- Há tantas coisas curiosas no nosso país, que nos passam ao lado. - Eu sei...
- Se eu há meia dúzia de anos não convivesse com holandeses e alemães, não tinha ganho a percepção de que a coisa que eles achavam mais curiosa em Portugal, era a realidade ser facilmente confundida com qualquer anedota.
- É capaz de ser verdade, mas se não fossemos assim, estávamos completamente lixados...
- Eles gozavam comigo à brava por sermos bons a fazer coisas esquisitas. Adoravam consultar o livro dos recordes e era um fartote de rir...
- E tu ficavas-te?
- Ria-me também...
- Eles deviam gostar era de fazer de nós parvos, para se sentirem importantes...
- Claro, mas não deixavam de ter razão. Somos muito inconstantes, mudamos facilmente do fado para o folclore.
- É a nossa vida. Não venhas dizer que tens vergonha de ser português...
- Às vezes tenho. E não penses que é por causa dos sem abrigo e dos desgraçados que não têm onde cair mortos.
- Eu sei, esses não contam para o campeonato...
- E não contam mesmo... estava a falar do alberto joão, do santana, do sócrates, do durão, do portas e restante matilha...
- O problema é que para eles, nós é que somos a anedota...
O óleo é de Degas, "Dentro do Café".