jogo, mostrar algumas cartas marcadas utilizadas por outros batoteiros, deixando claro que apesar de estar na "solitária", há lá espaço para mais uns quantos...
Dias Loureiro voltou a fazer o seu número de ilusionismo, explicando o habitual, não viu nada, não sabe de nada, não conhece ninguém, apenas deu alguns autógrafos que lhe foram pedidos...
É caso para dizer, benditas confusões, bendita televisão.
Se voltarem a ouvir falar de Alcochete, não se preocupem, deve ser para falar de aviões...
As "Figuras à Beira Mar" de PIcasso dão cor às palavras...


segunda-feira, maio 25, 2009

A Crise no Comércio

Andava à procura de algo que tinha escrito sobre o Ginjal, quando encontrei um texto datado de 13 de Setembro de 2006 (exactamente, há quase três anos...), na qual me referia à crise do comércio local, quando ainda não se sonhava com a "crise mundial"...

Numa altura que os comerciantes voltaram a protestar, colando nas suas montras um cartaz em que dizem que o "Comércio em Almada está Mal Apoiado". Provavelmente terão alguma razão, mas não acredito muito no seu argumento, de que a circulação de carros na zona onde agora só circulam peões, resolva o problema. A questão é bem mais complicada que isso. Eu em 2006 dizia assim:
«Apesar da Autarquia de Almada andar há meia dúzia de anos, a acenar com alguns projectos megalómanos, para a Quinta do Almaraz e para a Margueira, descubro uma cidade, que "morre" um pouco, todos os dias.
Assusta-me bastante o que se está a passar com o comércio em Almada.
Só em três vias de Cacilhas - Rua Cândido dos Reis, Rua D. Sancho I e Avenida 25 de Abril -, encontrei vinte e uma casas comerciais fechadas, ou em vias disso, com avisos informativos de venda ou trespasse.
Se continuasse a contagem pelo centro da cidade, sei que este número ultrapassava a centena.
O começo desta crise começou com a inauguração do Almada Fórum", uma grande superfície comercial, capaz de "secar" tudo à sua volta, graças à sua excelente oferta.
Os responsáveis do Município, cujo discurso "propagandista" surge sempre cheio de palavras bonitas, como a solidariedade, a igualdade e a justiça social, esquecem-se, cada vez mais, de as colocar em prática...
Quem diria que o "Comunismo" ia realizar uma união de facto com o "Capitalismo", tão às claras...
Infelizmente, não vi, nem vejo, uma única medida da Câmara de Almada, que tenha como objectivo a protecção ou o desenvolvimento do comércio local.
É por isso que as ruas estão cada vez mais desertas... e Almada prepara-se para ser, dentro de pouco tempo, uma cidade com menos pessoas e menos vida.
Hesitei no título desta crónica, que também poderia ser a "Balada da Cidade Triste"...»
Como hoje continuo sem saber se foram tomadas medidas sérias de protecção e desenvolvimento local, tenho dificuldade em me pronunciar sobre estas manifestações. A única coisa que sinto, é que pecam por tardias...

quarta-feira, maio 20, 2009

As Visitas ao Cristo Rei

O padre Sezinando Alberto, reitor do Santuário do Cristo Rei aproveitou as festividades para lamentar que em cada mil visitantes que se deslocam ao monumento, só 9 sobem no elevador, até ao cimo da base da escultura.

E eu pergunto: será que ele ainda não percebeu que quatro euros é demasiado dinheiro para uma simples viagem de elevador, para cima e para baixo?
Provavelmente se o preço fosse metade, a visita à parte superior do Monumento teria pela certa mais do dobro dos visitantes e um natural aumento dos lucros...
Esta história faz-me lembrar os preços abusivos que se praticam nos estádios de futebol e que os deixam cada vez mais vazios.
Será que estes senhores não olham à sua volta, não têm noção do nível de vida dos portugueses (que são mais de 75% do total de visitas), não percebem que quatro euros é um exagero?

terça-feira, maio 19, 2009

Músicas Rente ao Tejo

Na tarde de sábado, para fugir à confusão do Largo de Cacilhas e à procura de um bom miradouro para ver as barcas que vinham em volta da Senhora de Fátima, refugiei-me no "Ponto de Encontro" de Cacilhas, também conhecida como a Casa da Juventude.
Com uma "super bock" na mão lá me instalei no terraço, a ver o Tejo de todos os ângulos. Comecei também a escutar uma música conhecida dos "Madredeus", que se soltava do piso superior da Casa.
Antes de partir, dei uma saltada até ao salão e vi um conjunto de jovens, com vários instrumentos a insistirem na boa música portuguesa, afinadinhos.
Como não quis incomodar ninguém saí como entrei, silenciosamente. Mas nas escadas cruzei-me com um rapazola que devia ter uns quinze, dezasseis anos, atrasado para o ensaio, com um caixa quase de violoncelo na mão, a quem perguntei quem eram e ao que vinham.
Eram da Escola de Música de Almada, sediada na Trafaria, nas instalações da Sociedade Recreativa Musical Trafariense e estavam ali, em ensaios...
Uma boa surpresa musical, sem dúvida.

domingo, maio 17, 2009

Cacilhas Também foi "Terra Mundo"

Ontem Cacilhas foi visitada por milhares de pessoas, que quiseram ver e acompanhar em procissão a imagem da Senhora de Fátima (a mesma que tinha visitado a Freguesia, 50 anos antes, quando foi inaugurado o monumento ao Cristo Rei).
N
ão deixa de ser curioso, que os grandes movimentos de massas que se registam na Localidade Ribeirinha, sejam motivados por festejos religiosos.

O grande dia da Freguesia é a comemoração do Primeiro de Novembro, em que se evoca o Milagre da Senhora do Bom Sucesso, cuja imagem acalmou as águas tempestuosas do Tejo, durante o Terramoto de 1755.

sexta-feira, maio 15, 2009

Almada Terra Mundo

Amanhã e depois celebram-se os 50 anos do Santuário a Cristo Rei, em Almada.

Conheço bem a história do monumento, uma inspiração do sinistro Cardeal Cerejeira, que ao visitar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, pensou logo na realização de uma "cópia" em Portugal...
Foi um processo lento, pois a ideia nasceu em Outubro de 1934 e a inauguração do monumento só aconteceu em 17 de Maio de 1959...
No café (sempre o café...) falámos no assunto, pois a cidade está povoada de cartazes sobre a efeméride. Houve alguns desencontros sobre o aproveitamento político que o Município fazia deste acontecimento, com as criticas da ordem. Eu desta vez, achei perfeitamente natural o envolvimento da Câmara de Almada, porque o Santuário é o monumento mais importante do concelho e trás diariamente a Almada centenas de pessoas, o que por si só é uma mais valia turística para Almada.

quarta-feira, maio 13, 2009

O Tejo ao Fim de Tarde

Às vezes sinto vontade de me tornar também "fingidor de pescador", igual a tantos outros vultos que se perdem ao cair da tarde pelas duas margens do Tejo, entretidos com a cana e com as marés, apenas com o objectivo de se distanciarem da cidade grande que amarga e cansa, através da sua inquietação diária...

Outras não, limito-me a olhá-los e a fazer um "click" contra o Sol, que ainda aquece a alma...
Até me lembrei do cacilhense Jaime Feio, que foi pescador a vida toda e nunca gostou de peixe...

segunda-feira, maio 11, 2009

Os Golfinhos no Tejo

Quando escrevi sobre a "Praia das Lavadeiras" no Ginjal, afirmei que o Tejo estava mais azul e mais vivo, que há dez, vinte anos atrás, falando até num desejável regresso dos golfinhos ao Estuário...

Hoje vinha uma notícia no "DN" que tinha como chamada: «O Estuário do Tejo tem actualmente condições para acolher golfinhos, defendem investigadores portugueses, que classificam como bom o estado daquela foz, que regista menos poluição que nas últimas épocas.»
Claro que não é uma coisa assim tão próxima como poderá parecer, pois se as águas da Margem Sul já mantêm alguma transparência, o mesmo não se pode dizer das da Margem Norte...
Até porque continuam a existir esgotos por tratar que desaguam no Rio...

domingo, maio 10, 2009

Sim, Correu Bem


Apesar da chuva, a sala Pablo Neruda encheu-se na cerimónia de lançamento do meu livro, "Francisco Bastos, António Calado e a JACA".
Livro que foi oferecido gentilmente a todos os presentes, pela Junta de Freguesia de Almada, editora da obra.

sábado, maio 09, 2009

É Hoje...


É hoje o dia da apresentação do meu livro.
Além do lançamento também podem apreciar a exposição, "A JACA e os Anos de Ouro do Atletismo Almadense", complementada pelos "Traços com Graça" de Mário Nery, organizada pela SCALA.
Apareçam, no Fórum Romeu Correia, na Sala Pablo Neruda, em Almada, às 16 horas.

sexta-feira, maio 08, 2009

A Razão deste Livro...

Infelizmente, é mesmo assim, quem não aparece esquece...

Percebi em duas ou três situações, que a JACA e os seus principais mentores caminhavam para o esquecimento, porque a ignorância será sempre atrevida...
Como conheci Francisco Bastos, António Calado e companhia, sabia que não mereciam ser ignorados, muito menos por pessoas que ainda olham para o desporto como uma actividade de segunda, provavelmente por nunca terem praticado qualquer modalidade desportiva. Ou então por navegarem no erro nacional que confunde desporto com futebol...
Foi por isso que escrevi este livro, para que as pessoas percebessem a importância que estes jovens tiveram nos anos trinta e quarenta do século passado.
Esta fotografia mostra os jovens almadenses que começaram a praticar desporto com os atletas da JACA, depois da participação de António Calado no Campeonato da Europa de Atletismo, em 1938, com os seus "heróis".

quinta-feira, maio 07, 2009

A JACA e a Cultura

Os jovens da JACA não se deixaram condicionar apenas pelo desporto. A sua paixão pelo conhecimento e pela cultura fez com que colaborassem de uma forma activa no desenvolvimento das Bibliotecas Populares no concelho, de mão dada com Libânio Ferreira.

Além de organizarem a biblioteca da Academia Almadense, estabeleceram várias formas de cooperação com as congéneres da Incrível Almadense, Cooperativa Piedense e SFUAP.
Trouxeram grandes vultos da cultura a Almada, como se demonstra com esta fotografia, que recorda a visita do escritor Alves Redol à Academia Almadense, nos anos quarenta do século passado.

quarta-feira, maio 06, 2009

Uma Vitória Histórica

O Sport Lisboa Benfica costumava realizar todos os anos um vasto programa desportivo na comemoração do seu aniversário.

Em 1938 os atletas do Clube de Futebol União Almadense foram convidados para participar na festa disputada no Campo das Amoreiras. Das várias provas em que se destacaram, merece uma referência especial a vitória na Estafeta Olímpica (800 x 400 x 200 x 100 metros), na qual bateriam o recorde nacional com a marca de 3.42,4', vencendo os "grandes" de Lisboa.
A equipa almadense foi constituída por Francisco Bastos, António Calado, Romeu Correia e Ramiro Ferrão.
Esta vitória foi histórica porque foi a primeira vez que um clube almadense inscreveu o seu nome na lista dos recordes nacionais de atletismo...

terça-feira, maio 05, 2009

Um Livro Diferente

"Francisco Bastos, António Calado e a JACA" é um livro diferente de todos os outros que escrevi até agora.
Diferente porque todos os trabalhos biográficos que tinha feito anteriormente, foram sobre pessoas que não conheci pessoalmente.
Desta vez não. Felizmente conheci e conversei com todos os intervenientes. Era um regalo ficar sentado nas esplanadas de Almada a escutar o muito que me tinham a contar sobre outros tempos, outros lugares e outras pessoas...
No meio das conversas ainda me ofereceram alguns papeis, com registos preciosos, que se foram transformando em pequenos "mapas" que me levaram de viagem pela Vila de Almada, nos anos trinta e quarenta do século passado...

segunda-feira, maio 04, 2009

Convite


Esta semana a postagem do "Casario" vai ser todo ela dedicada ao meu próximo livro, que será lançado no próximo sábado, em Almada.

Estão desde já convidados para a sua apresentação...

sexta-feira, maio 01, 2009

Maio

Apesar dos tempos serem cada vez mais difíceis para todos nós (especialmente para quem está sem trabalho...), é extremamente importante continuarmos a acreditar, lutando e resistindo contra estes tempos pintados de escuro pelos senhores do costume, que só se preocupam com os seus "milhões".
Os campos silvestres são sempre uma boa inspiração, aproveitem bem o fim de semana com mais um dia, o primeiro deste Maio.

quarta-feira, abril 29, 2009

O Olho de Boi


Esta estrada leva-nos até ao Olho de Boi, vindos de Almada Velha.
Trata-se de mais um topónimo bastante original do nosso Concelho.
Segundo o historiador Raul Pereira de Sousa, o termo "olho" era utilizado para designar exsurgências naturais e por vezes artificiais, na Estremadura.
Como também existe uma mina de água com apreciado caudal no local, Raul Pereira de Sousa também deixou esta pista...
É mais um lugar agradável rente ao Tejo, onde nos bons tempos do Ginjal existiu alguma indústria e um bairro habitacional, onde ainda moram algumas pessoas...

segunda-feira, abril 27, 2009

A Praia das Lavadeiras

Ontem, antes do almoço, fiz uma passeata um pouco mais longa pelo Ginjal, chegando mesmo até à Quinta da Arealva, cada vez mais destruída...
A maré estava baixa, era possível andar pela areia, cada vez mais clara, das praias do Rio nesta Margem Sul.
Esta é a melhor prova de que o Tejo está mais azul e mais vivo que há dez ou vinte anos atrás.
Não sei se será possível o regresso dos golfinhos ao Estuário, mas pelo menos fica a esperança...

domingo, abril 26, 2009

Certezas no Dia Seguinte

No dia 25 de Abril de 1974, apesar dos conselhos dados na rádio para que as pessoas permanecessem em casa, o povo de Lisboa saiu à rua e demonstrou estar de alma e coração com a Revolução.

Os militares, ainda antes da rendição de Marcelo Caetano, tinham percebido que não havia qualquer hipótese de se voltar atrás ou do golpe militar ser mal sucedido, com todo aquele apoio popular.
Quase todas as operações decorreram conforme tinha sido planeado, e até como menos oposição do que se esperava.
A única excepção foi (para variar...) a sede da PIDE na António Maria Cardoso, onde houve tiroteio e vitimas inocentes...
No dia 26 de Abril, todos tinham a certeza de que a ditadura marcelista era passado, que vinha aí um Portugal Novo.

A fotografia que escolhi é de Eduardo Gageiro, do Largo do Carmo no dia 25 de Abril de 1974.

sábado, abril 25, 2009

Rostos da Liberdade - 3


O verdadeiro Capitão da Revolução de Abril, que nunca quis ser poder, nem tão pouco se "vendeu" aos muitos interesses partidários que invadiram as Forças Armadas...

sexta-feira, abril 24, 2009

Indefinições no Dia da Véspera

24 de Abril de 1974 foi um dia que nasceu igual a tantos outros, cheio de indefinições, para muitos portugueses.

Milhares de jovens viam aproximar-se a chamada idade adulta, em que teriam de "defender a pátria" nas "nossas áfricas" e não sabiam o que fazer. Fugir ou ficar, era quase a mesma coisa que levantar ou baixar os braços ao país...
Pelo menos uma centena de homens e mulheres encontravam-se na clandestinidade, a lutarem contra a ditadura marcelista, com os olhos despertos para qualquer movimento estranho, logo que acordavam e com a mala feita, preparada para qualquer eventualidade...
Milhões de trabalhadores mal pagos sonhavam com a possibilidade de mudarem de vida, de emigrarem para conseguir ter aquilo que não lhes era permitido na terra onde nasceram...
Eram muito poucos os que acreditavam (e sabiam) que a Revolução estava tão perto, que ia sair à rua no dia seguinte...
A foto é de Rui Esteves.

quinta-feira, abril 23, 2009

Ler é...

Ler é estar vivo
Ler é conhecimento
Ler é sorrir
Ler é amar
Ler é escrever
Ler é sonhar

Ler é tanto...

Ler é olhar para lá do nosso umbigo
Ler é viajar pelo Mundo, reparando nas pequenas coisas que nos escapam nas outras viagens...

Ler é ficar mais rico, mesmo que os bolsos estejam vazios...

Rostos da Liberdade - 2

A Revolução também se pode fazer com palavras...
A Sophia de Melo Breyner Andressen conseguiu-o como ninguém.
Está lá tudo, na sua poesia livre, suave, sentida e solidária...

quarta-feira, abril 22, 2009

Rostos da Liberdade - 1

Perguntaram-me quem era o rosto português com a qual eu mais me identificava e conseguia sentir o espírito de Abril, da Liberdade e da Democracia, sem qualquer tipo de amarras...
Nem tive tempo de andar às voltas pela minha história, o Zeca Afonso apareceu logo...

terça-feira, abril 21, 2009

Conversas de Café (18)

- Percebes a razão de as pessoas não gostarem de votar para as eleições europeias?
- Percebo. E há mais que uma...
- Sim?
- Sim. Mas não me apetece fazer desenhos...
- Está bem. Mas vais votar?
- Vou. Voto sempre, por mim, pelo meu pai e pelos meus avós. Mesmo que vote em branco.
- Eu não.
- Porquê?
- Porque não me apetece alimentar esta Europa dos ricos, que nos deixa cada vez mais pobres.
- Ao não votares, continuas a alimentá-la, e da pior maneira, elegendo os protectores dos ricos do bloco central.
- Não me interessa. Além disso acho uma obscenidade o que ganham. E os portugueses agora vão ganhar ainda mais...
- Vão ganhar o mesmo que os outros. Para as mesmas funções salários iguais.
- Então porque é que ganhamos menos que na maior parte dos países europeus, fazendo as mesmas funções?
- Boa pergunta para se fazer ao senhor José Manuel Barroso...
- Podes querer...

sábado, abril 18, 2009

Almad'abril em Almada

Há muitas formas de comemorar Abril.

Hoje em Almada a música e a poesia são as formas escolhidas para se festejar Abril. A sessão começa às 16.30 horas na Sala Pablo Neruda, do Fórum Romeu Correia, em Almada.
É também apresentada uma colectânea de poesia, com trinta e cinco poemas de trinta e cinco poetas, intitulada, "Almad'abril", editada pelos "Poetas Almadenses", principal promotor da iniciativa.
Participo com o poema "João D'Abril":

João espera Abril desde Janeiro,
Não tem pátria nem cidade
Pertence ao mundo inteiro,
É filho legítimo da liberdade.

Quando o tempo começa a aquecer
Faz a sacola e parte para o Sul
Lugar maravilhoso para viver
Por ter o céu sempre pintado de azul

João passa a vida a cantar
Canções de paz, amor e liberdade
Foi a forma que escolheu para lutar

João não tem pátria nem cidade
Pertence ao mundo inteiro,
É filho legítimo da liberdade.

quarta-feira, abril 15, 2009

O Fluviário de Mora

De regresso a casa, resolvemos passar por Mora, para ver o já famoso Fluviário.

Pensávamos que ficava mais próximo da vila alentejana, por se falar tanto, como uma mais valia para a localidade.
O sitio é agradável, tem um rio ali mesmo ao lado, assim como um parque de campismo e uma zona ajardinada para quem trás merenda.
Depois de ver as vistas, por dentro e por fora, pensava que era algo maior, até pelas comparações que já vi fazerem com o Oceanário, mas não há nada a comparar, são mundos diferentes...
É por isso que acho o preço demasiado elevado para a oferta.
Uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) paga a módica quantia de 20 euros no chamado bilhete familiar (com um desconto de cinquenta cêntimos por cabeça).
Ainda disse à senhora da caixa que com aqueles preços não se safavam por muito tempo. Ela respondeu-me à letra, dizendo que estava enganado, que cada vez tinham mais visitantes...

Como podem ver, as lontras do Fluviário são extremamente simpáticas e até sorriem para a fotografia...

segunda-feira, abril 13, 2009

Os Comunistas São Pessoas Como Nós!

Eu sei!

Por isso é que nem sequer ousei ter uma atitude crítica, no último "post". Tentei apenas relatar uma história que me contaram.
Este desabafo, «Os Comunistas São Pessoas Como Nós!», foi-me transmitido por uma pessoa amiga, comunista, que se sentiu (ligeiramente) incomodada com a minha quase inconfidência.
Sei que por norma, socialmente, temos tendência a exigir mais às pessoas que servem um "credo", de uma forma apaixonada e dedicada, que de quem vive despreocupadamente, sem grandes comprometimentos. Eu tenho. Especialmente aos religiosos. Adoro chamar-lhes hipócritas. Esqueço-me que são humanos como nós. Que navegam no erro como qualquer ser humano.
Os comunistas têm ainda outra coisa que eu admiro, são pouco dados às tais inconfidências, são bons a guardar segredos, mesmo os difíceis.
Mas os filhos às vezes (tantas) alteram a ordem natural (ou outra qualquer) das coisas...
A Escultura, "O Segredo", é do mestre Lagoa Henriques.

quarta-feira, abril 08, 2009

Um Comunista Inflexível

Embora não possa confirmar a veracidade da história (foi-me contada à mesa do café, sem nomes...), não deixa de ser curiosa.

Contaram-me que um militante comunista, pai de um trabalhador "precário e inflexível", tinha dado um prazo ao Município para resolver a situação de trabalho do filho (dois anos). Como não tomaram qualquer posição durante vinte e quatro meses, este entregou o cartão de militante na concelhia.
Acrescentaram ainda que o filho se mantém na mesma situação, que pelo menos não tinha sido despedido...
O episódio pode e deve ter várias leituras: a Autarquia pode se ter defendido, para não ser acusada de passar ao quadro apenas militantes do PCP ou familiares destes; o militante pode ser insignificante para os seus camaradas...
Uma coisa é certa, Isto de se andar "descalço", mesmo com cartão, tem que se lhe diga...

segunda-feira, abril 06, 2009

A Oferta de Livros...

Encontrei ocasionalmente um amigo que também escreve livros.

Deu tempo para bebermos um café e falarmos do que andamos a fazer (nas escritas claro...).
Embora ele não faça parte dos "regionais" como eu, continua na segunda divisão, embora tenha conseguido arranjado nos últimos tempos uma editora, mas com um contrato quase estranho.
A grande vantagem (diz ele...), é que deixa de ter livros em casa à solta e de os oferecer a quem finge que gostava de o conhecer como escritor e nem sequer os abre...
Quem quiser ler os seus livros agora tem mesmo de passar pela livraria...
Na viagem de cacilheiro para a Margem Sul, fiquei a pensar no que ele disse. Pois é, provavelmente mais de metade das pessoas a quem oferecemos livros (e eu gosto de oferecer livros...), não deve ler uma única página...
Apetece-me dizer: não faz mal, são eles é que ficam a perder...

quinta-feira, abril 02, 2009

Premunições...

Jorge Gomes Fernandes, filósofo e historiador, teve uma premunição certa antes do tempo, que descobri com a reedição de uma pequena entrevista que lhe fiz entre Outubro e Dezembro de 2000...
«O fim do capitalismo já se deu e está a dar-se, porque já não existe liberalismo puro. Vivemos numa social democracia. E só se devem analisar as coisas em prazos mais longos.
Apesar de haver quem tente evitar ou a prolongar a agonia do capitalismo, o liberalismo tende a morrer, tem os seus dias contados.
Só há uma maneira de nos preparamos para o ajudar a morrer, e para vivermos após a sua morte, e para isso só há uma coisa a fazer: melhorar a justiça social, melhorar o serviço de saúde, aumentar a educação e a cultura ao maior número de pessoas.»

Só não sei é se a gente que domina o poder económico terá inteligência e humanismo para o perceber...