domingo, março 29, 2009

Xutos 30 Anos Depois

O concerto de ontem na Academia Almadense foi sobretudo um concerto diferente.

Eles chamam-lhe acústico e tocam sentados (todos sem excepção), para um público de plateia, que só se levantou para gritar "Maria" e no final, para pedir mais música, onde nos brindaram, não com um, mas três "encores"...
30 anos de espectáculos, discos e de estrada, praticamente com a formação inicial, só se consegue com pessoas especiais, que nunca andaram aos "pontapés" às estrelas e às nuvens, que estiveram sempre com os pés no chão a saborear o êxito.
Penso que eles têm uma coisa muito importante, que os diferenciam de alguns artistas que andam por aí, acham-se pessoas normais, não usam tiques de vedetas, nem mesmo nos concertos. Outro aspecto essencial, é o respeito que sentem pelo público. É por isso é que têm gente que anda atrás deles quase há três décadas...
Tudo isto para dizer que são a única banda de rock portuguesa, digna desse nome.
Que não desistam, que continuem nos palcos enquanto sentirem gozo em tocar juntos, cada vez mais para pessoas de todas as idades.
A foto (falta o Gui, no início era quase um músico à experiência...) já deve ter uns bons vinte anos...

sábado, março 28, 2009

Os Xutos na Academia


Logo, às 22 horas, os Xutos e Pontapés, vão dar um dos seus concertos acústicos, na comemoração dos seus 30 anos de carreira, na grande sala da Academia Almadense.
Vou lá estar...

sexta-feira, março 27, 2009

Passageiros em Trânsito

Os novos contos para viajar de José Eduardo Agualusa, do seu livro, "Passageiros em Trânsito", são extremamente agradáveis e inspiradores.

Aliás, o melhor elogio que posso fazer a um livro ou a um filme, são as muitas ideias que me surgem, de aventuras, que devia ter tempo para escrever...
E este livro de contos deu-me várias, levou-me de viagem para alguns lugares especiais, cheios de gente singular...

Outra Explicação aos Pássaros

Não, os meus blogues não são políticos (se esquecermos que todos os nossos gestos têm alguma carga política).

São mais sobre aquilo que me apetecer.
Essa continua a ser a melhor virtude da blogosfera. Somos nós, os editores do nosso "jornalinho"...
Não sou é obrigado a fazer o pino (ou a dar cambalhotas), mesmo sem ser na praia, como nesta ilustração de Loren Long...

terça-feira, março 24, 2009

Fora de Tempo...

Um amigo perguntou-me se eu não "tuitava". Disse-lhe que não, não tinha tempo para mais uma "prisão", pelos vistos demasiado viciante. Desculpei-me que a blogosfera já me levava algum tempo precioso...

A pergunta foi feita numa mesa de café, onde era possível ver o planar das gaivotas, ver os cacilheiros a aproximarem-se do cais e olhar as pessoas, que circulam a várias velocidades.
Provavelmente sou um velho fora de tempo (e teimoso), que pensa que a rua é a melhor casa do mundo e que não se actualiza com as "modernices"...
A fotografia continua a pertencer ao mesmo "portefólio", ainda de mão dada com o Tejo...

sábado, março 21, 2009

Começa a Primavera...


Começa a Primavera, é o Dia da Árvore e também o da Poesia...
Esta fotografia junta o Tejo, Cacilhas com o seu Casario, a grua gigante da Lisnave e os campos cultivados do começo da Quinta do Almaraz, ao qual não falta uma árvore e poesia, sem palavras...

quarta-feira, março 18, 2009

Quem Atravessa o Rio...

Quem atravessa o Rio com gosto, com este calor que já cheira a Verão, fica sempre a pensar que a travessia é rápida demais...

Ando mais atarefado que nunca, a ultimar um livro que será apresentado em Maio, a tentar atar algumas pontas soltas...
E esta fotografia com o "tráfego fluvial", foi tirada na Quinta do Almaraz...

quinta-feira, março 12, 2009

Os Balanços e os Contrabalanços Socráticos...

Não queria falar de política, muito menos deste governo sofrível, mas o debate estridente na RTP1, com as "esperanças" dos partidos parlamentares, em que o representante do PS, faz o papel de Augusto Silva, sem malha. Ou seja tenta defender o indefensável, fez com que me apetecesse escrever.

Nem vou falar das bandeiras eleitoralistas, como os 150.000 empregos ou do não aumento de impostos (depois fica ofendido por lhe chamarem "pinóquio"...) vou falar sim das reformas que não se fizeram, na educação, na saúde, na justiça, na administração pública, na segurança, etc.
Na educação as coisas estão piores, porque os professores estão mais desmotivados e eles são parte essencial da resolução do problema...
Na saúde, em nome da contenção de despesas, despediram-se médicos, enfermeiros e fecharam-se centros de saúde e até serviços em hospitais. Nunca houve tantos casos de nascimentos em ambulâncias...
Na justiça continua tudo na mesma, processos intermináveis e dualidade gritante nos critérios penais. Ou seja, a justiça continua a não ser para todos. Os ricos continuam a conseguir contornar as leis e os pobres vão parar à prisão por coisas absurdas...
Na segurança, é o que vemos todos os dias na televisão. Há assaltos para todos os gostos e cada vez menos polícias nas ruas...
As únicas coisas em que são realmente bons, é na manipulação e na propaganda.
É a única explicação que encontro para os resultados das sondagens que são publicadas por aí (além dos tiros nos pés dos jeitosos - aliás jeitosa - do PSD...).
A única coisa que se safa nesta "posta" é o "Acrobata Azul" de Picasso...

segunda-feira, março 09, 2009

Jorge Palma em Almada

O Jorge e a sua jovem banda atravessaram o rio e vieram dar música a Almada, porque era o Dia da Mulher e a Junta de Freguesia de Almada faz sempre questão de nos brindar (a todos, a única discriminação de género é a flor...), anualmente, com um espectáculo musical, neste dia em que continua a fazer todo o sentido, pelas notícias que vamos escutando cá do burgo (sem precisarmos de ir para as áfricas ou árabias...).

O concerto foi uma maravilha, com a oferta de um grande leque de canções bonitas aos almadenses que marcaram presença.

A fotografia é da Rita Carmo.

domingo, março 08, 2009

Tu És Aquela...


Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca
O óleo é de Balthus...

sábado, março 07, 2009

Sexta-Feira Multicultural em Almada

Ontem houve quatro eventos, marcados sensivelmente para a mesma hora, em Almada (três no coração da Cidade e um na Trafaria).

Quem quisesse ir "a todas", dificilmente o conseguiria...
Mesmo assim, com um pouco de sorte à mistura, consegui marcar presença em três dos quatro eventos. Claro que isso só foi possível porque quando já ía a caminho da Trafaria, preparado para jantar em família, antes de assistir à inauguração da exposição de pintura, "A Trafaria, o Sol e o Rio", na sede da Junta de Freguesia da Vila, ao passar pela Galeria Municipal, reparei que estava aberta e com movimento.
Estacionei o carro e fui dar uma espreitadela. Cruzei-me na entrada com o vereador António Matos, que me explicou que se tinha antecedido a inauguração da exposição, "Mulher, Reistência, Liberdade", para que a nossa presidente, Maria Emília de Sousa, pudesse estar presente, pois, à noite tinha já outro compromisso, receber rente aos Paços do Concelho as tunas universítárias, que lhe iriam fazer uma serenata, antecedendo o espectáculo "XVII Tágides", na noite de hoje, na Academia Almadense.
Vi a exposição de fugida, depois lá fui até à Trafaria, onde jantei e assisti à inauguração da exposição, "A Trafaria, o Sol e o Rio". E no regresso a Almada, ainda tive tempo de assistir a parte da Serenata...
Só não consegui assistir ao espectáculo, "De Sol a Sul", de Francisco Naia, no Teatro Extremo, também marcado para as 21.30 horas...
A fotografia da Serenata não está grande coisa, mas como se vê a minha (e de muito mais gente...) "Incrível", não resisti...

quinta-feira, março 05, 2009

Lugares Especiais de Almada

Disseram-me que muitas vezes dou uma ideia errada de Almada, focando apenas os seus aspectos negativos.

Devem ser sintomas do meu olhar critico, ainda muito agarrado ao jornalismo...
Foram ainda mais longe, pediram-me um "post" sobre um lugar de sonho desta Banda.
Pensei e descobri vários lugares, assim, mas o mais deslumbrante, por ficar num local altaneiro, com uma das melhores vistas para o Tejo, com o perfume da cultura, com a beleza dos jardins, é a Casa da Cerca...

segunda-feira, março 02, 2009

Somos um País Mesmo a Brincar...

Hoje senti-me insultado, ao ver uma reportagem na SIC sobre as "Novas Oportunidades" na GNR.

Só neste país é que um agente da GNR (podia ser outra profissão qualquer...), com a quarta-classe, inscreve-se no programa "Novas Oportunidades" e passado quatro meses, recebe um diploma do nono ano.
O que pensarão deste caso os alunos da secundária? Talvez achem graça e perguntem onde se podem inscrever...
Quando penso que a maior parte de nós, para ter mais habilitações, teve de frequentar com aproveitamento os vários escalões do ensino normal, muitas vezes em horário pós-laboral, só me posso sentir insultado com todo este facilitismo e mais esta "mentira" socrática.
E não quer o senhor ser comparado com o Pinóquio...
É por estas e por outras, que não passamos da cepa torta.

domingo, março 01, 2009

Janita Salomé em Almada

Hoje, a meio da tarde, assisti a um excelente espectáculo musical no Auditório do Fórum Romeu Correia, com o Janita Salomé e o seu quinteto "maravilha".
"Vinho dos Amantes" era o mote do concerto, mas Janita não se ficou apenas pela bebida rubra, que fez questão de brindar ao público, trouxe-nos também canções do Zeca, de Brell e de outros álbuns, com os sons e os cheiros do Sul...

sábado, fevereiro 28, 2009

Pacheko Continua ao Ataque

Pacheco Pereira continua a escolher o jornalismo como mote para as suas crónicas "públicas". Claro que nada do que ele diz é inocente.

É uma personalidade engraçadota. Pelo que escreve e diz, calculo que se deve achar um pouco acima dos mortais, talvez tenha mesmo encontrado qualquer carreiro que o leve até ao "território dos deuses"...
Fala dos políticos, como se não pertencesse ao seu mundo. Fala dos jornalistas como se não gostasse de vestir a sua pele, de influenciar o panorama político (tenta quase sempre) nas crónicas que escreve...
Parece que uma das coisas que mais o incomoda, é a "invasão" dos jornalistas na blogosfera.
Hoje escreveu: «Muitos jornalistas, em particular aqueles que fazem uma espécie de jornalismo "interpretativo", que pouco mais é que política com outro nome, encontraram nos blogues a possibilidade de terem plataformas próprias competindo no terreno politizado da blogosfera.» E também: «Envolvido nas guerras de blogues, em que o narcisismo impera num meio muito claustrofóbico, moldado cada vez mais por um radicalismo posicional e grupal, o jornalismo ganha os vícios dos blogues.»
Ele pode ter alguma razão, mas não tem nenhuma moral para dar lições a quem quer que seja, de boas práticas políticas ou jornalísticas. Basta recordar as suas perseguições doentias a Santana Lopes e Filipe Menezes, nas suas colunas de opinião.
O que mais curioso, é o senhor assinar os artigos como historiador...

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

O Brilho de Maria Gertrudes Novais


Este bonito poema faz parte do livro, "Expressão Viva", que vou ter o prazer de apresentar, amanhã, na Oficina de Cultura de Almada, da autoria de Maria Gertrudes Novais...

BRILHO

Hoje o sol tem outro brilho
É maior a sua intensidade,
O espírito em liberdade
Divaga com fluência.
Chegou a Primavera,
Trouxe com ela a poesia,
Se assim não fosse o que seria,
Meu peito chorava de tristeza.
Amo a vida, a natureza,
O pássaro que canta no beiral,
Como aquele que conta o seu historial,
Cuja vida lhe foi negada.
Vegeta sem saber porquê
Não se consegue encontrar.
A sua capacidade de amar
Vai continuar latente.
A sociedade não os vislumbra,
Vive alheia à realidade,
Escondendo assim, a verdade
Desfrutando a Primavera que chegou.
Com toda a força da alma,
Neste dia que é da poesia,
Apelo à paz, ao amor, à harmonia
Saudando, os Poetas do meu País.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Em Portugal Brinca-se ao Carnaval o Ano Inteiro

Cada vez ligo menos ao Carnaval.
A
cho que isso está ligado ao facto de em Portugal se brincar ao Carnaval o ano inteiro.

E são tantos os exemplos...
- As ameaças veladas da Igreja, no caso do casamento entre homossexuais (aqui está um caso pradigmático de alguém que pensa que tem mais poder e influência na sociedade, do que realmente tem);
- As mentiras (disfarçadas de esquecimento) de Dias Loureiro nos jornais, na televisão e na Comissão Parlamentar;
- A "campanha negra" e a descoberta do verbo "malhar", escolhidas pelo governo, especialista em propaganda e auto-vitimização, tendo como figuras centrais, Santos Silva, Silva Pereira, e claro, Sócrates;
- A transformação de Salazar, pela SIC, com a ajuda de alguns pseudo-jornalistas e historiadores, num "D. Juan", esquecendo a verdadeira essência do ditador, cínica, autoritária, vingativa e repressiva;
- O resultado final dos casos mais mediáticos da justiça portuguesa, onde depois de se trocarem as voltas a toda a gente (advogados e poderosos), ainda há o hábito de pedir indemnizações ao Estado;
- A prática jornalística (especialmente a televisiva), cada vez mais virada para o espectáculo e menos para a informação;
- A arbitragem portuguesa, que há muitos anos brinca ao Carnaval (sem sofrer qualquer tipo de sanção...), beneficiando sempre os mesmos (Porto, Benfica e Sporting), viciando os campeonatos e afastando as pessoas dos estádios;
E é melhor ficar por aqui. Tantos são os exemplos deste "entrudo" nacional de 365 dias...

domingo, fevereiro 22, 2009

Primavera no Parque da Paz

O Parque da Paz é um espaço de lazer bastante procurado pelos almadenses, ao fim de semana, para descontrairem do ambiente urbano citadino.
Também aproveitei a bela tarde primaveril de hoje, para passear neste lugar aprazível...

sábado, fevereiro 21, 2009

A Festa das Artes da SCALA

Foi hoje inaugurada a Festa das Artes da SCALA - 15ª Exposição Anual - na Oficina de Cultura de Almada.

É uma das melhores exposições da nossa associação e está patente ao público até ao próximo dia 1 de Março.
Eu participei com três fotografias. Uma delas é esta, intitulada, "Azul - Céu".
Apareçam, vão gostar dos trabalhos de pintura, fotografia, escultura e artesanato.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

O Casamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo

Acho uma grande hipocrisia toda esta "nuvem" de poeira, levantada acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Digo isto porque todos sabemos que existem famílias compostas por dois homens ou duas mulheres, por vezes até no prédio onde habitamos (por acaso é o que acontece no meu, e o casal em causa, até é um excelente exemplo de cidadania a todos os níveis, são educados e simpáticos para toda a gente, não baixam a cabeça quando se cruzam connosco nas escadas...).
Se as pessoas já vivem juntas e constituíram uma família, porque razão não podem oficializar a relação?
Não consigo perceber.
Eu nunca morri de amores pela instituição "casamento", só casei com a minha esposa, porque era a única possibilidade de vivermos juntos. Mas nunca senti necessidade de ter um papel assinado. Mas respeito quem acha este "contrato" uma coisa essencial numa relação, sejam hetero ou homo.
Quem também adora estas discussões (assim como a eutanásia), é o senhor engenheiro que nos governa. Ele pode governar mal (e se governa...) mas não dorme na "forma"...
Não consegui identificar o autor imagem, mas como a acho bonita, aí vai ela...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Arealva, Memórias Dispersas no Tempo

Amanhã é inaugurada a exposição de fotografia, "Arealva, Memórias Dispersas no Tempo", da autoria de João Soeiro, às 16 horas, na Sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, em Almada.

Após a inauguração será apresentado um álbum sobre esta mostra artística, editado pela Junta de Freguesia de Almada, que conta com a minha colaboração, com um texto sobre a história da Quinta da Arealva.
O texto começa assim:
«A Quinta da Arealva continua a ser um lugar especial no concelho de Almada, apesar do abandono a que tem sido votada nos últimos anos.
A sua beleza tem conseguido resistir a quase tudo, provavelmente graças à cumplicidade que continua a manter com as águas do Tejo. Beleza que também pode ser associada ao seu nome, bastante singular e original.
Segundo o historiador, Raul Pereira de Sousa, a sua origem está ligada à praia de areia branca que existia naquele local, da qual hoje só se descobre uma pequena franja na maré baixa, e menos clara.
Embora alguns estudiosos de etimologia defendam que a palavra Arealva também possa significar monte ou montanha, segundo os termos fenícios e indo-europeus, pensamos que a posição do historiador almadense é a que faz mais sentido, pelo menos neste caso particular. [..]»
Apareçam...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Encontros Por Aí (1)

Reparei nela, por quase nada.

Não tinha um decote grande, não vestia mini-saia, não olhava com olhos gulosos nem possuia lábios carnudos. Nem tão pouco era a mulher mais atraente da sala.
Mas percebia-se à légua, que era a única que sabia sorrir.
Embora seja um lugar-comum, é autêntico. Muitas vezes um sorriso vale por mil palavras (e até por umas quantas curvas mais lineares)...
A fotografia é de Jean Dieuzaide, do "Portugal 1950".

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

13ª Mostra de Teatro de Almada

Começa hoje e prolonga-se até ao dia 22 de Fevereiro.
É a festa do teatro amador de Almada, que nos oferece, pela certa, bons espectáculos, em vários espaços do concelho.
Se gostam de teatro apareçam em Almada.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Há Qualquer Coisa Que me Escapa...

Não consigo entender a lógica dos horários do Metro de Superfície de Almada.

Ora passam composições separadas por menos de um minuto, ou tem de se esperar, treze, catorze minutos pela próxima.
Outro aspecto curioso, é o número de composições que circulam durante o dia, "reservadas", sem fazer qualquer paragem, obrigando sim, os carros e as pessoas a esperarem pela mudança do sinal, criando filas de carros e entupindo a praça Gil Vicente (é a que me é próxima, a que uso como exemplo, embora isto suceda em todas as rotundas onde circula o Metro...).
Ou não devemos estar em crise para os lados do "metro", ou há alguma coisa que me escapa...

domingo, fevereiro 01, 2009

As Fotos de Aníbal Sequeira

Aníbal Sequeira, além de um excelente companheiro, é um dos fotógrafos portugueses mais premiados, internacionalmente. Felizmente ele já entrou no mundo da "blogosfera".

Convido-vos desde já a visitar o seu espaço e a conhecerem as suas belas fotografias a preto e branco.
A fotografia que publico da sua autoria é, "O Elogio ao Trabalho".

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Jornais Cada Vez Com Menos Leitores

Almocei um dia destes com um amigo que continua a escrever no seu jornal de sempre. Nunca o tinha visto tão desencantado com o panorama actual do jornalismo.

Nada do que me disse era surpresa. Há muito tempo que noto que os jornais (e as televisões) são quase todos iguais. Nunca como agora se fizeram tantas capas iguais (e não acredito que existam espiões nas redacções ou que acha qualquer interesse que isso aconteça) no mesmo dia, porque as pessoas pensam o jornalismo da mesma maneira, a mais fácil.
Eles ainda não perceberam que a frase de "cassete", «é isto que as pessoas querem», está tão gasta, especialmente na televisão, que o "lixo" normalizado começa a ser devolvido à procedência...
Pensava que os jornais de papel iam durar mais, mas agora já não sei. Se não se inverter o caminho, penso que serão cada vez mais insignificantes...
Culpados? Na primeira analise (demasiado simplista), os directores. Claro que eles não estão só nesta caminhada. Os donos e accionistas que acham que vender jornais é a mesma coisa que vender sabonetes ou frigoríficos, são os grandes responsáveis por mais esta crise...

sábado, janeiro 24, 2009

A Estética e a Discriminação

As novas estações do metro são muito bonitas, mas não nos protegem da chuva nem do vento. E do sol, quando ele apertar logo se vê...

São de tal maneira abertas, que entra água e vento por baixo e pelos lados, só se salva a protecção superior. Nos dias de chuva quem se quiser sentar nos bancos, fica com as calças ou saia molhadas...
Mas o mais triste, é que com as novas estações de metro e toda a modernidade nesta nova Almada, desapareceram as antigas paragens de autocarro da TST (com abrigo...), deixando os seus passageiros, completamente desprotegidos, porque não têm qualquer tipo de protecção...
Apesar de não ser cliente assíduo destes transportes públicos (em Almada ando praticamente sempre a pé), não consigo perceber porque razão existe tratamento diferenciado para os utentes destes dois tipos de transporte.
Será que quem utiliza os autocarros da TST passou a ser um cidadão de segunda no concelho, em detrimento do metro, que apenas abrange as principais vias de Almada?


sexta-feira, janeiro 23, 2009

O Poder da Blogosfera

Não estava à espera que tapassem os "buracos" próximo da minha casa, tão rapidamente. Coloquei aquela fotografia a poucos metros da minha casa, apenas pelo seu simbolismo.

Quando falava de buracos, falava de todos aqueles que andam por aí, espalhados pela cidade, e que são mais notórios e perigosos quando chove (foi num deles que cortei um pneu, do qual tive o cuidado de tirar fotografias, e enviar, juntamente com o recibo, de um pneu novo, que comprei há mais de dois anos e que nunca mereceu qualquer resposta do respectivo pelouro Municipal, apesar de serem eles os responsáveis pelas vias rodoviárias urbanas...)
Não sei se os remendos foram simples coincidência, ou se há de facto uma atenção especial aos "blogues" locais por parte da Autarquia Almadense.
Talvez a blogosfera comece a ser realmente importante, no dia a dia de todos nós...

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Homem Novo?

Não me parece que exista o homem novo, que a "Visão" publicita.

Há sim um país que se transformou há trinta e quatro anos, com uma revolução que mudou tudo (e ainda bem), abriu mentalidades, aproximou mais a mulher do homem. Quem nasceu em liberdade é de facto um homem novo.
Mas não tem necessariamente que se depilar ou tratar das rugas. Quanto aos perfumes, sempre existiram. Nem sequer conheço pessoas que tenham prazer em cheirar mal. Lembro-me de o meu pai trazer perfumes de Espanha, antes de Abril, além dos caramelos, da laranjada e da bonbazine...
Há sim um negócio crescente de beleza, incentivado por uns gajos amaricados que têm alergia a pelos e que não gostam de rugas, que já foram "metrossexuais" e não sei o que serão amanhã...
Eu? Gosto dos meus pelos e das minhas rugas, tal como começo a gostar dos cabelos brancos que vão aparecendo. Claro que tenho a vantagem de não trabalhar num lugar onde é obrigatório usar terno e gravata, em que o cartão de crédito também tem umas despesas no "spa"...
Que bom que é sentir-me um homem "velho".

domingo, janeiro 18, 2009

A Propósito de Arte...

Por razões editoriais, exteriores à blogosfera, pedi a uma amiga um poema sobre Arte. Ela preferiu brindar-me com uma prosa, que escreveu em 1992, para um catálogo de arte, para a exposição anual da Artes do Seixal. Para este bonito texto da poetisa almadense, Maria Gertrudes Novais, escolhi um lindo acrílico da Menez...

«Todo o acto de criar é amor e, porque o homem é um ser criador, com a sua imaginação, sensibilidade e amor vai transpondo para a tela, para o papel e para os mais diversos materiais o seu modo de sentir e de estar no mundo que o rodeia. Através da arte, consegue transmitir os seus anseios, a paixão, a dor, o sofrimento e o amor ao próximo. Assim, comunica a sua própria realidade.
O artista não é um ser diferente, apenas vê a realidade de uma outra forma e dá-lhe uma alma mais forte e viva, com o seu cunho pessoal.
A arte é algo de belo e de místico que nos alimenta o espírito, que se sente, que nos invade e nos dá mais força para viver.»

quinta-feira, janeiro 15, 2009

A Chuva é Terrível...

A chuva é terrível, mostra as fragilidades das cidades, que não são apenas feitas de avenidas novas, onde passa o eléctrico...
Felizmente é ano de eleições, pelo que o mais provável é que os buracos que se transformam em poças de água e são a alegria da criançada, sejam remendados, lá mais para o Verão...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

As Modas Ainda Vêm de Paris...

Hoje lembrei-me de escrever sobre duas coisas: a forma como o árbitro do jogo Benfica-Braga, executou mais um daqueles "roubos de igreja", que o mestre Pedroto costumava denunciar (senti-me envergonhado como benfiquista...); a promoção do Armando Vara, já depois de ter transitado da CGD para o BCP (só mesmo no nosso país...).

Mas isso era falar de coisas tristes. Apetece-me mais falar de coisas alegres, como a saída de um dos meus vizinhos, o Manecas, para um conhecido que passeava o cachorrinho, protegido com uma camisola de lã.
Enquanto passava em direcção a casa, o Manecas depois de me cumprimentar piscou-me o olho e virou-se para o senhor sexagenário que cirandava por ali, agarrado à trela, dizendo-lhe com um ar sério, que ele estava muito desactualizado. O homem abriu a boca meio espantado e ficou à espera da "actualização". O Manecas não vai de modas e atira-lhe: «Então não sabes que os "fifis" em Paris, além da camisolinha de lã, também se passeiam de pantufas pelas ruas, no inverno?»
O homem ficou de tal maneira furibundo que perdeu a compostura e respondeu-lhe de uma forma ordinária.
Eu, graças ao humor do Manecas, não perdi o sorriso até chegar a casa...

A gravura é da extraordinária Paula Rego.

domingo, janeiro 11, 2009

Eléctricos a Mais e Carros a Menos

A lógica do Município de colocar mais eléctricos que carros no centro da cidade, tem mais aspectos negativos que positivos no dia a dia de Almada.

O corte do trânsito entre parte das avenidas Afonso Henriques e D. Nuno Álvares Pereira, criou filas intermináveis de carros, em ruas aparentemente calmas, causando um grande transtorno a todos aqueles que se têm de deslocar diariamente a Almada, entre outras coisas, para levar e trazer os filhos às escolas, jardins de infância ou casa de familiares.
A mudança dos sinais de trânsito, em alguns casos é de uma aberração, que não obedece a qualquer lógica. De todas as mudanças, a que me parece mais surrealista é a da rua Capitão Leitão (agora mudaram as coisas, ainda para pior...).
Por outro lado, as composições de eléctricos (vulgo Metro de superfície) chegam a circular de minuto a minuto, quase sem passageiros, accionando os sinais luminosos e criando confusão e filas nas principais rotundas onde passam linhas. Pergunto, porque razão se mantêm estes horários, que criam dificuldades aos próprios maquinistas das composições e até podem ser perigosos pela sucessão de passagens nas principais artérias da cidade? Nem parece que estamos em tempo de crise, ou então estes eléctricos são de tal maneira evoluídos que trabalham a "ar"...
Moral da história, o centro da cidade está mais deserto, mas ruas que eram calmas, como as Bernardo Francisco da Costa, Francisco Andrade ou Lourenço Pires de Távora (especialmente esta...), chegam a estar atoladas de carros, durante várias horas. Além das já movimentadas, praça Gil Vicente, rua D. Sancho e avenida Rainha D. Leonor, onde o trânsito agora chega a ficar paralisado. Não tenho dúvidas de que há mais poluição na cidade, porque este novo "pára-arranca", não só tem aumentado o desperdício de gasolina e de gases (é uma boa altura para se estudar a poluição do ar...), como provoca múltiplas apitadelas, causadas pela irritação de quem já está cansado de um dia de trabalho e quer chegar a casa, mas tem de ficar retido em mais uma fila de trânsito...

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A Gaivota do Barão


Gaivota


A horizontalidade do teu voo
A serenidade das tuas asas
Refletem a simplicidade
E aquilo que os homens mais ambicionam:
A LIBERDADE.
E quando te observo
Cortando no ar esse leve azul
Ou poisando nesse azul profundo
Apetece-me meditar, cantar, dançar,
Embrulhado numa veste de tule
E desencontrar-me com o resto do mundo.

Este bonito poema de Fernando Barão, escrito inicialmente no seu livro "Escapes de Uma Vida", é agora republicado no caderno, "Olhares da Outra Banda". Isto não acontece por acaso. Fernando Barão continua a ser uma das grandes figuras da cultura almadense, com uma lucidez invejável e um humor único, ele que acabou de completar oitenta e cinco anos há seis dias...

domingo, janeiro 04, 2009

As Pinturas de Guerra Urbanas

Passava rente ao muro de pedra da Praça da Liberdade, decorado com uma mão cheia de inscrições manhosas, que nem sequer sei se pertencem ao universo dos "grafittis", como objecto de identificação, quando comecei a questionar tudo aquilo...

Gostava bastante de saber, o que seria que aquela gente, que tinha sujado aquela parede, pensava das suas "obras de arte".
Provavelmente eram capazes de sentir orgulho do seu mau gosto... e se fossem questionados, mesmo de verdade, talvez me mandassem para sítios piores que aquela coisa d' "a tua prima"...

sábado, janeiro 03, 2009

Quase, Em Câmara Lenta...

Neste momento sinto-me quase com um pé de fora da blogosfera. O excesso de trabalho do final de ano, que se irá manter, pelo menos, durante todo o primeiro semestre (tenho dois livros para acabar, já com previsão de lançamento - uma grande "armadilha"...), são a principal causa.

Irei aparecer em menos lugares e também irei postar menos.
Pensei mesmo em tornar o "Casario" e o "Largo" num só blogue, mas eles não aceitaram a proposta, dizem que são muito diferentes e que prezam muito a sua liberdade.
Disse-lhes que sim e ficaram satisfeitos.
Mas, avisei-os que as coisas vão ser quase em câmara lenta, como na tevê (gosto muito destes slows dos GNR)...

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Caus no Trânsito em Cacilhas

O ano não começou da melhor forma para os milhares de pessoas que se deslocaram de automóvel até Cacilhas, para assistirem ao espectáculo musical e ao fogo de artificio.

Depois do espectáculo pirotécnico, com a debandada quase geral, o trânsito ficou praticamente parado em todas as direcções, devido às várias alterações que foram efectuadas com o Metro de Superfície, que retirou os veículos do coração da cidade.
Como me desloquei a pé, fui um espectador privilegiado de toda aquela confusão surpreeendente (até vi pela primeira vez as composições do metro completamente cheias de pessoas em direcção a Cacilhas...).
Mas o melhor estava guardado para junto à minha casa (antiga Quinta da Alegria, uma das zonas mais pacatas de Cacilhas...), onde os carros se amontoavam, sem conseguirem avançar em qualquer direcção, como podem ver na foto...
Isto durou mais de uma hora, para desespero de todos os automobilistas e acompanhantes, que viram o "programa das festas" do ano novo, sofrer atrasos inesperados...

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Fim de Ano em Cacilhas

Não tinha pensado passar o ano em Cacilhas, mas como está tudo esgotado...

Ainda não é desta que vou à Madeira, ficar mais uma noite no sempre agradável "Reid's"...
Um bom ano novo para todos.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

A Crise Desapareceu...

Não me venham falar de crise, nos tempos mais próximos.

Não vi as lojas com menos gente na segunda quinzena de Dezembro. Então nos últimos dias antes do Natal, as filas aumentaram de uma forma considerável, assim como a circulação automóvel, provocando congestionamentos onde menos se esperava...
No dia de Natal fui almoçar às Caldas da Rainha. Há muito tempo que não apanhava tanta confusão de trânsito no garrafão da Ponte 25 de Abril, a um feriado. O mesmo se passou na A 8, onde encontrei mais trânsito que num dia de semana, normal.
Espero que a crise tenha mesmo fugido, não esteja apenas escondida por ser Natal...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Boas Festas


Vou fazer umas "feriazitas" de Natal, pelo que só voltarei a "postar" depois de 26 de Dezembro.
Desejo-vos a todos boas festas.

sábado, dezembro 20, 2008

A Impaciência dos Cem Anos...

Embora não seja nenhum milagre, são raras as pessoas que chegam aos cem anos. E ainda menos, aqueles que o fazem, mantendo alguma autonomia e lucidez.
Carlos Sameiro, o velho faroleiro de Almada, com 98 anos, tinha tudo isso, embora uma queda (graças às obras do Metro, que felizmente já acabaram), o tenha debilitado, fisicamente, roubando-o aos quase passeios diários que dava pelo centro de Almada, com paragem na esplanada da "Rifera", para conversar com os amigos...
A última vez que conversámos, penso que deve ter sido no final de Setembro, onde estava sentado na companhia do nosso amigo comum, Carlos Durão.
Quando Carlos Sameiro, soube que eu era das Caldas, falou-me com satisfação da sua adolescência passada em S. Martinho do Porto e das suas visitas, a pé (uma brincadeira de mais de dez quilómetros para cada lado...), numa época em que a força nunca se acabava...
Todos nós queríamos (e ele claro...) que chegasse aos cem anos. Infelizmente não resistiu a este frio, um autêntico calvário para as pessoas mais idosas...
Soube do seu falecimento no blogue "Alma d' Almada", de onde retirei a fotografia.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Era Mais um Lobo Disfarçado de Cordeiro

O seu sorriso nunca me agradou, assim como o seu cinismo.

Tinha uma grande audiência nas suas "Conversas em Família" (até a minha mãe gostava de ouvir o senhor...), pois conversa nunca lhe faltou.
Mas com todas estas palavras, nunca explicou o porquê das perseguições que moveu a centenas de homens livres, nem a obrigatoriedade dos jovens participarem numa guerra em defesa de um império, que só existia na imaginação de alguns sonhadores
O meu pai não gostava dele, como não gostara antes de Salazar. Ambos simbolizavam a antítese dos homens livres, aquilo que ele sempre quis ser. Se não tivesse outra razão, esta sobejava-me.
Ainda hoje...

domingo, dezembro 14, 2008

Conversas de Café (17)

- Sei que estás cheio de sorte, já podes levantar a "massa" do Banco Privado...

- Nem no banco privado nem no público, mas adiante...
- Não me digas que não tens "plaffon" para ter lá dinheiro...
- Se é verdade o que vem nos jornais, não.
- Nunca pensei que o teu amigo sócrates fosse tão indiscreto, a proteger os amigos ricos...
- As pessoas que estão no poder vão perdendo a vergonha.
- O mais engraçado, é que o próprio nome da instituição diz tudo. Sempre pensei que privado era o contrário de público.
- Eu também. Vais ver que com esta crise, qualquer dia também subsidiam o "Gambrinus"...
- Falando a sério, nunca vi um governo que protegesse tanto o grande capital como este. As PME's que se cuidem...
- Vão fechando, um pouco por todo o lado. Fazem lembrar a agricultura, onde para receberes subsídios do Estado, tens de ser "latifundiário"...
- Até quando é que eles vão teimar em chamar-se socialistas?
- Boa pergunta...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

«Vendedores de Jogo»

Era assim que o meu pai apelidava os grandes "palradores", capazes de dar grandes voltas numa conversa, para nos tentarem levar à certa, com um pedido ou uma venda qualquer. A única certeza que ele tinha, é que ficávamos sempre a perder...

Mas achava-lhes piada, às vezes era capaz de comprar qualquer "inutilidade", apenas pela satisfação de apreciar a lata e o jogo de cintura do vendedor, que em muitos sítios, era também conhecido como "vendedor de banha da cobra" (embora estes também existissem de verdade, com as suas caixinhas de latão, com a poção mágica que curava todas as doenças possíveis e imagináveis...)
Claro que os verdadeiros vendedores de jogo de rua, não serão todos grandes "palradores", ao contrário dos "vendedores de banha da cobra", como este da fotografia de Eduardo Gageiro...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Sessenta Anos de Quê?

A comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos só pode ser encarada como uma brincadeira, neste começo de século.

Perdeu-se quase tudo, inclusive a vergonha, de usar como bandeira uma declaração que não é cumprida por praticamente nenhum Estado.
O trabalho que era, e é, o alicerce económico de qualquer família, está pelas ruas da amargura. O desemprego cresce, à mesma velocidade que o trabalho precário e as horas de trabalho. Nunca se viveu com tanta insegurança, com tantos medos, com tanta violência.
Falhámos em toda a linha nos últimos anos. Esquecemos tanta coisa importante, especialmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Nos seus primeiros dez artigos, não existe um, que seja cumprido integralmente no nosso país. E não vou para as áfricas e américas...

Esta fotografia de Gordon Parks, continua actual, espelha o desespero das mães deste país, que têm cada vez mais dificuldade em oferecer aos seus filhos, aquilo a que deveriam ter direito, segundo a Declaração...

terça-feira, dezembro 09, 2008

«O Diabo Anda à Solta!»

Era esta a expressão da minha avó, neste dias ventosos, em que quase tudo dança à nossa volta, com violência.
Nesse tempo, eu, ainda pequenote, sorria e espreitava o vento, mas do demónio nem sinal. Era invisível, feito de uma massa parecida com a de Deus, que também não gosta de se mostrar, embora esteja em toda a parte...

Nestes dias está-se bem é em casa, como eu neste momento a ouvir os Clã, já no "sorriso de Gioconda"... onde também há um amante furtivo.
«Para quem sorri Gioconda? Está tão longe e tão perto...», pergunta a Manuela Azevedo, uma das vozes que mais gosto de ouvir cantar em português... e agora já está noutra canção, a dizer-me: «deixa que o amor se entranhe na terra seca do coração», isto tudo, com «o ritmo do mar», imaginem só.
Deu-me para aqui, porque o diabo, dizem, que anda por aí à solta...

domingo, dezembro 07, 2008

O Ginjal no Mural de Romeu Correia

Ontem foi inaugurado, em frente das piscinas da Academia Almadense, o Mural de azulejos da autoria de Louro Artur, que homenageia o escritor almadense Romeu Correia. Não estive presente porque à mesma hora havia o lançamento do livro de Diamantino Lourenço...

Sabemos que este painel tem estado armazenado em caixas, há já uns anos, nas instalações do Município.
Não conseguimos perceber o porquê. Porque razão se tem escondido este bonito Mural (gosto mais desta palavra que de painel...) dos almadenses...
Ainda menos percebemos que tenha sido colocado num lugar quase escondido, da Cidade...
Entre os muitos motivos escolhidos pelo autor da obra, lá está o Ginjal, lugar de predilecção de Romeu, na infância e adolescência...

sábado, dezembro 06, 2008

O Livro Sobre Cacilhas de Diamantino

"Cacilhas - Ponto de Partidas Local de Passagem", é o título do livro de Diamantino Lourenço, que é apresentado hoje na sede da ARPIFC, na localidade ribeirinha.

Assisti a todo o percurso deste livro, que em meses passou de um pequeno opúsculo de quarenta páginas a um belo livro com mais de cem folhas...
O mais curioso foi o autor ter ido buscar acontecimentos que tinham passado ao lado de quase todos os cacilhenses, como a partida da Primeira Volta a Cavalo, em 1925, ou várias partidas de etapas da Volta a Portugal em Bicicleta...
Mas Diamantino não se fica por aqui, também nos dá uma perspectiva dos estudos e construções de pontes sobre o Tejo e dos caminhos ferroviários (que só agora chegaram a Almada, através do Metro de Superfície).
O mais bonito disto tudo, é vermos alguém que escreve bem, com dezenas de artigos publicados aqui e ali, ter esperado pelos setenta e sete anos, para publicar a sua primeira obra a solo.
Parabéns Diamantino!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Eram Poetas...


ERAM POETAS...

«Não eram vultos, eram poetas!»
Exclamou o taberneiro, com orgulho,
Ao velho polícia do giro.

«Eram poetas sim senhor.»
Insistiu o taberneiro.
O polícia coçou o nariz,
Só conhecia aqueles marginais
Dos livros e dos filmes.
Até pensava que não saiam à rua.

«Saem sim senhor,
Embrulhados na noite.»
Explicou o taberneiro.
O polícia agora coçava a cabeça,
Enquanto fazia sinal ao homem,
Para lhe encher mais uma vez o copo.

«Eles param sempre aqui,
Antes de trocaram algumas palavras
Com as nuvens e as estrelas.»
Sorriu o taberneiro.
O polícia olhou-o fixamente nos olhos,
Antes de soltar uma valente gargalhada.

«E também namoram sereias.»
Disse o Taberneiro com satisfação.
Os dois homens não conseguiam parar,
De rir e de beber aquele vinho,
Tonto e tinto...

Foi por isso
Que em boa hora
Decidiram fazer um brinde:
«Aos poetas do Tejo,
Das noites e das sereias belas...»

Poema publicado inicialmente no fanzine almadense, "Debaixo do Bulcão", nº 33, Junho de 2008 (de aniversário), escrito para homenagear os seus criadores, em particular António Vitorino. Posteriormente foi "agarrado" pelo caderno, "Palavras ao Tejo". E é para ti, Ivone...

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Olhares Sobre o Tejo...

Com a polémica dos contentores na frente ribeirinha, em Alcântara, percebi que nem todos os olhares que se debruçam para o Tejo, refletem sentimentos de serenidade, amor ou alegria.

Além do sentimento de indiferença - há quem atravesse o rio, como se estivesse numa auto-estrada, apenas preocupado com os dez minutos que demora a travessia -, também há alguma desconfiança. Há quem nunca tenha achado muita piada a rios largos e a mares, muito menos a ondas eriçadas pelo vento, que fazem os cacilheiros dançar um pouco.
Para estes passageiros o Outono e o Inverno são um suplício, principalmente quando está mau tempo no canal...
É por isso que mal o cacilheiro parte, lançam o olhar num jornal ou num livro e só olham para a Margem, quando já estão a atracar no cais...