sábado, outubro 18, 2008

O Nosso Mundo Pouco Perfeito

As histórias de discriminações têm sempre várias versões e bastantes coitadinhos.

Podia começar pela cor, onde já assisti a bastantes episódios em que sempre que a vida não corre ao jeito de um fulano castanho, amarelo ou azul, este grita de imediato, «racistas!», tantas vezes, injustamente...
Mas não, prefiro abordar a sexualidade e o mundo complexo das artes, onde se passam coisas do arco da velha.
Como todos nós sabemos, uma boa parte dos homossexuais adoram falar de discriminação. Esquecem-se é da sua postura nos "mundos" onde estão em maioria...
É por isso que refiro aqui a caminhada de um amigo actor, que para ser aceite nos palcos, teve de fingir que era "bicha", que era um deles...
Só se salvou dos assédios diários, por afirmar que era monogâmico, que tinha um namorado com quem vivia e era feliz...
Ainda hoje a maior parte dos colegas não sabem qual é a sua verdadeira opção sexual...
Pois é, este mundo está demasiado longe de ser um lugar perfeito...
O óleo é de André Lhote.


quinta-feira, outubro 16, 2008

Um Alvo a Abater

Sinceramente, não sabia que Carlos Queirós tinha tantos inimigos, nem que bastava uma derrota e dois empates, para lhe atirarem a toalha para o relvado...
Claro que estou farto de saber que há por muitos jornalistas e cronistas que não gostam de ninguém, nem mesmo do seu próprio umbigo.
Assim como sabia que era um risco enorme para qualquer treinador português, treinar esta selecção, depois da era "milagrosa" de Scolari, e então se começasse a qualificação com alguns precalços, como está a acontecer, ainda seria mais difícil...
Gosto de Queirós porque é uma treinador sério. Sei que ele não tem dotes de milagreiro, não vai encher o país de bandeiras, nem tão pouco andar com dentes de alho no bolso, para satisfazer o povo da bola...
Talvez seja disso que esta gente (e até alguns jogadores..) gosta. Talvez seja melhor contratar futuramente outro treinador de fora, que fale com os santinhos e com as estrelas...

Carlos Queirós cometeu erros, comete-se sempre, especialmente quando não se ganha... também faltou sorte, mas sobretudo inteligência.
Ontem à noite percebi algumas coisas. Por muito que isso nos custe, não cabem na equipa tantos artistas de circo, Cristiano Ronaldo, Nani e Quaresma juntos, é fantasia a mais e colectivismo a menos...
Claro que são eles que num lance de génio podem decidir o jogo, mas ontem em Braga não houve genialidade, só estupidez...

segunda-feira, outubro 13, 2008

As Ofertas Continuam...

Apesar dos sinais de crise, dos medos dos bancos, as ofertas de crédito continuam.
Na sexta-feira recebi um telefonema de uma senhora insistente, que me queria oferecer dinheiro (que querida...). Depois de dizer que não estava interessado, ainda lhe perguntei se não chegavam já os níveis de individamento no nosso país. Claro que ela fez orelhas moucas e disse que a oferta se mantinha até ao fim do dia...
Hoje chegou pelo correio, mais uma oferta, já a rasguei (mas acho que vou digitar a "oferta" para colorir estas palavras), patrocinada por uma loja de roupa, da qual tenho cartão de cliente...
O banco é o mesmo. Fazem-me no minimo confusão estes "brindes"...

sábado, outubro 11, 2008

As Derrapagens do Costume...

Se há algo me faz confusão nas obras públicas, são as habituais derrapagens de muitos milhões. Não duvido que nesta "contabilidade" existem sempre grandes aproveitamentos, de todas as partes envolvidas, para ludibriar o Estado (ou seja, todos nós).
Mas há outro factor importante, que tomei conhecimento, por ser um espectador assíduo das obras
intermináveis do Metro de Superfície de Almada, ainda que de forma involuntária. Refiro-me ao desperdício de tempo, materiais, e claro, a mais que notória, incompetência da construtora e respectivos técnicos.
Há locais onde se abriram, fecharam e voltaram a abrir, buracos, três e quatro vezes no mesmo sitio, por se terem esquecido de qualquer coisa. Em alguns lugares já estava tudo pronto no exterior...
Não percebo porque razão não se chama ninguém à responsabilidade, neste caso particular de Almada, sabendo que a Câmara tem no terreno pessoal especializado a acompanhar as obras.
Será que os engenheiros da Autarquia não têm olhos para tanta incompetência?

quinta-feira, outubro 09, 2008

E Esta? O Amor às Vezes é Fodido...

Por mero acaso, descobri no
Ciberescritas da Isabel Coutinho, a opinião de Miguel Esteves Cardoso sobre a blogosfera, com a qual concordo...
Quando ele diz que: «os blogues são uma coisa maravilhosa, são a melhor coisa que aconteceu em Portugal no século XX», exagera um pouco, e eles até já apareceram no século XXI...
Agora quando ele refere que, «os blogues estão muito à frente da imprensa», tenho cada vez menos dúvidas...
É por isso que fazem tantas cócegas.

terça-feira, outubro 07, 2008

O Mundo de Ricos e de Pobres

Parece que o Belmiro e o Amorim perderam uns 500 milhões (claro que entretanto já devem ter recuperado uma boa parte da quantia...), numa manhã negra da bolsa...
Sim, parece. É que estas coisas da bolsa são todas virtuais, quase que parecem a "blogosfera"...
Não sei com que cara olharam para o mundo, mas provavelmente deve-lhes ter sido mais fácil sorrir que soltar uma lágrima...
Mesmo assim, talvez aproveitem esta crise para empurrar mais uns quantos trabalhadores para o desemprego, e estes sim, irão ficar abalados, com a redução do salário modesto (normalmente inferior a 500 euros), tão importante e tão ginasticado durante o mês...

Eles são bons em alguns teatros e fingem que não sabem que há quem viva numa "Casa de Papelão", como esta de Robert Doisneau...

domingo, outubro 05, 2008

Burricadas e Tasquinhas em Cacilhas

A comemoração da implantação da República é festejada em Cacilhas com um regresso ao passado, com a realização das tradicionais, "Burricadas e Tasquinhas".

Apareçam. Além de puderem almoçar nesta banda, podem ainda disfrutar das muitas bancas de artesanato e ainda dos habituais passeios de burro pela rua Cândido dos Reis...

sábado, outubro 04, 2008

O Monstro da Blogosfera Assusta...

Quando os políticos profissionais, disfarçados de comentadores, têm a desfaçatez de caracterizar a blogosfera como "submundo" e "lixo", como muito bem sublinha o
Tomás Vasques , no seu "Hoje há Conquilhas, Amanhã não Sabemos", o que poderemos dizer deles?
Basta olharmos para Portugal, para os seus muitos exemplos práticos de incompetência, oportunismo, desleixo e falsidade, para sentirmos que se eles estivessem ao nível da blogosfera, possivelmente viveríamos num país melhor, mais aberto, mais livre e mais honesto...

A pintura é de Júlio Pomar, "Chimpanzé com Compasso, ou a Quadratura do Círculo".

sexta-feira, outubro 03, 2008

Conversas de Café (15)

- Andas a fugir muito aos temas da actualidade...

- Achas? Se calhar estou cansado da actualidade.
- Nem uma farpita ao BB por causa da casinha dele...
- Para falar dele, tinha de falar também dos outros três mil e tal.
- Se te oferecessem uma casa, aceitavas?
- Essa pergunta não faz sentido, porque não é disso que se trata. Não se trata de ofertas mas sim de pedidos de casas.
- Está bem, eu reformulo a pergunta. Eras rapaz para pedir uma casa à Câmara?
- Não.
- Porquê?
- Por achar que não tenho necessidade disso.
- O BB tinha mais necessidade que tu?
- Não sei. É possível que tivesse. Não faço ideia.
- Estás a gozar comigo, não é?
- Não, não estou. Não sei qual é a vida do senhor.
- Mas sabes o que ele escreve nas crónicas. É um verdadeiro "caçador de corruptos", maus governantes e de sujeitos com enfermidades de carácter, sem as coisas que ele pensa que tem, honra, verticalidade, honestidade, etc.
- Ele é igual a outros tantos que andam por aí, gostavam que nós só olhássemos para o que dizem e não para o que fazem, como se fossemos todos estúpidos.
- Tens razão, infelizmente as tiras de opinião dos jornais estão cheias de falsos moralistas...
- Então, estamos conversados...

O desenho é de Manuel Gamboa.

quarta-feira, outubro 01, 2008

A Arealva e os Topónimos de Almada

[...] A nossa terra é rica em topónimos singulares, a Quinta da Arealva não foge à regra.
Segundo o historiador, Raul Pereira de Sousa, a sua origem está ligada à praia de areia branca que existia naquele local, da qual hoje só se descobre uma pequena franja na maré baixa, e menos clara.[..]

[...] A Quinta da Arealva era enorme, não se resumia apenas ao espaço rente ao Tejo. As suas terras prolongavam-se até à encosta onde se construiu o monumento ao Cristo Rei. Quando se começou a preparar a sua construção, os Serras venderam aqueles terrenos sem qualquer tipo de discussão e a um preço simbólico. Podemos adiantar que aquela parte da Quinta foi vendida apenas a um escudo por metro quadrado, porque as senhoras da família, eram muito religiosas [...].

Estas transcrições fazem parte de um texto meu, ainda inédito, que irá acompanhar um álbum de fotografia sobre a Quinta da Arealva.

terça-feira, setembro 30, 2008

Conversas de Café (14)

- O teu blogue é mesmo regional, nem uma noticiazinha sobre as eleições nos EUA...

- Sabes que sou muito terra a terra...
- Não te agradam os candidatos?
- Digamos que não me agradam muito os EUA. Aquela gente que mora daquele lado de lá do Atlântico faz-me muita confusão.
- Porquê?
- Não é das coisas mais fáceis de explicar. Mas desde que o Bush ganhou as segundas eleições, depois de todas as asneiras que cometeu, fiquei a pensar que os americanos e o seu presidente se merecem. Ponto final.
- E agora?
- Agora o quê?
- Não me digas que não tens um candidato...
- Sinceramente, não. Claro que acredito que seria melhor para todos nós a vitória de Obama, mas como não somos nós que votamos, prefiro manter-me a leste.
- Então zero de notícias da América?
- Pelo menos dessa América "bushiana"...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Um Poema e as Mulheres...


A Margem da Alegria


Quando repito existiam as mulheres sempre elas as mulheres
sempre as mesmas sempre diferentes mulheres
mãos postas sobre as mesas na penumbra rostos
onde havia tudo e tudo por detrás de tudo
e uns olhos e nos olhos e a partir dos olhos um olhar
que para nomear teria de falar de mar e de água
e da profunda mágoa de ter de desistir de as reter

O poema é de Ruy Belo, a actriz da imagem é Alida Valli, ambos retirados do álbum de João Bénard da Costa, "Como o Cinema era Belo".

quarta-feira, setembro 24, 2008

A Cacilhas de Anyana

Anyana além de escrever e declamar poesia, também gostava muito de desenhar e pintar.
Pintou muitos motivos da sua terra, como este quadro, que nos mostra os principais atractivos da Freguesia...


Anyana é o nome artístico de Idalina Alves Rebelo, uma cacilhense amorável que nos deixou ontem...


terça-feira, setembro 23, 2008

Nunca Tinha Pensado Nisso...

Nunca tinha pensado a sério no assunto. Mas um dos objectos que se foi tornando dispensável cá em casa é a televisão, para mim claro. Passo cada vez menos tempo à frente do "ecran maravilha" (a excepção são os filmes).

Reconheço que isso não tem só a ver com a qualidade da programação. Tem também a ver com opções pessoais. Prefiro ouvir música e ler, revistas, jornais ou livros...
Pensei nisso por estar inteiramente de acordo com a crónica de hoje de João Miguel Tavares, no "DN".
Todos sabemos que há programas que só têm sucesso pela polémica criada à sua volta, por muita publicidade e "palha" que é metida à sua volta. E a SIC e a TVI sempre se mostraram mestres nesses "deslumbramentos" populares.
Como já devem ter percebido, estou a falar do famoso "Momento da Verdade".
Não estou a falar de cor, porque vi uns minutos do programa em que a figura central era um rapaz militar. Achei aquilo tão deprimente, que não consegui perceber onde estava o interesse do programa como espectáculo televisivo, tendo como figura central um rapaz a vender-se por uns euros, na presença de familiares e amigos.
Ainda por cima aquilo parecia tudo (mal) encenado, com trocas de olhares cheias de cumplicidade.
O que me parece mal, e está bem explicito na crónica do João Miguel, é a lata de todos os "siclistas" que se tem "vendido" por causa daquele "sabonete", com um perfume tão manhoso. Certamente, mais motivados pelos euros que caem da bolsa do Balsemão que pelo tão propagandeado amor à camisola da casa...
Felizmente, a minha noção de entretenimento está mais próxima da "A Roda da Sorte ou do "Jogo Duplo", que destes confessionários decadentes e mentirosos.
E, segundo parece, o famoso "fundo do buraco" não existe em televisão, é sempre possível descer mais baixo...


domingo, setembro 21, 2008

A Estrita Intimidade...

Tenho a sensação que o casamento entre homossexuais se está a tornar mais numa causa de heterossexuais demagogos, que propriamente desta minoria.

Apesar de poder estar enganado, penso que eles preferiam ser respeitados pela sua opção sexual, deixando de se sentirem olhados de lado pela sociedade, a entrar neste espectáculo...

"A Estrita Intimidade", é de Robert Doisneau.

sábado, setembro 20, 2008

Ainda a Travessia do Tempo...

Tive o grato prazer de visitar a exposição da Transtejo na companhia do meu amigo Fernando Barão.

Já no seu interior, encontrámos dois visitantes também da "velha guarda", um deles tinha sido maquinista da Parceria Vapores Lisbonenses, e posteriormente da Transtejo, depois das nacionalizações de 1975...
Foi delicioso ouvir os seus testemunhos sobre muitos dos cacilheiros fotografados e também ver o seu esforço em identificar os elementos, que constavam numa foto gigante de familia, com os patrões e funcionários da Parceria...

sexta-feira, setembro 19, 2008

Travessia no Tempo

A "Travessia no Tempo" é o título da excelente exposição que está patente no hall de entrada do Fórum Romeu Correia, em Almada.

A Transtejo transporta-nos numa "viagem" deliciosa pelo Tejo, que se inícia com os primeiros vapores até aos cacilheiros dos nossos dias, com fotografias, objectos e miniaturas de várias embarcações.
Nem sequer falta o "Cacilheiro" de José Carlos Ary dos Santos...
A não perder...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Louvor às Mulheres Corajosas

Começo por dizer que este texto não tem uma ponta de ironia.

É sim uma mostra da identidade feminina das algumas mulheres, que não dispensam o salto alto, mesmo em "tempos de guerra"...
Só mulheres com coragem, vaidade e bastante amor próprio, são capazes de desafiar os arruamentos do centro Almada, constantemente em mudanças e povoados de buracos para todos os gostos.
Provavelmente estas mulheres já deram cabo de alguns saltos, e até já torceram os pés, mas nem por isso desistem, de andar de salto alto, porque a beleza é fundamental nestes tempos que correm...

domingo, setembro 14, 2008

Este País Não é Para Velhos Nem para Novos...

Este país não é para velhos nem para novos, aliás, parece não ser para ninguém, se ignoramos a minoria que governa e que se tem "governado", ao longo de todos estas anos de liberdade (?)...

Digo isto porque não consigo aceitar, que um governo que divulga estatísticas e faz publicidade sobre a melhoria e a aposta da educação, comece a meter água, logo na pré-primária.
Não aceito que crianças com mais de quatro anos - como é o caso da minha filha -, fiquem em listas de espera (a maneira airosa de dizerem até para o ano...) no começo da sua vida escolar, apenas porque as escolas só estão preparadas para terem x alunos.
Numa altura que assistimos a um constante fecho de escolas e aumento de professores no desemprego, é ridículo que esta gente que nos governa e se governa, apenas pense em "vender banha da cobra" nos jornais e televisão, sem pensar seriamente no desenvolvimento do país, que devia começar numa aposta séria na educação e não nesta nova moda "socrática" de cortar fitas nas poucas escolas que abrem na data oficial e oferecer "medalhas" de mérito aos melhores alunos.
Era bom que a escola fosse cada vez mais um espaço de inclusão e não de exclusão, para os alunos, de todas as idades, e para os professores, claro.

A "Fila de Espera Numa Mercearia", de Robert Doisneau, também pode ser usada para as nossas escolas, para os nossos alunos e para os nossos professores, infelizmente.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Novas Oportunidades Para Quem?

Embora não tenha qualquer dúvida, que o ensino melhorou nos últimos anos, por várias razões, inclusive a melhoria qualitativa dos professores, não compreendo esta tentação de se caminhar para o facilitismo, apenas com o objectivo de melhorar as médias escolares e também os níveis de habilitações escolares da nossa população (apenas para a Europa ver).

Fiquei sempre com a sensação de que o programa das Novas Oportunidades era demasiado frágil, sem grandes objectivos qualificativos, para além da distribuição de diplomas. Com os exemplos que tenho colhido, aqui e ali, percebi que pouco contribui para o desenvolvimento do país.
Também não entendo muitos dos cursos mirabolantes que os Centros de Emprego obrigam os seus inscritos, a frequentarem, sem qualquer efeito prático, além das bolsas, tão necessárias para o seu dia a dia...
A Lúcia toca na ferida muito bem.
Não percebo como é que alguns dos maus exemplos vividos durante o "cavaquistão",com o mau uso fundos comunitários, continuam a prevalecer.
Tenho muita pena que este país socrático, continue a ser "faz de conta", com os custos que todos nós conhecemos e sentimos na pele...

A fotografia, "A Informação Escolar", é de Robert Doisneau.

terça-feira, setembro 09, 2008

Essa Coisa Estranha Chamada Democracia

Todos nós sabemos que a democracia e a liberdade, infelizmente, variam de continente para continente.

Foi assim em Pequim, é agora em Angola...
Os observadores internacionais e os governantes portugueses acham perfeitamente normal que o MPLA ganhe as eleições com mais de 80% e apressam-se a felicitar os vencedores e a forma como decorreu o sufrágio (ainda antes do seu final)...
Os observadores além de terem sido escolhidos a dedo, devem ser especialistas em eleições africanas, onde é hábito derramar sangue. Como desta vez isso não aconteceu, foi tudo muito transparente...
Sobre o Cavaco e o Sócrates, também estamos conversados. Ambos têm um sentido de democracia muito pessoal. Até no espaço aéreo...
Só posso dizer uma coisa: tenho cada vez mais asco pelo contorcionismo das nossas "prima-donas", quase sem coluna vertebral...

A fotografia é de Sebastião Salgado, do livro "Retratos de Crianças do Êxodo".

segunda-feira, setembro 08, 2008

Uma Tarde de Sábado Inesperada

Quando o telefone tocou, depois do almoço de sábado, estávamos a "quilómetros" da Festa do Avante. Mas os amigos que não se esquecem de nós, são assim... era mesmo um convite irresistível para visitarmos a Quinta da Atalaia.
Só tínhamos de passar lá por casa e recolher as EP's...
A chegada à zona da Cruz de Pau, Amora e Fogueteiro foi infernal, carros e mais carros, com o estacionamento possível a quilómetros da Festa.
A meio caminho, com a minha filhota às cavalitas e a suar as estopinhas, lá desabafei que só me apanhavam ali de "borla"...
Chegámos e fomos absorvidos por aquele mar de gente gigantesco, que olhámos com admiração. É ele que alimenta um partido especial onde ainda existe o espírito solidário e muito voluntarismo, como se vê no atendimento nas barracas de tudo e mais alguma coisa...
Outro aspecto único é o desfile de gente de todas as gerações, que vai ao guarda-roupa buscar a indumentária adequada à Festa: as boinas bascas com estrela; os lenços e camisas do Che ou da foice e martelo; as "mantas" da Palestina; os vestidos floridos dos anos da "paz e do amor", etc.
Só não disparei em todas as direcções porque não tinha um bom "zoom" e os tempos mudaram, quase tudo é esfera privada e ainda podia ficar sem máquina...
Não vou falar da confusão para jantar, das filas intermináveis para os petiscos mais sugestivos, nem da música para todos os gostos ou da originalidade dos WC's...
Não devia visitar a Festa há uns bons dez anos e já não me lembrava de andar num mar de gente assim. Apesar de me sentir cada vez mais distante das multidões, esta iniciativa do Ruben de Carvalho é uma grande manifestação cultural e social, e também a "galinha dos ovos de ouro" do PCP.
E essa é uma das razões da Festa fazer tantas cócegas aos restantes partidos...

sábado, setembro 06, 2008

O Dever de Informar

A atitude do governo angolano, de recusar a entrada de vários orgãos de comunicação social portugueses, para cobrir as eleições legislativas, depois de longos anos de guerra e de uma democracia apenas para português ver, é no mínimo vergonhosa.

Quando o presidente, José Eduardo dos Santos, afirmou a 4 de Agosto que: «Angola pode dar um exemplo ao continente e ao mundo sobre a forma como realizar eleições democráticas, livres e transparentes», pensei que alguma coisa ia mudar.
Na prática já se percebeu que tratou-se apenas de mais uma falácia. Por exemplo, como é possível realizar eleições transparentes sem a existência de cadernos eleitorais?
Isto faz com que se perceba que a presença da "SIC", do "Expresso", da "Visão", do "Público" e da "Rádio Renascença" em Angola, podia de facto ser incómoda...
Isto faz com que sinta que o jornalismo é a profissão onde existe menos corporativismo. Claro que isto não acontece apenas por se ter o "dever de informar", há também o gosto especial pelos "exclusivos" da maior parte dos órgãos de comunicação social.
Não esqueço alguns exemplos nacionais - com relevo para os do F.C.Porto de Pinto da Costa e a Madeira de Alberto João Jardim -, onde quem não publica notícias felizes, sujeita-se a ficar, no mínimo, à porta das conferências de imprensa...

Este desenho do Rui, publicado em 1989 no semanário "O Jornal", não mudou muito. José Eduardo dos Santos continua a ser o rei do ilusionismo angolano, agora mais só, com a certeza de não tirar Jonas Savimbi da cartola. Em relação à pomba, também estamos conversados...

quinta-feira, setembro 04, 2008

Uma Cidade com Pouco Sentido

Tenho assistido a este "filme" na plateia, em silêncio, como se deve estar numa sala de cinema.

Tinha algum receio de estar a ser injusto, de estar a falar antes do tempo.
Mas já chega de silêncio, de estar comodamente sentado na cadeira, a ver esta colocação de sinais de trânsito, luminosos e de proibição e obrigação, em quase todo o lado, sem descobrir qualquer benefício para o trânsito e para os almadenses...
Estive uns dias ausente da cidade, a gozar a vida prazenteira do Interior.
Regressámos ontem à noite a casa. Retirámos a bagagem e fomos jantar fora.
Cacilhas era o primeiro destino escolhido, mas como começou a "borraçar", resolvemos ir de carro e decidimos-nos por "Almada Velha".
Com a mudança de sentidos no trânsito e com a invasão de sinais proibidos e obrigatórios, quase rua sim rua sim, a maior parte deles desprovidos de sentido, demos várias voltas para trás e para a frente, até conseguirmos chegarmos ao destino...
À medida que íamos avançando pelas estradas molhadas, íamos percebendo a monstruosidade que nos estavam a fazer...
E, sinceramente, tenho pena que quem governa Almada não perceba, que ao retirar os carros da cidade, de uma forma quase compulsiva, também está a afastar as pessoas e que a nossa terra está a ficar quase deserta. Nem estou a falar por mim, uma vez que me desloco quase sempre a pé pelas ruas da cidade.
Claro que não é apenas por isso, mas ultimamente também tenho pensado bastante no assunto. E talvez esteja na altura de mudar, de voltar à minha cidade natal ou de descobrir outra terra diferente para viver...

quinta-feira, agosto 28, 2008

O Ginjal Florido

Até pode parecer um pedaço do paraíso, descobrir o Ginjal florido, depois de se caminhar, lado a lado com as ruínas deste lado do Rio, algumas boas centenas de metros.

As mesas e cadeiras são um convite para quem queira descansar, ficando a ver a tarde cair rente ao Tejo, com uma bebida fresca, e se possível, com uma companhia agradável...

quarta-feira, agosto 27, 2008

Maquinações e Bons Sentimentos

Acabei de ler o livro, "Maquinações e Bons Sentimentos", de Fernando Venâncio, crítico literário, professor universitário na Holanda e até à pouco tempo a "alma mater" do blogue Aspirina B.

Gostei da leitura deste conjunto de crónicas (escritas nos anos noventa), por a achar bastante instrutiva sobre o pequeno mundo literário português, onde surgem vários críticos e escritores, sem máscara.
Fiquei a conhecer melhor algumas vaidades, alguns feitios estranhos, e claro, os ódios de estimação do costume do burgo das letras...
E é pena que existam demasiados "Rumores Públicos" no meio, como muito bem referiu o autor. Têm quase sempre destinatário, embora raramente apareça qualquer nome...

segunda-feira, agosto 25, 2008

É Português...

Há sempre alguns portugueses de grande qualidade que não caem nas boas graças dos habituais críticos da nação.

Álvaro Siza Vieira é um deles.
Não gosto de tudo o que tem feito, mas admiro imenso o seu talento e sobriedade.
Hoje li algumas críticas negativas em relação ao seu trabalho de recuperação do Chiado. Considero a maior parte delas injustas.
Lembro-me que quando ele foi escolhido, há quase vinte anos, fiquei um pouco dividido, sem saber o que iria sair dali.
Vários anos depois, ao observar com os meus olhos o resultado final, fiquei extremamente satisfeito. Siza Vieira tinha conseguido manter a alma do Chiado, oferecendo um grande equilíbrio arquitectónico a toda aquela área, demasiado elegante para suportar a existência de mamarrachos, tão em voga.
Várias vozes exclamam que faltam estacionamentos e escolas. Mas não existe hoje o parque subterrâneo no Largo de Camões, a poucos metros do Chiado? E não foi nesta zona (Calhariz) que se encerrou a Escola Secundária David Mourão-Ferreira, por falta de alunos?

sábado, agosto 23, 2008

Leitura de Férias

Como de costume, li vários livros durante as férias.

"O Vendedor de Passados" de José Eduardo Agualusa foi a obra que levei que me despertava mais curiosidade e entusiasmo, por gostar da escrita do escritor angolano e também pelo título.
Título que de facto diz tudo, Félix Ventura vendia mesmo passados, numa daquelas terras onde vale quase tudo, desde que se tenha dinheiro. Até se pode ganhar uma família com uma história bonita de se contar...
E não é que o Félix até era procurado por ministros de Angola?
Apesar do assunto ser sério, a história está contada de uma forma leve e divertida. Não fosse narrada por uma osga...
Outro livro que gostei de ler foi, "Onze Noites em Jerusalém", de Pedro Paixão. Está escrito de uma forma simples e ajuda a compreender as razões de não se conseguir a paz no Oriente, entre Israelitas, Palestianos e povos da vizinhança...

quinta-feira, agosto 21, 2008

O Ouro já é de Nelson Évora!

Nunca fiz um "post" tão em directo.

Tudo porque o Nelson Évora acaba de se sagrar Campeão Olímpico de triplo-salto.
Com um concurso fabuloso, conseguiu responder sempre aos dois adversários directos, terminando a sua série de saltos válidos com 17,67m.
Espero que esta medalha apague algumas mágoas e algum mau estar provocado por algumas pessoas que falaram de mais, como o chefe de comitiva, em Pequim...

Parabéns Nelson!

terça-feira, agosto 19, 2008

Um Dia Para Esquecer...

Às vezes acontece, os atletas mais fortes e mais seguros, são traídos pela sorte e pelo risco inerente às próprias competições...

Foi o que aconteceu com Naide Gomes. Pode-se dizer muita coisa agora, mas ela e o seu treinador estudam sempre a melhor maneira de ultrapassar as qualificações. Desta vez não deu. E se há alguém triste, é ela...

Gustavo Lima, também não conseguiu chegar às medalhas, foi o "primeiro dos últimos" (4º lugar) e provavelmente irá abandonar a modalidade, cansado dos muitos anos de alta competição, onde a desigualdade de tratamentos e de apoios é uma evidência que muitos não querem, nem lhes apetece ver...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Os Sorrisos Voltaram a Pequim

Sou optimista por natureza.

Acreditava na Vanessa, como acredito na Naide e no Nelson.
E também acreditava na Telma e tinha esperança que o João Neto, o João Rodrigues e a dupla Álvaro Marinho e Miguel Nunes, chegassem às medalhas, foi por isso que falei em meia-dúzia...
Claro que até poderia acontecer vermos os nossos atletas regressarem a Portugal sem qualquer medalha. E não era por isso que passavam a ser uns derrotados ou falhados.
Isto não é o futebol, onde os atletas e treinadores passam de besta a bestial num só dia.
Tenho muita pena de ver gente completamente ignorante sobre o trabalho que foi realizado por muitos destes jovens, nos últimos quatro anos, cheios de privações, para se apresentarem nas melhores condições nos Jogos do seu contentamento e de tantos sonhos, ache que tudo o que fica abaixo do pódio é uma porcaria.
Sei que só se lembram da existência de atletismo, judo, triatlo, vela, remo, etc, de quatro em quatro anos, o resto do tempo é passado nos estádios ou em frente ao televisor, a abanar cachecóis, com uma "bejeca" numa mão e uma sandes de "curato" na outra. Mas pelo menos, não precisam de dar palpites. Guardem-nos para os estádios, para os vossos benficas, sportings e portos.
Obrigado Vanessa, por teres colocado esta gente a gritar, por momentos, "Portugal", "Portugal"! Provavelmente até foram buscar os ditos cachecóis à prateleira...

quarta-feira, agosto 13, 2008

Sem Assunto

Estou sem assunto...

Mas o "Casario" merece uma atenção da minha parte...
Quanto mais não seja para ocupar uma das cadeiras vazias e ficar a olhar o rio...
Sem ligar ao desafio permanente, colado na parede, claro.
Não, não vou atirar-me ao rio...

sexta-feira, agosto 08, 2008

Festival dos Oceanos nos Museus

Ontem e no próximo dia 14 de Agosto, alguns dos museus da zona de Belém estão abertos entre as dezoito e as vinte e quatro horas, com entradas gratuítas.
É uma boa oportunidade para quem está em Lisboa de apreciar a nossa Arte.
Graças a esta promoção fomos visitar o Museu da Electricidade, o Museu dos Coches, o Museu Nacional de Arqueologia e ainda o Centro Cultural de Belém, ao fim da tarde. E graças à proximidade, nem foi muito cansativo...

quarta-feira, agosto 06, 2008

Um Exemplo de Coragem

Li hoje no "DN" uma notícia onde se salientava o facto de uma almadense ter atingido mortalmente um dos três assaltantes encapuçados que tentaram assaltar a sua vivenda, na Charneca de Caparica, onde estava na companhia do marido e dos seus dois filhos menores.
O título da notícia era, "mulher que matou ladrão ficou em liberdade".
E ficou muito bem, já que agiu em legítima defesa, depois dos ladrões terem surpreendido e ameaçado o marido com uma arma, entrando de seguida em casa pela porta da garagem. Quando eles pensavam ter a situação controlava, eis que apareceu a senhora, de arma em punho e ordenou aos assaltantes que se pusessem em fuga. Eles não acreditaram na coragem da mulher e só ficaram convencidos com os tiros disparados pela arma, que deixou um dos bandidos no chão. Os outros fugiram, deixando atrás de si, um rasto de sangue.
Claro que esta casa foi assaltada porque pertencia aos donos de uma ourivesaria de Almada. Os três assaltantes vinham atrás do cheiro do ouro...
Era bom que este exemplo fosse seguido por mais vitimas, apesar dos riscos que se correm e de as polícias aconselharem a que não se reaja a assaltos. De certeza que a onda de criminalidade começava a diminuir no nosso país...
A pintura que ilustra o texto é de André Lhote.

terça-feira, agosto 05, 2008

Ainda a Estreia Olímpica Portuguesa

Em 1912 o desporto estava longe de ser a "feira de vaidades" dos tempos mais recentes, pouca gente se interessava por este fenómeno (mesmo os politicos, porque ainda não era sinónimo de mais votos...).
Nesses tempos era perfeitamente normal que os atletas partissem sem qualquer tipo de acompanhamento, para as grandes competições desportivas.
Isto explica um pouco o que sucedeu com Francisco Lázaro, que sem qualquer acompanhamento directivo ou médico, achou que untar o corpo com sebo, fazia com que perdesse menos líquidos, e ficasse em vantagem em relação aos adversários, sem pensar que a sua pele também precisava de respirar...
Até aos anos sessenta, foram muitas as aventuras de atletas portugueses, que eram metidos em aviões, comboios ou paquetes, para disputarem campeonatos da Europa, do Mundo, completamente entregues à sua sorte.
Foi o que sucedeu com os seis bravos atletas que surgem na imagem (de baixo para cima): Fernando Correia, Armando Cortesão, António Stromp, Francisco Lázaro, António Pereira e Joaquim Vital, que partiram no paquete "Astúrias", para Estocolmo, levando como apoio apenas a sua experiência de vida, na estreia olímpica portuguesa...

segunda-feira, agosto 04, 2008

Os Portugueses na V Olimpíada



O escritor Almadense, Romeu Correia, descreveu muito bem, numa das suas obras, a epopeia dos portugueses na nossa primeira participação Olimpica, naquela que foi a quinta edição dos Jogos.
Além do drama de Francisco Lázaro, a primeira vitima mortal da competição desportiva, na prova da maratona, Romeu oferece-nos uma viagem pormenorizada a Estocolmo, além dos respectivos preparativos e das biografias dos nossos primeiros heróis olímpicos...

domingo, agosto 03, 2008

Almada D'Ouro

Já tinhamos descoberto a placa que indicava a direcção para Almada D' Ouro, algures na fronteira entre o Algarve e o Alentejo, próximo das margens do Rio Guadiana.
Este ano enchemo-nos de coragem, e lá fomos, descobrir este Ouro de Almada...
Acabámos por ficar extremamente desiludidos, porque se trata de uma aldeia quase abandonada à sua sorte. O mais estranho foi descobrir que o alcatrão acabava mal se entrava na aldeia...
Caso para perguntar, quantas mais "misérias" se esconderiam ao longo daquelas estradas estreitas de pedra?
Quem diria que um nome tão dourado (tal como a placa turística, que ilustra o "post"), fosse de uma Almada tão pálida, apesar do calor do sul...

sexta-feira, agosto 01, 2008

Esperança Olímpica a Sul

Portugal nunca apresentou uma selecção Olímpica tão forte, como esta que está em Pequim, prestes a brilhar na maior festa desportiva do mundo.

Não deixa de ser curioso que três das maiores esperanças na conquista do ouro olímpico, o objectivo "sagrado" desta competição (e de todas, claro...) sejam mulheres: Naide Gomes, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro. E duas delas, Naide e Telma, sejam da Margem Sul.
Mas há mais atletas que têm todas as condições para entrar na luta pela conquista de medalhas: Francis Obikwelu, Nelson Évora (atletismo), João Pina, João Neto (judo), João Rodrigues, Gustavo Lima, Álvaro Marinho e Miguel Nunes (Vela).
Quando os dirigentes falam, que se forem ultrapassadas as três medalhas (recorde português...), já será muito bom, estão a resguardar-se e a proteger os atletas. Porque se as coisas correrem bem, a selecção pode no mínimo, duplicar esse número, sem se estar a elevar demasiado a fasquia...

A foto da Telma foi retirada da revista "Visão", porque tem o Tejo e a nossa esperança lusa, bem presentes...

quinta-feira, julho 31, 2008

Voltar...


Não me apetece muito escrever. Acho que ainda não me apetecia voltar, mas...
Ainda ontem dissemos adeus ao mar de águas temperadas e ondas curtas, caminhámos uma última vez pela ponte de madeira, para voltarmos, talvez para o ano...

quarta-feira, julho 23, 2008

Olhar o Tejo...


Hoje apetecia-me olhar o Tejo, mesmo que fosse de uma janela velha, como esta, da Quinta da Arealva...
Como as férias são das coisas mais efémeras que nos acontecem, daqui a uns dias, volta tudo ao circuito normal...
E Lisboa sabe sempre bem em Agosto, se não fossem os muitos estrangeiros, quase que se podia dizer, que tinha "fechado" para balanço...

terça-feira, julho 15, 2008

Madrugada


Um leve tremor precede à madrugada
Quando mar e céu na mesma cor se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores
E para além de insânias e rumores
A nossa vida se vê extasiada

O poema é de Sophia de Mello Breyner Andresen, a foto de Ana Margarida Santos. A gente vê-se por aí...

segunda-feira, julho 14, 2008

Quinta da Arealva I

Só aqui,

se juntam os pássaros
para cantar.

Só aqui
as árvores
se precipitam no vazio
e se curvam ao meu passar

Só aqui,
o silêncio
é mais verde
do que a terra,
e tão verde
quanto o mar.


Verde...
só este recôndido lugar!

O poema, "Quinta da Arealva I", é da autoria do poeta almadense Alberto Afonso, do livro "Recantos de Minha Terra".

domingo, julho 13, 2008

As Quadras Populares Sãojoaninas

Almada é um concelho extremamente rico e multifacetado no campo da Cultura.
Tanto organiza um Festival de Teatro, que é do melhor que se faz no nosso país e até na Europa, como dá luz ao Concurso de Quadras Populares, alusivas às festividades do S. João, que tem um cunho muito próprio, enraizado na verdadeira cultura popular.
Só para perceberem o que digo, ofereço-vos a quadra que conquistou o primeiro prémio (a cerimónia de entrega de prémios decorreu ontem à tarde, no Solar dos Zagalos), que é de uma beleza e de uma originalidade, pouco comuns. É da autoria de Maria Clara Cordeiro Mestre de Carvalho, que merece, sem qualquer dúvida, um aplauso especial.

Almada é uma aguarela
Tem a cor que nos seduz
São João pintou-a em tela
Pôs-lhe festas vida e luz
.

sexta-feira, julho 11, 2008

Che no Fórum Romeu Correia

Vale a pena passar pelo Fórum Romeu Correia, em Almada, e visitar a exposição itinerante, "Che! Mito e Revolução", que tem viajado pelo mundo inteiro.


Está organizada de uma forma agradável, com fotografias, cartazes, livros e outros objectos de colecção.
Gostei bastante do que vi, apesar da simplicidade, está recheada de significados.
A exposição está patente ao público até 7 de Setembro, e claro, merece uma visita dos almadenses e turistas, de passagem pela Margem Sul.

quinta-feira, julho 10, 2008

Joaquim Benite é Teatro

Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.
Esta aventura começou há quase trinta anos, quando o Grupo de Teatro de Campolide se mudou do bairro lisboeta para a Margem Sul. Não sei se estarei a exagerar, mas é bem provável que neste largo período de tempo tenham sido encenadas e produzidas mais de uma centena de peças de teatro pelo grupo que algum tempo depois acabou por ser baptizado como Companhia de Teatro de Almada, numa prova evidente de agradecimento, à Cidade e ao Município, pela forma como têm sido recebidos.
Não foi um percurso só com “Dias Felizes”. Houve um pouco de tudo, como é costume acontecer em todos os lugares onde existem seres humanos: alguns desaparecimentos importantes como os de António Assunção e Virgílio Martinho; algumas saídas de actores influentes, que queriam experimentar outras dramatúrgias; etc.
A Companhia não só resistiu, como se fortaleceu, tornando-se cada vez mais consistente.É por isso que Joaquim Benite merece todo o respeito, admiração e aplauso dos almadenses pelo excelente trabalho que tem desenvolvido em benefício do teatro da nossa terra, quer como director e encenador da Companhia de Teatro de Almada, quer como principal responsável pelo Festival de Teatro de Almada, que anima a cidade durante a primeira quinzena de Julho, há mais de vinte anos.
Festival que se assume, cada vez mais, como o principal acontecimento teatral do nosso país. Isso deve-se à qualidade das companhias internacionais que nos visitam, mas também à planificação que se faz ano após ano. Não é por acaso que esta Festa do Teatro consegue oferecer sempre qualquer coisa de novo aos espectadores que visitam, deliciados, os vários palcos espalhados pela cidade. [...]
[..] Apesar destas palavras elogiosas, devo acrescentar que conheço o Joaquim Benite quase apenas de vista. Trocámos algumas palavras pouco mais de meia dúzia de vezes e também já o entrevistei. Sempre me pareceu uma pessoa acessível, no entanto dizem que tem mau feitio. É normal que isso aconteça. No nosso país quem faz um trabalho rigoroso, que ultrapasse a mediania, sem se alimentar do facilitismo e desenrascanço, tão portugueses, dificilmente escapa ao epíteto de “mau de qualquer fita”.

Este artigo foi publicado, integralmente, no "Jornal de Almada", numa das rubricas que assinei, nas suas páginas ("Almada no Centro do Mundo"), que era uma espécie de perfil, a 22 de Julho de 2005. Tentei encurtá-lo um pouco mais, mas não deu, deixava de fazer sentido. A fotografia é de Anabela Luís.

terça-feira, julho 08, 2008

O Ginjal e a Arte Almadense (IV)

Mais um quadro da Júlia Capêlo, pintora almadense, residente no casario do Ginjal.
Basta abrir as janelas da sua casa, viradas para o rio, para a perfumar com o cheiro do Tejo...

domingo, julho 06, 2008

A Juventude das Marchas

Na sexta-feira e no sábado à noite, voltei a assistir à apresentação das Marchas Populares de Almada, no pavilhão do Feijó.

O espectáculo do pavilhão é sempre de melhor qualidade, que na avenida, por razões óbvias. O apoio do público é mais sentido e isso aumenta, e de que maneira, a motivação dos marchantes.
É gratificante ver que a qualidade de todos os grupos participantes, tem melhorado a olhos vistos. Se há menos apoio monetário da Autarquia, valoriza ainda mais o trabalho de todas estas pessoas, que se entregam de alma e coração às Marchas.
Mas o aspecto que me parece mais relevante e pertinente, é o facto de a maior parte dos elementos das marchas, serem bastante jovens, cujas idades devem variar entre os 15 e os 22 anos.
Apeteceu-me perguntar a todos aqueles rapazes e raparigas, porque razão estavam ali, qual era o principal factor de motivação para participarem nas Marchas Populares...

sábado, julho 05, 2008

Conversas de Café (13)

- A praia é cada vez mais um pólo cultural, importante.
- Depende da "cultura" que falas...

- Falo de todas e sem ironia.
- E esta?
- Duvidas que o mar ajuda a exercitar o corpo e o espírito?
- Não, especialmente o corpo...

- A parte do corpo é mais visível, até porque há pessoas que só correm, nadam e dão uns toques numa bola, à beira-mar.
- És capaz de ter razão, a chamada "alma" talvez ande mais leve nas férias, talvez esteja mais receptiva a novidades...
- Vês como foste lá? Há quem leia livros apenas de férias, vá ao teatro, ao cinema ou a um concerto, também no Verão. E ainda temos os Zézés, que desenferrujam a língua com o tradicional inglês de praia, com as famosas "bifas", que não têm necessariamente que ser inglesas...
- Assim fico convencido, com estes teus exemplos, praia é mesmo igual a mais cultura, do corpo e da alma...

terça-feira, julho 01, 2008

Fim de Tarde no Ginjal

Sabe sempre bem, acabar a tarde no Ginjal,
em qualquer estação do ano.
O Verão oferece-nos outros atractivos. Além de esticar o dia por mais duas, três horas, deixa-nos presos com o olhar, a
os raios do Sol que se deitam nas águas do Tejo, dando-lhe um brilho mágico que se prolonga até ao Oceano.
E se o fizermos, sentados numa das cadeiras da esplanada, com uma boa companhia (que até pode ser um livro...),
à procura do fundo de um copo de imperial...