domingo, setembro 14, 2008

Este País Não é Para Velhos Nem para Novos...

Este país não é para velhos nem para novos, aliás, parece não ser para ninguém, se ignoramos a minoria que governa e que se tem "governado", ao longo de todos estas anos de liberdade (?)...

Digo isto porque não consigo aceitar, que um governo que divulga estatísticas e faz publicidade sobre a melhoria e a aposta da educação, comece a meter água, logo na pré-primária.
Não aceito que crianças com mais de quatro anos - como é o caso da minha filha -, fiquem em listas de espera (a maneira airosa de dizerem até para o ano...) no começo da sua vida escolar, apenas porque as escolas só estão preparadas para terem x alunos.
Numa altura que assistimos a um constante fecho de escolas e aumento de professores no desemprego, é ridículo que esta gente que nos governa e se governa, apenas pense em "vender banha da cobra" nos jornais e televisão, sem pensar seriamente no desenvolvimento do país, que devia começar numa aposta séria na educação e não nesta nova moda "socrática" de cortar fitas nas poucas escolas que abrem na data oficial e oferecer "medalhas" de mérito aos melhores alunos.
Era bom que a escola fosse cada vez mais um espaço de inclusão e não de exclusão, para os alunos, de todas as idades, e para os professores, claro.

A "Fila de Espera Numa Mercearia", de Robert Doisneau, também pode ser usada para as nossas escolas, para os nossos alunos e para os nossos professores, infelizmente.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Novas Oportunidades Para Quem?

Embora não tenha qualquer dúvida, que o ensino melhorou nos últimos anos, por várias razões, inclusive a melhoria qualitativa dos professores, não compreendo esta tentação de se caminhar para o facilitismo, apenas com o objectivo de melhorar as médias escolares e também os níveis de habilitações escolares da nossa população (apenas para a Europa ver).

Fiquei sempre com a sensação de que o programa das Novas Oportunidades era demasiado frágil, sem grandes objectivos qualificativos, para além da distribuição de diplomas. Com os exemplos que tenho colhido, aqui e ali, percebi que pouco contribui para o desenvolvimento do país.
Também não entendo muitos dos cursos mirabolantes que os Centros de Emprego obrigam os seus inscritos, a frequentarem, sem qualquer efeito prático, além das bolsas, tão necessárias para o seu dia a dia...
A Lúcia toca na ferida muito bem.
Não percebo como é que alguns dos maus exemplos vividos durante o "cavaquistão",com o mau uso fundos comunitários, continuam a prevalecer.
Tenho muita pena que este país socrático, continue a ser "faz de conta", com os custos que todos nós conhecemos e sentimos na pele...

A fotografia, "A Informação Escolar", é de Robert Doisneau.

terça-feira, setembro 09, 2008

Essa Coisa Estranha Chamada Democracia

Todos nós sabemos que a democracia e a liberdade, infelizmente, variam de continente para continente.

Foi assim em Pequim, é agora em Angola...
Os observadores internacionais e os governantes portugueses acham perfeitamente normal que o MPLA ganhe as eleições com mais de 80% e apressam-se a felicitar os vencedores e a forma como decorreu o sufrágio (ainda antes do seu final)...
Os observadores além de terem sido escolhidos a dedo, devem ser especialistas em eleições africanas, onde é hábito derramar sangue. Como desta vez isso não aconteceu, foi tudo muito transparente...
Sobre o Cavaco e o Sócrates, também estamos conversados. Ambos têm um sentido de democracia muito pessoal. Até no espaço aéreo...
Só posso dizer uma coisa: tenho cada vez mais asco pelo contorcionismo das nossas "prima-donas", quase sem coluna vertebral...

A fotografia é de Sebastião Salgado, do livro "Retratos de Crianças do Êxodo".

segunda-feira, setembro 08, 2008

Uma Tarde de Sábado Inesperada

Quando o telefone tocou, depois do almoço de sábado, estávamos a "quilómetros" da Festa do Avante. Mas os amigos que não se esquecem de nós, são assim... era mesmo um convite irresistível para visitarmos a Quinta da Atalaia.
Só tínhamos de passar lá por casa e recolher as EP's...
A chegada à zona da Cruz de Pau, Amora e Fogueteiro foi infernal, carros e mais carros, com o estacionamento possível a quilómetros da Festa.
A meio caminho, com a minha filhota às cavalitas e a suar as estopinhas, lá desabafei que só me apanhavam ali de "borla"...
Chegámos e fomos absorvidos por aquele mar de gente gigantesco, que olhámos com admiração. É ele que alimenta um partido especial onde ainda existe o espírito solidário e muito voluntarismo, como se vê no atendimento nas barracas de tudo e mais alguma coisa...
Outro aspecto único é o desfile de gente de todas as gerações, que vai ao guarda-roupa buscar a indumentária adequada à Festa: as boinas bascas com estrela; os lenços e camisas do Che ou da foice e martelo; as "mantas" da Palestina; os vestidos floridos dos anos da "paz e do amor", etc.
Só não disparei em todas as direcções porque não tinha um bom "zoom" e os tempos mudaram, quase tudo é esfera privada e ainda podia ficar sem máquina...
Não vou falar da confusão para jantar, das filas intermináveis para os petiscos mais sugestivos, nem da música para todos os gostos ou da originalidade dos WC's...
Não devia visitar a Festa há uns bons dez anos e já não me lembrava de andar num mar de gente assim. Apesar de me sentir cada vez mais distante das multidões, esta iniciativa do Ruben de Carvalho é uma grande manifestação cultural e social, e também a "galinha dos ovos de ouro" do PCP.
E essa é uma das razões da Festa fazer tantas cócegas aos restantes partidos...

sábado, setembro 06, 2008

O Dever de Informar

A atitude do governo angolano, de recusar a entrada de vários orgãos de comunicação social portugueses, para cobrir as eleições legislativas, depois de longos anos de guerra e de uma democracia apenas para português ver, é no mínimo vergonhosa.

Quando o presidente, José Eduardo dos Santos, afirmou a 4 de Agosto que: «Angola pode dar um exemplo ao continente e ao mundo sobre a forma como realizar eleições democráticas, livres e transparentes», pensei que alguma coisa ia mudar.
Na prática já se percebeu que tratou-se apenas de mais uma falácia. Por exemplo, como é possível realizar eleições transparentes sem a existência de cadernos eleitorais?
Isto faz com que se perceba que a presença da "SIC", do "Expresso", da "Visão", do "Público" e da "Rádio Renascença" em Angola, podia de facto ser incómoda...
Isto faz com que sinta que o jornalismo é a profissão onde existe menos corporativismo. Claro que isto não acontece apenas por se ter o "dever de informar", há também o gosto especial pelos "exclusivos" da maior parte dos órgãos de comunicação social.
Não esqueço alguns exemplos nacionais - com relevo para os do F.C.Porto de Pinto da Costa e a Madeira de Alberto João Jardim -, onde quem não publica notícias felizes, sujeita-se a ficar, no mínimo, à porta das conferências de imprensa...

Este desenho do Rui, publicado em 1989 no semanário "O Jornal", não mudou muito. José Eduardo dos Santos continua a ser o rei do ilusionismo angolano, agora mais só, com a certeza de não tirar Jonas Savimbi da cartola. Em relação à pomba, também estamos conversados...

quinta-feira, setembro 04, 2008

Uma Cidade com Pouco Sentido

Tenho assistido a este "filme" na plateia, em silêncio, como se deve estar numa sala de cinema.

Tinha algum receio de estar a ser injusto, de estar a falar antes do tempo.
Mas já chega de silêncio, de estar comodamente sentado na cadeira, a ver esta colocação de sinais de trânsito, luminosos e de proibição e obrigação, em quase todo o lado, sem descobrir qualquer benefício para o trânsito e para os almadenses...
Estive uns dias ausente da cidade, a gozar a vida prazenteira do Interior.
Regressámos ontem à noite a casa. Retirámos a bagagem e fomos jantar fora.
Cacilhas era o primeiro destino escolhido, mas como começou a "borraçar", resolvemos ir de carro e decidimos-nos por "Almada Velha".
Com a mudança de sentidos no trânsito e com a invasão de sinais proibidos e obrigatórios, quase rua sim rua sim, a maior parte deles desprovidos de sentido, demos várias voltas para trás e para a frente, até conseguirmos chegarmos ao destino...
À medida que íamos avançando pelas estradas molhadas, íamos percebendo a monstruosidade que nos estavam a fazer...
E, sinceramente, tenho pena que quem governa Almada não perceba, que ao retirar os carros da cidade, de uma forma quase compulsiva, também está a afastar as pessoas e que a nossa terra está a ficar quase deserta. Nem estou a falar por mim, uma vez que me desloco quase sempre a pé pelas ruas da cidade.
Claro que não é apenas por isso, mas ultimamente também tenho pensado bastante no assunto. E talvez esteja na altura de mudar, de voltar à minha cidade natal ou de descobrir outra terra diferente para viver...

quinta-feira, agosto 28, 2008

O Ginjal Florido

Até pode parecer um pedaço do paraíso, descobrir o Ginjal florido, depois de se caminhar, lado a lado com as ruínas deste lado do Rio, algumas boas centenas de metros.

As mesas e cadeiras são um convite para quem queira descansar, ficando a ver a tarde cair rente ao Tejo, com uma bebida fresca, e se possível, com uma companhia agradável...

quarta-feira, agosto 27, 2008

Maquinações e Bons Sentimentos

Acabei de ler o livro, "Maquinações e Bons Sentimentos", de Fernando Venâncio, crítico literário, professor universitário na Holanda e até à pouco tempo a "alma mater" do blogue Aspirina B.

Gostei da leitura deste conjunto de crónicas (escritas nos anos noventa), por a achar bastante instrutiva sobre o pequeno mundo literário português, onde surgem vários críticos e escritores, sem máscara.
Fiquei a conhecer melhor algumas vaidades, alguns feitios estranhos, e claro, os ódios de estimação do costume do burgo das letras...
E é pena que existam demasiados "Rumores Públicos" no meio, como muito bem referiu o autor. Têm quase sempre destinatário, embora raramente apareça qualquer nome...

segunda-feira, agosto 25, 2008

É Português...

Há sempre alguns portugueses de grande qualidade que não caem nas boas graças dos habituais críticos da nação.

Álvaro Siza Vieira é um deles.
Não gosto de tudo o que tem feito, mas admiro imenso o seu talento e sobriedade.
Hoje li algumas críticas negativas em relação ao seu trabalho de recuperação do Chiado. Considero a maior parte delas injustas.
Lembro-me que quando ele foi escolhido, há quase vinte anos, fiquei um pouco dividido, sem saber o que iria sair dali.
Vários anos depois, ao observar com os meus olhos o resultado final, fiquei extremamente satisfeito. Siza Vieira tinha conseguido manter a alma do Chiado, oferecendo um grande equilíbrio arquitectónico a toda aquela área, demasiado elegante para suportar a existência de mamarrachos, tão em voga.
Várias vozes exclamam que faltam estacionamentos e escolas. Mas não existe hoje o parque subterrâneo no Largo de Camões, a poucos metros do Chiado? E não foi nesta zona (Calhariz) que se encerrou a Escola Secundária David Mourão-Ferreira, por falta de alunos?

sábado, agosto 23, 2008

Leitura de Férias

Como de costume, li vários livros durante as férias.

"O Vendedor de Passados" de José Eduardo Agualusa foi a obra que levei que me despertava mais curiosidade e entusiasmo, por gostar da escrita do escritor angolano e também pelo título.
Título que de facto diz tudo, Félix Ventura vendia mesmo passados, numa daquelas terras onde vale quase tudo, desde que se tenha dinheiro. Até se pode ganhar uma família com uma história bonita de se contar...
E não é que o Félix até era procurado por ministros de Angola?
Apesar do assunto ser sério, a história está contada de uma forma leve e divertida. Não fosse narrada por uma osga...
Outro livro que gostei de ler foi, "Onze Noites em Jerusalém", de Pedro Paixão. Está escrito de uma forma simples e ajuda a compreender as razões de não se conseguir a paz no Oriente, entre Israelitas, Palestianos e povos da vizinhança...

quinta-feira, agosto 21, 2008

O Ouro já é de Nelson Évora!

Nunca fiz um "post" tão em directo.

Tudo porque o Nelson Évora acaba de se sagrar Campeão Olímpico de triplo-salto.
Com um concurso fabuloso, conseguiu responder sempre aos dois adversários directos, terminando a sua série de saltos válidos com 17,67m.
Espero que esta medalha apague algumas mágoas e algum mau estar provocado por algumas pessoas que falaram de mais, como o chefe de comitiva, em Pequim...

Parabéns Nelson!

terça-feira, agosto 19, 2008

Um Dia Para Esquecer...

Às vezes acontece, os atletas mais fortes e mais seguros, são traídos pela sorte e pelo risco inerente às próprias competições...

Foi o que aconteceu com Naide Gomes. Pode-se dizer muita coisa agora, mas ela e o seu treinador estudam sempre a melhor maneira de ultrapassar as qualificações. Desta vez não deu. E se há alguém triste, é ela...

Gustavo Lima, também não conseguiu chegar às medalhas, foi o "primeiro dos últimos" (4º lugar) e provavelmente irá abandonar a modalidade, cansado dos muitos anos de alta competição, onde a desigualdade de tratamentos e de apoios é uma evidência que muitos não querem, nem lhes apetece ver...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Os Sorrisos Voltaram a Pequim

Sou optimista por natureza.

Acreditava na Vanessa, como acredito na Naide e no Nelson.
E também acreditava na Telma e tinha esperança que o João Neto, o João Rodrigues e a dupla Álvaro Marinho e Miguel Nunes, chegassem às medalhas, foi por isso que falei em meia-dúzia...
Claro que até poderia acontecer vermos os nossos atletas regressarem a Portugal sem qualquer medalha. E não era por isso que passavam a ser uns derrotados ou falhados.
Isto não é o futebol, onde os atletas e treinadores passam de besta a bestial num só dia.
Tenho muita pena de ver gente completamente ignorante sobre o trabalho que foi realizado por muitos destes jovens, nos últimos quatro anos, cheios de privações, para se apresentarem nas melhores condições nos Jogos do seu contentamento e de tantos sonhos, ache que tudo o que fica abaixo do pódio é uma porcaria.
Sei que só se lembram da existência de atletismo, judo, triatlo, vela, remo, etc, de quatro em quatro anos, o resto do tempo é passado nos estádios ou em frente ao televisor, a abanar cachecóis, com uma "bejeca" numa mão e uma sandes de "curato" na outra. Mas pelo menos, não precisam de dar palpites. Guardem-nos para os estádios, para os vossos benficas, sportings e portos.
Obrigado Vanessa, por teres colocado esta gente a gritar, por momentos, "Portugal", "Portugal"! Provavelmente até foram buscar os ditos cachecóis à prateleira...

quarta-feira, agosto 13, 2008

Sem Assunto

Estou sem assunto...

Mas o "Casario" merece uma atenção da minha parte...
Quanto mais não seja para ocupar uma das cadeiras vazias e ficar a olhar o rio...
Sem ligar ao desafio permanente, colado na parede, claro.
Não, não vou atirar-me ao rio...

sexta-feira, agosto 08, 2008

Festival dos Oceanos nos Museus

Ontem e no próximo dia 14 de Agosto, alguns dos museus da zona de Belém estão abertos entre as dezoito e as vinte e quatro horas, com entradas gratuítas.
É uma boa oportunidade para quem está em Lisboa de apreciar a nossa Arte.
Graças a esta promoção fomos visitar o Museu da Electricidade, o Museu dos Coches, o Museu Nacional de Arqueologia e ainda o Centro Cultural de Belém, ao fim da tarde. E graças à proximidade, nem foi muito cansativo...

quarta-feira, agosto 06, 2008

Um Exemplo de Coragem

Li hoje no "DN" uma notícia onde se salientava o facto de uma almadense ter atingido mortalmente um dos três assaltantes encapuçados que tentaram assaltar a sua vivenda, na Charneca de Caparica, onde estava na companhia do marido e dos seus dois filhos menores.
O título da notícia era, "mulher que matou ladrão ficou em liberdade".
E ficou muito bem, já que agiu em legítima defesa, depois dos ladrões terem surpreendido e ameaçado o marido com uma arma, entrando de seguida em casa pela porta da garagem. Quando eles pensavam ter a situação controlava, eis que apareceu a senhora, de arma em punho e ordenou aos assaltantes que se pusessem em fuga. Eles não acreditaram na coragem da mulher e só ficaram convencidos com os tiros disparados pela arma, que deixou um dos bandidos no chão. Os outros fugiram, deixando atrás de si, um rasto de sangue.
Claro que esta casa foi assaltada porque pertencia aos donos de uma ourivesaria de Almada. Os três assaltantes vinham atrás do cheiro do ouro...
Era bom que este exemplo fosse seguido por mais vitimas, apesar dos riscos que se correm e de as polícias aconselharem a que não se reaja a assaltos. De certeza que a onda de criminalidade começava a diminuir no nosso país...
A pintura que ilustra o texto é de André Lhote.

terça-feira, agosto 05, 2008

Ainda a Estreia Olímpica Portuguesa

Em 1912 o desporto estava longe de ser a "feira de vaidades" dos tempos mais recentes, pouca gente se interessava por este fenómeno (mesmo os politicos, porque ainda não era sinónimo de mais votos...).
Nesses tempos era perfeitamente normal que os atletas partissem sem qualquer tipo de acompanhamento, para as grandes competições desportivas.
Isto explica um pouco o que sucedeu com Francisco Lázaro, que sem qualquer acompanhamento directivo ou médico, achou que untar o corpo com sebo, fazia com que perdesse menos líquidos, e ficasse em vantagem em relação aos adversários, sem pensar que a sua pele também precisava de respirar...
Até aos anos sessenta, foram muitas as aventuras de atletas portugueses, que eram metidos em aviões, comboios ou paquetes, para disputarem campeonatos da Europa, do Mundo, completamente entregues à sua sorte.
Foi o que sucedeu com os seis bravos atletas que surgem na imagem (de baixo para cima): Fernando Correia, Armando Cortesão, António Stromp, Francisco Lázaro, António Pereira e Joaquim Vital, que partiram no paquete "Astúrias", para Estocolmo, levando como apoio apenas a sua experiência de vida, na estreia olímpica portuguesa...

segunda-feira, agosto 04, 2008

Os Portugueses na V Olimpíada



O escritor Almadense, Romeu Correia, descreveu muito bem, numa das suas obras, a epopeia dos portugueses na nossa primeira participação Olimpica, naquela que foi a quinta edição dos Jogos.
Além do drama de Francisco Lázaro, a primeira vitima mortal da competição desportiva, na prova da maratona, Romeu oferece-nos uma viagem pormenorizada a Estocolmo, além dos respectivos preparativos e das biografias dos nossos primeiros heróis olímpicos...

domingo, agosto 03, 2008

Almada D'Ouro

Já tinhamos descoberto a placa que indicava a direcção para Almada D' Ouro, algures na fronteira entre o Algarve e o Alentejo, próximo das margens do Rio Guadiana.
Este ano enchemo-nos de coragem, e lá fomos, descobrir este Ouro de Almada...
Acabámos por ficar extremamente desiludidos, porque se trata de uma aldeia quase abandonada à sua sorte. O mais estranho foi descobrir que o alcatrão acabava mal se entrava na aldeia...
Caso para perguntar, quantas mais "misérias" se esconderiam ao longo daquelas estradas estreitas de pedra?
Quem diria que um nome tão dourado (tal como a placa turística, que ilustra o "post"), fosse de uma Almada tão pálida, apesar do calor do sul...

sexta-feira, agosto 01, 2008

Esperança Olímpica a Sul

Portugal nunca apresentou uma selecção Olímpica tão forte, como esta que está em Pequim, prestes a brilhar na maior festa desportiva do mundo.

Não deixa de ser curioso que três das maiores esperanças na conquista do ouro olímpico, o objectivo "sagrado" desta competição (e de todas, claro...) sejam mulheres: Naide Gomes, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro. E duas delas, Naide e Telma, sejam da Margem Sul.
Mas há mais atletas que têm todas as condições para entrar na luta pela conquista de medalhas: Francis Obikwelu, Nelson Évora (atletismo), João Pina, João Neto (judo), João Rodrigues, Gustavo Lima, Álvaro Marinho e Miguel Nunes (Vela).
Quando os dirigentes falam, que se forem ultrapassadas as três medalhas (recorde português...), já será muito bom, estão a resguardar-se e a proteger os atletas. Porque se as coisas correrem bem, a selecção pode no mínimo, duplicar esse número, sem se estar a elevar demasiado a fasquia...

A foto da Telma foi retirada da revista "Visão", porque tem o Tejo e a nossa esperança lusa, bem presentes...

quinta-feira, julho 31, 2008

Voltar...


Não me apetece muito escrever. Acho que ainda não me apetecia voltar, mas...
Ainda ontem dissemos adeus ao mar de águas temperadas e ondas curtas, caminhámos uma última vez pela ponte de madeira, para voltarmos, talvez para o ano...

quarta-feira, julho 23, 2008

Olhar o Tejo...


Hoje apetecia-me olhar o Tejo, mesmo que fosse de uma janela velha, como esta, da Quinta da Arealva...
Como as férias são das coisas mais efémeras que nos acontecem, daqui a uns dias, volta tudo ao circuito normal...
E Lisboa sabe sempre bem em Agosto, se não fossem os muitos estrangeiros, quase que se podia dizer, que tinha "fechado" para balanço...

terça-feira, julho 15, 2008

Madrugada


Um leve tremor precede à madrugada
Quando mar e céu na mesma cor se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores
E para além de insânias e rumores
A nossa vida se vê extasiada

O poema é de Sophia de Mello Breyner Andresen, a foto de Ana Margarida Santos. A gente vê-se por aí...

segunda-feira, julho 14, 2008

Quinta da Arealva I

Só aqui,

se juntam os pássaros
para cantar.

Só aqui
as árvores
se precipitam no vazio
e se curvam ao meu passar

Só aqui,
o silêncio
é mais verde
do que a terra,
e tão verde
quanto o mar.


Verde...
só este recôndido lugar!

O poema, "Quinta da Arealva I", é da autoria do poeta almadense Alberto Afonso, do livro "Recantos de Minha Terra".

domingo, julho 13, 2008

As Quadras Populares Sãojoaninas

Almada é um concelho extremamente rico e multifacetado no campo da Cultura.
Tanto organiza um Festival de Teatro, que é do melhor que se faz no nosso país e até na Europa, como dá luz ao Concurso de Quadras Populares, alusivas às festividades do S. João, que tem um cunho muito próprio, enraizado na verdadeira cultura popular.
Só para perceberem o que digo, ofereço-vos a quadra que conquistou o primeiro prémio (a cerimónia de entrega de prémios decorreu ontem à tarde, no Solar dos Zagalos), que é de uma beleza e de uma originalidade, pouco comuns. É da autoria de Maria Clara Cordeiro Mestre de Carvalho, que merece, sem qualquer dúvida, um aplauso especial.

Almada é uma aguarela
Tem a cor que nos seduz
São João pintou-a em tela
Pôs-lhe festas vida e luz
.

sexta-feira, julho 11, 2008

Che no Fórum Romeu Correia

Vale a pena passar pelo Fórum Romeu Correia, em Almada, e visitar a exposição itinerante, "Che! Mito e Revolução", que tem viajado pelo mundo inteiro.


Está organizada de uma forma agradável, com fotografias, cartazes, livros e outros objectos de colecção.
Gostei bastante do que vi, apesar da simplicidade, está recheada de significados.
A exposição está patente ao público até 7 de Setembro, e claro, merece uma visita dos almadenses e turistas, de passagem pela Margem Sul.

quinta-feira, julho 10, 2008

Joaquim Benite é Teatro

Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.
Esta aventura começou há quase trinta anos, quando o Grupo de Teatro de Campolide se mudou do bairro lisboeta para a Margem Sul. Não sei se estarei a exagerar, mas é bem provável que neste largo período de tempo tenham sido encenadas e produzidas mais de uma centena de peças de teatro pelo grupo que algum tempo depois acabou por ser baptizado como Companhia de Teatro de Almada, numa prova evidente de agradecimento, à Cidade e ao Município, pela forma como têm sido recebidos.
Não foi um percurso só com “Dias Felizes”. Houve um pouco de tudo, como é costume acontecer em todos os lugares onde existem seres humanos: alguns desaparecimentos importantes como os de António Assunção e Virgílio Martinho; algumas saídas de actores influentes, que queriam experimentar outras dramatúrgias; etc.
A Companhia não só resistiu, como se fortaleceu, tornando-se cada vez mais consistente.É por isso que Joaquim Benite merece todo o respeito, admiração e aplauso dos almadenses pelo excelente trabalho que tem desenvolvido em benefício do teatro da nossa terra, quer como director e encenador da Companhia de Teatro de Almada, quer como principal responsável pelo Festival de Teatro de Almada, que anima a cidade durante a primeira quinzena de Julho, há mais de vinte anos.
Festival que se assume, cada vez mais, como o principal acontecimento teatral do nosso país. Isso deve-se à qualidade das companhias internacionais que nos visitam, mas também à planificação que se faz ano após ano. Não é por acaso que esta Festa do Teatro consegue oferecer sempre qualquer coisa de novo aos espectadores que visitam, deliciados, os vários palcos espalhados pela cidade. [...]
[..] Apesar destas palavras elogiosas, devo acrescentar que conheço o Joaquim Benite quase apenas de vista. Trocámos algumas palavras pouco mais de meia dúzia de vezes e também já o entrevistei. Sempre me pareceu uma pessoa acessível, no entanto dizem que tem mau feitio. É normal que isso aconteça. No nosso país quem faz um trabalho rigoroso, que ultrapasse a mediania, sem se alimentar do facilitismo e desenrascanço, tão portugueses, dificilmente escapa ao epíteto de “mau de qualquer fita”.

Este artigo foi publicado, integralmente, no "Jornal de Almada", numa das rubricas que assinei, nas suas páginas ("Almada no Centro do Mundo"), que era uma espécie de perfil, a 22 de Julho de 2005. Tentei encurtá-lo um pouco mais, mas não deu, deixava de fazer sentido. A fotografia é de Anabela Luís.

terça-feira, julho 08, 2008

O Ginjal e a Arte Almadense (IV)

Mais um quadro da Júlia Capêlo, pintora almadense, residente no casario do Ginjal.
Basta abrir as janelas da sua casa, viradas para o rio, para a perfumar com o cheiro do Tejo...

domingo, julho 06, 2008

A Juventude das Marchas

Na sexta-feira e no sábado à noite, voltei a assistir à apresentação das Marchas Populares de Almada, no pavilhão do Feijó.

O espectáculo do pavilhão é sempre de melhor qualidade, que na avenida, por razões óbvias. O apoio do público é mais sentido e isso aumenta, e de que maneira, a motivação dos marchantes.
É gratificante ver que a qualidade de todos os grupos participantes, tem melhorado a olhos vistos. Se há menos apoio monetário da Autarquia, valoriza ainda mais o trabalho de todas estas pessoas, que se entregam de alma e coração às Marchas.
Mas o aspecto que me parece mais relevante e pertinente, é o facto de a maior parte dos elementos das marchas, serem bastante jovens, cujas idades devem variar entre os 15 e os 22 anos.
Apeteceu-me perguntar a todos aqueles rapazes e raparigas, porque razão estavam ali, qual era o principal factor de motivação para participarem nas Marchas Populares...

sábado, julho 05, 2008

Conversas de Café (13)

- A praia é cada vez mais um pólo cultural, importante.
- Depende da "cultura" que falas...

- Falo de todas e sem ironia.
- E esta?
- Duvidas que o mar ajuda a exercitar o corpo e o espírito?
- Não, especialmente o corpo...

- A parte do corpo é mais visível, até porque há pessoas que só correm, nadam e dão uns toques numa bola, à beira-mar.
- És capaz de ter razão, a chamada "alma" talvez ande mais leve nas férias, talvez esteja mais receptiva a novidades...
- Vês como foste lá? Há quem leia livros apenas de férias, vá ao teatro, ao cinema ou a um concerto, também no Verão. E ainda temos os Zézés, que desenferrujam a língua com o tradicional inglês de praia, com as famosas "bifas", que não têm necessariamente que ser inglesas...
- Assim fico convencido, com estes teus exemplos, praia é mesmo igual a mais cultura, do corpo e da alma...

terça-feira, julho 01, 2008

Fim de Tarde no Ginjal

Sabe sempre bem, acabar a tarde no Ginjal,
em qualquer estação do ano.
O Verão oferece-nos outros atractivos. Além de esticar o dia por mais duas, três horas, deixa-nos presos com o olhar, a
os raios do Sol que se deitam nas águas do Tejo, dando-lhe um brilho mágico que se prolonga até ao Oceano.
E se o fizermos, sentados numa das cadeiras da esplanada, com uma boa companhia (que até pode ser um livro...),
à procura do fundo de um copo de imperial...

segunda-feira, junho 30, 2008

E Viva Espanha!

Não foi por nos terem vingado, ao derrotarem a Alemanha, que fiquei feliz, por ver a Espanha sagrar-se campeã europeia. Foi sim, por serem a selecção que jogou melhor futebol durante o europeu (só a Holanda conseguiu rivalizar com os espanhóis...).

Continuo a pensar que o futebol não é essa coisa científica, que alguns "palradores" espalham pela televisão, é sim um desporto de muita intuição, e sobretudo de inteligência técnica, onde devia estar na primeira linha o aproveitamento exaustivo das características e do talento dos jogadores.
Não tenho dúvidas que se Scolari fosse um treinador inteligente tinha explorado um sistema de jogo próximo do de Aragonés, com a bola jogada rente à relva, com trocas de passes da defesa ao ataque, até ao remate à baliza, sem os habituais balões, que vão direito aos guarda-redes ou aos defesas adversários, quase sempre gigantes.
Claro que o treino deste sistema dá mais trabalho que treinar o "mata-mata"...
A selecção espanhola provou que os jogadores não se medem aos palmos, até os seus dois centrais, Puyol e Marchena, eram de estatura mediana, e nunca causaram grandes calafrios a Casillas...
Na final de ontem, os "gigantes" alemães, foram metidos no bolso. No período mais quente do jogo, ainda tentaram inventar, e até influenciar o árbitro, mas Inesta, Xavi, Torres e companhia, só queriam ser campeões europeus de futebol e não de confusões...
É muito importante percebermos no decorrer dos jogos, que os jogadores jogam nas posições onde dão mais rendimento. Coisa que nunca sucedeu com Cristiano Ronaldo, o caso mais gritante de sub-rendimento da nossa selecção, sistematicamente "asfixiado" e "preso" pelo sistema de jogo, extremamente conservador, de Scolari.
Por tudo isto, e pelo amor ao bom futebol, viva Espanha!

sábado, junho 28, 2008

"Ricos e Mal Agradecidos"


Tinha pensado escrever sobre a frase da semana do nosso primeiro, mas depois esqueci-me. Ao passar pelo
Cinco Dias e ler o que o Nuno Ramos de Almeida escreveu, não pude deixar de sorrir, e claro, não arranjava um título melhor...

Por acaso não li a frase no "Expresso", mas na "Sábado" ("Não é justo não gostarem de mim" - José Sócrates, referindo-se às confederações patronais, in "Correio da Manhã").

sexta-feira, junho 27, 2008

Os Pesos da Balança...

Em primeiro lugar, sei que o Vale Azevedo é um grande vigarista.
E foi graças a ele que o nome do Benfica andou pelas ruas da amargura.
Mas o homem já esteve preso seis anos, ao contrário de muitos outros grandes vigaristas deste país, que têm lesado o Estado em tantos milhões, e que nem uma única vez, estiveram fechados numa cela.
E nem vou falar dos futebóis, do papa do norte que se diverte com isto tudo, que no final dos anos oitenta, principio de noventa, até se dava ao luxo de ter uma guarda particular, mesclada de polícias e ladrões, que abanava os túneis dos estádios e virava jornalistas de pernas para o ar. Ainda deixou várias marcas nuns quantos repórteres incómodos (silenciados até pelos próprios jornais). Embora o guarda Abel pareça uma figura da banda desenhada ou de um filme de malandragem, existe mesmo. Aliás, nesta altura do campeonato já deve ter lugar cativo honorifico no Dragão...
Quando Vale Azevedo diz que a justiça gozou e brincou com ele, tem toda a razão. Quem é que foi posto em liberdade, neste país, por apenas dezassete segundos?
E não se esqueçam de pagar o bilhete de avião, de volta...

A fotografia que escolhi é de Henri Cartier-Bresson, é toda ela carregada de simbolismo, tem grades, escadas, alguém em fuga de bicicleta, embora todos nós saibamos, que de avião escapa-se mais rápido à justiça, e se for a jacto então...

quinta-feira, junho 26, 2008

Cargaleiro em Castelo Branco

Gostei de ver hoje a reportagem televisiva, sobre mais uma entrega de parte da colecção de arte de Mestre Cargaleiro, ao Município de Castelo Branco. Esta Autarquia, depois de criar um espaço museológico sobre a obra do autor, que viveu no concelho de Almada (veio para a Quinta da Silveira, na Sobreda, com um ano), até partir para Paris, na segunda metade dos anos cinquenta, aumentou a sua área, para puder acolher novos acervos artísticos da sua colecção.

Foi uma pena que Almada nunca tenha criado condições para que a sua obra, tal como a colecção particular de azulejos e peças de barro, que foi adquirindo, ao longo dos anos, que já tive a felicidade de conhecer, em visita guiada pelo próprio Mestre Cargaleiro (uma das mais importantes do país, da qual se incluem algumas peças assinadas por Picasso), ficasse no concelho.
Seixal tem prometido muito a Cargaleiro, mas percebi que o Município de Castelo Branco, age de forma diferente, além de prometer, faz...

terça-feira, junho 24, 2008

As Marchas de Almada

Ontem foi noite de S.João em Almada, onde além dos bailaricos populares, houve as já tradicionais, Marchas Populares.

Quem acompanhe as marchas em Almada, nota, ano após ano, uma grande melhoria em praticamente todos os participantes neste concurso.
Há uma grande inovação no guarda-roupa, nos arcos e até na coreografia (já não marcha tudo da mesma forma...). Claro que há três ou quatro grupos que se destacam, onde se percebe que têm como objectivo a vitória, em nome de um bairrismo, que não deixa de ser salutar.
A escolha do local da apresentação (frente à Lisnave) - que talvez ainda seja provisória para o Município -, tem-se revelado o espaço ideal, pelo menos se o compararmos com a Praça S. João Baptista. Há mais espaço para o público e até para os marchantes, além de haver outro ponto de dança, além da tribuna, o que é sempre agradável para as pessoas e também para os participantes, que podem fazer um último ensaio, antes de se apresentarem em frente da tribuna e do respectivo júri.
Embora estas mudanças tenham acontecido devido às obras, conseguiram "democratizar" este evento, o que é sempre de saudar. Só esperamos que assim continue, para gáudio de todos os almadenses e não de apenas os "eleitos"...

domingo, junho 22, 2008

Conversas de Café (12)

- Somos tão preconceituosos, mesmo sem querermos.
- Porque dizes isso?

- Falo por mim, claro. Tenho a mania que não sou racista e ainda ontem disse a um pseudo-chefe, que não era "preto".
- Não somos, mas para lá caminhamos, com este andar...

- É uma frase racista como o caraças.

- Pois é, mas todos a dizemos...
- Há sempre situações nas nossas vidas em que nos sentimos "pretos".
- E não apenas com esse sentido de escravo do trabalho.

- Então?
- Já vivi uma experiência especial. Estive num bar de música africana em que era o único branco. Nunca senti tantos olhares fixos na minha pessoa. Embora não fosse hostilizado, percebi em parte o que sente um preto na terra de brancos...
- Imagino a sensação...
O desenho é de Bernardo Marques.

sexta-feira, junho 20, 2008

Festival de Teatro de Almada

A Companhia de Teatro de Almada apresenta hoje o 25º Festival de Almada, na Casa da Cerca, às 21.30 horas.

O festival visitará os vários palcos da cidade (e arredores), entre os dias 4 a 18 de Julho, com bons espectáculos teatrais.
Quem gosta, não falte à "festança", pois, de certeza que sairá de Almada, com a barriga cheia de teatro...

quinta-feira, junho 19, 2008

Adeus, Até Depois...

Portugal foi à vida, mais uma vez graças aos alemães e àquele jeitoso do Schweinsteiger, que bem podia ter sido castigado por dois jogos, quando foi expulso (tinha-nos dado imenso jeito)...
Podem-se encontrar as explicações que se quiserem.
Eu só encontro uma: a selecção portuguesa tem nove excelentes jogadores e dois normais, que acabaram por ter algumas responsabilidades nos golos de hoje: Ricardo e Paulo Ferreira.
Um amigo meu diz que o Ricardo é o típico guarda-redes de andebol, que só entra para defender penaltis, só que no futebol de onze não existem substituições temporárias (como tem sido o principal "afilhado" do Scolari, Ricardo até corre o risco de se tornar o guarda-redes mais internacional do nosso futebol)...
Paulo Ferreira é um defesa direito adaptado à esquerda, com as fragilidades inerentes, numa competição deste nível...
Neste desenho de Rui Galvão, Cristiano Ronaldo bem pode piscar o olho à Nereia e ao Real Madrid, porque o Europeu já era...

quarta-feira, junho 18, 2008

Conversas de Café (11)

- Viste por aí o PSD?
- Não, mas descobri que voltou a ser um partido à moda antiga, cheio de cavalheiros. Já reparaste que ninguém aparece por aí a dizer mal da doutora Manuela?
- Pois não. És capaz de ter alguma razão, mas já se previa, que ela ia falar de menos, ao contrário dos antecessores, que falavam de mais.
- Ela é mesmo um "cavaco de saias", até na cara de pau.
- Qualquer dia aparece por aí, a dizer que não lê jornais, só passa os olhos pelas gordas...
- Já reparaste que a oposição dá a sensação de estar a desaparecer em Portugal?
- É verdade, até o "paulinho das feiras", está a perder a imaginação...
- E à esquerda as coisas não estão melhores, há momentos, que até parece que o poeta Alegre é o líder da oposição...
- O Sócrates sabe-a toda, não governa mas manipula.
- É verdade, vivemos muito pior que há meia-dúzia de anos, mas, estupidamente, parece que ele continua a ser a única luz ao fim do túnel...

terça-feira, junho 17, 2008

Seremos Apenas um País de Ideias e de Idiotas?

Ontem assisti ao meio (falhei o princípio e o fim...) do programa "Prós e Contras". Ao ouvir os convidados, reparei que estavam a falar de vários países e de vários povos, metidos aqui, neste nosso pequeno canto solarengo.
Apesar do nome do programa, nem sempre se escolhem pessoas, com ideias tão diferentes, como as de ontem. As que estão mais próximas de nós, parecem-nos certas, as outras patéticas. É sempre assim...
Pelo meio ainda se lava alguma roupa suja, aponta-se o dedo, mas sobretudo, diz-se à televisão, de lá para cá: «Sou muito bom não sou? Sou esperto que nem um alho, não é?»
Cheguei a assustar-me, pela forma como falaram de nós, portugueses, ora divididos ou unidos, pela "alienação e a coesão" provocada pelos futebóis, uma das poucas coisas da qual nos podemos orgulhar...
Depois de desligar a televisão e de os silenciar, aqui por casa, percebi que me irritam cada vez mais todos estes filósofos do "contra" e do "nada", que cuja única missão é dizer mal ou bem, das acções do Xico ou do Manel, apenas com uma motivação, os seus amores ou ódios pessoais.
À margem do programa, é uma pena percebermos que pessoas inteligentes como Vasco Pulido Valente, José Pacheco Pereira ou Miguel Sousa Tavares, deixaram de conseguir transmitir qualquer mensagem isenta, honesta e livre, sobre o nosso país, há bastante tempo...

A fotografia, "Lavadouro Municipal", é de Robert Doisneau. Não tem muito a ver com as ideias, mas apeteceu-me colocá-la...

domingo, junho 15, 2008

Duas Sombras


Duas sombras
Vogam em total liberdade,
Um imenso corpo
Feito de águas e de batalhas.

São duas aves brancas
Que anunciam o regresso
De uma breve viagem
No tempo e na vida.
Poisaram nas margens do Tejo
Como quem poisa num sonho
Perfumado por vozes e maresia.

São agora dois seres imensuráveis
Embriagados de um silêncio azul e voluptuoso
Tal como o rio, que os viu nascer há tanto.

Em fino areal humedecido
Homem e mulher, caminham harmoniosamente
Como se fossem dois dóceis animais
Que desvendam
Em cada concha sem vida
Tudo o que lhes resta
Do seu mundo de memórias por contar


O poema é da autoria de Alberto Afonso, poeta almadense, o óleo é de Alfredo Keil.

sexta-feira, junho 13, 2008

Olá Fernando, Poeta e Pessoa

Este meu poema é a minha homenagem a Fernando Pessoa, na passagem do 120º aniversário do nascimento (o desenho é do André Carrilho):


Pessoa,


Tantos retratos inacabados
nas profundezas de um copo vazio,
na procura incessante de um rosto certo.
Tanto podias ser Alberto,
Bernardo, Ricardo, Álvaro
ou outro sujeito qualquer,
nunca Fernando!
Porquê, Pessoa?

quarta-feira, junho 11, 2008

Tomar o Pulso ao País

O cavaquismo, de triste memória, começou a definhar com o bloqueio na Ponte 25 de Abril, em Junho de 1994, protagonizado pelos camionistas, de mão dada com os utentes desta entrada e saída de Lisboa.

Parece que vai acontecer o mesmo ao socratismo. Curiosamente ou não, também em Junho e pela mão dos camionistas, catorze anos depois...
Penso que nem eles próprios, camionistas, tinham consciência de que podiam mesmo parar o país, com a complacência das autoridades e com o silêncio do governo.
As pessoas, essas correm às bombas de gasolina e aos hipermercados, como se o mundo fosse acabar amanhã...
Além de o protesto ser ilegal, já provocou uma morte.
Compreendo a luta dos camionistas, porque sinto, que, cada vez mais, é preciso lutar contra estes governantes que acham que podem fazer tudo e que nós não passamos de bonecos.
Não me agradam os "piquetes" (são um atentado à liberdade individual de cada um de nós), embora reconheça que são um mal necessário. Se eles não existissem, o país não estava tão atento e até temeroso, com todo este movimento de contestação...

terça-feira, junho 10, 2008

Que Europa é Esta?

Podia falar do Sol, da Selecção, deste feriado com tantos adjectivos, mas não.

Vou falar desta Europa, presidida por um português manhoso, que segundo as notícias televisivas, aprovou o aumento das horas de trabalho semanais na União Europeia para sessenta e cinco.
Ou seja, não há dinheiro mas há mais trabalho, mais escravidão, em prol deste capitalismo selvagem, dos gestores de ordenados milionários, cartões de crédito, carros de gama alta, apartamentos de luxo, casas de férias, etc, com umas migalhas para os trabalhadores.
Estive a fazer contas, para se cumprir 60 horas semanais de trabalho, temos de trabalhar dez horas por dia, de segunda a sábado.
Se isto avançar mesmo, começa a ser uma vergonha, ser Português e ser Europeu.

O boneco é do sempre genial, António.

sábado, junho 07, 2008

A Piscina de Ocasião

Ontem ao passar pelo Jardim Alberto de Araújo, rente à Igreja Nova de Almada, encontrei um pequeno grupo de rapazes a brincar dentro da fonte. Tinham aproveitado a chegada do calor, para abrir a "época balnear" por aqueles lados...
Como trazia a máquina, não resisti e fixei o momento.
Embora estas cenas podem ter algo de censurável, por aquele lugar ser um espaço colectivo público de lazer e não de banhos, ainda para mais em roupa interior, sorri com o à vontade dos jovens, que deveriam andar entre os nove e os onze anos, e que, provavelmente, nem sempre encontram uma "piscina" disponível para as suas brincadeiras com cheiro a Verão...

sexta-feira, junho 06, 2008

Ginjal é Arte...

O Ginjal voltou a ser notícia, o Município diz que sim, que a requalificação de toda a zona vai avançar...

Claro que a "fonte" está longe de ser credível, assim como a frase: «ponto final no abandono.»
Como não sou inocente, sei que sempre que se aproximam as eleições, escolhem-se bandeiras...
Mas que era bom era, para todos, inclusive para a Autarquia.
O que é sempre bom, é o Ginjal continuar a ser procurado, por turistas e também por muitos artistas, que escolhem este lugar como fonte de inspiração.
Foi o que aconteceu com o pintor almadense, Carlos Canhão, que pintou esta bela aguarela, onde nem falta a miudagem do Ginjal, pela qual me apaixonei desde que a vi e que hoje está pendurada na minha sala...

terça-feira, junho 03, 2008

Uma Nova Massa...

Como todos nós sabemos, as crianças são pródigas em rebaptizar as coisas...
Cá em casa a minha filhota descobriu a "massa dos binóculos", e até tem a sua lógica...

domingo, junho 01, 2008

Mário Araújo Homenageado

Ontem Almada homenageou um grande asssociativista e democrata.
Estou a falar de Mário Araújo, um daqueles homens que têm sempre algo para nos ensinar, fruto da sua rica experiência de vida.
Também estive no pavilhão da SFUAP, para lhe dar um abraço amigo e para lhe agradecer por nunca ter desistido de lutar, por um país mais livre, justo e fraterno.