sábado, novembro 29, 2008

Palavras ao Tejo

Não é nada de novo, é apenas um caderno com poemas que foi escrevendo, aqui e ali, e que agora reuni...

como abertura, escrevi entre outras coisas:
«Como vocês sabem, de vez enquanto escrevo poemas. Não é uma coisa tão natural como escrever prosa, porque as palavras pedidas nem sempre aparecem. Provavelmente não é verdadeira poesia (se isso existe...), talvez seja mais prosa poética, talvez sejam apenas palavras mais espaçadas, mais calmas e mais sentidas...»

quarta-feira, novembro 26, 2008

Metro em Festa

Hoje foi dia de inauguração do Metro no coração da cidade. Não sei se houve corta-fitas, presumo que sim.

Nem sei se o primeiro-ministro veio cá (era mais giro que se tivesse feito representar pela dupla "alegre", lino e piño, para ajudarem a festa...). Acredito que sim, já é tempo de "campanha eleitoral", nacional e local, pelo que deve ter andado a distribuir sorrisos com a Maria Emília...
Falando de coisas sérias, não sei se o Metro fica apenas a um metro do futuro, nem tão pouco se os novos arruamentos vão trazer as pessoas para as ruas. Gostava que sim, mas como há uma dúzia de anos que nos transformámos numa terra farta em "tapa-olhos"...
Era bom que quem nos governa levasse à prática as suas próprias palavras, ou seja, que todos os almadenses sentissem que Almada é a sua cidade, independentemente da sua escolha de credos ou bandeiras.

terça-feira, novembro 25, 2008

Uma Data Sem Consensos

O 25 de Novembro de 1975, continua a ser uma data pouco consensual.

Para a verdadeira esquerda é um dia triste, significa o fim do sonho, o regresso ao passado, com a porta de novo aberta ao capital (e de facto eles começaram a regressar às suas casas no Restelo, vindos principalmente do Brasil)...
Para o centro e esquerda democrática continua a ser um marco histórico da Revolução de Abril, porque simbolizou o regresso da democracia e da liberdade, sem qualquer tipo de ameaça ditatorial...
Para a direita foi quase um "milagre". Foi a possibilidade de voltarem a respirar e a sonhar com o país desigual que tinham ajudado a construir (e a destruir...) até 24 de Abril de 1974, e continuarem a obra, com os resultados que todos conhecemos, trinta e quatro anos depois...
Claro que esta pequena análise, é demasiado simplista. Mas é difícil fazer história, a uma distância tão curta e com tantos intervenientes ainda vivos, cada um a puxar a "brasa à sua sardinha"...
A escolha do cartaz da autoria de Vespeira, não é inocente. O MFA, tal como no 25 de Abril de 1974, voltou a ser o principal protagonista do 25 de Novembro de 1975, como garante da Liberdade...

segunda-feira, novembro 24, 2008

O Simulacro em Almada

Na tarde de sábado pude assistir "in loco", a algumas operações que se desenrolaram na chamada Almada Velha.

A passividade dos intervenientes era tal, que percebia-se que o simulacro ia seguir dentro de momentos...
Não sei como foi efectuado o planeamento, mas era notório que a coordenação da Protecção Civil com todas as entidades presentes (forças policiais, bombeiros, emergência médica e voluntários), deixava muito a desejar.
Claro que isso irá acontecer sempre, a não ser que queiram tornar os simulacros quase reais, provocando mesmo acidentes (como foi feito em alguns locais), de forma a ter de haver mesmo uma intervenção no terreno. Não basta andar a apitar por toda a cidade, a cortar estradas, etc.
No entanto devo referir que acho extremamente úteis todas estas operações, especialmente em locais onde seja necessária a evacuação de milhares de pessoas. É com os erros "a brincar", que se podem corrigir as eventuais falhas, numa situação real...

sábado, novembro 22, 2008

O Aniversário da Junta de Freguesia Cacilhas

Como de costume, a Junta de Freguesia de Cacilhas, comemorou o aniversário com um jantar, onde há sempre diversão e convívio, entre autarcas, associativistas e comerciantes locais.

O Beira Mar de Almada continua a revelar-se um bom anfitrião, exibindo a excelente nível a dança das suas "muchachas", com ares sevilhanos e também das arábias.
Há também lugar para discursos, para a entrega dos prémios do concurso de gastronomia local, para a primeira apresentação de uma obra literária editada pela Junta sobre Cacilhas, e claro, para colocar a conversa em dia.
Dos discursos retive o desagrado com que o presidente da Junta, Carlos Leal, falou, dos cortes do governo em relação ao apoio às mais pequenas autarquias do país, as Freguesias. Acho um escândalo, por pensar que, de uma forma geral, estes órgãos fazem autênticos milagres de Norte a Sul, quase sempre com parcos meios. Desde a Freguesia do interior, que vai de aldeia em aldeia, buscar a miudagem para a escola, até à Freguesia urbana que apoia algumas actividades desprezadas pelos Municípios...
Das conversas entre amigos, retive o drama de um ex-técnico do Museu da Cidade, o Julião (presente, com uma bonita mostra de fotografias de Cacilhas...), que ao fim de dez anos de trabalho precário na Câmara de Almada, foi despedido.
Casado e pai de filhos, foi atirado para o "lixo", por um Município que gosta de se afirmar solidário, justo e amigo das boas causas.
Claro que esta CDU que governa Almada, não é a mesma que barafusta no parlamento contra a existência do trabalho precário e do novo código do trabalho. É por isso que vos aconselho a lerem o Infinit'os da Minda...

sexta-feira, novembro 21, 2008

A Arte Lisboa

Ontem fui à "Arte Lisboa" (na Fil até dia 24), apreciar a contemporaneadade artística lusa e do mundo.

Não fiquei deslumbrado por aí além, talvez pela forma como tudo está exposto e organizado, muito feira de qualquer coisa, sem a arte que merecia...
Achei curiosa a apresentação significativa de arte chinesa. É mais um exemplo de que eles já deixaram há muito de se interessarem apenas pelo comércio de bugigandas baratas.
Qualquer dia somos nós que ficamos com os olhos em bico...

A imagem é de um postal de Anna, uma artista do sol nascente...

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Esperteza do Liberalismo

Não sei se lhe chame liberalismo ou capitalismo, ou outra coisa qualquer, sei que este sistema político-económico consegue reunir as piores qualidades humanas.

Sim, a inveja, a ganância o cinismo, a arrogância, o egoísmo, tal como a falta de respeito pelo seu semelhante, estão sempre na primeira linha desta ideologia, contra qualquer tipo de regulações.
Infelizmente já não é preciso visitar a América Latina ou os EUA, para descobrir "ilhas", cheias de contrastes, mundos quase à parte, de um lado os ricos (em quase prisões de luxo...) e do outro os pobres. Portugal também caminha nesta direcção. É por isso que a pobreza aumenta diariamente entre nós, ao mesmo tempo que os muito ricos se vão tornando ainda mais ricos.
Isto trás mais desigualdades, mais descontentamentos, e claro, mais violência. Nada acontece por acaso, por muitas desculpas que se inventem...
Não sei como as coisas irão acabar, mas acho no mínimo curiosa a forma como os "ricos" tentam contornar a crise, asfixiando ainda mais as classes médias e baixa, com desemprego e cortes salariais, esquecendo que são eles quem verdadeiramente contribui para o aumento da sua riqueza. Só que para que isso aconteça, têm de ter dinheiro no bolso...
Será que os "capitalistas" ainda não perceberam que por este caminho continuam a construir casas, a fabricar carros, máquinas, bugigangas, para ninguém (se exceptuarmos os seus bólides e condomínios de luxo limitados)?
Por isso não me venham dizer que os capitalistas são inteligentes. Serão quanto muito "xico-espertos", que foram reconstruindo o mundo à sua imagem.
Esperteza essa que se pode e deve estender, a um governo "subsidiário" dos grandes interesses capitalistas, apesar das duas grandes ironias com que tem de conviver diariamente - chamar-se socialista e ser chefiado por Sócrates -, que se vai perpetuando no poder, apenas pelo demérito gritante da oposição...

Parece-me que vão aparecer por aí, muitos "Carros Derretidos", como este de Robert Doisneau.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Hoje Apeteceu-me Fumar um Cigarro...

Hoje apeteceu-me fumar um cigarro, eu, que praticamente nunca fumei, se excluir a meia-dúzia de cigarros fumados no começo da adolescência no ciclo preparatório, sem qualquer importância.

Apeteceu-me porque tenho a mania de andar em sentido contrário em relação a algumas regras e manias da sociedade. E hoje parece que é o dia do não fumador...
É uma boa altura para falar de uma coisa que sempre me incomodou.
Sempre achei obsceno os avisos que aparecem nos maços de cigarro. Nem sequer sei se isso contribuiu ou contribui para a diminuição de fumadores. A nova lei que proibiu de se fumar em quase todos os recintos fechados (excepto nas nossas casas...), essa sim, deve ter reduzido drasticamente o consumo.
E penso que se o Ministério da Saúde está assim tão preocupado com a "vida" e a "saúde" dos outros, deveria fazer o mesmo nos rótulos da bebidas alcoólicas, que tenho a certeza que provocam muito mais mortos, directa e indirectamente. Nas estradas é o que todos sabemos. E nos lares, quantas cenas de violência doméstica, não são provocadas pelo uso e abuso de álcool?
E nem falo da cada vez menor prestação de cuidados de saúde nos serviços públicos e do vazio de médicos de família por esse país fora, outra preocupação esquecida...
É só hipocrisia!
A fotografia, para variar, é de Robert Doisneau...

domingo, novembro 16, 2008

A Cidade da Árvore de Natal Verde

Também estive lá, ao cair da tarde, para ver a cidade ficar iluminada pelas luzes de Natal.

A Praça da Renovação estava bem composta, por isso além das canções houve discursos e palmas.
Não vale a pena sequer questionar os custos da árvore e afins, porque o povo almadense gosta da cidade decorada com luzes, nesta época festiva.
Um dos únicos comunistas que continuam contra estas "festanças" é o Alfredo. A sua ortodoxia e o ódio ao capitalismo fazem-no sempre torcer o nariz a estas coisas. Nunca aceitou a forma como a Autarquia se tem vendido ao capital. É por isso que foi contra o "Almada Fórum", é contra o "Metro de Superfície", e destas iluminações de Natal nem se fala...
Só mesmo ele para falar, inocentemente, na oferta de cabazes de natal pelas famílias mais desfavorecidas do concelho. Ainda lhe perguntei como é se iam encontrar as famílias mais pobres, a carga de trabalhos que seria, além das injustiças que se cometeriam, apesar da boa vontade que pudesse existir...
Não o convenci. Raramente o convenço. E ele a mim. Deve ser por isso que nos damos bem.
Desta forma as iluminações de Natal são para todos, para os que gostam e também para os outros...
E a árvore até é bonita, tem luzes verdes, de esperança.
Como nada é inocente, esta cor deve ser a que mora nas hostes da CDU local, que se preparam para mais uma vitória eleitoral em 2009...

sábado, novembro 15, 2008

Conversas de Café (16)

- Quando olho para o teu "casario", apetece-me sempre perguntar-te se ainda vives neste mundo. Não vives, pois não?

- Tenho dias. Quem me dera, às vezes descobrir outro mundo, melhor e diferente deste. Como isso só pode acontecer em sonhos, é possível, que de vez enquanto me ausente para parte incerta...
- Estou a provocar-te para reagires, mas sem poesia...
- Isso agora é mais difícil. Já não me chateio muito com coisas e pessoas pequeninas.
- Mas pelo menos vais logo à inauguração da iluminação da árvore grande de natal?
- A pedido de várias pessoas, com destaque para os meus filhos, devo ter de comparecer na festança da constança cá do sitio...
- Foi uma grande jogada da Maria Emília, não foi?
- Acho que sim. É a prenda de natal para os almadenses...
- E os almadenses vão gostar?
- Concerteza, eles gostam da presidente...
- E tu, gostas?
- Gosto. É difícil não gostar dela...
- E esta?
- É verdade. É uma personagem simpática, dava uma boa rainha, embora o nome não ajude muito.
- Sim, rainha Maria Emília, não lembra a ninguém. Achas que ela é mais rainha que primeira-ministra de Almada?
- Às vezes parece-me que sim, mas não sei. Estou demasiado afastado das ruas do poder, para ter uma opinião válida sobre a sua verdadeira força política.
- Eu acho que ela é uma poderosa. E gosta de ter poder e de decidir.
- Se tu achas...
O óleo é de Mark Keller.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Fui Avisado, Mas...

Até joguei no "euromilhões" antes do tal dia 30 de Outubro, porque estava interessado naquela grande parcela de terreno, na Avenida 25 de Abril, em Cacilhas...
Podia fazer quase tudo. A área está destinada á construção para os usos de comércio, habitação e estacionamento. É verdade, mais cimento armado para Cacilhas...
Como moro perto, talvez criasse por ali, um oásis.
Mas o "euromilhões" não quis nada comigo...
Claro que fiquei curioso. Que razões levavam uma Autarquia sem dívidas, a desfazer-se deste património?
Embora já estejamos em Novembro, continuo esperançado. Será que o prazo voltou a ser prorrogado, por falta de propostas "interessantes"? Poderei voltar a jogar na sorte?

segunda-feira, novembro 10, 2008

As Velhas do Café

O pintor Manuel Henrique Pinto, natural de Cacilhas, foi um dos vários artistas plásticos que fez parte do "Grupo do Leão", a tertúlia artística mais importante da segunda metade do século XIX.

Pintor naturalista, foi premiado em vários salões internacionais. Como se nota neste quadro, sofreu influências de José Malhoa, de quem foi grande amigo, tendo mesmo partilhado o seu atelier em Figueiró dos Vinhos.
Escolhi as suas "Velhas do Café", porque tem as cores deste Outono...

sábado, novembro 08, 2008

Edmundo Pedro em Almada

Conheci Edmundo Pedro em Almada, no lançamento do meu livro, "Almada e a Resistência Antifascista", na qual constava a biografia do pai, Gabriel Pedro, um nome grande na luta contra a ditadura salazarista.
Depois deste primeiro encontro encontrámos-nos várias vezes, inclusive na sua casa, onde me contou pormenorizadamente as suas muitas lutas, desde o 18 de Janeiro de 1934, a passagem de quase dez anos pelo Tarrafal, ao 25 de Abril de 1974. Falou-me com grande admiração e orgulho de Bento Gonçalves, secretário geral do PCP nos anos trinta e quarenta, e claro, de seu Pai.
Embora não tenha presente a data certa, penso que foi durante o centenário do nascimento de Bento Gonçalves, que a Cooperativa Piedense organizou um colóquio em sua homenagem. Fui convidado e estive presente, assim como Edmundo Pedro, que até levou a maquete de uma das máquinas criadas por Bento Gonçalves, revelando a sua enorme capacidade e inovação técnica.
Infelizmente fiquei com más recordações desta sessão. Não gostei logo da maneira como foi feita a abertura da sessão, em que o escritor Modesto Navarro, em vez de falar em nome da Cooperativa, falou em nome do PCP, para todos os camaradas presentes, como se estivéssemos num encontro partidário e não numa sessão pública de homenagem a um grande lutador antifascista, que também era comunista.
O pior ainda estava para vir. Edmundo Pedro pediu a palavra, para falar de Bento Gonçalves, até por ser, de todos os presentes, o único que teve o privilégio de conviver e trabalhar com ele, diariamente, quer no Arsenal da Marinha, quer no Tarrafal, onde Bento Gonçalves viria a falecer.
Pouco agradados com esta "intromissão", os elementos da mesa não descansaram enquanto não lhe cortaram a palavra, deixando-o a meio da sua intervenção.
Completamente indignado com esta actuação do PCP, assim que Dias Lourenço começou a falar, levantei-me e sai porta fora...
Embora continue a ter muitos amigos comunistas e me sinta em tantas coisas, marxista, continuo a ter muitas dificuldades em compreender a postura do PCP na história recente, demonstrando pretender ter a exclusividade da luta antifascista em Portugal, durante o salazarismo e marcelismo, coisa que não é possível, por muitas tentativas que faça, porque a história é feita com todas as pessoas que lutaram pela liberdade, independentemente do seu credo político...

quinta-feira, novembro 06, 2008

«Isto está Porreiro Pá!»

Nunca assisti em "directo" a tanta incompetência, como nas obras para o Metro de Superfície de Almada.

Á boa maneira portuguesa, dizem-me que todas as obras do Estado são assim. É possível. Mas não deixa de ser a negação do tal país que nos tentam vender, em quase todas as notícias, mais moderno, mais capaz e mais rigoroso.
São as obras do "nacional-porreirismo", onde ninguém fiscaliza ninguém e os trabalhadores a soldo das incontáveis sub-empreitadas, fazem o que todos observamos diariamente. Assentam os mosaicos sem qualquer esquadria ou nível; colocam a calçada cheia de lombas e de espaços entre pedras; abrem valas e esquecem-se sempre dos fios ou tubos de qualquer coisa; remendam as estradas e os passeios sem qualquer sentido estético, etc.
Talvez seja este o, «porreiro pá!», do primeiro-ministro.
Responsáveis? Ocorre-me imediatamente a empresa que ganhou o concurso para a realização das obras, essa mesmo, a Mota e Engil, do senhor Coelho, que deve estar cheio de cartolas lá em casa.
Entretanto fico sentado na plateia, a ver se a Autarquia, quando receber a "Nova Almada", vai fazer ou não ondas...

terça-feira, novembro 04, 2008

Há Sempre Peixe no Tejo

Quem passa pelo Ginjal, encontra sempre pescadores a darem "banho à minhoca", na Primavera, no Verão, no Outono ou no Inverno.

Não sei se é apenas vicio, se é prazer de estar por ali na companhia do Tejo ou se existe mesmo muito peixe nas suas águas...
Eles sim, são os verdadeiros guardiões do Ginjal e do Tejo...

domingo, novembro 02, 2008

Boa Notícia Para Cacilhas

Fiquei satisfeito, quando passei na sexta-feira pelo antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas e vi que as obras de recuperação do imóvel, já começaram...

Era bastante penoso ver este edifício histórico, completamente abandonado. Especialmente depois de ter sido adquirido pelo Município...
Tive a oportunidade de visitá-lo e posso dizer que se trata de um edifício maior do que pensava.
Além de albergar os serviços de turismo do Município (destino já traçado pela Autarquia...), poderia e devia ter uma vocação cultural importante no concelho. Cacilhas possui três associações culturais da Freguesia, pelo que podiam ser desenvolvidas várias actividades artísticas neste espaço, bastava que existisse vontade para se erigir no local uma galeria de arte e um pequeno auditório...

sábado, novembro 01, 2008

O Dia de Cacilhas

O sol apareceu e Cacilhas voltou a encher-se de gente, atrás da tradição secular que dá graças ao milagre da Senhora do Bom Sucesso, de 1 de Novembro de 1755, com a procissão religiosa que percorre as ruas da Freguesia.

Os restaurantes e os vendedores ambulantes que assentaram arraiais próximo da Igreja, bem devem ter agradecido à Senhora, apesar da crise...

sexta-feira, outubro 31, 2008

A Magia da Dança

Ontem participei num espectáculo de dança, de uma forma inédita, graças a
Lídia Martinez (que tinha lançado o convite na blogosfera...), no Auditório do Fórum Romeu Correia, em Almada.
Claro que esta participação foi apenas como mero figurante (com mais sete pessoas...), servindo os propósitos da coreografia, "Sentir os Espaços, Desertados Pelo Homem", apresentada no espectáculo "Performance Inaugural", da 16ª Quinzena de Dança de Almada.
Quando me vieram buscar para o palco senti o nervosismo natural de qualquer pessoa, fora destas coisas, mas depois, senti-me bem e gostei de ver o espectáculo no próprio palco, sentir de perto os movimentos e a própria respiração dos três excelentes bailarinos profissionais: Lídia Martinez, Isabelle Dufau e Clermont Pithan.
A Plataforma foi composta por mais espectáculos, onde ficou muito bem patente, a Magia da Dança...
Obrigado Lídia pela simpatia, pelo profissionalismo e pela experiência inédita...

A fotografia veio de Paris, do blogue Autre Cas...

quarta-feira, outubro 29, 2008

O que Mudou na Maternidade...

Este "post" podia dar uma das minhas conversas de café, pelo tema e por ter acontecido num café. Mas o tema é tão complexo, foram levantadas tantas questões, que daria uma conversa com quilómetros de palavras, pouco recomendável na blogosfera...
Começámos por falar de uma amiga que não tinha filhos, porque o marido tinha problemas de infertilidade, obrigando-a a desistir do sonho de ser mãe. Apareceram vários argumentos na mesa, a adopção, a fertilização in vitro, mas ela diz que não é a mesma coisa, só queria um filho do amor da sua vida... e acabámos a falar de outra amiga, que não tem, nem quer ter, como prioridade na vida, ser mãe. Os filhos estão fora de hipótese...
Comecei por pensar que as coisas estão todas trocadas, que quem quer não pode e quem pode não quer...
Mas avancei rapidamente nos meus pensamentos, para me fixar nas prioridades que nós temos, que também vão mudando, com os hábitos e com a evolução da própria sociedade.
Há quarenta anos quase todas as mulheres tinham como principal prioridade, o casamento e a maternidade. A sua realização pessoal passava muito pelo marido e pelos filhos.
Hoje não. A mulher é muito mais que uma simples dona de casa, esposa e mãe. Também tem vida pessoal e profissional...
Será por isso que se têm menos filhos? Também, mas não apenas por isso.
As pessoas dantes tinham mais filhos porque não existiam tantos contraceptivos, nem conhecimentos do próprio corpo e da sexualidade. Sem falar da influência religiosa...
A única coisa que ainda não mudou, foi a própria natureza da maternidade, que é e será sempre feminina.
"A Maternidade" é de Almada Negreiros.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Mar com Ruinas

As obras do Polis lá vão avançando, lentamente, na Costa de Caparica, rente às praias, que ganharam bastante areia, neste Verão e Outono.

As novas instalações dos restaurantes e apoios de praia também têm bom aspecto. Claro que o que se ganha em modernidade perde-se em diversidade, de cores e modelos. Mas o saldo final é muito positivo.
Em contrapartida, o centro da cidade está cada vez mais feio e abandonado. Casas degradadas ou a precisarem de obras, abundam em quase todas as ruas...
Nunca percebi as razões da Costa de Caparica e da Trafaria, terem sido tão ignoradas nos últimos trinta anos, pelos poderes local e nacional. Não se conseguiu tirar qualquer partido das condições naturais destas localidades para o turismo. Porquê?

domingo, outubro 26, 2008

Lisboa e o Tejo

José Cardoso Pires, abre o seu "Lisboa Livro de Bordo - vozes, olhares, memorações", com um excelente texto sobre Lisboa e o Tejo.

«Logo a abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade-nave, barca com ruas e jardins por dentro e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa dos ventos bordada no empedrado, tem a comandá-lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para o oceano. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei-menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem-se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos.»
Embora tivesse nascido na Beira, José Cardoso Pires sempre se assumiu como um lisboeta, com uma predilecção especial pelos bairros e pelas pessoas, que lhe diziam tanto.
A Margem Sul também fazia parte do seu mapa literário, não fosse a Costa de Caparica o lugar de eleição para dar vida aos seus livros...

sábado, outubro 25, 2008

A Arte de Picasso

Já tenho ouvido muita "estupidez" sobre o génio e a arte de Picasso.

Há mesmo que pense (por desconhecimento, claro, a ignorância sempre foi muito atrevida...) que Picasso não sabia desenhar de uma forma proposional, apenas fazia construções de cubismo...
Foi por essa razão que escolhi o seu óleo, "A Vida", datado de 1903, quando tinha apenas 22 anos, uma das obras da sua fase azul, iniciada após a morte por amor do amigo Casagemas...

quinta-feira, outubro 23, 2008

Quando as Máscaras Caem...

Não tenho qualquer prazer em falar de partidos e de políticos, mas é impossível passar ao lado das últimas posições e afirmações de Manuela Ferreira Leite.

Santana Lopes, o fulano em quem ela se recusava votar há poucos meses atrás, já está perdoado, e, provavelmente, até é um bom candidato a Lisboa, para ela claro...
Sobre o orçamento a senhora tem dito as coisas mais estranhas, se pensarmos nas "engenharias" que ela fez, quando era ministra das finanças. Além de ter vendido património do estado para "equilibrar" o défice, ainda conseguiu essa coisa brilhante, de possibilitar aos contribuintes com dividas em atraso às finanças e à segurança social, de as pagarem com um desconto significativo (o que eu considero um convite ao não cumprimento do pagamento destas obrigações e também uma falta de respeito e de honestidade para com quem tem os impostos em dia).
O mais engraçado, é que esta postura é normal entre políticos. Quando regressam a posições de responsabilidade e de poder, falam sempre como se tivessem vindo de outro país, ou fossem "virgens" nas jogadas e habilidades políticas...

Este desenho do Rui já é antigo, ainda dos tempos do "Jornal", mas permanece actual, tal com as palavras de Eça ou Ramalho, do século XIX. Agora o "comboio fantasma" é a crise, como se não vivêssemos em crise há uma boa meia-dúzia de anos. E sobre acordos secretos, estamos falados...

terça-feira, outubro 21, 2008

«Isto é uma Passadeira, Estúpido!»

Não, não se trata de uma palavra de ordem, apenas um desabafo meu, cada vez mais habitual, especialmente para os condutores da TST de Almada, que adoram acelerar rente às passadeiras (sei que já falei nisto, mas eles estão cada vez piores, e se não respeitam velhinhos nem criancinhas, o que dizer do resto da malta...).
Como não tenho passe social, ando quase sempre a pé em Almada. Só uso o carro para me deslocar para fora. Quando atravesso o rio, além dos cacilheiros e de também andar a pé, uso preferencialmente o metro, mais pela sua rapidez. Quando estou com mais pressa e tenho algum compromisso, apanho um táxi. Dizem muito mal destes senhores, mas eu, sinceramente, não tenho razão de queixa. Além de não ser costume andarem às voltas por Lisboa para me sacar "guito", gostam de conversar, essa coisa cada vez mais rara, em Portugal e no Mundo...

Voltando aos fulanos da TST, ainda bem que conduzem de janela aberta. Pelo menos levam com as minhas bocas.
Tenho pena que na sua formação permanente não exista educação cívica. Querem exemplos? Aí vão: além de não gostarem de cumprir horários (ora saem mais cedo ou mais tarde que a tabela...), olham para as passadeiras como obstáculos que têm de ultrapassar a todo o custo, e outra coisa ainda; não menos grave, adoram arrancar, quando vêm alguém a correr para apanhar o autocarro.
Em suma, são uns gajos porreiros...

domingo, outubro 19, 2008

Olha Como era, o Mundo Perfeito...

Já sei, o mundo perfeito é uma tremenda utopia...

Afinal Jesus existiu ou não? E Deus está mesmo em toda a parte?
Existiu, mas isso nem sequer é muito importante. Conheci verdadeiros anarquistas, que sempre tentaram organizar as suas vidas de forma a viverem sem deus e sem amo, que eram pessoas mais respeitáveis e humanas, que a maior parte dos católicos que conheço.
Em relação a Deus prefiro pensar que talvez ande por aí...
Claro que era bom viver num mundo onde não olhássemos os outros com sobranceria, onde convivêssemos bem com a diferença, de cor, de credo, de género ou de outra coisa qualquer, não tenho dúvidas...
Era óptimo todos termos direito à diferença, e mais importante ainda, todos conseguirmos respeitar as diferenças.
Mas se no jardim-escola o menino mais forte começa logo por ser baptizado de "gordo" e a menina de óculos, de "cegueta"...
O problema é que tudo aquilo que nos rodeia, inclusive os restantes animais com a sua irracionalidade, conseguem ser muito mais perfeitos que nós, humanos...
O óleo, "A Mulher com Flor", tem o traço inconfundível de Pablo Picasso.

sábado, outubro 18, 2008

O Nosso Mundo Pouco Perfeito

As histórias de discriminações têm sempre várias versões e bastantes coitadinhos.

Podia começar pela cor, onde já assisti a bastantes episódios em que sempre que a vida não corre ao jeito de um fulano castanho, amarelo ou azul, este grita de imediato, «racistas!», tantas vezes, injustamente...
Mas não, prefiro abordar a sexualidade e o mundo complexo das artes, onde se passam coisas do arco da velha.
Como todos nós sabemos, uma boa parte dos homossexuais adoram falar de discriminação. Esquecem-se é da sua postura nos "mundos" onde estão em maioria...
É por isso que refiro aqui a caminhada de um amigo actor, que para ser aceite nos palcos, teve de fingir que era "bicha", que era um deles...
Só se salvou dos assédios diários, por afirmar que era monogâmico, que tinha um namorado com quem vivia e era feliz...
Ainda hoje a maior parte dos colegas não sabem qual é a sua verdadeira opção sexual...
Pois é, este mundo está demasiado longe de ser um lugar perfeito...
O óleo é de André Lhote.


quinta-feira, outubro 16, 2008

Um Alvo a Abater

Sinceramente, não sabia que Carlos Queirós tinha tantos inimigos, nem que bastava uma derrota e dois empates, para lhe atirarem a toalha para o relvado...
Claro que estou farto de saber que há por muitos jornalistas e cronistas que não gostam de ninguém, nem mesmo do seu próprio umbigo.
Assim como sabia que era um risco enorme para qualquer treinador português, treinar esta selecção, depois da era "milagrosa" de Scolari, e então se começasse a qualificação com alguns precalços, como está a acontecer, ainda seria mais difícil...
Gosto de Queirós porque é uma treinador sério. Sei que ele não tem dotes de milagreiro, não vai encher o país de bandeiras, nem tão pouco andar com dentes de alho no bolso, para satisfazer o povo da bola...
Talvez seja disso que esta gente (e até alguns jogadores..) gosta. Talvez seja melhor contratar futuramente outro treinador de fora, que fale com os santinhos e com as estrelas...

Carlos Queirós cometeu erros, comete-se sempre, especialmente quando não se ganha... também faltou sorte, mas sobretudo inteligência.
Ontem à noite percebi algumas coisas. Por muito que isso nos custe, não cabem na equipa tantos artistas de circo, Cristiano Ronaldo, Nani e Quaresma juntos, é fantasia a mais e colectivismo a menos...
Claro que são eles que num lance de génio podem decidir o jogo, mas ontem em Braga não houve genialidade, só estupidez...

segunda-feira, outubro 13, 2008

As Ofertas Continuam...

Apesar dos sinais de crise, dos medos dos bancos, as ofertas de crédito continuam.
Na sexta-feira recebi um telefonema de uma senhora insistente, que me queria oferecer dinheiro (que querida...). Depois de dizer que não estava interessado, ainda lhe perguntei se não chegavam já os níveis de individamento no nosso país. Claro que ela fez orelhas moucas e disse que a oferta se mantinha até ao fim do dia...
Hoje chegou pelo correio, mais uma oferta, já a rasguei (mas acho que vou digitar a "oferta" para colorir estas palavras), patrocinada por uma loja de roupa, da qual tenho cartão de cliente...
O banco é o mesmo. Fazem-me no minimo confusão estes "brindes"...

sábado, outubro 11, 2008

As Derrapagens do Costume...

Se há algo me faz confusão nas obras públicas, são as habituais derrapagens de muitos milhões. Não duvido que nesta "contabilidade" existem sempre grandes aproveitamentos, de todas as partes envolvidas, para ludibriar o Estado (ou seja, todos nós).
Mas há outro factor importante, que tomei conhecimento, por ser um espectador assíduo das obras
intermináveis do Metro de Superfície de Almada, ainda que de forma involuntária. Refiro-me ao desperdício de tempo, materiais, e claro, a mais que notória, incompetência da construtora e respectivos técnicos.
Há locais onde se abriram, fecharam e voltaram a abrir, buracos, três e quatro vezes no mesmo sitio, por se terem esquecido de qualquer coisa. Em alguns lugares já estava tudo pronto no exterior...
Não percebo porque razão não se chama ninguém à responsabilidade, neste caso particular de Almada, sabendo que a Câmara tem no terreno pessoal especializado a acompanhar as obras.
Será que os engenheiros da Autarquia não têm olhos para tanta incompetência?

quinta-feira, outubro 09, 2008

E Esta? O Amor às Vezes é Fodido...

Por mero acaso, descobri no
Ciberescritas da Isabel Coutinho, a opinião de Miguel Esteves Cardoso sobre a blogosfera, com a qual concordo...
Quando ele diz que: «os blogues são uma coisa maravilhosa, são a melhor coisa que aconteceu em Portugal no século XX», exagera um pouco, e eles até já apareceram no século XXI...
Agora quando ele refere que, «os blogues estão muito à frente da imprensa», tenho cada vez menos dúvidas...
É por isso que fazem tantas cócegas.

terça-feira, outubro 07, 2008

O Mundo de Ricos e de Pobres

Parece que o Belmiro e o Amorim perderam uns 500 milhões (claro que entretanto já devem ter recuperado uma boa parte da quantia...), numa manhã negra da bolsa...
Sim, parece. É que estas coisas da bolsa são todas virtuais, quase que parecem a "blogosfera"...
Não sei com que cara olharam para o mundo, mas provavelmente deve-lhes ter sido mais fácil sorrir que soltar uma lágrima...
Mesmo assim, talvez aproveitem esta crise para empurrar mais uns quantos trabalhadores para o desemprego, e estes sim, irão ficar abalados, com a redução do salário modesto (normalmente inferior a 500 euros), tão importante e tão ginasticado durante o mês...

Eles são bons em alguns teatros e fingem que não sabem que há quem viva numa "Casa de Papelão", como esta de Robert Doisneau...

domingo, outubro 05, 2008

Burricadas e Tasquinhas em Cacilhas

A comemoração da implantação da República é festejada em Cacilhas com um regresso ao passado, com a realização das tradicionais, "Burricadas e Tasquinhas".

Apareçam. Além de puderem almoçar nesta banda, podem ainda disfrutar das muitas bancas de artesanato e ainda dos habituais passeios de burro pela rua Cândido dos Reis...

sábado, outubro 04, 2008

O Monstro da Blogosfera Assusta...

Quando os políticos profissionais, disfarçados de comentadores, têm a desfaçatez de caracterizar a blogosfera como "submundo" e "lixo", como muito bem sublinha o
Tomás Vasques , no seu "Hoje há Conquilhas, Amanhã não Sabemos", o que poderemos dizer deles?
Basta olharmos para Portugal, para os seus muitos exemplos práticos de incompetência, oportunismo, desleixo e falsidade, para sentirmos que se eles estivessem ao nível da blogosfera, possivelmente viveríamos num país melhor, mais aberto, mais livre e mais honesto...

A pintura é de Júlio Pomar, "Chimpanzé com Compasso, ou a Quadratura do Círculo".

sexta-feira, outubro 03, 2008

Conversas de Café (15)

- Andas a fugir muito aos temas da actualidade...

- Achas? Se calhar estou cansado da actualidade.
- Nem uma farpita ao BB por causa da casinha dele...
- Para falar dele, tinha de falar também dos outros três mil e tal.
- Se te oferecessem uma casa, aceitavas?
- Essa pergunta não faz sentido, porque não é disso que se trata. Não se trata de ofertas mas sim de pedidos de casas.
- Está bem, eu reformulo a pergunta. Eras rapaz para pedir uma casa à Câmara?
- Não.
- Porquê?
- Por achar que não tenho necessidade disso.
- O BB tinha mais necessidade que tu?
- Não sei. É possível que tivesse. Não faço ideia.
- Estás a gozar comigo, não é?
- Não, não estou. Não sei qual é a vida do senhor.
- Mas sabes o que ele escreve nas crónicas. É um verdadeiro "caçador de corruptos", maus governantes e de sujeitos com enfermidades de carácter, sem as coisas que ele pensa que tem, honra, verticalidade, honestidade, etc.
- Ele é igual a outros tantos que andam por aí, gostavam que nós só olhássemos para o que dizem e não para o que fazem, como se fossemos todos estúpidos.
- Tens razão, infelizmente as tiras de opinião dos jornais estão cheias de falsos moralistas...
- Então, estamos conversados...

O desenho é de Manuel Gamboa.

quarta-feira, outubro 01, 2008

A Arealva e os Topónimos de Almada

[...] A nossa terra é rica em topónimos singulares, a Quinta da Arealva não foge à regra.
Segundo o historiador, Raul Pereira de Sousa, a sua origem está ligada à praia de areia branca que existia naquele local, da qual hoje só se descobre uma pequena franja na maré baixa, e menos clara.[..]

[...] A Quinta da Arealva era enorme, não se resumia apenas ao espaço rente ao Tejo. As suas terras prolongavam-se até à encosta onde se construiu o monumento ao Cristo Rei. Quando se começou a preparar a sua construção, os Serras venderam aqueles terrenos sem qualquer tipo de discussão e a um preço simbólico. Podemos adiantar que aquela parte da Quinta foi vendida apenas a um escudo por metro quadrado, porque as senhoras da família, eram muito religiosas [...].

Estas transcrições fazem parte de um texto meu, ainda inédito, que irá acompanhar um álbum de fotografia sobre a Quinta da Arealva.

terça-feira, setembro 30, 2008

Conversas de Café (14)

- O teu blogue é mesmo regional, nem uma noticiazinha sobre as eleições nos EUA...

- Sabes que sou muito terra a terra...
- Não te agradam os candidatos?
- Digamos que não me agradam muito os EUA. Aquela gente que mora daquele lado de lá do Atlântico faz-me muita confusão.
- Porquê?
- Não é das coisas mais fáceis de explicar. Mas desde que o Bush ganhou as segundas eleições, depois de todas as asneiras que cometeu, fiquei a pensar que os americanos e o seu presidente se merecem. Ponto final.
- E agora?
- Agora o quê?
- Não me digas que não tens um candidato...
- Sinceramente, não. Claro que acredito que seria melhor para todos nós a vitória de Obama, mas como não somos nós que votamos, prefiro manter-me a leste.
- Então zero de notícias da América?
- Pelo menos dessa América "bushiana"...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Um Poema e as Mulheres...


A Margem da Alegria


Quando repito existiam as mulheres sempre elas as mulheres
sempre as mesmas sempre diferentes mulheres
mãos postas sobre as mesas na penumbra rostos
onde havia tudo e tudo por detrás de tudo
e uns olhos e nos olhos e a partir dos olhos um olhar
que para nomear teria de falar de mar e de água
e da profunda mágoa de ter de desistir de as reter

O poema é de Ruy Belo, a actriz da imagem é Alida Valli, ambos retirados do álbum de João Bénard da Costa, "Como o Cinema era Belo".

quarta-feira, setembro 24, 2008

A Cacilhas de Anyana

Anyana além de escrever e declamar poesia, também gostava muito de desenhar e pintar.
Pintou muitos motivos da sua terra, como este quadro, que nos mostra os principais atractivos da Freguesia...


Anyana é o nome artístico de Idalina Alves Rebelo, uma cacilhense amorável que nos deixou ontem...


terça-feira, setembro 23, 2008

Nunca Tinha Pensado Nisso...

Nunca tinha pensado a sério no assunto. Mas um dos objectos que se foi tornando dispensável cá em casa é a televisão, para mim claro. Passo cada vez menos tempo à frente do "ecran maravilha" (a excepção são os filmes).

Reconheço que isso não tem só a ver com a qualidade da programação. Tem também a ver com opções pessoais. Prefiro ouvir música e ler, revistas, jornais ou livros...
Pensei nisso por estar inteiramente de acordo com a crónica de hoje de João Miguel Tavares, no "DN".
Todos sabemos que há programas que só têm sucesso pela polémica criada à sua volta, por muita publicidade e "palha" que é metida à sua volta. E a SIC e a TVI sempre se mostraram mestres nesses "deslumbramentos" populares.
Como já devem ter percebido, estou a falar do famoso "Momento da Verdade".
Não estou a falar de cor, porque vi uns minutos do programa em que a figura central era um rapaz militar. Achei aquilo tão deprimente, que não consegui perceber onde estava o interesse do programa como espectáculo televisivo, tendo como figura central um rapaz a vender-se por uns euros, na presença de familiares e amigos.
Ainda por cima aquilo parecia tudo (mal) encenado, com trocas de olhares cheias de cumplicidade.
O que me parece mal, e está bem explicito na crónica do João Miguel, é a lata de todos os "siclistas" que se tem "vendido" por causa daquele "sabonete", com um perfume tão manhoso. Certamente, mais motivados pelos euros que caem da bolsa do Balsemão que pelo tão propagandeado amor à camisola da casa...
Felizmente, a minha noção de entretenimento está mais próxima da "A Roda da Sorte ou do "Jogo Duplo", que destes confessionários decadentes e mentirosos.
E, segundo parece, o famoso "fundo do buraco" não existe em televisão, é sempre possível descer mais baixo...


domingo, setembro 21, 2008

A Estrita Intimidade...

Tenho a sensação que o casamento entre homossexuais se está a tornar mais numa causa de heterossexuais demagogos, que propriamente desta minoria.

Apesar de poder estar enganado, penso que eles preferiam ser respeitados pela sua opção sexual, deixando de se sentirem olhados de lado pela sociedade, a entrar neste espectáculo...

"A Estrita Intimidade", é de Robert Doisneau.

sábado, setembro 20, 2008

Ainda a Travessia do Tempo...

Tive o grato prazer de visitar a exposição da Transtejo na companhia do meu amigo Fernando Barão.

Já no seu interior, encontrámos dois visitantes também da "velha guarda", um deles tinha sido maquinista da Parceria Vapores Lisbonenses, e posteriormente da Transtejo, depois das nacionalizações de 1975...
Foi delicioso ouvir os seus testemunhos sobre muitos dos cacilheiros fotografados e também ver o seu esforço em identificar os elementos, que constavam numa foto gigante de familia, com os patrões e funcionários da Parceria...

sexta-feira, setembro 19, 2008

Travessia no Tempo

A "Travessia no Tempo" é o título da excelente exposição que está patente no hall de entrada do Fórum Romeu Correia, em Almada.

A Transtejo transporta-nos numa "viagem" deliciosa pelo Tejo, que se inícia com os primeiros vapores até aos cacilheiros dos nossos dias, com fotografias, objectos e miniaturas de várias embarcações.
Nem sequer falta o "Cacilheiro" de José Carlos Ary dos Santos...
A não perder...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Louvor às Mulheres Corajosas

Começo por dizer que este texto não tem uma ponta de ironia.

É sim uma mostra da identidade feminina das algumas mulheres, que não dispensam o salto alto, mesmo em "tempos de guerra"...
Só mulheres com coragem, vaidade e bastante amor próprio, são capazes de desafiar os arruamentos do centro Almada, constantemente em mudanças e povoados de buracos para todos os gostos.
Provavelmente estas mulheres já deram cabo de alguns saltos, e até já torceram os pés, mas nem por isso desistem, de andar de salto alto, porque a beleza é fundamental nestes tempos que correm...

domingo, setembro 14, 2008

Este País Não é Para Velhos Nem para Novos...

Este país não é para velhos nem para novos, aliás, parece não ser para ninguém, se ignoramos a minoria que governa e que se tem "governado", ao longo de todos estas anos de liberdade (?)...

Digo isto porque não consigo aceitar, que um governo que divulga estatísticas e faz publicidade sobre a melhoria e a aposta da educação, comece a meter água, logo na pré-primária.
Não aceito que crianças com mais de quatro anos - como é o caso da minha filha -, fiquem em listas de espera (a maneira airosa de dizerem até para o ano...) no começo da sua vida escolar, apenas porque as escolas só estão preparadas para terem x alunos.
Numa altura que assistimos a um constante fecho de escolas e aumento de professores no desemprego, é ridículo que esta gente que nos governa e se governa, apenas pense em "vender banha da cobra" nos jornais e televisão, sem pensar seriamente no desenvolvimento do país, que devia começar numa aposta séria na educação e não nesta nova moda "socrática" de cortar fitas nas poucas escolas que abrem na data oficial e oferecer "medalhas" de mérito aos melhores alunos.
Era bom que a escola fosse cada vez mais um espaço de inclusão e não de exclusão, para os alunos, de todas as idades, e para os professores, claro.

A "Fila de Espera Numa Mercearia", de Robert Doisneau, também pode ser usada para as nossas escolas, para os nossos alunos e para os nossos professores, infelizmente.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Novas Oportunidades Para Quem?

Embora não tenha qualquer dúvida, que o ensino melhorou nos últimos anos, por várias razões, inclusive a melhoria qualitativa dos professores, não compreendo esta tentação de se caminhar para o facilitismo, apenas com o objectivo de melhorar as médias escolares e também os níveis de habilitações escolares da nossa população (apenas para a Europa ver).

Fiquei sempre com a sensação de que o programa das Novas Oportunidades era demasiado frágil, sem grandes objectivos qualificativos, para além da distribuição de diplomas. Com os exemplos que tenho colhido, aqui e ali, percebi que pouco contribui para o desenvolvimento do país.
Também não entendo muitos dos cursos mirabolantes que os Centros de Emprego obrigam os seus inscritos, a frequentarem, sem qualquer efeito prático, além das bolsas, tão necessárias para o seu dia a dia...
A Lúcia toca na ferida muito bem.
Não percebo como é que alguns dos maus exemplos vividos durante o "cavaquistão",com o mau uso fundos comunitários, continuam a prevalecer.
Tenho muita pena que este país socrático, continue a ser "faz de conta", com os custos que todos nós conhecemos e sentimos na pele...

A fotografia, "A Informação Escolar", é de Robert Doisneau.

terça-feira, setembro 09, 2008

Essa Coisa Estranha Chamada Democracia

Todos nós sabemos que a democracia e a liberdade, infelizmente, variam de continente para continente.

Foi assim em Pequim, é agora em Angola...
Os observadores internacionais e os governantes portugueses acham perfeitamente normal que o MPLA ganhe as eleições com mais de 80% e apressam-se a felicitar os vencedores e a forma como decorreu o sufrágio (ainda antes do seu final)...
Os observadores além de terem sido escolhidos a dedo, devem ser especialistas em eleições africanas, onde é hábito derramar sangue. Como desta vez isso não aconteceu, foi tudo muito transparente...
Sobre o Cavaco e o Sócrates, também estamos conversados. Ambos têm um sentido de democracia muito pessoal. Até no espaço aéreo...
Só posso dizer uma coisa: tenho cada vez mais asco pelo contorcionismo das nossas "prima-donas", quase sem coluna vertebral...

A fotografia é de Sebastião Salgado, do livro "Retratos de Crianças do Êxodo".

segunda-feira, setembro 08, 2008

Uma Tarde de Sábado Inesperada

Quando o telefone tocou, depois do almoço de sábado, estávamos a "quilómetros" da Festa do Avante. Mas os amigos que não se esquecem de nós, são assim... era mesmo um convite irresistível para visitarmos a Quinta da Atalaia.
Só tínhamos de passar lá por casa e recolher as EP's...
A chegada à zona da Cruz de Pau, Amora e Fogueteiro foi infernal, carros e mais carros, com o estacionamento possível a quilómetros da Festa.
A meio caminho, com a minha filhota às cavalitas e a suar as estopinhas, lá desabafei que só me apanhavam ali de "borla"...
Chegámos e fomos absorvidos por aquele mar de gente gigantesco, que olhámos com admiração. É ele que alimenta um partido especial onde ainda existe o espírito solidário e muito voluntarismo, como se vê no atendimento nas barracas de tudo e mais alguma coisa...
Outro aspecto único é o desfile de gente de todas as gerações, que vai ao guarda-roupa buscar a indumentária adequada à Festa: as boinas bascas com estrela; os lenços e camisas do Che ou da foice e martelo; as "mantas" da Palestina; os vestidos floridos dos anos da "paz e do amor", etc.
Só não disparei em todas as direcções porque não tinha um bom "zoom" e os tempos mudaram, quase tudo é esfera privada e ainda podia ficar sem máquina...
Não vou falar da confusão para jantar, das filas intermináveis para os petiscos mais sugestivos, nem da música para todos os gostos ou da originalidade dos WC's...
Não devia visitar a Festa há uns bons dez anos e já não me lembrava de andar num mar de gente assim. Apesar de me sentir cada vez mais distante das multidões, esta iniciativa do Ruben de Carvalho é uma grande manifestação cultural e social, e também a "galinha dos ovos de ouro" do PCP.
E essa é uma das razões da Festa fazer tantas cócegas aos restantes partidos...

sábado, setembro 06, 2008

O Dever de Informar

A atitude do governo angolano, de recusar a entrada de vários orgãos de comunicação social portugueses, para cobrir as eleições legislativas, depois de longos anos de guerra e de uma democracia apenas para português ver, é no mínimo vergonhosa.

Quando o presidente, José Eduardo dos Santos, afirmou a 4 de Agosto que: «Angola pode dar um exemplo ao continente e ao mundo sobre a forma como realizar eleições democráticas, livres e transparentes», pensei que alguma coisa ia mudar.
Na prática já se percebeu que tratou-se apenas de mais uma falácia. Por exemplo, como é possível realizar eleições transparentes sem a existência de cadernos eleitorais?
Isto faz com que se perceba que a presença da "SIC", do "Expresso", da "Visão", do "Público" e da "Rádio Renascença" em Angola, podia de facto ser incómoda...
Isto faz com que sinta que o jornalismo é a profissão onde existe menos corporativismo. Claro que isto não acontece apenas por se ter o "dever de informar", há também o gosto especial pelos "exclusivos" da maior parte dos órgãos de comunicação social.
Não esqueço alguns exemplos nacionais - com relevo para os do F.C.Porto de Pinto da Costa e a Madeira de Alberto João Jardim -, onde quem não publica notícias felizes, sujeita-se a ficar, no mínimo, à porta das conferências de imprensa...

Este desenho do Rui, publicado em 1989 no semanário "O Jornal", não mudou muito. José Eduardo dos Santos continua a ser o rei do ilusionismo angolano, agora mais só, com a certeza de não tirar Jonas Savimbi da cartola. Em relação à pomba, também estamos conversados...

quinta-feira, setembro 04, 2008

Uma Cidade com Pouco Sentido

Tenho assistido a este "filme" na plateia, em silêncio, como se deve estar numa sala de cinema.

Tinha algum receio de estar a ser injusto, de estar a falar antes do tempo.
Mas já chega de silêncio, de estar comodamente sentado na cadeira, a ver esta colocação de sinais de trânsito, luminosos e de proibição e obrigação, em quase todo o lado, sem descobrir qualquer benefício para o trânsito e para os almadenses...
Estive uns dias ausente da cidade, a gozar a vida prazenteira do Interior.
Regressámos ontem à noite a casa. Retirámos a bagagem e fomos jantar fora.
Cacilhas era o primeiro destino escolhido, mas como começou a "borraçar", resolvemos ir de carro e decidimos-nos por "Almada Velha".
Com a mudança de sentidos no trânsito e com a invasão de sinais proibidos e obrigatórios, quase rua sim rua sim, a maior parte deles desprovidos de sentido, demos várias voltas para trás e para a frente, até conseguirmos chegarmos ao destino...
À medida que íamos avançando pelas estradas molhadas, íamos percebendo a monstruosidade que nos estavam a fazer...
E, sinceramente, tenho pena que quem governa Almada não perceba, que ao retirar os carros da cidade, de uma forma quase compulsiva, também está a afastar as pessoas e que a nossa terra está a ficar quase deserta. Nem estou a falar por mim, uma vez que me desloco quase sempre a pé pelas ruas da cidade.
Claro que não é apenas por isso, mas ultimamente também tenho pensado bastante no assunto. E talvez esteja na altura de mudar, de voltar à minha cidade natal ou de descobrir outra terra diferente para viver...