domingo, agosto 03, 2008

Almada D'Ouro

Já tinhamos descoberto a placa que indicava a direcção para Almada D' Ouro, algures na fronteira entre o Algarve e o Alentejo, próximo das margens do Rio Guadiana.
Este ano enchemo-nos de coragem, e lá fomos, descobrir este Ouro de Almada...
Acabámos por ficar extremamente desiludidos, porque se trata de uma aldeia quase abandonada à sua sorte. O mais estranho foi descobrir que o alcatrão acabava mal se entrava na aldeia...
Caso para perguntar, quantas mais "misérias" se esconderiam ao longo daquelas estradas estreitas de pedra?
Quem diria que um nome tão dourado (tal como a placa turística, que ilustra o "post"), fosse de uma Almada tão pálida, apesar do calor do sul...

sexta-feira, agosto 01, 2008

Esperança Olímpica a Sul

Portugal nunca apresentou uma selecção Olímpica tão forte, como esta que está em Pequim, prestes a brilhar na maior festa desportiva do mundo.

Não deixa de ser curioso que três das maiores esperanças na conquista do ouro olímpico, o objectivo "sagrado" desta competição (e de todas, claro...) sejam mulheres: Naide Gomes, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro. E duas delas, Naide e Telma, sejam da Margem Sul.
Mas há mais atletas que têm todas as condições para entrar na luta pela conquista de medalhas: Francis Obikwelu, Nelson Évora (atletismo), João Pina, João Neto (judo), João Rodrigues, Gustavo Lima, Álvaro Marinho e Miguel Nunes (Vela).
Quando os dirigentes falam, que se forem ultrapassadas as três medalhas (recorde português...), já será muito bom, estão a resguardar-se e a proteger os atletas. Porque se as coisas correrem bem, a selecção pode no mínimo, duplicar esse número, sem se estar a elevar demasiado a fasquia...

A foto da Telma foi retirada da revista "Visão", porque tem o Tejo e a nossa esperança lusa, bem presentes...

quinta-feira, julho 31, 2008

Voltar...


Não me apetece muito escrever. Acho que ainda não me apetecia voltar, mas...
Ainda ontem dissemos adeus ao mar de águas temperadas e ondas curtas, caminhámos uma última vez pela ponte de madeira, para voltarmos, talvez para o ano...

quarta-feira, julho 23, 2008

Olhar o Tejo...


Hoje apetecia-me olhar o Tejo, mesmo que fosse de uma janela velha, como esta, da Quinta da Arealva...
Como as férias são das coisas mais efémeras que nos acontecem, daqui a uns dias, volta tudo ao circuito normal...
E Lisboa sabe sempre bem em Agosto, se não fossem os muitos estrangeiros, quase que se podia dizer, que tinha "fechado" para balanço...

terça-feira, julho 15, 2008

Madrugada


Um leve tremor precede à madrugada
Quando mar e céu na mesma cor se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores
E para além de insânias e rumores
A nossa vida se vê extasiada

O poema é de Sophia de Mello Breyner Andresen, a foto de Ana Margarida Santos. A gente vê-se por aí...

segunda-feira, julho 14, 2008

Quinta da Arealva I

Só aqui,

se juntam os pássaros
para cantar.

Só aqui
as árvores
se precipitam no vazio
e se curvam ao meu passar

Só aqui,
o silêncio
é mais verde
do que a terra,
e tão verde
quanto o mar.


Verde...
só este recôndido lugar!

O poema, "Quinta da Arealva I", é da autoria do poeta almadense Alberto Afonso, do livro "Recantos de Minha Terra".

domingo, julho 13, 2008

As Quadras Populares Sãojoaninas

Almada é um concelho extremamente rico e multifacetado no campo da Cultura.
Tanto organiza um Festival de Teatro, que é do melhor que se faz no nosso país e até na Europa, como dá luz ao Concurso de Quadras Populares, alusivas às festividades do S. João, que tem um cunho muito próprio, enraizado na verdadeira cultura popular.
Só para perceberem o que digo, ofereço-vos a quadra que conquistou o primeiro prémio (a cerimónia de entrega de prémios decorreu ontem à tarde, no Solar dos Zagalos), que é de uma beleza e de uma originalidade, pouco comuns. É da autoria de Maria Clara Cordeiro Mestre de Carvalho, que merece, sem qualquer dúvida, um aplauso especial.

Almada é uma aguarela
Tem a cor que nos seduz
São João pintou-a em tela
Pôs-lhe festas vida e luz
.

sexta-feira, julho 11, 2008

Che no Fórum Romeu Correia

Vale a pena passar pelo Fórum Romeu Correia, em Almada, e visitar a exposição itinerante, "Che! Mito e Revolução", que tem viajado pelo mundo inteiro.


Está organizada de uma forma agradável, com fotografias, cartazes, livros e outros objectos de colecção.
Gostei bastante do que vi, apesar da simplicidade, está recheada de significados.
A exposição está patente ao público até 7 de Setembro, e claro, merece uma visita dos almadenses e turistas, de passagem pela Margem Sul.

quinta-feira, julho 10, 2008

Joaquim Benite é Teatro

Não sei se Joaquim Benite foi um jornalista que se transformou em encenador, ou se foi um homem de teatro que andou escondido, demasiado tempo, no lado quase invisível das notícias que escreveu para os jornais e revistas onde trabalhou.
Mas isso não é o mais importante, pelo menos se pensarmos que Almada conhece muito melhor o homem do teatro - cujo contributo artístico, como encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, tem sido fundamental para o desenvolvimento da Arte de Talma na nossa cidade -, que o homem dos jornais.
Esta aventura começou há quase trinta anos, quando o Grupo de Teatro de Campolide se mudou do bairro lisboeta para a Margem Sul. Não sei se estarei a exagerar, mas é bem provável que neste largo período de tempo tenham sido encenadas e produzidas mais de uma centena de peças de teatro pelo grupo que algum tempo depois acabou por ser baptizado como Companhia de Teatro de Almada, numa prova evidente de agradecimento, à Cidade e ao Município, pela forma como têm sido recebidos.
Não foi um percurso só com “Dias Felizes”. Houve um pouco de tudo, como é costume acontecer em todos os lugares onde existem seres humanos: alguns desaparecimentos importantes como os de António Assunção e Virgílio Martinho; algumas saídas de actores influentes, que queriam experimentar outras dramatúrgias; etc.
A Companhia não só resistiu, como se fortaleceu, tornando-se cada vez mais consistente.É por isso que Joaquim Benite merece todo o respeito, admiração e aplauso dos almadenses pelo excelente trabalho que tem desenvolvido em benefício do teatro da nossa terra, quer como director e encenador da Companhia de Teatro de Almada, quer como principal responsável pelo Festival de Teatro de Almada, que anima a cidade durante a primeira quinzena de Julho, há mais de vinte anos.
Festival que se assume, cada vez mais, como o principal acontecimento teatral do nosso país. Isso deve-se à qualidade das companhias internacionais que nos visitam, mas também à planificação que se faz ano após ano. Não é por acaso que esta Festa do Teatro consegue oferecer sempre qualquer coisa de novo aos espectadores que visitam, deliciados, os vários palcos espalhados pela cidade. [...]
[..] Apesar destas palavras elogiosas, devo acrescentar que conheço o Joaquim Benite quase apenas de vista. Trocámos algumas palavras pouco mais de meia dúzia de vezes e também já o entrevistei. Sempre me pareceu uma pessoa acessível, no entanto dizem que tem mau feitio. É normal que isso aconteça. No nosso país quem faz um trabalho rigoroso, que ultrapasse a mediania, sem se alimentar do facilitismo e desenrascanço, tão portugueses, dificilmente escapa ao epíteto de “mau de qualquer fita”.

Este artigo foi publicado, integralmente, no "Jornal de Almada", numa das rubricas que assinei, nas suas páginas ("Almada no Centro do Mundo"), que era uma espécie de perfil, a 22 de Julho de 2005. Tentei encurtá-lo um pouco mais, mas não deu, deixava de fazer sentido. A fotografia é de Anabela Luís.

terça-feira, julho 08, 2008

O Ginjal e a Arte Almadense (IV)

Mais um quadro da Júlia Capêlo, pintora almadense, residente no casario do Ginjal.
Basta abrir as janelas da sua casa, viradas para o rio, para a perfumar com o cheiro do Tejo...

domingo, julho 06, 2008

A Juventude das Marchas

Na sexta-feira e no sábado à noite, voltei a assistir à apresentação das Marchas Populares de Almada, no pavilhão do Feijó.

O espectáculo do pavilhão é sempre de melhor qualidade, que na avenida, por razões óbvias. O apoio do público é mais sentido e isso aumenta, e de que maneira, a motivação dos marchantes.
É gratificante ver que a qualidade de todos os grupos participantes, tem melhorado a olhos vistos. Se há menos apoio monetário da Autarquia, valoriza ainda mais o trabalho de todas estas pessoas, que se entregam de alma e coração às Marchas.
Mas o aspecto que me parece mais relevante e pertinente, é o facto de a maior parte dos elementos das marchas, serem bastante jovens, cujas idades devem variar entre os 15 e os 22 anos.
Apeteceu-me perguntar a todos aqueles rapazes e raparigas, porque razão estavam ali, qual era o principal factor de motivação para participarem nas Marchas Populares...

sábado, julho 05, 2008

Conversas de Café (13)

- A praia é cada vez mais um pólo cultural, importante.
- Depende da "cultura" que falas...

- Falo de todas e sem ironia.
- E esta?
- Duvidas que o mar ajuda a exercitar o corpo e o espírito?
- Não, especialmente o corpo...

- A parte do corpo é mais visível, até porque há pessoas que só correm, nadam e dão uns toques numa bola, à beira-mar.
- És capaz de ter razão, a chamada "alma" talvez ande mais leve nas férias, talvez esteja mais receptiva a novidades...
- Vês como foste lá? Há quem leia livros apenas de férias, vá ao teatro, ao cinema ou a um concerto, também no Verão. E ainda temos os Zézés, que desenferrujam a língua com o tradicional inglês de praia, com as famosas "bifas", que não têm necessariamente que ser inglesas...
- Assim fico convencido, com estes teus exemplos, praia é mesmo igual a mais cultura, do corpo e da alma...

terça-feira, julho 01, 2008

Fim de Tarde no Ginjal

Sabe sempre bem, acabar a tarde no Ginjal,
em qualquer estação do ano.
O Verão oferece-nos outros atractivos. Além de esticar o dia por mais duas, três horas, deixa-nos presos com o olhar, a
os raios do Sol que se deitam nas águas do Tejo, dando-lhe um brilho mágico que se prolonga até ao Oceano.
E se o fizermos, sentados numa das cadeiras da esplanada, com uma boa companhia (que até pode ser um livro...),
à procura do fundo de um copo de imperial...

segunda-feira, junho 30, 2008

E Viva Espanha!

Não foi por nos terem vingado, ao derrotarem a Alemanha, que fiquei feliz, por ver a Espanha sagrar-se campeã europeia. Foi sim, por serem a selecção que jogou melhor futebol durante o europeu (só a Holanda conseguiu rivalizar com os espanhóis...).

Continuo a pensar que o futebol não é essa coisa científica, que alguns "palradores" espalham pela televisão, é sim um desporto de muita intuição, e sobretudo de inteligência técnica, onde devia estar na primeira linha o aproveitamento exaustivo das características e do talento dos jogadores.
Não tenho dúvidas que se Scolari fosse um treinador inteligente tinha explorado um sistema de jogo próximo do de Aragonés, com a bola jogada rente à relva, com trocas de passes da defesa ao ataque, até ao remate à baliza, sem os habituais balões, que vão direito aos guarda-redes ou aos defesas adversários, quase sempre gigantes.
Claro que o treino deste sistema dá mais trabalho que treinar o "mata-mata"...
A selecção espanhola provou que os jogadores não se medem aos palmos, até os seus dois centrais, Puyol e Marchena, eram de estatura mediana, e nunca causaram grandes calafrios a Casillas...
Na final de ontem, os "gigantes" alemães, foram metidos no bolso. No período mais quente do jogo, ainda tentaram inventar, e até influenciar o árbitro, mas Inesta, Xavi, Torres e companhia, só queriam ser campeões europeus de futebol e não de confusões...
É muito importante percebermos no decorrer dos jogos, que os jogadores jogam nas posições onde dão mais rendimento. Coisa que nunca sucedeu com Cristiano Ronaldo, o caso mais gritante de sub-rendimento da nossa selecção, sistematicamente "asfixiado" e "preso" pelo sistema de jogo, extremamente conservador, de Scolari.
Por tudo isto, e pelo amor ao bom futebol, viva Espanha!

sábado, junho 28, 2008

"Ricos e Mal Agradecidos"


Tinha pensado escrever sobre a frase da semana do nosso primeiro, mas depois esqueci-me. Ao passar pelo
Cinco Dias e ler o que o Nuno Ramos de Almeida escreveu, não pude deixar de sorrir, e claro, não arranjava um título melhor...

Por acaso não li a frase no "Expresso", mas na "Sábado" ("Não é justo não gostarem de mim" - José Sócrates, referindo-se às confederações patronais, in "Correio da Manhã").

sexta-feira, junho 27, 2008

Os Pesos da Balança...

Em primeiro lugar, sei que o Vale Azevedo é um grande vigarista.
E foi graças a ele que o nome do Benfica andou pelas ruas da amargura.
Mas o homem já esteve preso seis anos, ao contrário de muitos outros grandes vigaristas deste país, que têm lesado o Estado em tantos milhões, e que nem uma única vez, estiveram fechados numa cela.
E nem vou falar dos futebóis, do papa do norte que se diverte com isto tudo, que no final dos anos oitenta, principio de noventa, até se dava ao luxo de ter uma guarda particular, mesclada de polícias e ladrões, que abanava os túneis dos estádios e virava jornalistas de pernas para o ar. Ainda deixou várias marcas nuns quantos repórteres incómodos (silenciados até pelos próprios jornais). Embora o guarda Abel pareça uma figura da banda desenhada ou de um filme de malandragem, existe mesmo. Aliás, nesta altura do campeonato já deve ter lugar cativo honorifico no Dragão...
Quando Vale Azevedo diz que a justiça gozou e brincou com ele, tem toda a razão. Quem é que foi posto em liberdade, neste país, por apenas dezassete segundos?
E não se esqueçam de pagar o bilhete de avião, de volta...

A fotografia que escolhi é de Henri Cartier-Bresson, é toda ela carregada de simbolismo, tem grades, escadas, alguém em fuga de bicicleta, embora todos nós saibamos, que de avião escapa-se mais rápido à justiça, e se for a jacto então...

quinta-feira, junho 26, 2008

Cargaleiro em Castelo Branco

Gostei de ver hoje a reportagem televisiva, sobre mais uma entrega de parte da colecção de arte de Mestre Cargaleiro, ao Município de Castelo Branco. Esta Autarquia, depois de criar um espaço museológico sobre a obra do autor, que viveu no concelho de Almada (veio para a Quinta da Silveira, na Sobreda, com um ano), até partir para Paris, na segunda metade dos anos cinquenta, aumentou a sua área, para puder acolher novos acervos artísticos da sua colecção.

Foi uma pena que Almada nunca tenha criado condições para que a sua obra, tal como a colecção particular de azulejos e peças de barro, que foi adquirindo, ao longo dos anos, que já tive a felicidade de conhecer, em visita guiada pelo próprio Mestre Cargaleiro (uma das mais importantes do país, da qual se incluem algumas peças assinadas por Picasso), ficasse no concelho.
Seixal tem prometido muito a Cargaleiro, mas percebi que o Município de Castelo Branco, age de forma diferente, além de prometer, faz...

terça-feira, junho 24, 2008

As Marchas de Almada

Ontem foi noite de S.João em Almada, onde além dos bailaricos populares, houve as já tradicionais, Marchas Populares.

Quem acompanhe as marchas em Almada, nota, ano após ano, uma grande melhoria em praticamente todos os participantes neste concurso.
Há uma grande inovação no guarda-roupa, nos arcos e até na coreografia (já não marcha tudo da mesma forma...). Claro que há três ou quatro grupos que se destacam, onde se percebe que têm como objectivo a vitória, em nome de um bairrismo, que não deixa de ser salutar.
A escolha do local da apresentação (frente à Lisnave) - que talvez ainda seja provisória para o Município -, tem-se revelado o espaço ideal, pelo menos se o compararmos com a Praça S. João Baptista. Há mais espaço para o público e até para os marchantes, além de haver outro ponto de dança, além da tribuna, o que é sempre agradável para as pessoas e também para os participantes, que podem fazer um último ensaio, antes de se apresentarem em frente da tribuna e do respectivo júri.
Embora estas mudanças tenham acontecido devido às obras, conseguiram "democratizar" este evento, o que é sempre de saudar. Só esperamos que assim continue, para gáudio de todos os almadenses e não de apenas os "eleitos"...

domingo, junho 22, 2008

Conversas de Café (12)

- Somos tão preconceituosos, mesmo sem querermos.
- Porque dizes isso?

- Falo por mim, claro. Tenho a mania que não sou racista e ainda ontem disse a um pseudo-chefe, que não era "preto".
- Não somos, mas para lá caminhamos, com este andar...

- É uma frase racista como o caraças.

- Pois é, mas todos a dizemos...
- Há sempre situações nas nossas vidas em que nos sentimos "pretos".
- E não apenas com esse sentido de escravo do trabalho.

- Então?
- Já vivi uma experiência especial. Estive num bar de música africana em que era o único branco. Nunca senti tantos olhares fixos na minha pessoa. Embora não fosse hostilizado, percebi em parte o que sente um preto na terra de brancos...
- Imagino a sensação...
O desenho é de Bernardo Marques.

sexta-feira, junho 20, 2008

Festival de Teatro de Almada

A Companhia de Teatro de Almada apresenta hoje o 25º Festival de Almada, na Casa da Cerca, às 21.30 horas.

O festival visitará os vários palcos da cidade (e arredores), entre os dias 4 a 18 de Julho, com bons espectáculos teatrais.
Quem gosta, não falte à "festança", pois, de certeza que sairá de Almada, com a barriga cheia de teatro...

quinta-feira, junho 19, 2008

Adeus, Até Depois...

Portugal foi à vida, mais uma vez graças aos alemães e àquele jeitoso do Schweinsteiger, que bem podia ter sido castigado por dois jogos, quando foi expulso (tinha-nos dado imenso jeito)...
Podem-se encontrar as explicações que se quiserem.
Eu só encontro uma: a selecção portuguesa tem nove excelentes jogadores e dois normais, que acabaram por ter algumas responsabilidades nos golos de hoje: Ricardo e Paulo Ferreira.
Um amigo meu diz que o Ricardo é o típico guarda-redes de andebol, que só entra para defender penaltis, só que no futebol de onze não existem substituições temporárias (como tem sido o principal "afilhado" do Scolari, Ricardo até corre o risco de se tornar o guarda-redes mais internacional do nosso futebol)...
Paulo Ferreira é um defesa direito adaptado à esquerda, com as fragilidades inerentes, numa competição deste nível...
Neste desenho de Rui Galvão, Cristiano Ronaldo bem pode piscar o olho à Nereia e ao Real Madrid, porque o Europeu já era...

quarta-feira, junho 18, 2008

Conversas de Café (11)

- Viste por aí o PSD?
- Não, mas descobri que voltou a ser um partido à moda antiga, cheio de cavalheiros. Já reparaste que ninguém aparece por aí a dizer mal da doutora Manuela?
- Pois não. És capaz de ter alguma razão, mas já se previa, que ela ia falar de menos, ao contrário dos antecessores, que falavam de mais.
- Ela é mesmo um "cavaco de saias", até na cara de pau.
- Qualquer dia aparece por aí, a dizer que não lê jornais, só passa os olhos pelas gordas...
- Já reparaste que a oposição dá a sensação de estar a desaparecer em Portugal?
- É verdade, até o "paulinho das feiras", está a perder a imaginação...
- E à esquerda as coisas não estão melhores, há momentos, que até parece que o poeta Alegre é o líder da oposição...
- O Sócrates sabe-a toda, não governa mas manipula.
- É verdade, vivemos muito pior que há meia-dúzia de anos, mas, estupidamente, parece que ele continua a ser a única luz ao fim do túnel...

terça-feira, junho 17, 2008

Seremos Apenas um País de Ideias e de Idiotas?

Ontem assisti ao meio (falhei o princípio e o fim...) do programa "Prós e Contras". Ao ouvir os convidados, reparei que estavam a falar de vários países e de vários povos, metidos aqui, neste nosso pequeno canto solarengo.
Apesar do nome do programa, nem sempre se escolhem pessoas, com ideias tão diferentes, como as de ontem. As que estão mais próximas de nós, parecem-nos certas, as outras patéticas. É sempre assim...
Pelo meio ainda se lava alguma roupa suja, aponta-se o dedo, mas sobretudo, diz-se à televisão, de lá para cá: «Sou muito bom não sou? Sou esperto que nem um alho, não é?»
Cheguei a assustar-me, pela forma como falaram de nós, portugueses, ora divididos ou unidos, pela "alienação e a coesão" provocada pelos futebóis, uma das poucas coisas da qual nos podemos orgulhar...
Depois de desligar a televisão e de os silenciar, aqui por casa, percebi que me irritam cada vez mais todos estes filósofos do "contra" e do "nada", que cuja única missão é dizer mal ou bem, das acções do Xico ou do Manel, apenas com uma motivação, os seus amores ou ódios pessoais.
À margem do programa, é uma pena percebermos que pessoas inteligentes como Vasco Pulido Valente, José Pacheco Pereira ou Miguel Sousa Tavares, deixaram de conseguir transmitir qualquer mensagem isenta, honesta e livre, sobre o nosso país, há bastante tempo...

A fotografia, "Lavadouro Municipal", é de Robert Doisneau. Não tem muito a ver com as ideias, mas apeteceu-me colocá-la...

domingo, junho 15, 2008

Duas Sombras


Duas sombras
Vogam em total liberdade,
Um imenso corpo
Feito de águas e de batalhas.

São duas aves brancas
Que anunciam o regresso
De uma breve viagem
No tempo e na vida.
Poisaram nas margens do Tejo
Como quem poisa num sonho
Perfumado por vozes e maresia.

São agora dois seres imensuráveis
Embriagados de um silêncio azul e voluptuoso
Tal como o rio, que os viu nascer há tanto.

Em fino areal humedecido
Homem e mulher, caminham harmoniosamente
Como se fossem dois dóceis animais
Que desvendam
Em cada concha sem vida
Tudo o que lhes resta
Do seu mundo de memórias por contar


O poema é da autoria de Alberto Afonso, poeta almadense, o óleo é de Alfredo Keil.

sexta-feira, junho 13, 2008

Olá Fernando, Poeta e Pessoa

Este meu poema é a minha homenagem a Fernando Pessoa, na passagem do 120º aniversário do nascimento (o desenho é do André Carrilho):


Pessoa,


Tantos retratos inacabados
nas profundezas de um copo vazio,
na procura incessante de um rosto certo.
Tanto podias ser Alberto,
Bernardo, Ricardo, Álvaro
ou outro sujeito qualquer,
nunca Fernando!
Porquê, Pessoa?

quarta-feira, junho 11, 2008

Tomar o Pulso ao País

O cavaquismo, de triste memória, começou a definhar com o bloqueio na Ponte 25 de Abril, em Junho de 1994, protagonizado pelos camionistas, de mão dada com os utentes desta entrada e saída de Lisboa.

Parece que vai acontecer o mesmo ao socratismo. Curiosamente ou não, também em Junho e pela mão dos camionistas, catorze anos depois...
Penso que nem eles próprios, camionistas, tinham consciência de que podiam mesmo parar o país, com a complacência das autoridades e com o silêncio do governo.
As pessoas, essas correm às bombas de gasolina e aos hipermercados, como se o mundo fosse acabar amanhã...
Além de o protesto ser ilegal, já provocou uma morte.
Compreendo a luta dos camionistas, porque sinto, que, cada vez mais, é preciso lutar contra estes governantes que acham que podem fazer tudo e que nós não passamos de bonecos.
Não me agradam os "piquetes" (são um atentado à liberdade individual de cada um de nós), embora reconheça que são um mal necessário. Se eles não existissem, o país não estava tão atento e até temeroso, com todo este movimento de contestação...

terça-feira, junho 10, 2008

Que Europa é Esta?

Podia falar do Sol, da Selecção, deste feriado com tantos adjectivos, mas não.

Vou falar desta Europa, presidida por um português manhoso, que segundo as notícias televisivas, aprovou o aumento das horas de trabalho semanais na União Europeia para sessenta e cinco.
Ou seja, não há dinheiro mas há mais trabalho, mais escravidão, em prol deste capitalismo selvagem, dos gestores de ordenados milionários, cartões de crédito, carros de gama alta, apartamentos de luxo, casas de férias, etc, com umas migalhas para os trabalhadores.
Estive a fazer contas, para se cumprir 60 horas semanais de trabalho, temos de trabalhar dez horas por dia, de segunda a sábado.
Se isto avançar mesmo, começa a ser uma vergonha, ser Português e ser Europeu.

O boneco é do sempre genial, António.

sábado, junho 07, 2008

A Piscina de Ocasião

Ontem ao passar pelo Jardim Alberto de Araújo, rente à Igreja Nova de Almada, encontrei um pequeno grupo de rapazes a brincar dentro da fonte. Tinham aproveitado a chegada do calor, para abrir a "época balnear" por aqueles lados...
Como trazia a máquina, não resisti e fixei o momento.
Embora estas cenas podem ter algo de censurável, por aquele lugar ser um espaço colectivo público de lazer e não de banhos, ainda para mais em roupa interior, sorri com o à vontade dos jovens, que deveriam andar entre os nove e os onze anos, e que, provavelmente, nem sempre encontram uma "piscina" disponível para as suas brincadeiras com cheiro a Verão...

sexta-feira, junho 06, 2008

Ginjal é Arte...

O Ginjal voltou a ser notícia, o Município diz que sim, que a requalificação de toda a zona vai avançar...

Claro que a "fonte" está longe de ser credível, assim como a frase: «ponto final no abandono.»
Como não sou inocente, sei que sempre que se aproximam as eleições, escolhem-se bandeiras...
Mas que era bom era, para todos, inclusive para a Autarquia.
O que é sempre bom, é o Ginjal continuar a ser procurado, por turistas e também por muitos artistas, que escolhem este lugar como fonte de inspiração.
Foi o que aconteceu com o pintor almadense, Carlos Canhão, que pintou esta bela aguarela, onde nem falta a miudagem do Ginjal, pela qual me apaixonei desde que a vi e que hoje está pendurada na minha sala...

terça-feira, junho 03, 2008

Uma Nova Massa...

Como todos nós sabemos, as crianças são pródigas em rebaptizar as coisas...
Cá em casa a minha filhota descobriu a "massa dos binóculos", e até tem a sua lógica...

domingo, junho 01, 2008

Mário Araújo Homenageado

Ontem Almada homenageou um grande asssociativista e democrata.
Estou a falar de Mário Araújo, um daqueles homens que têm sempre algo para nos ensinar, fruto da sua rica experiência de vida.
Também estive no pavilhão da SFUAP, para lhe dar um abraço amigo e para lhe agradecer por nunca ter desistido de lutar, por um país mais livre, justo e fraterno.

sexta-feira, maio 30, 2008

Um Lugar Comum...

Embora seja um lugar-comum, não deixa de ser verdade: nunca pensei ficar por aqui tanto tempo.
Pensava que um ano já seria uma boa passagem pela blogosfera, só que já passaram dois...
E depois deste blogue ainda tive o "descaramento" de criar mais dois...
E devo confessar que não estou farto. Como acontece com todas as coisas da vida, há dias melhores e outros assim assim, mas ainda nunca senti vontade de fechar as portadas e as janelas e fazer-me à estrada...
Podia pôr-me a falar de estatística, mas isso não vale nada, comparado com as visitas de pessoas que se tornaram especiais, com quem fui criando laços e que são o sal deste mundo virtual, pelo menos para mim.
É por isso que deixei a chave na porta, para que vão entrando e podem fazer de conta que a casa é vossa. Há bolinhos secos na mesa, queijo da serra, pão caseiro, paio, vinho da casa, branco e tinto, sirvam-se...
Também podem colher uma ou outra flor, mas não exagerem, não retirem a beleza aos canteiros...

quinta-feira, maio 29, 2008

O Pacto de Almada

Na noite de 29 de Maio de 1958, Almada foi palco de um acontecimento histórico durante o comício que Humberto Delgado realizou na Academia Almadense: a desistência da candidatura de Arlindo Vicente, apoiada pelo PCP, a favor da candidatura do “General Sem Medo”.
Apesar de a PIDE, ter feito tudo para que Arlindo Vicente, não conseguisse chegar a Almada, o candidato conseguiu furar todas as barreiras e reuniu-se nos bastidores do palco da sala da Academia, onde foram trocaram as primeiras impressões sobre o acordo. A conversa dos dois democratas perseguiu em Lisboa, na casa do general, onde ambos assinaram o pacto de união, intitulado, “Aos Portugueses”, na madrugada de 30 de Maio. Nesse mesmo dia Arlindo Vicente anunciou aos órgãos da comunicação social a sua decisão de retirar a sua candidatura, em favor de Humberto Delgado.
O encontro da noite de 29 de Maio de 1958, entre Humberto Delgado e Arlindo Vicente, na sede da Academia Almadense, durante a campanha eleitoral para a Presidência da República de 1958, foi baptizado com um sentido pejorativo, como o “Pacto de Cacilhas”, pelos órgãos de comunicação social afectos ao Salazarismo, ligando-o às populares burricadas.
O Pacto deveria ser reconhecido como "Pacto de Almada", de uma vez por todas, em nome do rigor histórico.

Nota: O Boletim Municipal, distribuído gratuitamente por praticamente todos os lares de Almada, deveria ser mais cuidadoso, quando aborda algumas temáticas históricas, como foi o caso da página dedicada ao 50 º aniversário do encontro entre Humberto Delgado e Arlindo Vicente em Almada. Embora seja um órgão de expressão comunista, cinquenta anos depois, insiste na tese salazarista, que desviou o Pacto feito no centro de Almada para Cacilhas...

quarta-feira, maio 28, 2008

A Boca do Vento e o Olho de Boi

Esta bonita aguarela - quase que parece uma fotografia - é da autoria de Raul Russiano, um excelente artista almadense que já não está entre nós.
Os nomes do título do "post" são mesmo verdadeiros. Desde sempre que estes dois lugares são conhecidos por estes topónimos populares, já com um pé no Tejo, pelos Almadenses...

terça-feira, maio 27, 2008

Banda de Cacilhas

Quando regressávamos a casa do passeio de domingo à tarde, descobrimos uma nova banda de Cacilhas, que se preparava para animar o largo onde se encontra o monumento ao Burro e às Crianças, na rua António Feio.

Sabia que os Bombeiros Voluntários de Cacilhas tinham uma Xaranga, mas não uma banda filarmónica, cheia de jovens instrumentistas, ao lado de alguns músicos da velha guarda.
Boa Surpresa...

segunda-feira, maio 26, 2008

Tarde no Ginjal

Foi bom ontem as nuvens terem decidido passar ao lado do Sol, oferecendo-nos uma tarde deliciosa à beira rio.

Passeámos ao longo do Ginjal, que estava com bastante movimento de turistas, cacilhenses e pescadores de fim de semana...

domingo, maio 25, 2008

Conversas de Café (10)

- Há tantas coisas curiosas no nosso país, que nos passam ao lado.
- Eu sei...
- Se eu há meia dúzia de anos não convivesse com holandeses e alemães, não tinha ganho a percepção de que a coisa que eles achavam mais curiosa em Portugal, era a realidade ser facilmente confundida com qualquer anedota.
- É capaz de ser verdade, mas se não fossemos assim, estávamos completamente lixados...
- Eles gozavam comigo à brava por sermos bons a fazer coisas esquisitas. Adoravam consultar o livro dos recordes e era um fartote de rir...
- E tu ficavas-te?
- Ria-me também...
- Eles deviam gostar era de fazer de nós parvos, para se sentirem importantes...
- Claro, mas não deixavam de ter razão. Somos muito inconstantes, mudamos facilmente do fado para o folclore.
- É a nossa vida. Não venhas dizer que tens vergonha de ser português...
- Às vezes tenho. E não penses que é por causa dos sem abrigo e dos desgraçados que não têm onde cair mortos.
- Eu sei, esses não contam para o campeonato...
- E não contam mesmo... estava a falar do alberto joão, do santana, do sócrates, do durão, do portas e restante matilha...
- O problema é que para eles, nós é que somos a anedota...
O óleo é de Degas, "Dentro do Café".

sábado, maio 24, 2008

Um Mestre das Imagens

Um dos fotógrafos amadores mais premiado além fronteiras, vive no concelho de Almada.

Estou a falar de Aníbal Sequeira, um verdadeiro poeta das imagens...
Tem fotografias a preto e branco que são autênticas obras de arte, como "O Ganhão", que ilustra este "post", imagem premiada em vários salões internacionais.
Curiosamente, ou talvez não, Aníbal Sequeira tem sido esquecido, ano após ano, na festa das "comendas" locais, promovidas pelo Município.
Claro que isso não passa de um "fait-divers". O que é realmente importante são as suas belas fotografias, que têm corrido mundo...

quinta-feira, maio 22, 2008

Um Texto e uma Fotografia da Expo 98

Como comprei um bilhete de três dias, foi com agrado que passeei pela Expo 98.
Fiquei de tal forma bem impressionado, que até escrevi um texto no "O Scala", dedicado, a todos aqueles que não visitaram a Exposição Mundial, que revolucionou o Oriente de Lisboa.
Dez anos depois, reconheço tanta ingenuidade, neste texto...


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quarta-feira, maio 21, 2008

Conversas de Café (9)

- Irritei-me logo de manhã. Um dos meus vizinhos fechou-me a porta do prédio na cara, como se não morasse ali.

- Disseste alguma coisa?

- Não. Mas devia, chamar-lhe no mínimo besta. Mas isso era dar confiança a mais a estes animais que não sabem viver em comunidade.

- Também tenho disso no meu prédio. Todos devemos ter. É uma marca deste tempo, gente que mora ao nosso lado e baixa a cabeça quando se cruza connosco. Só que, de vez enquanto saem-lhe as contas trocadas...

- Então?

- Por exemplo, a gaja mais antipática do prédio, teve de me atender numa grande superfície comercial, e digo-te, foi de uma simpatia, que me deixou de boca aberta.

- Ganhaste uma amiga...

- O tanas. Ainda pensei que depois daquela situação, levantava os "corninhos" e passava a dizer bom dia e boa tarde. Tudo igual.

- Pelo menos é uma boa profissional...

- Achas? Ela sabe é que se não tratar os clientes como deve ser, vai "pastar couves".

terça-feira, maio 20, 2008

O Primeiro dos Últimos...

Sei que o futebol não é o tema mais atraente para uma boa parte dos visitantes do "Casario", mas não resisto a falar da novela, já com alguns episódios, protagonizada pelo Rui Costa, pelo vendedor de pneus e por muitos jornalistas-empresários...

Falo da escolha do novo treinador do Benfica. O nome que mais me deixou estupefacto, entre os muitos que surgem nos jornais, foi o de José Peseiro, que mais uma vez conseguiu a proeza de ser o primeiro dos últimos na Grécia. Há pessoas assim, estão fadadas para serem sempre segundas, para perderem a final nos últimos minutos, etc. Mas este sujeito tem ainda outro problema, mais grave: não sabe liderar uma equipa, como se viu durante a sua passagem pelo Sporting.
Irrita-me que o Peseiro seja sequer hipótese, quando existem no nosso campeonato técnicos como Manuel Cajuda, Jorge Jesus, Jaime Pacheco ou Manuel Machado, que são seguramente, melhores treinadores que ele...
A minha escolha? Seguramente Michael Laudrup (na foto com a camisola do Barcelona), talvez o mais latino dos dinamarqueses...
Escrevi isto a fazer "figas", para que Peseiro não seja sequer uma hipótese e não torne as coisas ainda mais turvas para os lados da Luz...

sábado, maio 17, 2008

Está Quase...

O monumento ao Cristo Rei foi inaugurado há quarenta e nove anos, aproximando-se a passos largos a comemoração do meio século.
Apesar de ter sido "sonhado" pelo Cardeal Cerejeira, amigo intimo de Salazar e figura eminente do Estado Novo, depois de ter estado no Rio de Janeiro, a sua concretização esteve longe de ser fácil.
Rezam as vozes populares locais, que este atraso foi motivado pelo "desfalque" protagonizado por um dos padres, com a responsabilidade da recolha de fundos, que desapareceu com o dinheiro (uma soma bastante avultada para a época), para parte incerta.
Embora não tenha conseguido encontrar registos históricos deste acontecimento (a censura protegia a igreja e os bons costumes...), é bem provável que esta tenha sido uma das causas do atraso das obras e também da passagem do bronze inicial da estátua para o cimento armado...

A aguarela que ilustra este texto é da autoria do pintor almadense, Carlos Canhão, com o Tejo, o Ginjal e o Cristo Rei...

sexta-feira, maio 16, 2008

Eu Vi!

Se me contassem com todos os pormenores, talvez duvidasse. Mas foi mesmo assim.
Em plena Praça do Areeiro, numa passadeira com o sinal aberto para os peões, uma dúzia de pessoas caminhava, quando um individuo com um mercedes, creme cor de táxi, resolveu passar o vermelho, depois de dar uma grande buzinadela. Quase por artes mágicas furou pelo meio das pessoas, que se desviaram como puderam. A única senhora que não se conseguiu desviar totalmente, levou um toque de raspão que a empurrou para o chão. Felizmente sem consequências, além dos collans rasgados e o joelho ligeiramente ferido.
O condutor, como é da praxe, pôs-se a milhas. O polícia que estava a menos de dez metros do local, começou a caminhar na direcção contrária, como se não tivesse acontecido nada...
Ligando estas personagens ao post anterior, o guarda e o condutor não estavam vestido do avesso, estavam "nus" de dignidade e civilidade...
A fotografia é de Robert Doisneau, de 1952, tem como o título, "Inferno". Colando-a ao episódio, não deixa de ter a sua lógica...

quarta-feira, maio 14, 2008

O País Cheio de Gente Vestida do Avesso...

Este título é de um conto-crónica, que escrevi e coloquei na gaveta, junto de dezenas de primos, que estão sempre a espreitar, mal ela se abre...

Vou tentar resumi-lo, sem vestir demasiado as personagens, claro...
É mais um retrato deste nosso país, cheio de gente triste, que não gosta do que faz e que, geralmente, gosta de se vingar em quem lhe aparece à frente no balcão, tornando-lhes a vida ainda um pouco mais difícil, nas filas enormes que crescem nas conservatórias, nas finanças, nos centros de saúde, nos centros de emprego, etc.
Foi por isso que o narrador ficou deliciado ao olhar a funcionária, quase invisível, que caminhava com grande leveza, quase sem tocar no chão e sem incomodar a leitura dos utentes, demasiado ocupados para repararem nela, no interior da biblioteca municipal.
O tal tipo que se arma em narrador, cada vez mais um buscador de diferenças, reparou em quase tudo: no seu cabelo apanhado, nos seus óculos, na sua roupa discreta, mas sobretudo, na maneira como ela agarrava os livros, aliás abraçava...
Era por isso, que sempre que precisava de uma informação qualquer da biblioteca, dirigia-se a ela no balcão. Sabia que a senhora era capaz de ir quase ao fim do mundo, para lhe satisfazer o pedido. E não era pelos seus lindos olhos, era apenas porque gostava de ajudar os outros...
É tão raro encontrar alguém assim, sem estar com a roupa do avesso, e com a cara ao contrário, neste país em que quase toda a gente finge ignorar o verdadeiro significado de serviço público...

O guache é de Manuel Cargaleiro, "sem título", de 1968.

terça-feira, maio 13, 2008

Conversas de Café (8)

- Achas que a beleza é fundamental?
- Fundamental para quê?
- Para quase tudo. Para se arranjar uma namorada, um emprego decente...
- Não acho que seja fundamental. Sempre encontrei mulheres bonitas com homens feios e vice-versa. Nos empregos nem se fala, é cada mamarracho...
- Então porque razão o mercado das plásticas floresce?
- Porque é moda e porque algumas pessoas não se aceitam, quando olham ao espelho.
- Já pensaste em alterar alguma coisa no teu corpo?
- Não. Nunca me senti bem com as coisas demasiado perfeitas...
- Nem mesmo com mulheres?
- Não. As mulheres demasiado belas, parece que sairam de um filme, que não fazem parte da minha realidade...
A Foto é de Robert Doisneau, que lhe chamou "Coco" e é de 1952.

domingo, maio 11, 2008

À Volta das Letras

O desafio é muito simples, escolhe-se um livro e depois convidam-se os visitantes a lerem-no e a aparecerem, um mês depois, no local escolhido, pelo excelente blogue literário, À Volta das Letras, para se que possam trocar ideias e impressões sobre a leitura...

Como li o romance, "Combateremos a Sombra", de Lidia Jorge, a sugestão feita pelos responsáveis do blogue, a Totoia, a Laranjinha e o professor Pardal, senti-me um pouco na obrigação de aparecer na cafetaria do Museu do Teatro.
Claro que também tinha alguma curiosidade em saber quem eram estes amigos dos livros.
Como não podia deixar de ser, fiquei com a melhor das impressões deste grupo de amigos e dei por muito bem empregue este bocado da manhã passado num lugar extremamente bonito da nossa Lisboa...

sexta-feira, maio 09, 2008

Meras Ilusões...

Nós muitas vezes temos a ilusão que o mundo só começou a ser mundo no século vinte...
Felizmente existe a nossa literatura, que por vezes até parece actual demais, com Camilo ou Eça... ou então algumas obras de arte que nos dizem que a vida já era uma coisa cheia no século dezanove...
Este quadro de Alfredo Keil, "Barcos no Estuário do Tejo", com a presença de barcas, de vários portes e funções no rio, é a prova do que digo.
Embora as embarcações fossem mais pequenas, não deviam faltar velas içadas pelo Tejo fora...

segunda-feira, maio 05, 2008

Coisas do Mundo...

Ao folhear um álbum de fotografias de Robert Doisneau, descobri várias preciosidades. A que achei mais estranha e curiosa, foi o "Urinol dos Halles", um dos mercados de Paris, datada de 1953.
Apesar de conhecer vários "urinóis" públicos, nunca tinha imaginado um como o da imagem...
Além da sua posição cimeira, com vista para o mercado, permite manter a conversa em dia com os utilizadores dos lugares em frente.
Quem foi que disse que o "aliviar das águas" era uma actividade solitária?

quinta-feira, maio 01, 2008

Livres e Iguais


Houve um tempo em que acreditámos, que era possível, sermos todos Livres e Iguais, em dignidade e direitos...
Parece que estávamos enganados...
E pensar, que continua ser o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem...